Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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30 de jan. de 2014

a censura, essa quimera

Falar sobre a censura no meio evangélico é falar sobre uma rede extensa e complexa de interesses. Buscar primeiro o reino de Deus ficou em último lugar, e hoje muitos pastores, teólogos, doutores, presidentes e advogados de associações que se denominam evangélicas, além de blogueiros e donos de site exercem a censura como meio de fazer prevalecer seu ponto de vista sobre as opiniões e as pessoas das quais discordam.
Censura. Pressões, chantagens. Parafraseando Shakespeare, há mais coisas entre evangélicos e a vida mundana do que pode supor nossa vã filosofia. Tenho um blog simples. Aliás, dois. Um no qual procuro discutir temas ligados à política e à religião, além de incluir postagens várias sobre literatura, música, cinema etc., e outro, no qual publico exclusivamente textos literários de minha autoria. Sou professora de uma universidade, gosto muito do que faço e em geral não me sobra tempo para postar com regularidade, a não ser nas férias, ou em um feriado prolongado. Então os blogs não são, definitivamente, uma atividade prioritária na minha vida.
Independentemente disso, desde que comecei a criticar um senhor calvinista que detém poder e influência, o nome do meu blog de textos político-religiosos desapareceu da listagem de vários blogs, inclusive de blogs de pessoas que estão em minha lista de amigos no Facebook, por exemplo. Coincidência? Tenho um amigo que passou pela mesma experiência.
A rede de interesses, barganhas, chantagens, comunicações subterrâneas, “truques” e atos aparentemente inocentes existe para tirar do oponente qualquer possibilidade de réplica e crítica. Esses que não gostam de críticas ostentam a imagem de amantes do debate. Mas o “debate” não ocorre, porque a mão pesada da censura e da intimidação elimina o gosto desagradável e incômodo do questionamento. Hoje não se questiona mais por que a teologia cessacionista é errada à luz da Bíblia. A web está repleta de blogs e sites pentecostais, mas ninguém fala nisso. Blogueiros pentecostais acham mais importante falar como a música pentecostal é ruim e sem imaginação a confrontar uma teologia visivelmente satânica.
Blogs cujos donos ou administradores pentecostais publicam artigos do senhor ao qual me refiro no início deste texto sem nenhum constrangimento – e escolhem em geral fotos muito boas para ilustrar seus textos! Que bom! Design é tudo. Ninguém ousa pensar. O mais irônico é que tanto se critica os neopentecostais por “não pensarem”. E isso é demonstrado quando publicam artigos do senhor teólogo que vê heresia, pura e simplesmente, nas experiências pentecostais.
Minha expressão de espanto é sobrepujada pela amargura em perceber a estrutura diabólica que tem alimentado a rede de blogs “evangélicos”. Aí vem a blogueira que sente “uma necessidade quase física” (sabem que eu gostei disso? É tão Lars Von Trier!) de expressar seus pensamentos… Seu blog é uma “tentativa” de “recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais”. Bonito, não? Não! Porque em um artigo recente ela diz exatamente o contrário! Ela diz que devemos separar bem as coisas: uma coisa é a igreja, outra é a universidade. Então para quê “recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais”? Mais adiante, ela explica humildemente (ainda bem, porque penso que seus textos são pedantes, e que ela é cheia de orgulho, habilmente encoberto por uma humildade falsa – uma das maiores evidências do orgulho): “Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições”.
Segundo o artigo dessa moça, publicado na revista virtual “Teologia Brasileira”, teologia é uma coisa, mundo acadêmico é outra. E quem diz o contrário é… “conservador”! Ou seja: não podemos criticar o que ocorre em uma universidade como a Mackenzie, da Igreja Presbiteriana. Segundo ela, esse silêncio se chama “maturidade cristã”. Mas eu chamo de censura. Os que questionam o que ocorre na Mackenzie são tachados de conservadores, pessoas de visão turva, pouco inteligentes, mal esclarecidos. Afinal, como está escrito em Tito 1:15,  “tudo é puro para os que são puros…” Não é assim que os cristãos liberais justificam Marx, Luiz Mott, Teologia da Libertação, Missão Integral et caterva no meio evangélico? É assim também que os cessacionistas justificam qualquer coisa. Justificam o Genizah, justificam as pressões, justificam a censura, justificam as ações nada cristãs da Anajure a favor de uma denominação específica, de uma visão teológica estreita, de determinadas pessoas e blogs.
E mais uma coisa, que eu já disse em texto anterior: a censura ocorre também contra os que a praticam. A liberdade plena é concedida apenas aos cessacionistas: eles escrevem e publicam o que bem entendem, no blog de quem bem entendem. Em seus blogs, não há nem mesmo uma citação ou link para qualquer blog pentecostal — nem mesmo para os blogs que os citam, elogiam e divulgam. Definitivamente, esse desequilíbrio é a face mais visível de um processo de degradação espiritual sem precedentes no meio. Uma “tentativa” de “recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais”. Bonito, não? Mas toda turma cessacionista odeia ter sua heresia cessacionista contestada, questionada, debatida. Essa blogueira é incapaz, por agradecimento, por cortesia ou por gratidão, de citar ou divulgar os links dos blogs que recomendam seu blog como digno de ser lido. O que é isso? Uma opção pessoal, diriam alguns. Censura, eu afirmo.
Desisti de escrever para um portal de blogs para o qual escrevia sobre política. Minha interlocutora, ali, sempre foi de uma gentileza ímpar comigo. Mas uma entrevista que dei para o Blog do Júlio Severo foi rejeitada. Foi censurada. Não pela minha interlocutora, mas por irmãos pentecostais que têm interesses em jogo com a VINACC, a Mackenzie e a Anajure, todas dominadas pela fatia cessacionista da Igreja Presbiteriana, sobretudo na figura do ilustre chanceler. Não, não é coincidência. Isso tem nome. Isso tem explicação. Isso tem autor. Isso tem razão de ser. Pense com sua cabeça, investigue e analise. Você vai se surpreender.
Maya Felix, jan 2014
* Texto postado também no portal Gospel Prime  e no Blog do Júlio Severo.

18 de fev. de 2013

Nos seus braços



Só os tolos acreditam que o relacionamento com Deus é sem graça. Alguns imaginam o céu como um lugar tedioso. Não sei como é o céu. Mas desde que conheci o amor de Deus, por meio de Jesus, vivo dias incríveis. Nunca, nem antes nem depois, estive em um relacionamento tão intenso e vivo. Quando me converti, tinha 21 anos, e meu sentimento era de perplexidade diante da novidade de sentir em mim uma força viva, ainda que invisível. Dessa força vinha paz, entusiasmo, alegria, amor. A cada dia, Deus se mostrava de modo diferente – e, no entanto, pacificamente constante. Meus sentimentos eram também confusos, tinha medo de abrir mão de prazeres, rotinas, hábitos nos quais não via mal, ainda que soubesse serem errados. Tinha medo de deixar de ser “eu mesma”, de me tornar triste, um ser de pensamento embotado e cinza. Via cristãos de todos os matizes: conformados, cínicos, aguerridos, amorosos, misericordiosos, julgadores, acusadores... Não sabia direito em que padrão de comportamento eu me encaixaria. Não achava que as pessoas da igreja eram melhores que muitas “do mundo” que eu já havia conhecido. A única coisa que eu sabia é que esse Deus era bom, era muito bom, e com Ele eu me sentia livre para chorar, para falar, para pedir, para reclamar. Pela primeira vez na minha vida, eu tinha alguém em quem eu podia confiar completamente. Eu sabia que não era digna de nada, e ainda assim eu pedia. O mais interessante é que Ele ouvia, e assim eu via, com frequência, pedidos feitos em oração se tornarem realidade. Era incrível. Lia a Bíblia e aquelas afirmações, ideias e conceitos pareciam saltar do papel para a minha vida. Nunca achei a leitura da Bíblia chata. Achava desafiador entender textos mais herméticos. Achava incrível que aquelas palavras, escritas há tantos séculos, pudessem se tornar verdade na minha vida. Eu, uma entre mais de seis bilhões.

Mas as coisas mudavam. O ano seguinte à minha conversão e ao meu batismo foi mais intenso. Comecei a ver mudanças em minhas escolhas, concepções, certezas. Comecei a entender os mil quinhentos e doze porquês antes inexplicáveis em relação à prática religiosa. A vida mudava, eu mudava, meu relacionamento com Deus mudava: tornava-se mais intenso, mais estreito. Anos depois de minha conversão, olhava tudo o que Ele havia feito em mim e não acreditava. Era muita coisa. Então olhava para mim e via o quanto havia a ser feito. E quanto mais Deus fazia, mais eu via o quanto precisava que Ele fizesse, sempre, coisas novas em mim. Percebi então que a vida com Deus assemelha-se mais a um rio que a uma lagoa. A relação com Deus é dinâmica, é cheia de movimento. Nunca é tediosa. Nunca é monótona. A Bíblia que eu relia adquiria sentidos diferentes. Capítulos que sabia praticamente de cor subitamente ganhavam uma dimensão completamente inusitada. Sempre foi incrível.

