Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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26 de ago. de 2014

Carta a um morto

Senhor Jackson Lago,

Sempre quis escrever esta carta. Devo confessar. Sei que agora o senhor está morto, mas se estivesse vivo provavelmente também não a leria. Aliás, como vai? Espero que me desculpe pela ousadia. Perguntar "como vai?" a um morto pode parecer ironia ou desrespeito, mas de fato me interesso pela sua vida. Desculpe-me, pela sua pós-vida. Mas não vou tentar adivinhar onde o senhor está. Isso não é comigo. Acima de tudo, peço que o senhor não se ofenda com esta missiva. Afinal, o senhor foi um homem público. Foi eleito governador do Maranhão – com a ajuda do meu voto, diga-se de passagem.

Primeiro, devo dizer que nutria pela sua pessoa grande admiração. Não só por sua figura austera, que me inspirava e me dava esperança de dias melhores, como também por sua destacada atuação no que se costumava chamar de “oposição”, aqui neste velho e surrado Estado do Maranhão. Oposição a um grupo que está no poder há mais de 50 anos. Essa oposição unia o senhor, políticos de diferentes origens e matizes ideológicos, profissionais de áreas diversas, cidadãos pobres, meio pobres, mais ou menos e também muitos ricos, artistas, pensadores, poetas e, provavelmente, o dono do Cuscuz Ideal. Mas há outra razão. Minha avó Maria Amélia, por quem nutro um amor filial e terno, muitas vezes me contou que tomou conta do senhor, ainda criança, em Pedreiras. Ela, já mocinha, conhecia sua família e por vezes cuidava de lhe trocar as fraldas. Suponho que dela o senhor não se lembre. Nem de mim, aliás.

Mas falemos de política. Há uma estranha e nociva inversão de valores em todos os lugares e áreas deste vasto mundo (talvez não na Nova Zelândia, mas este assunto fica para a próxima carta). Os eleitos para trabalhar pelo e para o povo se tornam pequenos monarcas, dignos de toda pompa e circunstância. Quando erram, tornam-se avessos a toda espécie de crítica. Com isso, não temos elegido servidores do povo, mas reis, rainhas, tiranos, semideuses.
   
Quando o senhor se candidatou ao Governo do Estado, após três felizes passagens  pela Prefeitura de São Luis, houve choro e ranger de dentes no grupo que ocupava o poder. E houve uma imensa alegria do lado de cá, daqueles que se diziam oposição, por um Maranhão mais livre, mais solto, mais crocante e com sabor original. Tive um lampejo de esperança de que finalmente – finalmente! – iríamos deixar o atraso decorrente de anos a fio de domínio político familiar nestas paragens. Mas descobri, também com seu Governo, que é muito difícil ter esperança no Estado do Maranhão. Em 2006, vi em sua candidatura uma oportunidade singular de darmos fim à letargia política deste pobre Estado. Não só eu. Em meu trabalho, a Universidade Estadual do Maranhão, colegas professores e funcionários e estudantes uniram-se pelo objetivo comum de elegê-lo governador. Não havia um só estudante que não declarasse, orgulhosamente, esperançosamente, o voto em sua candidatura. O senhor sabe, os professores universitários quase sempre acham que têm uma clarividência política que os demais mortais não têm. Pensam assim porque estudaram mais que a média da população, leram mais que a média, analisaram mais a situação política e debateram mais que a média. Ledo engano. Terrível engano.

Pois bem. Votei no senhor em 2006. Durante sua campanha, levava em meu carro, um Celta preto, 1.0, sua bandeira. Fui a um de seus comitês e pedi que soldassem, na parte traseira do carro, um suporte para que ela ficasse constantemente ali, tornando pública minha opção política e fazendo propaganda de sua candidatura. Também colei nos vidros do carro adesivos com seu nome e número (o 12!). Além disso, tinha o CD com aquela musiquinha “é 12, é 12, é 12, é 12...” e, ao sair de carro, os vidros abertos – pois não tinha ar condicionado – escutava-a no volume mais alto. Tenho o CD ainda hoje. Fiz campanha para o senhor como pude. Ganhei os votos que pude. Conversei com os colegas que encontrei pela frente, os amigos, os parentes, a fim de convencê-los de que o senhor era – enfim! – a solução. Sobretudo para a Universidade Estadual do Maranhão, tão empobrecida, carente de recursos, desvalorizada. Pensei que a Uema floresceria em seu Governo. Não só a universidade, mas toda a rede pública de Educação, que vive sempre dias de agonia em um Estado que apresenta os piores índices educacionais do Brasil.

Em 2007, entretanto, seu Governo propôs o PL 080/2007, transformado na Lei 8.592/2007, de 24/04/2007, pela Assembleia Legislativa do Maranhão. A Lei foi chamada por nós e pelos maranhenses de “Lei do Cão”. O senhor se lembra? Os vencimentos dos professores e de outras categorias do funcionalismo público seriam transformados em “subsídios”.  O que é um subsídio? Ora, o senhor deveria saber. Segundo o Artigo 39 da Constituição Federal, é a "forma de remuneração atribuída a membros de Poder,  detentores de mandato eletivo, ministros de Estado e Secretários Estaduais  e Municipais, fixado em parcela única, sobre a qual é vedada o acréscimo  de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação  ou outra espécie remuneratória..." E por que nós, professores, ficamos tão revoltados, senhor Jackson Lago? Porque com essa Lei o senhor acabou com várias gratificações e adicionais, que foram  transformados em "vantagens pessoais congeladas".

