Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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19 de mar. de 2008


82 bilhões de reais de comida jogada no lixo por ano na Grã-Bretanha
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De acordo com o relatório da última Conferência Mundial sobre Água, realizada na Suécia em agosto de 2007, a quantidade de comida jogada no lixo por famílias ricas é escandalosamente alta: 30% dos alimentos que compram. Só na Grã-Bretanha, o prejuízo é avaliado em cerca de 82 bilhões de reais por ano. Boa parte desse desperdício deve-se à propaganda do tipo "compre dois e leve três", que constrange as pessoas a comprar mais do que necessitam. Outra razão é a obediência cega aos rótulos dos fabricantes, que indicam na embalagem a data máxima aconselhada para o consumo. Joga-se fora leite e outros alimentos sem cheirar, sem comprovar se estão mesmo estragados.
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O crime que lesa os pobres será mais grave ainda se considerarmos também as sobras que os restaurantes jogam fora e as perdas que acontecem entre a colheita e o consumo. Deve-se considerar ainda outro tipo de desperdício: o que se come em demasia (segundo a Organização Mundial de Saúde, o mundo tem hoje 1,1 bilhão de pessoas obesas e acima do peso).

Tudo isso acontece mesmo havendo 850 milhões de pessoas subnutridas no mundo. Aos olhos de Deus, trata-se de um crime muito grave. O problema é antigo. Já no século 18 o escritor francês Sébastien-Roch Chamfort dizia que "a sociedade se compõe de duas classes de pessoas: aquelas que têm mais refeições do que apetite e aquelas que têm mais apetite do que refeições".
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Nas duas multiplicações de pães e peixes, os discípulos não permitiram que as sobras fossem jogadas fora. Na primeira foram recolhidos doze cestos de pedaços que sobraram (Mt 14.20); na segunda, sete cestos (Mt 15.37). Durante os quarenta anos da travessia do deserto, os judeus recolhiam diariamente a porção estritamente necessária de maná para cada dia (Êx. 16.4).
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FONTE: Revista Ultimato março-abril/2008, p. 14 (os grifos no corpo do texto são meus).

18 de mar. de 2008

nota geral sobre o escândalo

(...) é o escândalo que defende o cristianismo contra qualquer especulação. (...)
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E o cristianismo então! A lição que ele dá é que esse indivíduo, como qualquer indivíduo, seja ele qual for, marido, mulher, criada, ministro, negociante, barbeiro etc., é que esse indivíduo existe "perante Deus" - esse indivíduo que porventura se orgulharia de ter uma vez em toda a sua vida falado ao rei, esse mesmo homem, que seria já alguém pelo seu comércio amistoso com este ou aquele, esse homem esta frente a Deus, pode falar com Deus quando quiser, com a certeza de ser escutado, e é a ele que propõem viver na intimidade de Deus! Se não bastasse: foi por esse homem, por ele também que Deus veio ao mundo, se deixou encarnar, sofreu e morreu. É esse Deus de sofrimento que lhe roga e quase suplica que aceite o socorro, que é um oferecimento! Em verdade, se há no mundo coisa para enlouquecer, não será esta? Quem quer que não o ousa crer, por falta de humilde coragem, escandaliza-se. Em se escandalizando, é porque a coisa é demasiado elevada para ele, porque não lhe pode entrar na cabeça, porque não pode neste caso falar com toda a franqueza, e eis porque lhe é necessário pô-la de lado, considerá-la vazia, uma loucura, uma ingenuidade, de tal modo ele se sente sufocado.
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Sören Kierkegaarg, na segunda parte de O desespero humano.

