Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)
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16 de dez. de 2008
aneurisma
13 de dez. de 2008
sarney, o eterno mandatário da censura no Brasil
“Que homem é este que no Amapá é contra a imprensa livre e no resto do país faz pose e discurso de defensor da liberdade de imprensa?”, diz a jornalista em seu blog.
Alcinéa foi alvo de diversos processos movidos por Sarney por causa de matérias publicadas em seu antigo blog durante a campanha eleitoral de 2006. Em fevereiro de 2007, ela foi indiciada pela Polícia Federal. Alcinéa também foi pivô do movimento Xô Sarney. Por sua atuação como blogueira, ela foi premiada pela organização Repórteres Sem Fronteiras e pelo The Best Of The Blogs.
“Aqui no Amapá está uma coisa absurda. Eu digo que é muito pior do que o regime ditatorial. É um ataque brutal à liberdade de expressão e a imprensa aqui não pode divulgar nada. Isso só acontece no Amapá e desde a campanha do ano passado”, revelou a repórter ao Comunique-se quando foi indiciada pela PF.
Na eleição de 2006, Alcinéa não foi o único alvo de Sarney e seu grupo político na imprensa. Na ocasião, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá aprovou diversas ações contra veículos de comunicação. Jornais, rádios e sites foram suspensos, multados e/ou obrigados a oferecer direitos de resposta a pedido do senador.
A assessoria do senador afirma que a carta de apoio à Tribuna da Imprensa foi enviada para diversos órgãos de imprensa, e que Alcinéa tem o direito de manifestar a sua opinião. Diz ainda que Sarney não fez nenhum comentário sobre o texto publicado pela jornalista.
Leia a nota publicada no blog da Alcinéa nesta quarta-feira
Não dá, senador! Através de sua assessoria o senador José Sarney (PMDB) me envia matéria intitulada "Em defesa da imprensa livre" com pedido para que seja publicada aqui no meu blog. A matéria é sobre um pronunciamento que ele fez lamentando o fechamento do combativo jornal Tribuna da Imprensa.
Mas logo o Sarney que aqui no Amapá, em 2006, pediu o fechamento de blogs, jornais e mandou tirar do ar programas de rádio. Que homem é este que no Amapá é contra a imprensa livre e no resto do país faz pose e discurso de defensor da liberdade de imprensa?
Que homem é este que no Estado que lhe dá de presente o mandato de senador usa todos os meios para calar as vozes que têm a ousadia de contestá-lo e que no resto do país posa de defensor de jornalistas corajosos?
Não dá, senador, para publicar a matéria que o senhor me enviou. O seu lamento pelo fechamento da Tribuna soa muito falso, afinal aqui em Macapá o senhor mandou fechar blogs, jornais, tirar programas de rádio do ar, o senhor condenou vários jornalistas ao desemprego, ao pagamento de multas estratosféricas e a ter o nome no Cadin, o que impede que os jornalistas que o senhor condenou possam abrir uma empresa para começar um pequeno negócio seja na área de comunicação ou em outra qualquer, impede até que os cônjuges desses jornalistas possam acessar financiamento para aquisição da casa própria, como impede acesso a qualquer crédito, como um empréstimo bancário para um tratamento médico.
Decididamente, senador, não dá pra publicar tal matéria. Ninguém aqui vai acreditar nas suas palavras.
Ou será que o senhor mudou?
Sarney lamenta fechamento da Tribuna da Imprensa
Blogueira do Amapá é processada por comentário contra família Sarney
TRE-AP pune veículos de comunicação locais
muito dinheiro, muitos problemas
Para responder a tantas intimações judiciais, Elvira contou, e continua contando, com o apoio de outros funcionários da Folha. Até o momento, a jornalista já venceu as 58 ações julgadas, mas ainda restam outras 47.
“Eu cheguei a receber 13 intimações em uma semana. Era impossível comparecer a todas. A Folha botou muita gente para ajudar. Emocionalmente, essa série de processos me causou um impacto muito grande, porque eu temi que me jogassem contra o fiel da Igreja Universal. Não era nada disso. Era uma matéria de levantamento patrimonial. Eu espero que esse prêmio ajude a desatar esse nó judicial”, diz.
