Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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23/02/2013

Yoani Sánchez também luta por nós


"Quando Yoani Sánchez chama a atenção para o fato de que em Cuba não há liberdade de opinião, ela também está falando por nós, cristãos. Sem a autorização do Governo cubano, igrejas não podem funcionar. Se alguma desagrada o Governo, por qualquer motivo, pode ser fechada sem aviso. A luta pela liberdade em Cuba tem muito a ver conosco. São nossos irmãos, lá, que estão constantemente ameaçados. É o corpo de Cristo em Cuba que não pode evangelizar, nem se reunir, nem festejar suas datas sagradas." 

Leia o texto integral! Aqui: meu artigo no Blog da União de Blogueiros Evangélicos!

18/02/2013

Nos seus braços



Só os tolos acreditam que o relacionamento com Deus é sem graça. Alguns imaginam o céu como um lugar tedioso. Não sei como é o céu. Mas desde que conheci o amor de Deus, por meio de Jesus, vivo dias incríveis. Nunca, nem antes nem depois, estive em um relacionamento tão intenso e vivo. Quando me converti, tinha 21 anos, e meu sentimento era de perplexidade diante da novidade de sentir em mim uma força viva, ainda que invisível. Dessa força vinha paz, entusiasmo, alegria, amor. A cada dia, Deus se mostrava de modo diferente – e, no entanto, pacificamente constante. Meus sentimentos eram também confusos, tinha medo de abrir mão de prazeres, rotinas, hábitos nos quais não via mal, ainda que soubesse serem errados. Tinha medo de deixar de ser “eu mesma”, de me tornar triste, um ser de pensamento embotado e cinza. Via cristãos de todos os matizes: conformados, cínicos, aguerridos, amorosos, misericordiosos, julgadores, acusadores... Não sabia direito em que padrão de comportamento eu me encaixaria. Não achava que as pessoas da igreja eram melhores que muitas “do mundo” que eu já havia conhecido. A única coisa que eu sabia é que esse Deus era bom, era muito bom, e com Ele eu me sentia livre para chorar, para falar, para pedir, para reclamar. Pela primeira vez na minha vida, eu tinha alguém em quem eu podia confiar completamente. Eu sabia que não era digna de nada, e ainda assim eu pedia. O mais interessante é que Ele ouvia, e assim eu via, com frequência, pedidos feitos em oração se tornarem realidade. Era incrível. Lia a Bíblia e aquelas afirmações, ideias e conceitos pareciam saltar do papel para a minha vida. Nunca achei a leitura da Bíblia chata. Achava desafiador entender textos mais herméticos. Achava incrível que aquelas palavras, escritas há tantos séculos, pudessem se tornar verdade na minha vida. Eu, uma entre mais de seis bilhões.

Mas as coisas mudavam. O ano seguinte à minha conversão e ao meu batismo foi mais intenso. Comecei a ver mudanças em minhas escolhas, concepções, certezas. Comecei a entender os mil quinhentos e doze porquês antes inexplicáveis em relação à prática religiosa. A vida mudava, eu mudava, meu relacionamento com Deus mudava: tornava-se mais intenso, mais estreito. Anos depois de minha conversão, olhava tudo o que Ele havia feito em mim e não acreditava. Era muita coisa. Então olhava para mim e via o quanto havia a ser feito. E quanto mais Deus fazia, mais eu via o quanto precisava que Ele fizesse, sempre, coisas novas em mim. Percebi então que a vida com Deus assemelha-se mais a um rio que a uma lagoa. A relação com Deus é dinâmica, é cheia de movimento. Nunca é tediosa. Nunca é monótona. A Bíblia que eu relia adquiria sentidos diferentes. Capítulos que sabia praticamente de cor subitamente ganhavam uma dimensão completamente inusitada. Sempre foi incrível.

Deus acompanhou fases diferentes, idades diferentes, humores, estados de alma e de conhecimento vários. Como um construtor paciente, compreendeu fraquezas, falhas, erros. Consertou muita coisa, e só não fez tudo de uma vez, quando o conheci, porque eu teria tido um ataque de nervos instantâneo. Deus sabe o que posso suportar, e age respeitando meu ritmo e meu passo. Achava que Deus um dia ia perder a paciência comigo, cansar-se de me perdoar, pedir “um tempo” no nosso relacionamento... Achava que Deus ia me deixar, que Ele ia me abandonar ou me rejeitar em algum momento. Para minha grata e completa surpresa, Deus  sempre estava comigo, bem perto, ao lado, em volta, aqui. Isso era absurdamente maravilhoso, para mim. Deus era diferente de todo e qualquer ser humano que eu já havia conhecido. A cada constatação de que Ele estava lá, estava comigo, enfrentando todas as dificuldades do meu lado, eu ficava mais e mais grata, eu o amava com mais intensidade. Não só Ele me moldava como essa nova forma que eu adquiria me tornava capaz de amá-lo mais e mais, apaixonadamente.

Há 20 anos tenho vivido esse amor com Deus. Tenho descoberto mais a seu respeito, e tenho aprendido que Ele é de fato perfeito. Não há defeitos, não há oscilações, não há medo. Deus é nobre por inteiro. Ele se tornou, para mim, mais real que minha mão, que os meus pés. Mais real que meu nariz. Não preciso fingir ser quem eu não sou para me mostrar piedosa, caridosa ou melhor do que de fato sou. Deus me conhece. Sabe como sou. Sabe exatamente o que penso e sinto. E não me aponta o dedo na hora do erro. Instrui, acolhe, ensina. Perdoa, edifica, trata. Cura. Ama. Jamais abandona, jamais desiste, jamais esmorece. É apaixonado, cuidadoso, cheio de zelo. E imaginem, faz só 20 anos que vivo essa história de amor. Fico pensando nos próximos 20 anos. Na eternidade. 

Políticos evangélicos: o paradoxo. No Blog da UBE.

Meu quarto artigo publicado no Blog da UBE intitula-se "Políticos evangélicos: o paradoxo". 

Trecho: "Marina Silva e Magno Malta são apenas dois exemplos, conhecidos, de políticos evangélicos que, no jargão popular, acendem uma vela para Deus e outra para o diabo: enquanto tomam atitudes louváveis e defendem causas justas, omitem-se diante de temas polêmicos ou assumem posturas antibíblicas. Poderia citar outros homens e mulheres públicos de relevância que, em momentos de sua trajetória, contradisseram, com seus atos ou sua omissão, sua profissão de fé."

