Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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22 de mai. de 2009

ABAIXO-ASSINADO IMPORTANTE


União de Blogueiros Evangélicos, neste ato representada pelos associados abaixo assinados, vem, mui respeitosamente, repudiar publicamente a atitude do Excelentíssimo Ministro do Meio Ambiente, sr. Carlos Minc, que, no dia 18 de maio de 2009, durante discurso no Palácio [...], em São Paulo, afirmou o seguinte: “Tem alguns momentos em que a Igreja erra feio. Um deles é a questão da camisinha. Se a gente fosse atrás da Igreja, quantas pessoas não estariam doentes? Outra questão é a da homofobia. Como é que uma religião pode dizer que é fraterna e solidária com todos se pressiona os parlamentares a não aprovarem a lei que criminaliza a homofobia?”; e ainda completou: “Quem se opõe à aprovação dos projetos que criminalizam a homofobia é corresponsável pela multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários”. Como que fornecendo o corolário para a discussão do problema, conforme as agências noticiosas, o ministro também forneceu o emblemático número de três mil crimes por homofobia, nos últimos dez anos no Brasil.

Sobre o desastroso pronunciamento do sr. Ministro, a UBE entende:

1) Que o Ministro pode e deve se manifestar no exercício democrático do seu juízo. Inclusive, discordando da posição da Igreja e dos cristãos de uma forma geral; afinal, a livre manifestação do pensamento é garantia assegurada pela Carta Magna em seu art. 5º, inciso IV. Garantia essa que, ironicamente, o PLC 122/2006 pretende acabar a pretexto da tipificação criminal da homofobia. 

2) Que o Governo Federal, representado naquele ato pelo então Ministro, enquanto Poder Executivo do Estado brasileiro, deve zelar para que todos os cidadãos tenham seus direitos resguardados em consonância com os dispositivos legais vigentes, de maneira isonômica e justa, independente de sua cor, raça, sexo, opção sexual e religião, conforme estabelece o artigo 5º, caput, da Constituição Federal, o qual estabelece que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes”. 

3) Que o sr. Ministro acabou por atacar frontalmente todas as igrejas e entidades religiosas que se opõem a tais projetos legislativos, responsabilizando-as levianamente por aquilo que ele denomina de “multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários”. Entidades essas que, inclusive, estão inseridos os milhares de blogueiros evangélicos que assinam virtualmente a presente nota de repúdio; 

4) Que, da maneira infeliz e irresponsável como foi feito, o pronunciamento evoca uma separação de grupos sociais, de modo a suscitar uma luta de classes entre aqueles que são contrários e aqueles que são favoráveis aos projetos de lei de criminalização da homofobia. Luta esta inexistente, uma vez que nenhuma igreja aqui representada assassinou, instigou ou colaborou para que gays, lésbicas e simpatizantes sofressem qualquer tipo de violência; muito menos incita ou incitou ódio contra os homossexuais. 

5) Que o simples fato de apoiar ou não apoiar determinado projeto legislativo não significa necessariamente incentivo a um certo comportamento social; principalmente quando esse comportamento é maléfico para a sociedade. Com efeito, ser contrário à aprovação dos projetos que criminalizam a homofobia não é o mesmo que incitar o ódio ou a violência contra os homossexuais. Absolutamente. Afinal, se essa for a lógica padrão, concluiríamos também que o sr. Ministro é incentivador do uso de drogas, notadamente da maconha, isso porque, recentemente, ele mesmo participou de ato público onde pedia – aos gritos – a descriminalização do uso da maconha. Portanto, se essa idéia estiver correta, o sr. Carlos Minc é também “corresponsável pela multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários” originados a partir do uso da maconha (furtos, roubos, homicídios, violência, etc.), bem como corresponsável pela destruição de milhares de famílias brasileiras que possuem dentro de casa viciados nesse tipo de droga. 

6) Que as igrejas aqui representadas se resguardam o direito ao exercício do mesmo juízo resguardado ao nobre ministro e discordam igualmente de suas palavras e do apoio a tais projetos. Desta forma, as igrejas e seus membros podem discordar de quaisquer opiniões que julguem contrárias à sua fé e crença, inclusive, entre si, e o fazem de maneira ordeira e responsável. Não lembramos de qualquer enfrentamento religioso, apesar das divergências pontuais entre as correntes evangélicas brasileiras, o que é sadio; 

7) Que, diante da afirmação de que nos últimos dez anos houveram no Brasil três mil crimes por homofobia, se faz necessária a seguinte pergunta: Por que o ministro, ou seu correspondente na pasta da Justiça, não disponibiliza as investigações das 3000 mortes? Porque muitos destes crimes foram sequer investigados! Entendemos que o emblemático número é fruto de mistificação grosseira e sintetiza a omissão e inabilidade do próprio Governo frente à crescente criminalidade de nossos dias. Senão leiamos um trecho de reportagem do Jornal do Commercio, do dia 15 de abril deste ano sobre o mesmo assunto. Na ocasião o jornal divulgava estatísticas semelhantes (grifos nossos): 

Os gays são mais “frequentemente assassinados dentro da própria casa”, geralmente a facadas ou estrangulados. Já os travestis são executados na rua a tiros. O perfil dos criminosos é descrito assim pelo relatório: “80% são desconhecidos, predominando garotos de programa, vigilantes noturnos, 65% menores de 21 anos”. 

Os gays são assassinados dentro de casa por 80% de desconhecidos!? Não lhes parece estranho? Veja como a contradição fica mais aparente quando se acrescenta predominando garotos de programa? Ou seja, na maioria das vezes, o gay chama um garoto de programa para sua própria casa, assumindo os riscos inerentes a esta atitude, e por alguma razão, os dois se desentendem e o gay é assassinado! Isso não é homofobia desde o início, porque, a priori, quem aceita um programa com um gay é porque gosta de sexo com ele.

