Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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6 de dez de 2008

sobre privatizações

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Sempre fui uma fiel defensora das empresas estatais. Privatização, pra mim, era um nome muito, muito feio. Minha existência política foi dedicada, em grande parte, a preservar o “patrimônio do povo” muito longe de algum maligno interesse privado.
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Mas eu estou mudando de idéia. Por quê? Pelo óbvio: as empresas são públicas, mas não servem aos interesses do povo. Vejamos dois exemplos chave: a Petrobras e o Banco do Brasil. Em ambos os casos, os lucros dessas empresas são estratosféricos. Apesar disso, não se investe mais dinheiro em Educação. O salário dos professores não aumentou, proporcionalmente, com os lucros recordes de algumas dessas duas empresas públicas. A saúde pública não melhorou. Os hospitais federais continuam ruins, nenhuma grande reforma foi feita. Os salários dos médicos estão iguais. Aqui no Rio de Janeiro, por exemplo, faltam os remédios dos portadores de leucemia. Nada de redes de esgotos ampliadas, de maior acesso a água potável.
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Para que serve, então, a Petrobras, se não é para gerar divisas que melhorem diretamente a vida das pessoas? Simples: a empresa serve para que seus cargos sejam negociados pelo Governo. Por debaixo dos panos -- e nem é mais na penumbra, que hoje em dia a negociata ocorre abertamente -- o Governo Federal pede o apoio do PMDB e de muitos outros partidos. O PMDB diz que apóia o Governo. Por uma questão programática? Para ajudar a fazer do Brasil um país melhor? Não, de modo nenhum. Ninguém no PMDB é honesto ou bom o suficiente para isso. O partido apóia o Governo em troca de cargos. A Petrobras, com muitos, inúmeros cargos, além de um orçamento gigantesco, vai então para o domínio político do PMDB. Não importa se o partido tem pessoas qualificadas ou não para atuar na Petrobras. Também não importam as motivações que levaram os filiados do PMDB aos cargos. O que importa, no final das contas, é que o partido vai ganhar muita grana e poder com isso. Foi assim, também, com o PTB de Roberto Jefferson, nos Correios, até que o país, boquiaberto, descobriu o esgoto do Mensalão irrigando os jardins do PT e do PTB.
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A Petrobras tem lucros grandiosos, e para onde eles vão? Uma parte vai para a corrupção, com certeza, mas isso não se pode provar. Ainda não. O dinheiro também vai para o pagamento da dívida externa. Além disso, por ser pública a Petrobras não paga muitos impostos e não presta contas de muita coisa. Acabou se tornando uma empresa que tem direitos públicos e deveres privados. A estatal é inchada com cargos comissionados, tanto do PMDB como do PT. Não serve o povo, apesar de ser pública. Serve a um grupo, serve para perpetuar os interesses desse grupo e mantê-lo no poder, para a rifa de cargos e a troca de favores. Não posso, eticamente, defender que uma empresa que não beneficia o povo seja pública. Além do mais, pasmem: o litro da gasolina no Brasil é um dos mais caros do mundo. É mais caro que o litro vendido na Argentina, por exemplo, que não tem uma Petrobras que poderia lhe baratear os custos. O litro da gasolina vendida no Brasil é mais caro que o litro vendido em Cuba, no México, no Chile, na Venezuela, nos EUA, no Canadá, na Rússia, na Austrália, na África do Sul... Além dos impostos abusivos e dos lucros dos donos dos postos, temos a Petrobras, uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, pública, para nos empurrar tarifas que só uma empresa privada monopolista faria com tanta competência.
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Outra empresa que é pública, mas está a serviço de um grupo particular, é o Banco do Brasil. Os lucros são, como no caso da Petrobras, imensos. Mas para onde vai o dinheiro? Tenho que perguntar isso de novo. Os recursos vão para a Educação? Não. Basta olhar as escolas, os resultados, o número de analfabetos funcionais, o nível de educação do povo e mais outras evidências, após mais de seis anos de Governo Lula. O Governo Federal fala muito, mas alguém sabe quanto foi destinado, de fato, para o Ensino Fundamental público, em 2005? 2006? 2008? Menos, muito menos do que determina a Constituição Federal. E não é por falta de dinheiro de empresas públicas como a Petrobras. É que esse dinheiro nunca, nunca, jamais é aplicado em Educação, nem em Saúde nem em nada que melhore de fato a vida do pobre. Os recursos do BB vão também para pagar os juros da dívida externa. Os cargos do banco são também para que partidos como o PMDB apóiem o Governo Lula. No fim das contas, é para isso que serve uma empresa pública que “dá lucros”, como o BB. As taxas bancárias cobradas dos correntistas do Banco do Brasil, majoritariamente assalariados e da classe média, são as mesmas do Bradesco, do Itaú e de outros bancos privados. O BB é público, mas os juros e as taxas que o banco cobra do povo são privados. Outro dia peguei meu extrato e vi uma taxa de R$ 1,40 por saque em terminal eletrônico (que, aliás, são pouquíssimos, precários e antigos). Funciona assim, e eu não sabia: eu pago nove reais por mês ao BB, fora outras taxas, por um “pacote de serviços”. Só pagando ao BB posso sacar meu dinheiro, ter direito ao extrato de minha conta etc. etc. Mas esses serviços se restringem a dez saques por mês. A partir do 11º, começo a pagar R$ 1,40 por saque. O BB já nos tirou os funcionários que trabalhavam nos caixas, já que milhares de bancários foram demitidos do banco, na década de 90, num “enxugamento” chamado de “demissão voluntária” ou algo assim. Uma empresa do povo demitiu muito povo para se tornar mais lucrativa. Faz sentido. Os lucros e as filas aumentaram bastante, depois disso. Em seguida, o banco instalou caixas eletrônicos nas agências. Faz sentido, os caixas eletrônicos não recebem salário. Mas agora o BB restringe o uso dos caixas eletrônicos. Estou vendo o dia em que não vou mais ter acesso ao meu dinheiro, que o banco usa para investir e ter lucros sem me dar nenhum retorno. Nem a mim nem ao resto do povo, que em tese é o “dono” do BB. Aliás, haja povo nas longas filas do BB, nos horários de funcionamento do banco. Ô servicinho péssimo! Já cheguei a esperar cerca de três horas em uma fila do Banco do Brasil. Entrei com um processo na Justiça contra o banco e ganhei.
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No Brasil, a propósito, os bancos funcionam das 10h às 17h. Assim, têm mais tempo para especular com o dinheiro dos outros sem pagar funcionário e sem deixar os correntistas movimentarem suas contas. Caixa 24 horas, como na Europa e nos EUA? Nem em sonho. Na Europa, os bancos funcionam das 9h às 18h. Lá, mesmo os bancos sendo todos privados servem mais ao povo do que aqui. E quem regula os horários de funcionamento dos bancos? As taxas de juros e as tarifas cobradas? O destino dos lucros do Banco do Brasil? Sim, isso mesmo, é o Governo do Lula. Lula, o presidente mané que adora falar uma palavra chula, é o amiguinho visível dos banqueiros, e nós, o povo, somos o amiguinho invisível. Em resumo: os serviços do Banco do Brasil são iguais ou piores que os dos bancos privados. O “povo”, que precisa dos serviços do BB, recebe o mesmo tratamento do banco público e do banco privado. E olha que sou mais bem tratada no Bradesco, atualmente, que no BB. E para onde vai o dinheiro arrecadado pelo BB do povo? Para o povo é que ele não volta. Então, não há lógica nenhuma, nem benefício, nem justificativa honesta para manter o BB sob o domínio federal. A menos que o objetivo seja tomar Vladivostok.