Na época, fizemos uma Carta à sociedade explicando as razões de nosso movimento, o porquê de termos de paralisar as aulas, de termos de ir às ruas, de termos sido obrigados a ir contra o governador pelo qual tanto havíamos lutado. Segundo a nossa Carta, vale lembrar, senhor Jackson, que sua lei:

  • Congelou a gratificação por titulação, adicional por tempo de serviço e percentual de insalubridade, todos transformados em “vantagens pessoais”;
  • Extinguiu a condição Especial de Trabalho e o Adicional de Risco de Vida que incidiam 100% sobre o salário dos servidores técnico-administrativos. Foram extintos, e seriam substituídos por "serviço extraordinário", em valores também congelados (ref. março/2007);
  • Substituiu "vencimento" por subsídio, que vedava a agregação de quaisquer vantagens, feria o sistema meritocrático que fundamenta a carreira universitária, o que poderia ter resultado na evasão de cérebros e inibido a absorção de novos cientistas e técnicos altamente qualificados;
  • Proporcionou insegurança jurídica se as "vantagens pessoais" seriam levadas para a aposentadoria;
  • Impôs dificuldades na elaboração e negociação dos novos Planos de Carreiras, Cargos e Salários, com o conceito de "subsídio".

Quero continuar a citar a Carta, que ajudei a escrever e revisei. Mais do que outro documento, é ela que diz como foi o tratamento que recebemos do senhor, na época. Sigamos:

“Para os trabalhadores da Uema, professores e técnicos administrativos, que têm salários ancorados em ‘vencimento’, o regime de subsídios sepulta o sistema meritocrático e do aperfeiçoamento científico que fundamenta a carreira universitária, com perdas irreparáveis ao capital humano da instituição. [...] A reação dos professores do ensino básico, logo seguida por todos os  servidores da Uema, a essa insensatez do governo foi acertadamente, firme  e imediata, só lhes restando o recurso da greve, para lutar contra as  lesões que a lei causa nos seus direitos, tão duramente conquistados, ao  longo da história. A greve da Uema foi iniciada pelo Sintuema/Assuema no dia 02/05/07 e em seguida apoiada pelos professores reunidos em Assembleia no dia 07/05/07. Os trabalhadores da educação da rede pública estadual de ensino, por meio do Sinproessema, aderiram ao movimento no dia 22/05/07. O movimento grevista, composto de 11 entidades sindicais, está sendo coordenado pela  CUT/MA. Nos primeiros 30 dias da greve, fizemos várias passeatas contra a lei, em uma das quais fizemos o seu enterro simbólico. Participamos de cinco reuniões com representantes do Governo, nas quais as negociações pouco avançaram, por conta da intransigência do Governo em não aceitar a revogação da lei nem tampouco discutir alternativas ao regime de subsídio.

A última reunião que tivemos no Palácio dos Leões, solicitada e dirigida pelo governador Jackson Lago (25/05/2007), resultou na criação de três comissões por ele sugeridas, formadas por representantes do Governo e pelos membros da Comissão de Negociação: a primeira, para estudar a questão dos subsídios; a segunda, para estudar OS PLANOS DE CARREIRAS, CARGOS E SALÁRIOS, e a terceira, para estudar um plano para a educação no Estado do Maranhão.

À primeira reunião da comissão de estudo dos subsídios, enquanto compareceram todos os representantes da Comissão de Negociação, o governo mandou quatro servidores de escalões inferiores, quase todos sem informações e com conhecimento limitado sobre o assunto.

À segunda reunião, só compareceu um desses representantes, ficando então confirmado o esvaziamento das comissões sugeridas por Jackson, numa atitude tão desrespeitosa para com os grevistas quanto desmoralizante para o governador, pois induziu à convicção de que havia alguém com maior poder de decisão que o governador.

Diante dessa circunstância, a Comissão de Negociação decidiu buscar o apoio da Assembleia Legislativa, resultando numa demorada reunião da qual participaram, além do Chefe da Casa Civil, a Comissão de Negociação e oito deputados, inclusive o Presidente da Assembleia. Como resultado dessa reunião, a Comissão de Negociação assumiu o compromisso de apresentar as suas postulações sobre a revogação ou mudanças na Lei do Cão.

Tal compromisso foi honrado pela Comissão de Negociação, com a entrega de um documento ao Sr. Aderson Lago, no dia 14 de junho de 2007,  conforme ficara acordado. Em decorrência, Aderson anunciou aos grevistas que haveria uma reunião no início da semana seguinte, provavelmente, na terça, ou na quarta feira, pois na segunda feira, o Ministro Gilberto Gil estaria visitando a nossa cidade.

Enquanto a Comissão de Negociação aguardava pelo convite do Chefe da Casa Civil para a continuação do diálogo, o Governo, de modo traiçoeiro e mesquinhamente autoritário, apequenou-se: rompeu, unilateralmente, o diálogo e decidiu pedir à Justiça que decretasse a greve ilegal. O movimento grevista recorreu a alguns deputados federais da bancada maranhense e que são da base do Governo, no sentido de impedir que fosse pedida a ilegalidade da greve. Para tal, realizou-se, na residência do dep. João Evangelista, uma reunião com a Comissão de Negociação, da qual participaram os deputados: Domingos Dutra, Julião Amin, Ribamar Alves, Pinto da Itamarati e Cléber Verde, que tomaram conhecimento de toda a questão. 

