Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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2 de out. de 2007

Djavan [1]

Um Amor Puro

O que há dentro do meu coração
Eu tenho guardado pra te dar
E todas as horas que o tempo tem pra me conceder
São tuas até morrer
E a tua história eu não sei
Mas me diga só o que for bom
Um amor tão puro que inda nem sabe
A força que tem
É teu e de mais ninguém
Te adoro em tudo, tudo, tudo
Quero mais que tudo, tudo, tudo,
Te amar sem limites
Viver uma grande história
Aqui ou noutro lugar
Que pode ser feio ou bonito
Se nós estivermos juntos
Haverá um céu azul
Um amor puro
Não sabe a força que tem
Meu amor eu juro
Ser teu e de mais ninguém
Um amor puro...

Djavan...

Tropa de Elite... segunda opinião.

Olha... se há uma pessoa que eu posso dizer que é um amigo-irmão-querido-do-meu-coração... é o Cesário Augusto, carinha nota dez em tudo o que faz, professor dedicado, competente, disciplinadíssimo... Cara maluco, também, esse Cesário! Nós e nossas andanças por Brasília, Cesário e suas aulas louquinhas de teatro na UnB, seus filmes esquisitos, as histórias do doutorado em Londres (cara chique, até vegetariano ele é...), eu levando o Cesário pra Igreja e ele encenando aceitar Jesus, entrando no personagem... Putz! Já chorei muito neste ombro amigo, também... OK, ele me mandou este texto hoje, agorinha mes. Amo você, meu amigo Cesário!

***

Gentes, este artigo do Mário Maestri saiu no "Correio da Cidadania", jornal que recebo pela internete regularmente. Traz, o autor, uma visão despojada de sensacionalismos como a veiculada pela última edição da Revista (ultra-conservadora) Época.
O artigo se encontra em http://www.correiocidadania.com.br/content/view/922/61/.
Boa leitura.
Cesário.
¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨

Matando pelo bem do Brasil

Escrito por Mário Maestri
01-Out-2007

Em “Tropa de Elite”, o singular não é o filme em si, mas o estrondoso sucesso antes mesmo do seu lançamento. Como película, a obra de José Padilha repete em geral as receitas inovadoras de “Cidade de Deus”, sem o brilho do célebre longa-metragem de Fernando Meirelles: a criminalidade urbana como tema; o narrador como condutor da trama; os quadros dinâmicos em uma sucessão de clips. Uma espécie de plágio doce devido parcialmente ao fato de Bráulio Mantovani assinar os roteiros das duas películas.

Na essência, os filmes são opostos. Em “Cidade de Deus”, através da história da comunidade homônima, Fernando Meirelles relata a construção social do criminoso, para propor superação individual pela arte e pelo trabalho (fotografia) do destino do jovem favelado ao crime. Mantendo-se nos marcos da leitura da favela pela cidade, a câmara de Meirelles procura dar a voz aos protagonistas. No fundo, é leitura social otimista, ainda que ingênua.

Não há meias cores em “Tropa de Elite”, apesar do sinistro claro-escuro em que o filme se move. Os protagonistas e antagonistas são feitos de uma só peça: corruptos ou honestos às vísceras. Os únicos heróis são os policiais do BOPE, a sinistra tropa de elite carioca que, no filme, tortura, mata e morre em desesperada e incompreendida última defesa da civilização contra a barbárie, da cidade contra o morro. Ao iniciar a película, o narrador traça o quadro geral maniqueísta: “Se o Rio dependesse só da polícia tradicional, os traficantes já teriam tomado a cidade [...]”.

“Tropa de Elite” não cria muito. Limita-se a encenar sentimentos que ultrapassam os limites das classes altas e médias endinheiradas: a certeza de que a única solução para o crime, corporificação da maldade absoluta, é a mão-de-ferro da repressão sem piedade. Proposta com a qual a mídia martela uma imensa parcela da população que materializa, no sentimento de insegurança, o stress permanente produzido pelas incertezas e insatisfações da vida quotidiana.

