Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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24 de dez. de 2008

Feliz Natal, Aleluia.



Para ver e ouvir este vídeo, vá primeiro à caixa "Maya_musique", na coluna à esquerda, e clique em "pause". Depois, venha aqui e clique em "play". Se na primeira passagem houver interrupções, experimente ver na segunda.

Certamente você já ouviu esta música, em O Senhor das Armas ou em Shrek. É Halleluja, de Leonard Cohen. Pesquei algumas dessas informações na web: A versão que toca em "O Senhor das Armas" é a de Jeff Buckley (a mesma do filme "Edukators"). A versão original é de Leonard Cohen. Em Shrek, a versão é de John Cale:

Baixar aqui: http://www.mp3-download-lyrics.com/music...
http://www.emp3world.com/mp3/89589/Jeff%...
http://www.mp3000.net/download/mp3/29498


Achei no Youtube:

Que versão linda (Espen Lind - on guitar - Askil Holm, Alejandro Fuentes, Kurt Nilsen - World Idol - four norwegian great singers. For more info. visit:www.senjalady.piczo.com/?cr=5 ): http://www.youtube.com/watch?v=T2NEU6Xf7lM&feature=related
No filme Shrek, com John Cale: http://www.youtube.com/watch?v=X0pcFHgDtus&feature=related
Na voz de Jeff Buckley (minha preferida, entre as diversas outras versões): http://www.youtube.com/watch?v=HKnxmkOAj88&feature=related
A tradução: http://video.aol.com/video-detail/aleluia-jeff-buckley/3074796502
Com Michael Sweet: http://www.youtube.com/watch?v=yQPgBfwL1Gs
Com Rufus Wainwright: http://www.youtube.com/watch?v=mmbQEQltOwM&NR=1 e http://www.youtube.com/watch?v=gcM02aV39xc&feature=related
Com Leonard Cohen, o autor: http://www.youtube.com/watch?v=rf36v0epfmI&NR=1
Com John Cale (bela versão): http://www.youtube.com/watch?v=ckbdLVX736U&feature=related
Com Damien Rice, a versão que está reproduzida aqui no Blog (minha segunda preferida): http://www.youtube.com/watch?v=aaHdeNN_ee0&feature=related

Há ainda muitas outras versões...

Enjoy it...

Feliz Natal (no meio de tantos apelos comerciais e gastronômicos, se você ainda se lembrar qual é a razão do Natal... Não, não é o Papai Noel...)

feliz



Esta bela e simples imagem foi um presente do querido Jander Antonio, colega da pós-graduação em Letras da Universidade Federal Fluminense. Meu muito obrigada ao Jander e meu Feliz Natal a todos.


:)

23 de dez. de 2008

ça suffit

Ça suffit, presidente.


Há uns dois dias tomei conhecimento de que o Brasil continua em 70º lugar na lista de IDH da ONU. IDH é o Índice de Desenvolvimento Humano, e avalia, por meio de pesquisas, medições e dados do próprio Governo e de organismos internacionais, a qualidade de vida da população. Saúde, educação, saneamento básico, mortalidade infantil e expectativa de vida, além de outros aspectos, são levados em conta para a obtenção do IDH. Na América do Sul, o Brasil perde para países como a Argentina (46º lugar), o Chile (40º lugar), a Venezuela (61º lugar) e o Uruguai (47º lugar). Na América, de modo geral, perde para os EUA (15º lugar), o Canadá (3º lugar), o México (51º lugar), Cuba (48º lugar), Bahamas (49º lugar), Costa Rica (50º lugar), Trinidad e Tobago (57º lugar), Panamá (58º lugar), São Cristóvão e Neves (60º lugar), Antigua e Barbuda (59º lugar), Barbados (37º lugar), Santa Lucia (66º lugar). O Brasil perde em outros aspectos, também: tem o litro de gasolina mais caro, como já postei por aqui. Mas ganha em outros: tem o segundo maior índice de corrupção do mundo, a maior concentração de riquezas, a maior carga tributária e o maior lucro de donos de banco.