No dia seguinte, os citados deputados reuniram-se com Jackson, trataram de vários assuntos, e sobre a greve, mesmo, só de raspão, mas foi o suficiente para ouvirem do governador a reafirmação de sua inabalável e inflexível decisão de pedir à Justiça que decretasse a ilegalidade do movimento, o que, de fato, ocorreu, para a decepção plena dos que votaram em Jackson, certos de estarem elegendo um Governo democrático.
”
           
Como está claro, tentamos de todas as maneiras conversar com o senhor. Nossa intenção não era, de início, entrar em greve. Mas o caráter autoritário de seu Governo, assim como sua inflexibilidade, levou-nos a reagir, a fim de tentar preservar o pouco que tínhamos de nossas  carreiras. Procuramos informar a sociedade maranhense que havia algo errado, profundamente errado, em sua iniciativa. Fiz parte da Comissão de Greve e pude acompanhar de perto o esforço dos colegas para esclarecer o povo, pedir ajuda, abrir o diálogo com as autoridades, levar as informações corretas aos estudantes e suas famílias e à população, de modo geral. É claro, tentamos falar com o senhor, que não nos recebeu em nenhum momento, tratando-nos como indigentes à porta de seu palácio. Logo a nós, senhor Jackson, que tanto havíamos lutado para que o senhor se elegesse! Que grande e triste surpresa! A cada assembleia, a cada reunião, chegávamos à conclusão de que elegê-lo havia sido um erro. Não bastasse a Educação e a Saúde estarem vivendo graves problemas, a crise da Segurança Pública tornava-se mais e mais complexa – a secretária, Eurídice Vidigal, era mulher de seu amigo, Edson Vidigal. A propósito, seu Governo, em termos da contratação e do beneficiamento de amigos e parentes não foi muito diferente dos sucessivos governos da oligarquia. Mas vou falar disso em outro momento.

Também preciso dizer, oportunamente, que seu Governo não se fez sozinho. Por isso mesmo, o hoje candidato pelo PC do B ao Governo do Maranhão, dono de um discurso quase idêntico ao seu, o juiz Flávio Dino, na época foi ao Supremo Tribunal Federal a fim de defender a Lei 8592/07, a nefasta "Lei do Cão", implantada pelo senhor e derrubada pela governadora Roseana Sarney assim que assumiu o comando do Estado, em 2009. Quem denunciou isso? O hoje candidato ao Governo pelo PSTu, Saulo Arcângeli, que na época era professor da Universidade e estava conosco no propósito de barrar a citada Lei. Flávio Dino, que era então deputado federal, também se preocupou em ir aos sindicatos e associações de servidores – Sindjus (Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Maranhão), Sinproesemma (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão), Sintuema (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual do Maranhão), Assuema (Associação dos Professores da Uema) – a fim de nos pressionar a aceitar o acinte que sua Lei nos impunha.

No final das contas, o senhor deve também se recordar, o STF determinou que seu Governo suspendesse a vigência da malfadada Lei 8.592/2007. Essa suspensão foi solicitada pelo PMDB e aprovada por 10 dos 11 ministros do Supremo. Isso obrigou seu Governo a retornar ao sistema antigo de pagamento dos salários dos 120 mil servidores da administração direta e indireta, suspensos pela sua Lei do Cão. No Magistério, somente, ficaram parados 35 mil professores do Ensino Básico (83 dias) e da Uema (103 dias).

Mais? O senhor quer mais? Ora, quem sou eu, senhor Jackson, para contestar esse tal “legado” que seus amigos dizem que o senhor nos deixou. Não é? Porque aqui no Maranhão a construção política quase sempre não é feita com fatos, mas com relações de compadrio, de camaradagem, de oportunismo, cobertas de inverdade e interesses escusos. Obviamente, quem quer que conteste seu grande legado será mal visto. E mal quisto. Eu me preparo para as pedras e para os tomates, como sempre me preparei. O que não faço nem farei é engolir mentiras para dizer que estou do lado de alguma verdade.

Sigamos. Vamos mais adiante. Em uma de nossas passeatas, pacífica, como todas as que ajudei a organizar e das quais participei, o senhor enviou a Polícia Militar para nos receber. Devo dizer ao senhor que tenho verdadeiro respeito pela PM, e que já tinha dado aulas para turmas do Curso de Formação de Oficiais, na mesma Uema que o senhor queria destruir. Por isso mesmo, encontrava, aqui e ali, alguns de meus alunos. Estupefatos, pediam desculpas por estarem ali. Sabiam que nosso movimento era legítimo. Que não estávamos armados. Que estávamos caminhando pacificamente – assim como pacificamente havíamos acampado em frente ao Palácio dos Leões, e ali também cheguei a passar uma ou duas noites – nós, professores e estudantes, funcionários, parentes. Pacificamente, portanto, recebemos as balas de borracha e os gases lançados contra nós. O que fizemos? Corremos. Uma de minhas alunas, que estava próxima a mim, foi baleada com as tais balas de borracha. Sua perna, inchada, aparecia sob o jeans da calça, rasgado.

Levei-a ao hospital, aquele da Rua do Passeio, chamado de “Socorrão”. Novo choque, senhor Jackson! O que vi ali me deixou mais horrorizada ainda com seu Governo. Os corredores estavam lotados, não havia circulação de ar, doentes velhos, novos, graves e menos graves se misturavam. Esperei minha aluna ser atendida e fui me embora dali. Se na Educação seu Governo demonstrava total inépcia, na Saúde não se saía melhor. E o senhor era médico. Médico. Isso nunca me saiu da cabeça. E há os que defendem o “seu legado”! Minha aluna ficou semanas sem andar direito, sentindo muita dor. A dor que eu sentia era no coração. Eu me sentia enganada. Saí daquele hospital, fui para casa e, nos dias seguintes, adoeci. Devo ter pego alguma virose no Socorrão. Enquanto esses fatos se passavam, o senhor deveria estar em seu gabinete, cercado por seus assessores. Soube, aliás, que alguns deles saíram de seu Governo em ótimas condições financeiras. Pelo menos alguém foi ajudado, diria Oscar Wilde, ironicamente. Seus assessores, secretários, amigos, correligionários. Seus cúmplices.

