Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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9 de mar. de 2010

Os dois?




Estávamos todos à mesa na véspera de Natal, ainda no início da noite. Vestidos solenemente, esperávamos o momento de comer o jantar simples que teimávamos em chamar de ceia. Minha mãe estava eufórica com aquela pequena reunião familiar. Meu cunhado observava tudo com poucas palavras. Eu, confesso, tinha fome e queria comer. Minha irmã dava atenção aos filhos.

Ela tentava explicar para meu sobrinho de quatro anos, apesar da pouca atenção que ele dispensava ao arrazoado, o que era, afinal de contas, “o verdadeiro Natal”. Depois de alguns minutos de pouca atenção, Paula começou a falar do ano que já terminava e das inúmeras bênçãos que ele – o Davi – havia recebido. “Você viu, meu filho, como você teve coisas boas este ano? Você teve uma caminha quentinha... Teve a escolinha... Papai, mamãe... Roupa, comida...” Davi, à medida que Paula falava, ficava mais e mais sério. Era muita coisa para que ele processasse, muitas informações – na verdade, a mãe desfiava sua vida inteira ali, à mesa do jantar. Seu pequeno universo infantil, tudo o que ele conhecia e que lhe parecia familiar a mãe fazia passar em revista como presentes recebidos, não como partes de seu mundo que não existiam sem ele. Ele, que nunca havia pensado nisso, muito menos de modo tão grave, parecia mais vítima de uma acusação que recebedor de tantas “coisas boas”.

De repente, estrategicamente, Paula para. Olha bem nos olhos do filho. A voz suave, entretanto, inquiria: “E você sabe, meu filho, quem deu tudo isso pra você? Você sabe?” Silêncio. Pausa. Davi não ousava dizer nada. Talvez sua cabeça se perguntasse: “Papai? Mamãe? Os dois? Vovó?”. A mãe, então, diante do silêncio geral –  todos agora acompanhavam o diálogo, que caminhava para seu apogeu com vitória de mamãe, por dez a zero –, declara: “Jesus!”

Mais silêncio de Davi. “Ora essa, Jesus!”. Talvez ele se perguntasse: “Como eu não pensei nisso antes?” Jesus era o nome que pouco a pouco passava a fazer parte de sua vida. Era invisível, e a mãe dissera que vivia no céu. Uma vez, de férias na casa da avó, em São Luis, pegou os binóculos da bisavó e, surpresa geral (surpresa por quê?), mirou as nuvens para tentar encontrar Jesus. Ele não morava no céu?

Ceia intocada, todos acompanhando a educação cristã que Paula tentava dar ao filho. “Sabe, meu filho, Jesus deu tudo isso para você este ano... A única coisa que Ele quer de você, você sabe o que é?” Mais silêncio. Olhares carinhosos e emocionados de todos. É de pequeno... Ensina a criança no caminho... Ah, a magia do Natal... O aniversário de Jesus... “Então ele quer um presente também...”, deve ter pensado Davi. Mas não ousou dizer nada. Em pé, ao lado da cadeira da mãe, olhava para cima. Balançou a cabeça, não sabia. “A única coisa que Ele quer é o seu coração!”, disse ela, voz triunfante embargada de emoção, olhar fixo no menino.

Davi, voltando a cabeça para o sofá, olhou os dois pirulitos vermelhos "baby coração" que jaziam no estofado – os dois sabor morango, vermelhos, em forma de coração – que eu havia trazido do Rio de Janeiro para ele e, rapidamente, perguntou para a mãe: “Os dois?”

25 de nov. de 2009

família!





Esta é a família da minha irmã, Paula. Fizeram essas fotos lindas e eu não resisti e resolvi postar aqui! :) Nas fotos, Paula e Marcelo, os pais, e Davi e Joana, os filhotes, meus sobrinhos lindos de morrer. Atenção, cuidado com o seu teclado! Se você babar muito, pode danificá-lo...

17 de nov. de 2009

turma da mônica lança personagem gay




Caio. Esse é o nome do primeiro personagem aparentemente gay das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, criado por Maurício de Souza. Ele é apresentado na edição número 6 da revista "Tina", da editora Panini, como o melhor amigo da jovem e assume estar comprometido com outro rapaz, causando uma certa estranheza nos demais personagens.
 
Segundo a Folha Online, a assessoria de imprensa da Maurício de Souza Produções ressaltou que essa é primeira vez que o assunto é abordado nas histórias, cumprindo promessa do autor de discutir questões ligadas ao universo adolescente, "de forma tranquila e sem levantar bandeiras". Tanto que na edição há também um discurso de Tina contra preconceito em geral. 

Questionado por internautas através do Twitter, o cartunista respondeu "leia a revista Tina e interprete. Depende de sua leitura, da sua forma de se situar na nossa realidade social". A assessoria também não descartou a hipótese de Caio ser bissexual, o que só poderá ser confirmado no futuro, na continuidade das histórias em quadrinhos.


