Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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28 de out de 2007

Ariovaldo Ramos [1]


Racismo e Biblia

A Bíblia e as questões raciais e sociais


“ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura” Marcos 16.15 “destarte não pode haver judeu nem grego nem escravo, nem liberto, nem homem, nem mulher , porque todos vós sois um em Cristo Jesus” Gálatas 3:28 “abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem , em ti serão benditas todas as famílias da terra” Gênesis 12:3. Quando lemos estes três textos, chegamos a conclusão de que a Bíblia é absolutamente contrária a qualquer tipo de discriminação racial, social ou de outra natureza. Estes três textos são universais o suficiente para que qualquer possibilidade de discriminação, de racismo ou segregação fique totalmente afastada da vida daqueles que seguem a Bíblia, pois, superam as barreiras sociais, econômicas e culturais, lingüísticas e sexuais. Toda criatura é toda criatura. Ninguém pode ser vetado ao conhecimento do evangelho, seja homem seja mulher; seja branco, seja preto, seja amarelo, seja vermelho; seja culto, seja inculto; seja rico ou seja pobre. Gálatas 3.28 diz que, na igreja, não pode haver judeu nem grego, nem homem nem mulher, nem rico nem pobre, nem culto nem inculto; a igreja é, por excelência, um lugar de igualdade, todos são um. Quando olhamos para o chamado de Abraão, percebemos o mesmo, o chamado foi para que todas as famílias da terra fossem abençoadas – “em ti serão benditas todas as famílias da terra” – ora, diante do exposto, quem quer que se aproxime da Bíblia não poderá alegar nenhuma dúvida sobre a visão de Deus em relação aos homens, todos são iguais, todos têm direito, todos têm acesso a palavra, o chamado para o evangelho é para todos e o objetivo de Deus é abençoar a todos indistintamente. Penso, portanto, que poderiamos concluir dizendo que quem lê a Bíblia não tem preconceito, porque a Bíblia não privilegia raças, ou sexo, ou cultura, ou questão econômica, todos são iguais, todos têm acesso e direito ao evangelho. A igreja é um lugar onde todos são bem vindos, na igreja não há diferença nenhuma entre as pessoas, todas as pessoas são tidas como parte do corpo de Cristo , todas foram batizadas no mesmo Espírito e a todas foi dado beber do mesmo Espírito, e o chamado de Deus, desde Abraão, é um chamado com visão universal. Mas será que é mesmo assim, será que quem se aproxima da Bíblia está isento de ser mordido pela serpente da segregação? Se é assim, como se explicam certos elementos da história dos cristãos?


Por exemplo, como os cristãos puderam ser escravocratas?


Como puderam pregar o evangelho aos escravos e mantê-los escravos? Por que é que os cristãos incentivam e incentivaram guerras que tinham como fundamento a questão racial ? Como é que se explica tais elementos da história do Cristianismo, se a Bíblia é absolutamente contrária a qualquer tipo de segregação? Como explicar cristãos que privilegiam classes sociais; que pregam a diferença entre os sexos do ponto de vista da autoridade e da capacidade, principalmente, nas questões ministeriais? Como é que se explica isso diante da Bíblia? É interessante perceber que grande parte das batalhas que Jesus Cristo travou, enquanto esteve aqui, foi com pessoas que liam e expunham a Bíblia, e, justamente, no campo da segregação. Por exemplo: em Lucas 16, Jesus (a partir do versículo 20) conta a história de um certo mendigo chamado Lázaro, fala de um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e diz que ambos morreram. Lázaro foi para o seio de Abraão e o rico, que se vestia de púrpura e linho finíssimo, que todos os dias se regalava esplendidamente, foi para um lugar de tormento. Por que esta história? Na cabeça daquele povo, que lia e expunha o livro sagrado, o homem rico é o abençoado, se alguém, além de estar no meio do povo de Deus, é rico, então é um homem abençoado; o andrajoso, que jaz à sua porta, é um maldito, deve ter feito alguma coisa contra Deus, ele ou a sua família, por isso, nas relações do Israel de então, os ricos eram privilegiados, aliás, os profetas fazem menção disso o tempo todo: de como os juizes e príncipes se deixam corromper; de como os ricos tem privilégios e os pobres são relegados