Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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10 de abr de 2008

26. O MITO DO OBJETIVISMO NA FILOSOFIA E NA LINGÜÍSTICA OCIDENTAIS
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Como as teorias clássicas do sentido estão enraizadas no mito do objetivismo .
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O mito do objetivismo, base da tradição objetivista, tem conseqüências muito específicas para uma teoria do sentido. Gostaríamos de mostrar exatamente quais são essas conseqüências, como elas surgem do mito do objetivismo e por que elas são insustentáveis de um ponto de vista experiencialista. Nem todos os objetivistas defendem as seguintes posições, porém é comum a eles sustentar, sob uma forma ou outra, a maioria delas.
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O sentido é objetivo
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O objetivista caracteriza o sentido puramente em termos de condições de verdade ou de falsidade objetivas. Na visão objetivista, as convenções da língua atribuem a cada frase um sentido objetivo, que determina as condições de verdade objetiva, dados certos elementos do contexto denominados "indexicais": quem é o falante, quem é o ouvinte, o tempo e o lugar do enunciado, os objetos referidos por palavras como "aquilo" ou "isto" etc. Assim, o sentido objetivo de uma frase não depende do modo como uma pessoa qualquer a compreende ou se ela chega a compreendê-la ou não. Por exemplo, um papagaio poderia ser treinado a dizer "está chovendo" sem qualquer compreensão do sentido da frase. Mas a frase tem o mesmo sentido objetivo se for dita por um papagaio ou por uma pessoa e será verdadeira, se estiver chovendo, e será falsa, se não estiver chovendo. Segundo a teoria objetivista do sentido, uma pessoa compreende o sentido objetivo de uma frase se compreender as condições sob as quais seria verdadeira ou falsa.

O objetivista considera não apenas que condições de verdade e falsidade objetivas existam, mas que as pessoas têm acesso a elas. Isso é considerado óbvio. Olhe em torno de você. Se há um lápis no piso, então a frase "Há um lápis no piso" é verdadeira e, se você fala Português e pode perceber o lápis no piso, você corretamente a aceitará como verdadeira. Assume-se que essas frases sejam objetivamente verdadeiras ou falsas e que você tem acesso a uma quantidade incontável de tais verdades. Uma vez que as pessoas podem compreender as condições sob as quais uma frase pode ser objetivamente verdadeira, uma língua pode ter convenções por meio das quais tais sentidos objetivos são atribuídos a frases. Portanto, na abordagem objetivista, as convenções que uma língua possui para emparelhar frases com sentidos objetivos dependerão da capacidade de os falantes dessa língua compreenderem as frases como tendo esse sentido objetivo. Desse modo, quando o objetivista fala de compreender o sentido (literal) de uma frase, ele está falando de compreender o que faz uma frase ser objetivamente verdadeira ou falsa. Em geral, a noção objetivista de compreensão limita-se à compreensão das condições de verdade e de falsidade.

Não é isso que queremos dizer por "compreensão". Quando afirmamos que o objetivista vê o sentido como algo independente da compreensão, estamos tomando "compreensão" em nosso sentido não no dele.

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In Lakoff, George & Johnson, Mark. Metáforas da Vida Cotidiana. Mercado das Letras: Campinas (SP), 2002, p. 308-10.

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