Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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23 de out de 2009

100% do seu dinheiro são para quem?

100% do meu dinheiro são para Deus.

Ao contrário do que ouvi a minha vida inteira, esclareço que 100% do meu dinheiro são para Deus. Hoje, questiono a forma como a maioria dos pastores, nas igrejas, trata a questão do dízimo. Na verdade, nem se fala em “dar”: o verbo usado é “entregar”, já que Deus é o dono dos 10% que você apenas restitui a Ele, quando o destina à igreja.

Os pregadores dizem que 10% “do muito que Deus nos dá” devem ser para Deus. Pela lógica, os 90% que restam são para mim, e não para Deus. Se 10% são para a “obra”, então pela lógica eu, que fico com os 90% restantes, não sou obra de Deus (I Pedro 2:4)[1]. Bom, eu seria obra de quem, então?

Tudo o que Deus me dá é para Ele. 100% do que Ele me dá devem ser para honrá-lo, agradá-lo, adorá-lo e fazer com que seu nome seja louvado, inclusive por mim, quando me alimento e louvo o seu nome, ou quando pela manhã acordo e vejo que tive um teto sob o qual dormir, e então louvo também o seu nome. Diz a Bíblia que eu sou filha de Deus (I João 3:1)[2], co-herdeira de Cristo (Romanos 8:17)[3] e templo do Espírito Santo (I Coríntios 6:19)[4]. Ora, os recursos que sustentam a minha vida, que pertence a Deus (I Coríntios 6:20)[5], são também para Ele. O dinheiro que compra a minha comida, paga meu aluguel e financia minhas roupas são para sustentar o templo do Espírito.

A consciência de que 100% do que Deus me dá voltam para Ele me veio tarde demais. Durante boa parte de minha vida com Cristo, fiz uma separação, a mesma que os pastores fazem nas igrejas, e imaginei que os 10% que eram dados à instituição eram os 10% de Deus. E que o montante que era usado para manter a minha vida não eram de Deus. Eram de quem, então? Ora, quem não ajunta com Ele, espalha (Mateus 12:30)[6].

O entendimento de que 100% do que Deus me dá são para Ele só me fez ter mais responsabilidade com o que compro, com meus gastos. Porque se tudo vem dele e volta para Ele, então devo ter cuidado com o que ando comprando. Se como por glutonaria (Gálatas 5:21)[7], o dinheiro de Deus está sendo devidamente dirigido a Ele? Se compro o que não necessito, o que é supérfluo, apenas por consumismo e superficialidade, a fim de cobrir vazios que só Ele poderá de fato cobrir, então o dinheiro que deve ser para Deus não está de fato indo para Ele. Se adquiro livros, revistas, coisas que incitam ao pecado, certamente meu dinheiro não é dedicado a Deus. Se vivo em meio ao luxo e à fartura enquanto meus irmãos passam necessidade e isso não me aflige, nem me leva a compartilhar o que tenho, então meu dinheiro me cega, e não é para Deus. Se compro além do que posso pagar e vivo cheio de dívidas, angustiado e sem paz para louvar a Deus, então meu dinheiro não está de fato indo para Deus, mesmo se 10% do total vão para a igreja. 

Os 10% que são dados à igreja são também para Deus. A igreja, o templo, local onde a Igreja se reúne, precisa pagar contas de luz e água, comprar material de limpeza, pagar o salário dos pastores e demais funcionários. Os 10%, que muitos gostam de, dentro de um legalismo ainda vigente, chamar de “dízimo”, são para que o templo e suas funções regulares se mantenham. Além desses 10%, há também as ofertas, a ajuda aos necessitados (que deveria ser feita pela igreja, mas muitas vezes não é), às missões, a ajuda a irmãos e irmãs que, dentro da própria igreja, passam por dificuldades financeiras (mas, estando na igreja, não deveriam carecer do essencial, pois a direção da igreja é quem primeiro deveria lhes socorrer, o que muitas vezes não acontece) etc. 


