Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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16 de mai. de 2008

Letras em...

20 vagas para Letras na Universidade Federal de Uberlândia - MG
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Concurso Público para Professor de Letras na Universidade Federal de Uberlândia
Instituto de Letras e Lingüística.
Telefone: 34 3239 4162.
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Área I: Língua Portuguesa e Lingüística: Sintaxe.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Doutorado em Letras, Lingüística, Língua Portuguesa ou Ciências (neste caso, desde que nas áreas anteriormente citadas: Letras, Lingüística ou Língua Portuguesa) com especialidade em Sintaxe, devidamente comprovada pela tese e produção científica.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área II: Língua Portuguesa e Lingüística: Fonologia.
Nº de Vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Doutorado em Letras, Lingüística, Língua Portuguesa ou Ciências (neste caso, desde que nas áreas anteriormente citadas: Letras, Lingüística ou Língua Portuguesa) com especialidade em Fonologia, devidamente comprovada pela tese e produção cientifica.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área III: Língua Portuguesa e Lingüística: Sociolingüística Variacionista.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Doutorado em Letras, Lingüística, Língua Portuguesa ou Ciências (neste caso, desde que nas áreas anteriormente citadas: Letras, Lingüística ou Língua Portuguesa) com especialidade em Sociolingüística Variacionista, devidamente comprovada pela tese e produção cientifica.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área IV: Língua Portuguesa e Lingüística: Prática de Ensino de Língua Portuguesa.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Licenciatura Plena em Letras, Língua Portuguesa, Lingüística ou Lingüística Aplicada e Doutorado em Lingüística Aplicada, Lingüística, Letras ou Língua Portuguesa com especialidade em Ensino de Língua Portuguesa, devidamente comprovada pela tese e produção científica.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área V: Língua Portuguesa e Lingüística: Prática de Ensino de Língua Portuguesa.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Licenciatura Plena em Letras, Língua Portuguesa, Lingüística ou Lingüística Aplicada e Doutorado em Lingüística Aplicada, Lingüística, Letras ou Língua Portuguesa com especialidade em Ensino de Língua Portuguesa, devidamente comprovada pela tese e produção científica.
Regime de Trabalho: 20 horas semanais.
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Área VI: Língua Latina, Literatura Latina e Filologia Românica.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Graduação: Licenciatura em Letras ou Lingüística e Doutorado no Universo das áreas do CNPq de Letras, Lingüística, Letras Clássicas e Filologia e Língua Portuguesa.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área VII: Língua Latina, Literatura Latina e Filologia Românica.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Graduação: Licenciatura em Letras ou Lingüística e Doutorado no Universo das áreas do CNPq de Letras, Lingüística, Letras Clássicas e Filologia e Língua Portuguesa.
Regime de Trabalho: 20 horas semanais.
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Área VIII: Língua Inglesa e Literaturas de Língua Inglesa.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras e/ou Lingüística (Licenciatura Plena ou Bacharelado) e Doutorado em Letras ou Doutorado em Letras e Lingüística ou Doutorado em Lingüística ou Doutorado em Lingüística Aplicada ou Doutorado em Língua Inglesa.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área: IX: Língua Inglesa: Estudos Descritivos.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras e/ou Lingüística (Licenciatura Plena ou Bacharelado) e Doutorado em Letras ou Doutorado em Letras e Lingüística ou Doutorado em Lingüística ou Doutorado em Lingüística Aplicada ou Doutorado em Língua Inglesa.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área: X: Língua Inglesa e Lingüística Aplicada.
Nº de vagas: 02.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras e/ou Lingüística (Licenciatura Plena ou Bacharelado) e Doutorado em Letras ou Doutorado em Letras e Lingüística ou Doutorado em Lingüística ou Doutorado em Lingüística Aplicada ou Doutorado em Língua Inglesa.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Área: XI: Língua Inglesa com concentração em Metodologia e Prática de Ensino.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras e/ou Lingüística (Licenciatura Plena ou Bacharelado) e Doutorado em Letras ou Doutorado em Letras e Lingüística ou Doutorado em Lingüística ou Doutorado em Lingüística Aplicada ou Doutorado em Língua Inglesa.
Regime de Trabalho: 20 horas semanais.
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Área: XII: Língua Francesa e Literaturas de Expressão Francesa.
Nº de vagas: 01.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras e/ou Lingüística (Licenciatura Plena ou Bacharelado) e Doutorado em Letras ou Doutorado em Letras e Lingüística ou Doutorado em Lingüística ou Doutorado em Lingüística Aplicada ou Doutorado em Língua Francesa.
Regime de Trabalho: 40 horas semanais.
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Área: XIII: Língua Francesa e Didática do Ensino de Francês como Língua Estrangeira (FLE)
Nº de vagas: 03.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras e/ou Lingüística (Licenciatura Plena ou Bacharelado) e Doutorado em Letras ou Doutorado em Letras e Lingüística ou Doutorado em Lingüística ou Doutorado em Lingüística Aplicada ou Doutorado em Língua Francesa.
Regime de Trabalho: 20 horas semanais.
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Área: XIV: Literatura e Ensino de Literatura.
Nº de vagas: 04.
Qualificação mínima exigida: Graduação em Letras: Licenciatura e Doutorado em Letras.
Regime de Trabalho: Dedicação Exclusiva.
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Local de Inscrições: Bloco U, Sala 201, Campus Santa Mônica, Uberlândia - MG
Telefone: 34 3239 4162.
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Visite a página do CiFEFiL (http://www.filologia.org.br) e participe de seus eventos.
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Ajude-nos a divulgar o XII CONGRESSO NACIONAL DE LINGÜÍSTICA E FILOLOGIA.
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Adquira uma publicação do CiFEFiL na página http://www.filologia.org.br/livraria
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ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA - texto completo em PDF(http://www.filologia.org.br/acordo_ortografico.pdf)
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Vagas na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás
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Estão abertas as inscrições para concurso para professores efetivos na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Goiás, nas seguintes áreas:
- Língua e Literatura Francesa (Assistente - Mestrado - 1 vaga)
- Língua Espanhola e Ensino de Língua Espanhola (Assistente - Mestrado - 2 vagas)
- Língua Portuguesa e Ensino de Língua Portuguesa (Adjunto - Doutorado - 1 vaga)
- Teoria Literária e Ensino da Literatura (Adjunto - Doutorado - 1 vaga)
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Informações e editais: http://200.137.221.78/CONCURSOS_WEB/
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Universidade Federal de Pelotas - RS
Concurso Público - UFPEL
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Edital 003/2008 http://ces.ufpel.edu.br
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Professor Efetivo Adjunto - Carreira Magistério Superior
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Língua Portuguesa e Ensino de Língua Portuguesa
01 vaga
Licenciatura em Letras / Habilitação Português / Doutorado em Letras / LingüísticaDoutorado em Educação / Ensino de Língua
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Ensino de Literatura e Estágios de Literatura
01 vaga
Licenciatura em Letras / Doutorado em Letras / Literatura Brasileira ou Literatura Comparada ou Literaturas de Língua Portuguesa
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Período de inscrições: de 29 de abril a 23 de maio de 2008
Informações: (53) 3222-4060 ces@ufpel.edu.br e http://ces.ufpel.edu.br
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31 de out. de 2007