O que não significa que o filme não possua soluções imaginosas, como a inversão da ordem normal dos fatores sociais, ao apresentar a execução do horrível traficante “Baiano”, branco, pelo honestíssimo Matias, policial e acadêmico de Direito, negro. Ou a melodramática superposição de papéis de Nascimento, o capitão do BOPE, organizador dos assassinatos e homem sensível à espera do primeiro filho, símbolo da inocência do mundo que defende, à custa de permanente descida ao inferno.

O deputado quer apenas saber o “quanto” vai ganhar, ao se associar a policiais que chafurdam no crime. Os estudantes discutem as causas e as soluções da marginalização social mas, no frigir dos ovos, são drogados hipócritas, traficantes e queridinhos de criminosos. Nesse mundo em degringolada, o único remédio forte é a morte e a tortura ministradas profissionalmente por policiais incorruptíveis, que entregam a vida se necessário no cumprimento de suas missões. Tudo pelo bem do Brasil.

José Padilha apenas dramatiza a apologia das execuções de populares pelas forças policiais, sob as ordens e cumplicidade das autoridades e os aplausos dos meios de comunicação. “Carandiru”, de Hector Babenco, denunciou sem maior sucesso o mega-massacre da polícia militar paulista. Invertendo o sinal, “Tropa de Elite” glamouriza mortandades como as do Complexo do Alemão, em junho deste ano.

Através da escusa da encenação do real, “Tropa de Elite” radicaliza as propostas de “Tolerância Zero” com a criminalidade, apresentadas incessantemente pela cinematografia estadunidenses de segunda linha. Sem pruridos, extrema insinuações de séries como “Lei & Ordem” sobre a legitimidade da execução e da tortura na obtenção de resultados louváveis: a eliminação do terrorista, a morte do traficante, a prisão do pedófilo.

Em fins dos anos 1980, o sucesso da subliteratura de tema esotérico de Paulo Coelho registrou a crise geral da confiança nas soluções sociais racionalistas, devido à vitória mundial da maré neoliberal. No mundo fantástico do segundo governo Lula da Silva, enquanto cresce a dilaceração dos laços sociais e nacionais, os ricos tornam-se mais ricos e as classes médias viajam ao exterior despreocupadas com a inevitável ressaca do dia seguinte do real-maravilha.

O sucesso de “Tropa de Elite” registra o conservadorismo crescente da população nacional, na esteira da fragilização do mundo do trabalho e mergulho geral das lideranças populares tradicionais na corrupção. É enorme vitória dos poderosos que policiais fardados de preto encarnem a solução da insegurança nacional, distribuindo a morte entre os pobres, sob a bandeira da caveira sorridente. “Tropa de elite, osso duro de roer, pega um, pega geral, também vai pegar você!”. E, se não te cuidares, meu chapa, vai te pegar, mesmo!

***

Mário Maestri é professor do curso de História e do PPGH da UPF.
E-mail:
maestri@via-rs.net Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email.
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1 de out. de 2007

Rápida e indolor [21]

O marido e a mulher não se falavam há uns três dias... Entretanto, o homem se lembrou de que no dia seguinte teria uma reunião muito cedo no escritório. Como precisava se levantar cedo, resolveu pedir à mulher para acordá-lo. Mas, para não dar o braço a torcer, escreveu num papel: "Me acorde às 6 horas da manhã".
.
No outro dia ele se levantou e, quando olhou no relógio, eram 9h30. O homem teve um ataque e pensou: "Que droooga ! Mas que absurdo! Que falta de consideração, ela não me acordou..." Nisto, olhou para a mesa de cabeceira e reparou num papel no qual estava escrito: "...São seis horas, levanta!!!"
.
Moral da História: Não fique sem conversar com as mulheres...
.
COLABORAÇÃO: Maria José Nélo.

Miguel Paiva [1]

Para ampliar a imagem, clique nela!

FONTE: Revista Nova, set/out 1997.

Outra do Davi Miranda...