Quer ler tudo? Acesse pelo link http://www.ubeblogs.net/2013/02/politicos-evangelicos-o-paradoxo.html?spref=fb

12/02/2013

Foi publicado, ontem, meu terceiro artigo no Blog da União de Blogueiros Evangélicos! :) O título é Aborto e adoção. Clique no link, leia, comente...  

http://www.ubeblogs.net/2013/02/aborto-e-adocao.html

"A defesa da vida não se resume à luta antiaborto. Sem dúvida, começa por ela. Mas continua quando a criança nasce, pois vida não se resume a gestação e nascimento. Uma criança precisa de uma família, de estabilidade, de amor. Não temos, meus irmãos, o que oferecer?"

26/01/2013

Olá, eu voltei!

Prezados Leitores,

Olá! Peço que me desculpem pelo frio e longo inverno, mas às vezes precisamos escolher entre determinadas atividades, e o Blog ficou, todos esses meses, em stand by. 


Gostaria de direcioná-los para a leitura de um artigo que escrevi no blog da UBE (União de Blogueiros Evangélicos). É o primeiro de muitos, assim eu espero! Minha irmã Wilma Rejane me convidou, em nome dos dirigentes da UBE, a escrever uma coluna sobre política, e lá estou eu! O link: http://www.ubeblogs.net/2013/01/politica-e-cristianismo-e-ai.html?spref=fb

Espero que vocês gostem deste primeiro artigo. Espero comentários, críticas, sugestões...

Até a próxima (bem próxima)!

Beijos,

Maya


15/08/2012

VetHelp, a pior Clínica Veterinária de Niterói, RJ. Fuja dela.


Este é um alerta aos moradores de Icaraí, em Niterói. Faço isso porque estou sentindo na pele (literalmente) o que é ser vítima de uma clínica veterinária onde a higiene e os cuidados mais básicos com regras sanitárias são desprezados. Ah, é claro: a coisa não seria assim tão feia se o veterinário responsável fosse um profissional ético. Mas, se fosse ético, investiria em higienização adequada de seu estabelecimento, não? Vamos pelo começo.


No mês de maio de 2012, conheci a Clínica VetHelp, em Niterói (Av. Roberto Silveira, 196, ao lado do Campo de São Bento). Passando pela calçada, vi que eles tinham o serviço de banho, e resolvi levar a Naná para tomar um banho lá. Acompanhei o primeiro banho pessoalmente. Depois disso, resolvi vacinar minha gatinha Naná ali (vacinas anuais). Por sugestão do veterinário, paguei uma limpeza completa nos dentes da Naná, o que inclui sedação completa do animal. Depois disso, Naná começou a ter problemas de saúde. Nesse meio tempo, no final de junho, resolvi adotar um gatinho que estava ali, à espera de uma família. Paguei a vacinação dele, é claro. Logo depois disso, Naná, que está comigo há 13 anos, começou a ter problemas respiratórios e cardíacos, e precisei deixar o gatinho adotado na VetHelp por alguns dias. O veterinário que acompanhou todo o tratamento da Naná foi o Gláuber Leal Martins, CRMV-RJ 9658, dono da VetHelp.

Pois bem. Certo dia, depois que Naná melhorou, fui buscar o gatinho que havia adotado – já no final de julho. Trouxe-o de volta para casa. Nos três primeiros dias de sua volta, percebi que ele se coçava muito, mas quando Naná começou também a se coçar, por volta do quarto dia, resolvi verificar o que era: o gato estava infestado de pulgas. Naná estava cheia de pulgas, também. Minha casa estava cheia de pulgas. Imediatamente, cerca de quatro dias após constatar que ele havia voltado da VetHelp cheio de pulgas, levei-o de volta para a Clínica. Fiquei indignada. A VetHelp acolhe animais de rua. E faz isso sem nenhum controle. Os animais ficam lá, entulhados, entre urina e fezes, cheios de pulgas (e sabe Deus mais o quê). Eu me espanto que a Vigilância Sanitária ainda não tenha fechado aquele lugar.

Depois de cerca de duas semanas (precisei me acalmar, tamanha a indignação) após ter devolvido o gato, fui falar com o veterinário, Gláuber  Leal Martins (chamar esse ser antiético de “doutor” é impensável). Levei a ele as notas fiscais do Frontline (remédio caríssimo para pulgas e carrapatos), que eu havia usado na Naná, além da nota do banho que ela havia tomado (em outra clínica, é claro) e do inseticida que eu estava tendo que borrifar em toda a minha casa. O que ele me disse? Preparem-se. O veterinário me disse que ele não ia ajudar a custear nada, e que eu não tinha como “provar” (isso mesmo!) que o gato tinha pego as pulgas ali. Eu disse a ele que se fosse naquele momento examinar  os locais onde estavam os animais, acharia pulgas. Ele disse (pasmem de novo) que provavelmente sim, eu acharia muitas pulgas naquele lugar, mas isso não provava que o gato que eu tinha adotado ali havia sido contaminado com pulgas... exatamente ali! Mais: disse-me que se eu tivesse constatado que o gato tinha pulgas cerca de meia hora depois de sua chegada em minha casa, ele ajudaria a custear tudo o que eu estava gastando, mas três dias depois era muito tempo. Expliquei a ele que o gato tinha saído de sua clínica e ido diretamente para minha casa, sem parar em nenhum lugar. Disse a ele que há 13 anos tinha a Naná, e que ela jamais tinha tido pulgas. Expliquei que ele sabia que as pulgas vinham dali. Que nada! O veterinário, me perguntou, cinicamente, se eu não era grata por eles terem “hospedado” o gato durante o tratamento com a Naná. Obviamente, sua lógica era a das compensações: o gato pegou as pulgas aqui, mas, em compensação... Disse a ele que alertaria seus possíveis cliente por meio de redes sociais e internet, e que denunciaria aquele pulgueiro à Vigilância Sanitária. Ele me disse que eu não poderia provar que o gato tinha sido infestado de pulgas em sua clínica (sabem aquele discurso pronto de quem já está acostumado a lidar com a Justiça por conta de problemas profissionais...? Pois é.): quem sabe, disse ele, uma pulga não tenha pulado para minha calça jeans, da calçada, e, de lá, infestado minha casa interira? Alguém consegue imaginar tamanho cinismo?