Quando o STF cassou seu mandato, estávamos exaustos. Achei a cassação injusta, fruto de manipulação política orquestrada pelo grupo que manda há muito tempo no Estado. O senhor tinha sido eleito pela maioria, e eu chamei essa cassação de golpe branco. Apesar disso, – e peço que o senhor tente se colocar no meu lugar – não fui às ruas para defendê-lo. Eu e meus colegas, alunos, parentes e amigos teríamos ido às ruas defender sua permanência, mas estávamos cansados, ainda estupefatos com a sua Lei do Cão e, finalmente, preocupados em repor os dias de aula perdidos. Teríamos ido às ruas lutar para que o senhor terminasse seu tempo de Governo, mas nós nos perguntávamos qual a razão para defender um político que só havia nos atacado. Por que ir ao STF pedir que anulasse sua decisão a fim de beneficiar um Governador que estava prejudicando o Maranhão. Por que lutar para que o senhor continuasse propondo leis injustas, prejudicando a Educação, a Saúde, a Segurança Pública, como era notório. Então não fomos. Então o senhor saiu do Governo. Perdeu a melhor oportunidade da “oposição”, até aquele momento, para melhorar o Maranhão. Continuamos ruins. Continuamos deficitários. Continuamos nos últimos lugares. Continuamos sendo notícia por causa de nossa ineficiência, do roubo dos políticos, da violência, da falência do sistema prisional. Se for falar para o senhor de todos os nossos problemas, terei que produzir uma enciclopédia.

Por outro lado, senhor Jackson, sinto que devo agradecê-lo, sinceramente. Porque comecei a perceber, com o senhor, que ser oposição ou situação, aqui no Maranhão, dá na mesma: resume-se a quem vai comer o bolo. Quem vai enriquecer. Quem vai ser o califa da vez. Os grupos podem se alternar, e neste exato momento o senhor deve estar acompanhando estas eleições, em que o então na época deputado federal Flávio Dino, que lutou para nos prejudicar, publica aos quatro ventos que quer “mudar o Maranhão”. Ele está certo. Ele quer tirar a oligarquia do poder porque talvez tenha chegado a sua hora de abocanhar o bolo. O que entendo é que seja ele, seja outro, o Maranhão continuará a mesma coisa. Por isso costumo dizer que o único legado que o senhor nos deixou foi a decepção – ainda que esta seja a inaceitável verdade.

Maya Felix
São Luis, 25 ago 2014.

P.S. Devo fazer um mea culpa, sr. Jackson: o hospital Socorrão, que cito neste texto, não era nem é responsabilidade do Governo do Estado do Maranhão, mas da Prefeitura de São Luis. E em 2007 o prefeito era o sr. Tadeu Palácio, médico como o sr. Desculpe-me pela injustiça. O estado lastimável do Socorrão, de fato, não era culpa de sua administração.

10 de fev. de 2014

Recortes de São Marcos

amarelokiboncasquinha doismolduracasquinhapedra
belo horizonteeducaçãoferrugemtravellinglonaescola de surf
kibon doisreflorestamentocartier bresson deuxteen poweraquáriocartier bresson
fogareirosansão e as ostrasdunapoubelle

Recortes de São Marcos, um álbum no Flickr.
Fotos tiradas na tarde do dia 8 de fevereiro, domingo, na Praia de São Marcos (ou Praia da Marcela), em São Luis do Maranhão.

16 de dez. de 2009

convite: lançamento de livro :)))


 Convite
               Lançamento do livro  Quand les mots parlent, au Maranhão... on écrit! / Quando as palavras falam, no Maranhão... escreve-se!
               Textos bilingues (francês/português)
               Autores: Charles Simões, Eva Maria Nunes Chatel, Fernanda Costa, Maria Elza Bello, Mayalu Felix, Rossana Ingrid Jansen e Teresinha Rocha Braga.
Data: 21/12/09                       Horário: 17h30
Local: Auditório Ribamar Carvalho - Área de Vivência - UFMA
Preço do exemplar: R$ 20,00

Venez nombreux!

28 de nov. de 2009

2009... o ano em que vimos lula, sarney, collor e renan juntos, pela corrupção e contra o povo

Vídeo produzido por Thiago Dnardo, que fez a gentileza de me enviar (obrigada, Dnardo!).


Como o ano está acabando, não poderia deixar de postá-lo aqui: é uma retrospectiva do que Lula, Sarney e seus aliados fizeram com o povo e o país.

Para você, que acha que ficar calado e não fazer nada é obedecer a Deus, deixo o verso 4 do Salmo 40:

"Bem aventurado o homem que põe no Senhor a sua confiança, e que NÃO RESPEITA OS SOBERBOS NEM OS QUE SE DESVIAM PARA A MENTIRA."

