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O Espírito Santo cura HOJE.
Boa leitura!
Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)
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9 de fev. de 2014
O Espírito Santo cura HOJE
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8 de jan. de 2014
a crítica selvagem e a selvageria acrítica
Sim, gente, tudo bem. O homem tem uns textos interessantes. Não li os livros porque achei alguns de uma chatice ímpar. Como diz Jorge Luis Borges, citando Montaigne: "eu diria que a literatura é [...] uma forma de alegria. Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou. Por isso, acho que um escritor como Joyce fracassou, em sua essência, já que sua obra requer esforço para ser lida. Um livro não deve exigir esforço: a felicidade não deve exigir esforço".
E quando eu digo chatice não quero dizer "complexidade". Quero dizer chatice, mesmo. Já li muito livro "complexo", de raciocínio bastante elaborado, de Filosofia da Linguagem, Linguística, Semiótica. E penso que quase todos eram apaixonantes, interessantes, instigantes como enigmas prontos a serem desvendados. Mas os livros desse senhor me parecem chatos mesmo, com uma certa pretensão àquilo que eu chamo de "profundidez", uma mistura de profundidade com sordidez intelectual. Sim, ele escreve textos bons, de vez em quando. Reconheço sem nenhum problema. Mas alguns outros são chatos. Só isso, chatos.
E tenho dificuldade para engolir a figura sempre fumando, nos vídeos, e declamando amorosamente três palavrões em cada cinco vocábulos de uma oração. Não, não dá. Não acho engraçado, não amenizo, não busco a compensação: "Ah, ele fala palavrão, mas em compensação..." Não, não há compensação nenhuma. Uma pessoa que não consegue se expressar com o mínimo de compostura não compensa. Volto a preservar a face: sim, ele tem ideias com as quais eu concordo. Sim, ele escreve coisas muito boas. Sim, ele deve ser inteligente. Mas agora volto à carga: não, eu não tenho a menor paciência pra ouvir os maravilhosos programas nos quais ele mostra sua superior superioridade sobre todos os demais mortais que não pensam como ele. "Ah, então você é de esquerda!" Não, não sou. Eu sou é independente de grupos. Eu penso com o meu próprio cérebro. Eu não tenho necessidade de me afirmar admirando fulano, beltrano e sei lá mais quem. Já saí da adolescência, então a turma não é, digamos, uma necessidade. Não penso em bloco. Não faço parte de escola de samba. Então não tenho medo de fazer crítica a ninguém. A ninguém, certo? Porque para mim só há um Deus (e até Ele sabe que de vez em quando eu reclamo do que Ele anda fazendo, com todo o respeito). Mais: não gosto de astrologia, não gosto de islamismo, não gosto de palavrão, não sou católica (com todo o respeito). Então só por aí há divergências. E ponto.
Também não aprovo o tom bastante arrogante (mas esse não é um privilégio dele, somente) com que se expressa. Toda crítica que faz é arrogante, é feita num tom próprio de quem deseja não apenas criticar, mas escarnecer. De quem pretende não só expor suas ideias, mas precisa humilhar o adversário para que elas sejam validadas. Não gosto do tom histriônico, quase histérico, com que afirma suas certezas. Não aprovo o desprezo com que fala de seus opositores. Aliás, o desprezo com que fala do Brasil e dos brasileiros. É o que eu digo sempre: senhor gênio, por que ainda não dá aulas em Oxford, a fim de abandonar de vez esses pobres selvagens que jamais estarão à altura de seu brilhantismo intelectual? Mas não: é daqui que o gênio sagaz tira seu sustento. Vende seus livros no Brasil. Seus programas são vistos aqui. Seus artigos são publicados em jornal brasileiro. Seus alunos, que pagam um preço alto para fazer seus cursos de Filosofia, saem daqui.
Relutei em escrever este texto. Conheço pessoas que concordam comigo em muito do que eu disse, mas não ousam criticá-lo. Eu não ousei nominá-lo. Todos sabem que o senhor tem uma torcida organizada, fãs ardorosos, alunos aplicados e uma tropa de choque fiel. Criticá-lo pode significar perder amizades virtuais, receber o desprezo de muitos e a incompreensão de outros tantos. Mas, que me entendam, não se trata de uma questão emocional. Faço uma crítica sincera e pondero, reconhecendo tanto as qualidades inegáveis de seu trabalho quanto seus defeitos crônicos. Se alguém que me lê agora realmente não é um idiota, deve compreender.
Por fim, meu apelo. Senhor, se tem certeza de que está certo, fale calmamente, decorosamente, respeitosamente. Não insulte o outro. Use a ironia na boa medida -- assim como ela pode ser uma aliada, pode também se tornar uma inimiga impiedosa. Mas agora entro particularmente na questão do estilo literário, e não tenho paciência para fazer essa análise neste momento. Já deu. Ah, sim: quanto ao cigarro, de que falei logo acima. É certo, o fumo faz mal e deixa a pessoa fedendo, e sei disso porque já fumei. Mas isso não é problema meu.
18 de fev. de 2013
Nos seus braços
Só os tolos acreditam que o relacionamento com
Deus é sem graça. Alguns imaginam o céu como um lugar tedioso. Não sei como é o
céu. Mas desde que conheci o amor de Deus, por meio de Jesus, vivo dias incríveis.
Nunca, nem antes nem depois, estive em um relacionamento tão intenso e vivo.
Quando me converti, tinha 21 anos, e meu sentimento era de perplexidade diante
da novidade de sentir em mim uma força viva, ainda que invisível. Dessa força vinha paz, entusiasmo, alegria, amor. A cada dia,
Deus se mostrava de modo diferente – e, no entanto, pacificamente constante.
Meus sentimentos eram também confusos, tinha medo de abrir mão de prazeres,
rotinas, hábitos nos quais não via mal, ainda que soubesse serem errados. Tinha
medo de deixar de ser “eu mesma”, de me tornar triste, um ser de pensamento
embotado e cinza. Via cristãos de todos os matizes: conformados, cínicos,
aguerridos, amorosos, misericordiosos, julgadores, acusadores... Não sabia
direito em que padrão de comportamento eu me encaixaria. Não achava que as
pessoas da igreja eram melhores que muitas “do mundo” que eu já havia conhecido.
A única coisa que eu sabia é que esse Deus era bom, era muito bom, e com Ele eu
me sentia livre para chorar, para falar, para pedir, para reclamar. Pela
primeira vez na minha vida, eu tinha alguém em quem eu podia confiar
completamente. Eu sabia que não era digna de nada, e ainda assim eu pedia. O
mais interessante é que Ele ouvia, e assim eu via, com frequência, pedidos
feitos em oração se tornarem realidade. Era incrível. Lia a Bíblia e aquelas
afirmações, ideias e conceitos pareciam saltar do papel para a minha vida.
Nunca achei a leitura da Bíblia chata. Achava desafiador entender textos mais
herméticos. Achava incrível que aquelas palavras, escritas há tantos séculos, pudessem
se tornar verdade na minha vida. Eu, uma entre mais de seis bilhões.
Mas as coisas mudavam. O ano seguinte à minha
conversão e ao meu batismo foi mais intenso. Comecei a ver mudanças em minhas escolhas,
concepções, certezas. Comecei a entender os mil quinhentos e doze porquês antes
inexplicáveis em relação à prática religiosa. A vida mudava, eu mudava, meu
relacionamento com Deus mudava: tornava-se mais intenso, mais estreito. Anos
depois de minha conversão, olhava tudo o que Ele havia feito em mim e não
acreditava. Era muita coisa. Então olhava para mim e via o quanto havia a ser
feito. E quanto mais Deus fazia, mais eu via o quanto precisava que Ele
fizesse, sempre, coisas novas em mim. Percebi então que a vida com Deus
assemelha-se mais a um rio que a uma lagoa. A relação com Deus é dinâmica, é
cheia de movimento. Nunca é tediosa. Nunca é monótona. A Bíblia que eu relia
adquiria sentidos diferentes. Capítulos que sabia praticamente de cor
subitamente ganhavam uma dimensão completamente inusitada. Sempre foi incrível.
Deus acompanhou fases diferentes, idades
diferentes, humores, estados de alma e de conhecimento vários. Como um
construtor paciente, compreendeu fraquezas, falhas, erros. Consertou muita
coisa, e só não fez tudo de uma vez, quando o conheci, porque eu teria tido um
ataque de nervos instantâneo. Deus sabe o que posso suportar, e age respeitando
meu ritmo e meu passo. Achava que Deus um dia ia perder a paciência comigo,
cansar-se de me perdoar, pedir “um tempo” no nosso relacionamento... Achava que
Deus ia me deixar, que Ele ia me abandonar ou me rejeitar em algum momento.
Para minha grata e completa surpresa, Deus sempre estava comigo, bem perto, ao lado, em volta, aqui. Isso era absurdamente
maravilhoso, para mim. Deus era diferente de todo e qualquer ser humano que eu
já havia conhecido. A cada constatação de que Ele estava lá, estava comigo,
enfrentando todas as dificuldades do meu lado, eu ficava mais e mais grata, eu
o amava com mais intensidade. Não só Ele me moldava como essa nova forma que eu
adquiria me tornava capaz de amá-lo mais e mais, apaixonadamente.
Há 20 anos tenho vivido esse amor com Deus.
Tenho descoberto mais a seu respeito, e tenho aprendido que Ele é de fato
perfeito. Não há defeitos, não há oscilações, não há medo. Deus é nobre por
inteiro. Ele se tornou, para mim, mais real que minha mão, que os meus pés.
Mais real que meu nariz. Não preciso fingir ser quem eu não sou para me mostrar
piedosa, caridosa ou melhor do que de fato sou. Deus me conhece. Sabe como sou.