Deus acompanhou fases diferentes, idades diferentes, humores, estados de alma e de conhecimento vários. Como um construtor paciente, compreendeu fraquezas, falhas, erros. Consertou muita coisa, e só não fez tudo de uma vez, quando o conheci, porque eu teria tido um ataque de nervos instantâneo. Deus sabe o que posso suportar, e age respeitando meu ritmo e meu passo. Achava que Deus um dia ia perder a paciência comigo, cansar-se de me perdoar, pedir “um tempo” no nosso relacionamento... Achava que Deus ia me deixar, que Ele ia me abandonar ou me rejeitar em algum momento. Para minha grata e completa surpresa, Deus  sempre estava comigo, bem perto, ao lado, em volta, aqui. Isso era absurdamente maravilhoso, para mim. Deus era diferente de todo e qualquer ser humano que eu já havia conhecido. A cada constatação de que Ele estava lá, estava comigo, enfrentando todas as dificuldades do meu lado, eu ficava mais e mais grata, eu o amava com mais intensidade. Não só Ele me moldava como essa nova forma que eu adquiria me tornava capaz de amá-lo mais e mais, apaixonadamente.

Há 20 anos tenho vivido esse amor com Deus. Tenho descoberto mais a seu respeito, e tenho aprendido que Ele é de fato perfeito. Não há defeitos, não há oscilações, não há medo. Deus é nobre por inteiro. Ele se tornou, para mim, mais real que minha mão, que os meus pés. Mais real que meu nariz. Não preciso fingir ser quem eu não sou para me mostrar piedosa, caridosa ou melhor do que de fato sou. Deus me conhece. Sabe como sou. Sabe exatamente o que penso e sinto. E não me aponta o dedo na hora do erro. Instrui, acolhe, ensina. Perdoa, edifica, trata. Cura. Ama. Jamais abandona, jamais desiste, jamais esmorece. É apaixonado, cuidadoso, cheio de zelo. E imaginem, faz só 20 anos que vivo essa história de amor. Fico pensando nos próximos 20 anos. Na eternidade. 

3 de mai. de 2009

bráulia ribeiro


Minha Igreja Tem Cai-Cai

por Bráulia Ribeiro, missionária da Jocum

Minha igreja é destas que tem cai-cai, estrebucho e chororô. Aos domingos, quando cai a unção, homens e mulheres, crianças e adolescentes, profissionais liberais, garis, prostitutas e doutores se misturam num carnaval maluco, sem máscaras e sem fantasia. Todos dançam e pulam; alguns desconjuntadamente; outros, como pipoca no óleo quente. Outros, ainda, movimentam-se como num balé new age bem elaborado, em que se perdem sozinhos em seu mundo de adoração, como se estivesse no seu próprio quarto. Alguns gritam – gritos viscerais, primais, enlouquecidos; outros balbuciam extasiados palavras sem sentido. Alguns apenas caem em êxtase, como se tocados por um dedo gigante, e outros ficam no chão, rindo e chorando por muito tempo.

É estranho estar no meio de tudo isto. Você se torna quase um espectador do teatro do absurdo. Por mais que se confronte com o inusitado, sempre se surpreende a cada nova pessoa tocada, a cada profissional circunspecto que de repente se vê no chão despido de qualquer vergonha na cara. No começo, era uma espécie de playcenter espiritual; queria-se reunião todos os dias, numa ânsia pelo toque sobrenatural. A unção se tornou melhor do que qualquer coisa, do que os bate-papos a que estávamos acostumados antigamente, do que as festas regadas a muita comida, que eram comuns no dia-a-dia da igreja. Queríamos a emoção de cair, de perder o controle, de sermos tomados por aquela coisa nova. Um amigo médico definiu o processo como a “cocaína espiritual”. Cocaína da qual não se sai “deprê”, mas que vicia igualmente. Cocaína que produzia cura.

Lembro-me de outro amigo, profissional respeitado na cidade, que por respeito acompanhava a mulher para a igreja anos a fio. Sincero, dizia abertamente que não era crente, sempre querendo se preservar o direito de dar umas pecadinhas sem culpa. Mas, um belo dia de unção, lá estava o sujeito no chão, rolando suas roupas de marca pelo piso sujo de um galpão. Por mais que eu quisesse me desligar da imagem dele e louvar no meu canto, não conseguia parar de olhar as reviravoltas que ele dava – ora como um capoeirista exímio, ora como um lagarto desengonçado. Toda a dureza e indiferença cínica daquele homem rompeu-se e deu lugar a um zelo intenso pelo Evangelho e confissões públicas inimagináveis.

Na época, deflagrou-se uma guerra entre os membros da denominação quando começamos a nos “viciar” naquela cocaína divina. Muitos não se conformavam com o novo modelo, e vociferavam que Deus não podia fazer coisas nem proporcionar tais manifestações. Eu, cá do meu canto, sabia que não podia decidir as coisas que Deus pode ou não fazer – primeiro, porque sou mineira, assim como disse o caboclo depois que viu o sexto elefante cor de rosa voando por cima da cabeça: “É, cumpadi, parece que o ninho deles é pra lá mermo...” O Deus que falou em coluna de fogo, que apareceu em nuvem, que derrubou muralha com buzina, que abriu e fechou mares e rios, pode continuar fazendo o que bem entende. Um Deus que, na forma de homem, curou cego cuspindo no chão, andou em cima d’água, pescou peixe com moeda na barriga, morreu na cruz e ressucitou de maneira espetacular, pode continuar fazendo o que bem entende.

Fiquei a observar os resultados. Sei que a indiferença generalizada que reinava na igreja antigamente virou entusiasmo. Sei que homens que antes passavam o tempo do culto a pensar em seus problemas ou a desnudar as mulheres com o olhar, hoje, tocados por uma compaixão estranha, choram como crianças e pregam o Evangelho com paixão. Sei que mulheres mal-amadas, endurecidas pela vida, de repente desabrocharam em flor, como a moça da janela de A Banda do Chico Buarque. No meio disso tudo, alguns de nós querem teologar em cima de experiências e desenvolvem toda uma filosofia da preservação da “unção” na igreja, carregada de proibições neuróticas e de culpa. Para se ter unção, não pode isto não pode aquilo; não pode roupa de uma determinada marca, não pode música de ritmo afro; só o que é judeu é santo, o resto pertence ao diabo – que, aliás, acaba sendo um sujeito mais criativo que o próprio Deus, que não conseguiu inventar nada além daquelas musiquinhas judaicas em tom menor.

Assim, para ter unção, dizem que o crente precisa viver fora do mundo e outras bobagens mais. E quem olha de fora, ou seja, os acadêmicos da religião, tenta racionalizar e entender cada detalhe, revestindo-se de preconceitos histórico-teológicos. Apesar de cristãos, são mais céticos do que os incrédulos. Do meu canto, observo uma mulher de vida difícil levantar-se do banco ir ao altar pela primeira vez, querendo ver a Jesus e sendo tocada por uma mão sobrenatural de amor que a faz chorar e rir durante horas. Naquele choro, sua alma é lavada, suas culpas freudianas são extirpadas, sua sensação de miséria interna se torna em valor precioso. E ela levanta dali numa inteireza que duzentas horas de sermão não produziriam.

Edgar Morin, grande filósofo da educação, fala sobre cegueiras paradigmáticas. Segundo ele, “um paradigma pode, ao mesmo tempo, elucidar e cegar, revelar e ocultar. É no seu seio que se esconde o problema-chave do jogo da verdade e do erro”. Ou seja, por ficarmos viciados num tipo de paradigma lógico, não conseguimos pensar fora dele, nem muitas vezes analisar coerentemente fatos do mundo ao nosso redor. No entanto, não somos capazes de perceber esse erro porque estamos presos na falsa lógica produzida pelos axiomas em que acreditamos.

O mundo protestante do Brasil hoje apresenta dois paradigmas principais – o dos experiencialistas, para os quais a experiência é tudo, o centro, a verdadeira razão de ser do Evangelho; e o dos racionalistas, que apesar de não admitirem abertamente, excluem a experiência do escopo de sua fé. Estes controlam o que é possível e racional no âmbito “espiritual”, discriminam experiências e vivências de acordo com sua própria concepção do que é ou não racional. Ambos sofrem de cegueira paradigmática. O grupo de cá, voltado para o supremo poder da experiência mística, cega-se para os desatinos que o “império dos sentidos” produz, e infelizmente ignora o leme racional da Palavra. Assim, anda à deriva, movido por ventos de doutrinas, medos legalistas e arroubos personalistas.

O grupo de lá, conservador e racional, primando pelo amor à Palavra, ignora o lado místico da fé, sem o qual a própria fé deixa de ter sentido. Perde a oportunidade de experimentar o mover legítimo e curativo de Deus, o derramar do Espírito Santo que foge à nossa capacidade racional de explicá-lo, ultrapassa nossos limites religiosos e alcança almas e corpos com curas e prazeres que nossa teologia casta e asséptica não é capaz de gerar. Do mesmo modo que o grupo experiencialista exclui toda lógica – e, muitas vezes, todo parâmetro bíblico de sua fé –, o lado metafísico de Deus se torna ausente da lógica viciada da teologia racionalista.

A verdade é que caráter nunca será ministrado por imposição de mãos. A unção nunca substituirá a cruz a ser carregada ao longo de nossa jornada, gerando o verdadeiro cristianismo. A educação e o entendimento da Palavra nunca poderão ser relegados ao segundo plano; nossas mentes devem ser lavadas e transformadas pelas Escrituras, sem a qual a revelação nem existe. Mas ainda assim, a brisa suave do noivo está passando – e, quando ele passa, nosso coração amolece e nossos olhos querem chorar. Ele me ama, e eu sinto isto. É bom adorar por horas seguidas, sem olhar o relógio, e sentir-se limpo, perdoado e próximo do Senhor. É bom saber que Deus é concretamente e transcendentemente eficiente e poderoso para curar corpos, almas, dores, mágoas e teologias... E não há prazer maior que este.

***

Fonte: Genizah, via: Revista Eclésia 

Imagem: BBC.