Elvira conta que a reportagem é resultado de anos de conhecimentos acumulados na área de radiodifusão. Diz ainda que a matéria consumiu dois meses de trabalho apenas na apuração final, que contou com incontáveis pesquisas na Junta Comercial e no levantamento das identidades dos proprietários das empresas.
A reportagem revelou que a Igreja Universal, além de controlar 23 emissoras de TV e 40 de rádio, mantinha 19 empresas registradas em nome de seus membros, entre elas, dois jornais diários, duas gráficas, uma agência de turismo, quatro empresas de participações, uma imobiliária, uma empresa de seguro saúde e uma de táxi aéreo.
O Esso e a Igreja Universal
A festa de premiação, no Copacabana Palace, na noite desta 3ª. feira (9/12), foi apresentada por Renata Cordeiro e Marcos Hummel.
Antes de conhecer o resultado, Elvira falou à editora Regional deste J&Cia no Rio de Janeiro, Cristina Vaz de Carvalho: "Eu me sinto muito honrada por ser finalista. Recebo a indicação como um desagravo, uma resposta à tentativa de calar a imprensa”. Dá para imaginar, agora que ela já sabe que ganhou o prêmio, o quanto isso deverá representar para a sua carreira e para o bom trabalho que fez naquela série histórica.
Ironia do destino, o outro mais importante prêmio da noite, o da categoria Telejornalismo, foi vencido por... Este colunista dá um picolé de limão para quem acertar. Sim, acertou quem arriscou Rede Record. Fácil, não é mesmo? Então é só entrar na fila e aguardar o picolé.
A Record, com a equipe integrada por André Felipe Tal, Ricardo Andreoni, Jorge Valente e Marcelo Zanini, ganhou o Esso de Telejornalismo com a reportagem “Dossiê Roraima: pedofilia no poder”, exibido no Domingo Espetacular, da emissora que tem o bispo Edir Macedo como seu principal mandatário, e que foi alvo da matéria de Lobato.
Ou seja, dois júris diferentes, um para mídia impressa e outro para telejornalismo, concederam aos veículos que mais se estranharam este ano as duas principais categorias do Esso.
Coisas da vida e que poderiam ser diferentes caso a Rede Globo desistisse da polêmica decisão de boicotar o prêmio desde o ano em que se sentiu injustiçada pela escolha. Decisão que também a revista Veja adotou anos atrás e que só a ela, Veja, traz prejuízos. O prêmio continua vigoroso e desejado como sempre, por dez entre dez jornalistas do País, inclusive entre os que trabalham na Globo e na Veja. Com essa decisão, esses veículos têm permitido aos concorrentes brilharem, como foi o caso este ano da Record, que venceu na categoria Telejornalismo, e da revista Época (da mesma Organizações Globo), ganhadora do Esso de Informação Científica, Tecnológica e Ecológica, com Suicídio.com, de Eliane Brum, Solange Azevedo e Renata Leal.
Outra coisa curiosa é que o boicote de Veja ao prêmio não é adotado pelas demais publicações da Editora Abril, caso da Superinteressante, que sempre se inscreve e vive beliscando prêmios, como aconteceu este ano na Categoria Criação Gráfica Revista, pelo trabalho “Quando a máquina dá pau”, produzido por Adriano Sambugaro, Josi Campos, Carlo Giovani, Fabiano Silva e Rodrigo Ratier.
E os demais vencedores da noite? Vamos a eles:O Esso de Reportagem foi para Ana Beatriz Magno e José Varella, do Correio Braziliense, com o trabalho “Os brinquedos dos Anjos”.
Clóvis Miranda, de A Crítica, de Manaus, levou o Esso de Fotografia com “Martírio no Presídio”.
O Globo, com a matéria Desemprego Zero, de Fabiana Ribeiro, Lino Rodrigues, Higino de Barros e Henrique Gomes Batista, venceu na categoria Informação Econômica.
Na categoria Especial de Primeira Página venceu O Dia, com “Cientistas brasileiros fazem alerta: mais terremotos vêm aí”, de autoria de Alexandre Freeland, André Hippert, Breno Girafa, Ana Miguez e Luísa Bousada.