Quero, antes de tudo, então, fazer um alerta: não passem nem na calçada da VetHelp, clínica veterinária de Niterói-RJ. O veterinário Gláuber Leal Martins, CRMV-RJ 9658, parece que está se lixando para seus clientes. Sua clínica está infestada de pulgas, e ele nega qualquer responsabilidade nisso. Animais doentes chegam ali e se misturam aos saudáveis sem controle. Cuidado com seu bichinho. A VetHelp investe pouco ou quase nada na higiene e nas regras de saúde. Isso quer dizer que o barato pode sair caro. Até hoje há pulgas na minha casa. Como o piso aqui é de taco de madeira, torna-se mais difícil erradicá-las. Já passei Frontline na Naná duas vezes. Ela já tomou um banho, e semana que vem tomará outro. Eu mesma estou me coçando frequentemente, e de vez em quando consigo identificar pulgas em lugares diferentes da casa.

Eu realmente espero que ninguém mais passe pelo pesadelo que estou passando. Além de ter sido prejudicada, tive que enfrentar o cinismo e a indiferença do veterinário que se fez de boa praça até poder mostrar as garras e os dentes afiados. Sabem o que ele ainda teve o descaramento de me cobrar o “abandono” do gatinho doente e infestado de pulgas em sua Clínica? E sabem o que ainda teve a coragem de fazer? Arrumar outro besta para adotar o pobre animal. Glauber Leal Martins, CRMV-RJ 9658, é um dos profissionais mais antiéticos e despreparados que já conheci. E olha que há muito tempo tenho bichinhos de estimação. Errou no diagnóstico da Naná. Pediu-me inúmeros exames caríssimos e inúteis. Chegou a diagnosticar câncer! E hoje Naná está ótima, vendendo saúde. Gastei o que tinha e o que não tinha na VetHelp, e saí no prejuízo. Tive que ouvir algumas das palavras mais desprovidas de ética e bom senso de toda a minha vida. E gente como ele continua levando vantagem no Brasil. Gente como ele continua trabalhando, infestando a vida pública, os consultórios, as clínicas, as empresas e, principalmente, a política brasileira – como as pulgas que vieram de sua Clínica para a minha casa. Ficou como lição. Pareceu-me lindo que um veterinário fosse tão gente boa, não cobrasse a internação da Naná nem a hospedagem do gatinho adotado quando Naná adoeceu. O preço disso tudo? Muito alto. A VetHelp é um lugar contaminado, está cheio de pulgas e sabe Deus se também não há ali carrapatos e tutti quanti. Queria muito que meu alerta chegasse a cada dono de bichinho de Niterói, para que ninguém pagasse o preço que estou pagando.

06/03/2012

amar é ser vulnerável


“To love at all is to be vulnerable. Love anything and your heart will be wrung and possibly broken. If you want to make sure of keeping it intact you must give it to no one, not even an animal. Wrap it carefully round with hobbies and litt...le luxuries; avoid all entanglements. Lock it up safe in the casket or coffin of your selfishness. But in that casket, safe, dark, motionless, airless, it will change. It will not be broken; it will become unbreakable, impenetrable, irredeemable. To love is to be vulnerable.” C.S. Lewis
 
"Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar -- ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai se tornar indestrutível, impenetrável, irredimível. Amar é ser vulneravel." [C. S. Lewis, em Os Quatro Amores]

01/08/2011

Tentação totalitária, por Luis Felipe Pondé



Você se considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.

Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom... (risadas).

Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.

Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.

A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.

Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.

Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.

Você se lembra de um filme chamado "Um Homem Bom", com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo "usado" pelo partido?

Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.

Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.

Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, "para ter uma melhor qualidade de vida".

E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 - é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.

Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo "mal-estar" com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer "visão política de mundo"), diz: "Meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mau assim".

É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: "Quero apenas o bem de todos".

Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.

Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali "para o bem".

Se você tem absoluta certeza que "você é do bem", cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.

E se essa certeza vier acompanhada de alguma "verdade cientifica" (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem "fazer seres humanos melhores" (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.

Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.

O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o "bem para todos", não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.

Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome desse bem total.

O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um "outro bem", mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.

Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor.

***

Luiz Felipe Pondé, especial para a Folha.

19/05/2011

Grande manifestação em favor da família, da liberdade de expressão, da liberdade religiosa e contra o PLC 122/2006 em Brasília

Se você mora em Brasília, em Goiânia ou em Belo Horizonte, ou em alguma cidade próxima, ou em alguma cidade distante, mas crê que vale a pena participar... Se você acredita que a liberdade de expressão está ameaçada com o PLC 122/2006, de autoria do PT... Se você acredita no que diz a Bíblia sobre a família e quer continuar a ter o direito de expressar o que pensa... Se você acredita que o Brasil deve evitar a todo custo entrar numa ditadura de poucos... Se você acredita que todo ser humano deve ser respeitado, mas não há uma categoria ou um grupo acima de outros... Se você acredita... Participe!

24/03/2011

BLOGUEIRO QUE CRITICA SERGIO CABRAL BALEADO NA CABECA


Minha homenagem a um homem de CORAGEM


Veja o Blog do Ricardo Gama: http://ricardo-gama.blogspot.com/

Blogueiro carioca é alvo de atentado e leva dois tiros na cabeça

O blogueiro Ricardo Gama, de 40 anos, foi alvejado por bandidos nesta quarta-feira (23/3), em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Gama levou dois tiros na cabeça e um no peito, disparados por bandidos que estavam em um veículo de cor prata, informa O Dia.
Ricardo foi socorrido por testemunhas do crime e levado ao Hospital Copa D’Or, que informou que apesar dos ferimentos, a vítima não corre risco de morte.

A polícia investiga o que motivou o crime e acredita em vingaça ou acerto de contas. O blogueiro é conhecido no Rio por criticar o governo. Além de textos, Ricardo produz vídeos exclusivos com críticas à administração pública. (Do site do Comunique-se)


Do Twitter: O blogueiro @ricardo_gama, q divulgou o vídeo que SERGIO CABRAL chamava um menino de OTÁRIO http://pqp.vc/28lu foi baleado hoje com 3 tiros (dois tiros na cabeça).