ao segundo plano. O triste é que isso está acontecendo no povo de Deus, que leu que em Abraão seriam benditas todas as famílias da terra, o povo que recebeu a lei do jubileu, que diz que a cada 50 anos as terras precisam ser devolvidas, os escravos precisam ser libertos, as dívidas tem que ser perdoadas e a sociedade tem que recomeçar. É este povo que privilegia os ricos. Jesus, então, conta esta história e inverte-lhes a lógica, diz que o maldito aqui é o rico e o bem aventurado é o andrajoso. Parafraseando: “o andrajoso, o miserável, mendigo foi para o seio de Abraão; o rico, o “abençoado”, que vestia púrpura e linho e que se regalava esplendidamente, foi para o lugar de tormento”. O que Jesus fez ao contar esta história? Ele foi de encontro a lógica segregacionista, foi um choque para o povo e seus mestres. Qual o tipo de segregação que Jesus Cristo estava atacando aqui? A discriminação sócio-econômica que preconizava que os pobres são, por inferência, malditos de Deus e os ricos, pela mesma ilação, benditos de Deus, porque são abençoados, têm tudo, são gloriosos; os pobres, os andrajosos, os mendigos, os despossuídos, os largados na beira da estrada são uns miseráveis, não têm nada de Deus, não têm benção nenhuma. Jesus está atacando um preconceito do povo que lia a Bíblia e que sabia do chamado abrâmico e do jubileu; do resgate da viúva; da proteção ao órfão; que tinha que deixar parte da colheita para os pobres e para o estrangeiro. Como lhes foi possível desenvolver tal discriminação? Em Lucas 18 a partir do verso 10, outro tipo de preconceito é denunciado. Jesus fala de dois homens que foram orar, um fariseu e outro publicano, o fariseu colocando-se em pé, orava: “Oh Deus graças te dou porque não sou como os demais homens , roubadores, injustos e adúlteros nem ainda como este publicano: jejuo 2 vezes por semana e dou o dízimo de tudo que ganho”. O publicano estando em pé, longe, não ousava levantar os olhos ao céu mas batia no peito dizendo: “oh, Deus, sê propício a mim pecador” . E aí Jesus arremata: “digo-vos que este desceu justificado para sua casa e não aquele , porque todo que se exalta será humilhado mas o que se humilha será exaltado". Que discriminação aparece aqui? Como a gente poderia chamá-la? – É, paradoxalmente, a discriminação entre o nível de espiritualidade, um tipo de segregação que tem a ver com as pessoas se diferenciarem entre si baseados no quanto fazem ou não fazem para Deus. Faz lembrar a fala de um personagem de Woody Allen, no filme “Desconstruindo Harry” que afirma que a religião, apenas, nos leva a saber a quem odiar. É o que, claramente, demonstra o orgulho do fariseu; inclusive, é interessante a forma como Jesus Cristo descreve a tal oração: “O fariseu posto em pé orava de si para si mesmo” – que triste! Pensar estar falando com o Pai e estar falando de si para si mesmo. O fariseu não consegue olhar para o publicano como um ser humano que, a exemplo dele, também, depende de Deus. Não consegue vê-lo como igual: essa é a gênese do preconceito . Preconceito é não conseguir se ver num outro ser humano , é não conseguir olhar para o outro e ver nele um semelhante, alguém com as mesmas carências, lutas, perguntas, buscas, indagações e necessidades. O mais triste aqui é o preconceito sustentar-se na relação com Deus. Como é que um sujeito que ama tanto a Deus, como se auto-proclama o fariseu, pode tratar um outro ser humano dessa forma? Veja, estamos falando de pessoas que lêem a Bíblia, o fariseu não só lia como expunha a Bíblia, aliás, a bem da verdade, devemo-lhes muito, pois, eles preservaram os manuscritos e as tradições com fidelidade. Como é que, alguém que diz conhecer tanto Deus, que não é roubador nem injusto ou adultero, ou seja, cumpre os mandamentos; que jejua duas vezes por semana (quantos, dentre nós, jejuam duas vezes por semana?); que dá o dízimo de tudo quanto ganha; pode tratar o publicano desse jeito ? Que fé é essa que ao invés de fazê-lo ter misericórdia, o faz desdenhar do publicano, que leitura da Bíblia é essa que ao invés de fazê-lo interceder por aquela vida, o faz vê-lo como uma referencia de maldade, gente com quem ele não quer se igualar, não quer conviver, gente de quem ele não quer saber e que, segundo ele, Deus também não? Que leitura da Bíblia esse camarada