A Folha de S. Paulo ganhou também o Esso de Criação Gráfica – Categoria Jornal, com “Cigarro e álcool na adolescência”, de Renata Steffen, Fernanda Giulietti, Ivan Finotti, Alexandre Jubran, Tarso Araújo e Letícia de Castro.
O Esso Especial Interior ficou com o Diário de Santa Maria, com a matéria “No coração do Haiti”, escrita por Iara Lemos.
As três categorias regionais foram vencidas respectivamente por Diário de Pernambuco (Regional 1), com “Hanseníase”, de autoria de Sílvia Bessa e Marcionila Teixeira; Estado de Minas (Regional 2), com “Sangria na saúde”, de Alana Rizzo, Thiago Herdy, Maria Clara Prates e equipe; e O Globo (Regional 3), com “Tribunal do tráfico”, de Mauro Ventura.
Para
FONTE: Portal Comunique-se. Texto de Eduardo Ribeiro, jornalista profissional formado pela Fundação Armando Álvares Penteado e co-autor de inúmeros projetos editoriais focados no jornalismo e na comunicação corporativa, entre eles o livro-guia "Fontes de Informação" e o livro "Jornalistas Brasileiros - Quem é quem no Jornalismo de Economia". O autor integra o Conselho Fiscal da Abracom - Associação Brasileira das Agências de Comunicação e é também colunista do jornal Unidade, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, além de dirigir e editar o informativo Jornalistas&Cia, da M&A Editora. É também diretor da Mega Brasil Comunicação, empresa responsável pela organização do Congresso Brasileiro de Jornalismo Empresarial, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas.
12 de dez. de 2008
a música de Capitu
Beirut
Elephant Gun
lyrics
If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight
Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around
Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down
Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down
And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night
And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide
cigarro: charme francês ou problema social?

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La France compte environ 30 % de fumeurs réguliers ou occasionnels. Très bien respectée, l'interdiction de fumer dans les lieux publics semble également plébiscitée par les Français. Mais la mesure n'a pas eu l'effet escompté sur la consommation de cigarettes. Selon un sondage réalisé en mai pour l'Institut national de prévention et d'éducation à la santé (Inpes), 9 % seulement des fumeurs déclaraient voir dans l'interdiction de fumer une raison d'arrêter. L'OFT observe aujourd'hui deux indicateurs supplémentaires : la stagnation du nombre d'appels passés à la ligne d'aide au sevrage, Tabac Info Service, ainsi que celle des ventes de substituts nicotiniques. «Chez les collégiens parisiens, la consommation de tabac est même repartie à la hausse entre 2004 et 2008», ajoute le Pr Dautzenberg, qui propose aujourd'hui dix mesures concrètes permettant, selon lui, de faire reculer le tabagisme actif. Première d'entre elles, l'augmentation du prix du tabac : «une hausse de 10 % diminuerait de 4 % la consommation», selon l'OFT. L'introduction de paquets génériques, neutres et dénués de toute publicité indirecte, ou encore la vente des cigarettes sous le comptoir sont également recommandées. L'instauration des images chocs sur les paquets est, elle, actuellement à l'étude au ministère de la Santé.
Peu de prévention au collège
«Les collégiens n'ont reçu cette année que peu de messages de prévention pour leur rappeler les vrais dangers du tabac : les dernières campagnes importantes leur ont été en effet présentées lorsqu'ils étaient encore à l'école primaire», regrette par ailleurs l'association, qui réclame des campagnes ciblées à leur intention. Une meilleure prise en charge de l'arrêt du tabac et la formation des professionnels de santé sont enfin préconisées.
En mai, à l'occasion de la Journée mondiale sans tabac, la ministre de la Santé, Roselyne Bachelot, avait annoncé le lancement d'une campagne de presse et télévisée incitant au sevrage. L'interdiction des cigarettes aromatisées, conçues pour séduire les adolescents, a, elle, été glissée dans la loi de santé qui sera examinée à l'Assemblée nationale en janvier. «L'interdiction de fumer dans les lieux publics a considérablement amélioré la qualité de l'air dans les cafés, souligne-t-on dans l'entourage de Roselyne Bachelot. N'oublions pas que l'objectif premier était de protéger les non-fumeurs.»
