Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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7 de jul de 2008

buenas!

René Magritte

Não é o medo da loucura que nos forçará a largar a bandeira da imaginação.
André Breton
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Cá estou, novamente, ao fim de mais um domingo... Vi de novo O Advogado do Diabo, com interpretação magistral de Al Pacino. Há filmes que eu não me canso de ver. Este é um deles. Não é um comportamento estranho, visto que quando alguém gosta de uma música costuma escutá-la muitas vezes. Sei que é incomum alguém ler um filme e depois repetir a dose. O melhor mesmo é ver sempre coisas novas, inéditas. Mas acho que esse período de re-ler é fundamental, pois nunca se faz a mesma leitura. Re-leio livros, músicas, filmes, HQs, textos científicos... No caso dos filmes, será o elemento visual que extrapola, cansa, exagera e basta em uma leitura? O acúmulo das imagens? Boas lembranças da disciplina de Leitura de Textos Visuais, do curso de Semiótica da Lúcia Teixeira. O melhor é que agora eu penso sempre nesses princípios. Talvez o que ocorra na leitura desses textos sincréticos, como os filmes de cinema, seja a produção de um estado disfórico, no leitor, a cada re-leitura, o que levaria também a uma debreagem. Mas isso é achismo, são ilações.

Mudando de assunto, hoje descobri um Blog muito interessante, do Alexandre Soares Silva; o link é http://www.apostos.com/soaressilva/. O cara escreve bem e é engraçado. Particularmente, ri bem de algumas tiradas sobre sexo e castidade: http://www.apostos.com/soaressilva/2005/02/sexo_e_castidade.html.

No mais, preciso dizer que postar é um prazer, mas eu me dou conta de que não é fácil. Quando faço colagens, nesse processo de bricolage (olha a Semiótica aí, gente!), sempre acho que deveria escrever algo meu; por outro lado, não tenho como escrever algo diariamente.

Ontem mesmo, às 4h da manhã, me veio uma história engraçadíssima com dois personagens que eu criei em uma crônica, a Marisa e o Eduardo. A Marisa é uma mulher moderna, mas está longe de ser uma Rê Bordosa: é tradicional em alguns aspectos, mas muito engraçada, sempre, do tipo que ri da má sorte e da boa sorte. O Eduardo é uma espécie de Alberto Roberto, sempre admirando a si mesmo, sempre pavoneando aqui e ali. A Marisa tenta provar que está muito bem e realizada e o Eduardo quer mostrar -- na verdade, ele quer mostrar isso mais para si mesmo, no fim das contas -- que ela é louca por ele. Enfim. Mas ontem eu achei a definição do Eduardo, num jogo polifônico depois do qual não posso definir o sujeito: "... sexy, naquele pijaminha de flanela azul celeste, ele sabia como sua voz masculina perturbava Marisa. Ela o fitava, os cabelos longos desgrenhados, os olhinhos semi-abertos vermelhos, aquela camiseta da velha Universidade de Monteagudo... Como pudera ignorá-la por tanto tempo? Por trás daquela indiferença havia uma mulher ardente, louca por ele, obsessiva, apaixonada, carente, pronta a queimar em seus braços. Pronta a lhe fazer filhos e filhas."

Escrevi bem mais, mas aí é que está, preciso trabalhar no texto. Isso leva tempo quando não temos tempo. Então também vou colando outras notícias, curiosidades, imagens... Esse texto aí de cima é um pedacinho de mais de quatro páginas manuscritas, certamente ainda vai ser muito alterado antes de eu postar aqui. E enquanto isso não acontece vou colando, colando...

Então, acho que esses textos não-meus acabam por compor um discurso construído em que, no final das contas, a voz é minha, sim: é que é uma voz polifônica. E as músicas também, tenho ouvido coisas muito boas, e o que me parece interessante vou colocando no canal Maya_musique. Sem preconceito de etnia, orientação sexual ou religião. Digo isso porque imagino o que não pensam algumas pessoas que vêm por aqui e ouvem Fernanda Brum, ou Kleber Lucas... Me parece não-chic, não-moderno e não-antenado, mas sobretudo não-intelectual ouvir música gospel brasileira, principalmente se os cantores forem pentecostais -- pentecostalismo, dizem meus amigos crentes de boa linhagem conservadora, é o fino do brega. Mas, como eu disse, por aqui vamos ouvindo de tudo, de Baden Powell a Kleber Lucas, de Cassiane a Elis Regina, de Chico Buarque a Asaph Borba, de Fernando Mendes a Vencedores por Cristo, de Zeca Baleiro a Ana Paula Valadão, de Renato Russo a Sóstenes Mendes.

No mais, acredito que os significados que eu atribuo ou tento construir ficam no "entre", pois não há texto sem leitor, toda leitura é um apanhado das leituras já existentes para aquele que conhece o objeto. Esses significados, passados em revista durante a leitura, se unem num hipertexto e fazem com que o sentido dado pelo leitor exista. Por isso não sei se acredito na imanência; minha tendência é pensar que cada um que lê o que está aqui constrói sua leitura culturalmente mas também subjetivamente, sem que possamos falar de um sentido "real", aplicado diretamente à "realidade exterior" e objetivo.

Tudo isso para dizer que este Blog tem a minha leitura, eu construo o texto imaginando quem o lerá. Mas, como eu não sei quem de fato o lê, e muito menos como processa as informações aqui contidas, este Blog é mesmo de quem o acessa, não é meu.

Pra terminar, vou postar fotos do encrramento da disciplina Leitura de Textos Visuais (Semiótica) da pós-graduação em Letras da UFF (foi na tarde do dia 03/07/2008, quinta-feira passada), com a Professora Lúcia Teixeira e alguns de meus colegas. Também fiz umas fotos numa madrugada fria dessas que eu acordei morrendo de fome, pesquei uns morangos na geladeira e fui comer na cama.
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Meus colegas, a professora Lúcia de blusa vermelha e eu, à direita.
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A professora Lúcia Teixeira, em momento muito natural.
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Colegas de turma e eu. Rodrigo, Daniele, Fábio, Mônica, Patrícia.
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morangos

amorongs

rangosom

songarmo

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