Apesar das mortes, que devem ser sempre lamentadas, as ONGs dos movimentos engajados desejam um tratamento específico ao problema. O que querem? Um policial para cada casa, para poderem fazer sexo em segurança com um desconhecido!? Observemos, por oportuno, que a questão colocada em foco não é a violência como drama brasileiro, mas a que atinge especificamente a homofobia. Uma classe especial de apuração somente para os gays. Como se as demais mortes de brasileiros fossem menos importantes. Outrossim, o que dizer dos gays que morrem disputando parceiros? Ou isto não acontece? Ou os que se envolvem em brigas que não tem nada a ver com sua opção sexual e em decorrência delas são assassinados? Dos que se arriscam nos programas noturnos? Enfim, em que circunstâncias foram mortas cada uma destas pessoas? A alquimia esconde, por exemplo, os praticantes do bareback!

8) Que tais projetos criam uma classe especial de privilegiados. Que de posse dos direitos especiais providos pelos projetos irão argüir as opiniões contrárias, de maneira agressiva e violenta, como já ocorre nos EUA. Decerto, a prevalecer a maneira tendenciosa como o Governo Federal cria políticas segregacionistas, um dia o Brasil vai ter uma Delegacia para apurar crimes contra os gays (aliás, já tem, só que com mais ênfase tem em vista os projetos em trâmite), outra contra os negros, os pardos, os amarelos, os narigudos, os baixinhos, os carecas, os gordos, os babalorixás, os que usam colete; enfim, contra cada categoria que reclame para si uma apuração diferenciada. Quando todos, repetimos, todos, os crimes deveriam ser apurados indistintamente, e nuances como sexo, religião, raça e opção sexual fossem contornos do fato. Exceto, nos casos em que há ligação explícita, como, por exemplo, os crimes praticados por neonazistas; 

9) Que o Governo Federal desde há algum tempo luta por reparações históricas. O que seria muito bom, se tais reparações não segregassem os brasileiros em castas. A segregação impõe uma classe. Tal imposição se configura racista, quando aloca privilégios. Repudiamos tal articulação, pois historicamente perseguidas pela Igreja Católica, por exemplo, as evangélicas, nunca ousaram reivindicar reparação alguma; 

10) Que a fala do excelentíssimo ministro Carlos Minc tenta mantê-lo em foco, desviando-o dos verdadeiros problemas de sua pasta, quais sejam, em resumo: 

a) Desmatamento recorde. Provavelmente ao término deste texto o tamanho de uma quadra de futebol de árvores foi abaixo, em nome da ilegalidade e da exploração desordenada; 

b) Poluição desmedida de nossos rios e costas. As matas ciliares estão em franco desaparecimento e os rios brasileiros agonizam; 

c) Crescimento desordenado de nossas cidades, com déficit sensível de saneamento básico; 

d) Impunidade nos delitos contra a natureza; 

e) Ausência de políticas de longo prazo para o meio ambiente, tais como implantação da sustentabilidade plena em áreas de preservação ambiental. 

Em suma, como ministro do Meio Ambiente, o excelentíssimo senhor Carlos Minc seria um excelente defensor das causas gays.

União dos Blogueiros Evangélicos 

Assine clicando AQUI.

2 de abr. de 2009

guilherme fiúza


Clima péssimo

Os ativistas do Greenpeace escalaram a Ponte Rio-Niterói para pendurar uma faixa em defesa do clima terrestre. A manifestação provocou um engarrafamento colossal na cidade.

Carros andando em marcha lenta poluem muito mais. O Greenpeace acaba de dar sua contribuição direta para o aquecimento global.

Isso no longo prazo. No curto prazo, mostrou aos habitantes da metrópole o que é qualidade de vida: assim que o protesto acabou, a vida ficou uma beleza. Vai ver, era só uma pegadinha de Primeiro de Abril.

Em pleno Rio de Janeiro, a tal mensagem ecológica era escrita em inglês. Deve ser essa gente branca de olhos azuis querendo mostrar seu valor.

Este signatário acaba de voltar da Amazônia (Rondônia e Acre), onde as pessoas andam um tanto azedas com essas mensagens de salvacionismo ecológico. Em contato com a vida real, a igreja do marketing verde tem um sotaque cada vez mais charlatão.

Em lugar de apagões performáticos, a verdadeira hora do planeta será aquela em que o mundo decidir economizar uma fortuna em energia, tempo, paciência e dinheiro com a casta alegre da eco-burocracia.

Guilherme Fiúza: http://colunas.epoca.globo.com/guilhermefiuza/

25 de mar. de 2009

pode ser a gota d'água

NOSTRADAMUS RECICLADO

Há um movimento propondo que o mundo apague as luzes durante uma hora, em defesa do clima. Nessa escuridão, será preciso se precaver contra os fantasmas. Especialmente o do aquecimento global.

As pessoas estão sempre em busca de uma causa nobre para suas vidas. A popularização dessa palavra de ordem “sustentabilidade” é o sinal claro de que, antes do efeito estufa, a chatice vai acabar com o planeta.

No fenômeno das mudanças climáticas, as causas são 10% ambientais e 90% literárias. O clima está péssimo.

Era mais interessante quando a profecia do apocalipse estava associada à chegada do ano 2000. Falava-se em Nostradamus, juízo final e toda essa estética meio Zé do Caixão. O roteiro do fim do mundo agora é um coquetel intragável de cartilhas politicamente corretas, que tentam te convencer de que você se salvará seguindo manuais de aterro sanitário e manejo de manguezal. Melhor a morte.

Essa “sustentabilidade” é um eufemismo ideológico para bom senso. Não gastar mais do que se tem, não sujar mais do que se pode limpar. Um bom começo seria economizar esses gastos astronômicos com a eco-burocracia e sua indústria do alarmismo.

Relatórios, papéis, consultores, seminários, almoços, ONGs e mais ONGs estão consumindo com voracidade os recursos planetários e a paciência humana.

Os países da Cortina de Ferro destruíram seu meio ambiente com seu socialismo obscurantista. Bastou entrar um pouco de luz, liberdade e bom senso para a situação se reverter. O mundo está procurando (e encontrando) saídas econômicas e tecnológicas para a poluição. Foi assim com a camada de ozônio, com o ar das metrópoles (os índices de melhora nunca fazem barulho), com os agrotóxicos.