Maurizzio Gnerre [2]

1. Uma perspectiva histórica

Associar a uma variedade lingüística o poder da escrita foi nos últimos séculos da Idade Média uma operação que respondeu a exigências políticas e culturais. Eram grandes as diferenças entre as variedades lingüísticas correntes e o latim, modelo de língua e de poder, na europa da Idade Média. As variedades lingüísticas associadas com a escrita passaram por um claro processo de "adequação" lexical e sintática, no qual o modelo era sempre o latim. Nas obras do Rei Alfonso X, que "traduzia" no século XIII do latim para o castelhano, encontramos constantemente termos emprestados do latim e introduzidos na variedade usada com uma explicação anexa: tirano, que quiere dezir rey cruel. Colocar uma variedade oral nos moldes da língua escrita (tendo em vista a complexidade do latim) foi operação complexa, principalmente na sintaxe. Na área das conjunções e da subordinação, por exemplo, até o estabelecimento de expressões do tipo "apesar de", "a fim de ", etc., o processo foi demorado. Nos textos mais antigos as ambigüidades que muitas vezes encontramos são devidas exatamente ao fato de que umas construções usadas na língua escrita estavam ainda em fase de elaboração e definição. As línguas românicas levaram tempo para chegar a ser variedades escritas de complexidade comparável à do modelo que visavam, o latim.

A segunda etapa no processo de fixação de uma norma foi constituída pela associação da variedade já estabelecida como língua escrita com a tradição gramatical greco-latina. A tradição gramatical até o começo da idade moderna era associada somente com as duas línguas clássicas.

