Igreja Gay: uma vergonha para os evangélicos!
texto de Hermes Fernandes
Semana passada, no dia 27 de Novembro, uma das rádios evangélicas de maior popularidade do Brasil exibiu um debate sobre homossexualismo. Entre os participantes estavam o Pr. Silas Malafaia, o Desembargador Fábio Dutra, o Pr. Paulo Afonso, o Pr. Augusto Miranda, o Pr. Paulo César e o Pr. Marcos Gladstone. Este último é líder da Igreja Contemporânea do Rio de Janeiro, conhecida como "igreja gay".
Gladstone é homossexual assumido, e declara ser casado com seu companheiro e também pastor Fábio Inácio.
O debate poderia ter sido muito proveitoso, caso não houvesse alguns momentos desrespeitosos, onde as partes se atacaram mutuamente.
Silas, como sempre, vociferou suas opiniões sem o menor recato, chegando ao cúmulo de referir-se aos seus opositores que assistiam no auditório da rádio como "bonecas". No final, retratou-se, sabendo que isso poderia lhe render uma ação jurídica.
Se todos mantivessem a linha, muitas coisas poderiam ter sido esclarecidas. Oportunidade desperdiçada.
Tive pena do Gladstone. Embora discorde de seus posicionamentos, acho que ele merece respeito, como qualquer ser humano.
Silas disse que não há igreja evangélica gay, nem tampouco "pastor gay". Gladstone, para revidar, afirmou que era pastor reconhecido pela Federação de Teólogos do Brasil (ou algo do gênero).
Um dos momentos mais curiosos foi quando Gladstone afirmou que muitos pastores e filhos de pastores já o procuraram em sua igreja, confessando que eram gays. Não duvido nada! Conheço o caso em que um pastor foi flagrado sentado no colo de um obreiro.
Definitivamente, a igreja evangélica brasileira não está preparada para discutir um assunto tão polêmico como este. Falta maturidade, finesse, e sobretudo, amor.
Por que acho que é uma vergonha para os evangélicos que haja uma igreja gay? Simples. Esta igreja só surgiu para preencher uma lacuna deixada pela igreja evangélica. Se os gays fossem acolhidos em nossas comunidades, a fim de que fossem expostos à Palavra de Deus, eles não teriam qualquer razão para buscar uma igreja dedicada exclusivamente a eles.
Não estou dizendo que as igrejas deveriam legitimar sua conduta. Não! Apenas afirmo que devemos ser mais misericordiosos, compassivos, agindo mais ou menos como nosso Mestre agiria.
Me recuso a acreditar que Jesus os rechaçaria. Também não acredito que Ele estimularia que Seus seguidores se entrincheirassem contra os homossexuais, como tem sido feito.
Tornamo-nos seus inimigos número 1. Como poderemos evangelizá-los? Como poderemos conduzi-los aos pés do Salvador?
Será que somos melhores do que eles? Será que nossa avareza, idolatria, inveja, carnalidade, ocupam um lugar de menor importância dentro da lista de pecados condenados pela Palavra?
Sinceramente, creio que a Igreja deveria se manifestar solidária a todo grupo humano minoritário que buscasse ser respeitado. Sem endossar qualquer que fosse a conduta pecaminosa, deveríamos comprar uma briga pelas prostitutas, homossexuais, seguidores das religiões afro-brasileiras, ciganos, etc.
Te escandalizei?
Pois o Cristo a quem sirvo também escandalizou os religiosos pudicos de Sua época ao colocar-se em defesa da mulher adúltera, desmascarando a pseudosantidade dos religiosos que queriam apedrejá-la.
Tornamo-nos tão diferentes de Jesus. Estamos sempre do lado errado. Do lado dos poderosos, dos mantenedores do Status Quo, dos corruptos, dos salafrários.
Repito: não acho que devemos baratear a mensagem do Evangelho, endossando qualquer conduta que não se coadune com seus valores e princípios.
Porém, acredito que devemos usar de misericórdia, tanto quanto dela necessitamos. Afinal, são os misericordiosos que alcançarão misericórdia.
Ao xingar seus oponentes de 'bonecas', ou 'meninas', Silas Malafaia revelou o lado preconceituoso daqueles a quem ele julga representar. Foi um desserviço à causa do Evangelho.
