Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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1 de jun de 2008

do site da revista Ultimato


A profecia de dC Talk
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Deus me deu a graça de poder circular nos diversos meios evangélicos com certa liberdade. Tenho amigos de diversas denominações e, dentro desses grupos, felizmente vejo pessoas de Deus querendo levar o compromisso com o Reino a sério.
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Mas confesso que venho me preocupando. Cresce, nos mais diferentes graus, o sentimento de frustração, angústia e decepção. Cresce o número de pastores que pensam seriamente em “jogar a toalha”. Em cada grupo denominacional (junto com seus subgrupos peculiares), a perplexidade entre aqueles chamados por Deus para o pastoreio aumenta.
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Ao mesmo tempo, vemos que a igreja evangélica brasileira experimenta um tremendo crescimento numérico, ainda que esteja aquém das projeções ultra-otimistas do final do século passado. A cada dia que passa, vemos igrejas sendo abertas, e logo cheias de gente, em praticamente todos os cantos do Brasil.
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Ora, dirão alguns, qual o motivo, portanto, da perplexidade e do cansaço desses pastores?
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O grande problema com a igreja evangélica brasileira de hoje (obviamente salvando-se as honrosas exceções) é aquilo que deveria ser sua marca diferencial e essencial: o próprio evangelho. O evangelho tornou-se um estorvo para grande parte dos nossos evangélicos. Afinal, o evangelho nos manda (e não sugere!) viver uma vida digna do reino ao qual fomos chamados (Fp 1.27); nos ensina a amar a Deus com todas as nossas forças, razão e emoções, ou seja, amar a Deus acima das nossas igrejas, doutrinas, estruturas e “pop-stars” de púlpito, alguns que se arrogam em se chamar “pastores” (Mc 12.33); nos exorta a prestarmos a Deus não um culto extasiante, mas racional (Rm 12.1, 2); nos adverte a sermos cautelosos e não aceitar qualquer um que se diz “servo do Senhor”, pois nem todos o são (1Jo 4.1).
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Infelizmente, não é o que vemos por aí. O que temos são brigas monumentais de egos idem, onde cada um quer aparecer mais do que o outro, dizendo que estão “na promoção do reino”. O que temos são escândalos de toda monta: financeiros, sexuais, doutrinários. Alguns são casos de polícia mesmo, com direito a boletim de ocorrência. E são todos casos de um enviesamento de prioridades, em que egos enfermos não são curados, e sim promovidos ao estrelato.
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A banda estadunidense dcTalk, uma das minhas preferidas, certa vez escreveu em uma de suas músicas: “Fale o que quiser, veja por si só / a resposta para tudo é uma vida de prosperidade / pegue o que puder porque só se vive uma vez / você tem o direito de fazer o que quiser / não se importe com os outros, ou de onde você veio / não é o que você era, e sim o que você se tornou / Em quê nos tornamos? / em um povo auto-indulgente / diga-me onde estão os justos / em um mundo degenerado / em quê nos tornamos?”
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Em quê nos tornamos? Em motivo de louvor a Deus ou motivo de pilhéria e gozação (Rm 2.24)? Mas o que mais me entristece em nossa auto-indulgência é nunca confessarmos o nosso pecado de mudança de rota (se preferirem, “perversão”). Sempre preferimos fazer um malabarismo psicológico de projeção, jogando a nossa culpa em cima do diabo. Apesar de o diabo ser real, ele não é tão poderoso assim para ser o responsável pelo estado atual da igreja. Nós também temos nossa parcela de culpa.
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Nesse momento, em que parece que a angústia, a decepção, a tristeza e o desânimo querem tomar conta daqueles que são sérios com Deus, é bom nos lembrarmos das palavras do Senhor registradas em 2 Crônicas 7.14: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se desviar dos seus maus caminhos, então eu ouvirei do céu, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra”. Ainda resta esperança. Somos povo dele, e ele não nos joga fora. Ao contrário, ele se volta a nós. É hora, portanto, de nos voltarmos a ele.
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Texto de Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Serranópolis, GO.

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