Lula e seu palavreado de alcova
Mas, neste começo de dezembro, os deuses foram generosos: Cony reclamou da linguagem acadêmica, porque não entendeu passagens de um texto, Lúcia Guimarães escreveu sonoras bobagens sobre gerundismo em sua coluna no Estadão, Lula teve um comportamento no mínimo informal, em pronunciamento no Rio de Janeiro (falou "diarréia" e "sífu", abalando os sólidos alicerces morais e etiquetais da sociedade brasileira), um jornalista de Brasília analisou pérolas do ENEM, artigo meio bobo que mereceu análise muito competente de Marina Silva etc.
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Fico deveras impressionado com a pudicícia da sociedade brasileira, especialmente da TV Globo!! Mas não é lá que passa, só para dar um exemplo, o BBB? Ou será que Bonner estava se referindo à palavra "diarréia"?
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Os que andam pelados “a qualquer pretexto”, mostrando “a intimidade e as partes” devem pensar como o professor Sírio, provavelmente: que não há nada de mais em o presidente da República dizer palavras chulas em cerimônia do Governo, pronunciando-se oficialmente, em evento fartamente divulgado pela mídia. É possível que entre algumas pessoas a atitude de Lula não tenha causado espanto, portanto.
Não se trata, como afirma o professor Sírio, de "preconceito". Aliás, qualquer crítica que se faça a determinados comportamentos, hoje em dia, já é classificada de "preconceito". Esse é um discurso fácil e oportunista. As pessoas, todas, têm direito a ter sua opinião e elaborar seus conceitos. Lula se expôs publicamente, então pode ser criticado também publicamente. Que fique claro: o que o Lula faz entre amigos e em casa, desde que não utilize o que é do povo, é problema dele. Não me interesso muito pelo assunto. Mas, em ocasiões oficiais do Governo Federal ele deve ao povo o proceder de um funcionário público. Os princípios que valem para todos os outros valem para ele. Além disso, o Lula não estava em um churrasquinho de domingo, tomando uma cervejinha, entre os seus: estava a trabalho, remunerado pelo dinheiro público, que ele (mal) administra. Deveria imaginar que, assim como há os Sírios da vida, há os outros, que não acham nem agradável, nem correto, nem educado, nem moralmente defensável um discurso marcado por vocabulário rasteiro. E, convenhamos, o Lula é o presidente do Brasil, e isso quer dizer que ele é o presidente de todos. Inclusive daqueles que se escandalizaram com seu discurso e que têm o direito de se escandalizar.
É verdade que a crítica a alguém que diz palavras de baixo calão, entre os modernos e hodiernos, é mal vista. Como é que se diz? "É preconceito". Afinal, o palavrão é uma legítima manifestação popular da cultura nacional, é a libertação dos oprimidos, o libelo contra o conservadorismo da direita, a voz contra a caretice e o autoritarismo, a simbologia de tudo o que é popular etc. Criticar o linguajar chulo do Lula, então, é “preconceito lingüístico” – eu vejo como democracia e direito de opinião, coisas que andam em baixa no Governo do PT.
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Ao contrário do que diz o professor, em seu artigo, é óbvio que o homem pode falar “sifu”. Mas é evidente, também, que eu posso achar lamentável que ele fale, assim como outras pessoas e setores da mídia. Ninguém cala ninguém e travamos, todos, um debate democrático. Certo? Democracia é isso: o Lula pronunciou um discurso que surpreendeu muita gente, foi criticado e, logo depois, foi defendido. Como figura pública, é mais do que esperado e normal que, numa situação como a que ele criou, seja criticado.
Lula ocupa um cargo pelo qual responde a todos os brasileiros. Em seu julgamento, o professor Sírio chega a aplaudir as palavras do presidente da República. Mas nem todos concordam com a largueza moral e a "pequena avaliação técnica" do mestre, que afirma que Lula disse “sifu” para, na verdade, não dizer “sifu”. Apesar dessa não tão evidente "mostra de escrúpulo" por parte de Lula, houve quem achasse ofensivo e indigno que o presidente tenha utilizado esse tipo de vocabulário.