Veja o texto da Folha sobre o assunto: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/892903-blogueiro-ricardo-gama-e-baleado-no-rio.shtml

13/02/2011

relativismo cultural é blablablá que só funciona em conversa de mesa de bar



Blablablá



por Luiz Felipe Pondé

O que você faria se estivesse a ponto de assistir a um ritual de antropofagia? Interromperia (sem risco para você)? Ou deixaria acontecer em nome do relativismo cultural (essa ideia que afirma que cada um é cada um, que as culturas devem ser respeitadas em sua individualidade e que não podemos compará-las)?

No primeiro caso, você seria um horroroso descendente dos "jesuítas"; no segundo você seria um relativista chique. Sempre suspeitei que esse papo relativista fosse blablablá. Funciona bem em aula de antropologia, em bares, em parques temáticos e lojas de curiosidades. É evidente que "jesuítas" de todos os tipos fizeram horrores nas Américas. Todo adulto bem educado sabe que é feio condenar cultos à lua ou à chuva. Mas há algo no relativismo cultural que me soa conversa fiada: o relativismo cultural morre na praia quando você é obrigado a conviver com o Outro. E o "Outro" nem sempre é legal.

Se você aceita a antropofagia em nome do respeito à "cultura", aceita implicitamente a ideia de que o valor da vida humana seja subordinado à "cultura". A vida humana não tem valor em si. Todo estudante de antropologia sabe recitar esse credo. Quando confrontado com dilemas como esse, o relativista diz que se trata de uma situação meramente hipotética (hoje não existe mais antropofagia). Mas a verdade é que quando o relativista diz que a antropofagia é hoje quase nula, e, portanto, esse dilema não tem "validade científica", está literalmente correndo do pau porque "alguém" acabou com a antropofagia, não? Por que a antropofagia "acabou"?

Algumas hipóteses: 1) os antropófagos foram mortos por gripes ou em batalhas; 2) foram convertidos pelos horrorosos "jesuítas" e seus descendentes; 3) descobriram formas mais fáceis de comer e rituais que deixam as pessoas (isto é, os Outros) menos irritadas e com menos nojo. É importante conhecer o "lugar" da antropofagia nas religiões dos canibais, mas isso é apenas um "dado" antropológico. Uma descrição de hábitos (ruins). Mas o relativista tem que correr do pau mesmo, porque seu credo funciona bem apenas nas conversas de salão. A vida é sempre pior do que as festas. Relativistas culturais são, no fundo, puritanos disfarçados, gostam de "aquários humanos".

Os seres humanos são culturalmente promíscuos, e "a cultura" sem promiscuidade (trocas, misturas, confusões) só existe nos livros. Use internet, televisão, celulares, aviões e estradas, faça sexo ou guerra, e o papo do relativismo cultural vira piada. Na realidade, as pessoas lançam mão do argumento relativista somente quando lhes interessa defender a "tribo" com a qual ganha dinheiro e fama. O problema com o debate sobre os índios (ou qualquer outra cultura considerada "coitada") é a mitologia que ela provoca. Se, de um lado, alguns falaram dos índios (erradamente) como inferiores, bárbaros ou inúteis, por outro lado, os que "defendem" os índios normalmente caem no mito oposto: eles são legais e só querem viver "sua cultura", e eles não são "capitalistas" como nós, e blablablá. Índios gostam de poder como todo mundo, vide os índios "conscientes de seus direitos" devorando computadores, celulares e internet no Fórum Social, em Belém -ou ficam na idade da pedra mesmo e precisam que o Estado os defenda do mundo.

As culturas mais bem-sucedidas são predadoras e seduzem as mais fracas (ser mais bem-sucedida não implica ser legal). Por que levar medicina científica (invenção dos "opressores") para as aldeias? Não seria contaminação "cultural"? Vamos ou não brincar de "curandeiros"? Que tal abraçar árvores? Se você é católico e quer ser fiel aos seus princípios, você é um retrógrado; se você quer viver no meio da selva (com direitos adquiridos porque você é de uma cultura "coitada"), você é apenas uma tribo com direito a integridade cultural. O conceito de cultura é quase um fetiche do mercado das ciências humanas. Não que não existam culturas, mas o conceito na sua inércia preguiçosa só funciona no laboratório morto da sala de aula ou do museu. A vida se dá de forma muito mais violenta, se misturando, se devorando.

Nada disso é "contra" os índios, mas sim contra o relativismo como ética festiva. O oposto dele não é o obscurantismo, mas a dinâmica da vida real. O relativismo é um (velho) problema filosófico e um "dado" antropológico. Um drama, e não uma solução.


***

Pesquei do Paulo Lopes Weblog. Sugestão de leitura do Gutierres Fernandes Siqueira.

Leia também: Brasil: infanticídio indígena e relativismo multicultural, no Mídia Sem Máscara.

04/02/2011

um estudo sobre o orgulho


UM ESTUDO SOBRE O ORGULHO

Mayalu Felix

Este estudo está fundamentado em trechos de duas obras de C. S.Lewis, Cristianismo Puro e Simples e O Problema do Sofrimento, em excertos de Ortodoxia, de G. K. Chesterton, e em exemplos bíblicos acerca do orgulho. Segundo C. S. Lewis, há duas naturezas de pecado: os carnais e os de natureza espiritual.

“Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio.” (Cristianismo Puro e Simples, p. 135)

O orgulho, segundo Lewis, pertence à categoria de pecados de natureza espiritual. Vale a pena ler, na íntegra, o que diz ele no capítulo oito de seu livro:

“Chego agora à parte em que a moral cristã difere mais nitidamente de todas as outras morais. Existe um vício do qual homem algum está livre, que causa repugnância quando é notado nos outros, mas do qual, com a exceção dos cristãos, ninguém se acha culpado. Já ouvi quem admitisse ser mal humorado, ou não ser capaz de resistir a um rabo de saia ou à bebida, ou mesmo ser covarde. Mas acho que nunca ouvi um não cristão que tenha alguma tolerância com esse vício nas outras pessoas. Não existe nenhum outro defeito que torne alguém tão impopular, e mesmo assim não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos. Quanto mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros.

