Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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6 de ago. de 2008

"pela liberdade nos meios de comunicação"


TV americana promove adultério no horário nobre, diz estudo

Um estudo denuncia que a indústria da TV americana promove o adultério e a promiscuidade nos programas de maior audiência, afirmou o Conselho de Pais para a Televisão (PTC, na sigla em inglês).

O relatório denuncia que as redes de TV quase não mostram cenas sexuais no contexto do casamento ou as representa como uma "carga", enquanto acentua atrativos de outros tipos de relações.

Os dados reunidos sobre conteúdos exibidos pelas principais redes dos EUA refletiram que as cenas de adultério superaram em uma proporção de dois para um as imagens íntimas de casais.
Além disso, o sexo sem casamento superou por quatro a um as relações sexuais matrimoniais.

"A TV sugere que muitos buscam minar o casamento ao tratá-lo de forma negativa, mas mais problemático que a glorificação do sexo extramatrimonial é a obsessão por ensinar comportamentos que há uma década teriam sido impróprios para a televisão", afirmou o presidente do PTC, Tim Winter.

Referências a situações sexuais que antes não apareciam em horário nobre, como relações grupais, de mudança de casal, pedofilia, necrofilia e fetichismo, se encontram agora na programação de forma abundante.

"Comportamentos que antes eram vistos como imorais ou socialmente destrutivos receberam sinal verde da indústria da TV. Recentes estudos mostram que as crianças são influenciadas por essas mensagens", assegurou Winter.

A pesquisa se baseou em horários de maior audiência das emissoras "ABC", "CBS", "FOX", "NBC" e "CW" durante quatro semanas no início da temporada 2007-2008 da TV, entre setembro e outubro do ano passado.

A "ABC" foi a rede com mais alusões a sexo no casamento, "embora a maior parte delas negativas", segundo menciona o relatório, que destaca que nesse mesmo canal o sexo sem casamento prévio apareceu em um contexto positivo.
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COLABORAÇÃO: Paula Felix Costa
FONTE: Yahoo

30 de mai. de 2008

do site da revista/editora Ultimato


Sobre casamento e amor
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Não é bom que o homem esteja só far-lhe-ei uma companheira que lhe seja suficiente.” (Gn 2.18)
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Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com outras alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que o amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que “já não se amam mais”, como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas.
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Talvez por estas duas razões -- o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência -- nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo “até que a morte vos separe”, cresce a cada dia.
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Acredito que existe uma peça do quebra-cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessidade de desmistificar este conceito de amor que serve de base para a vida a dois. Afinal de contas, o que é o amor conjugal? Para muitas pessoas, o amor conjugal é confundido com a paixão. Paixão é aquela sensação arrebatadora que nos faz girar por algum tempo ao redor de uma pessoa como se ela fosse o centro do universo e a única razão pela qual vale a pena viver. Esta paixão geralmente vem acompanhada de uma atração quase irresistível para o sexo, e não raras vezes se confunde com ela. Assim, palavras como amor, paixão e tesão acabam se fundindo e tornando-se quase sinônimas.
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Este conceito de amor justifica afirmações do tipo: “sem amor nenhum casamento sobrevive”, “sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena”, “é o sexo apaixonado que dá o tempero para o casamento”.
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Minha impressão é que todas estas são premissas absolutamente irreais e falsas. Deus justificou a vida entre homem e mulher afirmando que não é bom estar só. Nesse sentido, casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante. Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase. Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia. Casamento tem a ver com a certeza da presença no dia do fracasso e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade. Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório. Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos. A certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado.
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Nesse sentido, não é certo dizer que sem amor nenhum casamento sobrevive, mas sim que sem casamento nenhum amor sobrevive. Não é certo dizer que sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena, mas sim que sem relacionamento nenhuma paixão vale a pena. Não é o sexo apaixonado que dá o tempero para a vida a dois, mas a vida a dois que dá o tempero para o sexo apaixonado. Uma coisa é transar com um corpo, outra é transar com uma pessoa. Quão mais valiosa a pessoa, mais prazeroso e intenso o sexo. Quão menos valorizada a pessoa, mais banal a transa.
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Assim, creio que podemos resumir a vida a dois, entre homem e mulher, idealizada por Deus, em três palavras que descrevem um casal bem-sucedido:
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Um casal bem-sucedido é um par de amantes.
Um casal bem-sucedido é um par de amigos.
Um casal bem-sucedido é um par de aliados.
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São três letras A que fornecem a base de uma relação duradoura. Amante se escreve com A. Amigo se escreve com A. Aliado se escreve com A. E não creio ser mera coincidência o fato de que todas as três, amante, amigo e aliado, se escrevem com A... A de amor.
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Texto de Ed René Kivitz, teólogo, com mestrado em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, e pastor presidente da Igreja Batista de Água Branca, SP. É também palestrante e escritor, e dentre suas obras mais conhecidas estão "Vivendo com propósitos" e "Outra Espiritualidade", ambas publicados pela Editora Mundo Cristão. O texto está publicado no site da Editora/revista Ultimato.
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FOTOGRAFIA: Web

