O cristianismo dos sem noção
Há blogs que se intitulam “cristãos” e fazem de tudo para provar que são qualquer coisa, menos cristãos. A tônica é o deboche. Escarnecem de tudo, de todos, e dizem estar fazendo um “serviço” a Deus. São os “adevogados” de Deus, jamais suas testemunhas. Protegem apenas seus amigos, aqueles a quem Jesus se refere dizendo não ser mérito algum amar. Aliás, protegem seus amigos mesmo quando eles estão visivelmente equivocados: esses donos de blogs não possuem firmeza moral alguma, apenas o desejo de atacar os que não pensam exatamente como eles.
Em mau e torto português (porque também maltratam a língua, com erros toscos de ortografia, regência e concordância) desfilam seus ódios, seu inconformismo barato, sua falta de princípios, de ética, de retidão. Não sabem fazer uma crítica: apenas ofendem. Os despidos de senso crítico acham que ali se encontra grande capacidade de discernimento, mas eles apenas macaqueiam piadas antigas, escrevem chistes reciclados e frases mal construídas.
Exatamente por não saberem a diferença entre a crítica e a ofensa, ofendem-se com a boa crítica. Exatamente porque não lhes ocorre um bom raciocínio, não compreendem que há uma boa distância entre a ofensa, pura e simples, e a crítica embasada, estruturada, inteligente, que não somente acusa, mas faz, mesmo com o uso da ironia, compreender seu objeto. Que não somente explica onde está o erro, mas aponta caminhos para que ocorra o acerto.
Chamaria esses blogueiros de cegos? De modo algum. Cegos, em geral, ouvem bem, sabem falar e possuem tirocínio suficiente para livrar-se de constrangimentos e embaraços decorrentes da falta de entendimento. Talvez devesse chamá-los de deficientes morais e intelectuais. Nada há – por trás da piada muitas vezes repetida, da ofensa vulgar e da falta de educação – além da ausência de bom caráter, de princípios e de honradez.
O mais lamentável é que esses homens, viciados em sua própria vaidade, não percebem e não querem perceber que o humor refinado – esse dos ingleses, diriam – é também intelectualmente palatável, não resvalando na estupidez óbvia de suas “piadas” e na vulgaridade de suas palavras. O que também é triste, em absoluto, é o fato de que esses homenzinhos – possivelmente marmanjos barbados já beirando os 50 anos, mas eternamente de bermudas – não entendem que uma boa crítica, bem escrita e respeitosa, tem mais efeito que cem de suas piadas de mau gosto, infantis e, como eu já ouvi, “sem noção”. Aliás, a expressão “sem noção” é a que melhor lhes cabe, dada a sua insipidez intelectual, sua frouxidão moral e sua eterna adolescência tardia.
A crítica inteligente deve ser feita. A ofensa vulgar, jamais.