Sabe exatamente o que penso e sinto. E não me aponta o dedo na hora do erro.
Instrui, acolhe, ensina. Perdoa, edifica, trata. Cura. Ama. Jamais
abandona, jamais desiste, jamais esmorece. É apaixonado, cuidadoso, cheio de
zelo. E imaginem, faz só 20 anos que vivo essa história de amor. Fico pensando
nos próximos 20 anos. Na eternidade.
4 de fev. de 2011
um estudo sobre o orgulho
UM ESTUDO SOBRE O ORGULHO
Mayalu Felix
Este estudo está fundamentado em trechos de duas obras de C. S.Lewis, Cristianismo Puro e Simples e O Problema do Sofrimento, em excertos de Ortodoxia, de G. K. Chesterton, e em exemplos bíblicos acerca do orgulho. Segundo C. S. Lewis, há duas naturezas de pecado: os carnais e os de natureza espiritual.
“Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio.” (Cristianismo Puro e Simples, p. 135)
O orgulho, segundo Lewis, pertence à categoria de pecados de natureza espiritual. Vale a pena ler, na íntegra, o que diz ele no capítulo oito de seu livro:
“Chego agora à parte em que a moral cristã difere mais nitidamente de todas as outras morais. Existe um vício do qual homem algum está livre, que causa repugnância quando é notado nos outros, mas do qual, com a exceção dos cristãos, ninguém se acha culpado. Já ouvi quem admitisse ser mal humorado, ou não ser capaz de resistir a um rabo de saia ou à bebida, ou mesmo ser covarde. Mas acho que nunca ouvi um não cristão que tenha alguma tolerância com esse vício nas outras pessoas. Não existe nenhum outro defeito que torne alguém tão impopular, e mesmo assim não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos. Quanto mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros.
O vício do qual estou falando é o orgulho ou a presunção. A virtude oposta a ele, na moral cristã, é chamada de humildade. [...] De acordo com os mestres cristãos, o vício fundamental, o mal supremo, é o orgulho. A devassidão, a ira, a cobiça, a embriaguez e tudo o mais não passam de ninharias comparadas com ele. É por causa do orgulho que o diabo se tornou o que é. O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe.
Parece que estou exagerando? Se você acha que sim, pense um pouco mais no assunto. Agora há pouco, observei que, quanto mais orgulho uma pessoa tem, menos gosta de vê-lo nos outros. Se quer descobrir quão orgulhoso você é, a maneira mais fácil é perguntar-se: ‘Quanto me desagrada que os outros me tratem como inferior, ou não notem a minha presença, ou interfiram nos meus negócios, ou me tratem com condescendência, ou se exibam na minha frente?’ A questão é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho de todos os outros.” (Id., p. 161)
Quando lemos a Bíblia, podemos perceber que o orgulho é a base de praticamente todos os conflitos humanos e entre os homens e Deus apresentados tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Quando José apressou-se em contar à sua família sobre seu sonho, ele o fez por orgulho: sentia-se superior [Gn 37:5], ainda que de modo bastante infantil. Quando seus irmãos o traíram, também o fizeram por orgulho: irritaram-se ao se sentirem inferiores [o que já era provocado pela diferença de tratamento que Jacó instituiu entre eles]. E Mical? Ao repreender Davi, que dançava junto ao povo sem se sentir superior por ser rei, Mical demonstrou orgulho, desprezando Davi, e foi severamente punida por isso [2 Sm 6: 14-23]. E em Davi, havia orgulho? Durante sua trajetória, percebemos a humildade profunda de seu coração, diante de seus irmãos e diante do povo, mesmo sendo ele rei de Israel. Nesse aspecto, ele era um homem segundo o coração de Deus [1 Sm 13:14]. Isso não isenta Davi de ter sentido profunda inveja de Urias, a ponto de enviá-lo para a morte. A inveja é um tipo de pecado decorrente do orgulho. Davi queria o que era de Urias porque se achava mais merecedor de Betsabá do que ele. Isso também é uma forma de orgulho.
Na Bíblia, Deus nos mostra que toda reação de orgulho tem sua punição. A maior demonstração de orgulho e a maior queda de todas é a do anjo Lúcifer, uma palavra do Latim (lucem ferre) que quer dizer "portador de luz". Da ordem dos querubins, Lúcifer era um anjo poderoso. Seu poder e sua beleza, entretanto, levaram-no a se achar igual ou melhor que Deus. Em Ezequiel, capítulo 28, versos de 1 a 19, o orgulho do rei de Tiro é comparado ao de Lúcifer. Diz o texto:
“Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura [...] Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci [...] Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. [...] Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei [...].”
Em Isaías, cap. 14, versos de 12 a 20, a queda de Nabucodonosor também é comparada à queda de Lúcifer:
“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono [...] Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.”
Mais uma vez, o orgulho atua de forma decisiva para a queda do anjo Lúcifer. E como ele tentou Eva e Adão? Com o orgulho: “... no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus...” (Gn 3:5). Todo o trabalho de Deus no homem é para fazê-lo menos orgulhoso. O homem orgulhoso é o que deseja ser como Deus. É o que tem o ego superestimado, e não permite que Cristo cresça em sua vida. É claro, existem graus de orgulho, mas, como diz Lewis, “é a comparação que torna uma pessoa orgulhosa: o prazer de estar acima do restante dos seres” (Ibid., p. 163).
No Novo Testamento, também não nos faltam exemplos de orgulho. Um dos mais interessantes, que muitos cristãos não interpretam como orgulho, é a reação do irmão do filho pródigo quando o pai recebe com honras o filho que estava longe. O filho que jamais havia se afastado do pai sentia-se superior a seu irmão, e não admitiu, portanto, que o pai o honrasse. Isso é orgulho. Alguns cristãos acham justificável ou menos importante a reação do irmão do filho pródigo. Jesus usou a parábola para ilustrar a reação de muitos cristãos diante de bênçãos que Deus concede a outros irmãos.
Outro exemplo bastante claro de orgulho é Pedro. Pedro não era somente orgulhoso, ele não tinha domínio próprio, era impulsivo e imaturo. Quando Pedro declara que jamais trairá Jesus, ele acredita em si mesmo. Ele acredita que, diferentemente dos demais, é bom o suficiente para permanecer fiel a Cristo mesmo diante de toda a pressão política e religiosa que os discípulos de Jesus estavam sofrendo. O que curou Pedro? Como Jesus curou Pedro de seu orgulho, para poder usá-lo? Jesus fez Pedro reconhecer seu orgulho e seu amor por Cristo. Quando Pedro disse: “Senhor, estou pronto para ir contigo até à prisão e à morte” (Lc 22:33), ele estava centrando suas palavras e seus sentimentos sobre si mesmo e acreditando em suas próprias forças. Isso é orgulho. Por que Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de Jonas, tu me amas?” Essa era a cura do orgulho de Pedro. Ele deixava de centrar seu discurso em si mesmo e passava a colocar Cristo no centro de suas palavras: “Sim, Senhor; tu sabes que te amo”. Entre “estou pronto” e “tu sabes” existe uma grande diferença: na primeira frase, o “eu” assume papel central. Na segunda, o “tu” [que é Jesus] é que é relevante. O orgulho faz com que nos coloquemos, nós e nossa capacidade, no centro. A humildade coloca Jesus no centro do nosso discurso (e, consequentemente, do coração). O exemplo perfeito de humildade foi Cristo. Cristo não tinha orgulho. Andava com os humildes, não se importava em ser visto como inferior, lavava os pés de seus discípulos, desafiava os conceitos orgulhosos da sociedade de sua época. Deus nos mandou Jesus para que víssemos como Ele mesmo é. Não há orgulho em Deus. C. S. Lewis, em O Problema do Sofrimento, diz:
“Da mesma forma que o jovem deseja uma mesada do pai, que possa considerar como sua, com a qual faz seus próprios planos (e com justiça, pois o pai é afinal de contas um semelhante) eles [os seres humanos] também desejavam agir por conta própria, cuidar de seu futuro, planejar para o seu prazer e segurança, ter um meu do qual sem dúvida pagariam um tributo razoável a Deus em termos de tempo, atenção, e amor, mas que em todo caso era deles e não dEle. Eles queriam, como dizemos hoje, ser 'seus próprios donos'. Mas isso significa viver uma mentira, porque na verdade não somos donos de nós mesmos, nossa alma não é nossa. Eles queriam um lugar no universo de onde pudessem dizer a Deus: 'Este negócio é nosso e não seu'. Mas não existe um canto assim. […] Este ato de obstinação por parte da criatura, que constitui uma absoluta falsidade em relação à sua posição de criatura, é o único pecado que pode ser concebido como a Queda. [...] Dessa forma o orgulho e a ambição, o desejo de ser belo a seus próprios olhos e de oprimir e humilhar todos os rivais, a inveja e a busca incessante de mais e mais segurança, eram agora as atitudes que tomava com maior facilidade.” (p. 60 a 63)
O orgulho de Pedro, centrado na ilusão de sua própria autossuficiência, levou-o a afirmar que jamais negaria Cristo e a negá-lo pouco tempo depois. Não tenho dúvidas de que Pedro, realmente, acreditava em si mesmo quando afirmava que jamais negaria a Cristo. Um dos problemas do orgulho é que ele leva as pessoas a acreditarem em si mesmas, negando a Deus o seu lugar em suas vidas. Pessoas orgulhosas acreditam-se suficientemente importantes ao ponto de acharem que podem, por seus esforços, manterem-se fieis a Deus. O humilde crê que tudo pode por Deus, como fez Davi ao atacar Golias. O orgulhoso acredita em si mesmo, como fez Pedro. Creio que deve ser muito difícil ser líder em uma igreja. A tentação de um líder é acreditar em si mesmo. Aí começa a possibilidade de Satanás fazer desse líder alguém que de fato ignora Deus, embora pareça agir com temperança, equilíbrio e sensatez. E Satanás se compraz nesses seres religiosos que não só acreditam em si mesmos como buscam não as virtudes espirituais, mas apenas as virtudes morais. Alguns têm orgulho de sua humildade, de sua dedicação a Deus, do trabalho que realizam na Igreja... Como diz C. S. Lewis, também em O Problema do Sofrimento:
“Em Deus defrontamos com algo que é, em todos os aspectos, infinitamente superior a nós. Se você não sabe que Deus é assim – e que, portanto, você não é nada comparado a ele –, não sabe absolutamente nada sobre Deus. O homem orgulhoso sempre olha de cima para baixo para as outras pessoas e coisas: é claro que, fazendo assim, não pode enxergar o que está acima de si.