O professor faz até algumas concessões. Diz que sabe que “há uma distribuição social do palavrão, seja por falantes (homens podem mais que mulheres - ou podiam), seja por contextos (o que se pode dizer em arquibancada não pode em palanque)”. Ainda bem. Eu respiro mais aliviada sabendo que ele tem uma idéia do que seja contexto lingüístico e discursivo. Seria duro, para mim, constatar que um professor do curso de Letras da Unicamp não sabe que o programa do Faustão é uma coisa e uma cerimônia pública oficial do Governo Federal é outra. E tudo para quê? Para não dizer que Lula disse besteira. Aliás, Lula desancou mesmo "os que têm uma 'diarréia' de mercado e depois pedem socorro ao Estado", mas não deixou de assinar o cheque. Temos aí duas coisas imorais: o linguajar do presidente e sua relação promíscua com o "mercado".
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11 de dez. de 2008
como fazer TV meia boca
Você conhece a Sônia Abrão? Eu sei quem é. Ela é uma especialista em fofocas televisivas, baixarias e afins, tudo isso envolto num suposto caráter jornalístico. Sônia Abrão tem um programa de TV, do qual não me lembro o nome agora. O programa é exibido durante a tarde, na Rede TV!, e discute o sexo dos anjos, atraindo subespecialistas em quase tudo.
Sônia Abrão é uma mistura de Maga Patalójika e Mortiça. Com sua voz fina, arrastada, monocórdica, mal impostada e anasalada, consegue angariar a antipatia de Gandhi e Jó, juntos. De olho na audiência, mas aparentemente interessada em ampliar a cultura de seus telespectadores e discutir temas relevantes para a cidadania, como o Programa BBB, a apresentadora entrevista pessoas sem a menor relevância social e sem nada de interessante a dizer, exatamente como ela mesma, e se engaja seriamente em ser uma criadora de celebridades instantâneas, mostrando o que é subjornalismo de verdade.
Sônia Abrão, num furo de jornalismo, entrevistou o Lindemberg, seqüestrador e assassino da adolescente Eloá Pimentel, de 15 anos. E ela fez isso durante o seqüestro da jovem e de sua amiga Nayara, passando por cima da polícia, dos parentes dos envolvidos e da ética, principalmente. A apresentadora deu voz a quem nunca teve mas queria muito receber a atenção da mídia. Ela presenteou com exposição nacional um desequilibrado notório. Certamente Sônia Abrão deve ter angariado uns pontinhos a mais de audiência ao seu programa modorrento. Por conta disso, o Ministério Público Federal de São Paulo está processando a Rede TV! . Mas Sônia Abrão não tem limites. Ela faz de tudo para manter seu emprego e, por “tudo”, entenda-se o que é antiético e de mau gosto – inclusive entrevistar criminosos no exercício do crime.
Outro dia a apresentadora entrevistou, em mais um furo midiático, o ex-PM Marcelo Silva e sua nova namorada. Envolvido com escândalos, fofocas e violência, Marcelo Silva era o ex-marido da atriz Suzana Vieira e compunha o perfil exato dos entrevistados por Sônia Abrão. A conversa, que ia do nada para o lugar nenhum, rendeu uma tarde inteira. Ao vivo. Uma tarde inteira para que uma subcelebridade mostrasse suas vísceras, seus pensamentos selecionados e planos de vida.
No final das contas, morreu a jovem Eloá, assassinada por Lindemberg, que está preso. Lindemberg foi entrevistado por Sônia. Hoje de manhã soube que Marcelo Silva, o ex-PM e ex-marido da atriz Suzana Vieira, morreu. Marcelo Silva foi entrevistado por Sônia. Além de muito chata, descobri que Sônia Abrão é um tremendo pé frio.
artigo

São as famosas "pérolas do Enem", que circulam todo ano na internet. Sempre tenho dúvidas sobre a veracidade desses relatos, mas, desta vez, li a respeito no texto de um colunista do jornal Correio Braziliense ("Amazonologia", Eduardo Reis, 15/11/2008), que os trata como autênticos.
Se as frases por ele reproduzidas são de fato provenientes das redações do Enem sobre meio ambiente e Amazônia, estamos diante de um gravíssimo adoecimento educacional do país, que essas provas deixam mais evidente. E, o que é pior, os jovens vítimas dessa situação são ridicularizados, como se fossem uma espécie de "palhaços" trágicos da nossa incapacidade coletiva de superar um dos piores passivos nacionais, que é o da educação.