tem? Porque essa é a grande pergunta quando nos deparamos com as questões do racismo da segregação . Como alguém que lê a Bíblia pode ter algum sinal de segregação? Mas no entanto, estamos vendo que Jesus travou muitas brigas com os partidos da época e, boa parte dessas brigas, foram travadas atacando os preconceitos vigentes naquela sociedade que lia a Bíblia. Em Lucas 10, Jesus conta que um homem estava descendo para Jericó, foi assaltado e deixado inconsciente, semimorto e que, por ali, passou um levita e um sacerdote, ambos se afastaram do homem porque ele estava semimorto, ou seja, como não sabiam se, de fato, o homem estava morto ou não, e, como tocar num homem morto os tornava imundos, impossibilitados de exercerem os ofícios religiosos, então, preferiram não arriscar, não foram verificar, passaram ao lado, não quiseram correr o risco – interessante notar que nenhum dos dois estava indo para Jerusalém, onde oficiavam, mas para Jericó, logo não estavam diante da pressão do sacerdócio. Lá está um homem jogado no chão, semimorto, se eles tivessem se aproximado, teriam-no percebido vivo, mas não quiseram arriscar-se. Que fé é esta que, ao invés de optar por lutar pelo que resta de vida em alguém, arrisca sentenciá-lo à morte para preservar-se, de modo a poder oficiar ao Deus da vida? Não tem alguma coisa errada aqui? Eles são sacerdotes do Deus altíssimo. O Deus altíssimo é o Deus da vida, doador e sustentador da vida, eles passam por um homem, não sabem se ele está morto ou não, se ele estiver morto eles não podem tocá-lo porque vão ficar inadequados para o ofício , mas e se ele estiver vivo? E se tudo o que ele está precisando é de alguém que se aproxime dele? Qual é o valor máximo dessa fé? É o resguardar-se para um determinado ofício ou um arriscar-se em favor da vida? Eles optaram por resguardar-se para um determinado ofício, iam deixando o homem morrer! Ainda bem que passou um samaritano, porque este não lê a Bíblia como eles lêem, não acredita do jeito que eles acreditam, não pensa como eles pensam, nem tem medo de correr riscos em favor da vida. Os samaritanos eram considerados como uma sub-raça, fruto de uma miscigenação provocada pelos assírios. Os judeus, preconceituosamente, os repudiavam, e Jesus evoca justo um elemento “sub-raça”, para ensinar aos seus ouvintes o que significa o termo “o próximo”, esta era a pergunta que o fariseu havia lhe feito: “quem é o meu próximo?” E a ironia...depois de contar a história, Jesus pergunta de maneira que obrigava o fariseu a pronunciar a palavra samaritano. Pergunta: “Quem na sua opinião foi o próximo deste que estava à morte?” E a resposta natural seria: o samaritano, mas um fariseu jamais diria isso. Então, respondeu: “aquele que lhe fez bem” - Olha o nível do preconceito: ele jamais creditaria a um samaritano alguma coisa boa, nem que fosse, apenas, numa história hipotética, à sua resposta Jesus arremata e diz – “vá tu e faça o mesmo”. Agora, como o povo mantenedor do pacto que assegura que em Abrão serão benditas todas as famílias da terra, pode ter preconceito racial? João 4, verso 27: Jesus está em Sicar falando com uma mulher samaritana e os discípulos chegam: “neste ponto chegaram seus discípulos e se admiraram de que estivesse falando com uma mulher, todavia, nenhum lhe disse que perguntas ou porque falas com ela?” Ainda bem que Jesus era o tipo de pessoa que, antes de questioná-lo, o sujeito tinha que pensar dez vezes, senão, os discípulos, provavelmente, iriam cair na alma Dele: “Como é que o Senhor, um judeu um rabi, está falando com uma samaritana, uma mulher? Além de tudo mulher e mulher com problema na vida, senão não estaria aqui na hora do almoço”. - O preconceito aqui é duplo; é racial e sexual . É uma mulher! Um rabi não pode ficar se dirigindo a mulheres. Como um povo que lê a Bíblia chegou a isso? Como um povo que teve juízas, que foi salvo do genocídio pela rainha Ester, chegou a isso? O povo que preservou as escrituras, que recebeu as revelações, que celebrou o pacto no Sinai; tornou-se preconceituoso. João 9, versos 2 e 3: Jesus estava caminhando e viu um cego de nascença, ao que os seus discípulos perguntaram: “mestre quem pecou, este ou os seus pais para que nascesse cego?” - respondeu Jesus “nem ele pecou , nem seus pais, mas foi para que se manifeste