Nunca vi ninguém se converter no calor de uma discussão.
Se queremos ser respeitados, devemos, antes de tudo, respeitar, mesmo o mais vil pecador. Não somos melhores do que eles.
Que tal se olharmos para nós mesmos como fez Paulo, que considerou-se o principal dos pecadores?
Que tal se deixarmos de olhar para o outro de cima pra baixo, e considerar-nos igualmente carentes da graça de Deus?
Que o Projeto de Lei 122 precisa de ajustes, não resta dúvida. Mas não será com xingamentos e ataques que vamos reverter isso.
O que não se pode negar é que o debate serve mesmo é a interesses políticos daqueles que se fiam na ingenuidade do povo evangélico para se elegerem.
Igreja nenhuma deveria sentir-se ameaçada por qualquer que seja a PL. Faz-se um escarcel danado para que os crentes pensem que a tal "ditadura gay" vai obrigar às igrejas a aceitarem e celebrarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E assim, os propineiros vão se elegendo e agradecendo ao deus Mamom pelas "graças" recebidas.
Bem... Esta é minha humilde opinião. Você tem todo o direito de discordar.
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FONTE: Blog do Hermes Fernandes
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MINHA CRÍTICA: Bom, o autor me deu o direito de discordar. Ainda bem. Tem gente que tem blog e, quando eu discordo de sua opinião, não publica meu comentário. Paciência.
Mas, discordando, vou fazer minha crítica. Vamos lá. Hermes Fernandes fala de "amor". Que amor? Ora, o amor senso-comum, o amor vendável, o amor que é só aprovação, jamais correção. Usando um conceito de amor distorcido como escudo, muitos cristãos - sobretudo os que se declaram "modernos" e antirreligiosos - têm deixado de abominar o pecado que Deus abomina.
A prática homossexual é pecado, isso está claro na Bíblia, e não se trata de uma questão de interpretação, como querem alguns: Deus criou Adão e Eva, e não Adão e João, ou Eva e Ana. Isso, por si só, mostra que o princípio do Criador para o estabelecimento da família foi macho e fêmea, e que, tendo estabelecido o casal, deu-lhe a possibilidade de gerar vida, tendo filhos e criando a família. A prática homossexual, o casamento gay, as uniões homoeróticas e tudo o que vá nesse sentido ferem o princípio basilar estabelecido por Deus em toda a natureza, em toda a criação.
Creio que há dois erros na igreja cristã, em relação ao comportamento homossexual: o primeiro é o extremo da agressão e da discriminação. O cristão, por mais que isso lhe custe, deve amar o pecador, qualquer pecador, e deve tratá-lo com respeito - Jesus assim o faria. O segundo erro, decorrente da tentativa de corrigir o primeiro, é o outro extremo: a falta de discernimento, de exortação, de admoestação, de correção por meio da Palavra, de proclamação da Verdade contra toda a mentira que a faz ser diferente do Plano de Deus. O homossexualismo é pecado, o homossexual é um pecador.
A boa notícia é que Deus ama o pecador, ama o homossexual, e por isso quer seu arrependimento, a mudança de vida, de caminhos, de mentalidade. Se não amasse o pecador, mandaria a humanidade para o inferno, direto. Não fez isso, contudo: enviou seu próprio filho para morrer pelos homens. Por fazer o impossível, e o que muitos julgam improvável e difícil, Deus pode transformar todo impulso homoerótico em vida afetiva e sexual de acordo com sua vontade, mas é preciso primeiro o arrependimento, a confissão do pecado, o desejo de superação. É preciso que o homem ou a mulher que tenham a prática homossexual a considerem errada. Sem isso, não há mudança. E é assim para qualquer pecador, não há exceção.
O que se vê hoje? Grupos que defendem acima de tudo o direito à homossexualidade querem que não mais vejamos a prática como pecado, erro, mal, aceitando-a naturalmente, como à heterossexualidade. Ora, todos têm o direito de pensar e viver como bem lhes parecer. Mas não podem obrigar ninguém a concordar. Muitos homossexuais foram discriminados nas igrejas, é verdade, mas isso não torna o homossexualismo menos pecado e não atenua o mal diante de Deus: se não é possível se congregar em uma igreja, será em outra. Outros não estão na igreja porque não querem, optaram por mudar a verdade de Deus em mentira e viver de acordo com suas concupiscências, segundo a obra da carne, como diz a Bíblia. E pressionam as igrejas e os cristãos, que consideram o homossexualismo o que ele é, pecado, a mudar os conceitos bíblicos e divinos.
