Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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29 de nov de 2008

a novela das oito

Patricia Flora Pillar
Contos da Mula Manca


Depois de longa e tenebrosa ausência, causada por confusões e trabalhos, a Mula Manca está de volta em muito low profile. Tanto que a diversão maior nos últimos tempos tem sido a novela “A Favorita”. E, como em toda novela que se preza, os vilões dão um show. De quebra o mais engraçado é ver como o espelho deles, o bonzinho, não dá conta do recado.

É difícil o bem enfrentar o mal com galhardia, ainda mais se ancorado em um ator mais fraco que o danado. Qualquer dúvida vamos começar pelo impagável Ary Fontoura, seu jogo de cena e trejeitos de mordomo malvado e recalcado. Chega a dar dó quando a principal oponente de Silveirinha, a ex-mulher, Cilene, vivida por Elizangela, tenta encarar a fera de frente com aquele joguinho patético de revirar os olhinhos. Tanto que a melhor Cilene da Globo ainda é vivida pelos Cassetas nas noites de terça-feira. A paródia da cafetina de bom coração é muito melhor que o original.

Outra que dá dó quando vai enfrentar a encarnação do mal é a Claudia Raia. La Raia, em que pesem suas lindas pernas e seu corpão, não é páreo para uma atriz com a bagagem de Patrícia Pillar. Aquele jeitinho sonso e bondoso, ancorado em um nariz eternamente vermelho, fruto de uma cirurgia que pretensamente corrigiria uma tromba meio mal feita e deixou a mina com jeito de Michael Jackson, não faz nem para o café. A maldade de Flora vem na mudança do jeito de olhar, nos instantes de segundo em que ela leva para se transformar como um Hulk imaginário, com muito mais eficácia e sem os efeitos especiais do monstro verde.

Na ala masculina então nem se fala. O tal do Zé Bob, que juram as más línguas, deve o aumento e o destaque de seu personagem a sua proximidade ao autor da novela, nem piscando os sedutores olhos azuis consegue dar algum efeito contra o Dodi. O personagem e suas camisas cafonas, seu ar de cafajeste com o nariz eternamente entupido, sempre fungando e o cabelo meticulosamente jeca a custa de reflexos por si só já é uma encarnação tão boa de um canalha que talvez pudesse até dispensar o talento de Murilo Benicio, que só faz somar. E o cometa Halley? Esse é um que não precisa de nada. Cauã Reymond quietinho, de boca, aliás, de bocão calado, já vale a noite em frente da TV.
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FONTE: Portal Comunique-se. Autora: Maria Ruth de Moraes e Barros. Formada em Jornalismo pela UFMG, começou carreira em Paris, em 1983, como correspondente do Estado de Minas, enquanto estudava Literatura Francesa. De volta ao Brasil trabalhou em São Paulo na Folha, no Estado, TV Globo, TV Bandeirantes e Jornal da Tarde. Foi assessora de imprensa do Teatro Municipal e autora da coluna Diário da Perua, publicada pelo Estado de Minas e pela revista Flash, com o pseudônimo de Anabel Serranegra. É autora do livro “Os florais perversos de Madame de Sade” (Editora Rocco). Texto publicado em 28/11/2008

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