De 2005, ano de divulgação do último registro de IDH, para 2008, o Equador subiu 17 posições no ranking. A Venezuela, 13. Portanto, não é impossível deixar para trás registros vergonhosos que, desde sempre, fazem parte da vida nacional. O que falta é vontade política. Falta honestidade, transparência, lisura e decência no trato do que é público. Falta o presidente beber menos, falar menos besteira e ser minimamente honesto com os que o elegeram. Bolsa Família não melhora IDH. Fosse assim, estaríamos no topo da América do Sul. Países que não têm programas assistencialistas estão em situação melhor que a nossa. Falta o BNDES ajudar menos os ricos e mais os pobres. Alguns dirão: “O Brasil melhorou, sim, apesar de o IDH continuar o mesmo...” Melhorou, mas foi o mínimo, a menor margem, um resultado ínfimo diante da arrecadação, do PIB, do dinheiro que saiu para a corrupção, das viagens presidenciais, do falatório presidencial, da propaganda governamental. O Brasil melhorou um pouquinho, o suficiente para não morrer asfixiado. Deveria ter melhorado muito mais, infinitamente mais. Com nota 0,800, num total que varia de 0 a 1, o Brasil melhorou, do famigerado governo FHC até aqui, 0,02 ponto, Isso mesmo: Lula, em seis anos de governo, nos fez melhorar 0,02 ponto. E isso por conta de três fatores: alguma melhoria na alfabetização, o aumento do PIB per capita e da longevidade. Veja a evolução do IDH de 1975 até hoje:

#1975:(índice=0.649)
#1980:(índice=0.685)
#1985:(índice=0,700)
#1990:(índice=0,723)
#1995:(índice=0.753)
#2000:(índice=0.789)
#2005:65ªcolocação(índice=0,792)
#2006:69ªcolocação(índice=0,792)
# 2007: 70ª colocação (índice = 0,800)

Já no quesito concentração de renda, somos campeões, jamais perdendo para países como Chile, Argentina, Uruguai... Segundo a Wikipédia, “no Brasil a concentração de renda é tão intensa que o índice P90/P10 está em 68 (2001). [2] Ou seja, para cada Dólar que os 10% mais pobres recebem, os 10% mais ricos recebem 68. O Brasil ganha apenas da Guatemala, Suazilândia, República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto e Namíbia.”
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No ranking mundial da corrupção também somos campeões. O Governo Lula conseguiu nos elevar a índices altíssimos, deixados para trás há dez anos. Voltamos a eles, graças ao Governo do PT e do PC do B: “O Índice de Percepção da Corrupção no Brasil se manteve estável em 2008 na comparação com o ano anterior, mas o país caiu oito posições no ranking dos países que tem menor percepção da corrupção no setor público, ficando agora com a 80ª posição, divulgou a organização não-governamental Transparência Internacional nesta terça-feira. Mesmo com a manutenção do índice em 3,5, o Brasil aparece atrás de países como Butão, Botsuana, Gana e Seicheles na lista da ONG. Na América do Sul, o Brasil ficou à frente de Argentina, Bolívia, Paraguai, Equador e Venezuela. O país também está empatado no ranking com Burkina Faso, Marrocos, Arábia Saudita e Tailândia. A Transparência Internacional detectou uma "ligação fatal entre pobreza, instituições falidas e corrupção" no mundo como um todo. De acordo com a entidade, a presença de países como Somália, Iraque e Haiti na parte de baixo do ranking mostra que o aumento da corrupção provoca um ‘contínuo desastre humanitário’.”

