Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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30 de nov de 2008

nelson rodrigues não é unanimidade. ainda bem.


NELSON RODRIGUES É O REFÚGIO DOS IDIOTAS

Na verdade, segundo Nelson, os idiotas se refugiavam na gramática. Ele também dizia que toda unanimidade era burra (pela atemporalidade da máxima – ainda que inócua –, presume-se que talvez valha até os dias de hoje). Nelson falava em obviedades que ululavam e em sobrenaturais com sobrenomes normais.


As pessoas citam Nelson Rodrigues como fazem em relação aos provérbios. Dão àquilo que tem graça por sua poesia um valor matemático, axiomático, irrecorrível. É como quem leva a sério a brincadeira de que toda regra tem sua exceção, exceto essa regra que, por sinal, é exceção da regra anterior, blablablá.

As pessoas comem Nelson Rodrigues. Engolem de uma vez, sem mastigar. As pessoas o bebem mal sentindo o gosto, como os adolescentes que tomam a enésima cerveja carnavalesca servida em copo de plástico. É a literatura-provérbio, a prosa-adágio, uma obra destinada a pôr termo em discussões de boteco por meio de frases de efeito. É a literatura-palavra-de-ordem.

As pessoas arrotam Nelson Rodrigues. As pessoas cagam Nelson Rodrigues. As pessoas o vomitam, ovulam, ejaculam, deixam-no escorrer pelo nariz e ouvidos e o fazem escapar pelas feridas. As pessoas imitam Nelson Rodrigues no que tem de pior, mesmo sabendo que o pior é o pior, talvez porque também sejam cientes de que esse é o ponto máximo a que conseguem chegar.

As pessoas ainda não se deram conta de que se criou uma unanimidade em torno da obra de Nelson Rodrigues, dando uma ironia ainda maior à frase mais famosa do cronista, do teatrólogo, do comentarista esportivo e do apreciador compulsivo-compulsório de leite. O conservador que falava de sexo.

As pessoas da esquerda, que não gostavam de Nelson Rodrigues, na verdade, nunca chegaram a lê-lo ou, se o fizeram, não foi com a devida atenção. Não sabem de sua tríade política nem nada disso. Mas, se nem mesmo Marx os esquerdistas brasileiros leram, por que exigiríamos a leitura do legendário torcedor do fluminense?

As pessoas são divididas em grupos, todos eles elaborados de acordo com a forma pela qual elas lidam com seus desejos – acho que é algo assim, não lembro muito bem das explicações da Dri, da Carol e do Doni. Os fãs de Nelson Rodrigues são todos histéricos: uns disfarçados de obsessivos, outros, de perversos.

Eu detesto os fãs de Nelson Rodrigues mais do que detesto os das duplas sertanejas ou conjuntinhos de meninos dançantes. E, para azar daqueles, preciso existir pra fazer valer o axioma da unanimidade.

Deixem-me aqui, portanto e, de preferência, em paz.

As pessoas, para Nelson Rodrigues, eram todas umas idiotas, pecadoras, viciadas, condenadas, deploráveis e burras. Muito, muito, mas muito burras. Tanto que a razão sempre se superava pelo desejo, pelo instinto, pelas vontades subterrâneas.

Ele estava certo. E eu não gosto das pessoas.

Vocês são a horda inteligentíssima que venera Nelson Rodrigues e vê no autor as virtudes de um Messias Literário; são os responsáveis pela torrespastorinhização de sua literatura. E eu sou a toupeira que não os acompanha, de modo a não permitir que essa devoção se torne uma unanimidade.

Talvez, assim, eu os salve da burrice. Ao menos, segundo o provérbio (ou profecia?) de seu cronista-messias-salvador.


Texto retirado do Blog Gravatai Merengue. Colaboração de Olavo de Carvalho.

29 de nov de 2008

leitura e livros



Não mente quem diz que ler é viajar para outros lugares sem sair de onde se está. Ler um bom livro é se transportar para outros universos, existem dimensões paralelas infinitas esperando para ser descobertas entre as capas e contracapas dos grandes livros. E vale qualquer livro, pode ser um clássico ou um bestseller, e até mesmo uma história em quadrinhos, não importa, se o texto for bem escrito, a mágica funciona.

Infelizmente grande parte dos brasileiros não sabe disto, porque não tem o hábito de ler. Se estas pessoas que trocam a leitura para assistir novela soubessem o prazer e a satisfação que um bom livro pode trazer, elas não perderiam tempo, desligariam a televisão e começariam a ler o primeiro exemplar que encontrassem. Entre milhares de outros benefícios, ler também ajuda a pessoa a falar e escrever corretamente o português, algo que faz tanta falta na nossa sociedade.

Como todos sabem, no Brasil o livro custa muito caro, muito mais do que deveria, o que afasta ainda mais os compradores. É um grande círculo vicioso, porque se houvessem mais leitores os livros custariam muito mais barato, já que as grandes tiragens diminuiriam o custo de publicação. Os nossos livros custam mais caro porque poucos têm o hábito de ler.
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É preciso portanto incentivar a leitura através dos pocket books, criando versões mais baratas de todos os lançamentos como ocorre lá fora, e não apenas com clássicos com tem acontecido no Brasil. Primeiro o livro sai na edição de luxo, mais cara, e depois em uma edição pocket, para ser devorado pelos mais jovens que não podem pagar o preço muitas vezes extorsivo que é cobrado pelos livros no Brasil.

É fascinante como hoje em dia existem muitas formas diferentes de se ler um livro. Você pode ler o livro no notebook ou até mesmo no smartphone, e eu acho isto excelente, porque acho que não importa qual é a mídia, um livro é sempre um livro. Você pode até mesmo ouvir um livro, colocando um audiobook no seu iPod e saindo para correr ou pedalar por aí enquanto aprecia uma boa história.

Existem muitas coisas que se perdem quando não temos uma grande quantidade de leitores em um país. Além do citado alto preço dos exemplares, outras conseqüências são tão graves quanto esta. Com menos consumidores de livros em potencial, também temos uma menor possibilidade de surgirem grandes escritores, porque eles muitas vezes preferem se tornar outro tipo de profissional, já que o mercado editorial do Brasil não oferece muitas oportunidades para os novos autores.

Existem muitos autores de qualidade sendo publicados no Brasil atualmente, agora mesmo estou lendo um ótimo livro de um jovem autor brasileiro, eu só quero que existam muitos mais.
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Também existem muitos textos bons em blogs, uma ferramenta que é muito interessante para os autores que estão começando, permitindo que alguém escreva um livro enquanto sente a reação dos leitores em tempo real, mas isto já é assunto para outras colunas.

Tudo isto me lembra uma das minhas histórias em quadrinhos favoritas, Sandman. No reino do sonho existe uma biblioteca dos livros que nunca haviam sido escritos, com grandes clássicos que a humanidade nunca leu, porque tinham sido sonhados por seus autores, mas foram nunca colocados no papel.

A verdade é que o Brasil seria um país muito melhor se a imensa maioria dos nossos habitantes gostassem de ler livros. Para alcançarmos este nobre objetivo, basta que todos os pais e as mães apresentem o prazer da leitura aos seus filhos desde pequenos, como eu faço com os meus, não só contando histórias, mas também lendo livros na frente deles para dar o bom exemplo.

O futuro desta nação está nas salas de aula e nas bibliotecas públicas de todo o nosso território, e quem pensa algo diferente disto está completamente enganado, pelo menos na minha opinião. Você até pode me chamar de utópico, mas o meu sonho é ver cada criança deste país com um livro na mão e alguma coisa na cabeça.

O Brasil tem potencial para ser um verdadeiro celeiro de idéias. Se nós escrevermos esta história juntos, podemos nos tornar este grande país.
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COLABORAÇÃO: Olavo de Carvalho

a novela das oito

Patricia Flora Pillar
Contos da Mula Manca


Depois de longa e tenebrosa ausência, causada por confusões e trabalhos, a Mula Manca está de volta em muito low profile. Tanto que a diversão maior nos últimos tempos tem sido a novela “A Favorita”. E, como em toda novela que se preza, os vilões dão um show. De quebra o mais engraçado é ver como o espelho deles, o bonzinho, não dá conta do recado.

É difícil o bem enfrentar o mal com galhardia, ainda mais se ancorado em um ator mais fraco que o danado. Qualquer dúvida vamos começar pelo impagável Ary Fontoura, seu jogo de cena e trejeitos de mordomo malvado e recalcado. Chega a dar dó quando a principal oponente de Silveirinha, a ex-mulher, Cilene, vivida por Elizangela, tenta encarar a fera de frente com aquele joguinho patético de revirar os olhinhos. Tanto que a melhor Cilene da Globo ainda é vivida pelos Cassetas nas noites de terça-feira. A paródia da cafetina de bom coração é muito melhor que o original.