***

Minha crítica: Bráulia Ribeiro é sublime ao escrever. Fico emocionada quando leio seus textos: simplicidade, talento e conhecimento profundo da Palavra e da ciência humana se revelam, para sorte minha. Os textos de Bráulia Ribeiro me fazem repensar tantas coisas... Paro pra desenformar, desemoldurar e refletir. Penso à luz da Palavra e olhem a Bráulia Ribeiro, a vivência com Deus e a testificação do Espírito aí, de novo, me fazendo rever meus conceitos (e isso porque tenho ido à uma igreja que tem cai-cai...). 

10 de nov. de 2007

Éclésia [1]

Para ampliar a imagem, clique nela!

Só pra terminar por hoje, que já é amanhã... Comprei há dois dias a revista Eclésia deste mês. Penso que esta edição traz muita coisa boa, mas só consegui dar uma folheada. De cara, uma entrevista excelente (essa eu li um pouco mais) com o missionário David Botelho. Ele chama a atenção para a falta de compromisso dos cristãos com as missões... Às vezes eu mesma me pergunto o sentido de muita coisa na vida. Cursos, livros, teorias, blog, carro, cinema, caixa eletrônico, seminários, simpósios, encontros e congressos, festas de aniversário, batons, cremes, perfumes, roupas novas, bolsas, natal, dia dos pais, das mães, dos avós, da criança, do amigo, do professor, da independência etc etc... Sim, tenho prazer em muita coisa, em minha profissão, em ir ao cinema, ler... E vejo na luta por justiça social e humanitária uma missão, também (como diz o pastor Ariovaldo Ramos, o grande lance é a "Missão Integral"!). Mas meus dias mais felizes foram (e foram mesmo) quando pude falar do amor de Deus, falar das boas novas, da coisa mais incrível que já aconteceu em todo o universo. E o único livro do qual eu realmente precisava era a Bíblia. Foram os dias em que vi pessoas se arrependendo de seus pecados - pessoas sofridas, atormentadas, cheias de peso, de culpa, sem esperança, vazias. Vi grandes transformações que o Espírito Santo fez, quando seu amor entra nos corações e diz: "É possível uma vida nova, há um amor que você não conhece, há esperança..." Não há nada que se compare a essa alegria assustadora, celestial, arerebatadora. Nada. Fazer missões faz um bem incrível, e muito mais a quem é enviado do que a quem acolhe o que chega.


Você pode fazer ser um(a) missionário(a) na sua rua, não espere aparecer um anjo brilhante com voz de eco flutuando à noite, em seu quarto, para explicar a você que Deus quer que todo aquele que o ama, que nele crê e que o tem como Senhor de sua vida leve Seu amor e suas Boas Novas a quem não o conhece. A Bíblia já é bem clara! Não espere "aquele chamado" hipermegaultraextrasobrenatural para ir para Madagascar... Tenho certeza de que em sua cidade há hospitais, orfanatos, asilos, manicômios, prisões... Há pessoas. Não espere, se apresente. A quem enviarei? Diga logo: Envia-me a mim, Senhor. Diga logo: Eis-me aqui! E deixe que Ele o(a) prepare para ir.


Beijos,

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Maya

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: )

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P. S. : A revista Eclésia pode ser encontrada em qualquer boa banca de jornal. Custa R$ 7,90. Traz debates, textos inteligentes, instigantes, informativos. É uma leitura muito boa para quem é cristão... e para quem não é!

2 de nov. de 2007

Caros Amigos [27]


A Caverna de Platão

No livro VII de A República, Platão narra que Sócrates propôs a seus ouvintes imaginarem um grupo de prisioneiros acorrentados numa caverna, sem nunca poder se virar para fora, onde há uma fogueira cujas chamas projetam dentro da caverna as sombras de quem passa diante da estrada. Os prisioneiros, que nunca viram o mundo exterior, julgam que as sombras e o eco das vozes são reais.

O capitalismo, em seus primórdios, produzia em função das necessidades humanas. Não se investia em algo que o consumidor julgasse desnecessário. A superprodução inventou a publicidade de modo a inverter o processo, já não é o consumidor que busca o produto, é o produto que se impõe ao consumidor.

O avanço tecnológico e o design tornam a mercadoria descartável. Não basta ter um rádio. É preciso ter o novo rádio, de linhas arrojadas, formato menor, capaz de funcionar a pilha. Assim, graças à publicidade, o supérfluo torna-se necessário.

Nessa sua fase neoliberal, em pleno advento da pós-modernidade, o capitalismo introduz o mercado como paradigma supremo. Se no período medieval o paradigma foi teocêntrico, e a fé figurava como rainha do saber, se no período moderno o paradigma antropocêntrico fez a fé ceder lugar à razão, agora o mercado não se interessa pelo homem religioso ou racional, interessa-se pelo consumista. E, quanto menos razão, mais emoção, o que introduz o consumidor a contemplar, embevecido, um novo computador ou os veículos expostos no Salão do Automóvel. Assim, o capitalismo alcança o nosso inconsciente.


O ter e o ser

Agora, de costas à concretude da existência e indiferentes à sua historicidade, tomamos as sombras por relidades. O sentido da vida desloca-se da fé (coração) e dos ideais (razão) para se centrar nos objetos possuídos. Vive-se em função de bens finitos. Mesmo para o jovem morador da favela, o tênis de marca é mais importante do que a escolaridade e a formação profissional.

A pessoa é o que tem e ostenta, e não os valores e propósitos que assume. As aparências contam mais que o ser e, ainda que isso não seja verdade, há o socorro miraculoso do marketing para nos convencer de que faz bem à saúde o refrigerante descalcificador; imprime sedução a cerveja que alcooliza; concede status o carro luxuoso. Vale a pena votar no político safado revestido de ética!

Se os bens finitos superam os infinitos, e o desejo converge para o absurdo, não é de estranhar que as frustrações sejam proporcionais às ambições. Todos invejam o alpinismo de seus ídolos incensados pela mídia, embora deles conheçamos apenas as sombras projetadas na tela da televisão e das revistas, pois estamos irremediavelmente de costas para a porta da rua, convencidos de que o personagem representado por aqueles que exibem fama, poder e riqueza é mais real que as pessoas deles.

***

Texto de Frei Betto, publicado na revista Caros Amigos ano XI, nº 127, outubro/2007, p. 19.

NOTA: Os trechos sublinhados em negrito estão assim ressaltados por nós.



ANEXO I

"Sócrates - Agora, com relação à cultura e à falta dela, imagine nossa condição da seguinte maneira. Pense em homens encerrados numa caverna, dotada de uma abertura que permite a entrada de luz em toda a extensão da parede maior. Encerrados nela desde a infância, acorrentados por grilhões nas pernas e no pescoço que os obrigam a ficar imóveis, podem olhar para a frente, porquanto as correntes no pescoço os impedem de virar a cabeça. Atrás e por sobre eles, brilha a certa distância uma chama. Entre esta e os prisioneiros delineia-se uma estrada em aclive, ao longo da qual existe um pequeno muro, parecido com os tabiques que os saltimbancos utilizam para mostrar ao público suas artes.

Glauco - Estou imaginando tudo isso.

Sócrates - Suponha ainda ao longo daquele pequeno muro homens que carregam todo tipo de objetos que aparecem por sobre o muro, figuras de animais e de todos os homens de pedra, de madeira, de todos os tipos de formas. Alguns dentre os homens que as carragam, como é natutral, falam, enquanto outros ficam calados.

Glauco - Que visão estranha e que estranhos prisioneiros!

Sócrates - Malgrado isso, são semelhantes a nós. Pense bem! Em primeiro lugar, deles mesmos e de seus companheiros poderiam ver algo mais do que as sombras projetadas pela chama na parede da caverna diante deles?

Glauco - Impossível, se foram obrigados a ficar por toda a vida sem mover a cabeça.

Sócrates - E não se encontram na mesma situação no tocante aos objetos que desfilam perante eles?

Glauco - Certamente.

Sócrates - Supondo que pudessem falar, você não acha que considerariam reais as figuras que estão vendo?

Glauco - Sem dúvida alguma.

Sócrates - E se a parede oposta da caverna fizesse eco? Quando um dos que passam se pusesse a falar, você não acha que eles haveriam de atribuir aquelas palavras a sua sombra?

Glauco - Claro, por Zeus!

Sócrates - Então para esses homens a realidade consistitia somente nas sombras dos objetos.

Glauco - Obviamente haveria de ser assim.

Sócrates - Vamos ver agora o que poderia significar para eles a eventual libertação das correntes e da ignorância. Um prisioneiro que fosse libertado e obrigado a se levantar, a virar a cabeça, a caminhar e a erguer os olhos para a luz, haveria de sofrer ao tentar fazer tudo isso, ficaria aturdido e seria incapaz de dicernir aquilo de que antes só via a sombra. Se a ele se dissesse que antes via somente as aparências e que agora poderia ver melhor porque seu olhar está mais próximo da realidade e voltado para objetos bem reais; se lhe fosse mostrado cada um dos objetos que desfilam e se fosse obrigado com algumas perguntas a responder o que seria isso, como você acha que ele haveria de considerar as coisas que via antes mais verdadeiras do que aquelas que lhe são mostradas agora?

Glauco - Sem dúvida, muito mais verdadeiras."

***
A República (Politéia). Platão. Livro VII, Capítulo I. São Paulo: Ed. Escala, p. 243-244.


ANEXO II

"Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido."

Primeira Carta aos Coríntios, Novo Testamento, Bília Sagrada, capítulo 13, verso 12 . Escrita pelo apóstolo Paulo.


IMAGEM: Cisnes que se Reflejan como Elefantes, de Salvador Dali.
FONTE da pintura de Dali e das fotografias: web.