O vício do qual estou falando é o orgulho ou a presunção. A virtude oposta a ele, na moral cristã, é chamada de humildade. [...] De acordo com os mestres cristãos, o vício fundamental, o mal supremo, é o orgulho. A devassidão, a ira, a cobiça, a embriaguez e tudo o mais não passam de ninharias comparadas com ele. É por causa do orgulho que o diabo se tornou o que é. O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe.

Parece que estou exagerando? Se você acha que sim, pense um pouco mais no assunto. Agora há pouco, observei que, quanto mais orgulho uma pessoa tem, menos gosta de vê-lo nos outros. Se quer descobrir quão orgulhoso você é, a maneira mais fácil é perguntar-se: ‘Quanto me desagrada que os outros me tratem como inferior, ou não notem a minha presença, ou interfiram nos meus negócios, ou me tratem com condescendência, ou se exibam na minha frente?’ A questão é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho de todos os outros.” (Id., p. 161)

Quando lemos a Bíblia, podemos perceber que o orgulho é a base de praticamente todos os conflitos humanos e entre os homens e Deus apresentados tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Quando José apressou-se em contar à sua família sobre seu sonho, ele o fez por orgulho: sentia-se superior [Gn 37:5], ainda que de modo bastante infantil. Quando seus irmãos o traíram, também o fizeram por orgulho: irritaram-se ao se sentirem inferiores [o que já era provocado pela diferença de tratamento que Jacó instituiu entre eles]. E Mical? Ao repreender Davi, que dançava junto ao povo sem se sentir superior por ser rei, Mical demonstrou orgulho, desprezando Davi, e foi severamente punida por isso [2 Sm 6: 14-23]. E em Davi, havia orgulho? Durante sua trajetória, percebemos a humildade profunda de seu coração, diante de seus irmãos e diante do povo, mesmo sendo ele rei de Israel. Nesse aspecto, ele era um homem segundo o coração de Deus [1 Sm 13:14]. Isso não isenta Davi de ter sentido profunda inveja de Urias, a ponto de enviá-lo para a morte. A inveja é um tipo de pecado decorrente do orgulho. Davi queria o que era de Urias porque se achava mais merecedor de Betsabá do que ele. Isso também é uma forma de orgulho.

Na Bíblia, Deus nos mostra que toda reação de orgulho tem sua punição. A maior demonstração de orgulho e a maior queda de todas é a do anjo Lúcifer, uma palavra do Latim (lucem ferre) que quer dizer "portador de luz". Da ordem dos querubins, Lúcifer era um anjo poderoso. Seu poder e sua beleza, entretanto, levaram-no a se achar igual ou melhor que Deus. Em Ezequiel, capítulo 28, versos de 1 a 19, o orgulho do rei de Tiro é comparado ao de Lúcifer. Diz o texto:

“Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura [...] Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci [...] Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. [...] Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei [...].”

Em Isaías, cap. 14, versos de 12 a 20, a queda de Nabucodonosor também é comparada à queda de Lúcifer:

“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono [...] Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.”

Mais uma vez, o orgulho atua de forma decisiva para a queda do anjo Lúcifer. E como ele tentou Eva e Adão? Com o orgulho: “... no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus...” (Gn 3:5). Todo o trabalho de Deus no homem é para fazê-lo menos orgulhoso. O homem orgulhoso é o que deseja ser como Deus. É o que tem o ego superestimado, e não permite que Cristo cresça em sua vida. É claro, existem graus de orgulho, mas, como diz Lewis, “é a comparação que torna uma pessoa orgulhosa: o prazer de estar acima do restante dos seres” (Ibid., p. 163).

No Novo Testamento, também não nos faltam exemplos de orgulho. Um dos mais interessantes, que muitos cristãos não interpretam como orgulho, é a reação do irmão do filho pródigo quando o pai recebe com honras o filho que estava longe. O filho que jamais havia se afastado do pai sentia-se superior a seu irmão, e não admitiu, portanto, que o pai o honrasse. Isso é orgulho. Alguns cristãos acham justificável ou menos importante a reação do irmão do filho pródigo. Jesus usou a parábola para ilustrar a reação de muitos cristãos diante de bênçãos que Deus concede a outros irmãos.

Outro exemplo bastante claro de orgulho é Pedro. Pedro não era somente orgulhoso, ele não tinha domínio próprio, era impulsivo e imaturo. Quando Pedro declara que jamais trairá Jesus, ele acredita em si mesmo. Ele acredita que, diferentemente dos demais, é bom o suficiente para permanecer fiel a Cristo mesmo diante de toda a pressão política e religiosa que os discípulos de Jesus estavam sofrendo. O que curou Pedro? Como Jesus curou Pedro de seu orgulho, para poder usá-lo? Jesus fez Pedro reconhecer seu orgulho e seu amor por Cristo. Quando Pedro disse: “Senhor, estou pronto para ir contigo até à prisão e à morte” (Lc 22:33), ele estava centrando suas palavras e seus sentimentos sobre si mesmo e acreditando em suas próprias forças. Isso é orgulho. Por que Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de Jonas, tu me amas?” Essa era a cura do orgulho de Pedro. Ele deixava de centrar seu discurso em si mesmo e passava a colocar Cristo no centro de suas palavras: “Sim, Senhor; tu sabes que te amo”. Entre “estou pronto” e “tu sabes” existe uma grande diferença: na primeira frase, o “eu” assume papel central. Na segunda, o “tu” [que é Jesus] é que é relevante. O orgulho faz com que nos coloquemos, nós e nossa capacidade, no centro. A humildade coloca Jesus no centro do nosso discurso (e, consequentemente, do coração). O exemplo perfeito de humildade foi Cristo. Cristo não tinha orgulho. Andava com os humildes, não se importava em ser visto como inferior, lavava os pés de seus discípulos, desafiava os conceitos orgulhosos da sociedade de sua época. Deus nos mandou Jesus para que víssemos como Ele mesmo é. Não há orgulho em Deus. C. S. Lewis, em O Problema do Sofrimento, diz:

