Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)
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28 de out. de 2010
9 de mar. de 2010
Os dois?
2 de jul. de 2009
maranhão, engenhosa mentira (ou: o maranhão não é outro lugar)
Maranhão, engenhosa mentira
Sou maranhense. Nasci
O senador José Sarney, recém-empossado presidente do Senado em um jogo de caras barganhas políticas, parecia ter saído da cena política regional para dar lugar a ares mais democráticos, depois de amargar a derrota da filha Roseana na última eleição ao governo do Estado para o pedetista Jackson Lago. Mas eis que volta, por meio de manobras politicamente engenhosas e juridicamente questionáveis, para não dizer suspeitas, orquestrando a cassação do governador eleito, sob a acusação de crime eleitoral, conduzindo a filha outra vez ao trono de seu império. Suprema ironia, uma vez que paira sobre seus triunfos políticos a eterna desconfiança de manipulações eleitoreiras (a propósito, entre os muitos significados da palavra maranhão no dicionário há este: "mentira engenhosa").
Em recente entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disparou frase cruel: "Não vamos transformar o Brasil num grande Maranhão." A frase, de efeito, aludia a uma provável política de troca de favores praticada pelo Planalto atualmente - segundo acusação do ex-presidente -, baseada em jogo de interesses regionais tacanhos e tráfico de influências. Como alguém nascido no Maranhão, e que torce para que o Estado alcance um lugar digno na história do País (potencial para isso não lhe falta, afinal!), lamento o comentário de FHC, mas entendo a sua ironia, pois o Maranhão tornou-se, infelizmente, ao longo dos tempos, um emblema do que de pior existe na política brasileira. Não é de admirar que divida o ranking dos "piores" com Alagoas, outro Estado dominado por conhecidas dinastias familiares.
Em seus tempos de apogeu literário, São Luís, a capital do Maranhão, tornou-se conhecida como a "Atenas brasileira". Mais recentemente, pela reputação de cidade amante do reggae, ganhou a alcunha de "Jamaica brasileira". Não me espantará que num futuro próximo o Maranhão venha a ser chamado de "Uganda brasileira" ou "Haiti brasileiro". A semelhança com o quadro de absoluta miséria social a que dois célebres ditadores levaram estes países - além do apaixonado apego ao poder, claro - talvez justificasse os epítetos.
Texto de Zeca Baleiro, cantor e compositor, publicado no site da revista Istoé.
Meu comentário é: antes que alguém comece a dizer que eu sou contra o Maranhão, ou que eu quero humilhar os maranhenses, vou logo dizendo que sou maranhense, nascida em São Luis, em 1971... O que eu não sou é cega, sabe?







3 de abr. de 2009
Salmo 91

28 de mar. de 2009
um ano em paris...