Edemir Antunes [3]

Reforma urgente
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...Os tesouros do Evangelho são redes com que, desde a antigüidade, se pescam homens de bem. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam os bens dos homens. (Lutero, Teses 65-66)
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Com essa afirmação, das teses 65-66 em epígrafe, Martinho Lutero contrapõe o valor do Evangelho ao valor das indulgências, denunciando-as como não sendo um meio para chegar à salvação. As indulgências eram apenas um instrumento para roubar e massacrar as pessoas, em nome de Deus. A carnificina era praticada a céu aberto e os urubus carniceiros se fartavam. Nesse contexto apodrecido e fétido, Lutero foi o profeta do povo frente a uma “igreja oficial” que usurpara o direito à salvação dada gratuitamente por Cristo para toda humanidade.

Martinho Lutero entende que só a fé é suficiente para o perdão de pecados. Antes, devido sua obstinação em ser salvo pelas obras e pela confissão dos pecados, Lutero chegava a ficar horas se confessando, e às vezes quando se esquecia de um pecado voltava correndo a fim de confessá-lo, tal a pertinácia e obstinação que tinha pela salvação. Depois de várias reflexões, crises e momentos de angústia, ele chegara à conclusão da “justificação pela fé”, e que nesta se resumia toda doutrina cristã.
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Por conseguinte, elabora-se a doutrina da “justificação pela fé”, que foi uma das apreensões luteranas mais importantes, pois nela o/a discípulo/a está certo/a de que sua salvação não depende das obras, mas sim da fé mediante a incomensurável Graça. Quando Paulo diz: “o justo viverá por sua fé”, segundo Lutero, quer dizer que a vida do/a justo/a deverá ser marcada por uma crença na salvação dada por Deus em Cristo Jesus, e que não há outro meio de chegar ao Pai Celeste se não for pela fé. Cabe ressaltar que juntamente com a fé deve estar o amor, pois de nada vale a fé sem o amor.
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A sistematização da “justificação pela fé” traz uma contribuição significativa para os/as cristãos/ãs daquele tempo no que concerne ao seguimento de Jesus Cristo, uma vez que os/as mesmos/as compreenderam que pela fé seriam salvos/as, e que não careciam pagar indulgências a fim de ter um tesouro no céu, ou ainda, para que sua salvação fosse garantida. Agora a fé, e somente a fé, é suficiente para salvação e para experimentar a Graça de Deus.
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Apesar de todas essas contribuições produzidas pela Reforma, a salvação pela fé é uma questão mal compreendida em vários setores eclesiais hoje em dia. Certas pessoas têm a idéia de que fazendo barganhas com “deus” poderão obter os benefícios materiais da “divindade” e salvar-se do pecado e da morte. Há os que ainda pensam ser a prática de boas obras o caminho para obter a salvação, e não uma conseqüência automática da fé em Cristo. Há os que fazem com que o dinheiro pago seja a garantia dos tesouros no céu, ou ainda aqui mesmo na terra – sugerindo que as pessoas que “pagarem” o dízimo e a oferta terão mais bênçãos a receber da parte de Deus. Chegam até à falta de escrúpulos de constranger as pessoas para que façam doações volumosas para Deus, como se o Senhor precisasse de algum dinheiro nosso dessa forma!
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Muitas “igrejas” também têm aderido a esta fé neoliberal, excludente e mercenária. Desta adesão horrenda, pornográfica e absurda desencadeiam-se competições entre comunidades de fé; exploração financeira dos/as leigos/as pela liderança religiosa; exaltação do “deus Mercado”; distribuição de bênçãos, vidências e cura “divina” mediante pagamento; e ausência de relacionamento comunitário saudável.
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Presenciamos uma decadência em várias áreas do cristianismo brasileiro, semelhante àquela enfrentada por Lutero em sua época. Parece haver um processo cíclico na história, e os erros não estão de forma alguma consertados por aquilo que se nos apresenta pela memória através da história. Grande parte das pessoas não lêem, não refletem e, por isso, cometem os mesmos pecados. Hoje, por exemplo, falta um regresso à Escritura, porque não se tem dado importância devida a ela. Quando Lutero chega à conclusão de que somente a Escritura é a autoridade máxima, ele entende que a Palavra confere aos/às homens/mulheres a oportunidade de trilharem o Caminho da Felicidade que lhes garante a oportunidade de desfrutarem um pouquinho do Céu nesta Terra. Porém, vários/as destes/as corromperam seu valor para terem o poder em suas mãos, a fim de subjugar as pessoas para que essas façam a sua vontade, e não a de Deus.
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Talvez o mundo hodierno esteja carecendo de um porta-voz profético como foi Lutero, para levar o povo a uma compreensão de que só a fé é suficiente para a salvação, e que a vida e obra de Jesus Cristo tem autoridade máxima sobre os/as crentes. Isso precisa ser anunciado em nossos dias, pois muitas pessoas vão a suas “igrejas” como se fossem semanalmente a um clube social, não meditam sobre a fé e não querem saber de um profundo estudo das Escrituras. Esses indivíduos querem apenas extravasar suas tensões e dores no culto, fazendo do mesmo um culto irracional, cheio de emoções selvagens, sem reflexão alguma e que lhes tragam benefícios concretos imediatos. Pensam que, conforme dizem alguns/algumas líderes, se ofertarem e “dizimarem” (segundo o dicionário da língua portuguesa dizimar é destruir... mas tudo bem.) serão ricamente abençoados/as. Nesta lógica demoníaca e perversa, a fé deve ser do tamanho da contribuição. Assim, quem crê muito, oferta muito e lucra muito. Logo, quem crê pouco, oferta pouco e lucra pouco.
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O que estamos enfrentando nada mais é do que uma mercantilização da fé e uma falta de conhecimento das Escrituras por parte do povo. Tudo isso é agravado pelas disparidades sociais, pelo descuido dos governos para com as pessoas mais frágeis da sociedade, pelo descaso com as áreas da saúde e educação, pelo sucateamento da segurança, pelas alianças entre poderosos/as e bandidos/as, pelo patrocínio da violência, pelo crescimento da sujeira na Política que não nos permite ver os/as raros/as políticos/as sérios/as e profissionais em nossa sociedade, entre outras coisas que serviriam de tema para vários livros.
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É óbvio que ao discorrer sobre a Reforma Protestante não há como negar que ela teve motivações, também, na esfera política-econômica, cultural e social. Todavia, eu quero destacar os aspectos teológicos-eclesiais que permeiam este acontecimento histórico como profícuos para uma vida cristã adequada. Por isso, com este 490º aniversário da Reforma Protestante, concluo: urge que se levantem mais reformadores/as. Que seja uma verdade o lema: Igreja reformada, sempre reformando. Está difícil, mas eu não perco a esperança.
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Graça, paz e bem!
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FONTE: Blog do pastor Edemir Antunes, postado em 31.10.2007. Trechos sublinhados em negrito por mim!
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19 de out. de 2007

Você é meu convidado...


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Caio Fábio [8]


“TROPA DE ELITE” MUITO BURRA


O que escrevo a seguir não será entendido hoje por mais de 90% dos meus leitores. De fato alguns são leitores, mas muitos ainda são Lei-tores. Entretanto, em alguns anos todos me compreenderão. Mas o preço hoje é a solidão.

Deixando o que digo para além da dúvida para os mal intencionados:

Sou contra as drogas, mas sou mais contra ainda aos meios de seu combate e às motivações de seu combate!

Portanto, apenas suponha:

“De hoje em diante Cerveja e Vinho são drogas” — decretam as autoridades.

Até mesmo vinho de ceia; até mesmo o suco da uva! Tudo está proibido!

Tomar a ceia com vinho ou seus derivados seria crime e ilegalidade em tal caso. A ceia seria uma contravenção.

Sim! De um dia para o outro; assim como foi quando bebida alcoólica era droga nos Estados Unidos e deixou de ser com uma Canetada legal.

Por quê?

Ora, em ambos os casos, tanto para tornar crime quanto para descriminar [na época da Lei Seca], aconteceu apenas em razão da Moral das elites e que é sempre o resultado de seus interesses, sejam econômicos ou apenas uma decisão segregatória — conforme aconteceu na América.

Sim! Tais leis [tipo a Lei Seca] acontecem apenas em razão da Moral, a qual, pela legalidade, se torna mais Moral ainda, e, portanto, cada vez mais legal...

Assim, bons lobbies e uma boa dose de Moralidade elitista, e qualquer coisa desinteressante para essa Moral passa a ser ilegal e vice versa.

Afinal, sempre se substitui uma Moral por outra Moral do modo mais irracional possível.

Isto é também parte do “curso deste mundo”, conforme Paulo.

Algodão já foi a “droga das roupas” por uma convenção americana, de natureza protecionista de seu mercado; posto que, não podendo competir com o algodão indiano, declarou-o ilegal nos States; e quem o comprava ou vendia algodão ia pra cadeia como um “traficante”.

Por quê?

Ora, é que a lã americana não podia competir com os tecidos de algodão da Índia [isto no início do século passado]. Desse modo o remédio era fazer algodão ser algo ilegal.

Apenas uma Canetada e o algodão virou droga.

Apenas a título de ilustração e jamais de apologia:

Até a década de 30 era permitido fumar maconha nos Estados Unidos. Fumava-se abertamente em todas as festas da elite em Nova York [na Europa Vitoriana também; e depois... do mesmo modo até o fim da II Guerra]. Mas como nos Estados Unidos [nova potencial mundial] surgiu a discriminação aos negros, e eram eles [os negros] que plantavam a maconha no campo e vendiam aos brancos, do dia para a noite, por força da perseguição racial, a plantação passou a ser crime.