Mas isso estraga a onda do romantismo de aluguel. O marketing do fim do mundo fuzila tudo que o desminta.

Fique no escuro, se quiser. Mas cuidado, porque daqui a pouco vão te convencer a almoçar dia sim, dia não, para reduzir os gases na atmosfera.


Texto de Guilherme Fiúza


FONTE: Blog do Guilherme Fiúza

2 de fev. de 2009

notícias de São Luis

Justiça Federal embarga construção de prédios de luxo em São Luís (MA)

A construção de duas torres com apartamentos de luxo em São Luís (MA) foi embargada pela Justiça Federal. Segundo laudo técnico do Ministério Público Federal, o empreendimento está sobre uma área de dunas, considerada de preservação ambiental permanente.

O projeto do Residencial Casa do Morro prevê a construção de duas torres com 15 andares cada uma, piscina e vista panorâmica para a praia de São Marcos, região nobre da capital. Os apartamentos teriam 400 metros quadrados, cinco suítes e cinco vagas na garagem.

Segundo apuração da Folha, os imóveis estavam sendo vendidos por mais de R$ 1 milhão. No local onde os prédios começaram a ser construídos havia um casarão antigo, conhecido como casa do morro, que foi colocado abaixo para dar lugar às torres. Segundo o procurador da República Alexandre Soares, o laudo técnico atestou que a vegetação local ainda têm capacidade de se regenerar.

Soares entrou com ações civis pública contra a construtora NBR Empreendimentos Ltda, responsável pela obra, e contra o Estado do Maranhão e a Prefeitura de São Luís, por autorizarem a construção em área de preservação.

"Toda a área ao redor desta construção já era reconhecida pelo Estado e pelo município como sendo de dunas em um termo de ajustamento de conduta", disse Soares. Mesmo assim, segundo o procurador, o Estado deu licença ambiental para a obra e a prefeitura, alvará para o uso do solo à construtora.

A obra havia sido embargada no ano passado pelo Ibama. A construtora entrou com uma ação na Justiça Federal e obteve a liberação da obra por meio de uma liminar. A Procuradoria Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, recorreu ao Tribunal Regional Federal e obteve a suspensão da liminar.

A NBR já recorreu da decisão no próprio TRF-1ª Região, segundo a Procuradoria da República. A reportagem deixou recado com a secretária do diretor da construtora, mas ele não ligou de volta. Procurada hoje, a prefeitura não respondeu aos questionamentos.

O chefe da assessoria jurídica da Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão, Antônio Carlos Coelho Júnior, disse que as licenças prévia e de instalação foram dadas baseadas em laudo de técnicos da secretaria, que atestaram que a área não está sobre dunas. "A divergência é do ponto de vista técnico", disse. "Do ponto de vista da secretaria, as licenças não ofendem a legislação ambiental."
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FONTE: UOL

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Finalmente! E demorou! Toda aquela região já está tomada por prédios, sabe-se lá para onde vai o esgoto que sai desses prédios de apartamentos, sabe-se lá quem autorizou e quem lucrou com tudo aquilo. Eu só sei quem perdeu: as praias, é claro. As praias de São Luis já foram agradáveis. Hoje, são sujas e continuam sem infra-estrutura. Dificilmente alguém anda por aquelas areias sem ganhar uma micose ou doenças mais graves. Toda a área das praias (dunas e vegetação local inclusas) é da União e está sob administração da Marinha, certo? Certo, mas na terrinha as grandes e milionárias construtoras conseguem desmatar e devastar tudo para levantar "mais um empreendimento". Sem infra-estrutura, sem condições ambientais satisfatórias, sem preservar a flora nativa. Aliás, alguém sabe qual é um dos grandes diferenciais de São Luis, em relação às outras capitais? Pois eu vou dizer: é uma cidade sem árvores. Em todo o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, as prefeituras se esforçam para plantar mudas e melhorar a qualidade de vida da população. Árvores tornam uma cidade menos quente, menos poluída e mais agradável à vista, mas em São Luis o prefeito, os deputados, secretários e o governador se preocupam em destruir as árvores. Quem anda pelas ruas do Centro pode constatar. Fui a João Pessoa, na Paraíba, há alguns anos, e fiquei entusiasmada: que cidade arborizada! E São Luis? Nada. A diversão do povo, no fim-de-semana? Praia poluída. Zoológico, parques, jardim botânico, hortoflorestal? Nada disso. E olha que São Luis é uma das capitais mais quentes do Brasil, que bem não faria ao povo ter um lugar arborizado para o lazer! E as crianças, que conhecem a maioria dos animais por fotografia? Além de educativo, um zoológico e um jardim botânico são atrativos para o turismo. Pois é, mas as autoridades não se preocupam com nada disso. Quanto à quastão das torres e das dunas, só espero que desta vez não role canetada e a natureza local seja preservada -- preciso confessar, para quem não sabe, que São Luis é uma terra de ninguém, muitas vezes: politicagem, corrupção, suborno etc. são frequentes em tudo o que é público. O dinheiro corre solto e honestidade anda mais em extinção que a ararinha azul, por lá. Portanto, se as coisas correrem como de hábito as torres de luxo serão construídas, apesar desta primeira proibição . Aliás, vai aí a pergunta que não quer calar: a quantas andará o julgamento do governador Jackson Lago?

18 de dez. de 2008

a dor dos outros e a nossa


A dor que nunca passa

Nos anos 1970, quando abriam a BR-364 no Acre, ela cortou ao meio o Seringal Bagaço, onde eu morava com minha família. À derrubada da mata seguiu-se uma epidemia violenta e incontrolável de sarampo e malária. Era gente doente ou morrendo em quase todas as casas. Perdi um primo e meu tio Pedro Ney, que foi uma das pessoas mais importantes da minha infância. Morreu minha irmã de quase dois anos e, quinze dias depois, outra irmã, de seis meses. Seis meses depois, morreu minha mãe. Tudo era avassalador, assustador. Uma dor enorme, extrema, que nunca passou. Para sair disso, tivemos que reconstruir, praticamente, o sentido inteiro do mundo. Aceitar o inaceitável, mas carregá-lo para sempre dentro de si. Ir em frente, enfrentar a dureza do cotidiano, sobreviver, cuidar dos outros. Viver, enfim, e dar muito valor à vida e às pessoas.