nele as obras de Deus”. Veja a crueldade que está presente nesta pergunta. Um sujeito que nascesse estropiado, naquele tempo, estava condenado mesmo; na cabeça daquele povo é um maldito de Deus, ele ou os seus pais pecaram e ele está pagando por seus pecados, pensavam. Deve alguém envolver-se nisso? Não; é um problema entre ele e Deus; está pagando pelos seus pecados. Deveria alguém correr para ajudar o sujeito? Ajudar como? Ele está contra Deus e Deus está contra ele. Percebe a crueldade embutida na pergunta: Quem foi que pecou, Senhor? O camarada é cego de nascença; está numa situação tão desoladora que não esboça a menor reação à passagem de Jesus passa; não é como Bartimeu, que pergunta e clama até ser atendido. Este não esboça reação alguma: a multidão passando por ele e nem ao menos pergunta “Por que tanta gente?” Parece estar imbuído da mesma crença de seu povo: “eu sou um cego de nascença, logo eu ou meus pais pecamos, não há saída para mim; não adianta ser Jesus, ninguém pode fazer nada por mim” - Jesus pensava de modo diferente: ataca o preconceito daquele povo, primeiro, corrige os seus discípulos quando diz : “ninguém pecou, isto aconteceu para a glória de Deus, para que se manifeste a glória , a obra de Deus”. Mas como é que um sujeito, na beira da calçada, cego de nascença, pode servir para a glória de Deus? O ALTÍSSIMO vê no sofrimento humano, resultado da queda da raça, não um merecido castigo, mas, uma oportunidade de revelar o seu amor por aqueles que criou à sua imagem e semelhança. E, aí, Jesus o vê, e faz uma coisa inusitada, ao invés de, simplesmente, ordenar: “vê”; cospe no chão, faz um lodo com a sua saliva e passa no rosto do camarada. Que absurdo! O sujeito já está destruído, arrebentado, desesperado, Jesus vai e suja o seu rosto com lodo feito com sua própria saliva! Parece um ato de sadismo. E, depois, diz: “vá se lavar no tanque de Siloé”. - Não pode ser um tanque mais perto? Não pode ser qualquer água? Não, tem que ser na água de Siloé , Siloé significa o enviado , vá se lavar lá . E ele se levanta e vai. E quando se levanta e vai, Jesus tinha operado a primeira cura; pois ele precisava ser curado de duas coisas: primeiro, do peso do preconceito do seu povo que o tinha deixado atado naquele lugar, tinha que acreditar que havia esperança para ele; tinha de reagir ao seu sofrimento. E, Jesus, de um modo extremamente criativo o faz reagir, suja-lhe o rosto e o exorta a limpar-se no tanque do Messias, do libertador. Quando ele se levanta a primeira cura é operada; quando se lava, opera-se a segunda. A primeira cura o faz reagir ao sofrimento, ao peso do preconceito, ao peso de uma teologia absurda que o condenava a ser um apático no meio do caminho, esperando a morte chegar. Isso nos faz pensar sobre a Bíblia e as interrelações humanas, a questão da discriminação, do preconceito: por detrás do preconceito tem sempre uma teologia. Por que é que gente que lê a Bíblia tem preconceito sócio-econômico, como Jesus atacou na história do Lázaro e do rico? Ou sócio-religioso, como denunciado na história da oração do fariseu e o do publicano? Ou raciais, como no caso da história do samaritano? Ou sexuais, como com a mulher samaritana? Por que gente que lê a Bíblia tem, quando vê um desgraçado no meio do caminho, o tipo de inferência que pergunta: quem foi que pecou para que ele esteja assim? Lamentavelmente, por detrás de cada preconceito tem sempre uma teologia. Como se explica cristãos escravocratas, e, mais, que evangelizam os que mantêm como escravos? Tem que ter uma teologia por de trás disso. Tem de ter uma forma de encarar Deus. Tem de ter uma forma de encarar as relações humanas. Sem uma teologia o indivíduo ficaria louco; seria absolutamente incoerente. Muitos daqueles donos de escravos, que evangelizaram seus escravos, acreditavam em Deus. Eles criam em Jesus Cristo, nas Escrituras , e criam que seus escravos precisavam se converter. Como eles conseguiram? Há uma teologia por detrás disso. Assim como havia uma teologia que fazia o povo de então crer que o rico e não Lázaro é quem ia para o seio de Abrão. Jesus inverte a lógica: Lázaro foi para o seio de Abrão, o rico para um lugar de tormento. Há uma teologia, quando o Senhor diz para o menino rico: “escuta, vá venda tudo o que você tem dá aos