E como todo crime que só é crime se for por decreto, a tendência, em tal caso, é fazer crescer o “proibido”; então o consumo cresceu na América e no mundo...

Para se compreender minimamente o que tento aqui expressar, é importante afirmar que existe diferença entre os mandamentos da Lei de Deus e os mandamentos das leis dos homens.

O ladrão que morria ao lado de Jesus pagou legalmente pelo que seus atos mereciam, embora, pelo arrependimento, tenha ido de condenado pelos homens a perdoado por Jesus direto para o Paraíso.

No caso de tal “malfeitor”, deu-se a César o que era de César [a lei e a ordem] e deu-se a Deus o que a Deus pertencia: o homem.

No caso em questão, provavelmente o “malfeitor” pagasse por crimes mesmo [morte, roubo ou qualquer delito real contra o próximo], e não por convenções meramente circunstanciais ou fruto de caprichos de uma elite.

Entretanto, no caso do “ladrão ao lado de Jesus”, ficou estabelecida a distinção entre a Lei operando socialmente para proteger os homens daqueles que são malfeitores, e, a possibilidade de que o condenado, mesmo pagando o que deve, o pague aos homens embora já esteja perdoado pelo Pai.

A Lei de Deus não salva ninguém espiritualmente [pois, por obras da Lei ninguém é justificado diante de Deus], mas sem ela a sociedade humana entra em caos total.

Sem honra aos pais as gerações apodrecem...

Sob o homicídio toda sociedade se torna diabo...

Sob a mentira, a falsificação, o estelionato e a falsa testemunha, toda sociedade já não sabe mais nada acerca da realidade... e serve à fantasia...

Sob o adultério, a traição e o engano, toda sociedade perece no desamor familiar e estende tal desamor para o todo da vida; pois, quem não ama o seus, a quem amará?...

Sob o roubo, o furto e a corrupção, toda sociedade se torna perversa e bandida; e a nossa é a prova cabal de que sendo assim tal processo é irreversível...

Os quatro primeiros mandamentos da Lei de Deus não têm aplicabilidade social exceto numa Teocracia [o que nada tem a ver com o Reino de Deus, que no coração]; e o último, “não cobiçarás”, pode apenas ser avaliado no próprio coração do cobiçoso.

Entretanto, dos mandamentos de Deus que são leis consensuais em praticamente todas as sociedades humanas, no Brasil quase nenhum deles carrega qualquer significado Moral atual; não para a elite...

Sim! Cada mandamento foi escrito como sendo algo que não se devia fazer “contra o próximo”. Entre nós, todavia, tudo isso perdeu o sentido... O que se tem que fazer é aprender a praticar sem que se seja flagrado...

O país é vitima de um monte de leis morais re-enforçadas pelas elites [mídia e formadores de opinião] e pelo sistema político, legal e policial; e tais leis e seus executores geram os piores males da nação; males piores do que “aquilo” que pelo uso de tais leis se pretende combater.

Se alguém soma o que se perde na corrupção governamental e legal [Executivo, Legislativo e Judiciário] e mais o que se gasta na repressão aos crimes de Canetada, e que são caprichos Morais — e se a tais somas se adiciona o imponderável: a perda de milhares e milhares de vidas humanas; e mais: o decreto de morte ou semi-morte aos órfãos e parentes de tais “vitimas” — logo se vê, pela soma de tais índices, que se gasta infinitamente mais em razão deles, do que qualquer que seja o significado do mal que o objeto reprimido possa causar em si mesmo à sociedade.


O drama que o filme Tropa de Elite nos apresenta é a expressão de um espírito suicida, burro, diabolicamente imbecil, e satanicamente homicida, o qual se torna guerra de decreto, sem que a ela corresponda nenhuma causa pela qual se deva guerrear.

Durante anos importantes no desenvolvimento do atual fenômeno narrado parcialmente no filme Tropa de Elite — vi para além de qualquer dúvida que pudesse depois restar em mim, que a guerra é de Caneta, e que seu gênio é a Moral das elites hipócritas, em razão de que o que se combate só se passou a combater por um preconceito racial americano, tornado lei mundial pelo poder econômico e militar da América Pós-Guerra; e que se tornou lei a ser cumprida por todas as nações “civilizadas” da terra.

Entretanto, antes de 1930 [e alguma coisa], não era assim nem mesmo na América do Norte, tendo se tornado isso em razão da perseguição aos negros — o que, pela alienação histórica, vai se projetando de geração a geração como se fosse mandamento divino...

O filme retrata a idiotice animada pelo inferno e que entre nós se tornou um câncer com metástase no corpo inteiro.

O que se gasta de energia, sangue, vidas e dinheiro para combater aquilo que foi condenado pela lei da Canetada [bem como o dinheiro que se desvia dentro do processo e fora dele como corrupção], não vale nem de longe a guerra imbecil que se propõe combater até a morte aquilo que mata menos do que a repressão feita em nome da vida e da ordem, a qual não apenas mata muito e muito, mas corrompe ainda mais...

E quem já viveu ali..., olhando de dentro da Polícia, apalpando seus intestinos; bem como vendo a partir do Estado, compondo seus quadros de avaliação do sistema; entrando em todo o sistema prisional e fazendo relações com os apenados e suas famílias; subindo os morros e favelas, entrando nas casas dos trabalhadores bem como na dos membros do “movimento” — sim! olhando a situação por várias perspectivas, e percebendo que seus tentáculos se esticam aos mais elevados níveis de poder; e mais: sabendo da história da proibição que hoje, sem se auto-explicar, tornou-se um Axioma Legal — não se tem como não dizer: TUDO ISSO É LOUCURA!

Segundo o filme, alguém bom tem que sofrer a lavagem cerebral do ódio a fim de poder ser o substituto de alguém bom que tem que viver como mal a fim de sobreviver até achar alguém que entre no processo para substituí-lo...

E para que isto aconteça a pessoa tem que se convencer que é mais importante salvar a Polícia para coibir o uso de qualquer que seja o produto ilícito, do que perguntar se aquilo tudo faz sentido.

“Ordem dada é ordem cumprida” — repete o policial corrupto e indiferente.

Assim, o filme da moda, o Tropa de Elite, foi visto por mim num ato de contravenção, mediante uma cópia pirata, e, de tal ilícito é que me arvoro a escrever sobre a proliferação do ilícito irracional, o qual, não é Lei de Deus, e não trabalha na direção dela, pois, para que alguém não se mate por vontade própria [o que é lícito; pois, não se diz “não te suicidarás”, mas sim “não matarás”] — mata-se muito mais do que os próprios suicidas dependentes de drogas químicas conseguem se matar; fazendo “eles” assim com que o remédio para matar barata seja uma bomba atômica; que não mata a barata, mas destrói tudo à sua volta; conforme se vê na insana luta contra as “drogas escolhidas” pela elite Moral para serem as “proibidas”, embora os proibidores consumam mais que todos os outros homens aquilo por eles “proibido”; enquanto financiam e demandam a morte daqueles que são seus “fornecedores”; os quais, para continuar fornecendo o ilícito têm que se armar até os dentes a fim de enfrentar a Polícia; a qual, usa tais “atravessadores ilegais” como os sustentadores do negócio policial da corrupção, na mesma medida em que a própria Polícia também se envolve com tudo mais que diga respeito à exacerbação do processo, criando um monstro que se alimenta de sua própria morte. De modo que quanto mais mata, à semelhança de um vampiro, mais se fortalece no espírito do ódio e da morte.

Ou seja: tudo isso é o diabo!

Indagado sobre isto por fariseus contemporâneos, Jesus diria: “Vocês sempre coam o mosquito e engolem o camelo!”.

Todo esse sistema tem sua cabeça no intestino grosso de um Estado sem consciência, e que importa Dejeto Legal como ouro Moral, apenas para passar por “civilizado” ante as elites suicidas e preconceituosas da Roma Moderna: a América do Norte.

Sim! É mais ridículo do que Corintiano matando pelo resultado do jogo de seu time.

Somente os cegados pela Moral burra e pelo preconceito, não enxergam que essa guerra é de Caneta, mas que as armas são de morte. E mais: que ela jamais terá fim; e cada vez mais será a Droga maior enquanto diz nos defender das drogas.

Se o Governo Brasileiro não tiver a coragem de tomar uma posição inteligente frente ao mal maior que se cria combatendo os inegáveis males das drogas pela via de um mal maior, apenas contaremos nossa história rumo ao abismo.

Isto não é profecia, é fato!

Somente a consciência pode parar o consumo de qualquer coisa, pois, não existe Lei contra o desejo de fugir ou de morrer. E essa é a pulsão que fomenta o uso de qualquer alterador de consciência; seja o álcool, seja a maconha, seja o pó e seus derivados diabólicos, ou sejam as drogas tarja preta, igualmente danosas e viciantes.

Esta é minha opinião, já expressa outras vezes neste site. Quem não concordar espere mais dez anos e releia o que escrevo hoje; e, antes de hoje, em centenas de textos desde 1992.


Nele, em Quem julgo falar com sensatez pela Vida, e isto em um mundo caído no qual quase sempre o melhor é apenas o menos ruim,


Caio

04/10/07
Lago Norte
Brasília
Texto extraído do site do pastor Caio Fábio D'Araújo Filho, carinha legal pra caramba, de quem sou discípula há algum tempo.