Mais um quesito em que somos campeões: duvido que algum país da América Latina tenha um avião tão luxuoso quanto o Aerolula. Ao custo de R$ 153 milhões de reais, temos o presidente de um país subdesenvolvido e líder de um governo corrupto voando como chefes de Estado de primeiro mundo. Não poderia deixar de registrar mais esta façanha presidencial.
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Após seis anos de Governo Lula, acho que não há mais ilusões. Um governo que, com tanto apoio popular, arrecadação recorde e 72 meses para governar até agora não conseguiu tirar o Brasil dessas estatísticas vergonhosas, acreditem, não o fará nem em cem anos de domínio da máquina pública.
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Desejando ao Brasil um presidente mais decente – em todos os sentidos – chego ao fim de 2008. Em 2010, graças a Deus, teremos novas eleições. PT, meus amigos, nunca mais. Ça suffit, como diria Nicolas Sarkozy.
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19 de dez. de 2008

dicionário do movimento pentecostal


Gostaria de compartilhar com vocês a alegria que eu tive por ter ido à Igreja Assembléia de Deus de Niterói, que fica no bairro Fonseca, em Niterói (RJ) neste último domingo, dia 14/12/2008, à noite. O pastor-presidente é Gessé Adriano da Silva, e foi também ele quem pregou, à noite. A Assembléia de Deus de Niterói é a segunda igreja Assembléia de Deus mais antiga do Estado do Rio de Janeiro – a primeira fica no bairro de São Cristóvão, município do Rio. Cheguei até lá por meio do pastor Isael de Araújo, outra grata surpresa: uma pessoa extremamente gentil, pronta a ajudar. O pastor Isael é o superintendente da Escola Dominical e é pastor-auxiliar da Igreja.
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Nessas explorações blogosféricas conheci o Blog do pastor Isael, o Dicionário do Movimento Pentecostal [http://dicionariomovimentopentecostal.blogspot.com/]. Logo que conheci o Blog, entrei em contato com o pastor para ir à Igreja. O nome do Blog do pastor Isael refere-se ao livro de sua autoria, de quase mil páginas. O Dicionário é uma extensa obra de referência para pesquisadores, estudiosos e interessados em simplesmente conhecer melhor a história do Movimento Pentecostal no Brasil. Em 2011 as Assembléias de Deus completam seu centenário, e muita coisa aconteceu nesse espaço de tempo -- o Dicionário traz muitos registros dessa História. Além das Assembléias de Deus, há também outras igrejas pentecostais, e o Dicionário não é só uma obra sobre a Assembléia de Deus: é geral, e tem caráter historiográfico e documental. No final do culto pude conversar um pouco com o pastor e folhear o livro – que deve ter dado um trabalho incrível. O pastor me contou que estudantes da área de Ciências Sociais o procuram constantemente em busca de informações para suas teses e monografias. Diferentes universidades abrigam estudos sobre a expansão do movimento pentecostal no Brasil, e obras como o Dicionário do Movimento Pentecostal tentam suprir uma grande carência de informações. A Editora é a Casa Publicadora das Assembléias de Deus, CPAD. Vou colocar no Blogstatement o link para o Blog do pastor Isael, e recomendo a todos que o visitem.