Outra que dá dó quando vai enfrentar a encarnação do mal é a Claudia Raia. La Raia, em que pesem suas lindas pernas e seu corpão, não é páreo para uma atriz com a bagagem de Patrícia Pillar. Aquele jeitinho sonso e bondoso, ancorado em um nariz eternamente vermelho, fruto de uma cirurgia que pretensamente corrigiria uma tromba meio mal feita e deixou a mina com jeito de Michael Jackson, não faz nem para o café. A maldade de Flora vem na mudança do jeito de olhar, nos instantes de segundo em que ela leva para se transformar como um Hulk imaginário, com muito mais eficácia e sem os efeitos especiais do monstro verde.

Na ala masculina então nem se fala. O tal do Zé Bob, que juram as más línguas, deve o aumento e o destaque de seu personagem a sua proximidade ao autor da novela, nem piscando os sedutores olhos azuis consegue dar algum efeito contra o Dodi. O personagem e suas camisas cafonas, seu ar de cafajeste com o nariz eternamente entupido, sempre fungando e o cabelo meticulosamente jeca a custa de reflexos por si só já é uma encarnação tão boa de um canalha que talvez pudesse até dispensar o talento de Murilo Benicio, que só faz somar. E o cometa Halley? Esse é um que não precisa de nada. Cauã Reymond quietinho, de boca, aliás, de bocão calado, já vale a noite em frente da TV.
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FONTE: Portal Comunique-se. Autora: Maria Ruth de Moraes e Barros. Formada em Jornalismo pela UFMG, começou carreira em Paris, em 1983, como correspondente do Estado de Minas, enquanto estudava Literatura Francesa. De volta ao Brasil trabalhou em São Paulo na Folha, no Estado, TV Globo, TV Bandeirantes e Jornal da Tarde. Foi assessora de imprensa do Teatro Municipal e autora da coluna Diário da Perua, publicada pelo Estado de Minas e pela revista Flash, com o pseudônimo de Anabel Serranegra. É autora do livro “Os florais perversos de Madame de Sade” (Editora Rocco). Texto publicado em 28/11/2008

28 de nov de 2008

novo Blog novo


Geração que Lamba: É Blog novo aqui no Blog...



Descobri mais este novo Blog novo, o Geração que Lamba. É muito bem feito graficamente e os artigos e textos em geral são profundos e interessantes. Vale a pena.

Um abraço paratodos.
:)

Meme: desejos...


As regras são as seguintes:

• Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui;
• Passar o meme para oito pessoas;
• Comentar no blog de quem lhe passou o meme;
• Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";
• Mencionar as regras.

Oito coisas pra fazer antes de sair daqui:
  1. Fundar um abrigo para animais de rua;
  2. Abrir uma pousada em alguma praia do Brasil;
  3. Passar férias na Polinésia Francesa e no Alasca;
  4. Atuar no campo missionário na África e na Europa;
  5. Tornar-me vegetariana;
  6. Voar de asa delta e saltar de pára-quedas;
  7. Ter uma grande família grande;
  8. Morar em um sítio/uma chácara e ter uma horta, criar galinhas, ter cachorros, pomar, cabras etc.

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Passo este Meme para:

  1. Altair Germano http://www.altairgermano.blogspot.com/
  2. Edemir Antunes http://edemirantunes.blogspot.com/
  3. Juber Donizete http://juberdonizete.blogspot.com/
  4. Elizeu Rodrigues dos Santos http://sementetransgenicadoevangelho.blogspot.com/
  5. Aos escritores do Stay Freak http://stayfreak.blogspot.com/
  6. Paulo Silvano http://sinergismo-sinergismo.blogspot.com/
  7. Aos escritores do Geração que Lamba http://gqlgeracaoquelamba.blogspot.com/
  8. Pastor Zico http://pastorzico.blogspot.com/


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Meus agradecimentos ao pessoal do Blog Celebrai!

frases

As faltas das mulheres, das crianças, dos criados, dos fracos, dos pobres e ignorantes, são faltas dos maridos, dos pais, dos professores, dos fortes, dos ricos, dos sábios.
Ensinem aos que nada sabem; a sociedade é culpada de não instruir gratuitamente e responderá pela escuridão que provoca. Uma alma na sombra da ignorância comete um erro? A culpa não é de quem o faz, mas de quem provocou a sombra.
Victor Hugo (1802-1885), escritor francês, no livro Os miseráveis.
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Há momentos em que temos de escolher entre levar uma vida completa e íntegra ou suportar uma existência falsa, frívola e degradante que o mundo, em sua hipocrisia, exige.
Oscar Wilde, escritor inglês (1854-1900)

a catástrofe dos Cursos de Letras


A catástrofe dos Cursos de Letras

A formação dos professores de português, hoje no Brasil, é uma catástrofe. Nós, responsáveis pelos cursos de Letras, não enxergamos a bomba-relógio que temos nas mãos. As estatísticas não mentem: a retumbante maioria dos estudantes de Letras vem de camadas sociais pobres ou mesmo miseráveis, filhos de pais analfabetos ou que têm escolarização inferior a quatro anos. Isso significa muita coisa. Significa que esses estudantes têm um histórico de letramento reduzido: no ambiente familiar, não convivem com a cultura letrada, não têm acesso a livros, revistas, enciclopédias. Não são falantes das normas urbanas de prestígio (as mesmas que supostamente terão de ensinar a seus futuros alunos) e têm domínio escasso da leitura e da escrita. Só na faculdade é que a maioria deles vai ler, pela primeira vez na vida, um romance inteiro ou um texto teórico. Vêm, quase todos, do ensino público, essa tragédia ecológica brasileira pior que as queimadas na Amazônia. Nós, porém, fingimos que eles são ótimos leitores e redatores, e despejamos sobre eles, logo no primeiro semestre, teorias sofisticadas, que exigem alto poder de abstração e familiaridade com a reflexão filosófica, e textos de literatura clássica, escritos numa língua que para eles é quase estrangeira. E assim vamos nos iludindo e iludindo os estudantes.

O resultado é que os estudantes de Letras saem diplomados sem saber lingüística, sem saber teoria e crítica literária e sem saber escrever um texto acadêmico com pé e cabeça. Todos os dias, recebo mensagens de formandos que me pedem orientação para seus trabalhos finais. Alguns até me enviam seus projetos. São textos repletos de erros primários de ortografia, pontuação, sintaxe, vocabulário, com frases truncadas e sem sentido. Assim eles chegam ao final do curso, e suas monografias, mal escritas, sem nenhum rigor teórico ou metodológico, são aprovadas alegres e irresponsavelmente por seus supostos orientadores.

O problema, é claro, não está no fato (que merece comemoração) de acolhermos na universidade alunos vindos das camadas mais desfavorecidas da população. O problema é não oferecermos a eles condições de, primeiro, se familizarizar com o mundo acadêmico, que lhes é totalmente estranho, por meio de cursos intensivos (e exclusivos) de leitura e produção de textos, de muita leitura e muita produção de textos, para só depois desses (no mínimo) dois anos de preparação eles poderem começar a adentrar o terreno das teorias, das reflexões filosóficas, da alta literatura. Se não fizermos isso urgentemente (anteontem!), as salas de aula do ensino básico estarão ocupadas por professores que, mal sabendo ler e escrever adquadamente, não poderão desempenhar sua principal tarefa: ensinar a ler e a escrever adequadamente! Não sei, aliás, por que escrevi "estarão ocupadas": elas já estão ocupadas, neste momento, por essas pessoas, de quem se cobra tanto e a quem não se oferece uma formação docente que também seja, minimamente, decente.

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Artigo de Marcos Bagno publicado na revista Caros Amigos, edição de novembro de 2008.
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COLABORAÇÃO: Olavo de Carvalho
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Marcos Araújo Bagno (Cataguases, 21 de agosto de 1961) é um professor, linguista e escritor brasileiro. É professor do Departamento de Lingüística da Universidade de Brasília, doutor em filologia e língua portuguesa pela Universidade de São Paulo, tradutor, escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados,[1] entre literatura e obras técnico-didáticas.
Atua mais especificamente na área de
sociolingüística e literatura infanto-juvenil, bem como questões pedagógicas sobre o ensino de português no Brasil.

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Mais um artigo da série "verdades que ninguém quer ver"...

esta é a "libertação" do Maranhão


SÃO LUÍS - Os alunos maranhenses foram reprovados no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2008.
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Além disso, as notas do exame, divulgadas na quinta-feira última, mostram que a rede pública do Maranhão é a quarta pior do Brasil. Nas provas objetivas, neste ano, os estudantes de escolas públicas tiveram desempenho melhor apenas que os amazonenses, piauienses e alagoanos [na foto, o governador Jackson Lago, responsável pelos índices do Maranhão na educação nacional].

Este ano, a rede pública do Maranhão fez 32,56 pontos nas provas objetivas do Enem. Em uma prova escolar qualquer, essa média equivaleria à nota de 3,2. A pontuação obtida pelos alunos maranhenses é inferior à mínima aceitável pelo Ministério da Educação (MEC) para o Enem: 40 pontos.