Em 1985, numa das maiores enchentes do rio Acre em Rio Branco, eu morava no bairro Cidade Nova, na periferia da cidade, numa pequena casa de onde tivemos que sair às pressas, levando o que foi possível numa canoa. O resto foi levado pelas águas, inclusive o único retrato que tínhamos de minha mãe.

Penso agora nisso tudo e acho que consigo entender o que sentem os catarinenses, mas ainda estou longe de alcançar o significado estarrecedor de uma perda tão total e instantânea como a que sofreram. Na escuridão, o morro descendo, destruindo tudo, a busca desesperada pelos filhos, a impotência. E, depois, descobrir-se só em meio ao caos: acabou a casa, foram-se as pessoas amadas, o lugar no mundo. Não há mais nada, só a vida física e a força do espírito.

Meus filhos andam pela casa com todo vigor, com toda a beleza da juventude, e sequer consigo imaginar o que seria, de uma hora para outra, vê-los engolidos pela terra, debaixo de toneladas de escombros ou mutilados para o resto da vida. É algo terrível demais até no plano da imaginação. Fere a própria alma tão fundo que chega a ser impossível entender plenamente a profunda tristeza de quem enfrenta essa realidade.

Na Londres de 1624, os sinos da catedral de São Paulo, onde o poeta John Donne era o Deão, tocavam quase ininterruptamente anunciando as milhares de mortes causadas pela peste. Atingido por grave enfermidade (que chegou a ser confundida com a peste) Donne escreveu então um de seus textos mais conhecidos, a Meditação XVII: "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de teus amigos ou mesmo tua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."

Hoje, no mundo, os sinos dobram por todos nós e para nos acordar. Grandes desastres podem virar acontecimentos corriqueiros. Não se pode afirmar peremptoriamente que a tragédia de Santa Catarina deriva, em linha direta, das mudanças climáticas identificadas no relatório do IPCC, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU. Mas em tudo se assemelha às previsões de possíveis impactos da mudança no clima do sul do Brasil, até o final do século 21.

A natureza, numa pedagogia sinistra, parece exemplificar o que significam esses fenômenos extremos que, em várias regiões do planeta, tenderão a provocar períodos de seca muito mais severos e outros com precipitações intensas.

As ações de mitigação necessárias e as adaptações para enfrentar esses efeitos e reduzir nossa vulnerabilidade diante deles ainda são precárias e estão atrasadas. Os países ricos, detentores de recursos, conhecimento e tecnologia, já avançam em medidas para se proteger. As piores conseqüências deverão recair sobre os países pobres e os em desenvolvimento. A urgência é auto-explicável. Não é um cientista quem o diz e nem um livro. É a natureza, cujos avisos e alertas têm sido insanamente ignorados.

O Brasil, que ontem lançou o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, não tem como deixar de fazer a sua parte, mesmo sem os meios disponíveis nos países ricos. O acontecido em Santa Catarina é um sintoma e deve ser seguido de um esforço de grandes proporções, de início imediato, para tentar evitar que se repita.

É preciso que cada um de nós, autoridades públicas, empresas e cidadãos, pensemos nos mortos, nas famílias inteiras soterradas, nas vidas destroçadas debaixo do barro, antes de sermos tolerantes com ocupação em encostas, com destruição de matas ciliares, com o adensamento de áreas de risco, com mudanças de conveniência nas legislações. Não há mais espaço para empurrar os problemas ambientais com a barriga, como tentam fazer alguns, e deixar para "o próximo" o ônus de medidas ditas antipáticas. A omissão que ceifa vidas humanas tem que acabar, mesmo à custa de incompreensões.

Nos tempos atuais, há mais um componente na agenda ética: não se deixar corromper diante das pressões para ignorar a proteção ambiental e as medidas de precaução exigidas pela intensificação dos fenômenos naturais. Quem detém algum tipo de representação pública deve se convencer de que é preciso mudar profunda, rápida e estruturalmente os usos e costumes, de modo a preparar o País para um futuro de sérios desafios ambientais. Cada vez mais, não é só uma questão de errar, corrigir o erro e aprender com ele. Agora a palavra de ordem é prevenir o erro, para que não se repitam os olhares perdidos, os rostos esvaziados, o choro inconsolável, a
desesperança e as mortes que vimos nesses últimos dias em Santa Catarina.

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Texto de Marina Silva, professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.

FONTE: Portal Terra

COLABORAÇÃO: Olavo de Carvalho

11 de out. de 2008

se eu votasse no Rio...


A senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (AC) manifestou hoje apoio ao candidato do PV à prefeitura do Rio, deputado Fernando Gabeira, contrariando decisão do PT fluminense que formalizou apoio a Eduardo Paes, do PMDB. Antes de tornar pública a decisão, a senadora ligou para o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (PT), e disse que optou por ficar ao lado do companheiro de 20 anos de militância. No primeiro turno, Marina fez campanha para o candidato do PT, deputado estadual Alessandro Molon, que ficou em quinto lugar na disputa, com 4,97% dos votos.
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"Compreendo a decisão do PT do Rio e as razões da aliança no contexto do Rio. Mas eu disse ao Berzoini tudo o que vivemos com Gabeira nesses 20 anos. Ele nos alcançou lá no Acre. Seria contraditório não apoiá-lo. Se Chico Mendes fosse vivo, estaria na linha de frente do Gabeira", disse a senadora, lembrando o líder seringueiro assassinado em dezembro de 1988. "Existe um contexto para além das fronteiras do Rio. Gabeira tem muita legitimidade para falar do compromisso socioambiental.
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Segundo Marina, o presidente do PT disse que compreendia as razões da senadora e não haverá qualquer punição por causa do apoio a Gabeira, que tem um candidato a vice do PSDB. A senadora disse que um grupo de políticos, artistas e intelectuais organiza uma grande lista de apoio a Gabeira, com personalidades de vários pontos do País. Marina afirmou que está à disposição do candidato para gravar um depoimento no programa de TV ou fazer campanha na cidade, se for necessário.
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A adesão de Marina Silva segue a estratégia de Gabeira de ganhar adesões individuais, em vez de formalizar alianças com partidos políticos, como tem feito Eduardo Paes. Até agora, a única legenda que anunciou apoio a Gabeira no segundo turno foi o DEM, do prefeito Cesar Maia. Hoje, o PSOL, que disputou com o deputado Chico Alencar (sétimo colocado, com 1,81% dos votos), anunciou que ficará neutro no segundo turno.
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6 de ago. de 2008