26 de nov. de 2007

ADIVINHA O QUE É?

FOTOGRAFIA: Mayalu Felix - Alcântara, Maranhão.

O amor é o quê? Dá-se inteiramente, faz sem ser pedido, ama o que não é amável, secretamente deseja o bem ao desafeto. Amor de paixão quer beijar na boca como se fosse a primavera, como se fossem os 15 anos, como se fosse a primeira e a última vez. Amor quer deitar juntinho na grama e olhar o céu de mãos dadas. Amor quer falar besteira, implicar com a bagunça do quarto, fazer comidinha só pro outro comer e ficar feliz. Amor não se importa com barriguinha, amor não quer corpo de modelo. Amor quer olhar apaixonado que atrapalha a respiração. Amor quer pé roçando no pé de noite, na cama, debaixo do edredom. Amor quer cheiro no cangote, que faz cosquinha e arrepia. Amor quer preocupação com o que você come, olha o colesterol, isso você não pode, já tomou o remédio hoje? Amor quer café fresquinho pra ver o final da tarde junto. Amor quer rir junto vendo filme antigo, ou recente, ou qualquer filme, o melhor é estar junto, não é o filme. Amor quer dengo, quer café na cama, quer tomar banho juntinho, esfregar as costas, lavar os cabelos. Amor quer ler poesias para o outro com voz de sereia, e se o outro dormir... ai, eu estou lendo pra você, acorda! Amor quer fazer amor com carinho uns dias, em outros quer entrar no cio. Amor quer tudo e nada. Amor quer amar, e chora quando pensa que o amado é tão lindo, e que ele é cheio de defeitos adoráveis, que combinam com os seus, ai será que ele acha meus defeitos adoráveis? Ai, será que ele me ama? Ai, você hoje está diferente. Olha, vamos discutir a relação, tô sentindo um clima estranho. Amor sabe que se for viver junto vai brigar, encher o saco, vai virar meio que "irmão", mas amor quer fazer compra de mercearia junto, quer lavar louça junto e fofocar sobre os problemas da família. Amor quer tudo, quer filhinho na barriga, quer filhinho chutando e mexendo, e o outro ouvindo e amando ouvir. Amor quer planos, mesmo sabendo que a morte chega um dia, essa indesejada das gentes. Indesejada dos que amam... Amor quer... Amor ama, amor curte solidão a dois, amor quer encher a casa de bichos e plantas, e o outro amor não quer, mas por que? Amor quer andar de mãos dadas, coisa besta, mas quando as mãos se tocam o corpo recebe uma descarga elétrica fatal, vai direto pro coração e acelera os batimentos! O Ministério da Saúde adverte: Amar faz bem à saúde. Amor é ungüento, amor é bálsamo, amor é aprendizagem. Amor é olhar pro lado, pro outro. Amor não cabe nessas linhas. Amor não cabe neste Blog. Cabe no colchão de amar, mas não neste Blog.

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Mayalu Felix
26 de novembro de 2007!
Hoje!
São Luis, França Equinocial.

22 de nov. de 2007

Adélia Prado

Casamento


Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.




Texto extraído do livro Adélia Prado - Poesia Reunida, Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, p. 252.