Por isso, e diante da situação pouco amigável que se estabeleceu entre esses grupos e líderes religiosos, e da vitimização do homossexual, muitos cristãos batem no peito e dizem "somos todos culpados". Mas, novamente discordando, devo dizer que de modo algum, não, não somos culpados. Eu, pelo menos, sei que eu não sou culpada pela fundação de nenhuma igreja gay, ou pela rejeição de homossexuais nas igrejas.
Essa saída fácil de "somos todos culpados" é muito usada também quando se fala em violência aqui no Rio, num discurso reducionista, maniqueísta e fácil. Obviamente, a questão não é tão rala, que vitimize os assassinos e traficantes e culpe inteiramente a sociedade. Assim como a questão dos homossexuais na igreja cristã-evangélica não é tão pueril a esse ponto, de "somos todos culpados": cada um é culpado dos pecados que cometeu, e, mesmo quem sofreu danos por ações de terceiros continuará a ser responsável por seus próprios pecados e atos - assim como quem perpetrou os prejuízos será responsável pelo que fez.
Muito bem, chegamos ao ponto que eu gostaria de ressaltar: quando o pastor Hermes diz: "Esta igreja só surgiu para preencher uma lacuna deixada pela igreja evangélica. Se os gays fossem acolhidos em nossas comunidades, a fim de que fossem expostos à Palavra de Deus, eles não teriam qualquer razão para buscar uma igreja dedicada exclusivamente a eles.", está incorrendo num erro grosseiro, pois obviamente a igreja gay não surgiu exclusivamente (só) para preencher lacunas deixadas pela igreja cristã-evangélica, mas para criar espaços não existentes nessa igreja, que legitimam um comportamento que a igreja cristã-evangélica não aprova. Pela lógica do texto, a igreja cristã-evangélica deveria celebrar casamentos entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo. Depreendendo o raciocínio da argumentação, a igreja cristã-evangélica deve estar errada em não fazer o que as igrejas gays fazem, ou seja, celebrar casamentos gays, aceitar relacionamentos entre dois homens ou duas mulheres, "adaptar" a Palavra aos relacionamentos gays e concluir que Davi e Jônatas eram amantes (por exemplo) etc.
Obviamente, pelo fato de as igrejas não aceitarem o homossexualismo como algo "natural" é que as igrejas gays surgiram, pois ela nada faz além de proclamar que o homossexualismo é correto, e que Deus os fez assim, e ponto final. Trata-se de rebelião, em grande parte, o motivo da criação das igrejas gays, e não de falta de acolhida nas igrejas cristãs-evangélicas. Pois não importa a acolhida que uma pessoa com comportamento homossexual tenha na igreja, ela terá que ouvir que seu comportamento é pecaminoso, e saberá que o pastor e os demais membros, acolhendo-a, não poderão ser coniventes com seu pecado, assim como não poderão ser favoráveis a nenhum outro comportamento pecaminoso recorrente. Infelizmente, é exatamente isso que a maioria dos homossexuais não querem ouvir, considerando tal julgamento "homofóbico".
Nesse sentido, obviamente, as palavras de Hermes Fernandes, nas entrelinhas e num plano que chamamos, nos estudos sobre o Discurso, de "subentendido", são favoráveis ao comportamento homossexual.
Hoje, infelizmente, temos muitos pastores - como Caio Fábio e Hermes Fernandes - acreditando que a prática homossexual é boa, e que casais gays, vivendo em fidelidade e compromisso, pecam menos que os que são promíscuos.
Considero triste que não haja, de fato, opiniões equilibradas sobre o assunto, salvo exceções, como Julio Severo. Silas Malafaia pensa de acordo com a Bíblia, mas é preciso ter, além de bom ânimo e firmeza, serenidade para tratar desse assunto - e de qualquer outro relativo à Palavra de Deus e ao pecado.
Só quero concluir lembrando que ao defender o direito da mulher adúltera ao respeito, Jesus não atenuou seu pecado: apenas mostrou que todos somos pecadores e disse a ela que não pecasse mais. É assim que os pastores devem agir.

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