8 de dez. de 2008
as deusas, as musas e os maridões

Outro dia parei em uma banca de jornal e comecei a folhear uma revista dessas. Lá estavam as “deusas”, as “musas” e os “maridões”. Sem encontrar termos novos, a mídia repete essas mesmas palavras ad nauseam. Da revista Caras à TV Brasil, lá estão eles. São personagens de nosso cotidiano no salão de beleza, na ante-sala do dentista, do médico e da esteticista. Não nos faltam na hora de enfrentar aqueles minutos chatos até a hora do atendimento.
Por “musa” entenda-se qualquer mulher que tenha feito comercial de cerveja. Tirou foto pelada? É musa. Colocou silicone nos peitos? É musa. Dos gregos resta uma vaga lembrança da idéia original, usada e abusada nestas terras tropicais. Da Sandy à Ana Maria Braga, todas são musas. Uma não-musa deveria ficar feliz: saiu da vala comum. O uso de “musa” está tão difundido que daqui a pouco vão substituir o “senhora” por musa. Senhora, mulher, deputada, senadora, prefeita, cantora, atriz, a lista é longa. Imaginem a revista Carta Capital, ou a Veja, chamando a ministra Dilma Roussef de “musa”. Não está longe de acontecer.
Pior que musa é deusa. Deusa ninguém merece. Me lembra uma amiga da minha mãe, uma senhora de mais de 50 anos que se chamava Deusa. A Dona Deusa. O chato é que “deusa” é usada quando falta outro nome. Ninguém mais diz “a atriz...” São todas “deusas”. Com a enorme safra de modelos-atrizes-apresentadoras, chamar alguém de atriz inadvertidamente pode até dar processo. Mas deusa pode, para tristeza da inculta e bela. Como praticamente todas as mulheres que aparecem em revistas de fofocas já se tornaram deusas, tenho a impressão de que vivemos numa Grécia revisitada, inclusive no critério numérico. Se antes as deusas eram poucas, hoje são centenas. Namorou jogador de futebol? É deusa. Posou pelada? É deusa. Fez novela? É deusa. E ainda existem as deusas do hortifruti, que são metade mulheres, metade frutas, e aí há fartura de melancias, jacas e morangos.
Mas nem só de deusas vivem as revistas de fofoca. Muitos homens são classificados de “maridões”. O maridão é uma categoria masculina em alta. Morou junto, namorou, casou, não importa: apareceu de bermudão e havaianas, andando de mãos dadas com alguma famosa de ocasião, é maridão. Existe uma necessidade absurda dessa imprensa por maridos. As mulheres adoram. Esposas são poucas, dada a abundância de musas e deusas, mas os maridos se multiplicam. A palavra “maridão”, em si, denota aquele homem meio indolente que anda sem camisa e acompanha a mulher famosa. É o marido que só é fotografado porque está ao lado da mulher conhecida. O sufixo de grau aumentativo confere uma idéia bondosa, paciente e bonachona ao homem que acompanha a “deusa”. Antes de cair em desgraça, o ex-marido da atriz Suzana Vieira, ela mesma uma musa-deusa, era o “maridão”. Por aí já dá pra imaginar. Deusas e musas não têm marido, têm “maridão”. Homens belos e conhecidos, em geral, são “gatos” e “galãs”. Aliás, “galã” é outra palavra coringa: se fez propaganda de cueca já é considerado galã. Qualquer coisa serve. Inventou a dança da manivela? É “gato”. Participou do programa da Ana Maria Braga? É “galã”. E por aí vai. Já homens quase desconhecidos, mas casados com mulheres conhecidas, são “maridões”.
Nada contra as musas, as deusas e os maridões. Muito pelo contrário. As palavras sinalizam quem é, de fato, absolutamente comum. Chamar alguém de "musa" é conferir à pessoa o certificado de mesmice. “Não há nada de interessante nela, é uma musa”. Se alguma reportagem fala de alguém que não é musa, nem deusa, nem maridão, bom, nesse caso deve ser alguém interessante.
12 de nov. de 2008
o governo Lula é uma piada, mesmo
O episódio da investigação de que está sendo vítima o delegado Protógenes Queiroz me faz lembrar de uma antiga piada que corria durante o período da ditadura militar.
Naquela época, os chamados Anos de Chumbo, uma simples patente de sargento já botava medo em qualquer cristão.
No ponto do ônibus, um sexagenário de cabelos brancos, irritado com o atraso da sua condução, resmungava em voz alta:
- Este País é uma merda...
Um soldado da PM, colega de fila, achou aquilo uma ofensa à pátria e ordenou ao cidadão que se calasse.
- Não me calo, não. Este País é mesmo uma merda...
Foi o bastante para que o soldado lhe desse voz de prisão e o levasse à delegacia mais próxima.
Chegando lá, o senhor se apresentou ao delegado: General Afonso de Souza José.
Surpreso e constrangido, o delegado desculpou-se mil vezes com o militar pelo mal-entendido e liberou-o. Em contra-partida, mandou prender o soldado.
Ao sair da delegacia, o general cruzou com o trêmulo e incrédulo rapaz que lhe havia dado voz de prisão e cochichou ao pé de seu ouvido:
- Não te falei que este País era uma merda?
17 de jun. de 2008
onde está o dinheiro?
PARA VER ESTE VÍDEO (E OUVIR A BELA MELODIA DE TOM JOBIM) VÁ PRIMEIRO NA CAIXA "MAYA_MUSIQUE", À ESQUERDA, E CLIQUE EM "PAUSE". DEPOIS VENHA AQUI E CLIQUE EM "PLAY".
SE NA PRIMEIRA PASSAGEM HOUVER INTERRUPÇÕES, EXPERIMENTE VER NA SEGUNDA!
FONTE: PORTAL UOL
15 de jun. de 2008
Luis Fernando Verissimo [8]
.8 de jun. de 2008
Luis Fernando Veríssimo [7]

FOTOGRAFIA: /lfv - Um guia sobre o escritor Luis Fernando Verissimo
2 de jun. de 2008
Luís Fernando Verissimo [6]

7 de mai. de 2008

4 de out. de 2007
Luis Fernando Veríssimo [5]

13 de set. de 2007
Danusa Leão [1]
Meninas de todo o Brasil, tenho um conselho valioso para dar aqui: se você acabou de conhecer um rapaz, ficou com ele algumas vezes e já está começando a imaginar o dia do seu casamento e o nome dos seus filhos, pare agora e me escute! Na próxima vez que encontrá-lo, tente (disfarçadamente) descobrir como é sua barriga. Se for musculosa, torneada, estilo "tanquinho", fuja! Comece a correr agora e só pare quando estiver a uma distância segura. É fria, vai por mim.