No mais, guardo a boa recordação do culto, da predicação, dos louvores. Agradeço também à irmã Sônia Fonseca, uma gentil criatura que me ajudou a chegar até lá. Desde que me mudei de Brasília e tive de parar de freqüentar a Igreja Assembléia de Deus Um Novo Dia, dirigida pelo pastor Sóstenes Apolos, não encontrei uma igreja que me edificasse tanto. Cada um com seu cada um, há pessoas que não se adaptariam à Assembléia de Deus e eu, infelizmente ou felizmente, não me adapto tão bem a outras denominações. Para isso contam muitos fatores, da doutrina à organização do culto. Acho que sou mais “careta”, gosto de celebrações sem muito estardalhaço. Por outro lado, o culto frozen das igrejas mais tradicionais me deixa frustrada. Freqüentei uma igreja, durante um curto período, assim. Nada de “aleluia”, “glória a Deus”. Se alguém se sentisse inspirado a proclamar um curto “amém”, desistia logo: o ambiente convidava todos à contenção mais rígida. As pessoas eram simpáticas, e a predicação do pastor era muito inteligente, cheia de conteúdo intelectual, recheada de citações de Santo Agostinho e congêneres (nada contra Santo Agostinho...). Mas, sinceramente, aquilo não me animou. Educação inglesa e pouca manifestação do Espírito de Deus. Cada um com seu cada um, sei há pessoas ali edificadas por meio de um modelo que não me serviu. Do mesmo modo, há algumas igrejas que têm o chamado “louvor extravagante”, além de tantas outras coisas mais, todas extravagantes, e, confesso, não me sinto à vontade nelas. Tenho uma grande amiga que é membro de uma igreja assim, e ali ela é alimentada. Eu gosto de cantar os hinos da Harpa Cristã, e não há nada de muito extravagante nisso. Quer coisa mais bela que os hinos dos hinários, sejam eles batistas, metodistas ou assembleianos? Cantar os hinos antigos pode não ser "extravagante", mas é belíssimo e inspirador. Já freqüentei uma igreja, em São Luis do Maranhão, em que os hinos do Hinário (não era Assembléia) não eram cantados, pois os jovens não os suportavam. Pode? Pois é, era a "ditadura da galera". No final das contas, os hinos acabaram sendo marginalizados, a onda eram os cânticos moderninhos. Tive medo do dia em que a Bíblia fosse substituída pelo livro Marley e eu e saí logo. Brincadeiras à parte, uma igreja que não preserva suas tradições está sujeita a ser levada por qualquer brisa de novidade, sem jamais se ancorar realmente em um terreno firme. Tudo é novidade: G12, louvor extravagante, dança profética... Por outro lado, uma igreja que só vive de tradições, sem ver que a inovação é inerente ao espírito humano e ao próprio Deus, está fadada ao legalismo vazio ou a uma renovação carnal e circunstancial de costumes – não do espírito e da vida. Agradeço a Deus que Ele me permite avistar ambas as coisas, a tradição e a renovação, nas Assembléias de Deus. Dito isso, devo reconhecer também que nesta vida é cada um com seu cada um, ou seja: cada pastor é um ser humano independente e único, e cada igreja, por mais ligada às outras que esteja, tem vida própria.

Histórias politicamente corretas auxiliam na educação das crianças?

Em muitas escolas de São Paulo, o Lobo Mau, arquiinimigo da Chapeuzinho Vermelho, em vez de ser morto pelo caçador, acaba fugindo dele. E a vovozinha, antes de ser devorada pelo animal, fica, na verdade, presa no armário. Também músicas tradicionais e populares vêm sofrendo pequenas alterações. É o caso de versos como "Não atirei o pau no gato" e "boi da cara preta não pega essa criança que não tem medo de careta".

Essas mudanças, no entanto, que procuram ser coerentes com discursos ditos politicamente corretos, são criticadas por alguns especialistas. Para o escritor Ilan Brenman, o intuito das licenças poéticas é justamente reduzir o grau de violência, agressividade e competição entre as crianças, a partir das obras literárias e das cantigas. "Segundo a pesquisa que realizei, pais e professores do Brasil inteiro começaram a adotar essas medidas imaginando que, ao reduzir o grau de agressão presente nas histórias, essa violência também se reduziria na vida real", explica Brenman, que também é contador de histórias, além de ter defendido recentemente tese de doutorado sobre o assunto na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP).

No trabalho, orientado pela professora Hercília Tavares de Miranda e chamado de Emília: uma reflexão sobre a produção de livros politicamente corretos destinados às crianças, o autor assegura que, para desespero dos politicamente corretos, poupar as crianças das mazelas da vida nas obras de arte resulta no efeito contrário. Ou seja, impedir que a criança vivencie violência, morte, monstros e bruxas do mal no plano simbólico pode levá-la a querer experimentar tudo isso no plano real. Para o pesquisador, a boa literatura infantil e as cantigas tradicionais são a válvula de escape para que crianças lidem e trabalhem o lado sombrio, cruel, obscuro que todos os seres humanos têm por natureza.