FONTE: Portal Terra
9 de dez. de 2008
magister dixit
8 de dez. de 2008
as deusas, as musas e os maridões

Outro dia parei em uma banca de jornal e comecei a folhear uma revista dessas. Lá estavam as “deusas”, as “musas” e os “maridões”. Sem encontrar termos novos, a mídia repete essas mesmas palavras ad nauseam. Da revista Caras à TV Brasil, lá estão eles. São personagens de nosso cotidiano no salão de beleza, na ante-sala do dentista, do médico e da esteticista. Não nos faltam na hora de enfrentar aqueles minutos chatos até a hora do atendimento.
Por “musa” entenda-se qualquer mulher que tenha feito comercial de cerveja. Tirou foto pelada? É musa. Colocou silicone nos peitos? É musa. Dos gregos resta uma vaga lembrança da idéia original, usada e abusada nestas terras tropicais. Da Sandy à Ana Maria Braga, todas são musas. Uma não-musa deveria ficar feliz: saiu da vala comum. O uso de “musa” está tão difundido que daqui a pouco vão substituir o “senhora” por musa. Senhora, mulher, deputada, senadora, prefeita, cantora, atriz, a lista é longa. Imaginem a revista Carta Capital, ou a Veja, chamando a ministra Dilma Roussef de “musa”. Não está longe de acontecer.
Pior que musa é deusa. Deusa ninguém merece. Me lembra uma amiga da minha mãe, uma senhora de mais de 50 anos que se chamava Deusa. A Dona Deusa. O chato é que “deusa” é usada quando falta outro nome. Ninguém mais diz “a atriz...” São todas “deusas”. Com a enorme safra de modelos-atrizes-apresentadoras, chamar alguém de atriz inadvertidamente pode até dar processo. Mas deusa pode, para tristeza da inculta e bela. Como praticamente todas as mulheres que aparecem em revistas de fofocas já se tornaram deusas, tenho a impressão de que vivemos numa Grécia revisitada, inclusive no critério numérico. Se antes as deusas eram poucas, hoje são centenas. Namorou jogador de futebol? É deusa. Posou pelada? É deusa. Fez novela? É deusa. E ainda existem as deusas do hortifruti, que são metade mulheres, metade frutas, e aí há fartura de melancias, jacas e morangos.
Mas nem só de deusas vivem as revistas de fofoca. Muitos homens são classificados de “maridões”. O maridão é uma categoria masculina em alta. Morou junto, namorou, casou, não importa: apareceu de bermudão e havaianas, andando de mãos dadas com alguma famosa de ocasião, é maridão. Existe uma necessidade absurda dessa imprensa por maridos. As mulheres adoram. Esposas são poucas, dada a abundância de musas e deusas, mas os maridos se multiplicam. A palavra “maridão”, em si, denota aquele homem meio indolente que anda sem camisa e acompanha a mulher famosa. É o marido que só é fotografado porque está ao lado da mulher conhecida. O sufixo de grau aumentativo confere uma idéia bondosa, paciente e bonachona ao homem que acompanha a “deusa”. Antes de cair em desgraça, o ex-marido da atriz Suzana Vieira, ela mesma uma musa-deusa, era o “maridão”. Por aí já dá pra imaginar. Deusas e musas não têm marido, têm “maridão”. Homens belos e conhecidos, em geral, são “gatos” e “galãs”. Aliás, “galã” é outra palavra coringa: se fez propaganda de cueca já é considerado galã. Qualquer coisa serve. Inventou a dança da manivela? É “gato”. Participou do programa da Ana Maria Braga? É “galã”. E por aí vai. Já homens quase desconhecidos, mas casados com mulheres conhecidas, são “maridões”.
Nada contra as musas, as deusas e os maridões. Muito pelo contrário. As palavras sinalizam quem é, de fato, absolutamente comum. Chamar alguém de "musa" é conferir à pessoa o certificado de mesmice. “Não há nada de interessante nela, é uma musa”. Se alguma reportagem fala de alguém que não é musa, nem deusa, nem maridão, bom, nesse caso deve ser alguém interessante.
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