Isso levanta uma questão terrível. Como podem existir pessoas evidentemente cheias de orgulho que declaram acreditar em Deus e se consideram muitíssimo religiosas? Infelizmente, elas adoram um Deus imaginário. Na teoria, admitem que não são nada comparadas a esse Deus fantasma, mas na prática passam o tempo todo a imaginar o quanto ele as aprova e as tem em melhor conta que ao resto dos mortais. Ou seja, pagam alguns tostões de humildade imaginária para receber uma fortuna de orgulho em relação a seus semelhantes [...].
Mais de um homem conseguiu superar a covardia, a luxúria ou o mau humor pela crença inculcada de que tudo isso estava abaixo de sua dignidade. Ou seja, venceram pelo orgulho. O diabo ri às gargalhadas. Fica satisfeitíssimo de nos ver castos, corajosos e controlados desde que, em troca, prepare para nós uma Ditadura do Orgulho. Do mesmo modo, ele ficaria contente de curar as frieiras dos nossos pés se pudesse, em troca, nos deixar com câncer. O orgulho é um câncer espiritual: ele corrói a possibilidade mesma do amor, do contentamento e até do bom senso." (p. 165-167)
Por outro lado, a autossuficiência aliada à “crença em si mesmo” gera o que descreve G. K. Chesterton, em Ortodoxia:
"Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada. Referindo-se a alguém, disse o editor: 'Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo'.
Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito 'Hanwell' [nome de um asilo para loucos, como será verificado mais à frente]. Disse-lhe eu então: 'Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos'.
Ele disse calmamente que, no fim das contas, havia um bom número de homens que acreditavam em si mesmos e que não eram lunáticos internados em asilos. 'Sim, certamente', retruquei, 'e você mais do que ninguém deve conhecê-los. Aquele poeta bêbado de quem você não quis aceitar uma lamentável tragédia, ele acreditava em si mesmo. Aquele velho ministro com um poema épico de quem você se escondia num quarto dos fundos, ele acreditava em si mesmo. Se você consultasse sua experiência profissional em vez de sua horrível filosofia individualista, saberia que acreditar em si mesmo é uma das marcas mais comuns de um patife. Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar. Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo. Total autoconfiança é uma fraqueza. Acreditar absolutamente em si mesmo é uma crença tão histérica e supersticiosa como acreditar em Joanna Southcote [Ela (1750-1814) se dizia virgem e grávida do novo Messias, e chegou a ter muitos seguidores]: quem o faz traz o nome 'Hanwell' escrito no rosto com a mesma clareza com que ele está escrito naquele ônibus.'
A tudo isso meu amigo editor deu esta profunda e eficaz resposta: 'Bem, se um homem não acredita em si mesmo, em que vai acreditar?' Depois de uma longa pausa eu respondi: 'Vou para casa escrever um livro em resposta a essa pergunta'. Este é o livro que escrevi para responder-lhe." (p. 25-27)
Essa é, em suma, a tendência do homem: acreditar em si mesmo e deixar Deus de fora. Assim fez Jonas, quando foi enviado para pregar em Nínive. Assim fez Moisés, quando em vez de falar à rocha feriu-a com o cajado, para obter água. Tudo isso é fruto do “eu” inchado. Essa tendência, hoje, é exacerbada em céticos e ateus. Na Igreja, por mais que isso nos custe admitir, convivemos com pessoas que acreditam que Deus serve para algumas coisas, mas não para todas. Nós mesmos, e isso é ainda mais difícil de admitir, nos forçamos a acreditar em nós mesmos diariamente – em como somos de fato merecedores da graça de Deus e especiais, por termos sido “escolhidos”. Afinal, escrevemos em letras pequenas “se Deus é por nós” e em letras garrafais “QUEM SERÁ CONTRA NÓS?" E nos achamos inatingíveis.
“Todavia, Deus, que nos fez, sabe o que somos e que nossa felicidade está nEle. Nós porém não a buscamos nEle enquanto permitir-nos qualquer outro recurso onde ela possa plausivelmente ser procurada. Enquanto aquilo que chamamos de ‘nossa própria vida’ permanecer agradável, não iremos entregá-la a Ele. O que pode então Deus fazer em nosso benefício senão tomar ‘nossa vida’ menos agradável, e remover as fontes plausíveis da falsa felicidade? É justamente aqui, onde a providência divina parece à primeira vista ser mais cruel, que a humildade divina, o rebaixamento do Altíssimo merece o maior louvor.
Quero implorar ao leitor que tente crer, embora apenas por um momento, que o Deus que fez todas essas pessoas cheias de mérito, possa estar realmente certo quando pensa que sua modesta prosperidade e a felicidade de seus filhos não bastam para fazê-las abençoadas: que tudo isso deve deixá-las no final, e que se não tiverem aprendido a conhecê-lo se sentirão miseráveis. E assim Ele as perturba, advertindo-as antecipadamente de uma insuficiência que um dia terão de descobrir. A vida para elas e suas famílias se interpõe entre as mesmas e o reconhecimento de sua necessidade; Ele torna essa vida menos suave para elas. Chamo a isto de humildade divina porque é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la.
Se Deus fosse orgulhoso, Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele se abaixa para conquistar, Ele nos aceita embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há ‘nada melhor’ que possamos ter. A mesma humildade é manifestada através de todos os apelos divinos aos nossos temores, o que perturba alguns leitores das Escrituras. É bem pouco simpático para Deus que o escolhamos como uma alternativa para o inferno: mas até mesmo isto ele aceita. A ilusão de autossuficiência da criatura deve, em seu próprio benefício, ser destruída; e pelas dificuldades ou medo das dificuldades na terra, pelo medo indisfarçado das chamas eternas. Deus a destroça ‘não levando em conta a diminuição de sua glória’. Os que desejariam que o Deus da Bíblia fosse mais puramente ético, não sabem o que estão pedindo. Se Deus fosse um kantista, que não quisesse aceitar-nos senão quando nos aproximássemos dele baseados nos motivos mais puros e melhores, quem poderia ser então salvo? E essa ilusão de autossuficiência pode ser mais forte em algumas pessoas muito honestas, bondosas e temperantes, e sobre elas, então, a desgraça deve cair.
Os perigos da autossuficiência aparente explicam por que Nosso Senhor considera os vícios dos fracos e dissipados com muito maior tolerância do que os vícios que levam ao sucesso mundano. As prostitutas não correm o risco de considerar sua vida presente tão satisfatória que não possam voltar-se para Deus: os orgulhosos, os avarentos, os que possuem autorretidão, correm esse perigo.” (O Problema do Sofrimento, p. 75 a 77)
Mas, afinal, de onde vem o orgulho? Ele pode ser vencido? Com a queda, a visão do homem turvou-se. Todo homem tem uma visão distorcida de si mesmo, de Deus e de seu próximo. Jesus veio corrigir essa visão, ao nos mostrar, em si mesmo, o exemplo do que já houve de mais humilde sobre a Terra. O orgulho é um sentimento decorrente das falsas perspectivas que temos acerca de nós mesmos, do próximo e de Deus. Não é um problema impossível de ser amenizado, mas exige uma morte diária, o que Cristo chamou de “tomar a sua cruz e segui-lo”. Quando falo aqui de "morte diária", não estou falando da mera manutenção de hábitos e costumes aceitáveis dentro da igreja, como não fumar, não beber, ser educado e dizer ‘por favor’, mas de uma revisão geral de ideias que cada um tem sobre si mesmo. O dia a dia nos leva, automaticamente, a sermos confrontados com nossa própria visão de mundo. Nesse confronto, temos a escolha de deixar o “eu” morrer, o que é doloroso, ou deixar o “eu” permanecer: temos de ter razão? Temos de ser importantes? Somos indispensáveis? Somos “bons cristãos”? Somos melhores que outros seres humanos? Você se importa muito se as pessoas têm uma visão negativa a seu respeito? Você se preocupa demais com o que dizem de você? Ao deixarmos o “eu” morrer, certamente seremos pisados. Nossa tentação de retrucar e recuperar o nosso “eu” e seu suposto “valor” é muito grande. Mas, se deixamos o “eu” morrer, de fato, Cristo pode finalmente ocupar algum espaço em nós. Não há outro caminho. Em vez de confiarmos em nós mesmos, em nossa perspicácia ou inteligência, devemos, como crianças, procurar o olhar do Pai. Como diz C. S. Lewis, o orgulho jamais poderá ser vencido: ele é a própria natureza do velho homem - “Daí a necessidade de morrer diariamente: por mais que julguemos ter esmagado o ‘eu’ rebelde, vamos sempre descobri-lo vivo.” (O Problema do Sofrimento, p. 71)
REFERÊNCIAS
CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.
LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
______. O Problema do Sofrimento. São Paulo : Vida, 2002.
Bíblia de Estudo Pentecostal.
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7 de nov. de 2010
Perdemos o querido Pastor Julio Soder. Minha homenagem a ele.
"Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos" Salmo 116:15
Soube há pouco que faleceu hoje à tarde, em Belo Horizonte (MG), o querido Pastor Julio Soder, da Igreja Batista Peniel. Entre links, postagens e blogs, conheci pessoalmente o Pastor Júlio e a sua esposa, Elenir, quando vieram ao Rio de Janeiro no início deste ano para passar alguns dias e se hospedaram em minha casa (na primeira foto, estávamos em nosso jantar de despedida, em minha casa. Comemos um risoto de frutos do mar. Na segunda foto, Pastor Júlio e Elenir no Copacabana Palace, onde fizemos um lanche). É estranho saber de sua morte, quando em minha mente vem sua imagem alegre, jovial, bem disposta. Tive o privilégio de conviver com ele e Elenir durante alguns dias, ouvir suas histórias, dar-me conta de seu bom humor, de sua confiança em Deus e sua fé, mesmo depois de todas as coisas que já havia vivido. Só posso dizer que estou muito triste, e que sentirei falta de sua lucidez, de suas postagens no Facebook e no Twitter, de sua indignação santa com as coisas vis desta sociedade. Sei que o Pastor Julio está com Deus, mas isso não diminui o vazio que ele deixa por aqui.
O Blo do Pastor Julio: http://prjulio.blogspot.com/
No Twitter, deixará saudades: @prjulio
18 de mai. de 2010
Poema do amor perdido
Você me levava pela mão naquelas ruas
Eram ruas tão cheias de vida
O sol no final da tarde o frio a cidade
E você, que eu amava
Você, que eu amava
Que eu amava
Eu amava.
Você, que eu perdi pra sempre.
Niterói, maio/2010
Eram ruas tão cheias de vida
O sol no final da tarde o frio a cidade
E você, que eu amava
Você, que eu amava
Que eu amava
Eu amava.
Você, que eu perdi pra sempre.
***
Niterói, maio/2010
15 de mai. de 2010
Poema de amor para o Rei
Estou na presença do Rei:
Sua bandeira sobre mim é o amor.
Sua benignidade – Oh! Sua bondade
Fez de mim muito além do que sou.
Senhor! Teu sangue vermelho me cobre,
O castigo que era meu
Não me afligiu.
Diante do meu amado eu vou,
De joelhos ouço sua voz,
Sua doçura me seduz,
Sua bandeira sobre mim é o amor.
Quem é mais belo do que Ele?
Em seu abrigo me acolhe, é meu socorro e meu descanso,
Minha paz e minha alegria,
E sua bandeira sobre mim é o amor.
Aliança fez comigo e eterna é a promessa,
Jamais a esquecerá.
É fiel para cumpri-la,
Dela não se apartará.
Sim, eu sei,
Jesus Cristo voltará.
Niterói, 15 de maio de 2010
Sua bandeira sobre mim é o amor.
Sua benignidade – Oh! Sua bondade
Fez de mim muito além do que sou.
Senhor! Teu sangue vermelho me cobre,
O castigo que era meu
Não me afligiu.
Diante do meu amado eu vou,
De joelhos ouço sua voz,
Sua doçura me seduz,
Sua bandeira sobre mim é o amor.
Quem é mais belo do que Ele?
Em seu abrigo me acolhe, é meu socorro e meu descanso,
Minha paz e minha alegria,
E sua bandeira sobre mim é o amor.
Aliança fez comigo e eterna é a promessa,
Jamais a esquecerá.
É fiel para cumpri-la,
Dela não se apartará.
Sim, eu sei,
Jesus Cristo voltará.
***
Niterói, 15 de maio de 2010
24 de jan. de 2010
um bom dia de uma sumida!
Amigos, ando sumida... Ja ouvi reclamacoes de uma leitora assidua, a minha irma Paula, de Brasilia. Fiquem tranquilos, pois em breve, estarei postando novamente. E que esses dias tem sido dificieis, e preciso me concentrar em meus estudos. Me desculpem a ausencia! E me desculpem tambem a falta dos acentos agudos e circunflexos, e que ganhei um laptop sensacional, mas que ainda nao foi configurado para ter acentos.
Enquanto eu nao posto nenhum texto meu, deixo com voces um tesouro, antigo, de uma epoca em que o louvor era mais humilde, mais modesto e, em minha opiniao, mais voltado para Ele, e nao para nos. Apreciem! Alias, deixo meus agradecimentos, pela dica, a querida amiga e irma twitteira de BH Andrea Lima, do blog Conta Letras: http://contaletras.blogspot.com/ Foi ela quem me mandou, pelo twitter, o link para esses louvores incriveis.
23 de dez. de 2009
mais uma pausa para esclarecimento: contra novas mistificações.
Há uma grande confusão, criada propositalmente por dois blogueiros que se dizem cristãos, em torno de meu nome. Querem, propositalmente, me identificar com uma teologia com a qual não concordo. E fazem isso porque não têm como refutar o centro do que não aprovo: a agressão barata e vulgar que eles fazem, dizendo ser um serviço para Cristo, é um absurdo trabalho anticristão.
Acho que tenho de esclarecer parte dessa confusão. Primeiro, eu queria dizer que sou contra a Teologia da Prosperidade. Quem me conhece, e acompanha meu blog, sabe disso, já viu em quantas inúmeras postagens eu rechaço, com base bíblica, essa teologia anticristã. O fato de admirar as Assembleias de Deus não me impediu, por exemplo, de discordar do pr. Silas Malafaia, que recentemente promoveu uma campanha de bênçãos a R$ 900,00, na TV. Não, eu de modo algum posso concordar com isso. Sou contra a pregação de um evangelho falso, que promete riquezas materiais, e admiro pessoas sérias que pregam contra isso, como John Piper.
Mas abomino os que, a pretexto de lutar contra o mal, praticam o mal. Mentem, difamam, enganam, fazendo da luta contra a mistificação seu próprio negócio. Sou contra pessoas que manipulam para lutar contra a manipulação. Sou contra os que não falam com inteireza de propósitos, correção moral, honestidade e valores do Reino. Os males ligados à questão financeira não são os únicos que vemos descritos na Bíblia. Existem outros.
Desde que comecei a criticar as postagens dos blogs Genizah e Púlpito Cristão, tenho sofrido constantemente não críticas, mas insultos e ataques pessoais à minha honra. Pessoas que eu nunca vi, e com quem nunca falei, mas que são amigas e seguidoras do Danilo Fernandes e do Leonardo Gonçalves, me enviam palavras de baixíssimo calão, já raras de se ver na boca do que a Bíblia chama de ímpio, quanto mais na boca de quem se diz cristão. Fora as mensagens que os próprios Danilo e Leonardo me enviam: imundas, mas certamente reveladoras de como é a mente e o coração desses dois.
A última: Danilo publicou um comentário infeliz em seu blog, de um anônimo, dizendo que ele estava gordo. O que ele fez? Respondeu ao comentário se dirigindo a mim, me dizendo que eu tinha escrito aquilo e ainda por cima me dizendo que eu tinha enviado para ele um e-mail, com as mesmas palavras do comentário. Ora, jamais fiz isso. Depois das palavras mentirosas de Danilo, muito chateada pela acusação falsa, postei aqui em meu blog um comentário afirmando estar ele, de fato, muito fora de forma, mas que isso não era da minha conta e que não tinha feito o tal comentário. As inúmeras provocações que tenho sofrido, além de acusações, calúnias, insultos, têm me deixado cansada. De alguém que não aceitava uma crítica, reagindo infantilmente, Danilo tornou-se um verdadeiro caluniador, enlouquecido, disposto a mentir e adulterar informações com o único propósito de me prejudicar e provar que minha crítica é falsa. Depois que postei aqui este mesmo texto, sem este acréscimo que faço agora, ele foi em seu blog postar print screen de um comentário que lá fiz, e em que digo, creio que a respeito de uma crítica (mais uma) que ele faz ao pr. Silas Malafaia: "... todos têm seus defeitos. Também não concordo com muita coisa, mas gosto dele..." Ora, e não é EXATAMENTE ISSO que me canso de dizer? Que gosto das Assembleias de Deus, que gosto do pr. Silas, mas que não concordo com muita coisa que ele faz? E além de tudo ele descontextualiza meu comentário, como era de se esperar de uma pessoa desonesta e sem caráter como Danilo Fernandes, do blog Genizah. Para ele, não é posível criticar alguém sem insultar, agredir, caluniar...
Além disso, ele tenta caracterizar minha indignação com seu comportamento torpe como "inveja". Seria inveja de sua formação ruim? De sua situação financeira desastrosa? De seu "casamento sólido"? De sua "família maravilhosa"? De sua vida "incrível", enfim? Ou de seu blog "edificante", suas postagens "adultas", "maduras", "equilibradas"... Enfim... Além de mim, elegeram o irmão Danilo Miguel, que fez uma crítica respeitosa e correta, como a "invejoso" e "canalha" da vez. Para quem não sabe receber uma crítica, qualquer comentário que não o incense é fruto de más intenções. Obviamente, Danilo Miguel fez uma carta criticando os procedimentos visivelmente nefastos de Danilo Fernandes. Não dá pra engolir uma pessoa que só age desonestamente de repente vir com uma conversinha mansa... A crítica foi feita. E daí? Teria ele a obrigação de concordar com as ações de Danilo Fernandes? Estaria ele obrigado a elogiar o que deprecia?