Graduado em Psicologia, Brenman é um estudioso da relação entre infância e cultura e, ao longo de sua trajetória, marcada pela publicação de mais de 20 livros infantis, vem percebendo o temor e o terror dos adultos em lidar com temas que para os pequenos são comuns. "Veja o peso que os adultos dão para a morte. Em geral, as crianças lidam muito melhor com questões delicadas. Os adultos é que são cheios de interpretações e dificuldades", sugere. Por isso, ao contrário do que muitos pais e professores pensam, trabalhar com assuntos chamados de cabeludos não incentiva ninguém a ser mais violento, ou mais cruel. O especialista diz que entende a preocupação em querer reduzir o grau de violência. Vivemos, afinal, num mundo cheio de pequenas e grandes tragédias causadas pelo excesso de agressividade das pessoas. Mas, garante, mora aí o primeiro contra-senso desse método de suavizar a literatura. "Eu trabalhei na antiga Febem, com menores infratores, durante muito tempo. E o que fez eles chegarem àquele lugar não foi o excesso de contato com a literatura infantil. Pelo contrário, quase nenhum deles teve larga experiência com a cultura", conta o pesquisador. Ele entende que o que motivou a criminalidade nos menores, portanto, não foi a postura do Lobo Mau, ou o frágil amor relatado em Ciranda Cirandinha. "Foi a falta de família estruturada, escola de qualidade, pai e mãe presentes. Vamos portanto descriminalizar a literatura".

Terceirização da educação
Há ainda uma segunda interpretação errada que pode ser feita. Segundo Brenman, os pais da sociedade atual terceirizaram a educação dos filhos para as escolas e estas, por sua vez, vêm terceirizando a educação para os livros. Portanto já não são os pais nem as escolas quem dizem o que é certo e o que não é, quem transmite os valores, quem cobra as posturas corretas, que estabelece limites, parâmetros e referências. Diante da crise geral de princípios da educação, a escola passou a acreditar que os livros seriam uma fonte mais confiável de inspiração – e aí acontece um engano com consequências complicadas. "A literatura não nasce para ensinar ninguém a nada. Nasce, como todas as formas de artes, da necessidade de expressão do artista, da necessidade de colocar no plano da realidade algum conteúdo que movia o artista naquele momento", defende Brenman. Ou seja, a literatura até educa, mas não no sentido formal e mais rigoroso da expressão. Educa na medida em que faz as pessoas se encontrarem com as grandes questões da vida e da humanidade e não porque apresenta corretamente as lições que a escola quer passar. Não é para isso que ela serve, na visão do autor.

Por isso, a decisão que algumas escolas já tomaram de trocar as obras clássicas e modernas da boa literatura para crianças por pseudo-literatura já filtrada e que sirva para ensinar boas maneiras e boas relações com a diversidade não vai atingir o objetivo. "Não adianta culpar os livros pela violência da sociedade e nem combater essa violência com pseudo-literatura. O que sempre vai funcionar é família e escolas responsáveis pela educação, no sentido integral da palavra", alerta Brenman, antes de levantar mais um problema gerado por esses livrinhos adotados atualmente. "O texto das obras politicamente corretas é pobre, o vocabulário é reduzido e, de um modo geral, as crianças são subestimadas. E o resultado é que a criança deixa de sentir cócegas na alma quando lê. E nem se educa, nem curte a leitura", garante. Brenman lembra que isso que ele chama de cócegas na alma, o psicanalista Bruno Betelheim, autor de A psicanálise dos contos de fadas, classificava de histórias com algum perigo. Em contrapartida, as chamadas "histórias fora de perigo" são aquelas que não permitem o escoamento simbólico das forças, dos instintos, das pulsações que movem todo ser humano. Por isso, os ensinamentos que elas pretendem levar não conduzem à paz verdadeira – aquela que segundo Brenman contém as adversidades naturais da vida. "Levam a uma paz morta, a paz do cemitério, que não é decididamente aquela que devemos desejar", explica o contador de histórias. Para ele, a linguagem dos livros e cantigas, essa sim, é uma ferramenta para a chamada boa educação. A criança que tem contato desde cedo com a linguagem ao mesmo tempo sofisticada e simples dos contos de fada, por exemplo, ou das melhores obras da literatura mundial conhece mais palavras, enriquece o léxico, e fala e pensa melhor. "E se ela se comunica melhor, pode resolver os problemas sem bater ou agredir", defende Brenman.