20 de nov. de 2009

são luis artcidade

Blog novo no pedaço! Este blog nasceu hoje, quase no dia do meu aniversário! E tem futuro! O nome é São Luis Artcidade, e a blogueira é nada mais, nada menos que Edite Moreira, minha mãe! Visitem e entendam melhor:




O blog São Luis Artcidade nasceu com uma proposta: divulgar o trabalho do talentoso artista maranhense Alfredo Araújo, colega de trabalho de minha mãe. Nesse sentido, eu também quero mostrar uma de suas telas aqui e recomendar a todos que visitem e sigam o blog São Luis Artcidade! :)


Telhados da Praia Grande, de Alfredo Araújo
Óleo sobre tela

7 de nov. de 2009

homenagem a Sueli

Sueli Pires Gonçalves e seu netinho


Hoje pela manhã morreu Sueli. Prima de primeiro grau de minha mãe, Edite, Sueli era a mãe do Beto e do Thales. Filha da Tia Idinha – que ninguém chama de Aída – e sobrinha querida de minha avó Maria Amélia, Sueli era para mim como uma tia.

Eu me lembro dela em várias ocasiões, mas uma, em particular, me faz perceber que pessoa incrível foi embora. Há uns três anos eu estava no hospital, na emergência, e os técnicos em enfermagem injetaram um analgésico muito potente em meu soro. Ainda não sabiam, mas as fortes dores de cabeça que eu sentia eram decorrentes da malária. O problema é que algo saiu errado, e meu corpo começou a gelar. Senti que perdia os sentidos, lentamente: o volume dos sons diminuía, e eu entrava em uma espécie de transe. Minha mãe começou a gritar para chamar um médico, e a única pessoa que estava com ela era a Sueli. Sueli ficou na ponta da cama, massageando meus pés vigorosamente, apesar de sua estrutura frágil, para que eu não desmaiasse.  Estavam nervosas, ela e a minha mãe, e gritavam com medo de que eu morresse.

E sempre que eu me lembro da Sueli, e hoje durante o dia eu pensei muito nela, eu a vejo ajudando, amparando, apoiando, consolando, servindo, acalmando, pacificando, estendendo a mão. Sueli não era uma cristã qualquer: ela era daquelas “bem-aventuradas”, de que Jesus amorosamente falou no evangelho segundo Mateus, capítulo cinco. Sua doçura e sua simples presença amiga farão uma falta doída para sua família, para seus amigos e os que simplesmente a conheceram. Estou tão triste, e agora penso no dia a dia do Beto, meu primo querido, que há poucos anos doou um de seus rins para que sua mãe vivesse, esperançoso de que ela se restabelecesse completamente. O rim novo acrescentou alguns anos à vida de Sueli, mas a diabetes fez fraco um coração que era – eis o paradoxo a que alguns estão sujeitos – enorme, capaz de abrigar tanta gente. Penso também em sua mãe, Tia Idinha, sua melhor amiga, agora só e velha numa grande casa, sem sua filha e aliada de anos. Penso que, da próxima vez que eu for a São Luis, não mais a verei. Todas as vezes que eu chegava em sua casa, era servida: de café, de bolo, de pão, de água, de gentileza e educação. Sueli foi assim, nasceu para servir, e não para ser servida.

Mas a esperança, existindo, me faz aguardar ansiosamente o dia em que, todos juntos, nós nos veremos novamente. Eu, Sueli, meu avô João, meu avô Wilson, meu irmão Paulo, tantos amigos, tanta gente...

Quis escrever esta homenagem tão simples, e publicar neste blog, mais simples ainda, quem sabe insignificante, para falar de alguém que nunca apareceu nos jornais, nem teve sua biografia editada e publicada. Sobre ela não se escreverá um livro, nem se fará música, e nem mesmo uma poesia – se houver, não traduzirá verdadeiramente sua importância. Que pessoa extraordinária se foi hoje, em São Luis, capital do meu desimportante Maranhão. E faço esta homenagem, a esse ser humano tão raro, porque nada mais posso fazer.


***

Preciosa é, à vista do Senhor, a morte dos seus santos.
Salmo 116:15

15 de set. de 2009

a conversa censurada entre sarney e fernando sarney

notícia já censurada: vazamento da polícia federal beneficou Sarney. Fernando Sarney mandou "limpar as gavetas"...