Recebi há pouco por e-mail, do Davi Miranda, aluno do curso de Letras da UnB, lutador na Executiva Nacional dos Estudantes de Letras... pessoa investigativa e irriquieta, ligadíssimo em tudo o que diz respeito a Língua e Sociedade... Este rapaz esperto quer o meu depoimento, daqueles bons tempos em que o CALET ainda se chamava CALEL e eu fazia parte da ilustre diretoria da gestão Chão de Giz... Entre um parágrafo e outro do anteprojeto... ou do anti-projeto, como queiram, eu me lembro de que o Davi me chamou de "jurássica"...

Vai demorar mais, um pouco, esse depoimento, Davi...

: )

***

O estado em minúscula‏

De: Davi Miranda (surdocego@gmail.com)
Enviada: segunda-feira, 1 de outubro de 2007 19:00:07
Para: Sala Virtual de Letras (letras_unb@yahoogrupos.com.br)


Outra da vejinha. Essa é antiga, rolou em março deste ano.

Não sei quantos aqui já sabem, mas a revista mudou seu "Manual de Redação" e passou a grafar estado com letra minúscula, ignorando por questões ideológicas quaisquer orientações gramaticais a respeito. A alteração entrou em vigor (somente na revista) e foi explicada no editorial de 14/03, tomando todo o espaço da seção "Carta ao leitor":

"Se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições, democracia, justiça, são escritas com minúscula, não há razão para escrever estado com maiúscula", justifica. "É uma deformação típica mas não exclusivamente brasileira".

Veja cita os casos francês e saxão – "État" e "state", respectivamente –, afirmando que "Estado", grafado desta maneira, "simboliza uma visão de mundo distorcida, de dependência do poder central, de fé cega e irracional na força superior de um ente capaz de conduzir os destinos de cada uma das pessoas". "Grafar estado é uma pequena contribuição de VEJA para a demolição da noção disfuncional de que se pode esperar tudo de um centralismo provedor", diz a "Carta". "A tentativa é refletir uma dimensão mais equilibrada da vida em sociedade".

Confira abaixo a tal carta na íntegra, publicada na edição de 14/03/07:

===========================================================
Uma questão de estado

A partir desta edição VEJA passará a grafar a palavra estado com letra minúscula. Se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições, democracia, justiça são escritas com minúscula, não há razão para escrever estado com maiúscula. Os dicionaristas aconselham o uso de capitular quando a palavra for usada na acepção de "nação politicamente organizada", como prescreve o Aurélio. Seu rival Houaiss também assevera que estado nesse sentido se grafa com maiúscula. Vale a pena contrariá-los.

Escrever estado com inicial maiúscula, quando cidadão ou contribuinte vão assim mesmo, em minúsculas, é uma deformação típica mas não exclusivamente brasileira. Os franceses, estado-dependentes, adoradores de seu generoso cofre nacional, escrevem "État". Os povos de língua inglesa, generalizando, esperam do estado a distribuição equânime da justiça, o respeito a contratos e à propriedade e a defesa das fronteiras. Mas não consideram uma dádiva do estado o direito à boa vida material sem esforço. Grafam "state".

Com maiúscula, estado simboliza uma visão de mundo distorcida, de dependência do poder central, de fé cega e irracional na força superior de um ente capaz de conduzir os destinos de cada uma das pessoas. O escocês Adam Smith (1723-1790) nunca escreveu a palavra capitalismo. O inglês Thomas Hobbes (1588-1679) não utilizou a palavra estado. Ambos, porém, são associados a esses termos. Smith, autor de A Riqueza das Nações, como o primeiro pensador a explicar o funcionamento da economia capitalista. Hobbes, com seu Leviatã, como pioneiro na denúncia do estado pantagruélico. Foi, na verdade, defensor de uma instituição capaz de livrar a sociedade do estado permanente de guerra entre os indivíduos, uma "entidade soberana" – em minúsculas, recomendava Hobbes, que escrevia Lei sempre com capitular.