O pensamento lingüístico grego apontou o caminho da elaboração ideológica de legitimação de uma variedade lingüística de prestígio. Desde o "legislador" platônico que impõe e escolhe os nomes apropriados dos objetos, até chegar à tradição gramatical divulgada, estruturada talvez na época alexandrina, a elaboração da ideologia e da reflexão relativas à linguagem foi constante. Na nossa perspectiva atual, nos primórdios desta tradição da especulação lingüística se coloca Platão e a visão quase que mítica de um originário escolhedor de nomes que atribuía os nomes apropriados aos objetos. Tal visão estava ainda longe do processo de elaboração nos moldes conceituais dentro dos quais foi colocada a língua grega na idade alexandrina, e mais tarde a língua latina. Era inspirada porém pela atitude de total confiança no valor da língua ática, que merecia mitos de origem e especulação lógico-filosófica.

Somente com o começo da expansão colonial ibérica, na segunda metade do século XV, e com a estruturação definitiva dos poderes centrais dos estados europeus, os moldes da gramática greco-latina (segundo a tradição de sistematização de Dionísio da Trácia) foram utilizados para valorizar as variedades lingüísticas escritas, já associadas com os poderes centrais e/ou com as regiões economicamente mais fortes. A afirmação de uma variedade lingüística era, no caso da Espanha e de Portugal do fim do século XVI, uma dupla afirmação de poder: em termos internos, em relação às outras variedades lingüísticas usadas na época que eram quase que automaticamente reduzidas a "dialetos" e, em termos externos, em relação às línguas dos povos que ficavam na área da influência colonial. Na introdução da primeira gramática de uma língua diferente das duas línguas clássicas, a da língua castelhana, de Antonio de Nebrija (1492), encontramos as justificativas da existência da mesma gramática. Tais justificativas são colocadas em termos de utilidade da sistematização gramatical para a difusão da língua entre os povos "bárbaros". No contexto da corrida para as conquistas coloniais e da concorrência entre Espanha e Portugal é facilmente explicável o fato de que começasse a ser elaborada para a língua portuguesa uma construção ideológica para elevá-la e para ordená-la nos moldes gramaticais. Fernão de Oliveira, na introdução da sua gramática de 1536, mencionava a expansão da língua portuguesa entre os povos das terras descobertas e conquistadas. Foi João de Barros, porém, que realmente considerou o papel da língua portuguesa na expansão colonial. O que é relevante aqui é evidenciar que nem Nebrija, nem Fernão de Oliveira, nem João de Barros perceberam a operação da qual eles estavam participando em termos de uso interno da variedade "gramaticalizada". A língua era um instrumento cujo poder nas relações externas era reconhecido; os autores, porém, não mencionavam o instrumento de poder interno, apesar de termos alguns indícios também nesta direção. Assim, Nebrija escrevia na introdução da sua gramática: "a língua sempre acompanhou a dominação e a seguiu, de tal modo que juntas cresceram, juntas floresceram e, afinal, sua queda foi comum." João de Barros, quase cinqüenta anos depois, apresentava uma visão mais articulada: a língua é para ele (no Diálogo em Louvor da nossa Linguagem) um instrumento para a difusão da "doutrina" e dos "costumes", mas não é somente instrumento de difusão, pois "as armas e padrõesportugueses [...] materiais são e pode-os o tempo gastar, pero não gastará a doutrina, costumes e a linguagem que os Portugueses nestas terras deixaram". Quer dizer, a língua será o instrumento para perpetuar a presença portuguesa, também quando a dominação acabe.

A legitimação é um processo que tem como componente essencial a criação de mitos de origem. Assim, quando a gramática das línguas românicas foi instituída como um dos instrumentos de legitimação do poder de uma variedade lingüística sobre as outras, desenvolveu-se toda uma perspectiva ideológica visando a justificá-la. Desde a metade do século XVI, começou uma corrida dos letrados e dos humanistas para conseguir demonstrar genealogias míticas para as línguas das casas reinantes às quais serviam. Johan Van Gorp Becan, de Antuérpia, propunha em 1569 que todas as línguas fossem derivadas das línguas germânicas e Guillelm Posters e Stefano afirmavam que a língua dos antigos gauleses era a originária, para demonstrar a propriedade do francês. O valor do instrumento da linguagem era claramente apreciado no século XVI e a construção de aparato mítico-ideológico em torno das línguas de "cultura" foi um emprenho sério dos letrados e humanistas.