Para concluir, o pesquisador da Universidade de São Paulo convida pais, mães e professores a entenderem o mundo da literatura infantil do ponto de vista da criança. Aquilo que os grandes chamam de sentimentos, fenômenos, manifestações conhecidas e que se pode manter sob controle, as crianças – por vezes – chamam de fantasmas. Medo, sentimento de abandono, ciúme, perdas, raiva, fúria, paixão, pena – tudo aquilo que parece banal para um adulto, são conceitos e sensações inéditas para um pequeno e por isso podem causar estranhamento. Para isso, a solução não é fechar a porta e impedir a criança de ter contato com o fantasma. "Na verdade, os fantasmas somem quando a gente os encara de frente e os convida para entrar. E é convivendo melhor com os nossos fantasmas e os dos outros que a gente cresce", ensina Brenman. "Por isso, se o que a gente quer é uma criança bem educada – no sentido grego da palavra, de tirar de dentro dela o melhor que ela pode dar – a chave é oferecer a ela o melhor que a arte permite. Literatura politicamente incorreta, mas perfeita para crianças inteligentes, é um desses presentes que a gente deve dar", conclui.

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Por Elisa Marconi e Francisco Bicudo

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COLABORAÇÃO: Olavo de Carvalho

18 de dez. de 2008

bolsas de estudo para 2009


BRED
Bolsa Universitária


Olá,

É com enorme satisfação que declaramos obter mais de 5.000 bolsas (parciais e integrais) para ingresso e transferência referentes ao processo seletivo 1º/2009 em faculdades conveniadas ao Bred.

Obs.: A bolsa está condicionada à aprovação do aluno no vestibular da faculdade conveniada, sendo que as bolsas integrais terão critérios sociais e de mérito acadêmico.

Cadastre-se gratuitamente em nosso site: http://www.bred.com.br/

Obs.: Depois de se cadastrar, escolha as bolsas que você tem interesse em concorrer! Basta clicar no nome do curso de seu interesse. Certifique-se que aparecerá um botão SIM na coluna CONCORRENDO no lado esquerdo do nome do curso, isso significa que você já está concorrendo à bolsa! Você pode escolher vários cursos para concorrer! O processo já está em andamento e em breve entraremos em contato para lhe contemplar!

Mais informações
Telefone: (61) 3399 - 8036

A equipe BRED lhe deseja Boa Sorte!!!

um dia é da caça. o outro é da cassação.


BRASÍLIA - O processo de cassação do governador Jackson Lago (PDT) deve entrar na pauta do Tribunal Superior Eleitoral nesta quarta-feira (17). O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres, fez uma ponderação à Corte dizendo que haviam muitos processos para serem julgados na sessão de hoje (16).
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O governador Jackson Lago (PDT) é processado pela oposição por abuso de poder econômico e de autoridade. O ministro Carlos Ayres confirmou também para amanhã (18) o julgamento do governador da Paraíba Cássio Cunha Lima.
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Também enfrentam pedidos de cassação no TSE os governadores Luiz Henrique (Santa Catarina), Ivo Cassol (Rondônia), Marcelo Déda (Sergipe), José de Anchieta Júnior (Roraima), Marcelo Miranda (Tocantins) e Waldez Góes (Amapá). Todos já apresentaram defesa.
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O presidente do TSE, minintro Carlos Ayres, fez uma ponderação à Corte dizendo que havia muitos processos para serem julgados na sessão de hoje.
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Fonte: Portal imirante.com
COLABORAÇÃO: Prof. Gusmão

adquira já o novo kit left revolution...