Os estudantes alagoanos da rede pública obtiveram 31,76 pontos nas provas objetivas do Enem. Os piauienses e amazonenses tiraram médias de 31,81 e 32,55, respectivamente. A maior média entre os alunos da rede pública, pelo segundo ano seguido, ficou com os gaúchos. A nota das provas objetivas dos alunos da rede pública do Rio Grande do Sul no Enem 2008 foi de 42,12 pontos. A segunda maior do Brasil, entre as escolas públicas, é dos brasilienses: 41,11 pontos. Em média, os alunos brasileiros da rede pública conseguiram notas de 37,27 pontos no Enem. Ao todo, 97.013 alunos do ensino médio se inscreveram no Enem 2008 no Maranhão. Destes, 64.564 realizaram as provas.

Queda
O rendimento dos alunos da rede pública maranhense no Enem de 2008 despencou em comparação com as provas do ano passado. As notas desse ano foram 11,67 pontos menores às de 2007. No ano passado, a rede pública maranhense ficou com nota de 44,23 pontos nas provas objetivas.

Além disso, a rede pública do Maranhão que era a oitava pior no ano passado, perdeu quatro posições e agora é novamente a quarta pior do Brasil, repetindo a marca de 2006. Somente para efeito comparativo, entre as quatro piores redes públicas de 2006, apenas Amazonas e Maranhão mantém-se nesse ranking negativo.

O rendimento da rede privada no Estado também caiu. No ano passado, os maranhenses da rede particular conseguiram nota de 54,31 pontos. Em 2008, a nota da rede privada foi de 45,20 pontos. As escolas particulares, no ano passado, eram as terceiras piores do Brasil. Pelas notas do Enem 2008, a rede privada local teve a segunda nota mais baixa do país. A melhor nota das provas objetivas entre os colégios particulares foi para as escolas do Distrito Federal, com 61,9 pontos.

Em todo o Brasil, 4.018.070 estudantes se inscreveram para as provas do Enem. Destes, 2.920.589 prestaram os exames. O exame foi aplicado no dia 31 de agosto. A prova é formada por 63 questões de múltipla escolha interdisciplinares de conhecimentos gerais (do conteúdo do ensino médio) e uma redação. Os estudantes receberão, a partir da próxima semana, pelos Correios, o boletim de desempenho no exame no endereço informado no ato da inscrição.

FONTE: O Estado do MA

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COLABORAÇÃO: Prof. Lincoln

contra o aborto

URUGUAI: PRESIDENTE VETA LEGALIZAÇÃO DO ABORTO
SEGUNDO INTERCONSULT, A REJEIÇÃO AO ABORTO NO URUGUAI CRESCEU 12% DESDE 2007

O presidente Tabaré Vazquez assinou quinta-feira, 13 de novembro de 2008, o veto aos artigos da Lei de Defesa da Saúde Sexual e Reprodutiva, que despenalizam o aborto. A Assembléia Geral do Parlamento não possui os votos suficientes para derrubar o veto. Os artigos que despenalizam e regulam a interrupção da gravidez estão contidos nos capítulos II, III e IV, vetados pelo presidente. O capítulo I não foi vetado. O texto oficial do veto somente foi publicado na tarde da sexta feira 14 de novembro de 2008, no site da Presidência da República. O documento é um exemplo para o Uruguai e para o mundo. "HÁ CONSENSO", afirma no documento o presidente Tabaré Vazquez, "DE QUE O ABORTO É UM MAL SOCIAL QUE DEVE SER EVITADO. TODAVIA, NOS PAÍSES EM QUE O ABORTO FOI LEGALIZADO, SUA PRÁTICA AUMENTOU. NOS ESTADOS UNIDOS, NOS DEZ PRIMEIROS ANOS, O NÚMERO DE ABORTO TRIPLICOU, E O NÚMERO SE MANTÉM: O COSTUME INSTALOU-SE. O MESMO ACONTECEU NA ESPANHA. A LEGISLAÇÃO NÃO PODE DESCONHECER A REALIDADE DA EXISTÊNCIA DA VIDA HUMANA EM SUA ETAPA GESTACIONAL, TAL COMO DE MANEIRA EVIDENTE É REVELADO PELA CIÊNCIA. A BIOLOGIA EVOLUIU MUITO. O VERDADEIRO GRAU DE CIVILIZAÇÃO DE UMA NAÇÃO MEDE-SE PELO MODO COMO SÃO PROTEGIDOS OS MAIS NECESSITADOS. POR ISSO DEVE-SE PROTEGER OS MAIS DÉBEIS. PORQUE O CRITÉRIO JÁ NÃO É MAIS O VALOR DO SUJEITO EM FUNÇÃO DOS AFETOS QUE SUSCITA SOBRE OS DEMAIS, OU DA UTILIDADE QUE OFERECE, MAS O VALOR QUE RESULTA DE SUA SIMPLES EXISTÊNCIA. ESTA LEI AFETA A ORDEM CONSTITUCIONAL E OS COMPROMISSOS ASSUMIDOS POR NOSSO PAÍS EM TRATADOS INTERNACIONAIS, ENTRE OUTROS O PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA E A CONVENÇÃO SOBRE OS DIREITOS DA CRIANÇA. O PACTO DE SÃO JOSÉ DA COSTA RICA OBRIGA NOSSO PAÍS A PROTEGER A VIDA DO SER HUMANO DESDE SUA CONCEPÇÃO E, ADEMAIS, OUTORGA-LHE O ESTATUTO DE PESSOA. O PROJETO, ADEMAIS, QUALIFICA ERRONEAMENTE E DE MANEIRA FORÇADA, CONTRA O SENSO COMUM, O ABORTO COMO ATO MÉDICO, DESCONHECENDO DECLARAÇÕES INTERNACIONAIS, COMO AS DE HELSINQUE E TÓQUIO, QUE SÃO REFLEXOS DE PRINCÍPIOS DA MEDICINA HIPOCRÁTICA QUE CARACTERIZAM O MÉDICO POR ATUAR EM FAVOR DA VIDA E DA INTEGRIDADE FÍSICA". http://www.presidencia.gub.uy/_Web/proyectos/2008/11/s511__00001.PDF

INTERCONSULT: A REJEIÇÃO AO ABORTO NO URUGUAI CRESCEU 12% DESDE 2007

O Uruguai foi submetido, nos últimos anos, a uma violentíssima pressão de dezenas de organizações que promovem o aborto, generosamente financiadas por interesses de fundações internacionais que desde os anos 50 do século passado dedicam-se a implantar o aborto em todo o mundo. Sob o manto da ideologia de gênero, dos direitos das mulheres, dos direitos sexuais e reprodutivos, uma imensa literatura produzida por eles mesmos atesta que seu objetivo não é emancipar as mulheres mas sim controlar os nascimentos, e que buscam utilizar o Uruguai como ponto de partida para impor o aborto a todo o continente latino americano. Esta pressão foi tão exagerada durante os últimos anos desde que se tentou aprovar a legalização ao aborto no Uruguai, em 2004, que se produziu no povo uruguaio, ao contrário do que os promotores destas políticas previam, um notável aumento da rejeição ao aborto que talvez não se tivesse produzido nesta extensão se não houvesse existido tanta pressão e o recurso a meios tão discutíveis para impor uma prática que somente pode ser qualificada de assassinato. Pesquisas de opinião pública mediram a aprovação à legalização do aborto por parte da população do Uruguai desde 1993. O Instituto Factum realizou pesquisas de opinião que indicam uma aprovação crescente ao aborto de 55% em 1993, 56% em 1997, 58% em 2002 e 63% em 2003. http://www.espectador.com.uy/1v4_contenido.php?id=96226&sts=1 Em janeiro de 2005 este número havia subido para 68%, medido pela Encuesta Nacional de Reproducción Biológica y Social de la Población Uruguaya patrocinada pela UNFPA (Fundo das Nações Unidas para Atividades Populacionais). Os dados de janeiro de 2005 patrocinados pela UNFPA estavam ainda disponíveis na Internet. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=28171 Porém, desde 2007 as pesquisas no Uruguai mostram um quadro diferente. Produziu-se um aumento da rejeição à aprovação do aborto, que coincide com o novo aumento da pressão exercida pelos promotores da legalização do aborto no país. Em 25 de maio de 2007 o Instituto Factum divulgou que uma nova pesquisa havia medido a aprovação à legalização do aborto no Uruguai, porém ela desta vez havia caído para 61%. Sete meses depois, em 26 de novembro de 2007, o Instituto Cifra divulgava outra pesquisa realizada em uma amostra de 1.000 entrevistados, conduzida na primeira semana de novembro de 2007, que evidenciava uma nova diminuição à aprovação do aborto no Uruguai para 49%. http://www.cifra.com.uy/novedades.php?idNoticia=29 Os dados fornecidos pelos grupos que trabalham a favor da vida no Uruguai também revelam, ainda que informalmente, mas sem deixar margens a dúvidas, um impressionante aumento da rejeição ao aborto no Uruguai durante os dois últimos anos. Ao contrário do que acontecia em 2004, estes grupos testemunham que hoje é difícil encontrar alguém no Uruguai que se diga a favor do aborto. Os organizadores das marchas em favor da vida em Montevidéu igualmente afirmam que o número dos participantes da marcha de junho de 2007 duplicou na marcha de outubro de 2007, e o número dos participantes da marcha de outubro de 2007 triplicou na marcha de 3 de novembro de 2008, sem que tenha havido nenhuma mudança notável na organização destes eventos que tivesse podido explicar este aumento. O mesmo fenômeno já havia sido relatado por outros grupos a favor da vida que organizaram marchas semelhantes em cidades do interior do Uruguai. http://www.ultimasnoticias.com.uy/hemeroteca/101108/portada/general.html