Leite de Vasconcelos (1931, p. 865), referindo-se à história da tradição gramatical e filosófica portuguesa entre o século XVI e a idade pombalina, escreveu que "este período da nossa filologia pode caracterizar-se pelo seguinte: preocupação, nos gramáticos, da semelhança da gramática latina com a portuguesa... e sentimento patriótico da superioridade da língua portuguesa em face das outras, principalmente da castelhana, sua concorrente temível".

A língua dos gramáticos é um produto elaborado que tem a função de ser uma norma imposta sobre a diversidade. Duarte Nunes de Leão, na Origem da Língua Portuguesa (1606) escrevia: "E por muita semelhança que a nossa língua tem com ella (a latina) e que he a maior que nenhua língua tem com outra, & tal que em muitas palavras & periodos podemos fallar, que sejão juntamente latinos & portugueses". Falando de tal semelhança, Nunes de Leão se refere, na realidade, ao produto lingüístico do trabalho literário e gramatical, à língua "construída" durante séculos de elaboração contínua para ser utilizada como língua do poder político e cultural. Por isto ele aponta o "bom uso" lingüístico da corte e alerta contra as possíveis influências negativas de proveniência plebéia.

A distância entre a língua codificada na gramática e a realidade da variação devia ser enorme já na época em que a associação entre uma variedade e a escrita, antes, e a tradição gramatical, depois, foram realizadas. M. Bakhtin-V. Voloshinov aponta as relações entre a sistematização formalista e a produção cultural:

Os criadores - iniciadores de novas correntes ideológicas - nunca sentem necessidade de formalizar sistematicamente. A sistematização aparece quando nos sentimos sob a dominação de um pensamento autoritário aceito como tal. É preciso que a época de criatividade acabe: só aí é que então começa a sistematização-formalização; é o trabalho dos herdeiros e dos epígonos dominados pela palavra alheia que parou de ressoar. A orientação da corrente em evolução nunca pode ser formalizada e sistematizada. Esta é a razão pela qual o pensamento gramatical formalista e sistematizante desenvolveu-se com toda plenitude e vigor no campo das línguas mortas e, ainda, somente nos casos em que essas línguas perderam, até certo ponto, sua influência e seu caráter autoritário sagrado. A reflexão lingüística de caráter formal-sistemático foi inevitavelmente coagida a adotar em relação às línguas vivas uma posição conservadora, isto é, a tratar a língua viva como se fosse algo acabado, o que implica uma atitude hostil em relação a todas as inovações lingüísticas. (1979: 89)

(...)

GNERRE, Maurizzio. Linguagem, Escrita e Poder. São Paulo: Martins Fontes, 1987, p. 7-12.

28 de set. de 2007

Eclesiastes, Ecclesiaste, Eclesiastés, Ecclesiaste, Ecclesiastes, Prediger, Ecclesiastes

Tudo tem o seu tempo determinado, e há um tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
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Il y a un temps pour tout, un temps pour toute chose sous les cieux : un temps pour naître, et un temps pour mourir; un temps pour planter, et un temps pour arracher ce qui a été planté ; un temps pour tuer, et un temps pour guérir ; un temps pour abattre, et un temps pour bâtir ; un temps pour pleurer, et un temps pour rire ; un temps pour se lamenter, et un temps pour danser ; un temps pour lancer des pierres, et un temps pour ramasser des pierres ; un temps pour embrasser, et un temps pour s'éloigner des embrassements ; un temps pour chercher, et un temps pour perdre ; un temps pour garder, et un temps pour jeter ; un temps pour déchirer, et un temps pour coudre ; un temps pour se taire, et un temps pour parler ; un temps pour aimer, et un temps pour haïr ; un temps pour la guerre, et un temps pour la paix.

Todo tiene su tiempo, y todo lo que se quiere debajo del cielo tiene su hora. Tiempo de nacer, y tiempo de morir; tiempo de plantar, y tiempo de arrancar lo planatado; tiempo de matar, y tiempo de curar; tiempo de destruir, y tiempo de edificar; tiempo de llorar, y tiempo de reír; tiempo de endechar, y tempo de bailar; tiempo de esparcir piedras, y tiempo de juntar piedras; tiempo de abrazar, y tiempo de abstenerse de abrazar; tiempo de buscar, y tiempo de perder; tiempo de guardar, y tiempo de desechar; tiempo de romper, y tiempo de coser; tiempo de callar, y tiempo de hablar; tiempo de amar, y tiempo de aborrecer; tiempo de guerra, y tiempo de paz.