MAIS:

A 6ª edição da revista "Tina", da editora Panini, apresenta o primeiro personagem aparentemente gay das histórias de Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica.
Caio, que é apresentado como melhor amigo de Tina na história de capa, assume ser "comprometido", indicando outro rapaz, o que causa estranhamento para os outros personagens.

A personagem Tina, originalmente hippie, nos anos de 1960, agora tem um amigo gay, em história da edição número seis de sua revista.

A assessoria de Maurício de Sousa considera que é a primeira vez que o assunto é abordado nas histórias, cumprindo promessa do autor de discutir questões ligadas ao universo adolescente, "de forma tranquila e sem levantar bandeiras".

No entanto, para brindar a inclusão dele na história, há nela também um discurso de Tina contra preconceito em geral.

O assessor afirma que a história não pretendeu ser categórica no lançamento de um personagem gay. Ele levanta até a possibilidade de que ele seja bissexual, no entanto. Ele também assegura que a história e o personagem terá a devida continuidade e encaminhamento.

Tina, agora estudante de jornalismo, é uma personagem que foi criada nos anos de 1960, inicialmente com um visual hippie, e traços bem diferentes dos atuais.

E MAIS:


A revista “Tina”, número 6 (editora Panini), trás uma surpresa para os fãs de Mauricio de Sousa. O primeiro personagem gay da grande leva de criações dos estúdios do artista.

Na história de capa, “O Triângulo da Confusão”, somos apresentados a Caio, um rapaz sem trejeitos ou clichês de um homossexual, mas que assume no final da história ter um “compromisso” com outro rapaz, que por sinal é amigo de Zecão (namorado de Pipa, melhor amiga da Tina).


A história ainda conta com um discurso da Tina contra preconceito (não exatamente com a sexualidade das pessoas, mas de modo geral) e a apresentação de que Caio é o melhor amigo da moça, “como se fosse um irmão”, indicando um possível retorno do personagem.


MAIS AINDA:

A diversidade sexual chegou aos quadrinhos da Turma da Mônica. A 6ª edição da revista "Tina", já nas bancas, mostra ao público o primeiro personagem gay criado pela equipe de Maurício de Souza. Na história, Caio é o melhor amigo de Tina e deixa outros personagens surpresos quando se diz comprometido, apontando um outro rapaz. Tina, criada nos anos 60 e que hoje estuda jornalismo, aproveita e faz um dircurso contra o preconceito. Caio, aos poucos, vai ganhar mais espaço nas histórias. 

Em outras publicações Maurício de Souza já deu outros passos para acabar com o preconceito. Já foram criados personagens deficientes visuais e cadeirantes.


***


Quer dar a sua opinião? Mande mensagem para o Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, no Twitter: @mauriciodesousa


***
FONTES:
http://cefascarvalhojornalista.blogspot.com/

24 de mai. de 2009

silvio santos vem aí

Para ver e ouvir os vídeos, vá primeiroà janela cinza Maya_musique, à esquerda, e clique em "pause". Depois, venha aqui e clique em "play". Deixe passar o vídeo uma vez, exprerimente ver na segunda passagem.


PROGRAMA DE 10/05/2009



PROGRAMA DE 17/05/2009



CQC MANDA RECADO PRA MAÍSA E DÁ BRONCA EM SILVIO SANTOS (PROGRAMA DE 18/05/2009)





Justiça revoga alvará que permitia a Maisa fazer programa de TV, diz MP

Decisão foi divulgada nesta sexta-feira (22), em São Paulo. Emissora diz que ela não participará de programa com Silvio Santos.

O alvará de trabalho que permitia à menina Maisa Silva, de 7 anos, participar do programa "Pergunte para Maisa", no "Programa Silvio Santos", do SBT, foi revogado pela Justiça no início da noite desta sexta-feira (22), segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público Estadual (MPE). Entretanto, o MPE não detalhou se a determinação restringe outras atividades da menina na emissora.

A assessoria de imprensa do SBT afirmou no fim da noite que vai acatar a decisão da Justiça de Osasco e que a empresa não pretende recorrer. Entretanto, segundo a assessoria da emissora, está previsto que ela continue a apresentar dois programas de desenhos animados, um aos sábados e outro aos domingos.

Segundo o MPE, o alvará que foi cassado havia sido concedido pela Promotoria Estadual da Infância e da Juventude de Osasco, com a concordância da Justiça do município. Por entender que Maisa teria sido submetida a situações que ferem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) durante os programas, o Ministério Público Estadual (MPE) decidiu pedir a revogação do alvará, sendo atendido pela Justiça de Osasco nesta sexta.


Investigação federal

O Procurador Regional dos Direitos do Cidadão em exercício, Pedro Antonio de Oliveira Machado, instaurou na quarta-feira (20) inquérito civil público para apurar as condições de trabalho de Maísa. De acordo com nota divulgada pelo MPF, o procurador requisitou fitas dos programas dos dias 10 e 17 de maio à emissora e vai apurar se houve abuso à sua integridade psíquica e moral.