setor noroeste vs índios: Brasília


Senado discute situação da Reserva Indígena Bananal

A situação da Reserva Indígena Bananal, localizada em Brasília, será o assunto da audiência pública que a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) realiza nesta quinta-feira (7), a partir das 9h. Essa reserva está na área onde o governo do Distrito Federal (GDF) pretende criar o bairro habitacional Setor Noroeste, previsto para abrigar 40 mil habitantes de alta renda.

Existe um impasse quanto à construção do bairro nobre. De um lado, especialistas em urbanização, ambientalistas e defensores dos indígenas - os quais habitam parte da área há mais de 30 anos - argumentam que a construção é fruto da especulação imobiliária. Eles afirmam que, além de trazer sérios danos ao sistema ambiental da bacia do Paranoá (que abastece toda a capital), a construção do bairro vai desrespeitar a tradição e a religião dos indígenas, que consideram a terra sagrada.

Já os defensores do projeto sustentam que o Setor Noroeste terá uma concepção moderna e ecologicamente correta. Eles destacam que os edifícios respeitarão o limite de seis pavimentos erguidos sobre pilotis e que o Parque Burle Marx - com uma área de 280 hectares - integrará o setor habitacional.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) tem até dez dias, a partir desta terça-feira (5), para conceder a licença de instalação, que permite a venda das primeiras projeções do setor habitacional. A comercialização do bairro só se tornou possível graças ao novo Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado na última semana e publicado nesta terça, no Diário Oficial da União e no Diário Oficial do DF.

Debatedores
Foram convidados a participar da reunião o secretário-executivo do Conselho Nacional de Combate à Discriminação, Ivair Augusto dos Santos; o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Augusto F. Meira; o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida; a subprocuradora geral da República Débora Macedo Duprat; o defensor público da União Danilo de Almeida Martins; o presidente da Associação Cultural dos Povos Indígenas, Awamirim; o professor do Departamento de Antropologia da UnB José Jorge de Carvalho; Santxiê Tapuya, líder da Comunidade da Terra Indígena Bananal e do Santuário dos Pajés; o superintendente do Ibama-DF, Francisco José V. Palhares; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho; e o presidente da Terracap, Antônio Gomes.
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COLABORAÇÃO: Jacques-Philippe Bucher

4 de jul. de 2008

eu também


Ex-senadora Heloísa Helena se manifesta contra o aborto

A presidente do Psol, ex-senadora Heloísa Helena, disse que a mulher pode decidir sobre o seu corpo, mas não pode decidir sobre o corpo do outro, que por uma circunstância biológica está dentro dela.

"Tenho preocupações ambientais muito grandes. Se eu me preocupo com o ovo da tartaruga marinha, por que não me preocupar com ovo humano? Se me preocupo quando o boto cor-de-rosa tem a cabeça decepada pelo arpão, por que não posso me preocupar com uma criança que tem a cabeça decepada por um instrumento abortivo?", questionou. A ex-senadora participa neste momento de audiência pública sobre o aborto, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).

Heloísa Helena afirmou que é preciso trabalhar com números de maneira honesta na discussão sobre o aborto, para evitar que um lado ou outro utilize dados de forma distorcida. Segundo ela, números do banco de dados do Sistema Único de Saúde (Datasus) mostram que, das quase 400 mil mortes de mulheres no Brasil, 64.723 foram por neoplasias; 46.369 por doenças respiratórias; cerca de 18 mil por doenças parasitárias; 20 mil por violência externa; e 1.672 por causas ligadas à gravidez, parto e puerpério (período que se segue ao parto). Ela informou que, desse total, 46 mulheres morreram por aborto provocado.
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Heloísa Helena, que é formada em enfermagem e professora da Universidade Federal de Alagoas, também cobrou do Ministério da Saúde recursos para financiar outras pesquisas sobre o aborto.
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FONTE: Agência Câmara, via Blog Notícias Cristãs.
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É por essas (e outras) que eu quero votar nela! : ) Grifos em negrito meus...

25 de jun. de 2008

abaixo-assinado pela proteção aos animais

Pela não votação do PL 1.153/95 até que haja a discussão com a sociedade
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View Current Signatures - Sign the Petition
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To: Congresso Nacional
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"Nós abaixo-assinados servimo-nos do presente para requerer ao Excelentíssimo Sr. Presidente da Câmara dos Deputados, Dr. Arlindo Chinaglia, que, neste momento, não seja colocado em votação o PL 1.153/95, sobre a regulamentação da experimentação animal no país. É primordial que, para tal mister, por uma questão de adequação de fatos, valores e norma (Direito), haja um democrático debate não apenas entre a comunidade científica, mas também entre toda a sociedade e seus respectivos setores de interesse na citada questão, o que até então não houve, atentando-se especialmente às questões atinentes a normas basilares ambientais expressas em nossa Constituição Federal (artigo 225, § 1º, VII - vedando-se práticas cruéis contra os animais não humanos), bem como se harmonizando o verdadeiro e real progresso científico e o desenvolvimento de valores éticos a toda e qualquer forma de vida, conduzindo o país ao desenvolvimento de fato e não meramente especulativo e fictício, bem como se possibilitando a tão almejada e desejada gestão política e legislativa participativa."
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The
pela não votação do PL 1.153/95 até que haja a discussão com a sociedade Petition to Congresso Nacional was created by VEDDAS - Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade and written by George Guimarães (veddas@veddas.org.br). This petition is hosted here at www.PetitionOnline.com as a public service. There is no endorsement of this petition, express or implied, by Artifice, Inc. or our sponsors. For technical support please use our simple Petition Help form.