Para ampliar, clique na imagem


Vazamento de operação da PF beneficiou clã Sarney

Relatório da PF mostra que o presidente do Senado atuou pessoalmente para evitar que o filho fosse preso
De Rodrigo Rangel, de O Estado de S.Paulo:
Relatório da Polícia Federal a que o Estado teve acesso mostra que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), atuou pessoalmente para evitar que o filho, o empresário Fernando Sarney, fosse preso durante a Operação Boi Barrica, rebatizada de Operação Faktor. Esta matéria estava pronta há mais de um mês, mas só pôde ser publicada nesta terça-feira, 15, devido ao fim da censura imposta ao Estado.
Para a PF, Sarney teve informações privilegiadas sobre o andamento da investigação, que corria em segredo de justiça. O relatório mostra que os Sarney, que foram à Justiça para impedir o Estado de publicar informações sobre a operação, foram os primeiros a se beneficiar do vazamento de dados sigilosos do inquérito.
No documento, a polícia transcreve uma conversa do próprio senador Sarney com o filho. É o primeiro de uma sequência de diálogos que, segundo os investigadores, deixam claro que a família soube, com antecedência, da possibilidade de Fernando ser preso e ter seus endereços devassados em ação de busca e apreensão. O vazamento levou a PF a desistir da busca.
O relatório foi enviado em setembro de 2008 pelo delegado da operação, Márcio Adriano Anselmo, ao juiz encarregado do caso, Neian Milhomem Cruz, em atuação na 1ª Vara Federal Criminal de São Luís. Destinava-se, nas palavras do delegado, a comunicar "fatos graves ocorridos no decorrer da investigação em andamento, que denotam o claro vazamento de medidas impetradas por esta autoridade".
O vazamento se deu num momento importante da investigação. Um mês antes, em 20 de agosto, o delegado pedira ao juiz a prisão de Fernando Sarney, da mulher dele, Teresa Murad, e de outros investigados. Pedira, ainda, autorização para realizar uma operação de busca e apreensão nos endereços comerciais e residenciais do grupo. O delegado relata que, oito dias depois de protocolados os pedidos, tiveram início "condutas suspeitas por parte dos investigados".
Um telefonema de 3 de setembro de 2008, listado em um relatório da Polícia Federal ao qual o Estado teve acesso, ajuda a reforçar a tese de que a família Sarney se beneficiou do vazamento de dados da Operação Boi Barrica.
Nele, Fernando Sarney liga para sua secretária, em São Luís, para pedir que ela esvaziasse as gavetas de sua mesa. Esta matéria estava pronta há mais de um mês, mas só pôde ser publicada nesta terça-feira, 15, devido ao fim da censura imposta ao Estado.
"Eu queria que você fizesse o seguinte, tudo que está em cima da mesa. Tu deixa, eu quero que você pegue uma caixa, tire tudo que está nas gavetas, tudo, tudo, tudo, bota numa caixa e guarda contigo em algum lugar, tá? Quando eu chegar eu te digo o que fazer", orientou.
"Fernando ainda tenta justificar tal pedido como se fosse ocorrer uma troca de móveis ou uma limpeza", afirma o relatório da PF.
O delegado lista outros sinais do que, a seu ver, não deixa dúvidas sobre o vazamento, para Fernando Sarney, de informações sobre os pedidos de prisão e busca. Ainda no dia 3 de setembro, os investigadores interceptaram um e-mail enviado por Ana Clara Sarney, neta do presidente do Senado e filha de Fernando.
A mensagem informava os números de quatro procedimentos relacionados à investigação - todos corriam sob segredo. O e-mail de destino era j.sarney@uol.com.br.
***
ESTA NOTÍCIA FOI PUBLICADA NO BLOG DO NOBLAT, MAS A PÁGINA JÁ FOI RETIRADA DO AR. AS NOTÍCIAS FORAM MOMENTANEAMENTE DIVULGADAS E, LOGO DEPOIS, CENSURADAS. OS LINKS NÃO VÃO DAR EM LUGAR NENHUM. ESTE É O PAÍS "LIVRE E DEMOCRÁTICO" CONSTRUÍDO PELO PT COM  A AJUDA DE SARNEY. UM PAÍS QUE BENEFICIA UM DOS MAIORES CRIMINOSOS DA HISTÓRIA, UM HOMEM TRUCULENTO, HÁ 54 ANOS NO PODER, QUE FEZ DO MARANHÃO O ESTADO MAIS MISERÁVEL DO BRASIL, ENQUANTO ELE E SEUS ASSECLAS HOJE ESTÃO MILIONÁRIOS. UM ENGANADOR QUE SE LIVROU DE 11 PROCESSOS NO SENADO COM BASE EM CONCESSÃO DE BENEFÍCIOS ELEITOREIROS, CORRUPÇÃO E CHANTAGENS. ESSE É O BRASIL CONSTRUÍDO PELO PT. 

Leia aqui a notícia na íntegra: http://www.opovo.com.br/politica/909745.html

reviravolta: jornal o estado de são paulo continua sob censura.


Para entender o caso, clique AQUI  e leia tudo no site do jornal O Estado de São Paulo.
Para mandar um e-mail para o Senador José Sarney, envie para j.sarney@uol.com.br ou sarney@senador.gov.br

SARNEY ENCOMENDA O LANCHE DO TSE.




Como o Jornal Nacional falou, o ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (14) suspender em caráter liminar (provisório) os julgamentos dos pedidos de cassação de mandato que tramitam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão se refere apenas aos processos protocolados diretamente no TSE que não tenham passado pelos tribunais regionais eleitorais (TREs). A medida vale para processos contra governadores, senadores e deputados federais.

Os únicos beneficiados com a decisão do ministro Eros Grau são Marcelo Déda (PT), governador de Sergipe, e Roseana Sarney (PMDB), do Maranhão, que herdou o cargo após a cassação de Jackson Lago, mas já é alvo de processos por suspeita de fraude eleitoral. 

A realidade é que a partir desta cassação se for mantida será criada uma jurisprudência que dará o direito a que outros já cassados recorram. ou seja MEGA GIGA PIZZA BRASIL sendo feita.

Fique de olho!!!

9 de set. de 2009

alcinea cavalcanti: seu nome é coragem

As novas redes da Amazônia
Com o dedo no teclado e uma conexão (bem) ruim, os blogueiros do Norte são protagonistas da mais nova saga da integração amazônica
ELIANE BRUM

Alcinéa Cavalcante tem um automóvel Ka 2003, um laptop, uma linha telefônica convencional, um celular, algumas dezenas de livros de poesia, roseiras de cores variadas, dois cachorros vira-latas que não param de latir e uma mangueira na casa que herdou, mas ainda não está em seu nome. A cada ano, ela recebe uma notificação da Justiça que deixaria a maioria dos brasileiros com dor de estômago, suor frio, tremedeira. É a dívida de Alcinéa com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB): segundo ela, mais de R$ 2 milhões, com juros e multas. E aumentando.

Explica-se: na eleição de 2006, quando Sarney se reelegeu senador pelo Amapá com menos folga que nas anteriores, ele processou a blogueira mais de 20 vezes. Sarney considerou abusivos posts e comentários de leitores. Num deles, enviado a ÉPOCA pelo advogado de Sarney, um leitor dizia: “Temos de mandar esse xibungo pro Maranhão, somente assim faremos justiça àquela população pilhada há anos por uma família de jagunços que se utilizam dos métodos mais desprezíveis para combater qualquer um que cruze o caminho desses viciados em corrupção”.