EM UM ÚNICO ANO HOUVE UM AUMENTO DA REPROVAÇÃO AO ABORTO NO URUGUAI DE 12%, ALGO SIMPLESMENTE INCRÍVEL SE NÃO ESTIVESSE SENDO DIVULGADO PELOS PRÓPRIOS PROMOTORES DO ABORTO, UM NÚMERO 4 PONTOS PERCENTUAIS MAIS ELEVADO DO QUE TODO O AUMENTO DA APROVAÇÃO AO ABORTO QUE SE VERIFICOU DURANTE OS DEZ ANOS ANTES QUE FOSSE VOTADO O PROJETO DE LEI QUE LEGALIZARIA O ABORTO NO FINAL DA LEGISLATURA PASSADA, DEPOIS DO QUE INICIOU-SE O AUMENTO CADA VEZ MAIS ACENTUADO DA REPROVAÇÃO AO ABORTO NO URUGUAI. Todos estes dados, tomados em seu conjunto, significam que o Uruguai está se tornando consciente de que o aborto é um assassinato e que todo o discurso pelo qual hoje se procura impor ao mundo teorias que dizem que antes do nascimento não há nem vida nem direito à vida, que o aborto é um direito humano que significa mais democracia e promoção da libertação da mulher, que os médicos e as instituições de saúde não têm direito à objeção de consciência quando se recusam a praticar um aborto se pensam corretamente que isto significa assassinar uma criança não nascida, que não legalizar o aborto é um atentado aos direitos humanos fundamentais pelos quais os países do mundo estariam internacionalmente comprometidos por terem assinado a Declaração Universal de Direitos Humanos da ONU e os demais tratados internacionais de direitos humanos; tudo isto, ao contrário, não passa de ideologia sem nenhuma fundamentação científica e é imposta por interesses internacionais sobre os países da América Latina. De fato, o fenômeno da rejeição crescente ao aborto que ocorre no Uruguai verifica-se também em um número cada vez maior de países da América Latina e Estados Unidos. Ocorre no México, ocorre na América Central onde os parlamentares estão comprometendo-se por unanimidade a defender a vida, ocorre no Brasil onde um projeto semelhante ao uruguaio foi rejeitado na Câmara dos Deputados por 33 votos a zero e em seguida por mais 57 votos a 4, ocorre nos Estados Unidos e está-se universalizando praticamente em todo lugar, graças à globalização que permite a difusão do conhecimento científico e impede a imposição de ideologias sob a aparência de verdades que são simples manipulações midiáticas. E é favorecido pelos enganos e pelo autoritarismo com que esta mesma ideologia é imposta por parte dos que promovem o aborto sob a aparência do progresso e da democracia.

ENVIE UMA MENSAGEM DE FELICITAÇÕES AO PRESIDENTE DO URUGUAI TABARÉ VAZQUEZ PELA EXCELENTE JUSTIFICAÇÃO DE SEU VETO: presidente@presidencia.gub.uy

TELEFONE:
De Montevidéu: 150
Do interior do Uruguai: 02 150
Do exterior: 00 598 2 150
Do Brasil: 00 21 598 2 150

MANDE UM FAX:
De Montevidéu: 150 3000
Do interior do Uruguai: 02 150 3000
Do exterior: 00 598 2 150 3000
Do Brasil: 00 21 598 2 150 3000

TEXTO COMPLETO DO VETO DO PRESIDENTE TABARÉ VAZQUEZ:


Montevidéu, 14 de novembro de 2008.

Senhor Presidente da Assembléias Geral,

O Poder Executivo dirige-se a este Corpo no exercício das faculdades que lhe confere o artigo 137 e seguintes da Constituição da República, para os efeitos de vetar os Capítulos II, III e IV, artigos 7 a 20, do Projeto de Lei pelo qual se estabelecem normas relacionadas com a saúde sexual e reprodutiva sancionado pelo Poder Legislativo. Vetam-se de forma total as citadas disposições por razões de constitucionalidade e conveniência, pelos fundamentos que são expostos a seguir. Existe consenso de que o aborto é um mal social que deve ser evitado. Entretanto, nos países em que se liberalizou o aborto, estes aumentaram. Nos Estados Unidos, nos primeiros dez anos os abortos triplicaram e o número se mantém: o costume se estabeleceu. O mesmo aconteceu na Espanha. A legislação não pode desconhecer a realidade da existência da vida humana em sua etapa de gestação, tal como de maneira evidente o revela a ciência. A Biologia evoluiu muito. Descobertas revolucionárias, como a fecundação in vitro e o DNA com a decodificação do genoma humano, deixam em evidência que desde o momento da concepção há ali uma vida humana nova, um novo ser. Tanto é assim que nos modernos sistemas jurídicos, incluindo o nosso, o DNA transformou-se na "prova dominante" para determinar a identidade das pessoas, independentemente de sua idade e inclusive na hipótese de devastação, ou seja, quando praticamente já não resta nada do ser humano, mesmo depois de longo tempo. O verdadeiro grau de civilização de uma nação mede-se pelo modo como são protegidos os mais necessitados. Por isso, deve-se proteger aos mais débeis. Porque o critério já não é o valor do sujeito em função dos afetos que suscita sobre os demais, ou a utilidade que presta, mas o valor que é conseqüência de sua simples existência. Esta lei afeta a ordem constitucional (artigos 7º, 8º, 36º, 40º, 41º, 42º, 44º, 72º, e 332º) e compromissos assumidos por nosso País em tratados internacionais, entre outros o Pacto de San José da Costa Rica aprovado pela Lei nº 15737, de 8 de março de 1985, e a Convenção dos Direitos da Criança aprovada pela Lei nº 16137, de 28 de setembro de 1990. De fato, disposições como o artigo 42 de nossa Carta que obriga expressamente a proteger a maternidade, e o Pacto de San José da Costa Rica, convertido ademais em lei interna como maneira de reafirmar sua adesão à proteção e vigência dos direitos humanos, contém disposições expressas, como o seu artigo 2 e o seu artigo 4, que obrigam nosso País a proteger a vida do ser humano desde a sua concepção. Ademais outorgam-lhe o estatuto de pessoa. Se bem que uma lei possa ser derrogada por outra lei, não acontece o mesmo com os tratados internacionais, que não podem ser derrogados por uma lei posterior. Se o Uruguai quiser seguir uma linha jurídico política diferente à que estabelece a Convenção Americana de Direitos Humanos deveria renunciar à mencionada Convenção (artigo 78 da referida Convenção). Por outra parte, ao regrar a objeção de consciência de maneira deficiente, o projeto aprovado gera uma fonte de discriminação injusta para com os médicos que entendem que sua consciência lhes impede de realizar abortos, e tampouco permite exercer a liberdade de consciência com quem muda de opinião e decide não realizá-los mais. Nossa Constituição somente reconhece desigualdades diante da lei quando estas se fundamentam nos talentos e nas virtudes das pessoas. Aqui, ademais, não se respeita a liberdade de pensamento em um âmbito demasiadamente profundo e íntimo. Este texto também afeta a liberdade de empresa e de associação, quando impõe a instituições médicas, com estatutos aprovados segundo nossa legislação, e que estão em funcionamento há mais de cem anos em alguns casos, a realizar abortos, contrariando expressamente seus princípios fundacionais. O projeto, ademais, qualifica erroneamente, e de maneira forçada, contra o senso comum, o aborto como ato médico, desconhecendo declarações internacionais, como as de Helsinque e Tóquio, que foram assumidas no âmbito do MERCOSUL, e que tem sido objeto de internalização expressa em nosso País desde 1996, e que são reflexo dos princípios da medicina hipocrática que caracterizam o médico por atuar a favor da vida e da integridade física. De acordo com a índole de nosso povo, é mais adequado buscar uma solução baseada na solidariedade, que permita promover a mulher e a sua criatura, outorgando-lhe a liberdade de poder optar por outras vias, e desta forma, salvar as duas. É necessário atacar as verdadeiras causas do aborto em nosso país e que nascem de nossa realidade socio-econômica. Existe uma grande número de mulheres, particularmente dos setores mais carentes, que suportam sozinhas a responsabilidade do lar. Para isto, deve-se circundar a mulher desamparada da indispensável proteção solidária, em vez de facilitar-lhe o aborto.