14 de jun. de 2008

do site do jornal Times

Imagem feita por satélite
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Satellite images show widespread destruction of Amazon rainforest
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Brazil is losing its Amazonian forests to farmers at an unprecedented rate, satellite observations have shown. Their destruction has so alarmed the Brazilian Government that it called an emergency meeting, attended by the President, Luiz Inácio Lula da Silva.

The rate of loss jumped in the second half of last year and reversed a downwards trend that officials had hoped showed that the problem of deforestation was being controlled.

Only six months ago Brazilian ministers were celebrating figures that showed the lowest forest loss since the 1970s with 3,700sq miles being cleared in the 12 months up to July 2007.

Rises in food prices, however, encouraged farmers to return to hacking down forest areas to convert them into fields for crops such as soya. In the last five months of last year more 2,700sq miles of Brazil's Amazonian forests disappeared and conservationists believe that the rate will worsen in coming months.

Satellite images from Brazil's National Institute for Space Research (INPE) allowed the area of the lost forest to be calculated. Analysts fear that the area lost may be shown to be twice as large once more-detailed assessments of the images are completed.

The worst affected region, said Gilberto Cámera, of INPE, was Mato Grosso, which has borne the brunt of the clearances with more than 50 per cent of deforestation in the past six months taking place there. Pará and Rondônia were also badly hit, together accounting for almost 30 per cent.

“We've never before detected such a high deforestation rate at this time of year,” said Mr Cámara, at a news conference in Brasilia.

Marina Silva, the [ex-] Environment Minister, blamed the increase costs of commodities, with farmers treating the Amazon as cheap and available land.

The emergency meeting was expected to discuss measures that could be taken to slow the destruction.

Details of the satellite analysis were announced today only a week after scientists at INPE had warned publicly that this year was likely to bring a rapid increase in deforestation.

“I think the last four months is a big concern for the Government and know they are sending people to do more law enforcement,” said Carlos Nobre, a climate studies expert. “But I can tell you that it [deforestation] is going to be much higher than 2007.”

In the past 40 years, 20 per cent of the Amazon forests have been cut down and in 2004 the highest rate of deforestation in Brazil was recorded when 10,400sq miles of the habitat, described as the world's lungs, disappeared.

Dr Nobre said that anti-deforestation measures had held back rather than erradicated the causes of deforestation. “All those drivers of change are there,” he said. “The three years of reduced deforestation did not bring by themselves a cure for illegal deforestation.”

Deforestation is estimated to be responsible for 18 per cent of the carbon dioxide emissions that are caused by human beings and are blamed for driving climate change.

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Reportagem de Lewis Smith, Environment Reporter of The Times, publicada no sáite do jornal em 24/01/2008.

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Related Links

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Expedition finds a world of new species

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NOTA: Vocês acham que esta reportagem está "velha"? Tá não... Infelizmente... Ah, os grifos em negrito no texto são nossos...

13 de jun. de 2008

ONG promove 'invasão branca' da Amazônia, diz general
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Ex-comandante militar da Amazônia foi aplaudido em fórum realizado em São Paulo.
Ele diz que há 'trama'' para que áreas indígenas deixem de ser propriedade do Estado.
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Diante de quase 700 pessoas, reunidas em São Paulo, o general da reserva Luiz Gonzaga Lessa, ex-comandante militar da Amazônia, disse na terça-feira (10) que aumentam a cada ano as pressões pela internacionalização da Amazônia e alertou que “a invasão branca” da região já começou, por meio das ações de organizações não-governamentais (ONGs).
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Ele afirmou que as terras indígenas na fronteira norte do país constituem a ponta de lança para que a região seja desmembrada, ou, conforme sua expressão, “são o germe da secessão”. E explicou: “Hoje elas pertencem ao Estado brasileiro, mas há uma trama internacional para que se tornem nações indígenas e depois deixem de ser propriedade do Estado.”
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O general concluiu dizendo, em referência aos vazios demográficos da Amazônia, que “a marcha para o Oeste e o Norte é o desafio da nova geração”. Foi aplaudido em pé. O encontro foi organizado pelo Fórum Permanente em Defesa do Empreendedor, que abriga quase cem entidades, como Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio), Federação das Indústrias (Fiesp) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
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A proposta inicial era um debate em torno do tema "A Realidade da Amazônia - Soberania Ameaçada, Farsa ou Realidade?". Desde os primeiros instantes, porém, o encontro caracterizou-se como uma espécie de ato em defesa da soberania e contra a demarcação da terra indígena em Roraima, que está sendo analisada no Supremo Tribunal Federal (STF). As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".
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Saiba mais
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10 de jun. de 2008