4 comentários:

Juber Donizete Gonçalves disse...

Maya,

Concordo com seu posicionamento. Critiquei as privatizações de FHC, mas hoje acho que ele acertou em algumas. O duro é que as opções em 2010 são limitadas: Serra (PSDB) e Dilma (PT). Não sei qual será pior.

Abraço.

Mayalu Felix disse...

Oi, Juber,

É verdade, hoje em dia acho que muitas privatizações, se não todas, foram acertadas. O que FHC fez foi tornar as empresas mais eficientes, baratear os custos por meio da concorrência e evitar que grandes burocracias se fortalessessem, com a transferência de capital para o meio privado. Sem contar a corrupção, que inevitavelmente diminui (e corrupção é o lema deste governo Lula).

Um abração, boa semana!

:)

HelioPereiriano disse...

Concordo. Se existe uma idéia engraçada nisso tudo é o sentimento nacionalista ferido por causa de uma estatal vendida. A revolta forçada que finge indignação por solidariedade ao povo dilapidado é mais um desejo de expressar sensibilidade ideológica aos amigos militantes do que uma apreensão legítima do fato. Dá para acreditar no sentimento de ofensa motivado por uma abstração intelectual? É claro que isso é só para mostrar o quanto são profundos, dignos da solidariedade grupal dos intelectuais sensíveis. Quem chora por um estatal perdida não é o povo, cujos benefícios não passam de especulações ideologicamente presumidas. São os políticos. É ruim perder uma plataforma eleitoral, um capital para barganha política. Um estatal não tem como propósito servir ao povo mas aos funcionários e políticos. É administrada para agradar os politicamente atuantes, não para produzir e servir. A defesa de uma estatal é a defesa da mediocridade, é a defesa de um política que favorece aqueles que se resumem a traçar perspectivas simples para o futuro. Uma estatal é uma máquina que tira dinheiro do esforço arriscado, engenhoso, que tira dinheiro dos planos criativos e de toda inteligência possível, para canalizar nas mãos de gente que não quer se dar ao trabalho de pensar. Pra que inventar? Faça concurso público porque fulano se deu muito bem fazendo isso. E tudo vira concurso público. Então o orçamento aperta (as estatais são deficitárias)e o governo precisará fazer mais dívidas. Mas só lhe emprestarão dinheiro se este pagar os compromissos anteriores. Então a contingência obrigará o governo a tomar atitudes anti-demagógicas, porque os velhos opinadores de sempre não deixarão de repetir a mesma ladainha tediosa. A defesa da Estatal é a indústria do emburrecimento coletivo.

Mayalu Felix disse...

Hélio,

Concordo com você: as estatais só servem para ser usadas como reféns políticas, na corrupção, na barganha... É melhor, realmente, privatizá-las.

Um abraço, venha sempre aqui.

:)

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