O Poder Executivo saúda este Corpo com sua maior consideração.

Dr. TABARÉ VAZQUEZ
Presidente da República

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FONTE: SITUAÇÃO DA DEFESA DA VIDA sdv@pesquisasedocumentos.com.br
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Quem é o Presidente do Uruguai: Tabaré Ramón Vázquez Rosas (Montevidéu, 17 de janeiro de 1940) é um médico e político uruguaio. É atual presidente da República Oriental do Uruguai.

Vázquez, de tendência socialista, é líder da principal coalizão de esquerda do país, a Frente Amplio. Vázquez foi eleito presidente em 31 de outubro de 2004 e teve sua posse realizada em 1º de março de 2005, tornando-se o primeiro presidente de esquerda da história do Uruguai.

Nascido no bairro de La Teja em
Montevidéu, Vázquez estudou medicina na escola médica da Universidad de la República graduando-se como especialista em oncologia em 1972. Em 1976 ganhou uma concessão do governo francês para receber treinamento adicional em Paris

26 de nov de 2008

desejos...


O William, do Blog Celebrai!, me indicou para um Meme sobre desejos. O que eu desejo fazer antes de ir embora deste mundão? Nem eu sei. Estou pensando. Vou postar aqui as regras, e enquanto não sei o que quero, vocês, queridos leitores, podem ir lendo e pensando... Se quiserem responder aqui, nos coments, fiquem à vontade. A foto da maçã é linda, eu pesquei lá do Blog Celebrai! também. Um abração e muito obrigada para o William, já já eu respondo...
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As regras são as seguintes:
• Escrever uma lista com oito coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui;
• Passar o meme para oito pessoas;
• Comentar no blog de quem lhe passou o meme;
• Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";
• Mencionar as regras.

Então, como diria uma amigo meu, "lai vai" meus desejos [do William!], antes de virar (ou de voltar ao) pó:
Ser um pastor de almas e não de coisas;
Ser o melhor marido do mundo;
Ser o melhor pai do mundo;
Ler mais 1.0000 de livros;
Escrever sobre tudo que puder, para ajudar o meu próximo;
Ser um amigo íntimo de Deus;
Ver o Palmeiras campeão do mundo;
Viver abundantemente.

Seguem os indicados para participar:
Raphael Rap [Rapensando]
Teo [
Bicho de Rondônia]
Éverton Vidal [
Re-Novidade]
Nani [
Nani e a Teologia]
Profº Maurício [
Práxis Cristã]
Laion Monteiro
Maya [Blog da Maya]
Martins [
Cabeça de Crente]

meu brasil brasileiro

“É sexo e violência de manhã, de tarde e de noite”, diz Lula sobre TV
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A divulgação sem limite de cenas de sexo e violência contribui para a degradação da família. Foi o que disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual das Crianças e Adolescentes, no Rio de Janeiro. Essa é a segunda vez que o presidente critica a mídia nesse sentido.
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Além de os ataques sexuais serem causados pela pobreza, o processo de degradação familiar está ligado à qualidade de informações que as crianças e adolescentes recebem pelos meios de comunicação.
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“Na hora em que a família entra num processo de degradação que passa pelo econômico, passa pelo social mas passa pelo que ela vê na televisão 24 horas por dia. Quem tem televisão a cabo, sabe do que falo. É sexo e violência de manhã, de tarde e de noite. Quantos programas culturais temos nas televisões para que as crianças possam ver às 7h, às 10h, ao meio-dia, 14h, 18h?”, questionou Lula.
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As informações são do O Estado de S. Paulo.
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FONTE: Comunique-se
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Ah, OK, foi um pronunciamento bem bonito, como tantos outros. Vamos ver o que vai ser feito, de fato...
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Caxias (MA): PF suspeita de fraude nas eleições
Relatórios mostram que urnas eletrônicas foram violadas, mesmo depois de lacradas
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A Rede Bandeirantes de Televisão exibiu ontem no Jornal da Band e no Jornal da Noite reportagem informando que a Polícia Federal (PF) abriu inquérito para apurar suspeita de fraude nas eleições em Caxias. Relatórios mostram que urnas eletrônicas foram violadas, mesmo depois de lacradas. Um vereador não teve o próprio voto computado.
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A matéria revela ainda que as urnas foram ligadas antes da eleição, tiveram lista de códigos digitais e programas alterados. Dois técnicos da USP (Universidade de São Paulo), acionados pela emissora, confirmam as suspeitas. A PF mandou as urnas para perícia técnica e caso seja comprovada a violação promete punir os autores do crime. Uma possível anulação da eleição vai depender do Ministério Público Federal (MPF).
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A reportagem lembra que dos 12 vereadores de Caxias, 11 se elegeram com apoio do prefeito reeleito Humberto Coutinho (PDT), que não quis falar sobre o caso. A presidente do TRE do Maranhão, desembargadora Cleonice Silva Freire, e o presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Brito, também não quiseram se pronunciar. O diretor de informática do TSE disse que a fraude é impossível.
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FONTE: 45 Graus
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PDT, o partido do prefeito de Caxias (MA) que, ao que parece, fraudou as eleições, é também o partido do atual governador do Maranhão, o "libertador" Jackson Lago, que tem feito o Estado piorar ainda mais, se é que isso ainda é possível após 40 anos de roubo e oportunismo dos Sarney, um clã milionário (José Sarney é o grande amigo do Lula, caso alguém não saiba quem ele é).
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Aliás, pode ser que o próprio governador do Maranhão, do PDT, tenha sido eleito por meio de fraude. E por que não? Só sei que esse é mais um motivo para que o brasileiro fique desobrigado de votar. Aliás, por onde anda o processo que Jackson Lago responde por corrupção? E os sobrinhos, amigos, correligionários e cúmplices, por onde andam?

25 de nov de 2008

Patricia Neme denuncia o descaso do governo federal em relação à lepra.

Eu tenho LEPRA!

O médico abriu o envelope da eletroneuromiografia e num misto de alívio e preocupação, disse-me: Hanseníase neural, em estágio avançadíssimo. Ali findavam dois anos e meio de peregrinação a consultórios das mais variadas especialidades, sem que se obtivesse qualquer resultado (e quantas vezes outros profissionais me encaminharam a psicólogos, psiquiatras. Só ele acreditava que havia algo mais sério). Tantos exames ,tantas quedas súbitas, causando uma interminável quebradeira de ossos. Dali, fui ao dermatologista e, em seguida, ao posto de saúde, onde já iniciei a poliquimioterapia (PQT).

Apesar de há muito não receber uma visita pastoral ou resposta aos meus e-mails e telefonemas, diagnóstico na mão, procurei o pastor da minha igreja, na pretensão de que ele entendesse a razão da minha rara freqüência aos cultos, pois mal conseguia andar, tinha dores intensas nas pernas e braços, muita dor de cabeça.

O que você deseja que façamos por você? Quero sua unção e sua bênção, tudo o mais está resolvido.

Recebi a unção e a bênção. E nunca mais tive notícias dele. Afinal, se a arca da aliança ficou três meses na casa de Obede-Edom e lhe resolveu a vida, eu passara quase 3 anos indo de mal a pior... E agora, uma lepra!

Aderi à igreja virtual e Silas Malafaia tornou-se meu pastor durante o meu caminhar pelo vale do sofrimento; e só Deus sabe o quanto ele me pastoreou. Deus o abençoe!

Lepra... Mudaram o nome para hanseníase, é mais chique. Mas é lepra, mesmo.

Sempre me julguei muito culta e na minha ”elevada sabedoria”, isso pertencia ao Antigo Testamento. A transição daquela época, a 2007, foi difícil, mas comecei a conhecer o mal silencioso que assola o país, responsável por 90% dos casos em todo o continente americano e o segundo no mundo em número absoluto de portadores, só perdendo para a Índia, que tem uma população cinco vezes maior do que a nossa. O que será que realmente fizeram com a CPMF, se até a PQT nos é doada por uma ONG holandesa?

Causada por um bacilo denominado mycobacterium leprae, a hanseníase compromete a pele e os nervos e a transmissão ocorre pelas vias respiratórias. Seus sintomas são manchas ou lesões cutâneas esbranquiçadas ou avermelhadas, com sensação de queimação, ardência, coceira ou perda de sensibilidade; também, placas, caroços vermelhos dolorosos e inchaços no rosto, dor nas articulações , febre, inchaço nas pernas, queda de pelos, além de dor no trajeto dos nervos que passam pelos cotovelos, punhos, atrás dos joelhos e tornozelos, causando a diminuição da força e dormência das mãos e pés. Quanto mais cedo diagnosticada, maiores as chances de o paciente não ficar sequelado.