pobres e depois vem e segue-me” - e os discípulos ficam surpresos, obrigando Jesus a dizer: “é mais fácil o camelo passar no fundo da agulha do que um rico entrar no reino dos céus" - E qual é a pergunta dos discípulos? “Senhor, então quem é que pode ser salvo?” - Que teologia que está por detrás dessa pergunta? A teologia de que o rico é abençoado e se é abençoado, já está no reino. Tem uma teologia por detrás de cada ato de segregação. Tem uma teologia por detrás de cada ato de discriminação. Tem uma propositura acerca de como Deus se relaciona com os homens, de como Deus se relaciona mais com uns e menos com outros. Nota isso em todos os lugares: nos púlpitos das nossa igrejas; nas nações que vão sendo abençoadas por Deus. Houve um tempo que os ingleses acharam que eram o novo Israel, depois os americanos, depois, os coreanos começaram a achar que o eram, e, agora, nós, os brasileiros, porque, afinal de contas, o celeiro de missões somos nós, a bandeira está na nossa mão, nós temos mais jogo de cintura cultural que todos os outros. A benção de Deus está é com a gente . Que teologia permite-nos comportamento e afirmações absurdas, uma vez que a Bíblia é radicalmente contra qualquer tipo de discriminação e segregação? Todos nós corremos este risco, quando desenvolvemos uma teologia que privilegia sinais externos, como a teologia da prosperidade. Qualquer teologia que privilegie sinais externos da manifestação de Deus, como marca de benção e de privilégio, vai gerar algum nível de segregação e discriminação. Teologias assim jamais podem admitir um Lázaro no seio de Abraão. São teologias que nascem de leituras bíblicas feitas a partir do princípio da Torre de Babel, que não se livram do conceito de raça, de nação, de diferença. O evento da Torre de Babel desencadeou uma maldição divina sobre nós, porque nos rebelamos contra Deus uma segunda vez, de modo, novamente, aviltante. Ele tinha preservado a raça humana a partir de Noé e, mais uma vez, o homem se rebela. Todos fomos contaminados por esse vírus. Essa divisão é tão visceral que, recentemente, assistimos, pela TV, a uma guerra absurda que teve como fundamento e base a questão racial e religiosa, mais nada. Por que os sérvios fizeram o que fizeram em Kosovo? Por que Tutsis e os Hutus, em Ruanda, não conseguem se entender? Por que os Chosa e os Zulus, na África do Sul, não conseguem se acertar? É só a Torre de Babel. Precisamos nos dar conta de que a teologia só será libertadora, unificadora, se partir de leitura que expurgue os efeitos da Torre de Babel; caso contrário teremos segregação, porque, mais cedo ou mais tarde, ao invés de estarmos lendo a Bíblia contra nós, estaremos lendo a Bíblia a nosso favor, a favor do nosso clã, da nossa raça, do nosso povo. Passamos a fazer leituras seletivas. Atos 10:13 e 20:35: o Senhor visita a Pedro; o Espírito Santo vai prepará-lo para fazer missão. Estamos falando de alguém que ouviu Jesus Cristo dizer: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda a criatura”. Que problema o Espírito Santo está tendo com ele? O Espírito Santo mandou um anjo visitar o Cornélio e dizer-lhe: “Vá na casa do curtidor chamar a um certo Simão, para que lhe diga o que você precisa ouvir: suas esmolas , sua caridade chegaram à presença de Deus e há algo que você precisa saber.” Cornélio manda seus subordinados buscarem Pedro e, então, o Espírito Santo começa um outro trabalho: o de preparar Pedro. Mas prepará-lo por que, se ele ouviu que era para pregar o evangelho a toda criatura? O Senhor dá-lhe uma visão: animais, cuja carne era proibida, pela lei, de ser usada como alimento; e o Senhor lhe diz: “Mata e come” - “De jeito nenhum, Senhor” responde Pedro. Deve ter sido a primeira vez que a palavra “Senhor” foi usada como pronome tratamento, apenas. Como ele conseguiu dizer de jeito nenhum e, ainda, chamar o Espírito Santo de Senhor? Que leitura ele faz das escrituras que lhe permite, conscientemente, numa experiência com o Senhor, dizer-lhe não? “Não chame de comum ou imundo aquilo que eu abençoei” retruca o Senhor. Chegam, então, os meninos enviados por Cornélio e o Senhor ordena: “Vá, não duvide, porque foi eu que os enviei”. E ele vai. Que preparo para que Pedro fizesse o que sabia que tinha de fazer! Eis a força do efeito Babel em nós. Quando chega