Per ogni cosa c'è il suo momento, il suo tempo per ogni faccenda sotto il cielo. C'è un tempo per nascere e un tempo per morire, un tempo per piantare e un tempo per sradicare le piante. Un tempo per uccidere e un tempo per guarire, un tempo per demolire e un tempo per costruire. Un tempo per piangere e un tempo per ridere, un tempo per gemere e un tempo per ballare. Un tempo per gettare sassi e un tempo per raccoglierli, un tempo per abbracciare e un tempo per astenersi dagli abbracci. Un tempo per cercare e un tempo per perdere, un tempo per serbare e un tempo per buttar via. Un tempo per stracciare e un tempo per cucire, un tempo per tacere e un tempo per parlare. Un tempo per amare e un tempo per odiare, un tempo per la guerra e un tempo per la pace.

There is an appointed time for everything, and a time for every affair under the heavens. A time to be born, and a time to die; a time to plant, and a time to uproot the plant. A time to kill, and a time to heal; a time to tear down, and a time to build. A time to weep, and a time to laugh; a time to mourn, and a time to dance. A time to scatter stones, and a time to gather them; a time to embrace, and a time to be far from embraces. A time to seek, and a time to lose; a time to keep, and a time to cast away. A time to rend, and a time to sew; a time to be silent, and a time to speak. A time to love, and a time to hate; a time of war, and a time of peace.

Ein jegliches hat seine Zeit, und alles Vornehmen unter dem Himmel hat seine Stunde. Geboren werden und sterben, pflanzen und ausrotten, was gepflanzt ist, würgen und heilen, brechen und bauen, weinen und lachen, klagen und tanzen, Stein zerstreuen und Steine sammeln, herzen und ferne sein von Herzen, suchen und verlieren, behalten und wegwerfen, zerreißen und zunähen, schweigen und reden, lieben und hassen, Streit und Friede hat seine Zeit.

Omnia tempus habent, et momentum suum cuique negotio sub caelo: tempus nascendi et tempus moriendi, tempus plantandi et tempus evellendi quod plantatum est, tempus occidendi et tempus sanandi, tempus destruendi et tempus aedificandi, tempus flendi et tempus ridendi, tempus plangendi et tempus saltandi, tempus spargendi lapides et tempus eos colligendi, tempus amplexandi et tempus longe fieri ab amplexibus, tempus quaerendi et tempus perdendi, tempus custodiendi et tempus abiciendi, tempus scindendi et tempus consuendi, tempus tacendi et tempus loquendi, tempus dilectionis et tempus odii, tempus belli et tempus pacis.
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8 de set. de 2007

Vida Simples [4]

Por que as pessoas gesticulam enquanto falam?

Porque, assim como a fala, os gestos fazem parte da comunicação humana. "São movimentos do corpo empregados para comunicar idéias, intenções e sentimentos. Podem negar ou dar ênfase ao que estamos dizendo e, muitas vezes, são capazes de substituir as palavras", afirma a fonoaudióloga Maria Tereza Bonatto, coordenadora do comitê de motricidade orofacial da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. Segundo o neurologista Mauro Muszkat, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a ligação entre a fala e a gesticulação ainda não é completamente compreendida pela ciência, mas sabe-se que os movimentos feitos com o corpo enquanto falamos vão além de acentuar o valor do discurso. "Eles favorecem o vínculo entre quem fala e quem escuta e facilitam a recuperação das palavras na memória", diz o neurologista. A relação entre fala e gesto, no entanto, não é a mesma em todas as culturas. Alguns povos, como os de origem latina, gesticulam mais e praticamente falam com o corpo. O mesmo não acontece com certas culturas orientais, em que a excessiva gesticulação durante uma conversa, muitas vezes, é interpretada como algo inadequado e até mesmo uma invasão de privacidade.

Texto extraído da revista Vida Simples de setembro/2007, ed. 57, p. 23.

NOTA: A respeito dessa relação entre fala e gesticulação vale a pena conhecer a história de Cícero, senador romano considerado o pai da Oratória. Com seus discursos Cícero conseguia derrotar seus adversários, convencendo os que o ouviam com seus argumentos e a construção de seu discurso. Cícero, contudo, teve uma morte trágica. Quando morreu, sua cabeça e suas mãos foram cortadas. Afixadas em um pedaço de madeira, as armas de Cícero foram exibidas pela cidade: sua língua, pregada na madeira, e suas mãos.

4 de set. de 2007

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