Porém, para o diagnóstico precoce e a cura, é necessária uma experiência que poucos dermatologistas adquirem, pois a parte cosmética de sua especialização lhes permite maiores lucros; também urgem algumas condutas de suma importância, ou jamais conseguiremos erradicar a hanseníase, em cujas estatísticas não se pode crer, em razão do pouco conhecimento da maioria dos médicos, o que os leva a diagnósticos em direções outras, e do medo da discriminação, que impede muitos portadores de se apresentarem aos postos de saúde, onde as estatísticas são elaboradas.

Assim, é preciso:

- que o Ministério da Saúde faça campanhas elucidativas, para que o próprio paciente tenha a chance de reconhecer seus sintomas e busque um médico, ao percebê-los; e nossas igrejas, que realizem palestras sobre o tema;
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- que as faculdades de medicina dediquem um espaço maior no currículo para as doenças negligenciadas (hansen, malária, tuberculose, p. ex.), num ensino mais voltado à identificação dos sintomas e não apenas ao procedimento de cura da doença, principalmente porque a hanseníase pode ser confundida com várias outras enfermidades;
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- que os Conselhos Regionais de Medicina promovam constantemente cursos sobre o tema, já que a situação no país é crítica e ainda existem médicos crendo que a lepra está erradicada no Brasil;
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- que se termine com esse infeliz slogan de “Hanseníase tem cura”, que banaliza a doença, colocando-a quase que no mesmo patamar de um resfriado, xiliques e congêneres. Porque muitos casos são diagnosticados tardiamente, existe muita gente severamente sequelada (eu, entre elas), num processo irreversível que nos desmorona física e psicologicamente. Cura parcial... Não é cura. Ou quem insiste em tal slogan aufere de algum benefício ao compactuar com o descaso governamental?

E outros dois aspectos não podem deixar de ser mencionados, dada à importância que exercem na vida dos pacientes:

- o descaso dos peritos do INSS, que desconsideram totalmente relatórios médicos dos profissionais que nos acompanham, sempre alterando diagnósticos segundo sua inspiração momentânea (um perito “mudou” meu laudo para osteoartrose e outro, para depressão... No caso da lepra neural, a boa aparência do paciente é traduzida em saúde total e desconhecem que a clofazimina, que faz parte da PQT, realmente nos deixa com ótimo aspecto; bronzeados – porém, sempre vale lembrar que o corticóide, que elimina as neurites, por si só já nos metamorfoseia, pois retém líquido e gordura, o que nos engorda, muitas vezes, até à deformidade);

- a ignorância de muitas igrejas (principalmente evangélicas), que rejeitam tratamentos porque Jesus cura e ousam afirmar que a lepra é um castigo de Deus a quem muito peca (ouvi isso de um pastor. De outro, que eu deveria parar com o tratamento, pois tomar a PQT demonstrava a minha pouca fé). Já somos alertados em Oséias 4,6; que padecemos por falta de conhecimento. Até quando seguiremos com essa insanidade? Infelizmente, as igrejas, que deveriam esclarecer e combater o preconceito, são as que mais o incentivam – e não só contra o leproso, mas contra outras crenças ou posturas de foro íntimo... Quantas guerras são travadas por essa prepotência de exercer o julgamento que só cabe a Ele?

Deus cura? Cura. No tempo d’Ele e através de diferentes formas; ou não existiria a medicina. Ou, não cura (alguém se lembra do apóstolo Paulo?); por motivos que Ele conhece. E, se Ele conhece, isto basta!

A lepra é um processo muito, muito sofrido, que aumenta com o desconhecimento dos médicos sobre a doença, o que não lhes permite que nos orientem de melhor forma em relação às reações colaterais do tratamento (quase morri em função da dapsona, já que sou alérgica à sulfa); ninguém explica sobre a necessidade de acompanhamento por um gastro e outros especialistas, pois a PQT pode causar hepatite, como causa anemia, catarata e problemas renais, um roteiro que percorri todo. E agiganta-se, quando tememos a dor da discriminação, do absurdo julgamento daqueles que deveriam nos acompanhar espiritualmente.

Pela misericórdia, e pela facilidade de acesso a meios de informação, tive a felicidade de encontrar o Portal da Hanseníase, um trabalho abnegado e altamente profissional, voltado a ministrar cursos online a profissionais da área da saúde e a esclarecer dúvidas de portadores:
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http://www.hanseniase.passosuemg.br/, onde obtive um imenso apoio e carinho. Neles há, verdadeiramente, o mover de Deus.

Mas e quem não dispõe desse recurso? E as pessoas mais simples, perdidas no labirinto da impaciência do sistema público de saúde?

É por elas que estou aqui.

Porque quero lhe convidar a que se informe sobre esse mal; que não nos contemple com reservas ou se assuste com nossas seqüelas, que são apenas físicas; pior seria se fossem morais. Que nos ajude a buscar informações e se ponha ao nosso lado nessa luta por uma cidadania verdadeira, já que somos considerados produto da miséria e da imundície; mas esses conceitos podem abranger amplos sentidos, tão alheios ao real querer e viver dos portadores...

Eu tenho lepra, você tem diabetes, há quem tenha câncer.

Somos todos merecedores de respeito, tratamento digno e fraterno.

Se assim for, só nos contagiaremos de amor. Daquele que eleva e constrói. E cura!

Pense nisso. E que o Senhor nos abençoe e guarde.
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Patrícia Neme
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Texto de Patricia Neme, corajosa, publicado na edição de set/out da revista Ultimato.
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É preciso denunciar que o dinheiro do povo não é usado para cuidar do povo, no Governo do Lula e do PT. É preciso denunciar que informações importantes sobre doenças infecto-contagiosas não são divulgadas, no Governo do PT, para não abalar a boa imagem que o Governo construiu por meio de seu intenso controle da mídia.
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Para ler uma narrativa sobre a lepra, doença também muito comum na Índia, clique aqui: http://indiagestao.blogspot.com/2007/12/lepra.html

24 de nov de 2008

legalização do aborto no Brasil em debate


O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto

Desde 1980, o Projeto Tamar protege a vida das tartarugas marinhas. É um esforço louvável em prol da vida. Nas áreas de desova, são monitorados 1.100 km de praias todas as noites durante os meses de setembro a março, no litoral, e de janeiro a junho, nas ilhas oceânicas, por pescadores contratados pelo TAMAR. São chamados tartarugueiros, estagiários e executores de bases. São feitas a marcação e a biometria das fêmeas, a contagem de ninhos e ovos. A cada temporada, são protegidos cerca de catorze mil ninhos e 650.000 filhotes.

Se alguém destruir algum desses ninhos ou apenas um único ovo de tartaruga, sim, unzinho só, comete crime contra a fauna, espécie de crime contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/93).

Já, na Câmara dos Deputados, tramita o importante Projeto de lei nº 1.135/91 que pretende legalizar o aborto do nascituro, em qualquer fase, até o nascimento. Sim, até o nascimento, porque apesar de o substitutivo falar em direito ao aborto até a 12ª semana, o seu último artigo revoga os artigos 124, 126, 127 e 128 do Código Penal, ou seja, é um verdadeiro Projeto Matar.

A decretação da morte sem culpa do ser humano em um momento de maior fragilidade, sem que se lhe dê o direito à defesa, é um dos maiores absurdos que esta “civilização” pode perpetrar.

Digo absurdo, mas poderia dizer burrice cavalar, má-fé assassina, egoísmo desenfreado, hedonismo perverso, eugenia imperial e vai por aí.

Não será preciso estudar embriologia para saber que, desde 1827, graças a Karl Ernest von Baer, ficou assentado que, a partir da concepção, existe uma nova vida. Uma criança em sua simplicidade e pureza encanta-se com as novas vidas que estão nos ovos das tartarugas tão protegidos nos ninhos pelo Projeto Tamar, encanta-se ao saber que em breve virá à luz seu irmãozinho ou irmãzinha, ainda no ventre materno.

Mas não importa a ciência, não importa o direito, não importa o encanto de uma nova vida. Importa a frustração, o medo do sofrimento, em geral, futuro, os traumas, a perfeição eugenista, a liberdade de matar o próprio filho ainda no ventre.

Quando uma “civilização”, em nome da liberdade e do puro positivismo jurídico, sobrepõe a liberdade ao direito à vida, tem início um perigoso processo. A esse filme nós já assistimos no século XX. A maioria decidindo quando, como e em que circunstância uma minoria pode morrer. É a liberdade para o holocausto. Se o seu país não quiser, não o faça, mas não impeça que outros o façam. Em Nuremberg, todos se defenderam escudados no direito positivo. É por isso que o Papa João Paulo II sentenciou, em seu último livro, que o direito à vida é um limite da democracia.