“Da mesma forma que o jovem deseja uma mesada do pai, que possa considerar como sua, com a qual faz seus próprios planos (e com justiça, pois o pai é afinal de contas um semelhante) eles [os seres humanos] também desejavam agir por conta própria, cuidar de seu futuro, planejar para o seu prazer e segurança, ter um meu do qual sem dúvida pagariam um tributo razoável a Deus em termos de tempo, atenção, e amor, mas que em todo caso era deles e não dEle. Eles queriam, como dizemos hoje, ser 'seus próprios donos'. Mas isso significa viver uma mentira, porque na verdade não somos donos de nós mesmos, nossa alma não é nossa. Eles queriam um lugar no universo de onde pudessem dizer a Deus: 'Este negócio é nosso e não seu'. Mas não existe um canto assim. […] Este ato de obstinação por parte da criatura, que constitui uma absoluta falsidade em relação à sua posição de criatura, é o único pecado que pode ser concebido como a Queda. [...] Dessa forma o orgulho e a ambição, o desejo de ser belo a seus próprios olhos e de oprimir e humilhar todos os rivais, a inveja e a busca incessante de mais e mais segurança, eram agora as atitudes que tomava com maior facilidade.” (p. 60 a 63)

O orgulho de Pedro, centrado na ilusão de sua própria autossuficiência, levou-o a afirmar que jamais negaria Cristo e a negá-lo pouco tempo depois. Não tenho dúvidas de que Pedro, realmente, acreditava em si mesmo quando afirmava que jamais negaria a Cristo. Um dos problemas do orgulho é que ele leva as pessoas a acreditarem em si mesmas, negando a Deus o seu lugar em suas vidas. Pessoas orgulhosas acreditam-se suficientemente importantes ao ponto de acharem que podem, por seus esforços, manterem-se fieis a Deus. O humilde crê que tudo pode por Deus, como fez Davi ao atacar Golias. O orgulhoso acredita em si mesmo, como fez Pedro. Creio que deve ser muito difícil ser líder em uma igreja. A tentação de um líder é acreditar em si mesmo. Aí começa a possibilidade de Satanás fazer desse líder alguém que de fato ignora Deus, embora pareça agir com temperança, equilíbrio e sensatez. E Satanás se compraz nesses seres religiosos que não só acreditam em si mesmos como buscam não as virtudes espirituais, mas apenas as virtudes morais. Alguns têm orgulho de sua humildade, de sua dedicação a Deus, do trabalho que realizam na Igreja... Como diz C. S. Lewis, também em O Problema do Sofrimento:

“Em Deus defrontamos com algo que é, em todos os aspectos, infinitamente superior a nós. Se você não sabe que Deus é assim – e que, portanto, você não é nada comparado a ele –, não sabe absolutamente nada sobre Deus. O homem orgulhoso sempre olha de cima para baixo para as outras pessoas e coisas: é claro que, fazendo assim, não pode enxergar o que está acima de si.

Isso levanta uma questão terrível. Como podem existir pessoas evidentemente cheias de orgulho que declaram acreditar em Deus e se consideram muitíssimo religiosas? Infelizmente, elas adoram um Deus imaginário. Na teoria, admitem que não são nada comparadas a esse Deus fantasma, mas na prática passam o tempo todo a imaginar o quanto ele as aprova e as tem em melhor conta que ao resto dos mortais. Ou seja, pagam alguns tostões de humildade imaginária para receber uma fortuna de orgulho em relação a seus semelhantes [...].

Mais de um homem conseguiu superar a covardia, a luxúria ou o mau humor pela crença inculcada de que tudo isso estava abaixo de sua dignidade. Ou seja, venceram pelo orgulho. O diabo ri às gargalhadas. Fica satisfeitíssimo de nos ver castos, corajosos e controlados desde que, em troca, prepare para nós uma Ditadura do Orgulho. Do mesmo modo, ele ficaria contente de curar as frieiras dos nossos pés se pudesse, em troca, nos deixar com câncer. O orgulho é um câncer espiritual: ele corrói a possibilidade mesma do amor, do contentamento e até do bom senso." (p. 165-167)

Por outro lado, a autossuficiência aliada à “crença em si mesmo” gera o que descreve G. K. Chesterton, em Ortodoxia:

"Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada. Referindo-se a alguém, disse o editor: 'Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo'.

Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito 'Hanwell' [nome de um asilo para loucos, como será verificado mais à frente]. Disse-lhe eu então: 'Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos'.

Ele disse calmamente que, no fim das contas, havia um bom número de homens que acreditavam em si mesmos e que não eram lunáticos internados em asilos. 'Sim, certamente', retruquei, 'e você mais do que ninguém deve conhecê-los. Aquele poeta bêbado de quem você não quis aceitar uma lamentável tragédia, ele acreditava em si mesmo. Aquele velho ministro com um poema épico de quem você se escondia num quarto dos fundos, ele acreditava em si mesmo. Se você consultasse sua experiência profissional em vez de sua horrível filosofia individualista, saberia que acreditar em si mesmo é uma das marcas mais comuns de um patife. Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar. Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo. Total autoconfiança é uma fraqueza. Acreditar absolutamente em si mesmo é uma crença tão histérica e supersticiosa como acreditar em Joanna Southcote [Ela (1750-1814) se dizia virgem e grávida do novo Messias, e chegou a ter muitos seguidores]: quem o faz traz o nome 'Hanwell' escrito no rosto com a mesma clareza com que ele está escrito naquele ônibus.'

A tudo isso meu amigo editor deu esta profunda e eficaz resposta: 'Bem, se um homem não acredita em si mesmo, em que vai acreditar?' Depois de uma longa pausa eu respondi: 'Vou para casa escrever um livro em resposta a essa pergunta'. Este é o livro que escrevi para responder-lhe." (p. 25-27)

Essa é, em suma, a tendência do homem: acreditar em si mesmo e deixar Deus de fora. Assim fez Jonas, quando foi enviado para pregar em Nínive. Assim fez Moisés, quando em vez de falar à rocha feriu-a com o cajado, para obter água. Tudo isso é fruto do “eu” inchado. Essa tendência, hoje, é exacerbada em céticos e ateus. Na Igreja, por mais que isso nos custe admitir, convivemos com pessoas que acreditam que Deus serve para algumas coisas, mas não para todas. Nós mesmos, e isso é ainda mais difícil de admitir, nos forçamos a acreditar em nós mesmos diariamente – em como somos de fato merecedores da graça de Deus e especiais, por termos sido “escolhidos”. Afinal, escrevemos em letras pequenas “se Deus é por nós” e em letras garrafais “QUEM SERÁ CONTRA NÓS?" E nos achamos inatingíveis.