: )
Luis Fernando Veríssimo [3]
Autóctone.
O que queria dizer "autóctone"?
Autóctone, autóctone...
Aurélio!
-- Minha filha -- diria sua mãe. -- Que cara é essa?
Cara de autóctone. Não ia poder disfarçar. Confessaria para a sua melhor amiga, a Maura.
-- Descobri uma coisa horrível a meu respeito.
-- O quê? Conta!
-- Eu sou um autóctone.
-- Não!
-- Sou.
-- E isso pega?
-- Não faz diferença. Você também é uma autóctone.
-- EU?
Mas depois de descobrir o que era "autóctone" Maura daria um pulo de alegria, a nojenta.
Eu não sou. Eu não nasci aqui!
A menina faria a amiga jurar que não contaria para ninguém que ela era uma autóctone.
Autóctone.
Leu o que tinha escrito e depois acrescentou: "Tem gente que emigra só para não ser autóctone".
Começou outra vez:
"Nós, os autóctones..."
30 de ago. de 2007
Luis Fernando Veríssimo [2]
-- Alô?
-- Quem fala?
-- Quem quer saber?
-- Quem é, por favor?
-- Diga você quem é.
-- O Dr. Márcio está?
-- Quem quer saber?
-- Está ou não está?
-- Depende.
-- Depende do quê?
-- De quem quer saber.
-- É o...
-- Espere! Qual é o assunto?
-- O assunto é com o Dr. Márcio.
-- Pode dizer pra mim.
-- Mas quem é você?
-- Primeiro me diga quem é você.
-- Aqui é o...
-- Não use seu nome verdadeiro!
-- Por quê?
-- Use um pseudônimo.
-- Que história é essa? Por que pseudônimo?
-- Podem estar gravando.
-- Quem?
-- E eu sei?
-- Dr. Márcio... é o senhor?
-- Não. Meu nome é... deixa ver... Balduíno.
-- Você se chama Balduíno?
-- Claro que não. É pseudônimo. Invente um também.
-- Isto é ruidículo.
-- Eu vou desligar.
-- Está bem! Frajola.
-- "Frajola"?!
-- Jaime! Jaime!
-- Muito bem, Jaime. E qual é o assunto?
-- É com o Dr. Márcio.
-- Pode me dizer que eu transmito pro Márcio. Que também é um pseudônimo, claro.
-- "Márcio" não é o nome do Dr. Márcio?
-- Depende do assunto.
-- É sobre o pacote que ele encomendou do...
-- Espere! Não fale assim tão claramente. Use linguagem figurada.
-- Linguagem figurada?
-- É. Em vez de pacote, diga coisa. Não, "coisa" pode ser mal interpretada. Diga "encomenda".
-- A encomenda que ele encomendou do...
-- Não diga o nome!
-- Por quê?!
-- Não queremos incriminar ninguém.
-- Mas não há crime algum!
-- Isto vai depender da interpretação. Esta conversa já está pra lá de suspeita.
-- Eu só queria avisar ao Dr. Márcio que as lingüiças chegaram.
-- As lingüiças. Boa, boa.O pseudônimo de "encomenda".
-- Não, são lingüiças mesmo.
-- Um pacote de lingüiças?
-- É. Calabresas. Que o Dr. Márcio encomendou do... De alguém.
-- Já entendi! Já entendi tudo. Você é que está gravando este telefonema. Esta conversa toda é para me incriminar. Ou incriminar o Márcio. Pseudônimos. Linguagem figurada... Já vi tudo! Amanhã ela sai no Jornal Nacional e é óbvio que "pacote de lingüiças calabresas" vai parecer código.
-- Mas foi você que sugeriu os pseudônimos, a linguagem figurada, o...
-- Arrá! Vocês não me pegam. Nego tudo. Aliás, nem sou eu falando. Provem que sou eu.
-- Quer saber de uma coisa, seu Balduíno? Pra mim chega. O recado está dado. As lingüiças chegaram. Passe bem.
-- Espere. Agora me lembro. As lingüiças que eu encomendei. Calabresas. Claro, claro. Me lembrei.
-- É o senhor, Dr. Márcio?
-- É. Claro, claro, sou eu. Desculpe. Sabe como é. A gente vai ficando meio paranóico...
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