O Projeto nº 1.135/91, que legaliza o aborto, é inconstitucional, pois, atropela o princípio da inviolabilidade da vida, prescrito pelo artigo 5º da Constituição Federal, ao legalizar o assassinato de crianças no ventre da mãe. É, reitero, um verdadeiro Projeto Matar. Mas, dirão os defensores do aborto: a ciência não sabe quando começa a vida. Respondo: é imprescindível comunicar o Projeto Tamar desse fato, assim, não será preciso gastar tanto dinheiro do contribuinte à toa, defendendo ovos de tartaruga. Será necessário descriminalizar o aborto de ovos de tartaruga. Será que alguém terá, ainda, a coragem de me objetar que, no caso das tartarugas, é diferente porque elas não têm liberdade de escolha? Então, viva a liberdade!

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Artigo de Cícero Harada, Procurador do Estado de São Paulo, publicado no site da OAB-SP. Para acessá-lo, clique aqui. O autor é conselheiro e presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia da OAB SP.

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Dr. Procurador Cícero Harada,

Em primeiro lugar, nós, mulheres, não somos tartarugas. Tampouco as mulheres feministas. Não somos pró-aborto como método contraceptivo. O aborto constitui um último recurso, caso os métodos anticoncepcionais hajam falhado, a gestante rejeite a gravidez ou não tenha condições de criar seu rebento. São muitos os homens que, tomando conhecimento da gravidez de sua esposa/companheira, desertam, isto é, a abandonam. Esta constitui uma das razões pelas quais há um crescente percentual de famílias formadas de mães e seus filhos.

O Dr. Procurador preferiu discutir a questão no campo religioso, tecendo loas ao Papa João Paulo II, o Papa da morte. Obviamente, na medida em que condenava o uso do preservativo masculino, permitindo apenas a abstinência (quem poria seu próprio pescocinho sob a guilhotina, apostando que os jovens se abstêm de sexo?), auxiliou o crescimento do contingente contaminado com HIV. João Paulo II conhecia bem a sociedade do espetáculo, tendo-o preparado para seu enterro. Irmão gêmeo, em idéias, do então presidente da congregação e hoje Papa Bento XVI, sabia sobejamente que sua obra teria continuidade por muitos e muitos anos.

Com a primeira Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, em 1892, separaram-se Estado e Igreja. Portanto, a religião é uma questão de foro íntimo.

A morte como decorrência de aborto mal feito, entretanto, não é, de modo algum, assunto afeto à instituição Igreja, quaisquer que sejam suas crenças e os controles que se impõem a fiéis e a não-fiéis. Isto não é democracia. Ao contrário, é ditadura, uma vez que nem todas as religiões proíbem a Interrupção Voluntária da Gravidez, não havendo, a este propósito, consenso nem sequer dentre os católicos. Haja vista a organização Católicas pelo Direito de Decidir. Aí está mais um motivo para não situar a DESCRIMINAÇÃO (perdoe-me, Dr. Procurador, descriminilização e descriminilizar não são termos corretos) do aborto no terreno quer da religião, quer da instituição social Igreja. Mesmo porque, o livro SEXUALIDADE DA MULHER BRASILEIRA, de Rose Marie Muraro, revela que muitas católicas verbalizam sua discordância com a legalização ou com a descriminação do aborto, mas o praticam, sempre que um ou mais dos motivos acima mencionados se fizerem presentes.

Não é a religião ou a Igreja que lhe provê o necessário à criação de seus filhos, mas a classe social em que ela, abandonada pelo marido/companheiro ou com sua família, se insere. Logo, Dr. Procurador, o objeto de nossa discordância situa-se na área das gigantescas disparidades socioeconômicas vigentes na sociedade brasileira. Mulheres ricas não morrem em decorrência de aborto realizado por curiosas ou de auto-aborto; nem sofrem em virtude de seqüelas provocadas por tais procedimentos. Há centenas de clínicas muito bem aparelhadas para fazer abortos em condições de total assepsia. É bem verdade que cobram caro, pois não deve ser barato um aparato de sucção para extrair um feto. Ademais, há o fator RISCO de se fazer um procedimento condenado pela ordem jurídica estabelecida em nosso país. Aliás, obra de homens, que sempre controlaram a sexualidade feminina e, no século XXI, ainda se dão o direito de decidir a respeito de nossos corpos. Já está nas livrarias, o livro da médica negra e feminista Fátima Oliveira, narrando, embora de forma romanceada, a fim de não permitir a identificação de padres e moças, engravidadas pelos primeiros, que as obrigaram a abortar. Também entre padres e freiras isto ocorreu muito, muito. Nestes casos, assim como nos de pedofilia, o que faz a Igreja? Simplesmente, transfere o padre para outra paróquia. É muito farisaísmo, Dr. Procurador! Prefiro a verdade, que meus pais me ensinaram. Para ser boa, para auxiliar a quem precisa, Dr. Procurador, não preciso desta Igreja. Bastam-me os ensinamentos cristãos que até hoje ainda recebo de minha mãe, uma senhora de 93 anos. Seguramente, seu Deus não é o meu. Enquanto procuro, é verdade que em escala individual, distribuir o que ganho com meu suor, a Igreja, exceto no início do cristianismo, sempre se alinhou com os poderosos. Ademais, Dr. Procurador, a história de sua Igreja revela que durante muitos séculos não proibiu o aborto. Só não lhe digo quantos séculos a Igreja aceitou o aborto para não enrubescê-lo.

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O ARTIGO “O Projeto Matar e e o Projeto Tamar: o Aborto” FOI RESPONDIDO POR Heleieth I.B. Saffioti, socióloga, professora universitária em programas de estudos pós-graduados, professora titular de sociologia, aposentada pela UNESP, 12 livros publicados em Português, artigos publicados em Inglês e Espanhol, nos Estados Unidos, Europa e América Latina.

Artigo publicado no site da OAB-SP. Para acessá-lo, clique aqui.
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Tréplica de Cicero Harada: “NÓS NÃO SOMOS TARTARUGAS”. Artigo publicado no site da OAB-SP. Para acessá-lo, clique aqui.

É o primeiro protesto da senhora doutora socióloga, Heleith I.B. Saffioti, contra o artigo de minha autoria, O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto. Muito obrigado pela informação. Certamente, até as tartarugas, se pudessem ler, ficariam estupefatas diante dessa conclusão.

Se a senhora doutora socióloga, autora de doze livros, tivesse lido ou entendido o artigo, não teria dito que nele discuto a questão do aborto sob o prisma religioso. Até gostaria de tentar, mas não sou teólogo, não pertenço ao clero e, confesso, não tenho competência para cuidar do tema sob esse aspecto.

A partir dessa falsa premissa, a senhora doutora socióloga, autora de doze livros, em vez de refutar os argumentos do artigo, resolveu dizer o que eu não disse. Escapou do assunto, compôs um solilóquio e, falando mais de religião, desfiou anátemas decorrentes de seus próprios dogmas religiosos.

Qualifica o Papa João Paulo II de “Papa da morte”, afirma que religião é questão de foro íntimo, vê com simpatia entidade soi-disant católica defensora do aborto, critica violentamente a Igreja Católica, “exceto no início do cristianismo”, ataca o farisaísmo dos padres, afirma que o deus dela não é o meu Deus, nem a minha Igreja é a dela, para concluir: “não preciso desta Igreja”.

“Não precisa desta Igreja”, senhora doutora socióloga? Esqueceu-se de que é professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP?

No artigo, cito João Paulo II, porque ele viveu sob os totalitarismos, nazista e stalinista. Só o fato de tê-los reprovado e afirmado o direito à vida como um limite da democracia, condenando os holocaustos, basta-me, agora, coisa que não fiz no artigo, para “tecer loas”, fazendo justiça ao grande pontífice, que foi, sim, o Papa da Vida!

Mas, se eu tivesse citado Hannah Arendt, pobre Hannah Arendt…

Não discuto no artigo, se a religião é ou não de foro íntimo. Não tratei de religião. Ela, no entanto, viu religião. Afirmo e continuo afirmando que a vida é ínsita ao ser humano. Que direitos serão garantidos, se não se resguardar o direito à vida? Este está acima dos demais. Não haverá cidadania, nem democracia, se o direito à vida puder ser violado.

Que democracia haverá se a maioria puder estabelecer quando, como e em que circunstâncias uma minoria poderá morrer? Será que a decretação da morte de outrem é só matéria de foro íntimo? É só matéria religiosa? Não, o enfoque é multidisciplinar. A misteriosa vida escapa à pretensão iluminista de redução à res extensa. Aliás, essa tentativa reducionista do ser vivo à matéria morta só poderia desaguar na “cultura da morte”.

A senhora doutora socióloga, autora de doze livros, contudo, propõe o aborto, “quando a gestante rejeite a gravidez ou não tenha condições de criar seu rebento”. Traduzindo: o direito à liberdade da gestante pode determinar a morte do nascituro e a avaliação negativa e subjetiva da gestante sobre um fato econômico pode impor, objetivamente, a extinção do ser humano não nascido.

