Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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28 de set de 2009

mercado e família, texto de rubem amorese

O divórcio cresceu, no Brasil, de 3,3 para 17,7 em cada 100 casamentos, entre 1984 e 2002, de acordo com a pesquisa patrocinada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).1 Descobriu-se uma correlação significante entre a chegada da televisão e o aumento dos divórcios. 

Analisando os censos de 1970, 80 e 91, Chong e La Ferrara descobriram que a proporção de mulheres separadas ou divorciadas cresce significantemente com a chegada das telenovelas. Isso fica mais evidente em cidades menores, onde o sinal de televisão atinge uma fração maior da população.

A pesquisa buscou a influência das novelas sobre a situação socioeconômica das mulheres. Seus autores dizem que
as novelas criticam, sistematicamente, valores tradicionais e fomentam a circulação de ideias modernas, como a emancipação e o fortalecimento da mulher no trabalho e em casa. “Separação e divórcio são reflexos naturais dessas atitudes”, dizem eles.

O estudo abrangeu todas as novelas da Globo, de 1965 a 2004. Os resultados revelaram que o relacionamento extraconjugal feminino é relativamente constante ao longo do tempo. Cerca de 30% dos personagens femininos são infiéis.

Outro achado é que
separação ou divórcio eram temas praticamente ausentes das conversas entre os personagens até meados dos anos 70. Daí em diante cresceram, até chegarem à média de 20%. 

Conduzida em mais de 3 mil municípios brasileiros, a pesquisa revela que
novos padrões de “normalidade comportamental” podem ser estimulados pelas novelas e podem atingir grupos específicos (como, no caso, as mulheres casadas), a um baixo custo. Podem, assim, ser empregados como ferramentas de políticas públicas. Nesse sentido, os autores esperam estar fornecendo ao BID e aos governos meios de usar mais eficientemente essa poderosa arma.

Os autores de novelas, ao serem criticados por sua ousadia, alegam que não criam nada; apenas retratam a realidade já existente. Porém, desconfio que
a novela já foi eleita “a menina dos olhos do mercado”, senhor todo-poderoso de nossa cultura de massa. Repare que nem governos desafiam o mercado. Quem tentou está soterrado sob os escombros do muro de Berlim. 

Se a essa “entidade” misteriosa [o mercado] não interessar uma família formada por casamentos duradouros e fiéis, entre homens e mulheres, ela será ridicularizada nas novelas, que passarão a mostrar o “sexo sem gênero ou número” como sinônimo de liberdade: lindos casais (ou trios) coloridos, lutando contra a opressão retrógrada pelo direito de existir sob a proteção da lei e, por que não, de Deus.

Se o mercado lucrar com gente avulsa e caótica comprando compulsivamente para esquecer a dor da solidão, “desconstruirá” até a proteção que a Constituição brasileira dá à família. Seu objetivo, enfim, é recriar nossa sociedade à sua imagem e semelhança. Para ser-lhe senhor; “...para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem a marca, o nome da besta ou o número do seu nome” (Ap 13.17). E a mídia, em geral serva fiel, já recebeu suas ordens.


Nota
1. “Television and Divorce”; evidence from Brazilian novelas. Disponível em:
http://idbdocs.iadb.org/wsdocs/getdocument.aspx?docnum=1856109


Rubem Amorese, autor deste texto, é consultor legislativo no Senado Federal e presbítero na Igreja Presbiteriana do Planalto, em Brasília. É autor de, entre outros, Louvor, Adoração e Liturgia e Fábrica de Missionários -- nem leigos, nem santos.
ruben@amorese.com.br


FONTE: Site da Revista Ultimato 


NOTA DA MAYA: Os grifos em negrito e vermelho, ao longo do texto, são meus.

15 comentários:

Laudicéia Mendes disse...

olá Maya, parabéns por destacar tão importantes informações.
Estou a algum tempo estudando os efeitos dessas representações midiáticas na conduta da mulher, para uma pauta do meu programa "MULHER TOTAL", e tua postagem me acrescentou informações claras e objetivas, bem embasadas e de fonte segura.Obrigada!
Abraços desta leitora de looooongeeeeeee,
Laudiceia Mendes

Anônimo disse...

Para gerações que foi contaminada por professores marxistas anti-cristãos (anti-católicos) nas salas de aula, fomos programados a acreditar que a Santa Igreja Católica era o diabo na terra!

Mas acontece que Jesus Cristo Nosso Senhor e Salvador sempre estará olhando para sua Santa Igreja Católica, Guiando-a com o Espirito Santo.

Veja que vídeos interessantes de como a Santa Igreja Católica criou a civilização:

http://gloriadaidademedia.blogspot.com/2009/08/quer-fazer-uma-viagem-pela-genese.html

os três primeiros vídeos foram traduzidos para o português, se você souber inglês irá facilitar que você veja o resto dos videos (no youtube tem todos eles: são doze ao total).