Uma das atitudes mais nefastas de Danilo Fernandes foi ter feito campanha publicamente para que no Twitter seus seguidores dessem "unfollow" nos que o criticavam. Nossa, que atitude mais infeliz! Papagaiada pura! No meu caso, percebi que depois que ele deu a "ordem" meus seguidores aumentaram.
No mais... Se Danilo Fernandes faz isto comigo e com Danilo Miguel, que nos sentimos livres para criticá-lo de modo respeitoso, o que não faria com os demais? Essa é a política do "aviso". "Eu aviso, se mais alguém quiser me criticar, olha só o que eu vou fazer!" Isso desencoraja qualquer crítica, qualquer pensamento contrário ao dele. É uma política antiga, praticada por Stálin, Hitler e muitos totalitaristas, que não aceitavam a discussão, o debate, a livre manifestação de ideias.
Segue, abaixo, um trecho de uma pregação de John Piper, que já postei anteriormente em meu blog. Mas vejam, notem, percebam a diferença de uma crítica como a de John Piper, honesta, íntegra, verdadeira e amorosa, para as críticas porcas, rasteiras, rasas e anticristãs de Danilo e Leonardo.
22 de dez. de 2009
uma pausa para esclarecimento: contra mistificações.
Há uma grande confusão, criada propositalmente por dois blogueiros que se dizem cristãos, em torno de meu nome. Querem, propositalmente, me identificar com uma teologia com a qual não concordo. E fazem isso porque não têm como refutar o centro do que não aprovo: a agressão barata e vulgar que eles fazem, dizendo ser um serviço para Cristo, é um absurdo trabalho anticristão.
Acho que tenho de esclarecer parte dessa confusão. Primeiro, eu queria dizer que sou contra a Teologia da Prosperidade. Quem me conhece, e acompanha meu blog, sabe disso, já viu em quantas inúmeras postagens eu rechaço, com base bíblica, essa teologia anticristã. O fato de admirar as Assembleias de Deus não me impediu, por exemplo, de discordar do pr. Silas Malafaia, que recentemente promoveu uma campanha de bênçãos a R$ 900,00, na TV. Não, eu de modo algum posso concordar com isso. Sou contra a pregação de um evangelho falso, que promete riquezas materiais, e admiro pessoas sérias que pregam contra isso, como John Piper.
Acho que tenho de esclarecer parte dessa confusão. Primeiro, eu queria dizer que sou contra a Teologia da Prosperidade. Quem me conhece, e acompanha meu blog, sabe disso, já viu em quantas inúmeras postagens eu rechaço, com base bíblica, essa teologia anticristã. O fato de admirar as Assembleias de Deus não me impediu, por exemplo, de discordar do pr. Silas Malafaia, que recentemente promoveu uma campanha de bênçãos a R$ 900,00, na TV. Não, eu de modo algum posso concordar com isso. Sou contra a pregação de um evangelho falso, que promete riquezas materiais, e admiro pessoas sérias que pregam contra isso, como John Piper.
Mas abomino os que, a pretexto de lutar contra o mal, praticam o mal. Mentem, difamam, enganam, fazendo da luta contra a mistificação seu próprio negócio. Sou contra pessoas que manipulam para lutar contra a manipulação.
Sou contra os que não falam com inteireza de propósitos, correção moral, honestidade e valores do Reino. Os males ligados à questão financeira não são os únicos que vemos descritos na Bíblia. Existem outros.
Desde que comecei a criticar as postagens dos blogs Genizah e Púlpito Cristão, tenho sofrido constantemente não críticas, mas insultos e ataques pessoais à minha honra. Pessoas que eu nunca vi, e com quem nunca falei, mas que são amigas e seguidoras do Danilo Fernandes e do Leonardo Gonçalves, me enviam palavras de baixíssimo calão, já raras de se ver na boca do que a Bíblia chama de ímpio, quanto mais na boca de quem se diz cristão. Fora as mensagens que os próprios Danilo e Leonardo me enviam: imundas, mas certamente reveladoras de como é a mente e o coração desses dois.
Segue, abaixo, um trecho de uma pregação de John Piper, que já postei anteriormente em meu blog. Mas vejam, notem, percebam a diferença de uma crítica como a de John Piper, honesta, íntegra, verdadeira e amorosa, para as críticas porcas, rasteiras, rasas e anticristãs de Danilo e Leonardo.
20 de dez. de 2009
ao danilo fernandes. com amor!, por danilo miguel
Danilo Fernandes, do blog Genizah Virtual, escreveu através de um comentário no post "Carta aberta aos editores que se DIZEM apologéticos":
Não sou seu inimigo irmão. Nem lhe oponho. Converso contigo se tens algo contra mim. Como manda a praxis. Não publique. Leia e apague. Isto é para seus olhos. Falo ao irmão em Cristo. O link é um dos comentarios que fazem no meu blog achando que ao ataca-lo me fazem um bem ou favor. Não fazem. Prezo a sua luta que é a minha. A arma que usa é diferente da minha, mas estamos do mesmo lado.
Antes de continuar, Danilo Fernandes, peço-te desculpas por não aceitar sua sugestão e publicar seu texto. Acontece que diante de tanta coisa horrenda que vem acontecendo por aí, simplesmente não me sinto no direito de ficar calado por mais tempo. Tempo, aliás, que faz que sinto-me engasgado com algumas coisas que precisam ser ditas... Vamos lá!
Não precisa ser meu inimigo, Danilo Fernandes. Também, não precisa ser meu amigo. Como cristão, amo sua vida e, ainda que isso pareça hipocrisia de minha parte - e tenha certeza, não é! - peço a Deus para que um dia você finalmente encontre a Verdade e assim, quem sabe, poderemos ser bons amigos. Quando falo de encontrar, ou conhecer, a Verdade, evidentemente que me refiro ao Evangelho de Jesus Cristo, puro, simples, sem mácula. E, quando me refiro a conhecer a Verdade, não me refiro ao fato de você passar a pensar ou agir como eu (definitivamente não o faça pois sou tão pecador e falho como qualquer outro ser humano. Siga a Cristo e ao Seu exemplo!).
Mas, Danilo Fernandes, quando me refiro a conhecer a Verdade, quero que entenda que quando isso ocorre, a mais visível demonstração de mudança e transformação esta nas atitudes. Me diga uma coisa, Danilo Fernandes: o Evangelho precisa de bobos da corte para ser anunciado? As heresias, tão iminentes e públicas em nossos dias, precisam de palhaçadas para serem denunciadas? Não é suficiente toda indecência que se tem feito em nome de Deus? Precisa ainda, Danilo Fernandes, de você e seus comparsas (como você mesmo os chama) fazerem toda aquela papagaiada que você insiste em manter no ar em um blog que você insiste de chamar de apologético? O que você faz, Danilo Fernandes, se não o sabe, é um deserviço ao Evangelho.
Não se preocupe, Danilo Fernandes, você de fato não está se opondo a mim. Definitivamente! Você é apenas mais um dos opositores do Evangelho. Ou existe, em toda narrativa bíblica, algum respaldo para o que você faz? Pode até me dizer, Danilo Fernandes, que podemos usar de todas as armas para lutar contra as heresias e divulgar o Evangelho. Sim, eu concordo! Pode, também, me dizer que precisamos deixar de lado toda formalidade do passado e renovar nossas mentes, nossa forma de pensar, de pregar, de agir. Sim, concordo também! Entretanto, Danilo Fernandes, contemporaneizar não é o mesmo que se expor ao ridículo, prestando um serviço que de nada vale diante de Deus. Se está convicto da utilidade de seu blog, apresente-me ao menos uma pessoa que teve sua vida transformada através de seus tão "úteis" textos, que conduzem o seu público à gargalhada, não à Cristo!
Se você pretende, Danilo Fernandes, se tornar um humorista - e eu acho que seria uma boa carreira, uma vez que você leva jeito - saiba que há espaço no mercado. E, creio, nada impede de ser um bom humorista, enquanto profissional, e ser cristão, desde que ambos não conflitem.
Dê ao povo o que ele precisa, não o que ele quer!
A esta altura, Danilo Fernandes, de nada adianta querer se fazer de bom ou amigo. Suas intenções são públicas e em nada coincidem com as intenções do Evangelho. Em nada! O Evangelho, que conduz o homem a uma mudança de vida e à salvação em Cristo precisa ser pregado, ainda que isso cause dores, ainda que isso nos traga perseguição e nos permita inimigos. O tempo é curto, o Fim está próximo, Jesus Cristo esta voltando!
Se quer um motivo para acreditar que deve largar tudo isso e correr para Cristo, tenho alguns para te apresentar: Lucas 17:1, Mateus 18:7, Romanos 14:13, I Corintios 8:9, Romanos 16:17... Poderia citar outros, mas creio ser estes suficientes. Se não tiver uma Bíblia em mãos, pode ler online e de graça em www.bibliaonline.com.br.
Me perdoe, Danilo Fernandes, pela aspereza nas palavras. O fiz não com a intenção de te expor, muito menos te ridicularizar. O fiz por amor! Ao contrário daqueles que se dizem seus amigos e são coniventes com suas fanfarrices, mas que no primeiro momento de necessidade fugirão, estou aqui para te apontar um Caminho Excelente e, sempre que precisar, te ajudar e te acolher. Não sou melhor ou maior que você, estou sujeito aos mesmos erros ou ainda, piores, mas enquanto posso, ajudarei e apoiarei aqueles que necessitam de uma Palavra Verdadeira, ainda que dura.
Aproveite, enquanto é tempo, e analise suas atitudes. Reveja seus atos e conserte-se. O tempo é chegado, o fim está próximo. Jesus está voltando!
Sinceramente e em Cristo,
Danilo Miguel
***
FONTE: Blog Sem Forma!