na casa de Cornélio, veja que jeito de entrar na casa de alguém que o convida com pompa e circunstância: Vocês sabem que não é lícito para um judeu entrar na casa de um gentio, ou seja, você não sabe que não me é permitido entrar na casa de um cão como você, mas eu sei que Deus não faz acepção de pessoas (verso 28). Sabe nada! Porque se soubesse não dizia isso para o homem. Em que lugar das escrituras está dito que não é permitido um judeu entrar na casa de um gentio? Em lugar algum. É a tradição dos anciãos, como os judeus não podiam comer os alimentos que os gentios comiam, para que não caíssem na tentação de, em visitando um gentio, comer dos alimentos que comiam e que lhes era proibido, os anciãos estabeleceram: “é proibido ir na casa de um gentio”. E Pedro, então, só vai porque o Espírito Santo o intima e, só os batiza, porque, antes de terminar a mensagem, de fazer o apelo, o Espírito Santo vem e os batiza, como no pentecostes. Que mais Pedro poderia fazer? Parece-me, portanto, que a maior questão que o Espírito Santo teve que enfrentar foi o preconceito de Pedro. Como alguém que andou com Jesus pode ser preconceituoso? Como aquele que recebeu a chaves do reino pode ser preconceituoso? Como quem viu Jesus abençoar a mulher samaritana como os que, com ela, vieram pode ser preconceituoso? Como quem viu Jesus receber e tratar as mulheres com igualdade, pode ser preconceituoso? Mas ele era. Por causa da forma como ele lia as Escrituras. Quando não se lê sob a perspectiva da universalidade de Deus, fica complicado. Agora, é possível ler a Bíblia sem esta perspectiva? É, Amós 9:7 no-lo diz. Amós trazia a mensagem de Deus e o povo o contradizia, afirmando que o Senhor não os tiraria com mão forte do Egito, para condená-los ao cativeiro novamente. Contra esse argumento, Deus manda Amós dizer ao povo: “ não sois vós para mim, ó filhos de Israel, como o filho do Etíope? Eu fiz isso com os filisteus, também, eu os fiz subir de Caftor para onde eles estão, mas não o fiz só com os Filisteus, fiz com os Sírios, também, eu os trouxe desde Quir até onde eles estão, eu não fiz isso só com Israel". – Mas justo os Sírios e os Filisteus, que são inimigos? É como se Deus estivesse dizendo, através de Amós: “ pra mim entre vocês e os etíopes não tem diferença nenhuma, vocês não entenderam o seu chamado, que era para que todas as famílias da terra fossem abençoadas” Quando se perde a visão missionária – a visão da perspectiva universal de Deus, a leitura bíblica corre o risco de tornar-se segregacionista. Quando se perde a visão do propósito divino de atingir todas as etnias, todas as famílias da terra a leitura da Bíblia tende a ser discriminatória. Isso é o que Deus está comunicando através de seu profeta, Israel havia perdido a consciência de quem era e de qual era a sua missão. Apocalipse 5:9-10 é um texto que todo mundo gosta, pois, diz que reinaremos sobre a terra: “Digno és de tomar o livro e de abrir e de abrir-lhe os selos porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda a tribo língua povo e nação e para nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes e reinarão sobre a terra” – Então somos os que reinam sobre a terra? Ora, então, tudo tem de ser nosso mesmo. O texto diz reino e sacerdotes, e reinarão sobre a terra. – Como é que sacerdotes reinam? Sacerdotes reinam de joelhos, reinam porque intercedem pela terra, porque intercedem pelos povos; nós não reinaríamos sobre a terra porque tudo seria nosso, em termos de posse, mas porque nós seríamos para o bem de todos, porque sacerdotes reinam de joelhos. Temos pensado nesta categoria ou na categoria do venha a nós? Sacerdote não tem direito ao cetro imperial... sacerdote reina de joelhos, irmãos... sacerdote reina intercedendo, clamando, levando as demandas de Deus aos povos e se oferecendo a Deus para ser sua resposta às demandas do povo. Missão é uma moeda de duas faces, de um lado somos aqueles que levamos aos povos as demandas de Deus, de outro, somos os que se oferecem a Deus como instrumentos para que Ele possa atender as demandas do povo. Porque o povo clama por justiça, por saúde, por alimento, por carinho, por verdade, por modelos de vida comunitária. Sacerdotes reinam de joelhos e de mangas arregaçadas para o trabalho, olhando o bem do próximo, clamando e