Vladimir Ilyich Lenin [1]

O Materialismo Dialético e o Anarquismo

Não somos dos que quando se menciona a palavra "anarquismo" viram com desdém as costas e, com um gesto de repulsa, dizem: "Tendes a liberdade de ocupar-vos disso; mas não vale sequer a pena falar no assunto!" Julgamos que semelhante "critica" barata é indigna e infecunda. Não somos tampouco dos que se consolam pensando que os anarquistas "não têm apoio de massa" e por isso não são, afinal, tão "perigosos". Não se trata de saber quem é seguido por "massa" maior ou menor", trata-se da substância da doutrina. Se a "doutrina" dos anarquistas exprimir a verdade é obvio então que ela necessariamente abrirá o caminho para si e reunirá em torno de si a massa. Se, pelo contrário, for inconsistente e alicerçada numa base falsa, não subsistirá por muito tempo ou ficará suspensa no ar. A inconsistência do anarquismo deve, portanto, ser demonstrada.

Julgamos que os anarquista são verdadeiros inimigos do marxismo. Por conseguinte, reconhecemos também que, contra inimigos verdadeiros, é preciso travar uma luta verdadeira. E por isso é necessário examinar a "doutrina" dos anarquistas de alto a baixo e colocá-la à prova sistematicamente em todos os aspectos. Mas alem da crítica dos anarquistas é necessária uma explicação da nossa posição e, portanto, uma exposição sumária da doutrina de Marx e Engels. Isso é tanto mais necessário quanto alguns anarquistas difundem uma falsa versão do marxismo e causam confusão na cabeça dos leitores. Metamos, pois, mão à obra. No mundo tudo se move... transforma-se a vida, crescem as forcas produtivas, as velhas relações sociais são destruídas... O eterno movimento e a eterna destruição-criação: tal é a essência da vida (Karl Marx, Miséria da filosofia).

O marxismo não é só a teoria do socialismo; é uma concepção completa do mundo, um sistema filosófico do qual emana logicamente o socialismo proletário de Marx. Esse sistema filosófico chama-se materialismo dialético. Por que esse sistema se chama materialismo dialético ? Porque o seu método é dialético e a sua teoria materialista. Que é o método dialético? Que é a teoria materialista? Diz-se que a vida consiste num incessante crescimento e desenvolvimento, e isso é verdadeiro: a vida social não é algo de imutável e cristalizado, não se detém nunca no mesmo nível, está em eterno movimento, num eterno processo de destruição e de criação. Não era por acaso que Marx dizia que o eterno movimento e a eterna destruição-criação são a substância da vida. Por isso na vida existe sempre o ‘novo’ e o ‘velho’, o que cresce e o que morre e, ao mesmo tempo, incessantemente, sempre, algo nasce... O método dialético diz que é preciso considerar a vida como ela é na realidade. A vida encontra-se em incessante movimento, por conseguinte devemos também considerar a vida no seu movimento, na sua destruição e criação. Para onde vai a vida, que é que morre, que é que nasce na vida, que é que se destrói, que é que se cria, eis que espécie de questões devem antes de mais nada interessar-nos. Tal é a primeira conclusão do método dialético. O que na vida nasce e cresce dia a dia é invencível; deter seu movimento para a frente é impossível; sua vitoria é inelutável. Isto é, se, por exemplo, na vida, o proletariado nasce e cresce dia a dia, então, por mais débil e pouco numeroso que seja hoje, acabará vencendo afinal. Ao contrário, o que na vida morre e vai em direção ao túmulo deve ser inevitavelmente derrotado, isto é, se, por exemplo, a burguesia sente faltar-lhe o chão debaixo dos pés e recua dia a dia, então, por mais forte e numerosa que ela seja hoje, acabará sendo afinal derrotada e baixará ao túmulo. Surge daí a conhecida tese da dialética: tudo o que é real, isto é, tudo o que de dia para dia se desenvolve, é racional. Tal é a segunda conclusão do método dialético.

No penúltimo decênio do século passado, entre os intelectuais revolucionários russos travou-se uma polêmica importante. Os populistas diziam que a forca principal que pode executar a tarefa da "libertação da Rússia" são os camponeses pobres. Por que? - perguntavam os marxistas. Porque, diziam eles, os camponeses são os mais numerosos de todos e, ao mesmo tempo, os mais pobres de todos na sociedade russa. Os marxistas respondiam: é verdade que os camponeses, hoje, constituem a maioria e são muito pobres, mas será acaso esse o problema? Já de há muito constituem os camponeses a maioria, mas até agora, sem o auxilio do proletariado, eles não tomaram nenhuma iniciativa na luta pela "liberdade". E por que? Porque o campesinato, como camada social, "desagrega-se dia a dia", subdividem-se em proletariado e burguesia, ao passo que o proletariado, como classe, "dia a dia se desenvolve" e se fortalece. E aqui neste caso a pobreza não tem uma importância decisiva: os "vagabundos" são mais pobres que os camponeses, mas ninguém dirá que possam executar a tarefa da "libertação da Rússia". A questão é somente ver quem cresce e quem envelhece na vida. E uma vez que o proletário é a única classe que cresce e se fortalece ininterruptamente, é nosso dever colocarmo-nos a seu lado e reconhecê-lo como força principal na revolução russa; assim respondiam os marxistas. Como vedes, os marxistas consideravam a questão de um ponto de vista dialético, ao passo que os populistas raciocinavam metafisicamente, porque consideravam os fenômenos da vida "imutáveis, cristalizados de uma vez para sempre" (vide Engels, Filosofia, economia política, socialismo). Assim o método dialético considera o movimento da vida.

Mas há movimento e movimento. Havia um movimento social nas "jornadas de dezembro", quando o proletariado ergueu a cabeça, assaltou os depósitos de armas e atacou a reação. Mas, se deve chamar movimento social também o movimento dos anos anteriores, quando o proletariado, num período de desenvolvimento "pacifico", limitava-se a greves parciais e à fundação de pequenos sindicatos. É evidente que o movimento possui diversas formas. E o método dialético diz que o movimento tem uma forma dupla: evolução e revolução. O movimento tem a forma de evolução quando os elementos progressistas continuam espontaneamente seu trabalho cotidiano e introduzem na velha ordem pequenas modificações "quantitativas". O movimento é revolucionário quando esses mesmos elementos, dominados por uma só idéia, unem-se e lançam-se contra o campo inimigo, para destruir pela raiz a velha ordem com as suas caraterísticas "qualitativas" e instaurar uma nova ordem. A evolução prepara a revolução e cria o terreno para esta, e a revolução coroa a evolução e contribui para o seu trabalho ulterior.
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Os mesmos processos ocorrem também na vida da natureza. A história da ciência demonstra que o método dialético é um método efetivamente cientifico: por toda a parte - da astronomia à sociologia - encontra confirmação a idéia de que no mundo não há nada de eterno, que tudo se modifica, tudo se desenvolve. Por conseguinte, na natureza, tudo deve ser considerado do ponto de vista do movimento, do desenvolvimento. E isso significa que o espirito da dialética penetra toda a ciência moderna. No que diz respeito às formas do movimento, no que diz respeito ao fato de que, de conformidade com a dialética, as pequenas mudanças "quantitativas" conduzem no final a grandes mudanças "qualitativas", essa lei possui igual valor também na história natural. O "sistema periódico dos elementos" de Mendeleiev demonstra claramente a grande importância que tem na historia natural o fato de surgirem das mudanças quantitativas, mudanças qualitativas. Na biologia, a teoria do neolamarckismo, a que cede lugar o neodarwinismo, atesta a mesma coisa. Dispensamo-nos de referir outros fatos esclarecidos de maneira assaz exaustiva por F. Engels no seu Anti-Duhring. Assim, conhecemos agora o método dialético. Sabemos que, segundo esse método, o mundo se encontra em perpétuo movimento, num perpétuo processo de destruição e de criação e que, por conseguinte, todo fenômeno, seja na natureza como na sociedade, deve ser considerado no seu movimento, no processo de destruição e de criação e não como algo cristalizado e imóvel. Sabemos também que esse mesmo movimento possui uma forma dupla: evolução e revolução...

Como consideram, porem, os anarquistas, o método dialético? O fundador do método dialético, como se sabe, foi Hegel. Marx somente depurou e melhorou esse método. Essa circunstancia também é conhecida pelos anarquistas; sabem eles também que Hegel era conservador e, aproveitando a "ocasião", atacam furiosamente Hegel, arrastam-no na lama como reacionário e partidário da "restauração"; demonstram com ardor que "Hegel é... o filosofo da restauração... que ele exalta o constitucionalismo burocrático na sua forma absoluta, que a idéia geral da sua filosofia da historia "serve à tendência filosófica da época da restauração e é subordinada a esta" e assim por diante (vide Nobati, n. 6, artigo de V. Tcheerkezichvili). Para dizer a verdade, neste ponto ninguém diverge deles, antes todos convém em que Hegel não era um revolucionário, mas partidário da monarquia, porem os anarquistas, apesar disso, "demonstram" e julgam necessário "demonstrar" interminavelmente que Hegel era partidário da "restauração". Com que objetivo? Provavelmente, com o objetivo de desacreditar Hegel com tudo isso e dar a entender ao leitor que também o método do "reacionário" de Hegel é reprovável e não científico. Se assim se passam efetivamente as coisas, se os senhores anarquistas pensam refutar por esse meio o método dialético, devo dizer que eles por esse meio não demonstram outra coisa senão a sua própria ignorância. Pascal e Leibnitz não eram revolucionários, mas o método matemático descoberto por eles é agora reconhecido como método cientifico; Mayer e Helmholtz não eram revolucionários, mas suas descobertas no campo da física tornaram-se uma base da ciência; nem tampouco Lamarck e Darwin eram revolucionários, mas seu método evolucionista criou o fundamento da ciência biológica. Sim, por esse meio os anarquistas demonstraram somente sua própria ignorância.