Nesta sexta-feira (22), o procurador enviou ofício ao Ministério das Comunicações para saber se o órgão tomará alguma medida contra o programa. Segundo a assessoria do MPF, o ministério terá prazo de cinco dias para responder após ter sido notificado.

FONTE: G1

***

NOTA: Silvio Santos vacilou mesmo. Isso não se faz com uma criança de seis anos. Nota abaixo de zero pra ele, que, aliás, já poderia ter se aposentado.

14 de mai. de 2009

pedofilia, incesto e homossexualismo: tudo no mesmo filme e financiado com o seu dinheiro



O ator Gabriel Kauffmann, de apenas 7 anos, que ficou conhecido por interpretar Francisco, o filho da personagem Nanda (Fernanda Vasconcellos) na novela global Páginas da Vida, se apaixonará pelo irmão mais novo nas telonas.

Em Do Começo ao Fim, longa de Aluisio Abranches, Kauffmann viverá Thomás, uma criança que se sente fortemente atraída pelo irmão Francisco, de 6 anos, vivido pelo ator Lucas Cotrim. A relação incestuosa dos personagens, no entanto, só se concretiza quando se tornam adultos na trama. No filme, que ainda não tem data de estreia, a atriz Júlia Lemmertz vive Julieta, a mãe dois dois garotos.

De acordo com um trecho divulgado do filme, “um dia, sem mais nem menos, Thomás abre os olhos e olha direto para Francisco, seu irmão de seis anos. Durante a infância, os irmãos são muito próximos, talvez próximos demais. (...) Mais tarde, (...) se tornam amantes e vivem uma extraordinária história de amor”.

A mãe de Gabriel, Denise Kaufmann, disse em entrevista ao site O Fuxico sobre sua tranquilidade em autorizar o ator a interpretar o papel. “Os irmãos se apaixonam, mas o filme não mostra nada de concreto entre os dois enquanto são crianças, nenhum contato físico. Todo o amor que ele sente pelo irmão mais velho é apenas insinuado. Eu não poderia proibi-lo de fazer esse filme, primeiro porque seria um preconceito bobo de minha parte e, segundo, pelo fato de o longa ser muito delicado e belíssimo”.


Mais:


Escrito e dirigido por Abranches, o longa conta a história da médica Julieta, vivida por Júlia Lemmertz (Meu Nome Não É Johnny), que tem dois filhos: Francisco, interpretado na infância por Lucas Cotrim e mais tarde por João Gabriel Vasconcelos, e Thomás, papel dividido pelos atores Gabriel Kaufman e Rafael Cardoso. O primeiro é do ex-marido, o empresário Pedro, interpretado por Jean-Pierre Noher (Estômago), enquanto o segundo é fruto do casamento com o arquiteto Alexandre, o atual marido, vivido por Fábio Assunção (Primo Basílio). Os dois garotos acabam desenvolvendo uma relação mais íntima que o normal.
Segundo o diretor, seu objetivo sempre foi contar uma história de amor, acima do incesto ou do homossexualismo. Outro fator importante era "que não tivesse um julgamento nem levantasse bandeiras".
"É uma família amorosa, libertária, os pais se dão bem. Os irmãos não vivem num lugar ermo, em que não tivessem oportunidade de conhecer outras pessoas. Quis falar do assunto de forma feliz, que não fosse um bode. Por que toda vez que se fala de incesto é de forma trágica?", disse Abranches à fonte.
Apesar de tudo ser contado de maneira bem suave e carinhosa no drama, o diretor revela que teve muita dificuldade em encontrar patrocinadores. Alguns chegaram a sugerir que os protagonistas fossem trocados por duas irmãs, ou dois primos. Acabou conseguindo o patrocínio de dois empresários, que impuseram uma condição: ficar no anonimato. [PODEM ATÉ TER FICADO NO ANONIMATO, MAS COM CERTEZA SOLICITARAM, NO ANONIMATO, OS "INCENTIVOS FISCAIS" QUE A LEI ROUANET POSSIBILITA AOS EMPRESÁRIOS QUE "PATROCINAM A ARTE"... OU SEJA: É O SEU DINHEIRO, CARO LEITOR, QUE FINANCIOU "NO ANONIMATO" ESTA PORCARIA.]


Meu comentário: Bom, pelo que percebi, de "modo muito delicado e belíssimo" o filme faz apologia da pedofilia. Se faz apologia do crime, então não é errado? Eu vou mandar e-mails e vou telefonar para o presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta, e pedir que alguém neste país, alguém que tenha alguma coisa na cabeça, faça algo em relação a esse lixo que chamam de filme. Vou mandar e-mails para o presidente do Supremo Tribunal Federal, também, e para o presidente do Congresso Nacional. Bom, quanto ao presidente Lula... não adianta pedir que a raposa vigie o galinheiro, né? Veja a notícia abaixo:

Governo Lula quer “modernizar” conceito de censura classificando como impróprios para crianças e adolescentes programas de TV com conteúdo contrário ao homossexualismo