se entregando a Deus por todos os povos. Quando a gente não lê a Bíblia com visão missionária a nossa leitura vai se tornando segregacionista, assim como a teologia decorrente. A visão missionária iguala todos os homens. Israel perdeu a visão de que era uma nação para os outros povos, uma nação sacerdotal. Perdeu a visão de que era uma nação que só existia porque Deus queria salvar o mundo. E sabe o que é lamentável nisso tudo? É que nós, cristãos, se ainda não perdemos esta visão, estamos próximos, porque a nossa visão não tem sido de sacrifício, de entrega, de busca da vontade de Deus, de levar a palavra de Deus, mas, de ser abençoado. Nossa teologia tem se sustentado em sinais visíveis de benção, como o enriquecimento. É complicado quando um cristão diz que: “eu não posso admitir que passe necessidades porque eu sou filho de Deus”. Bom... então você não pode jamais ser um missionário, porque você não admite passar necessidades. Mas ser cristão é ser missionário. Então você não pode ser cristão. Porque ser cristão é ser exposto à morte todos os dias por amor de seu nome, disse o apóstolo em Romanos 8: “somos levados a essa situação de morte, todos os dias por amor de seu nome”, mas nada pode nos separar do amor de Cristo. Somos ovelhas ao matadouro, foi o que o apóstolo disse. Nós estamos carregando o que resta do sofrimento de Cristo, estamos nos oferecendo para que centenas, milhares, bilhões de pessoas sejam salvas, por que sabemos o que está acontecendo no mundo, que tudo isso é passageiro, que vem aí o reino de Deus na sua plenitude, que vem o juízo sobre todos os homens. Então, nos entregamos para que todos os homens possam ouvir essa palavra; sabemos o segredo, que ninguém mais precisa ser escravo do diabo, ser prisioneiro do inferno. Reputamos como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Jesus Cristo e do seu projeto. Se se perde esta perspectiva, a leitura da Bíblia passa a ser egoísta, e toda a leitura egoísta é, necessariamente, discriminatória, por colocar o leitor numa situação de privilégio em relação aos outros, onde não estará disposto a sofrer. Quem não está pronto a enfrentar a realidade do sofrimento, também, não pode ser instrumento de consolo. Como que alguém pleno do consolador não se dispõe a consolar? Tem alguma coisa errada na teologia, a gente vai perdendo a perspectiva de Deus; deixando de entender a visão universal de Deus; sendo levado por nossas próprias ansiedades; transformando Deus num Deus para nós. Tornamo-nos discriminadores, por nos crermos melhores do que os outros uma vez que Deus é para nós. Isso é o contrário do que Jesus Cristo disse em João 12:32: “E Eu quando for levantado da terra trarei todos a mim mesmo” - É o contrario de Babel, onde Deus dispersou todos, quebrando a pretensa união; em Cristo Jesus, Deus chama todos à unidade, porém, em outro centro: não mais o homem e sua glória, mas Jesus Cristo. Entender o evangelho é colocar-se na contramão de todo o preconceito. O evangelho é vida e o preconceito é a marca da morte. Concluindo, vejamos a passagem em que Jesus responde a João Batista. Em Mateus 11, João Batista manda perguntar a Jesus: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” - E Jesus respondendo disse aos discípulos: “Ide e anunciai a João o que estás ouvindo e vendo, os cegos vêem os cochos andam, os leprosos são purificados os surdos ouvem e os mortos são ressuscitados e aos pobres está sendo pregado o evangelho e bem aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço ou bem aventurado é aquele que não se escandaliza de mim ” Interessante!!!!! Se qualquer transeunte em Israel perguntasse: “É o senhor mesmo ou a gente tem que esperar outro?” - Seria compreensível, mas João???? Foi ele que disse "eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” - que disse : “eu vim por causa Dele”; “eu vi o céu se abrir, eu vi o espírito pousar como pomba sobre a cabeça dele” – Parece-me que João padecia do mesmo equívoco israelita sobre a teologia do reino. Israel esperava por reino político, o Messias vem, subjuga todas as nações e Judá reina. O que está acontecendo com João? Ele é um homem fiel a Deus e, por isso, está preso. Certamente ele esperava que o Messias viesse libertá-lo, porém, o Cristo está ocupado com outras prioridades. Quando nossa