28 de nov. de 2009
eu só gosto de quem gosta de mim, de luciano maia
Quando passei por uma grande dificuldade financeira anos atrás eu pude dividir os meus “amigos” em dois grupos: os que me apoiaram, ajudaram e participaram daquele meu sofrimento e os que ignoraram minhas circunstâncias. Em minha forma muito humana de analisar o fato passado, sigo a tendência social de rotular estes dois grupos: grupo dos bons e grupo dos maus. Ou grupo dos amigos verdadeiros e dos falsos amigos.
Diante de um ser humano que pensa majoritariamente em si mesmo e em seus interesses, encontrar pessoas que se preocupam com amigos e familiares é coisa rara, grata e até emocionante. Os que ajudam os irmãos, que estão sempre prontos para dar uma “força” aos amigos e preocupam-se com o bem estar dos familiares são celebrados como justos, bons, verdadeiros cristãos... Exemplos a serem seguidos: Filhos de Deus.
Quando me deparo com o discurso de Jesus, me assusto, pois Ele compara estas pessoas, tão melhores que a maioria de nós, a pessoas más. Jesus, no arcabouço de seu raciocínio, nos explica que não existe qualquer vantagem em ajudar as pessoas que amamos. Não existe qualquer mérito em “dar uma mãozinha” ao meu amigo de quem tanto gosto. Ele diz que isto é apenas um pré-requisito para estar vivo, nada mais. Jesus justifica seu comentário dizendo o seguinte: “Os maus também ajudam as pessoas que gostam. Os pecadores também cuidam de sua família. As pessoas de má fama também emprestam dinheiro para quem sabem que receberão a grana de volta.”
Os maus fazem todas estas coisas, assim como nós fazemos, e muitas vezes achamos que nós somos sensacionais... Ao ajudarmos um amigo ou um parente dormimos com a consciência um pouco mais leve, dando uma piscada para Deus e dizendo pra Ele: “Tá vendo? Não sou tão mal assim...”, com uma pontinha de orgulho. Um tipo de vaidade invertida, até massageando o ego. Jesus diz que ajudar quem nos ajuda, ajudou ou que possa nos ajudar, ou ajudar as pessoas que amamos não nos faz melhor que qualquer pessoa má, pois estas, mesmo que movidas por interesses, também fazem igual.
Jesus quebra a lógica das relações humanas. Jesus funda uma nova forma de enxergar a vida. Jesus, sem a pretensão de sê-lo, torna-se um filósofo original ao afirmar: “Faça o bem a quem te faz o mal. Ame quem te odeia. Ajude quem não te ajuda. Não pague o mal que te fazem com o mal, mas pague o mal com o bem”. Jesus emenda: “Caso façam isto, aí sim, poderão ser chamados de Filhos do Deus Altíssimo, pois estarão agindo como Deus, que manda chuva sobre a lavoura dos bons e dos maus e manda o sol para aquecer os bons e os maus, não fazendo distinção de pessoas”.
Se aqueles que se dizem seguidores de Jesus agissem como Ele ensinou, o mundo seria outro.
Temos a escolha de sermos como os maus, ajudando quem nos ajuda, ou sermos como o Pai, que ajuda a todos nesta vida, retribuindo a indiferença e a ingratidão humana com chuvas, calor, saúde e coisas boas, mesmo para aqueles que Dele zombam nesta vida.
Tenho descoberto que não possuo qualquer autoridade para separar as pessoas em grupos de bons e maus, posto, eu mesmo estar mais atuante no grupo dos que são como os maus, que ajudam apenas os amigos, do que no grupo dos bons, que como Deus, ajuda inclusive os inimigos.
(Saiba mais sobre este discurso de Jesus lendo o capítulo sexto do Evangelho segundo São Lucas)
Diante de um ser humano que pensa majoritariamente em si mesmo e em seus interesses, encontrar pessoas que se preocupam com amigos e familiares é coisa rara, grata e até emocionante. Os que ajudam os irmãos, que estão sempre prontos para dar uma “força” aos amigos e preocupam-se com o bem estar dos familiares são celebrados como justos, bons, verdadeiros cristãos... Exemplos a serem seguidos: Filhos de Deus.
Quando me deparo com o discurso de Jesus, me assusto, pois Ele compara estas pessoas, tão melhores que a maioria de nós, a pessoas más. Jesus, no arcabouço de seu raciocínio, nos explica que não existe qualquer vantagem em ajudar as pessoas que amamos. Não existe qualquer mérito em “dar uma mãozinha” ao meu amigo de quem tanto gosto. Ele diz que isto é apenas um pré-requisito para estar vivo, nada mais. Jesus justifica seu comentário dizendo o seguinte: “Os maus também ajudam as pessoas que gostam. Os pecadores também cuidam de sua família. As pessoas de má fama também emprestam dinheiro para quem sabem que receberão a grana de volta.”
Os maus fazem todas estas coisas, assim como nós fazemos, e muitas vezes achamos que nós somos sensacionais... Ao ajudarmos um amigo ou um parente dormimos com a consciência um pouco mais leve, dando uma piscada para Deus e dizendo pra Ele: “Tá vendo? Não sou tão mal assim...”, com uma pontinha de orgulho. Um tipo de vaidade invertida, até massageando o ego. Jesus diz que ajudar quem nos ajuda, ajudou ou que possa nos ajudar, ou ajudar as pessoas que amamos não nos faz melhor que qualquer pessoa má, pois estas, mesmo que movidas por interesses, também fazem igual.
Jesus quebra a lógica das relações humanas. Jesus funda uma nova forma de enxergar a vida. Jesus, sem a pretensão de sê-lo, torna-se um filósofo original ao afirmar: “Faça o bem a quem te faz o mal. Ame quem te odeia. Ajude quem não te ajuda. Não pague o mal que te fazem com o mal, mas pague o mal com o bem”. Jesus emenda: “Caso façam isto, aí sim, poderão ser chamados de Filhos do Deus Altíssimo, pois estarão agindo como Deus, que manda chuva sobre a lavoura dos bons e dos maus e manda o sol para aquecer os bons e os maus, não fazendo distinção de pessoas”.
Se aqueles que se dizem seguidores de Jesus agissem como Ele ensinou, o mundo seria outro.
Temos a escolha de sermos como os maus, ajudando quem nos ajuda, ou sermos como o Pai, que ajuda a todos nesta vida, retribuindo a indiferença e a ingratidão humana com chuvas, calor, saúde e coisas boas, mesmo para aqueles que Dele zombam nesta vida.
Tenho descoberto que não possuo qualquer autoridade para separar as pessoas em grupos de bons e maus, posto, eu mesmo estar mais atuante no grupo dos que são como os maus, que ajudam apenas os amigos, do que no grupo dos bons, que como Deus, ajuda inclusive os inimigos.
(Saiba mais sobre este discurso de Jesus lendo o capítulo sexto do Evangelho segundo São Lucas)
***
FONTE: Bloggernacle Times
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NOTA: Muito bom, esse texto do Luciano Maia, pastor da Igreja Metodista em Brasília. A reflexão dele é muito oportuna, sobretudo porque uma das tendências mais imediatas do ser humano, inclusive do cristão, é reagir de imediato à injustiça com... outra injustiça, é claro - e eu me incluo nessa. Boa reflexão para os dias individualistas que vivemos todos.
21 de nov. de 2009
feliz aniversário...
Eu sempre gostei muito dessa banda! E há quanto tempo eu não a ouvia! O meu lado punk is alive, e acústico! A música cabe bem na data de hoje... :)
16 de nov. de 2009
Deus me renova
Hoje ouvi uma pregação muito, muito boa. Deus é muito bom comigo, sempre que eu acho que estou no limite das minhas forças, sem paciência, angustiada, só, Deus manda algo que me renova. Ouvir falar sobre a volta de Cristo e suas consequências hoje me deu forças. Em muitas igrejas não ouvimos mais nada sobre esse assunto. Porque falar da volta de Cristo é falar que a qualquer momento, quando menos se espera, ele pode voltar. E isso requer uma entrega diária ao arrependimento, à oração, à compaixão, à misericórdia, ao anseio de ver pessoas salvas não para que deem seu dinheiro à igreja, mas para que tenham vida eterna. Esse tipo de pregação me alimenta profundamente e reduz muito de minhas angústias, porque no final das contas o que é realmente necessário é muito pouco, muito pouco, e eu vejo que o que me angustia está muito longe do meu alvo.
Se Jesus voltasse amanhã, ou se amanhã você morresse, o que seria realmente importante para você? Seu emprego, um diploma, aplicação financeira, carro, cargo, status? Ou a comunhão com Deus? Ou estar alerta? Ou estar consciente do que faz?
Hoje ouvi uma palavra que me renovou. Obrigada, Almir e Rogerinho! Há quanto tempo ansiava por ouvir algo assim! Há quanto tempo queria deixar de ouvir as promessas de vitória financeira, vitória sobre as doenças ou sobre o que quer que seja que estivesse relacionado à repugnante teologia da prosperidade. Não que eu não fique doente, ou não tenha problemas financeiros. Mas acho que há muitas coisas que estão à frente disso no Reino de Deus, e não as buscamos mais em primeiro lugar. A misericórdia está à frente disso, e ninguém mais prega sobre a misericórdia! A compaixão pelo próximo está à frente disso, e ninguém mais prega sobre a compaixão! O amor pelas almas que não estão salvas está muito à frente disso, mas ninguém mais prega sobre isso! Ninguém mais fala de nossa vida eterna com o Pai, pois as bênçãos desejadas são todas materiais, finitas, corruptíveis, terrenas, mundanas. Ninguém mais pensa em viver a eternidade no reino espiritual, se este reino material oferece carro com ar condicionado, casa de praia, salário vantajoso e plano de saúde cinco estrelas. Ninguém mais pensa em acolher o pobre, o abandonado, o doente, o faminto, se o mais importante é pensar somente em si mesmo. Ninguém mais se comove com os miseráveis ou chora pelos órfãos e necessitados, se a medida da fé de cada um se dá pela obrigação de ser feliz e sorridente o tempo todo! Néscios e tardos de coração! Abandonaram o Jesus que sofreu e foi humilhado pelo que obedece aos pedidos e ordens de qualquer um; abandonaram o Jesus que nos mandou tomar a própria cruz por um arremedo de Cristo materialista e estúpido; abandonaram o Cristo que disse ser o caminho estreito por um deus permissivo e corrupto; abandonaram o Cristo que redime dos pecados e dá a vida eterna por um outro, que se ocupa em dar casa própria, saúde física e carro zero.