Julio Severo
Já viu o Pr. Silas Malafaia pregando pela televisão que homossexualismo é pecado? Ou então já teve oportunidade de ver R. R. Soares ou outro pregador explicando que a Bíblia condena o homossexualismo?
Aproveite para gravar esses programas e quando tiver chance, grave também o Papa Bento 16 em seus pronunciamentos condenando explicitamente os atos homossexuais, porque no que depender do governo Lula, programas de TV e rádio que transmitem posições contrárias à homossexualidade serão obrigados a levar a classificação de “impróprios para menores de 18 anos”.
Não, o que você está lendo não é delírio, nem deste autor, nem dos leitores. É puro delírio ideológico estatal se transformando em pesadelo político.
Hoje, 14 de maio, conforme informação do Blog Reinaldo Azevedo e do jornal ultra-esquerdista Folha de S. Paulo, a Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência do Brasil estará lançando um plano de promoção da cidadania de LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). É dentro desse plano que consta medida do governo Lula de “classificar como impróprios para crianças e adolescentes programas de TV com conteúdo homofóbico”.
Programa do Silas Malafaia? Classificação do governo Lula: “Programa com conteúdo homofóbico. Impróprio para crianças e adolescentes”.
Programa do R. R. Soares? Classificação do governo Lula: “Programa com conteúdo homofóbico. Impróprio para crianças e adolescentes”.
Pronunciamento televisivo do papa? Classificação do governo Lula: “Programa com conteúdo homofóbico. Impróprio para crianças e adolescentes”.
E se os cristãos não se acovardarem, não se submetendo a essa tirania fascista, muitos outros programas evangélicos e católicos serão classificados como “homofóbicos” e “impróprios para crianças e adolescentes”.
O que não será classificado como “impróprio para crianças e adolescentes” são os livros, cartilhas e aulas a favor do homossexualismo nas escolas públicas. Aliás, esses livros, cartilhas e aulas serão classificados como obrigatórios para crianças de todas as idades. 
continua... Veja mais aqui.
Meu comentário: Gente, aonde vamos chegar? E em 2010 esses criminosos ainda querem eleger um sucessor. Não com o meu voto. Você está atônito? Chocado? Ficou indignado? Ligue para os números abaixo, mande e-mails. Só indignação não muda nada. 
Senador Magno Malta, presidente da CPI da Pedofilia:
Tel.:(61) 3303-4161/5867
Fax: (61) 3303-1656
Correio:
magnomalta@senador.gov.br

Supremo Tribunal Federal - Central do Cidadãohttp://www.stf.jus.br/portal/centralCidadao/mensagem.asp
Ministério Público Federal: http://www.pgr.mpf.gov.br/ (Não consegui acessar a página, vou tentar amanhã).
Senador José Sarney, presidente do Congresso Nacional:
Tel.:(61) 3303-3429/3430
Fax: (61) 3303-1776
Correio:
sarney@senador.gov.br

Leia o texto de Reinaldo Azevedo sobre a censura petista à "homofobia":

MAS O QUE QUEREM OS GAYS?
No clipping desta madrugada, vocês encontram trecho de uma reportagem da Folha que informa que a União quer classificar programas de TV com “conteúdo homofóbico”. Não é preciso ser um gênio para perceber que já se começa a trilhar o terreno da censura. Eu me oponho a qualquer forma de ação do estado que limite a liberdade de expressão — inclusive a dos idiotas. E que cada um arque na Justiça com o peso do que disser. É tudo muito simples.

Sou freqüentemente acusado de sionista por conta das minhas opiniões sobre os conflitos israelo-palestinos, por exemplo. Os mais tresloucados estão convencidos de que sou um agente do Mossad. Pois é. Mas acho bobagem que se proíba, por exemplo, a publicação de livros que neguem o Holocausto. A proibição faz com que celerados como Ahmadinejad mobilizem a cabeça oca conspiratória dos imbecis: “Se é proibido negar, então é porque eles têm medo da verdade”. Entenderam? Os tolos têm de ser combatidos à luz do dia. “Ah, então ações concretas contra grupos raciais ou minorias devem ser permitidas?” O quê? Intimidação? Não! Devem ser contidas com o uso da polícia mesmo. Cana nos vagabundos! Ademais, cumpre não confundir o revisionismo, por mais estúpido que seja, com incitação ao ódio. Adiante.

Há programas humorísticos de TV que fazem troça de homossexuais? Há. Mas também fazem pilhéria dos gordos, dos magros, dos feios, dos bonitos, dos doentes, dos saudáveis... ALIÁS, NENHUMA CATEGORIA, SE ASSIM POSSO CHAMAR, É MAIS HUMILHADA E DISCRIMINADA, HOJE EM DIA, NOS PRODUTOS DA INDÚSTRIA CULTURAL, DO QUE O QUE EU CHAMARIA DE HOMEM MÉDIO! Pobre do coitado que for um desses trabalhadores que fazem tudo certinho, que pagam os impostos, que seguem as leis, que cuidam da sua família, que têm uma existência, digamos, banal. É logo tratado como um medíocre, um bobalhão, que é até ruim de cama.