Alcinéa conta que ficou bem nervosa nas primeiras notificações. Não tinha advogado nem sabia o que fazer. Nos dias seguintes, passou a receber até três notificações de cada vez, e o oficial de Justiça já tomava cafezinho na casa dela. Alcinéa entregou a Deus. “Se eu devesse R$ 10, 12 mil, não dormiria, porque é um valor que, parcelando, dá para pagar”, diz ela. “Mas mais de R$ 2 milhões?”

Aos 53 anos, ela é a matriarca da blogosfera do Amapá, reverenciada pelos mais jovens nos encontros ao vivo dos “blogueiros do Meio do Mundo”, na cafeteria Tom Marrom. É a dona ainda do “quintal mais bem informado de Macapá”. Pelo seu portão passa uma romaria de gente, da cultura à política. Não é Alcinéa quem vai até suas fontes, mas suas fontes que vão a ela. Debaixo de uma mangueira, ela recebe informações e bloga. Só vai à rua em busca da notícia quando pressente – ou é informada por uma fonte fiel – que a Polícia Federal se prepara para uma operação. Alcinéa passa noites inteiras de campana, para pegar a PF em flagrante. Quando consegue, o blog chega a 3 mil leitores por dia.

Alcinéa só reduz a produção do blog uma vez por ano, no Carnaval – ela adora um ziriguidum, um telecoteco. Filha de um poeta que fez história em Macapá, Alcy Araújo, e de uma professora, Alcinéa escreveu a primeira poesia aos 10 anos. Tornou-se repórter de rádio aos 13. Trabalhou em rádio, TV e jornal por quase toda a vida, mas formou-se mesmo em mecânica. Dividiu as manchetes na imprensa com o ensino sobre motores de avião, carros e navios. É funcionária federal há 31 anos, 15 deles em sala de aula. Afirma não ter partido. “Fui filiada ao PT, depois me desfiliei”, diz. “Às vezes, dou R$ 50 ao PSTU.”

Quando leu um artigo sobre a internet, no início dos anos 90, Alcinéa e o único filho não sossegaram até acessar a rede por um portal de São Paulo. Pagavam interurbano. Iniciou sua aventura no mundo virtual, onde chegou a manter uma agência de notícias. Na eleição de 2004, criou o blog. E começou a mudar a relação de forças no Amapá. “A imprensa daqui depende muito dos recursos públicos, não denuncia nada que contrarie os interesses de quem está no poder”, diz. “Os blogs furam esse bloqueio. E as notícias vão para o mundo.”

O blog de Alcinéa costuma ter brincadeiras interativas com o leitor. Em agosto de 2006, com o título de “O adesivo perfeito”, a proposta era a seguinte: “Mande fazer um adesivo com a seguinte frase: ‘O carro que mais combina comigo é o camburão da polícia’. E bote na picape daquele candidato”. Os leitores responderam com os candidatos mais variados. Um deles manifestou-se dizendo que era “um adesivo perfeito para o Sarney”. No dia seguinte, Sarney entrou com uma ação pedindo indenização e a retirada do blog do ar. Alcinéa não recuou. Postou no blog a foto de um muro da cidade, onde estava pichado “Xô, Sarney!”. Mais uma ação.

O advogado de Sarney, Fernando Aurélio de Azevedo Aquino, é funcionário do Senado desde 1992 e hoje ocupa um posto de “assistente técnico” no gabinete do senador Gilvam Borges (PMDB), afilhado político de Sarney. Procurado por ÉPOCA, Aquino afirmou que “estava de férias” quando foi advogado da Coligação União pelo Amapá, pela qual concorria Sarney. “Não obstante a senhora Alcinéa busque apresentar-se como vítima, é preciso dizer que não foi”, disse Aquino, por escrito. “Não se tratava de representações contra a divulgação de matéria ou mesmo de opinião, mas contra publicação de agressões gratuitas e até de baixo calão.” Procurado por ÉPOCA, Sarney afirmou, por meio de sua assessoria, que considerava as respostas enviadas por Aquino satisfatórias.

O UOL, que hospedava o blog de Alcinéa, tirou-o do ar. Assim como foi retirado o blog de sua irmã, Alcilene Cavalcante. Alcinéa hospedou-se então no Blogger, a ferramenta de blogs do Google. Ao contrário de sites como o UOL, o Google não se responsabiliza – e não pode ser responsabilizado legalmente – pelo conteúdo dos blogs que abriga.

Alcinéa continuou postando. E Sarney processando. Quando ela colocou no ar a letra da canção de Chico Buarque, “Apesar de você”, Sarney processou. Ela colocou então a música em notas de violão. Depois de ter vencido a eleição, Sarney ainda processou Alcinéa mais uma vez. “Todo mundo sempre disse sim ao Sarney, e de repente alguém disse não. Ele não está acostumado a ser peitado”, diz Alcinéa.