Continuemos. Segundo os anarquistas, "a dialética é metafísica" (vide Nobati, n. 9 Ch. G.) e uma vez que "desejam libertar a ciência da metafísica, a filosofia da teologia" (vide Nobati, n. 3, Ch. G.), repelem também o método dialético. Ah, os anarquistas! Como se costuma dizer, confundem alhos com bugalhos. A dialética amadureceu na luta contra a metafísica, nessa luta cobriu-se de gloria, e segundo os anarquistas segue-se daí que "a dialética é metafísica"! Proudhon, "pai" do anarquismo, acreditava que no mundo existisse uma "justiça imutável" estabelecida de uma vez para sempre (vide o Anarquismo de Eltzbcher, pags. 64-68, edição estrangeira) e por isso Proudhon era chamado de metafísico. Marx lutou contra Proudhon valendo-se do método dialético e demonstrou que se no mundo tudo muda, deve mudar também a "justiça", e por conseguinte a "justiça imutável" é uma fantasia metafísica (vide Miséria da Filosofia, de Marx). E os discípulos georgianos do metafísico Proudhon tomam posição e "demonstram" que "a dialética é metafísica", que a metafísica admite o "incognoscível" e a "coisa em si" e, em última análise, não passa de uma teologia privada de conteúdo. Em contraposição a Proudhon e a Spencer, Engels, valendo-se do método dialético, lutou quer contra a metafísica quer contra a teologia (vide Ludwig Feuerbach e Anti-Duhring de Engels) e demonstrou a ridícula vacuidade delas. Ao contrario, nossos anarquistas "demonstram" que Proudhon e Spencer eram cientistas e Marx e Engels metafísicos. Das duas uma: ou os senhores anarquistas enganam a si mesmos ou não compreendem o que é a metafísica. Em todo o caso, o método dialético aí não desempenha nenhum papel. Que outra acusação movem os senhores anarquistas contra o método dialético? Dizem eles que o método dialético é um "artificio", um "método de sofismas", um "salto mortal mental e lógico" (vide Nobati, n. 8, Ch. G.), "mediante o qual é igualmente fácil demonstrar o verdadeiro e o falso" (vide nobati, n. 4, V. Tcherkezichvili). À primeira vista, pode parecer que a acusação lançada pelos anarquistas seja justa. Escutai o que diz Engels sobre o adepto do método metafísico: "O seu discurso é se sim, sim, se não, não; tudo quanto ultrapassa isso pertence ao diabo". Para ele uma coisa existe ou não existe; igualmente é impossível que uma coisa ao mesmo tempo ser boa e má?! Isso, na verdade, é uma "sofisma", um "jogo de palavras"; isso significa que "desejais com igual facilidade demonstrar o verdadeiro e o falso..."

Consideremos contudo a essência da questão. Hoje reivindicamos a república democrática; e a república democrática reforça a propriedade burguesa; pode-se dizer que a república burguesa é boa sempre e por toda a parte? Não, não se pode. Por quê? Porque a república democrática é boa somente "hoje", enquanto destruímos a propriedade feudal, mas "amanhã", quando iniciarmos a destruição da propriedade burguesa e a instauração da propriedade socialista, a república democrática já não será mais boa; pelo contrário, se transformará num impecilho que despedaçaremos e repeliremos; e uma vez que a vida está em continuo movimento, uma vez que não se pode operar uma ruptura entre o passado e o presente, uma vez que lutamos simultaneamente não só contra os elementos feudais, como também contra a burguesia, dizemos: na medida em que destrói a propriedade feudal, a republica democrática é boa e nos apoiamos; mas na medida em que reforça a propriedade burguesa, ela é má e por isso a criticamos. Segue-se daí que a república democrática é ao mesmo tempo "boa" e "má" e por isso, à pergunta feita, pode-se responder "sim" e "não". Justamente a esses fatos referia-se Engels quando, com as palavras acima, demonstrava a validade do método dialético. Os anarquistas, porem, não compreenderam isso e tomaram-no por um "sofisma"! Por certo, os anarquistas podem ressaltar ou não ressaltar esses fatos. Podem também não notar a areia em uma praia arenosa: é direito seu. mas o fato é que aqui entra o método dialético que, diferentemente dos anarquistas, não olha a vida com os olhos fechados, escuta o pulsar da vida e diz explicitamente: uma vez que a vida muda, uma vez que a vida está em movimento, todo fenômeno vital tem dois aspectos: positivo e negativo. Devemos sustentar o primeiro e rejeitar o segundo? Que estranha gente os anarquistas: invocam continuamente a "justiça", porém com o método dialético comportam-se de modo muito diferente do justo!

Prossigamos. Segundo os nossos anarquistas, "o desenvolvimento dialético é um desenvolvimento catastrófico, através do qual, em primeiro lugar, se destrói completamente o passado, e depois, de maneira completamente isolada, constrói-se o futuro... Os cataclismas de Cuvier eram gerados por causas desconhecidas, as catástrofes de Marx e de Engels são, ao invés, geradas pela dialética" (vide Nobati, n. 8, Ch. G.). Mas, noutro trecho, o mesmo autor diz que "o marxismo se apoia no darwinismo e tem para este uma atitude acrítica (vide Nobati, n. 6). Atentai bem nisso, leitor! Cuvier nega a evolução darwiniana, admite somente os cataclismos, e o cataclismo é uma explosão inesperada, "gerada por causas desconhecidas". Os anarquistas nos dizem que os marxistas se acusam a Cuvier e por conseguinte rejeitam o darwinismo. Darwin rejeita os cataclismos de Cuvier; admite a evolução gradual. E eis aqueles mesmos anarquistas a afirmar que "o marxismo apóia-se no darwinismo e tem uma atitude acrítica para com este": por conseguinte, os marxistas não são partidários dos cataclismos de Cuvier. Eis o que é o anarquismo! Isso significa, como se costuma dizer, bater com o martelo no próprio dedo! É claro que o Ch. G. do número oito do Nobati esqueceu-se do que havia dito o Ch. G. do número seis. Qual dos dois tem razão? O do sexto ou o do oitavo número? Ou mentem ambos? Consideremos os fatos. Marx diz: "Num determinado grau de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes, isto é, com as relações de propriedade (o que é o equivalente jurídico de tal expressão)..., então sobrevem uma época de revolução social". Mas "uma formação social não perece enquanto não estejam desenvolvidas todas as forças produtivas que nela se contém..." (vide K. Marx, Contribuição à critica da economia política, Prefácio). Se aplicarmos essa idéia de Marx à vida social contemporânea, veremos que entre as modernas forças produtivas, que têm caráter social, e a apropriação dos produtos, que tem caráter privado, existe um conflito fundamental que deve resolver-se com a revolução socialista (vide F. Engels, Anti-Duhring, segundo capítulo da terceira parte). Como vedes, segundo Marx e Engels, a "revolução" (a "catástrofe") não é gerada pelas "causas desconhecidas" de Cuvier, mas por causas sociais totalmente determinadas, que operam na vida e chamadas "desenvolvimento das forças produtivas". Como vedes, segundo Marx e Engels, a revolução se efetua somente quando as forças produtivas estão bastante maduras e não inesperadamente, como parecia a Cuvier. É claro que entre os cataclismos de Cuvier, como também a concepção dialética da revolução, a mudança quantitativa e a qualitativa são duas formas necessárias de um só e mesmo movimento. É evidente que não se pode sequer dizer de maneira alguma que "o marxismo... tem uma atitude acrítica para com o darwinismo". Segue-se daí que o Nobati mente em ambos os casos, tanto no número seis quanto no número oito. E eis esses "críticos" mentirosos a repetir monotonamente e com insistência: queirais ou não, nossa mentira é melhor que vossa verdade. Eles, provavelmente, supõem que aos anarquistas tudo é perdoável. Uma outra coisa os senhores anarquistas não podem perdoar ao método dialético: "A dialética... não oferece a possibilidade nem de sair ou pular para fora de si, nem de saltar por cima de si mesmo" (vide Nobati, n. 8, Ch. G.). Eis que, senhores, tendes totalmente razão: o método dialético não dá essa possibilidade. Mas por que não a dá? Porque "pular para fora de si mesmo e saltar por cima de si mesmo", são ocupações próprias de cabras monteses, e o método dialético, ao invés, é feito para os homens. Eis onde está o segredo! Essas são, de modo geral, as opiniões dos nossos anarquistas sobre o método dialético. É claro que os anarquistas não compreendem o método dialético de Marx e de Engels; elaboraram uma dialética própria e justamente contra ela combatem tão implacavelmente. Não nos resta senão rir diante desse espetáculo, porque como não rir quando se vê um homem que luta contra as próprias fantasias, aniquila suas invenções e ao mesmo tempo afirma com ardor que derrotou o adversário?
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Texto extraído do site http://www.comunismo.com.br/inicialnovaera.html.

NOTA: Os grifos do texto são meus.

18 de out. de 2007

Todavia...

"(...) ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja vacas, todavia eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação."

Habacuque 3:17-18, Bíblia Sagrada

4 de out. de 2007

"Crianças de Deus"

I found this article in a January edition of "Revista da Folha" (a magazine inside the most important brazilian newspaper - Folha de São Paulo). The author starts mentioning Jim Jones' tragedy in 1978 and then tells about Ricky's murder/suicide. It's just a short note, but it was all I could find about the case in brazilian press. I used a translator to put the words in English, but I'm not sure if it's all correct. Hugs to all of you Mário Baggio (from Brazil).