Há um filme na praça que não vi e não vou ver, um desses caça-níqueis com atores de TV, chamado 
Divã. Falo do que dá para perceber no trailer. Pela pegada se percebe o tamanho do gigante. Uma mulher de meia-idade — casada com um desses maridos chatos que gostam de assistir a jogo de futebol na TV, apenas regulamentar na cama, sem grandes arroubos — decide cair na farra. E descobre o mundo. É a versão para as massas do “bovarismo”. Emma Bovary, como sabem os que leram, quebrou a cara. As Emmas da cultura de massa são bem-sucedidas: encontram a felicidade na era da psicanálise de revista entre feminina e feminista. Basta pôr chifre no marido, que um horizonte se abre... Preconceito? É. Um preconceito da correção política.

O que há fazer nessa guerra de valores? Ora, que cada um brigue pela sua verdade. Mas podemos perfeitamente bem deixar o estado fora disso. Afinal, o que querem os gays? Um aparato repressivo que proíba as piadas consideradas indesejadas? O mesmo devem fazer as outras chamadas “minorias”? Viveremos numa sociedade em que todos patrulham todos, transformando o humor em manifesto político? Pergunto: um homossexual poderá ser acusado de homofobia se chamar um outro homossexual de “veado” (ou “viado”, na versão popular)? Nas novelas e filmes, os gays deverão ser apresentados sempre como exemplos de caráter virtuoso? O mau-caratismo passará a ser uma prerrogativa apenas dos heterossexuais? Ou ainda: os heterossexuais têm o direito de reclamar das caricaturas que se fazem do “machão”, sempre meio bronco e de raciocínio curto?

O politicamente correto é a mais detestável das formas de censura porque exercida por pessoas que se querem dotadas de valores humanistas superiores. Acreditam, como os inquisidores, que estão perseguindo pessoas para o bem da humanidade e até dos próprios perseguidos. Rezavam enquanto o corpo do pecador ardia. Estavam crentes de que tinham acabado de vencer mais uma luta contra o demônio ao libertar aquele corpo.

11 de mai. de 2009

Deus quer o homem no leme

Deus quer o homem no leme

 

A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

QUEM É

Maria Mariana Plonczynski de Oliveira, 36 anos, escritora, autora, diretora e atriz. Filha do cineasta Domingos de Oliveira. Mãe de quatro filhos, casada, mora em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro 


O QUE FEZ
Ficou famosa ao escrever Confissões de adolescente, que virou peça de teatro e seriado da TV Cultura na década de 90

O QUE PUBLICOU
Confissões de adolescente (Ed. Relume Dumará),Confissões de mãe (Ed. Agir)

Aos 19 anos, a carioca Maria Mariana tornou-se um ícone da década de 90. Seu livro Confissões de adolescente, lançado em 1992, vendeu 200 mil cópias, virou peça de teatro e tornou-se um memorável seriado de televisão. Aos 36 anos, distante da fama e mãe de quatro filhos, a escritora, atriz e filha do cineasta Domingos de Oliveira lança Confissões de mãe (Editora Agir), um livro nada rebelde, recheado de ideias que vão irritar as feministas. Nesta entrevista, realizada em Macaé, no Estado do Rio de Janeiro, onde mora hoje, ela defende as mães que deixam de trabalhar para cuidar de seus filhos. “Amamento há nove anos seguidos”, afirma. Com a mesma expressão serena que as pessoas se acostumaram a ver na série de televisão, a escritora diz ser contra o aborto e afirma que as mulheres deprimidas depois do parto são as que passaram a gravidez comprando roupinhas para o bebê.

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum? 

Maria Mariana – Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

ÉPOCA – Por que você diz isso? 

Maria – O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena? 

Maria – Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique. 

Maria – Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar? 

Maria – Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas? 

Maria – Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher? 

Maria – Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento? 

Maria – Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.


A revista abriu um fórum para discussão, no próprio site, e as declarações de Maria Mariana sobre maternidade, casamento e função do homem e da mulher estão causando reações apaixonadas e até agressivas. É claro, feministas e esquerdistas não param de tecer comentários depreciativos, insultando a autora por suas opiniões, que eles chamam de "retrocesso" (e de outros nomes que não quero publicar aqui...). Quer entrar nesse debate? Clique aqui.

Sobre Maria Mariana, leia também: 

6 de mai. de 2009

quem cala, consente


Acabo de ver o programa Tribuna Independente, da Rede Vida, da Igreja Católica. O debate de hoje trouxe o senador Magno Malta, que falou sobre as ações decorrentes da CPI da Pedofilia. O tema é nojento, deixa a maioria das pessoas revoltada, e em alguns momentos meu estômago revirou. Mas, por outro lado, eu agradeço a Deus por ter levado ao Senado Federal um homem como Magno Malta, senador pelo PR do Espírito Santo. Muitas ações foram travadas em prol da Justiça, em todo o Brasil. Como o senador disse, a pedofilia não tem classe social, cor, sexo nem idade. Pedófilos são pessoas más, psicopatas, quase sempre irrecuperáveis. Devem ser afastados do convívio social pelo maior tempo possível. 