No tocante ao direito à liberdade, em primeiro lugar, é preciso salientar que os direitos são hierarquizáveis. Posso ter vida sem liberdade, mas nunca liberdade sem vida. Portanto, o direito à vida é superior à liberdade. Ao Estado cabe reconhecer o direito à vida, impedindo que a liberdade de um possa acarretar a morte de outrem. Só são admitidas as hipóteses de legítima defesa e de estado de necessidade, mas aí, concorrem diretos à vida. Como afirmar, então, que o direito à vida é apenas uma questão de foro íntimo?

Grave é a subordinação da decretação da morte ao fato econômico. Pior ainda, não ao fato, mas à avaliação subjetiva da gestante sobre uma situação econômica. Ora, se a vida do ser humano pode ser aniquilada pela avaliação subjetiva da situação econômica, já estamos numa fase em que os “parasitas sociais” poderão ser aniquilados. Alguém, e não vou dizer quem para não ofender, asseverava em seu livro e depois o implementou: o ser humano só tem direito a viver se puder se sustentar.

A senhora doutora socióloga, autora de doze livros, para me censurar, pretende que “o objeto da nossa discordância situa-se na área das gigantescas disparidades socioeconômicas vigentes na sociedade brasileira”. Esse é mais um dos solilóquios. Vamos, então, tocar o dedo na ferida. As diferenças gritantes a que alude, constituem fatos notórios. A questão é que, depois de apontar um fato notório, o “óbvio ululante”, e sugerir, enganosamente, que eu o estava negando, o que faz ela? Afirma que as ricas não morrem, porque “há centenas de clínicas muito bem aparelhadas para fazer abortos em condições de total assepsia”. Cobram caro, porque “não deve ser barato um aparato de sucção para extrair um feto”. As pobres morrem ou tem seqüelas, porque não dispõe de dinheiro. Conclusão: aprove-se o aborto.
A questão primeira a se discutir é: com assepsia ou sem assepsia, com dinheiro ou sem dinheiro, posso matar um ser humano, o que é mais grave, em fase de maior fragilidade, sem direito à defesa?
Poderia fazer uma analogia: há ricos que contratam matadores profissionais especializadíssimos, muito bem aparelhados, matam com total segurança, tiro asséptico e sem sofrimento, não criando problemas ao mandante. Cobram caro, até porque suas armas não são baratas. Dificilmente são descobertos. O pobre contrata o pé-de-chinelo, o amador de periferia, que mata a pauladas, com arma branca ou garrucha velha. A vítima morre depois de muito sofrimento ou fica com graves seqüelas. Além disso, ainda cria embaraços ao mandante que vai preso e deixa a família na miséria. Portanto, seria lícito concluir que, por causa da disparidade social devamos descriminalizar (e vou insistir na palavra que, além do mais, está dicionarizada, fico com o Aurélio) o homicídio?

O Projeto nº 1.135/91, que legaliza o aborto, é inconstitucional, pois, atropela o princípio da inviolabilidade da vida, prescrito no artigo 5º da Constituição Federal, ao legalizar o assassinato de crianças no ventre da mãe. Afronta norma fundamental e, pois, cláusula pétrea. Além disso, que sentido teria o artigo 2º do Código Civil de resguardo dos direitos do nascituro, se se excepcionar o direito à vida?

Por fim, a senhora doutora socióloga, autora de doze livros, em seu solilóquio, faz-me um quase desafio: “Dr. Procurador, a história de sua Igreja revela que durante muitos séculos não proibiu o aborto. Só não lhe digo quantos séculos a Igreja aceitou o aborto para não enrubescê-lo”.

Pois bem, um dos primeiros documentos históricos da Igreja, a Didaqué, primeiro catecismo Cristão, datado de 90-100, ensina: “Não matarás criança por aborto, nem criança já nascida”. “O caminho da morte é…dos assassinos de crianças”. O princípio sempre foi ensinado. Só que não havia certeza quanto ao início da vida. Apenas com Karl Ernest von Baer, pai da embriologia moderna, em 1827, é que ficou assentado que o início da vida ocorre na concepção. Assim, antes disso, havia dúvida e, por isso, embora firmado o princípio, não havia certeza quanto ao momento.

Dito isso, já que a senhora doutora socióloga, autora de doze livros, veio tratar de religião, em vez de, objetivamente, rebater o artigo por mim escrito, aconselho, já que alude tanto à sua igreja, a aprofundar nos dogmas e na história de sua igreja, não nos venha doutrinar, afinal, religião é ou não é “assunto de foro íntimo”? Depois, porque sobre a história da Igreja já está reprovada. Quando a senhora doutora socióloga investiu contra a Igreja, mas excepcionou o início do cristianismo, é porque não conhecia a Didaqué.

A senhora doutora socióloga, autora de doze livros, insurge-se: “nós não somos tartarugas”. Agradeço a informação. Ela confirma o meu artigo, “O Projeto Matar e o Projeto Tamar: o Aborto”. Se alguém destruir apenas um único ovo de tartaruga, comete crime contra a fauna, espécie de crime contra o meio ambiente (Lei nº 9.605/93). O projeto que pretende legalizar o aborto, o projeto matar, dá mais importância à vida das tartarugas do que a do ser humano. Estou enrubescido…

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Cícero Harada - Advogado, Procurador do Estado de São Paulo, Conselheiro da OAB-SP - Presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia- OAB-SP.

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Em parte, tem razão a socióloga H. Soffiati quando acusa a Igreja Católica de hipócrita. Uma igreja que acoberta seus sacerdotes quando os mesmos cometem o crime hediondo da pedofilia, em todo o mundo, não tem moral para criticar o que quer que seja, e infelizmente a realidade é essa. O crime de pedofilia é um segundo aborto. As marcas ficam para sempre, a criança perde sua infância e destina-se a uma vida cheia de medo, ressentimento, traumas, complexos e tanto mais - fora os que se suicidam. E o que a Igreja faz, quanto a isso? Diz um "sinto muito", pela boca do papa, e transfere o padre pedófilo de paróquia?
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Em relação à questão do aborto, especificamente, Cícero Harada tem razão, pois insurge-se contra o crime que é o aborto. Ademais, que grande piada de mau gosto o fato de muitos "moderninhos e antenados" serem contra a destruição dos ovos de tartaruga e a favor da destruição de vidas humanas! Particularmente, sou contra o aborto, sobretudo porque a vida no ventre materno depende da mãe, mas não é propriedade dela. Trata-se de outra vida, outro código genético, outro ser humano. Quem é a favor do aborto deve, por coerência, ser a favor da pena de morte. Que diferença essencial há, entre um e outro? A maior diferença, aliás, reside no fato de que o condenado à pena de morte cometeu crime, enquanto a criança no ventre da mãe não fez absolutamente nada. Quem é a favor do aborto deve defender os assassinos de Isabela Nardoni. Afinal, o que houve foi um aborto tardio.
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Sou a favor da VIDA, amplamente. Isso significa que a criança não deve ser morta em nenhuma etapa de sua existência: nem no ventre, nem nos primeiros anos de vida, por desnutrição, desidratação, violência, abuso sexual, descuido ou qualquer outra razão. Quem é contra o aborto deve entender que após o nascimento, tendo-se dado garantias de vida ao ser humano que teve sua vida iniciada no ventre da mãe, a vida... continua! Isso significa que deve haver garantia de educação, alimentação, saúde... Por isso a luta pela vida estende-se à luta pelo ensino universal, gratuito e de qualidade, à luta pela melhoria salarial, pela construção e pela manutenção de hospitais, creches, locais de lazer etc.
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No mais, H. Soffiati derrapa quando associa a luta contra o aborto à religião. Muitos dos que lutam contra a pena de morte, por exemplo, não são religiosos. Então, para defender a vida é preciso ter uma religião? A afirmação da dra. Soffiati é logicamente contraditória. A defesa da vida inscreve-se na própria Constituição Federal, e, por outro lado, há católicas que defendem o aborto. Ora, se somente a religião pode dar à vida o caráter de "sagrada", então matar, num estado laico, não deveria ser crime. Além do mais, a autora trata a religião como algo que deveria ficar fora do debate, o que é, mais uma vez, falso: cada um tem suas convicções e debate com base nelas. A "religião" da socióloga (crença na origem da vida, em seu caráter mais ou menos importante e todos os demais aspectos ligados à questão) é a "não-religião", o que não quer dizer que ela não tenha convicções e princípios e, independentemente da origem deles, certamente exige que os mesmos sejam respeitados. Tentar desmoralizar os argumentos do sr. Harada por essa via distorce o debate, assim como basear os argumentos contra o aborto na história da Igreja Católica também o prejudica.
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Há mais textos, publicados após esses três. Para ler mais sobre o assunto, clique aqui: http://tamarmatar.wordpress.com/

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