teologia tem problema nossa visão de Cristo fica distorcida, ou corre o risco de distorcer-se. “Vão e falem o que vocês estão vendo e ouvindo” – Estão vendo e ouvindo Jesus devolver aos cegos as cores, aos coxos a agilidade, aos leprosos a reintegração social, aos surdos os sons, aos mortos a vida, aos pobres a dignidade. Jesus está revertendo os efeitos da queda. Esse é o reino de Deus. Certamente, João estava lá angustiado, e quem não estaria? Mas é interessante o que Jesus diz: “ Bem aventurado é aquele que não se escandaliza de mim” – e é possível se escandalizar de Jesus? Quando faz o que esperávamos que Ele não fizesse, a gente se escandaliza. Quando não faz o que queríamos que Ele fizesse, a gente se escandaliza. Você nunca encontrou um irmão que diz: “Deus não ouve mais as minhas orações!” - Ele está escandalizado com Deus porque Ele não pode ser manipulado e, portanto, não respondeu suas orações do jeito como gostaria que as coisas acontecessem. Mas Deus é Deus!! Soberano na história, soberano no universo, não pode ser manipulado. Deus não é para nós, nós somos para Deus. Deus é por nós, mas não é para nós. Se a gente não tem esta visão de que Deus tem um propósito, de que nós estamos em meio à história da salvação, que a prioridade é “buscar e salvar o que se havia perdido”; destruir as obras do diabo; anunciar a todas as raças, línguas, tribos e nações; buscar os despossuidos; reverter os efeitos da queda. Se a gente não tiver essa visão, nossa leitura da Bíblia esta condenada a ser uma leitura preconceituosa, mesmo que o nosso preconceito se atenha apenas e tão somente a nós, o que, talvez, seja até pior. Quem não cruzou com irmãos superespirituais, que não ouvem mais ninguém porque Deus é com ele e não precisa de mais ninguém? Já vi irmão dizer: “se Deus quiser dizer-me algo que venha falar comigo" – Dá vontade de perguntar, você é especial a esse ponto, que Deus tem que falar diretamente com você senão você não prestará atenção? As escrituras não bastam? As palavras de exortação não bastam? Isso é arrogância, a fonte de toda a discriminação. Então, o que é que Bíblia tem a ver com segregação, com preconceito racial e social? Nada e tudo; depende de como você a lê. Se você a ler sob a perspectiva de que Deus tem uma visão universal, está desenvolvendo a história da salvação, buscando o que se havia perdido, com uma mensagem que é para todos em todos os lugares, indiscriminadamente; e de que nosso maior privilégio é nos engajarmos nessa visão e em sua obra. Se você tem essa visão, sua leitura da Bíblia vai libertá-lo dos efeitos da Torre de Babel e vai torná-lo um produtivo servo do Senhor, não por quantas pessoas você pode vir ou não a ganhar para Cristo, porque isso é problema do Espírito Santo e não seu, mas, pelo quanto você vai espalhar esta notícia em todos os lugares onde você estiver, e pelo quanto você vai tratar todos os homens com o mesmo amor que recebeu de Deus. Fará de você um instrumento de libertação para muitos outros. Mas se a leitura basear-se no principio da Torre de Babel, gerará teologia preconceituosa, porque é o princípio de alguém que se acha especial. O grande antídoto para o preconceito, para o racismo, para qualquer tipo de discriminação, é a visão missionária. Quando a gente olha o mundo como Deus olha, quando vê as pessoas como Deus as vê, é liberto dos efeitos da Torre de Babel, de discriminar qualquer ser humano, e ganha consciência sacerdotal; e sacerdotes reinam de joelhos.


Texto SUBLIME de Ariovaldo Ramos, extraído de seu site, Portal Missão Integral.

NOTA: Os grifos em negrito, no corpo do texto, são meus. Sabe quem me falou muito bem do Ariovaldo Ramos? A Norma Braga, lá em Niterói. Então, discordo da Norma em muitas coisas, mas vi que em outras concordamos. Sou contra o aborto, também. O Julio Severo, idem. Não o conheço pessoalmente. Discordo de muitas de suas idéias. Mas temos uma luta comum. Na verdade, é uma guerra contra uma das maiores demências do ser humano: a pedofilia. Nisto eu estou, sim, lado a lado com o Julio Severo. Em outras coisas, não. Assim muitos outros. Não concordo com tudo o que o Caio Fábio diz, mas em algumas coisas estou com ele. E outros... Edemir Antunes, Ed René Kivitz... E outros, ainda...

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