“Todavia, Deus, que nos fez, sabe o que somos e que nossa felicidade está nEle. Nós porém não a buscamos nEle enquanto permitir-nos qualquer outro recurso onde ela possa plausivelmente ser procurada. Enquanto aquilo que chamamos de ‘nossa própria vida’ permanecer agradável, não iremos entregá-la a Ele. O que pode então Deus fazer em nosso benefício senão tomar ‘nossa vida’ menos agradável, e remover as fontes plausíveis da falsa felicidade? É justamente aqui, onde a providência divina parece à primeira vista ser mais cruel, que a humildade divina, o rebaixamento do Altíssimo merece o maior louvor.

Quero implorar ao leitor que tente crer, embora apenas por um momento, que o Deus que fez todas essas pessoas cheias de mérito, possa estar realmente certo quando pensa que sua modesta prosperidade e a felicidade de seus filhos não bastam para fazê-las abençoadas: que tudo isso deve deixá-las no final, e que se não tiverem aprendido a conhecê-lo se sentirão miseráveis. E assim Ele as perturba, advertindo-as antecipadamente de uma insuficiência que um dia terão de descobrir. A vida para elas e suas famílias se interpõe entre as mesmas e o reconhecimento de sua necessidade; Ele torna essa vida menos suave para elas. Chamo a isto de humildade divina porque é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la.

Se Deus fosse orgulhoso, Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele se abaixa para conquistar, Ele nos aceita embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há ‘nada melhor’ que possamos ter. A mesma humildade é manifestada através de todos os apelos divinos aos nossos temores, o que perturba alguns leitores das Escrituras. É bem pouco simpático para Deus que o escolhamos como uma alternativa para o inferno: mas até mesmo isto ele aceita. A ilusão de autossuficiência da criatura deve, em seu próprio benefício, ser destruída; e pelas dificuldades ou medo das dificuldades na terra, pelo medo indisfarçado das chamas eternas. Deus a destroça ‘não levando em conta a diminuição de sua glória’. Os que desejariam que o Deus da Bíblia fosse mais puramente ético, não sabem o que estão pedindo. Se Deus fosse um kantista, que não quisesse aceitar-nos senão quando nos aproximássemos dele baseados nos motivos mais puros e melhores, quem poderia ser então salvo? E essa ilusão de autossuficiência pode ser mais forte em algumas pessoas muito honestas, bondosas e temperantes, e sobre elas, então, a desgraça deve cair.

Os perigos da autossuficiência aparente explicam por que Nosso Senhor considera os vícios dos fracos e dissipados com muito maior tolerância do que os vícios que levam ao sucesso mundano. As prostitutas não correm o risco de considerar sua vida presente tão satisfatória que não possam voltar-se para Deus: os orgulhosos, os avarentos, os que possuem autorretidão, correm esse perigo.” (O Problema do Sofrimento, p. 75 a 77)

Mas, afinal, de onde vem o orgulho? Ele pode ser vencido? Com a queda, a visão do homem turvou-se. Todo homem tem uma visão distorcida de si mesmo, de Deus e de seu próximo. Jesus veio corrigir essa visão, ao nos mostrar, em si mesmo, o exemplo do que já houve de mais humilde sobre a Terra. O orgulho é um sentimento decorrente das falsas perspectivas que temos acerca de nós mesmos, do próximo e de Deus. Não é um problema impossível de ser amenizado, mas exige uma morte diária, o que Cristo chamou de “tomar a sua cruz e segui-lo”. Quando falo aqui de "morte diária", não estou falando da mera manutenção de hábitos e costumes aceitáveis dentro da igreja, como não fumar, não beber, ser educado e dizer ‘por favor’, mas de uma revisão geral de ideias que cada um tem sobre si mesmo. O dia a dia nos leva, automaticamente, a sermos confrontados com nossa própria visão de mundo. Nesse confronto, temos a escolha de deixar o “eu” morrer, o que é doloroso, ou deixar o “eu” permanecer: temos de ter razão? Temos de ser importantes? Somos indispensáveis? Somos “bons cristãos”? Somos melhores que outros seres humanos? Você se importa muito se as pessoas têm uma visão negativa a seu respeito? Você se preocupa demais com o que dizem de você? Ao deixarmos o “eu” morrer, certamente seremos pisados. Nossa tentação de retrucar e recuperar o nosso “eu” e seu suposto “valor” é muito grande. Mas, se deixamos o “eu” morrer, de fato, Cristo pode finalmente ocupar algum espaço em nós. Não há outro caminho. Em vez de confiarmos em nós mesmos, em nossa perspicácia ou inteligência, devemos, como crianças, procurar o olhar do Pai. Como diz C. S. Lewis, o orgulho jamais poderá ser vencido: ele é a própria natureza do velho homem - “Daí a necessidade de morrer diariamente: por mais que julguemos ter esmagado o ‘eu’ rebelde, vamos sempre descobri-lo vivo.” (O Problema do Sofrimento, p. 71)


REFERÊNCIAS

CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

______. O Problema do Sofrimento. São Paulo : Vida, 2002.

Bíblia de Estudo Pentecostal.

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06/12/2010

luiz felipe pondé


A atitude conservadora, que não é defesa irracional do passado, significa o cuidado com nossa história cognitiva, emocional e intelectual

1. REACIONÁRIO é um termo comum em assembléias e bares. Visa tornar a vítima inelegível para jantares inteligentes, aniquilando a sua vida acadêmica. Pensamento, sensibilidade e ceticismo são termos mais afeitos à crítica que supera os vícios da medrosa utopia moderna. Paralisado diante do que desconhece, o medo moderno prefere reduzir essa atitude a seus fantasmas infantis: fogueiras da inquisição, fé cega e obscurantismo medieval. Erra, como todo preconceituoso, pois a discussão se dá estritamente no campo da razão e da defesa do comércio livre de idéias. A atitude conservadora -que não é uma defesa irracional do passado- significa o cuidado com nossa história cognitiva, emocional e intelectual contra a tendência totalitária do irracionalismo moderno, que detesta a realidade e decide modificá-la à luz da teoria que melhor apetece às suas pequenas manias inconfessáveis.

2. Esse irracionalismo fracassado delira com um mundo a partir de teorias de gabinete e suas reconstituições abstratas da realidade. O homem utilitarista de mercado, a metafísica marxista, o radical progressista, a asfixia burocrática, o gozo instrumental, a álgebra psicopolítica, todos estrangulam a experiência humana.