NOTA: Já é a terceira vez que posto esta poesia aqui... Como me encanta! Que sublime, uma poesia que explode em luzes e bolhas de sabão, e as cores das bolhas de sabão na luz... Eu sinto essa alegria quando a leio. E quanta felicidade, quanta profundidade nessa coisa simples e besta que é o amor! E tão essencial... Como diz a Clarice Lispector... "Sinto a falta dele como se me faltasse um dente na frente: excrucitante".

8 de nov. de 2007

Casamentos, Frescobol e Tênis

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os relacionamentos são de dois tipos: Há os relacionamentos do tipo tênis e há os relacionamentos do tipo frescobol. Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os relacionamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: "Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até sua velhice?' Tudo o mais no relacionamento, ou no casamento, é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar."

Sherazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O Império dos Sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer.

Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E, contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: "Eu te amo..." Barthes advertia: "Passada a primeira confissão, 'eu te amo' não quer dizer mais nada." É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: "Erótica é a alma".

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra pois o que se deseja é que ninguém erre.

E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras.

Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá... Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...


Autor desconhecido [mudei algumas coisas no texto, se alguém souber de quem é, me diga, plís!].

ESCLARECIMENTO: Autor já identificado. O Edemir Antunes (link para o Blog nos meus "recomendados") me esclareceu: este texto é do Rubem Alves (ver comentários): ALVES, Rubem. O retorno e terno. Campinas: Papirus, 1992.

***


COLABORAÇÃO: meu primo querido, Jô. E Edemir Antunes, cyberamigo e irmão em Cristo.

9 de out. de 2007

Acerca das filmagens‏

De: Paula Moreira (PaulaM@gov.br)
Enviada: terça-feira, 9 de outubro de 2007 19:16:40
Para: [muita gente, eu no meio]


Às amigas cujos maridos possuem essa verve cinematográfica, como uma sugestão. E aos amigos q pensavam em fazer algo assim, como um aviso.
Bjs,
Paula.


Casamos novos. Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, mobílias na casa alugada, prestações da casa própria e o primeiro bebê. Anos oitenta e a moda era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha um vizinho ou amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambazinha por um preço módico.

Ela tinha vergonha, mas eu desejava eternizar aquele momento. Invadi a sala de parto com a câmera no ombro e chorei enquanto filmava o parto do meu primeiro filho. Todo mundo que chegava lá em casa era obrigado a assistir ao filme. Perdi a conta das cópias que fiz do parto e distribuí entre amigos, parentes e parentes dos amigos. Meu filho e minha esposa eram o meu orgulho.

Três anos depois, novo parto, nova filmagem, nova crise de choro. Como ela categoricamente disse que não queria que eu filmasse, invadi a sala de parto mais uma vez com a câmera ao ombro. As pessoas que me conhecem sabem que havia apenas amor de pai e marido naquele ato. O fato de fazer diversas cópias da fita era apenas uma demonstração de meu orgulho como pai.

Nada que se comparasse ao fato de ela, essa semana, invadir a sala do meu urologista, câmera ao ombro, filmando o meu exame de próstata. Eu lá, com as pernas naquelas malditas perneiras, o cara com um dedo (ele jura que era só um!) quase na minha garganta e a mulher gritando: Ah! Doutor! Que maravilha! Vou fazer duas mil cópias dessa fita! Semana que vem estou enviando uma para o senhor!Meus olhos saindo da órbita a fuzilaram, mas a dor era tanta que não conseguia falar. O miserável do médico girou o dedo e eu vi o teto a dois centímetros do meu nariz. A mulher continuou a gritar, como um diretor de cinema: - Isso, doutor! Agora ! gire de novo, mais devagar. Vou dar um close agora...

Alcancei um sapato no chão e joguei na maldita. Agora, estou escrevendo este e-mail, pedindo aos amigos que receberem uma cópia do filme, que o enviem de volta para mim. Eu pago o reembolso.
.
NOTA: Minha irmã, a Paula, acabou de me mandar... : )

26 de set. de 2007

Rápida e indolor [15]


O casal tá a mil no quarto... Ela já não agüenta mais... "Eu tô indo, eu tô indo..." E ele tá no limite: "EU TAMBÉM VOU!!! EU TAMBÉM VOU!!!".