A blogosfera reagiu ao que considerou “censura” e “abuso de poder”. A expressão “xozando”, derivada do Xô, Sarney, tornou-se popular. Mais de 50 mil blogs e sites “xozaram” no Brasil e fora dele. Em sua pesquisa, Malini detectou que o episódio Sarney deixou uma marca na blogosfera do Amapá. “Os blogueiros vivem um processo de autocensura, os posts se tornaram mais velados”, diz. Na França, Alcinéa ganhou o prêmio Repórteres Sem Fronteiras, pelo blog brasileiro que mais defende a liberdade de expressão. Em menos de dois meses, ela recebeu mais de 20 notificações da Justiça. No Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, Alcinéa perdeu a maioria delas. Depois, diz ela, seu advogado perdeu prazos nos recursos. “Por causa de matérias que fiz como jornalista, um pistoleiro já foi contratado para me matar, já dispararam tiro contra a minha casa. Mas o que o Sarney fez comigo é mais indefensável”, diz Alcinéa. “Muitas portas se fecharam, e meu filho não consegue emprego.” Na época, Alcinéa postou: “Recadinho para os velhos ranzinzas e ditadores: enquanto vocês gastam seus dias procurando motivos para me processar, eu uso meus dias para ser feliz”.

Quando se conhece Alcinéa ao vivo, a afirmação parece bem perto da verdade. Ela tem tantos amigos e o quintal é tão frequentado que dá vontade de raptá-la para a entrevista. Sua tensão só é exibida ao fumar um cigarro atrás do outro. Alcinéa tem jeito manso e se ilumina toda quando sorri. No fundo de seus olhos, porém, mora um brilho de gente boa de briga. “Eu achava que só aqui no Amapá tinham medo do Sarney”, diz. “Descobri nessa crise do Senado que metade do Congresso é patife e a outra metade é frouxa. Um por cento deve dar para respeitar.” Fotografa uma rosa do jardim e oferece aos leitores virtuais. Mais tarde vai ao templo da Igreja Messiânica Mundial do Brasil para rezar: “Peço a Deus que descongele o coração do Sarney”.

Alcinéa Cavalcante 
Endereço do blog: www.alcinea.com


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"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da Justiça, porque deles é o reino dos céus." Jesus, no Evangelho segundo Mateus,  capítulo 5, verso 10.

8 de set. de 2009

mais #forasarney

Mais links de notícias sobre o Fora Sarney deste Sete de Setembro:

  1. http://www.cidadeverde.com/politica_txt.php?id=44200
  2. http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/chega-ao-ceara-movimento-fora-sarney/
  3. http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3961757-EI7896,00-Manifestantes+pedem+saida+de+Sarney+durante+desfile+em+Brasilia.html
  4. http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/09/07/desfile+militar+de+7+de+setembro+abre+a+semana+da+patria+em+brasilia+8296908.html
Fora Sarney na Wikipedia:
  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Forasarney

5 de set. de 2009

NOVAS MANIFESTAÇÕES # FORA SARNEY BRASIL: SETE DE SETEMBRO


Protestos de 7 de Setembro

Porto Alegre – RS
Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 9h
Onde: concentração em frente a Câmara Municipal

Brasília – DF

Ação: Será realizada uma grande festa.
Inicio 9h! Por isso,  CHEGAR CEDO.
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 7h
Onde:  Concentração na Rodoviária, Plano Piloto.
Escada rolante próxima à entrada do metrô.
Mais informações

Rio de Janeiro – RJ

Ação: Manifestação durante o Desfile Militar Oficial
promovido pelo Governo do Estado
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 7h
Onde:  Saída do metrô Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro
Mais Informações

Rio de Janeiro II

Ação: Panelaço Nacional – Leve sua panela e vista-se de preto
Quando: dia 07 de setembro
Horas: às 16h
Onde:  Praça General Osório, em Ipanema, Zona Sul.

São Paulo – SP

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 14h
Onde:  MASP
Mais informações

Campinas – SP

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 10h30
Onde: Largo do Rosário
* usar verde/ou amarelo

Itu – SP

Ação: panelaço contra a corrupção
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 17h
Onde: Praça da Matriz

Mogi Guaçu – SP

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 8h
Onde: Encontro na praça da Antiga Biblioteca ( João XXIII) . Todos de preto!

Belo Horizonte – MG

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 14h
Onde: concentração na Praça Sete

Salvador – BA

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 7h
Onde:  Concentração na Rua da Graça, em frente ao restaurante Shiro

Curitiba – PR

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 10h
Onde: Centro Cívico
Concentração: em frente ao Shopping Mueller
*Venha de preto, nariz de palhaço e cartão vermelho na mão.

Maringá – PR

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 14h
Onde: concentração em frente a Universidade Estadual  (UEM).

Florianópolis – SC

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 16h
Onde: Trapiche da beira-Mar
Mais informações

Vitória – ES

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 9h
Onde: em frente ao Bob’s na Praia do Canto

Manaus – AM

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 9h
Onde: Posto em frente ao estádio Vivaldo Lima

Goiânia – GO

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 15h
Onde: Na Praça Universitária

Limoeiro do Norte – CE

Ação: manifestação pública
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 17h
Onde:  escola Padre Joaquim de Menezes

Tuntum – MA

Ação: manifestação pública contra opressão governamental (Roseana e Sarney)
Quando: segunda, dia 07 de setembro
Horas: às 15h
Onde: Concentração em frente a Unidade Integrada Gilza Léda, Bairro Vila Luizão
O que levar: cartazes, bandeiras, apitos, panelas…

São Luís – MA

capa_marannhao

Protestos de 8 de Setembro

São Paulo – SP

Ação: manifestação pública
Quando: terça-feira, dia 8  de setembro
Horas: às 13h
Onde: MASP

Protestos de 12 de Setembro

Bauru-SP

Ação: manifestação pública
Quando: sábado, dia 12 de setembro
Horas: às 15h
Onde: Av. Getúlio Vargas, enfrente ao Confiança Max
MAIS: http://www.forasarney.com/
Veja Orkut: Comunidade Fora Sarney
Twitter: #forasarney

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