Casos como o de Catanduva, em São Paulo, mostram que o poder público pode ser até mesmo conivente e influir a fim de proteger pedófilos desgraçados. Naquela cidade, uma delegada ligou para o advogado de um pedófilo rico a fim de avisá-lo de que o computador de seu cliente seria apreendido numa ação policial. Isso frustrou a ação da polícia e preparou o criminoso para a fuga, e hoje alguns dos que abusaram barbaramente quase 80 crianças pobres naquela cidade estão foragidos. E as crianças? Muitas vivem à base de remédios controlados, não dormem, fazem tratamento para doenças venéreas, deixaram de estudar, desinteressaram-se pela vida. O senador falou ainda de casos envolvendo pessoas ricas de Roraima, onde os pedófilos passeiam livremente e são donos de grandes concessionárias de veículos, acreditando estarem acima da Lei. 

Além disso, a conivência de empresas como a Telefônica, a Oi e a Google ajuda a proteger os criminosos: elas, entre outras, se recusaram a assinar o termo de cooperação proposto pela CPI. Eu, particularmente, peço a você: se puder, boicote essas empresas. Não compre produtos, evite usar seus recursos. Eu sei que é difícil, este Blog mesmo está alojado em um site da Google, mas, na medida do possível, tente. Se seu celular é da Oi, troque-o pelo de outra empresa. Deixe de dar lucros para empresários que ajudam a encobrir pedófilos. 

Vale a pena ouvir o que diz o senador Magno Malta, que tem trabalhado em conjunto com o FBI, a Interpol e outras agências internacionais, em cooperação, nessa luta. O Brasil é hoje o país que mais produz pornografia infantil, e está entre os três primeiros do mundo com índices de abusos sexuais de crianças e adolescentes. A luta da CPI, agora, é para fazer aprovar no Congresso Nacional o PL que tipifica a pedofilia como crime hediondo. Desde o ano passado alguns senadores, liderados por Magno Malta, trabalham para que esse PL seja aprovado, mas até agora nada. 

Segundo o senador, é preciso que os cidadãos, ou seja, eu, você que lê este texto agora, seus amigos e colegas de trabalho, sua família e seus vizinhos, se manifestem e enviem e-mails (sarney@senador.gov.br), telefonem, mandem fax e cartas para o presidente do Senado e demais senadores (veja quem são os senadores de seu Estado) solicitando que esse Projeto de Lei seja, finalmente, aprovado. Também tramitam no Congresso PL que prevê a castração química de pedófilos, "uma experiência empregada nos Estados Unidos e consiste em uma injeção que retarda a libido do pedófilo."

  • Telefone do gabinete do presidente do Senado Federal, José Sarney: 61-3303-3429 ou 61-3303-3430.
  • Número do fax do gabinete do presidente do Senado, José Sarney: 61-3303-1776.
  • Endereço postal do presidente do Senado Federal, José Sarney: Senado Federal, S/N - Gabinete 22, Ala Senador T. Vilela, 70165-900, BRASÍLIA - DF.
  • E-mail do presidente do Senado Federal, José Sarney: sarney@senador.gov.br.

Aproveito a ocasião para prestar aqui uma homenagem simples, mas muito grata, muito sincera, ao senador Magno Malta. Hoje em dia eu tenho vergonha de falar dos políticos deste país. Tenho vergonha porque eles são desonestos, são covardes, corruptos e indignos de receberem dinheiro público e serem tratados de "vossa excelência". Não são excelentes, não são ilustres, não são corretos. Mas o senador Magno Malta é um dos poucos que tem honrado o título de senador, que tem andado por esse Brasil inteiro, ido a cidades muito pequenas, em qualquer região, a fim de conhecer a realidade de pessoas que são aviltadas, agredidas e violadas de modo imperdoável. O senador é um dos poucos, pouquíssimos políticos, hoje, que merecem meu respeito, e por isso eu o homenageio. Quando o ouço relatar as ações da CPI da Pedofilia, em conjunto com o Ministério Público, a Polícia Federal e outras entidades, tenho vontade de ser do estado do Espírito Santo só para votar nele e me envergonho de ter, no Maranhão, os senadores inúteis que nós temos por lá, com direito a ter exportado o pior deles para o Amapá.

Senador Magno Malta, receba a homenagem do Blog da Maya, nossa admiração, nossos votos de que Deus o fortaleça, o proteja e conduza seu trabalho de modo ousado, digno e sempre corajoso, em favor de todos os que são vítimas de criminosos hediondos que praticam a pedofilia.