Do lado de fora, desesperado, o Joãozinho começa a bater na porta do quarto: "VOCÊS VÃO PRA ONDE A ESSA HOOOORAAAAA??? E EU VOU FICAR COM QUEEEEEM??? BUÁÁÁÁ!!!
.
Colaboração: Rodney.

Rápida e indolor [14]

MULHER: Se eu morresse você casava outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER: Não?! Não por quê?! Não gosta de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto!
MULHER: Então por que é que não casava de novo?
MARIDO: Está bem, casava...
MULHER: (Com um olhar magoado): Casava?
MARIDO: Casava. Só porque foi bom com você...
MULHER: E dormiria com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que você queria que nós dormíssemos?
MULHER: E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO: É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não dirige...
MULHER: : O (longo silêncio)
MARIDO: (em pensamento ) PUTZ!!!

NOTA DA MAYA: MORAL DA HISTÓRIA: SEM MORAL. MANDE ESSE ENGRAÇADINHO MORAR DE VOLTA COM A MÃE DELE. DOE SUAS CUECAS, GRAVATAS, CAMISAS, CALÇAS E MEIAS -- MAS SÓ AS MAIS NOVAS, AS DE GRIFE, AQUELAS DE QUE ELE MAIS GOSTA -- ELE NÃO PODE VIVER PELADO. FAÇA BIGODINHOS, CHIFRES E DENTES PRETOS EM SUAS FOTOGRAFIAS. SE PUDER, ARRANHE SEU CARRO NOVO. NÃO VAI MUDAR NADA, MAS VOCÊ VAI SE SENTIR MENOS ARRASADA.
.
Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

25 de set. de 2007

Fausto Wolff [1]

Passarinho
.
Não é tua mãe, não é tua irmã
Nem poderia ser prima ou tia
Mas é sempre uma confusão
Maior do que a festa pedia.
É um troço tão louco,
Tão esculhambado que,
de repente, você se vê.
Abraçado, beijado, noivado
E casado.

Fausto Wolff, em Gaiteiro Velho.

11 de set. de 2007

Adélia Prado [2]


Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão. O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Adélia Prado

Texto extraído do livro Adélia Prado - Poesia Reunida, Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, p. 252.
FOTOGRAFIA: Meus avós paternos no dia de seu casamento. Arquivo pessoal.

O Maior Cântico


Beije-me com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho. Para cheirar são bons os teus ungüentos; como ungüento derramado é o teu nome; por isso, as virgens te amam. (...)

O meu amado é para mim um ramalhete de mirra; morará entre os meus seios. Como um cacho de Chipre nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. (...) Eis que és gentil e agradável, ó amado meu; o nosso leito é viçoso. As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas , de cipreste.

Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar. Levou-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor. Sustentai-me com passas, conforta-me com maçãs, porque desfaleço de amor. A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.


Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o meu amor, até que queira. Esta é a voz do meu amado; ei-lo aí, que já vem saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros. O meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho do corço; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, reluzindo pelas grades.

O meu amado fala e me diz: "Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem. Porque eis que passou o inverno: a chuva cessou e se foi. Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra. A figueira já deu os seus figuinhos, e as vides em flor exalam o seu aroma. Levanta-te, amiga minha, formosa minha, e vem. Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me a tua face, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e a tua face, aprazível."

O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.

"Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuraste."

O meu amado é cândido e rubente; ele traz a bandeira entre dez mil. A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos são crespos, pretos como o corvo. Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes de águas, lavados em leite, postos em engaste. As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como colinas de ervas aromáticas; os seus lábios são como lírios que gotejam mirra. As suas mãos são como anéis de ouro que têm engastadas as turquesas; o seu ventre, como alvo marfim, coberto de safiras. As suas pernas, fundadas sobre bases de ouro puro; o seu aspecto, como o Líbano, excelente como os cedros. O seu falar é muitíssimo suave; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, e tal o meu amigo, ó filhas de Jerusalém.

Trechos de Cantares, ou Cântico dos Cânticos, Bíblia Sagrada.
Fotografias: imagens do Líbano.

8 de set. de 2007

Adélia Prado [1]


Casamento

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Texto extraído do livro Adélia Prado - Poesia Reunida, Ed. Siciliano - São Paulo, 1991, p. 252.

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