homem primata

Jovem leva multa de R$ 2 mil por agredir o próprio cachorro
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Segundo vizinhos, dono tinha o hábito de bater no cão até ser denunciado ao Ibama.
O poodle preto de quatro meses será adotado por outra família de Brasília
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Um rapaz de Brasília foi multado em R$ 2 mil por ter espancado o próprio cachorro. Segundo testemunhas as agressões eram recorrentes, mas na última quinta-feira (5) o jovem de 18 anos teria exagerado ao chutar o cão e jogá-lo contra a parede, quebrando sua pata. Irritados, os vizinhos ligaram para o Ibama e ameaçaram bater no jovem. O agressor tem 20 dias corridos para recorrer da decisão ou pagar a multa.
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Quem levou Bob - um poodle preto de quatro meses – ao veterinário foi a namorada do agressor, já que ele tinha fugido com medo da ira dos vizinhos. “Quando chegamos à clínica onde o cachorro estava, avisamos à moça que iríamos autuá-la pela co-autoria do crime caso ele não aparecesse, só aí ela ligou para ele”, conta o analista ambiental e coordenador da divisão de fiscalização de fauna do Ibama, Antônio Paulo de Paiva.
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O jovem apresentou-se ao Ibama na tarde de sexta-feira (6) e foi autuado por maus-tratos, de acordo com o artigo 32 da lei de crimes ambientais. O rapaz pegou a punição administrativa máxima para esse caso: multa de R$ 500 a R$ 2 mil. O Ibama ainda irá encaminhar um relatório sobre o ocorrido ao Ministério Público Federal (MPF) para que seja aberto um processo criminal. A pena é de três meses a um ano de detenção. “Infelizmente, a lei é muito branda e ele deve, no máximo, pagar umas cestas básicas”, lamenta o analista.
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Adoção
Ao comparecer ao Ibama, o jovem garantiu que apenas havia pisado no cão sem querer, quando corria atrás dele. Mas, segundo Paiva, as lesões de Bob não eram compatíveis com um simples pisão. “Esse fator aliado à quantidade de pessoas dispostas a depor contra o rapaz são suficientes para incriminá-lo”, assegura.
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Desde que foi autuado, o jovem não apareceu no apartamento onde mora e está proibido de ver Bob. O cachorro deve receber alta ainda nesta segunda-feira (9) e sairá da clínica veterinária com uma nova família. Muitas pessoas pediram ao Ibama para adotar o poodle. “Analisamos o perfil dos interessados e encontramos uma família que tinha acabado de perder um cãozinho muito parecido com o Bob e tinha um histórico que nos transmitiu confiança”, explica o analista.
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De acordo com Paiva, as denúncias sobre maus-tratos a animais correspondem à metade das ligações feitas à Linha Verde do Ibama. Somente no Distrito Federal, pelo menos cinco pessoas denunciam esse tipo de agressão por dia. “Esse número nem representa a realidade, pois muita gente nem chega a denunciar”, comenta.
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FONTE: Portal G1

7 de jun. de 2008

a empresa do enxofre

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Conar suspende duas campanhas publicitárias da Petrobras
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O Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) recomendou nesta quinta-feira a suspensão da veiculação de duas campanhas da Petrobras por divulgarem a "idéia falsa de que a estatal tem contribuído para a qualidade ambiental e o desenvolvimento sustentável do país".

A decisão não obriga os veículos de imprensa e correlatos a suspenderem os anúncios, mas as decisões do Conar, historicamente, sempre são acatadas. Caso alguma emissora, jornal ou revista descumpra ou demore excessivamente para cumprir a decisão, a atitude do Conar é apenas veicular publicamente o nome da entidade.

De acordo com a ação apresentada por entidades governamentais e não-governamentais, a Petrobras "afirma recorrentemente em suas campanhas e anúncios publicitários seu compromisso com a qualidade ambiental, com o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social". Entretanto, para essas empresas, essa postura "não condiz com os esforços para uma atuação social e ambientalmente correta", uma vez que o óleo diesel produzido pela estatal possui níveis de enxofre muito altos.

Resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) determina que, a partir de 1º de janeiro de 2009, o diesel comercializado no Brasil contenha, no máximo, 50 partes por milhão de enxofre (ppm S). A proporção hoje é de 500 ppm S nas regiões metropolitanas e de 2000 ppm S no interior.
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A substância, altamente cancerígena, é responsável pela morte de 3 mil pessoas por ano somente na capital paulista.

Em sua defesa, os representantes da Petrobras argumentaram que a resolução do Conama não determina a diminuição da quantidade de enxofre no diesel comercializado no país e que o produto "não é o único responsável pela poluição veicular".

A decisão de hoje acata pedido de entidades governamentais e não-governamentais, como as secretarias estaduais de meio ambiente de São Paulo e Minas Gerais, do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), o Greenpeace, o Movimento Nossa São Paulo e a SOS Mata Atlântica, entre outros.

Procurada pela Folha Online, a Petrobras afirmou que ainda não havia sido notificada oficialmente. No entanto, a estatal adiantou que vai recorrer.

A Petrobras afirmou ainda que tem o compromisso de disponibilizar o diesel 50 ppm em janeiro de 2009. "Esse combustível será utilizado nos veículos pesados a diesel, que adotarão uma nova tecnologia, para se adequarem às exigências da fase P-6 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores", instituído pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
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A petrolífera também disse que o "planejamento estratégico da companhia estabelece que os investimentos em qualidade dos combustíveis serão de cerca de US$ 8,5 bilhões até 2012". A empresa informou que os objetivos são "atender a mudanças nas especificações e garantir a competitividade dos produtos oferecidos pela companhia.

Entre as ações decorrentes desses investimentos, segundo a Petrobras, uma das mais significativas é a implantação de unidades de hidrotratamento em nove refinarias, para reduzir o teor de enxofre do diesel.

"Dessa forma, todas as peças publicitárias da Petrobras reafirmam seu compromisso com o respeito ao consumidor e com os valores de responsabilidade social e ambiental expressos na missão da companhia', afirma o comunicado.

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Os grifos em negrito são nossos.