Peço a todos os que me lêem agora que, por favor, enviem mensagens ao presidente do Senado Federal, senador José Sarney (PMDB/AP). Se quiserem, copiem o texto abaixo e o usem como modelo:

"Senhor presidente do Senado Federal,  

Como cidadão/cidadã brasileiro (a), dirijo-me a V. Exª a fim de manifestar total apoio ao trabalho realizado pela CPI da Pedofilia, na pessoa de seu Presidente, ilustre senador Magno Malta (PR/ES), e solicitar a V. Exª que os projetos de lei resultantes dos trabalhos dessa CPI sejam priorizados para apreciação e votação no Senado Federal e em todo o Congresso, tendo em vista a gravidade dos crimes de pedofilia que, em toda a Nação, vergonhosamente ocorrem sem que haja, de fato, punição cabível para tão terríveis transgressões. 

Especialmente, solicito a V. Exª que o Projeto de Lei que tipifica a pedofilia com o crime hediondo seja urgentemente votado e aprovado nessa Casa, a fim de ser sancionado pelo presidente da República com a máxima urgência.

Respeitosamente,

SEU NOME COMPLETO
SEU NÚMERO DE RG E/OU NÚMERO DE TÍTULO DE ELEITOR (COM ZONA E ESTADO)"

17 de abr. de 2009

funai, órgão pró-infanticídio

UM CANTO INFANTICIDA DA FUNAI NO CORAÇÃO DAS TREVAS

Por Kátia Brasil, na Folha:

Atendendo a pedido do Ministério Público do Amazonas, a Vara da Infância e da Juventude de Manaus determinou que uma menina ianomâmi com hidrocefalia, pneumonia e tuberculose continue sendo tratada no hospital Infantil Dr. Fajardo, contra a vontade da tribo e da Funai.

Os índios e a Funai defendem que a criança -de 1 ano e 6 meses- volte à aldeia (639 km de Manaus), mesmo sem a alta do hospital. Para os índios, ela deve ser tratada pela medicina indígena com ajuda da medicina convencional.

A direção do hospital diz que a índia, que está respondendo ao tratamento, pode morrer se isso ocorrer. A hidrocefalia é causada pelo aumento anormal do volume de liquor no cérebro, que pode fazer pressão contra o crânio.

A mãe da criança recebeu da Funai, na segunda, autorização para tirar a menina do hospital com apoio da ONG Secoya. Porém, no despacho de ontem, a juíza Carla Reis determinou que o hospital mantenha a criança internada até que ela obtenha alta.

Na terça-feira, dois ianomâmis tentaram tirar a criança da enfermaria, disse a PF. Em nota, o gestor da Funai em Manaus, Edgar Rodrigues, diz que, entre os ianomâmis, se a mulher gerar um filho "defeituoso", é permitido o infanticídio. Ele afirma que a "Funai acata a decisão da mãe de interromper o tratamento".

Ontem, integrantes da Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia), que defendem a remoção da menina, disseram que não vai haver infanticídio. Segundo eles, as internações agravaram seu estado de saúde e ela deveria voltar à aldeia, onde seria tratada também por enfermeiros capacitados.

Voltei [comentário de Reinaldo Azevedo]
Tenho tratado aqui do relativismo cultural. Com freqüência, ele flerta com as práticas as mais estúpidas sob a desculpa de que é preciso respeitar as diferenças culturais.

Como é possível que Edgar Rodrigues, o gestor da Funai em Manaus, continue empregado depois de dizer o que disse? E em nota oficial! Há uma diferença nada ligeira entre saber que os ianomâmis praticam o infanticídio — ah, que saudade dos jesuítas! — lá no coração as trevas e arbitrar com tamanha ligeireza sobre a vida — e a morte — de uma criança tomada na sua individualidade, que já está sob os cuidados do estado.

E que diabo de ONG é essa tal Secoya? Fui procurar: "Serviço e Cooperação com o Povo Yanomami". Em sua página eletrônica, ao apresentar os índios, o texto começa com a seguinte pérola: “Os Yanomami representam uma das etnias que mais recentemente manteve contato com a sociedade envolvente.” Em que língua essa porcaria é escrita? Português é que não é. Gente que escreve assim merece chicote.

A Funai concentra hoje o maior número de celerados por metro quadrado do estado brasileiro. No julgamento sobre Raposa Serra do Sol, a entidade resistiu bravamente às 19 exigências feitas pelo STF para manter a área contínua da reserva. Suas teses flertavam com um estado independente. Queria que o Exército Brasileiro lhe pedisse autorização para entrar "em solo indígena"...

Pero de Magalhães Gândavo, no Tratado da Terra do Brasil, ao entrar em contato com os nossos índios, observou que sua língua não tinha os sons correspondentes às letras “F, L e R”, razão por que eles não poderiam ter “Fé, Lei ou Rei”. Bem, viveu no século 16. Podemos perdoar-lhe a visão canhestra. A Funai está no 21, e seu alfabeto parece desprovido de “D, V e P”, o que a impede de ter “Decência, vergonha e pudor”.

10 de abr. de 2009

a história é bonitinha, mas não foi o coelhinho quem morreu na cruz...


Coelhinho da Páscoa ou Cristo na cruz?