Cansado de levar uma vida pouco cansativa? Precisando se integrar à maioria inquieta? Desejando um pouco de aventura? Seus hormônios pedem mais rebeldia? Seus problemas acabaram! Chegou o novo Kit Left Revolution, a solução para quem leva uma existência mais ou menos. Com este novo kit você finalmente vai se sentir parte de alguma coisa verdadeiramente verdadeira.
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O vídeo a seguir é uma paródia das propagandas da Polishop e foi produzido pelos alunos da Faculdade de Comunicação da UFRGS para a disciplina "Laboratório de Criação".

Para ver e ouvir este vídeo, vá primeiro à caixa "Maya_musique", na coluna à esquerda, e clique em "pause". Depois, venha aqui e clique em "play". Se na primeira passagem houver interrupções, experimente ver na segunda.

COLABORAÇÃO: Meu ex-aluno de Francês da UnB, Olavo de Carvalho (pensaram que era "o outro" Olavo de Carvalho, né?)



a dor dos outros e a nossa


A dor que nunca passa

Nos anos 1970, quando abriam a BR-364 no Acre, ela cortou ao meio o Seringal Bagaço, onde eu morava com minha família. À derrubada da mata seguiu-se uma epidemia violenta e incontrolável de sarampo e malária. Era gente doente ou morrendo em quase todas as casas. Perdi um primo e meu tio Pedro Ney, que foi uma das pessoas mais importantes da minha infância. Morreu minha irmã de quase dois anos e, quinze dias depois, outra irmã, de seis meses. Seis meses depois, morreu minha mãe. Tudo era avassalador, assustador. Uma dor enorme, extrema, que nunca passou. Para sair disso, tivemos que reconstruir, praticamente, o sentido inteiro do mundo. Aceitar o inaceitável, mas carregá-lo para sempre dentro de si. Ir em frente, enfrentar a dureza do cotidiano, sobreviver, cuidar dos outros. Viver, enfim, e dar muito valor à vida e às pessoas.

Em 1985, numa das maiores enchentes do rio Acre em Rio Branco, eu morava no bairro Cidade Nova, na periferia da cidade, numa pequena casa de onde tivemos que sair às pressas, levando o que foi possível numa canoa. O resto foi levado pelas águas, inclusive o único retrato que tínhamos de minha mãe.

Penso agora nisso tudo e acho que consigo entender o que sentem os catarinenses, mas ainda estou longe de alcançar o significado estarrecedor de uma perda tão total e instantânea como a que sofreram. Na escuridão, o morro descendo, destruindo tudo, a busca desesperada pelos filhos, a impotência. E, depois, descobrir-se só em meio ao caos: acabou a casa, foram-se as pessoas amadas, o lugar no mundo. Não há mais nada, só a vida física e a força do espírito.

Meus filhos andam pela casa com todo vigor, com toda a beleza da juventude, e sequer consigo imaginar o que seria, de uma hora para outra, vê-los engolidos pela terra, debaixo de toneladas de escombros ou mutilados para o resto da vida. É algo terrível demais até no plano da imaginação. Fere a própria alma tão fundo que chega a ser impossível entender plenamente a profunda tristeza de quem enfrenta essa realidade.