Janeiro 2005
Edição 27.689
Domingo, 23/01/2005
Tiragem 414,811
REVISTA DA FOLHA

O crime do 'filho de Deus'
23/01/2005
Autor: SÉRGIO DÁVILA
Editoria: REVISTA DA FOLHA
Página: 6
Edição: São Paulo Jan 23, 2005
Seção: ERA UMA VEZ NA AMÉRICA
Crédito Foto: Teté Ribeiro/Folha Imagem

O crime do 'filho de Deus' por Sérgio Dávila

Ela entra no auditório lotado. Não parece muito tímida e tem algum charme, atrás de seus óculos de secretária e cabelos cortados à antiga. Estamos numa noite da semana passada, na Universidade Stanford. Debbie Layton encara os estudantes, a maioria de psicologia ou psiquiatria, e fala: "Sou uma sobrevivente da seita People's Temple (O Templo do Povo), do pastor Jim Jones, e estou aqui para contar minha história".

Em novembro de 1978, 914 pessoas cometeram suicídio ou foram assassinadas a mando do líder daquela seita em Jonestown, na Guiana, num dos casos mais conhecidos e estudados de suicídio coletivo da história. Como várias outras surgidas na Califórnia na ressaca da contracultura nos anos 70, a seita o Templo do Povo tinha sede no hoje Vale do Silício. Com seu crescimento, Jim Jones mudou a comunidade para a Guiana e batizou uma cidade com seu sobrenome. Debbie era uma das seguidoras do Tempo, mas em junho de 1978 conseguiu fugir de Jonestown e denunciou na imprensa norte-americana que Jones, então um líder religioso respeitado por aqui, estava criando um exército particular, promovia espancamentos públicos e obrigava todos os moradores a participarem de treinamentos de suicídios coletivos, "para quando a hora chegasse". Sua mãe morreu no massacre, seu irmão sobreviveu e está preso até hoje, condenado à prisão perpétua nos EUA, acusado de ter participado da matança. Está tudo em seu livro, o interessante "Seductive Poison" (Veneno Sedutor, editora Anchor, 1999).

Essa história ganha atualidade impressionante com o assassinato de Angela Smith na semana passada. A enfermeira de 51 anos, moradora de Palo Alto, participou nos anos 70 de outra seita na mesma linha, Children of God (Crianças de Deus), cujos seguidores incluíam os pais do River Phoenix e o guitarrista do Fleetwood Mac. Os fiéis seguiam o "Davidito Book" (livro do pequeno Davi), coleção de textos, colagens e fotos sobre a infância e a "sabedoria" de um menino que era considerado "filho de Deus" e cuidado por várias "babás". A seita se destacava pela quantidade de crianças, e seus líderes foram acusados de praticar pedofilia e incesto. No último fim de semana, Ricky Rodriguez, 29, convidou Angela Smith para jantar. Depois, levou-a para seu apartamento e a esfaqueou até a morte. Na seqüência, dirigiu para o meio do deserto, ligou para sua mulher, disse que havia feito o que era necessário e que pensava em todas as crianças inocentes que não puderam fazer nada naqueles anos todos. Então, matou-se com um tiro na boca. Ricky Rodriguez era Davidito, o pequeno David do livro. Angela Smith tinha sido uma de suas "babás" na seita.
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Documentário sobre uma história de terror religioso.

ONDE DEUS E O DIABO SE ENCONTRAM

Por CARLOS ALBERTO MATTOS
23/9/2006

Quer uma prova de que um documentário careta pode ser um grande documentário? Então vá ver Jonestown: Vida e Morte no Templo do Povo. O veterano Stanley Nelson, de carreira identificada com a causa negra nos EUA, teve seu interesse despertado pela utopia inter-racial pregada pelo pastor Jim Jones nos primeiros tempos do Templo do Povo. Pelo menos nesse aspecto, a proposta foi revolucionária até o fim. A coexistência harmônica de negros, brancos e amarelos ainda era visível nas cenas filmadas um dia antes do suicídio em massa de mais de 900 fiéis, na comunidade da Guiana, em 1978.

O filme, como que atendendo ao apelo deixado numa carta anônima, reúne o maior volume de material sobre a trajetória do pastor e sua igreja, desde os tempos em que o menino Jim Jones desafiava o appartheid no sul dos EUA (seu pai era membro da Ku Klux Klan) e ao mesmo tempo sacrificava gatinhos para enterrá-los condignamente. Filmes domésticos, fotos, cenas de pregações e do cotidiano da comunidade, além de assustadores registros de áudio, historiam o crescimento do rebanho e a gradual evolução da igreja no rumo de um agrupamento totalitário, regido por um misto de ditador paranóico e sedutor eclético. Paralelamente, uma série de depoimentos de ex-membros (incluindo um filho adotivo de Jim Jones) desvelam os bastidores da seita, onde havia lugar para toda forma de sujeição sexual, chantagens espirituais, ameaças físicas, emboscadas e assassinatos. Nunca tantos detalhes sobre uma das maiores tragédias da era moderna vieram à tona, nem de maneira tão viva e convincente. O roteiro primoroso de Marcia Smith nos leva exatamente ao ponto em que Deus e o diabo se encontram.

# JONESTOWN: VIDA E MORTE NO TEMPLO DO POVO (JONESTOWN: THE LIFE AND DEATH OF PEOPLES TEMPLE)
EUA, 2006
Direção: STANLEY NELSON
Duração: 86 minutos

Fonte: Blog Críticos.com.br

28 de set. de 2007

Eclesiastes, Ecclesiaste, Eclesiastés, Ecclesiaste, Ecclesiastes, Prediger, Ecclesiastes

Tudo tem o seu tempo determinado, e há um tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
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Il y a un temps pour tout, un temps pour toute chose sous les cieux : un temps pour naître, et un temps pour mourir; un temps pour planter, et un temps pour arracher ce qui a été planté ; un temps pour tuer, et un temps pour guérir ; un temps pour abattre, et un temps pour bâtir ; un temps pour pleurer, et un temps pour rire ; un temps pour se lamenter, et un temps pour danser ; un temps pour lancer des pierres, et un temps pour ramasser des pierres ; un temps pour embrasser, et un temps pour s'éloigner des embrassements ; un temps pour chercher, et un temps pour perdre ; un temps pour garder, et un temps pour jeter ; un temps pour déchirer, et un temps pour coudre ; un temps pour se taire, et un temps pour parler ; un temps pour aimer, et un temps pour haïr ; un temps pour la guerre, et un temps pour la paix.

Todo tiene su tiempo, y todo lo que se quiere debajo del cielo tiene su hora. Tiempo de nacer, y tiempo de morir; tiempo de plantar, y tiempo de arrancar lo planatado; tiempo de matar, y tiempo de curar; tiempo de destruir, y tiempo de edificar; tiempo de llorar, y tiempo de reír; tiempo de endechar, y tempo de bailar; tiempo de esparcir piedras, y tiempo de juntar piedras; tiempo de abrazar, y tiempo de abstenerse de abrazar; tiempo de buscar, y tiempo de perder; tiempo de guardar, y tiempo de desechar; tiempo de romper, y tiempo de coser; tiempo de callar, y tiempo de hablar; tiempo de amar, y tiempo de aborrecer; tiempo de guerra, y tiempo de paz.

Per ogni cosa c'è il suo momento, il suo tempo per ogni faccenda sotto il cielo. C'è un tempo per nascere e un tempo per morire, un tempo per piantare e un tempo per sradicare le piante. Un tempo per uccidere e un tempo per guarire, un tempo per demolire e un tempo per costruire. Un tempo per piangere e un tempo per ridere, un tempo per gemere e un tempo per ballare. Un tempo per gettare sassi e un tempo per raccoglierli, un tempo per abbracciare e un tempo per astenersi dagli abbracci. Un tempo per cercare e un tempo per perdere, un tempo per serbare e un tempo per buttar via. Un tempo per stracciare e un tempo per cucire, un tempo per tacere e un tempo per parlare. Un tempo per amare e un tempo per odiare, un tempo per la guerra e un tempo per la pace.

There is an appointed time for everything, and a time for every affair under the heavens. A time to be born, and a time to die; a time to plant, and a time to uproot the plant. A time to kill, and a time to heal; a time to tear down, and a time to build. A time to weep, and a time to laugh; a time to mourn, and a time to dance. A time to scatter stones, and a time to gather them; a time to embrace, and a time to be far from embraces. A time to seek, and a time to lose; a time to keep, and a time to cast away. A time to rend, and a time to sew; a time to be silent, and a time to speak. A time to love, and a time to hate; a time of war, and a time of peace.

Ein jegliches hat seine Zeit, und alles Vornehmen unter dem Himmel hat seine Stunde. Geboren werden und sterben, pflanzen und ausrotten, was gepflanzt ist, würgen und heilen, brechen und bauen, weinen und lachen, klagen und tanzen, Stein zerstreuen und Steine sammeln, herzen und ferne sein von Herzen, suchen und verlieren, behalten und wegwerfen, zerreißen und zunähen, schweigen und reden, lieben und hassen, Streit und Friede hat seine Zeit.

Omnia tempus habent, et momentum suum cuique negotio sub caelo: tempus nascendi et tempus moriendi, tempus plantandi et tempus evellendi quod plantatum est, tempus occidendi et tempus sanandi, tempus destruendi et tempus aedificandi, tempus flendi et tempus ridendi, tempus plangendi et tempus saltandi, tempus spargendi lapides et tempus eos colligendi, tempus amplexandi et tempus longe fieri ab amplexibus, tempus quaerendi et tempus perdendi, tempus custodiendi et tempus abiciendi, tempus scindendi et tempus consuendi, tempus tacendi et tempus loquendi, tempus dilectionis et tempus odii, tempus belli et tempus pacis.
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