(texto de Vívian Marassi)

Desde que me descobri grávida, assumi comigo mesma o compromisso de sempre dizer a verdade para a minha filha. Na medida do possível, tenho sido verdadeira ao afirmar que ela irá ao pediatra para tomar vacina, que hoje não é dia de piscina na escolinha (ela bem que gostaria que todos os dias fossem de piscina, e minha empregada tem o péssimo hábito de tentar acalmá-la na base da mentira, dizendo só as coisas que a pequena gostaria de ouvir). Ao ouvir a verdade, ela fica chateada, claro, mas aprende que a vida nem sempre é como gostaríamos que fosse e, principalmente, que os pequenos dissabores fazem parte do dia-a-dia e não matam ninguém de desgosto.

Só que nem sempre dá para seguir ao pé da letra o compromisso com a verdade. Afinal, da infância faz parte também um quê de magia, aquele sentimento fantástico do qual sentiremos saudade na vida adulta. Ainda hoje lembro com carinho das vésperas de Natal, em que aguardava ansiosa a chegada do bom velhinho. O que me fascinava não era o brinquedo que eu viria a ganhar, mas a figura do Papai Noel, aquela coisa mágica de acreditar realmente que existe um velhinho bondoso que distribui brinquedos para todas as crianças do mundo e que visita os contemplados a bordo de um trenó voador. A pior parte do meu processo de crescimento foi o fim da magia. Desde então, os Natais perderam a aura de encanto. Continuaram sendo dias especiais, mas desprovidos daquela beleza que tanto me fascinava. 

Por isso, foi uma alegria redescobrir na minha filha o encanto pela figura fascinante do Papai Noel, o que me fez abrir pequenas brechas no meu compromisso de dizer sempre a verdade. 

Para não enfatizar somente o lado pagão da coisa, passei o mês de dezembro contando para a pequena a história do menino Jesus, que, por sinal, ela adorou. Para complementar o ensinamento, dei de presente para ela um presépio infantil, da marca Little People, ideal para crianças muito pequenas (leia-se: inquebrável). Então ela conseguiu captar parte da mensagem e saiu contando para os amiguinhos que o Papai Noel dava presentes para comemorar a chegada do menino Jesus.

Chegada a época da Páscoa, optei por fazer a brincadeira do Coelhinho. Afinal, faz parte do "pacotinho básico das crenças infantis". Não tem como acreditar em Papai Noel sem acreditar em Coelhinho da Páscoa, e vice-versa! Só que, para cumprir meu compromisso de dizer a verdade, eu precisava também contar a história por trás da celebração da Páscoa. Disposta a encarar o desafio, chamei a pequena e a coloquei no meu colo.

-"O Coelhinho da Páscoa vai deixar ovinhos de chocolate para você amanhã"
-"Por quê?" (terrível fase essa, a dos porquês!)
-"Porque é um dia muito especial".
-"Por quê?".
-"Errrr...". 

Na hora me veio a imagem de Cristo crucifixado, e ainda pensei resumir contando que o Menino Jesus morreu na cruz e depois voltou a viver, mas imaginei que ela choraria ao saber que o Menino Jesus, aquele do presépio, que nasceu há poucos meses, bem ali no Natal, o principal responsável por ela ter ganho um presente do Papai Noel, morreu e foi para o céu, e continuaria chorando copiosamente com a notícia, por mais que eu dissesse que ele ressuscitou.

Pensei bem. "Quer saber por que é um dia especial? Ora, é por que o coelhinho da Páscoa vai deixar logo cedo um monte de chocolates, depois vamos almoçar com os seus avós, em seguida vamos para a casa dos seus outros avós, para você brincar com os seus priminhos... Quer algo mais especial do que isso?"!

E foi assim que enterrei o meu "compromisso com a verdade". Afinal, mais fácil uma criança acreditar no Coelhinho da Páscoa do que na existência de pessoas capazes de matar Jesus, não é mesmo?

FONTE: Blog Amélia às Avessas

NOTA: Achei o texto uma gracinha, a escrita é leve e fluida, mas... Bom, por mais que as intenções da mãe sejam nobres, acho que seu principal compromisso com a verdade foi burlado por uma idéia equivocada da percepção da filhinha, da alegria infantil e do mercado cultural de massas. A verdade é que não foi o coelhinho quem morreu na cruz, não é ele a razão da Páscoa e talvez não dê (como, no caso dela, não deu) pra conciliar as duas histórias. A morte faz parte desta vida, e a criança começa a aprender isso pequena mesmo, quando morre um parente ou mesmo um animalzinho de estimação (o que é também doloroso, mas não dá pra colocar as crianças em bolhas de vidro, fora do mundo). Nós subestimamos as crianças, e deixamos de lhes dizer coisas importantes para tentar, falsamente, preservá-los. A idéia de que Jesus morreu mas viveu de novo poderia ter trazido, quem sabe, mais surpresa e fascinação que a imagem de um coelho que bota ovo de chocolate... 

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