Grafar estado é uma pequena contribuição de VEJA para a demolição da noção disfuncional de que se pode esperar tudo de um centralismo provedor. Em inglês grafa-se "Eu" sempre em maiúscula, na entronização simbólica do indivíduo. Não o faremos. Nem vamos tirar a capitular da palavra Deus. A tentativa é refletir uma dimensão mais equilibrada da vida em sociedade, como a proposta pelo poeta francês Paul Valéry (1871-1945): 'Se o estado é forte, esmaga-nos. Se é fraco, perecemos'. "
=========================================================
Só uma dúvida: como esse tal poeta citado, Paul Valéry, grafava "estado", com maiúscula ou minúscula?

E se, como a carta diz, "se povo, sociedade, indivíduo, pessoa, liberdade, instituições, democracia, justiça são escritas com minúscula..." então porque eles fazem sempre questão de grafarem (como se pode observar nesta carta) o nome da própria revista toda em CAIXA ALTA?

Só de pirraça, a partir de hoje só cito a revista com o nome todo em letra minúscula. Bem minusculazinha mesmo. Assim: veja. Viu?


-- Abraço com maiúscula,

Davi

Quero viver até o fim o que me cabe. Maiakovski

***

NOTA: A revista veja (Aderi, aderi! Agora tudo em caixa baixa, baixíssima!), em pouco tempo, passará a grafar capitalismo, direita, conservadorismo, multinacionais, oligopólio, capital privado em CAIXA ALTA: Assim, leremos: CAPITALISMO, DIREITA, CONSERVADORISMO, MULTINACIONAIS, OLIGOPÓLIO, CAPITAL PRIVADO...

Quem estou? Onde sou?


Já me deram várias explicações para eu ser uma pessoa temperamental, amorosa, chorona, sensível, cabeça dura, explosiva, respondona e opiniosa. Uns dizem que é porque meu signo no horóscopo chinês é o javali, ou porco. E isso seria coisa de um espírito do porco. Poderia eu ser calma, muito tolerante, meiguinha, conformada... Mas não sou assim. Outros dizem, com mapa astral na mão, que eu sou do signo de escorpião, com ascendente em escorpião e lua em escorpião. Ou seja, não entendi muito bem.

Fora as explicações de hiperatividade... TPM... Fase da Lua... E outras, que eu não ouso colocar aqui.

Fico com o apóstolo Paulo e suas contradições, que eu humana também sou.

Eu tiro fotos de mim mesma


em casa DF
Upload feito originalmente por Maya Felix
Eu gosto de tirar fotos de mim mesma. Em BsB, início de 2003, meu ap. em estado de recente mudança. O que fazer diante do caos? Tirar uma foto de si mesma! É claro!

Aproveite e clique na foto...

: )

Paulo Brabo [2]


COMO ACORDAR OUTRA PESSOA


1. Acorde antes dela.

2. Em geral é melhor despertar a pessoa mais cedo e dar a ela algum tempo para adaptar-se à brutal realidade do que deixá-la dormir uns minutinhos a mais e recorrer depois a métodos mais violentos e desesperados.

3. Não grite, não fale alto, não bata na porta. Só puxe a coberta muito devagar, e quando não for causar constrangimento a nenhum dos envolvidos.

4. Não cutuque, não telefone, não sacuda com violência. Absolutamente nunca jogue água.

5. Não use o nome da pessoa como palavrão ou como ameaça, mas como convite. Seja amável ao ponto de que a perspectiva da sua companhia pareça para a pessoa mais desejável do que continuar dormindo.