E a igreja também não honra a Deus com o dinheiro que recebe dos membros, quando, em vez de usá-lo para financiar missões em lugares onde a palavra não chegou, ou comprar alimentos para os que passam fome, ou ajudar os membros que passam por dificuldades, investem no luxo de suas instalações, nos altíssimos salários de seus pastores, em equipamentos tecnológicos de última geração etc. Ou quando não torna pública e transparente, para todos os fieis terem acesso, a contabilidade do dinheiro que é recebido. Está o administrador (ou os administradores) dos bens da igreja, agindo assim, honrando e louvando a Deus com o dinheiro dos dízimos e ofertas? Creio que não. Então, nem sempre os 10% que são entregues à igreja são para Deus. E muitos pastores, fazendo mau uso do dinheiro dos dízimos e das ofertas, continuam a insistir, nos púlpitos, e amedrontam o povo de Deus com o uso do trecho do livro do profeta Malaquias, capítulo 3, e de seu legalismo que não mais pode aprisionar os que foram libertos pelo sangue de Cristo e vivem sob a Graça de Deus (Gálatas 5:13)[8].

Muitas vezes, precisamos entender o que agrada realmente a Deus, antes de, mecanicamente, afirmar que isso ou aquilo são de Deus ou para Deus. O que agrada a Deus? Misericórdia, e não sacrifício. Não é à toa que Jesus jamais tenha ordenado o dízimo, mas o amor, a justiça, a misericórdia, a bondade. E quando Jesus falou das ofertas, observou não o valor dado, mas o coração de quem dava (Marcos 12:41-44)[9] Qual é o fruto do seu espírito? O fruto do Espírito de Deus é misericórdia, fé, amor, justiça, paz, equidade, santidade, fraternidade (Gálatas 5:22-23)... Contra essas coisas, não há Lei[10].


[1] Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
[2] Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele.
[3] E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados.
[4] Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
[5] Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.
[6] Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.
[7] Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.
 [8] Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor.
[9] E, estando Jesus assentado defronte da arca do tesouro, observava a maneira como a multidão lançava o dinheiro na arca do tesouro; e muitos ricos deitavam muito. Vindo, porém, uma pobre viúva, deitou duas pequenas moedas, que valiam meio centavo. E, chamando os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deitou mais do que todos os que deitaram na arca do tesouro; porque todos ali deitaram do que lhes sobejava, mas esta, da sua pobreza, deitou tudo o que tinha, todo o seu sustento.
[10] Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra estas coisas não há lei.

4 comentários:

Pollyanna disse...

Olá Maya, mto bom esse texto e nos faz refletir primeiro em como entregamos nosso dinheiro a Deus, segundo em como conquistamos esse dinheiro e terceiro em como gastamso esse dinheiro! Tomei a audacia de colocar no meu blog um link pra sua postagem algum problema? Bjus, fique com Deus!!!

Maya Felix disse...

Oi, querida Pollyana!

Obrigada por sua visita, e muito obrigada por seu comentário. Fico feliz que o texto a tenha edificado. Fique à vontade para colocar o link em seu blog.

Um abraço,

Maya

д∂єĭℓtøη ЯЭΪ₰Э₰ disse...

Oi Maya, muito bom o seu texto, uma grande verdade que muitos deveriam entender e acreditar, pois se somos mordomos do Senhor como ensina a bíblia, então 100% do que temos ou ganhamos pertence ao Senhor pois um mordomo apenas administra os bens do seu senhor, usufruindo somente os frutos do seu trabalho. Deus nos da a vida, saúde, inteligência e capacita-nos para o trabalho, resta-nos desfrutar disso honrando a Deus pois tudo Lhe pertence.

Maya Felix disse...

Caro Adeílton,

Obrigada por sua visita e por seu comentário inteligente!

Grande abraço!

Maya :)

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