Renato Lima

Maya disse...

Querida Laudicéia,

Obrigada! Fico feliz quando leio um comentário seu no meu blog! :)

Sabe que o problema maior disso tudo é que no final das contas os cristãos acabam se adaptando aos valores baixos transmitidos pela maioria das novelas.

Falta senso crítico à maioria de nós.

Abraço,

Maya

Maya disse...

Renato Lima,

Vejo que você venera a instituição, e isso é maligno, é realmente maligono. Devemos amar acima de tudo Deus, porque instituições são falhas, e a Igreja Católica tem se mostrado, através dos séculos, uma instituição contaminada pelo mal, como muitas outras. A Igreja Católica é formada por seres humanos, e, sendo assim, como outras igrejas, tem defeitos, e, se você fizer uma avaliação lúcida a respeito, vai ver que há problemas a rodo.

Um abraço, obrigada por seu comentário.

Maya

Anônimo disse...

''Vejo que você venera a instituição, e isso é maligno, é realmente maligono.''

Venerar não é pecado Dona Maya!

''Devemos amar acima de tudo Deus,... ''

E quem falou para a senhora que os católicos não amam a Deus Dona Maya?!

''Devemos amar acima de tudo Deus, porque instituições são falhas, e a Igreja Católica tem se mostrado, através dos séculos, uma instituição contaminada pelo mal, como muitas outras.''

Não Dona Maya, nós homens, sim somos pecadores!
Os protestantes sempre tentando sair pela tangente!

Agora a senhora que gosta muito (como a maioria dos protestantes) de atacar a Santa Igreja Católica, não deve saber sobre a podridão do protestantismo. Aqui vai uma GRANDE AMOSTRA:

http://www.caiafarsa.com.br/ULTIMATO/resposta2221.htm

Boa leitura Dona Maya.

''A Igreja Católica é formada por seres humanos, e, sendo assim, como outras igrejas, tem defeitos, e, se você fizer uma avaliação lúcida a respeito, vai ver que há problemas a rodo.''

É claro que somos seres humanos dona Maya!, eu acrescentaria também ai... pecadores.

Renato Lima

Marcos Pontes disse...

Vamoos por partes:
1. O período de abrangência dá margem a interpretação errada. Antes de 84 praticamente não havia divórcio, uma vez que a lei que permitia o divórcio só foi promulgada em 1977, muito pouco tempo para se popularizar, além de ser caro, uma vez que se fazia necessário a constituição de advogado. Mas digamos que "divórcio" se refira a separação judicial. Nesse período cresceram também os casamentos, as viuvezes, até as bigamias. A princípio vejo uma pesquisa tendenciosa e mal argumentada;

2. Em defesa da novela, romance de que não sou aficcionado, poderia dizer que ela colocou na ordem do dia o combate à discrimanação aos deficientes físicos e mentais, à homofobia, às diferenças culturais, a violência urbana, a direção responsável... Pode não ser ela o enfoque central da pesquisa, mas é personagem de capital influência, portanto deveria ser questionado também o que ela trouxe de bom;

3.Voltemos à data da promulgação da lei, 1977, por isso não se falava em divórcio até meados da década de 70. Obviedade ignorada no texto.

4. Há uma simbiose e uma reciprocidade entre mercado e novela, entre realidade e novela, entre novela e aspirações das massas. A novela dita moda, por outro lado, copia costumes; ela populariza gírias, mas coloca até nos títulos ditos populares; a novela pregou, por exemplo, o sexo livre, mas não foi ela quem disseminou o "flower power", usou dele para criar tramas; mulheres desejaram lua-de-mel em Paris que já estava lá e já era romântica antes das novelas... Se aumentaram os divórcios, por outro lado, por que não aumentaram os casamentos se, via de regra, toda novela termina numa celebração de bodas?

5. A novela levou as famílias a desejarem uma televisão ou a televisão entrou nas casas antes das novelas? É a velha dúvida sobre quem naasceu primeiro ovo ou a galinha.

Maya Felix disse...

1. Não, não dá. Não só a lei foi promulgada como a TV a popularizou. Meus pais se divorciaram em 1978. Muitos de meus coleguinhas de escola tinham pais divorciados. Tanto a Lei ajudou o objetivo da TV, dentro do que diz o texto, quanto a TV ajudou a popularizar a Lei. Eu creio que oito anos é muita coisa. Mesmo antes do divórcio o assunto "separação" já era moeda corrente nas novelas. Como vc sabe q nesse período cresceram os casamentos, as viuvezes, as bigamias? Eu acho que sua opinião é achismo, não?

Maya Felix disse...