6. Acorde a pessoa como você gostaria de ser acordado ou, melhor ainda, como ela gostaria de ser acordada.

7. Se depois de algum tempo não funcionar, não insista. Empurre a pessoa para o lado e durma junto.


Trecho retirado do texto LEVANTE - O jeito de acordarem você, 05 de Julho de 2005, postado no site A Bacia das Almas, de Paulo Brabo.
.
NOTA: Fiquei a pensar (a pensar!) sobre essa metodologia... Muito boa. Aqui em casa me acordam os gatos. Alguma coisa cai, na sala, e eu acordo. Ou a Naná começa a miar porque tem fome e eu tenho que colocar a comidinha dela... Vou me reunir com essas criaturas hoje e ler este texto. Não é possível, alguma coisa esses felinos têm que aprender! Putz! Derrubaram todos os meus papéis hoje pela manhã! Acordei com o barulho de lápis, canetas, réguas etc. caindo no chão, da mesa ao chão. Sujaram meu curriculum e amassaram o projeto de anteprojeto de tese... Resultado de um final de semana de clausura, meditação e muita oração, em súplica pra que Deus me ajude com isso. Ressalte-se que eu já havia desistido de fazer qualquer coisa nesse sentido a fim de partir para uma vida franciscana de dedicação incondicional e integral aos animais abandonados, de rua, órfãos, solitários e feridos. Mas muita água rolou debaixo da ponte... E eu recapitulei. Sim, melhor seria se não houvesse ponte, e a água pudesse simplesmente correr, mas no meio do caminho havia uma ponte.
.
Pois é, acordar como acordei hoje foi muito pior que receber um copo d'água gelada na cara! Mas, voltando ao texto... acho que o último item resume todos os outros, assim como Jesus disse que a essência de todos os mandamentos estava em dois, apenas. Amém.

Confissões de uma ex-adolescente: eu amei o Renato Russo

Se houve uma pessoa que eu amei, do mundo das "celebridades", essa pessoa foi o Renato Russo. E ele contribuiu muito pra tudo que eu sou hoje, também. Minha adolescência se passou dançando "Geração Coca-Cola", em Brasília... Parte da minha vida adulta fiquei ouvindo o Renato Russo cantar em italiano, e então comecei a me interessar pela língua italiana, a querer traduzir, entender, a ver as semelhanças com o latim, o português, o espanhol... Soube que ele morreu em Paris [ele morreu no Brasil, quem estava em Paris era eu, OK?], meu pai me mandou uma revista Veja cuja reportagem de capa falava de sua morte. Que triste foi esse dia!

Caros Amigos [23]

Freud explica! Explica?

Afinal, é o Brasil que pauta a mídia ou é a mídia que passou a pautar o Brasil? Liberdade ou libertinagem de imprensa? A democracia deve ser preservada para o bem de todos ou deve ser tutelada para o bem de alguns? A liberdade de expressão vale para todo e qualquer cidadão ou apenas para aqueles que têm colunas e editoriais jornalísticos e televisivos? Vale para os movimentos sociais ou vale apenas para os lobbies da direita golpista? Confundir conscientemente verdades e mentiras não será um perigoso jogo antidemocrático? Condenar sem provas, uma atitude irresponsável? Opinião pública é apenas a opinião da classe média cansada ou é a opinião da maioria dos cidadãos?

Não sou psicólogo, nunca tive a intenção de ser, nem tenho conhecimentos que me habilitem a fazer análises da conjuntura política brasileira – se for o caso - sob esse prisma. Contudo, pertenço ao rol daqueles 170 milhões de brasileiros que entendem de tudo e não entendem de nada ao mesmo tempo. Desse Brasil pós-moderno e neoliberal. Nesse aspecto, sim, considero-me capacitado a dar opinião, como qualquer cidadão a falar sobre a seleção de futebol, sobre política ou sobre o Lalau e o Paulo Maluf.

Mas, voltando à psicologia. Já é famosa e gasta entre nós a expressão “Freud explica!”. A expressão, usada ad nauseam significa que a preocupação excessiva – individual ou coletiva – sobre determinada questão, sobre determinado assunto, pode significar, grosso modo, que a pessoa ou o grupo de pessoas preocupadas age, no seu inconsciente, de maneira diferente (e até mesmo oposta) àquilo que dá origem à sua preocupação. Em outras palavras: se eu não consigo alcançar as uvas maduras e fresquinhas de uma parreira, eu posso dizer que elas ainda estão verdes. Ou, se a namorada do meu vizinho é mais bonita do que a minha, eu sempre poderei dizer, “é... mas em mulher a beleza não é tudo”.