Na Londres de 1624, os sinos da catedral de São Paulo, onde o poeta John Donne era o Deão, tocavam quase ininterruptamente anunciando as milhares de mortes causadas pela peste. Atingido por grave enfermidade (que chegou a ser confundida com a peste) Donne escreveu então um de seus textos mais conhecidos, a Meditação XVII: "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de teus amigos ou mesmo tua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."

Hoje, no mundo, os sinos dobram por todos nós e para nos acordar. Grandes desastres podem virar acontecimentos corriqueiros. Não se pode afirmar peremptoriamente que a tragédia de Santa Catarina deriva, em linha direta, das mudanças climáticas identificadas no relatório do IPCC, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU. Mas em tudo se assemelha às previsões de possíveis impactos da mudança no clima do sul do Brasil, até o final do século 21.

A natureza, numa pedagogia sinistra, parece exemplificar o que significam esses fenômenos extremos que, em várias regiões do planeta, tenderão a provocar períodos de seca muito mais severos e outros com precipitações intensas.

As ações de mitigação necessárias e as adaptações para enfrentar esses efeitos e reduzir nossa vulnerabilidade diante deles ainda são precárias e estão atrasadas. Os países ricos, detentores de recursos, conhecimento e tecnologia, já avançam em medidas para se proteger. As piores conseqüências deverão recair sobre os países pobres e os em desenvolvimento. A urgência é auto-explicável. Não é um cientista quem o diz e nem um livro. É a natureza, cujos avisos e alertas têm sido insanamente ignorados.

O Brasil, que ontem lançou o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, não tem como deixar de fazer a sua parte, mesmo sem os meios disponíveis nos países ricos. O acontecido em Santa Catarina é um sintoma e deve ser seguido de um esforço de grandes proporções, de início imediato, para tentar evitar que se repita.

É preciso que cada um de nós, autoridades públicas, empresas e cidadãos, pensemos nos mortos, nas famílias inteiras soterradas, nas vidas destroçadas debaixo do barro, antes de sermos tolerantes com ocupação em encostas, com destruição de matas ciliares, com o adensamento de áreas de risco, com mudanças de conveniência nas legislações. Não há mais espaço para empurrar os problemas ambientais com a barriga, como tentam fazer alguns, e deixar para "o próximo" o ônus de medidas ditas antipáticas. A omissão que ceifa vidas humanas tem que acabar, mesmo à custa de incompreensões.

Nos tempos atuais, há mais um componente na agenda ética: não se deixar corromper diante das pressões para ignorar a proteção ambiental e as medidas de precaução exigidas pela intensificação dos fenômenos naturais. Quem detém algum tipo de representação pública deve se convencer de que é preciso mudar profunda, rápida e estruturalmente os usos e costumes, de modo a preparar o País para um futuro de sérios desafios ambientais. Cada vez mais, não é só uma questão de errar, corrigir o erro e aprender com ele. Agora a palavra de ordem é prevenir o erro, para que não se repitam os olhares perdidos, os rostos esvaziados, o choro inconsolável, a
desesperança e as mortes que vimos nesses últimos dias em Santa Catarina.

***

Texto de Marina Silva, professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.

FONTE: Portal Terra

COLABORAÇÃO: Olavo de Carvalho

16 de dez. de 2008

rapadura


QUANDO SE TEM DOUTORADO

O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea Saccharus officinarum, (Linneu, 1758) isento de qualquer outro tipo de processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões erestas retilíneas, configurando pirâmides truncadas de base oblonga epequena altura, uma vez submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos órgãos especiais existentes na Apismellifera (Linneu, 1758). No entanto, é possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.


QUANDO SE TEM MESTRADO

A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo. Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões equivalentes e opostas.

QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO

O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se emblocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas proporções quando sujeito à compressão.


QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO

Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável do mel, porém não muda de forma quando pressionado.


QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL

Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou flexível.


QUANDO NÃO SE TEM ESTUDO

Rapadura é doce, mas não é mole, não!
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COLABORAÇÃO: Prof. Lincoln

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