2. Bom, o texto fala especificamente de um tema. Vc poderia dizer muita coisa a respeito das novelas, mas o fato é que moralmente elas fazem coro com uma agenda liberal e politicamente correta que é inimiga da fé e dos valores cristãos, e o texto de R. Amorese diz isso claramente. Não se pode pulverizar o tema central da pesquisa ao se tratar aqui de assuntos que não fazem parte de seu objeto de estudo. A pesquisa lida com fatos, com estatísticas, não com possibilidades. Creio que o amplo espectro de análise não deixa dúvidas quanto à sua seriedade. No mais, a novela "trouxe algo de bom" em sua opinião, mais uma vez devo afirmar isso, não em relação aos resultados obtidos, que não fazem juízo de valor.

Maya Felix disse...

3.Você se engana, o divórcio já era tema de conversas e debates muito antes disso. Em 1968, com a promulgação da Lei 5.478, iniciou-se amplo debate na sociedade, apoiado pelos meios de TV e por movimentos feministas, a fim de se chegar à Lei de 1977. Muitas conquistas foram positivas, mas nem todas foram. E muito do que a novela ajudou a popularizar não foi positivo, longe disso.

Maya Felix disse...

4. É claro que há uma simbiose entre mercado e novela. É disso que o texto fala: o mercado usa a novela para criar políticas públicas e padrões comportamentais, e a novela é lucrativa como instrumento do mercado. Vc mesmo falou das campanhas educativas contra alcoolismo, contra uso de drogas, contra isso, contra aquilo... Veja, não é o casamento em si que o texto evidencia, mas a forma como têm sido mostrados muitos casamentos e muitas constituições familiares. A TV não é espelho da realidade, ela a recria, com outra linguagem. Assassinatos, casamentos, nascimentos etc. sempre houve, mas a TV dá nova roupagem a fenômenos sociais. O olhar não é tão inocente quanto sua argumentação quer fazer crer. Do mesmo modo, é fato que os meios de comunicação de massa exercem influência popular marcante no Brasil, sobretudo nas classes B e C, que têm a TV como maior opção de lazer. Ora, se a TV apenas espelha a realidade, então vc deve achar que não há problemas em passar filme pornográfico às 14h.

Maya Felix disse...

5. Não, não é, na medida em que a TV era símbolo de status na década de 60, quando não tinha a entrada que tem hoje, e o PC foi na década de 90, apesar de não haver twitter nem blogs naquela época... A popularização da TV leva também a uma aguda consciência acerca de seu poder de influência, aperfeiçoando os mecanismos de controle e manipulação, e não só com as novelas, mas com o telejornalismo, com os programas de auditório etc.

Maya Felix disse...

Prezado Marcos,

Me desculpe a resposta em blocos, é que achei que desse modo ficaria mais claro. Obrigada por sua rica participação, venha sempre.

Maya

Maya Felix disse...

Mais uma coisa: por e-mail, R. Amorese, autor do artigo, me mandou o seguinte esclarecimento:

"Só um comentário: de fato, a pesquisa esclarece que o crescimento da abordagem do divórcio em novelas, na década dos 70, tem a ver com as discussões sobre a nova lei. Mas eu tenho apenas 3.100 caracteres, incluindo espaços, para dizer tudo o que preciso. Tesourei. ;-)
Obrigado pelo compartilhamento, irmã. Fico feliz. Mesmo com a crítica. Faz parte."

Anônimo disse...

Maya

Mercado é o atendimento ao desejo do público. Obviamnete, o tempo todo, os autores de novelas tem feito muito mais do que isso. Eles trazem coisas novas ao público e o fazem por motivos ideológicos. Chegou a tal ponto que o público, enfastiado, tem rejeitado as novelas onde o propagandismo é mais exagerado.

Muito do que tem sido adjetivado como "efeito do livre mercado" é, na verdade, engenharia social. Leia Heitor de Paola e ouça as palestras do Pe. Paulo Ricardo (está no blog dele) e você entenderá mais.

O atual ocidente é filho dos frankfurtianos. E tudo o que os frankfurtianos fizeram, fizeram em favor do grande totalitarismo que virá. Quem não entende isso, não entende a história contemporânea.

Maya Felix disse...

Olá, Anônimo,

Obrigada por seu comentário. É verdade que essa entidade "mercado" é o que move o atual sistema capitalista, suas engrenagens e ideologia. Portanto, a necessidade de lucro está acima que qualquer coisa, inclusive da família e dos valores cristãos. Novelas, filmes, toda a indústria cultural de massas não só serve o mercado como faz parte dele. Você tem razão em seu comentário. O texto deixa claro que essa engenharia social ("políticas públicas) serve também ao mercado.

Agradeço por seu comentário. Não tenho o endereço do blog do Pe. Paulo Ricardo, nem sei como ler Heitor de Paola, mas também agradeço a sugestão.

Um abraço,

Maya

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