4 de jun. de 2008

A atual política eco do (des)Governo Lula

FOTOGRAFIA: Site da revista Veja. Leia a reportagem, de 1999.
De lá pra cá, as coisas só pioraram.
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Senhor Minc, o senhor é um fanfarrão
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O novo dado de desmatamento comprova: Marina Silva abandonou o barco do Meio Ambiente no momento certo. A cifra final, a sair em agosto (o mês do desgosto, como dizem), será um arraso sobre a floresta. E essa conta será de Lula e de seus "heróis" do agronegócio, encarnados na figura de Blairo Borges Maggi.
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Afigura-se a realidade arrepiante de um desmatamento na casa dos 20.000 km2 de agosto de 2007 a julho de 2008. Para dar uma idéia do que isso significa, em 150 anos, de 1700 a 1850, toda a produção de açúcar na mata atlântica ceifou 7.500 km2.
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Em resposta ao desastre imposto pela alta nas commodities, Carlos Minc, o "performer" que substitui Marina no ministério, anuncia que vai mandar prender... os bois! Isso mesmo: os bois, cujo único crime é pastar em áreas embargadas cuja floresta algum humano derrubou - com crédito oficial e estímulo político.
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Ora, não seria mais efetivo prender os donos das terras onde pastam os bois? Certamente. Mas isso o governo não faz, por duas razões. Primeiro, para não criar caso com aliados em ano de eleição.
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Depois, porque nem Minc nem ninguém sabe quem é dono da terra na Amazônia. A única medida que poderia ser definitiva contra o desmate, o ordenamento fundiário, foi um fiasco. Só 20% dos proprietários aderiram ao cadastro de terras imposto pelo governo. E, com o orçamento pífio dedicado a esse reordenamento pelo Plano Amazônia Sustentável, nada vai mudar.
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Vai ser engraçado ver o ministro, entre uma coletiva e outra, correndo atrás de boizinhos e vaquinhas no pasto. São 80 milhões de cabeças na Amazônia, senhor ministro. Haja colete para suar.
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Texto de Claudio Angelo, Editor de Ciência da Folha de São Paulo, publicado no Folha Online - Portal UOL, em 03/05/2008.
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Os grifos em negrito no texto são meus.

2 de jun. de 2008

Editorial do Le Monde de 02/05/2008

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Edito du Monde
Une crise silencieuse
LE MONDE 02.06.08 14h36 • Mis à jour le 02.06.08 14h36


Bonn n'est pas Bali. La conférence des Nations unies sur la biodiversité qui s'est tenue dans l'ancienne capitale allemande du 19 au 30 mai n'a pas bénéficié de la même attention que le sommet mondial sur le climat organisé en Indonésie en décembre 2007. C'est regrettable. Pendant deux semaines, plus de 5 000 experts et délégués, venus de 191 pays, se sont penchés sur ce que les scientifiques considèrent comme une crise tout aussi importante pour l'avenir de l'humanité que le changement climatique.

Si des données précises et globales sont difficiles à établir, un consensus existe pour affirmer que les espèces animales et végétales disparaissent à une cadence beaucoup plus rapide que ne le voudrait le rythme naturel. Il n'en va pas seulement de la survie de quelques espèces emblématiques, dont la médiatisation a trop souvent pour effet de minimiser l'enjeu qui se dessine derrière le déséquilibre grandissant des écosystèmes.

Dans les sociétés industrialisées, les liens avec une nature que l'on croyait avoir domestiquée se sont distendus. Même si ce n'est pas facile à admettre, l'effondrement de notre "capital naturel" pourrait saper demain les fondements de nos économies. La crise alimentaire mondiale et les tensions sur les matières premières sont un avant-goût de ce qu'il faut redouter si rien n'est fait pour mieux gérer les ressources planétaires.

Jusqu'à présent, la préservation de la diversité biologique a surtout été l'affaire des écologistes. La principale réponse a consisté à créer des aires protégées. S'il reste indispensable, cet instrument n'est pas à l'échelle de la crise actuelle. Au mieux, 10 % des superficies mondiales pourraient être sanctuarisées. Avec une planète à 9 milliards d'habitants en 2050, les besoins de terres ne vont cesser de croître. Principalement dans les pays en développement, où se trouvent les grands réservoirs de la biodiversité.

On peut demander à ces pays de ne pas couper leurs forêts, mais ils ne peuvent être les seuls à faire un effort. En France, la Caisse des dépôts a créé un fonds pour inciter les entreprises à compenser les dommages causés à l'environnement et se mettre en conformité avec la loi sur la protection de la nature, qui date de... 1976. Ces initiatives mériteraient d'être développées au niveau mondial.

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Editorial do jornal Le Monde
FONTE: site do jornal Le Monde



SUR LE MÊME SUJET

Editorial du "Monde" Une crise silencieuse
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31 de mai. de 2008

o avanço do aquecimento global


FONTE: Web

Fumantes têm vício comparado aos dependentes de heroína

Hoje [31/05] é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. A quantidade de fumantes na cidade de São Paulo, por exemplo, reduziu nove pontos percentuais nos últimos 15 anos e passou de 33% em 1993 para 24% em 2008. Os dados são da
pesquisa realizada pelo Datafolha em abril deste ano.

A equipe do videocast conversou com a diretora do Centro de Referência em Álcool Tabaco e Outras Drogas (Cratod), Luizemir Lago, para saber mais detalhes sobre as campanhas contra o tabagismo e quais são as orientações para quem quer largar o vício. [Para ver o vídeo da entrevista, clique aqui]

Luizemir diz que a queda no número de fumantes aconteceu, principalmente, pela divulgação da imprensa. A diretora do Cratod compara o vício em tabaco à dependência da heroína, ela afirma que a dificuldade para abandonar a droga é a mesma para os dois tipos de viciados.

A maneira mais eficaz para largar o cigarro é deixá-lo de uma só vez e não parar aos poucos, diminuindo a quantidade de maços, afirma a diretora.

Foi, exatamente, desta maneira que o agente autônomo de investimentos Horácio Leite, 44, parou de fumar há cerca de dez anos. Ele conta que decidiu abandonar o vício após o nascimento de seus filhos, por incentivo da esposa. "Resolvi de um dia para o outro e até hoje não tive recaída", afirma Horácio.

Segundo a pesquisa feita pelo Datafolha, a maior concentração dos fumantes está na faixa dos que têm de 35 anos a 44 anos (30%) e os pertencentes às camadas mais pobres da população, as chamadas C e D; com 35%. O levantamento aponta ainda que 51% dos paulistanos disseram nunca ter fumado. A maior faixa dos que disseram nunca ter experimentado o gosto do tabaco se
concentra naqueles que possuem maior nível de escolaridade (60%) e os evangélicos (56%).
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Os grifos no texto são nossos.

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