E já que estamos no terreno do popular – essa condição social da qual Jorge Bornhausen e FHC e seus partidários têm tanto horror, existem também alguns ditados muito apropriados para explicar o inconsciente de um indivíduo, de uma coletividade ou de uma corporação. Ditados como “é o porco falando do toucinho” ou “o roto falando do rasgado”, que demonstram a falta de critérios ou de autoconhecimento na avaliação de uma determinada questão, em particular quando queremos imputar aos outros aquilo que muitas vezes fazemos às escondidas. Tomemos a ética como exemplo, esse conceito filosófico que estuda o comportamento humano sob a ótica do que é certo ou errado ou do bem e do mal. De repente, a imprensa brasileira descobriu a ética, alguns velhos políticos brasileiros descobriram a ética. Alguns filósofos, profissionais do assunto, trataram de deitar falação sob os holofotes da mídia, deleitando-nos a nós pobres mortais e ignorantes das questões de honestidade, justiça e democracia, com sua sapiência sobre a ética e o comportamento exemplar que cada cidadão deve ter perante a sociedade, numa generalização mais ao gosto dos livros de auto-ajuda e dos programas de culinária do que propriamente à luz da ciência social.

E agora juntemos os ingredientes e formulemos a seguinte questão: por que só agora a mídia, setores da oposição como DEM e PSDB, alguns e pequenos setores da chamada elite econômica (alguns se querem até intelectuais) resolveram que o Brasil passa por uma crise de ética? Não leram esses senhores sobre a formação histórica do Brasil? Desconhecem as capitanias hereditárias e o sistema de heranças e transmissão de terras? Ignoram a escravidão e suas seqüelas entre a população negra e mulata no Brasil? Não somos todos herdeiros de um sistema político clientelista e apodrecido, cuja compra de votos foi sempre a regra e não a exceção, inclusive para o estabelecimento da reeleição em proveito próprio, como fez Fernando Henrique Cardoso e seu incorruptível escudeiro Sérgio Mota?

Ah, quanta hipocrisia! Como o papel em branco e o microfone e a câmera de TV, ligados, aceitam tudo, nada mais fácil hoje em dia para os que detêm o poder da informação em levantar calúnias e mentiras contra seus adversários, mesmo que existam aqui e ali alguns deslizes praticados pelos acusados, mas que os próprios acusadores já cometeram algum dia (alguns até mais graves do que os anunciados). E falam todos de boca cheia contra a grande crise de ética no país em defesa da democracia e da liberdade de imprensa, como nunca se viu antes! E a entrega da Vale do Rio Doce a preço de banana? E a CPI Abril - TVA? E a CPI do Banestado? E as concorrências públicas no Estado de São Paulo, esse ninho de tucanos acima de qualquer suspeita? E as bonecas do “Cansei”?

Perdoem-me o inevitável e surrado lugar comum: Freud explica!

Izaías Almada é escritor e dramaturgo. Autor, entre outros, do livro TEATRO DE ARENA: uma estética de resistência, Ed. Boitempo.
Recebi este texto por e-mail, do Correio
Caros Amigos -- Informativo Caros Amigos nº 308, de 26/09/2007, hoje, dia 1º/10/2007 (correio@carosamigos.com.br).

NOTA: Muito bom e acertado, o texto... Mas... Se esquece ele de que tudo isso vem se acumulando, também, na memória e na paciência do povo... Se esquece ele de que os pecados do Marquês de Pombal não justificam os de José Dirceu... E mais uma coisa: Não me venha, ninguém, com essa história de que "todos pecaram... então não tem nada, não!" Porque elegemos o Lula na (tremenda, enorme, aguda) esperança de que a maioria dessas sacanagens que ele cita aí acabassem. E NÃO FOI O QUE ACONTECEU! Putz!

P.S. Perdão, aos puristas, pela próclise em início de frase! Eu também sou uma pecadora! Mas quem me ensinou isso foram os Modernistas...

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