7 de nov. de 2009
homenagem a Sueli
Sueli Pires Gonçalves e seu netinho
Hoje pela manhã morreu Sueli. Prima de primeiro grau de minha mãe, Edite, Sueli era a mãe do Beto e do Thales. Filha da Tia Idinha – que ninguém chama de Aída – e sobrinha querida de minha avó Maria Amélia, Sueli era para mim como uma tia.
Eu me lembro dela em várias ocasiões, mas uma, em particular, me faz perceber que pessoa incrível foi embora. Há uns três anos eu estava no hospital, na emergência, e os técnicos em enfermagem injetaram um analgésico muito potente em meu soro. Ainda não sabiam, mas as fortes dores de cabeça que eu sentia eram decorrentes da malária. O problema é que algo saiu errado, e meu corpo começou a gelar. Senti que perdia os sentidos, lentamente: o volume dos sons diminuía, e eu entrava em uma espécie de transe. Minha mãe começou a gritar para chamar um médico, e a única pessoa que estava com ela era a Sueli. Sueli ficou na ponta da cama, massageando meus pés vigorosamente, apesar de sua estrutura frágil, para que eu não desmaiasse. Estavam nervosas, ela e a minha mãe, e gritavam com medo de que eu morresse.
E sempre que eu me lembro da Sueli, e hoje durante o dia eu pensei muito nela, eu a vejo ajudando, amparando, apoiando, consolando, servindo, acalmando, pacificando, estendendo a mão. Sueli não era uma cristã qualquer: ela era daquelas “bem-aventuradas”, de que Jesus amorosamente falou no evangelho segundo Mateus, capítulo cinco. Sua doçura e sua simples presença amiga farão uma falta doída para sua família, para seus amigos e os que simplesmente a conheceram. Estou tão triste, e agora penso no dia a dia do Beto, meu primo querido, que há poucos anos doou um de seus rins para que sua mãe vivesse, esperançoso de que ela se restabelecesse completamente. O rim novo acrescentou alguns anos à vida de Sueli, mas a diabetes fez fraco um coração que era – eis o paradoxo a que alguns estão sujeitos – enorme, capaz de abrigar tanta gente. Penso também em sua mãe, Tia Idinha, sua melhor amiga, agora só e velha numa grande casa, sem sua filha e aliada de anos. Penso que, da próxima vez que eu for a São Luis, não mais a verei. Todas as vezes que eu chegava em sua casa, era servida: de café, de bolo, de pão, de água, de gentileza e educação. Sueli foi assim, nasceu para servir, e não para ser servida.
Mas a esperança, existindo, me faz aguardar ansiosamente o dia em que, todos juntos, nós nos veremos novamente. Eu, Sueli, meu avô João, meu avô Wilson, meu irmão Paulo, tantos amigos, tanta gente...
Quis escrever esta homenagem tão simples, e publicar neste blog, mais simples ainda, quem sabe insignificante, para falar de alguém que nunca apareceu nos jornais, nem teve sua biografia editada e publicada. Sobre ela não se escreverá um livro, nem se fará música, e nem mesmo uma poesia – se houver, não traduzirá verdadeiramente sua importância. Que pessoa extraordinária se foi hoje, em São Luis , capital do meu desimportante Maranhão. E faço esta homenagem, a esse ser humano tão raro, porque nada mais posso fazer.
***
Preciosa é, à vista do Senhor, a morte dos seus santos.
Salmo 116:15
25 de out. de 2009
10 de out. de 2009
teologia da prosperidade: engano demoníaco
- Cansei de ouvir pregadores da prosperidade dizerem que precisamos decretar a nossa vitória e visualizar a nossa benção material;
- Cansei de ouvir pregadores da prosperidade gritarem para Deus reivindicando suas petições;
- Cansei de ouvir pregadores da prosperidade dizendo que “salário mínimo” não é coisa de crente;
- Cansei dessa teologia que defende que o crente deve morar em mansão, ter carrões, muito dinheiro e nunca ficar doente;
- Cansei dessa teologia que valoriza mais as coisas terrenas do que aquelas que são do céu;
- Cansei dessa teologia da barganha com Deus, onde você contribui e Ele devolve com juros, correção monetária e muito lucro;
- Cansei dessa teologia de fé na fé;
- Cansei dessa teologia que ama mais o dinheiro que o próximo;
- Cansei dessa teologia consumista, utilitarista e que trata Deus como o Papai Noel;
- Cansei dessa teologia da ganância, cujo principal objetivo é fazer com que as pessoas atinjam a independência financeira;
- Cansei dessa teologia da auto-ajuda, auto-estima e auto-aceitação;
- Cansei dessa teologia que argumenta que Jesus nunca foi pobre;
- Cansei dessa teologia que tem criado uma geração de decepcionados nas igrejas;
- Cansei dessa teologia pregada e defendida por Edir Macedo, R.R. Soares, Robson Rodovalho, Oral Roberts, T.L. Osborn, Kenneth Hagin, Kenneth Copeland, Benny Hinn, etc, etc.
- Cansei da teologia da prosperidade pois a Bíblia diz: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam“. (Mat.6.19,20);
- Cansei, não da prosperidade – que é dádiva de Deus, mas da teologia que faz dela o principal foco da vida cristã, em detrimento da salvação e das bençãos espirituais.
Se você também já cansou de tudo isso, demonstre sua indignação.
7 de out. de 2009
paula felix costa diz o óbvio
Isso tudo o que ele diz* não deveria ser óbvio? Cristo tem sido servido por nossas igrejas como um canapé: "Aceita a Jesus? É bom, vai te fazer bem!" Foi o principal motivo pelo qual passei anos sem ir a uma igreja. Ninguém dizia: "Aceita tornar-se escravo? Aceita sofrer com Ele? Aceita tomar a Sua morte sobre você?" Às nossas igrejas falta perseguição.
*Paula Felix Costa é minha irmã e me mandou esse comentário por e-mail. Aqui ela se refere à pregação de John Piper: http://www.youtube.com/watch?v=fAVx9TumFcI&feature=player_embedded
25 de set. de 2009
resposta ao comentário de um anônimo
Olá, a todos.
Hoje iria postar dois excelentes textos que foram publicados na última edição da revista Ultimato, um do Alderi Souza de Matos e outro, do Rubem Amorese. Mas eles vão ficar para amanhã. Mudei de ideia. Recebi um comentário anônimo acerca de minha postagem "Vãs repetições" e, de modo geral, da maneira como tenho administrado os temas postados aqui no Blog, e achei interessante responder a essa manifestação. Como a pessoa não se identificou, não vi problemas em postar o texto e a resposta que escrevi para as ideias nele contidas.
Um abraço,
Maya
:)
***
Anônimo disse...
Seu texto é cheio de informações e um conteúdo muito interessante,trazendo bastante conhecimento científico,mas uma pergunta que fica no ar, por que ao invés de usar o seu blog para divulgar o evangelho que você está defendendo ser o verdadeiro,você critica os políticos,fala mal de igrejas,pois pelo pouco que sei,a Bíblia diz que devemos orar pelos que exercem posição de autoridade e que devemos viver
1 ADMOESTO-TE, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens;
2 Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;
3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade."
I Corintios 12:31 e 13:1
"31 Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.
AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine."
Poderia está investindo seu tempo e blog para divulgar matérias que levariam pessoas á salvação,e não outros cristãos a vãs discussões.
Tito 3:9 :
" Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs.
10 Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o,
11 Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado."
Usemos a internet para a pregação do evangelho!
2 Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;
3 Porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador,
4 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade."
I Corintios 12:31 e 13:1
"31 Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente.
AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine."
Poderia está investindo seu tempo e blog para divulgar matérias que levariam pessoas á salvação,e não outros cristãos a vãs discussões.
Tito 3:9 :
" Mas não entres em questões loucas, genealogias e contendas, e nos debates acerca da lei; porque são coisas inúteis e vãs.
10 Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o,
11 Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado."
Usemos a internet para a pregação do evangelho!
Sexta-feira, 25 de Setembro de 2009 12h39min00s BRT
***
Minha resposta:
Olá, anônimo,
Agradeço por seus elogios e por seu comentário, que certamente exigiram de você leitura bíblica e pesquisa. Gostaria que você se identificasse, mas imagino de que igreja você é, pelo conteúdo de seu texto. Vou responder.
Primeiro, meu texto não está “cheio de conhecimento científico”, como você diz. Tem conhecimento científico, e eu não o desprezo, mas meu texto, na verdade, está cheio de conhecimento bíblico. Em todo o tempo cito a Bíblia e Jesus, o qual devemos imitar. Acima de tudo, é o comportamento de Jesus que deve pautar a vida dos cristãos; entretanto, é o que menos serve de modelo hoje.