3. O pensamento religioso é mais sábio do que os ídolos dos últimos 200 anos que criaram fórmulas de perfectibilidade para nossa risível Babel. Filosofia, ciência e religião devem fundamentar a formação dos mais jovens. A relação entre razão e infelicidade é empírica, a relação entre razão e felicidade é ideal. Contrariamente ao pensamento mágico que se crê científico, reconhecer a sabedoria da religião nada tem a ver com a contradição moderna entre razão e fé, pois tal oposição já é fruto de má filosofia.

4. A natureza humana não é passível de redução a abstrações e deve ser olhada com respeito e temor: somos agressivos, banalmente interesseiros, às vezes santos. A "educação" - engenharias pedagógicas de última geração - nunca conseguirá "inventar" o homem ético abstrato. Contra o sonho da publicidade psicossocial, razão e emoção não fundam valor. Nem se deduz avanço a partir dos clichês da crítica social. Crítica e virtude não são necessariamente irmãs gêmeas. Formação é um conceito mais sofisticado do que os manuais de felicidade social podem ensinar. A conduta humana é em muito fruto de processos que transcendem a especulação racional e deitam raízes no passado ancestral. Prudência, delicadeza e tremor devem nos guiar na formação.

5. O "puritano" moderno ama o homem abstrato e detesta a multiplicidade intratável que sangra. Facilmente ele se torna um pregador sem a contrapartida da piedade, que apenas aqueles que se sabem maus podem, talvez, contemplar.

6. Para além do mapa astral e do acúmulo do capital, um problema estrutural do humano é o orgulho desmedido e reativo contra sua evidente condição de sombra, silenciosamente contemplada no espelho e nos hospitais ao longo da banalidade das horas. Responsabilizar prioritariamente o contexto pela desgraça humana é uma mentira científica e tagarela.

7. Todo governo é opressor. O que impede que sua forma invisível esmague o indivíduo são as instâncias intermediárias de poder entre ele e o Estado, que jamais deve ser um agente moralizador. O pior Estado é aquele que cria valores. A importância da Idade Média, entre outras coisas, está na falta de uniformidade das instâncias de poder, mas o irracionalismo moderno só conhece a Idade Média dos iluministas e do cinema. A democracia corre o risco de se alimentar de mediocridade em nome da igualdade e da eficácia.

8. Mudanças pontuais e prudentes contra a agonia humana são bem-vindas, mas não a partir de teorias sociais ou psicológicas gerais. Nossa perigosa espécie acumulou ao longo dos milênios um delicado equilíbrio contra o risco contínuo de autodestruição. Não podemos crer nas engenharias psicossociais de almas afoitas em fundar um paraíso para seres com tão grande vocação para a mentira como nós.

9. Um traço cognitivo moderno é seu hábito metafísico inconsciente. Por exemplo, não existe tal coisa denominada "A liberdade", mas apenas lugares onde o governo, a mídia e as outras pessoas não podem entrar quando são indesejáveis.

10. Mais do que idéias, e contra o narcisismo dos vivos, o que nos humaniza é o convívio com os mortos e com os que ainda não nasceram.

LUIZ FELIPE PONDÉ, 47, filósofo e teólogo, é professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e da da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado). É autor, entre outras obras, de "O Homem Insuficiente".

15/11/2010

fusível

Não dá mais. Ficou em suspenso. A conta não foi paga. As férias na praia não aconteceram, e ela não conheceu o Pão de Açúcar. Deveria ter ligado para os amigos da sétima série. Nunca organizou o álbum de fotografias, fez ginástica e comeu salada religiosamente. Parou de fumar e de beber, mas não parou de pensar. Tomava vitaminas, comia aveia e bebia três litros d’água por dia. A camisa azul de seda ficou sem o botão, a casa sem pintura, não comprou o carro dos sonhos, não aprendeu italiano, não viveu o grande amor nem teve o filho com os seus olhos. Nada. Cremes, perfumes e a escova de dentes em cima da pia. Naftalina no armário, um pedaço de bolo na geladeira, uma caixa de Sucrilhos e a coleção de CDs. Não deu. A agenda aberta e planos para mais dez anos, o armário aberto, a janela aberta. Esqueceu-se de fechar os olhos, esqueceu-se de fechar a porta. Não experimentaria mais o suco de caju da esquina, nem pediria um café do outro lado da rua. Não falaria sobre jazz, não veria mais o sol nem o por do sol. De manhã a cama vazia, o travesseiro frio, as roupas sem uso e o silêncio da casa. Havia se esquecido de trocar a lâmpada do corredor. Queria ter se mudado dali, mas não dava mais. Não pulou de para quedas, nem viajou de mochila nas costas pela América Latina. Comprou livros que não leu, esqueceu-se de amigos e nunca gostou de açafrão. Não haveria epitáfio nem elegia. Muitas almofadas em casa, cortinas e tapetes. Revistas antigas, bolsas e pares de sapatos, maquiagem e comédias românticas baratas em DVD. Não viu todas. Sempre lamentou a enorme ansiedade e a insegurança, mas também não fez análise. Fez natação, ginástica olímpica, música, inglês e espanhol, mas nada lhe foi de grande valia. Quis começar Direito, mas não deu. Uma vida inteira de tentativas. Gostava de animais e tinha um gato. Falava muito, às vezes falava mal, às vezes não deveria ter falado. Não gostava de matemática, errava as contas e contava nos dedos. Era escritora bissexta. Namorada bissexta. Tinha uma vida bissexta, enfim. Nunca havia aprendido a jogar xadrez, mas tentou várias vezes. Ela sentia fora da lógica, queria fora da lógica, entendia fora da lógica. Acreditava em meias verdades e não se importava com mentiras inteiras. Queria era amor. Sofria. Não gostava de geometria, mas amava poesia. Sabia poemas curtos de cor e os recitava. Cantava durante o banho. Queria ter conhecido a Tailândia, mas não deu. Queria ter amado, mas não deu. Deveria ter vivido mais, mas não deu. Tinha muitos planos vazios, mas não deu. Acaba-se o fôlego, o olhar se desvia, a memória cessa. E é o fim.

***

Mayalu Felix
15/11/2010
Do anno de 2010 de Nosso Senhor

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