Quanto à sua pergunta, que “fica no ar”: eu uso meu blog para divulgar o evangelho, sim. Criticar o comportamento dos políticos é lutar por justiça, é denunciar os fariseus de nossos tempos, é defender a causa dos órfãos e das viúvas, e é por esse fruto que hão de conhecer os que são de Cristo. Em Isaías 58, isso fica evidente: nada há de mais esclarecedor que essa passagem, que condena os falsos rituais da igreja e diz que o verdadeiro jejum é “soltar as ligaduras da impiedade e desfazer as ataduras do jugo, deixando livres os quebrantados e despedaçando todo o jugo”. De que modo você vê isso?
É claro, anônimo, que eu defendo o verdadeiro evangelho. Não fico dentro das igrejas, usando-as para vender CDs e livros, fazendo o que os mercadores do templo faziam, ou pregando um evangelho que despreza a situação lamentável do país em que vivemos e prefere falar do MacDonald’s, um evangelho distante da situação de milhões de brasileiros, distante da luta por justiça que deveria estar encabeçada pelos cristãos. Na época em que viveu Jesus neste mundo, os fariseus e escribas exerciam poder político também, além de religioso. Isso quer dizer que quando Jesus se dirige a eles em Mateus 23, chamando-os de “hipócritas”, ele se dirige aos políticos, donos do poder, que tinham influência sobre a cobrança de impostos, a condenação de pessoas (não foram os fariseus que entregaram Jesus aos romanos?), a administração da cidade. Quando você diz que eu “falo mal dos políticos” vejo aí que você se esquece ou não leu as palavras de Jesus para se referir escribas e fariseus. Ele os chamou de hipócritas, cegos, mentirosos, insensatos, serpentes e raça de víboras. Essas palavras de Jesus, se dependesse de alguns pastores, seriam apagadas da Bíblia, pois nas igrejas prega-se um Jesus fraco, covarde, mudo, alienado, distante dos problemas concretos do povo, distante da política, diferente do Jesus que eu conheço pela leitura do Novo Testamento – não o Jesus de que me falam muitos dos pastores, quase todos “condutores cegos”, que coam o mosquito e deixam passar o camelo.
Jesus via a corrupção, a hipocrisia, a miséria do povo, o roubo, a mentira, e não se calava. Se você acha que isso é “falar mal de políticos”, então pode ter certeza: eu faço a mesma coisa que Jesus. É esse o Jesus que eu sigo. É esse o meu amado: corajoso, lúcido, consciente e verdadeiro. Você diz que eu falo mal de igrejas. De que igrejas? Você fala aqui deste meu texto, no qual critico a Teologia da prosperidade? É isso que você chama de “igreja”? Uma teologia demoníaca e em desacordo com a Bíblia? Sim, eu critico. Sim, e eu levo tudo à luz da Palavra. Veja hoje o mundo evangélico, como está. Em quê o povo de Deus tem sido sal e luz? Na fila do MacDonald’s? Fechado nas suas igrejas, sem lutar por justiça, por dignidade, compactuando com a corrupção dos políticos, com um mundo sujo e torpe? Conformando-se com este mundo? Calado, em seus cultos de domingo?
Do mesmo modo que você fala que eu “falo mal das igrejas” você deve achar que os Profetas falavam mal de suas igrejas, e que o próprio Jesus falava mal das igrejas de sua época. Veja em Jeremias 2, versos de 8 a 13. Ele fala mal da “igreja”, quando denuncia os pastores que, segundo a Palavra, prevaricaram contra o Senhor? Veja o mesmo Jeremias, cap. 23: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto”... Estaria Jeremias “falando mal” dos pastores? Ou estaria Jeremias sendo profeta? Há tantos outros exemplos... Se você ler a Bíblia, há de encontrá-los em Isaías, em Amós, nos Evangelhos... Infelizmente, a maioria das pessoas só se lembra ou só lê na Bíblia aquilo que lhes interessa. Jesus denunciou os falsos pastores, os “lobos em pele de cordeiros”. Você acha que só havia lobos na época de Jesus? Não, eles existem hoje! E publicam livros, vendem CDs de pregação, andam de terno e têm programas de TV. Mas você, anônimo, que não tem coragem de dizer quem é, acredita que denunciar as atitudes antibíblicas dessas pessoas à luz da Palavra é “falar mal das igrejas”, e é por conta de comportamentos como o seu, e da tolerância ao mal dentro das igrejas, é que há tantos escândalos, corrupção e desânimo nas igrejas evangélicas de hoje. Isso, sim, impede que muitos sejam levados à salvação. O descrédito da maioria das igrejas nos dias atuais vem do fato de que elas se tornaram lugares de alienação e comércio, e os que fazem isso com as igrejas também se calam diante das injustiças, achando que seu silêncio e sua omissão contribuem para levar a salvação às pessoas. Você acha que a maioria dos que não conhece Jesus não vê como agem muitas igrejas, muitos líderes, hoje? Você fala de amor, em Coríntios, mas onde está o amor pelos pobres, injustiçados, oprimidos? Está numa cesta básica? Nas roupas usadas que são doadas? Manifestar-se contra a corrupção na política é manifestar amor pelos que são prejudicados por essa corrupção. Mais que isso, é não se conformar com este mundo, é ter sede e fome de justiça e mostrar às pessoas o caráter digno de Jesus, manifestando-se em nós.
Outra coisa: creio que você se confunde quando cita Timóteo 2. Desculpe-me, mas devo dizer: orar pelas autoridades não nos impede de denunciá-las. As duas ações não são contrárias. Oremos pelas autoridades, para que se convertam, para que Deus abra seus olhos, para que ajam em prol da justiça. E também denunciemos o mal que essas mesmas autoridades praticam contra os pobres, contra os órfãos e as viúvas de nosso tempo. Onde está o antagonismo dessas duas ações? Jesus fez isso. Orou por aqueles que o perseguiam. Na cruz, pediu a Deus que os perdoasse, porque não sabiam o que faziam. Esse é o ministério sacerdotal de Jesus. Ele orava por todos, orava para que fossem salvos, orava para que se arrependessem, orava para que deixassem seus maus caminhos. Mas Jesus também denunciava o mal. Ele denunciava a injustiça praticada pelas autoridades, e fez isso muitas vezes, não só em Mateus 26, como também no Sermão do Monte, em que ele diz que felizes são os que têm fome e sede de justiça. Se felizes são os que têm fome e sede de justiça, são infelizes os que se conformam e se calam diante da injustiça.
Também não entendo, anônimo, o que você quis dizer quando se referiu a “questões loucas”. A que genealogias e contendas você se refere? Será que Paulo, ao escrever para Tito, se referiu a Cristo, que chamou os fariseus de hipócritas e denunciou a injustiça? Ou aos que desobedeceram as autoridades romanas e pregaram a palavra com intrepidez, em Atos? O que você quer caracterizar como “questões loucas, contendas, debates acerca da lei, coisas inúteis e vãs”? Com sua citação você se refere às minhas postagens, que denunciam os políticos hipócritas? Ou aos meus textos que desmascaram os lobos, abrigados em pele de cordeiro, nas igrejas, pregando a Teologia da prosperidade? Essas são para você as “questões loucas” etc.? Pois para mim, vãs são as pregações que se esquecem dos pobres, dos presos, dos doentes, da misericórdia, da justiça de Deus, das boas obras, do amor... Veja o que Jesus denuncia, em Mateus 25:41-46. Eu me preocupo com isso, pois hoje escuto na igreja pregações que falam do “eu”, cada vez mais, e cada vez menos do próximo e de Deus. Você usa uma passagem de Tito, carta que Paulo escreveu a um de seus auxiliares, que estava em Creta, a fim de ajudar a consolidar a igreja e a direcionar a escolha dos líderes, e de mostrar o papel dos anciãos, das idosas, das jovens etc., para tentar caracterizar meu pensamento como vão, e minhas postagens como contendas. Veja, Paulo fala a Tito acerca dos falsos mestres, que devem ser repreendidos e silenciados. A quem ele se refere? Paulo, que aprendeu a estar satisfeito em qualquer circunstância material, hoje denunciaria os falsos mestres da Teologia da prosperidade, que estão ricos, cheios de bens que a traça e a ferrugem vai corroer, mas pouco ocupados em visitar os presos, os doentes e os fracos de que Jesus fala em Mateus 25:35. Esses, que para mim são falsos mestres, estão ocupados em pregar uma doutrina maligna, que distorce a Palavra de Deus e está misturada com religiões orientais, valorizando o material e se esquecendo do mais importante que a Bíblia nos ensina.
De acordo com sua postagem, também quero saber: quem é o homem herege? Quem é o pervertido? Quem é o condenado? É o que está dentro da Igreja? É o que está fora? Herege, para mim, são os muitos lobos em pele de cordeiro, insensíveis e alienados, despreocupados com sua Nação, que não se indignam com a corrupção, que pregam um evangelho pela metade, que adaptam os versos bíblicos de acordo com suas necessidades e interesses, que manipulam os fieis, que são verdadeiros vendilhões do templo e usam a igreja para enriquecer e fazer seus negócios e seu comércio.
Para finalizar, devo esclarecer: eu uso a Internet para a pregação do evangelho. O problema é que o seu evangelho, pelo visto, é diferente do meu. O meu é integral, inteiro, com todas as vírgulas e todas as frases de Jesus. O seu exclui o Jesus que tem sede de justiça e denuncia os hipócritas escribas e fariseus, os poderosos de sua época. Prova maior disso é que em seu texto, anônimo, você não citou nenhuma palavra de Jesus, desse mesmo evangelho que você me admoesta a pregar.
Um abraço,
Maya
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