13 de mar. de 2008

outro momento cultural


Após seu longo curso de Direito, a loira abre seu escritório e no primeiro dia de serviço alguém bate à porta. Para impressionar o possível cliente, a loira pega o telefone e pede para a pessoa entrar e esperar. Fica uns 30 minutos fingindo uma conversa:
- Sim, claro! Eu não perco uma causa! Esta está muito fácil... Com certeza, no próximo julgamento, o juiz nos dará sentença favorável e venceremos!!! (e assim ficou enrolando...)
Quando desligou, após aquela "longa conversa", toda educada, a loira então perguntou:
- Pois não, cavalheiro, em que posso ajudá-lo?
O homem respondeu :
- Sou da Telefônica, vim instalar sua linha.

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Duas funcionárias de uma fábrica estavam conversando:
- Conheço uma maneira de conseguir uns dias de folga, disse a morena.
- E como você acha que conseguirá?, pergunta a loira.
Ela respondeu a pergunta demonstrando. Subiu pelas vigas e pendurou-se de cabeça para baixo. Nesse momento, o chefe entrou, viu a funcionária morena pendurada lá em cima e perguntou:
- Que diabos você está fazendo?
- Sou uma lâmpada, respondeu.
- Hummm... acho que você precisa de uns dias de folga, comentou o chefe.
Ouvindo isso, a morena desceu da viga e se dirigiu para a porta. A loira foi saindo também, e o chefe puxou-a pelo braço e perguntou:
- Onde você pensa que vai?
- Para casa. Não consigo trabalhar no escuro.

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Um ventríloquo estava em um bar contando piadas de loira. Já estava lá pela 50ª quando uma loira, indignada, foi até o palco e gritou pra todo mundo ouvir:
- Como você pode fazer isso com mulheres loiras? Como você pode nos estereotipar deste jeito? Como você pode relacionar a inteligência de uma mulher levando em conta a cor de seu? O ventríloquo, muito confuso e assustado, diz:
- Desculpe, minha senhora. Não foi minha intenção ofendê-la! Me desculpe, por fav...
A loira, então, interrompe:
- Cale a boca, meu senhor! Isso é apenas entre mim e esse rapazinho sentado aí no seu colo!

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A loira pede uma pizza pelo telefone. O funcionário da pizzaria pergunta:
- A senhora quer que eu corte em quatro ou em oito pedaços?
- Quatro, por favor. Eu jamais agüentaria comer oito pedaços.

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Cansada das brincadeiras sobre sua burrice, a loira resolveu pintar o cabelo de preto. Para comemorar o "novo visual", foi dar uma volta de carro pelo campo e lá encontrou um pacato pastor de ovelhas.
- Bom dia, senhor pastor! Que lindo rebanho o senhor tem!
- Obrigado!
- Se eu acertar quantas ovelhas há em seu rebanho, eu ganho uma?
- Claro! Mas duvido que a senhora seja capaz!
- Sao 627!
- Impressionante!!! Esse é o numero exato de ovelhas do meu rebanho. Pode escolher uma, ela é sua!
A loira olhou com atenção todas aquelas ovelhas macias e, depois de muito acariciá-las, selecionou uma. Ela a estava levando para o carro quando o pastor chamou:
- Moça! Se eu adivinhar a cor original do seu cabelo, a senhora devolve o meu cachorro?

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Uma loira encontra uma amiga que não via havia muito tempo.
- Menina, como você tá diferente! Cortou o cabelo... tá moderna!
- É.
- Tá bem mais magra... bonita.
- É.
- Então, me conta, o que você anda fazendo da vida?
- Eu tô fazendo quimioterapia.
- Ah, mas que legal! Na Estácio ou na Federal?

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Em um avião indo para Nova York comissária se dirige a uma loira sentada na divisão reservada para a primeira classe e pede para que ela se mude para a classe econômica, pois ela não tinha a passagem para a primeira classe. A loira replicou, dizendo:
- Eu sou loira, eu sou bonita, estou indo para Nova York e eu não vou sair.
Não querendo argumentar com a passageira, a comissária pede para o co-piloto para falar com ela. Ele foi falar com a mulher, e pediu-lhe que ela fizesse a gentileza de sair da primeira classe. Novamente, a loira respondeu:
- Eu sou loira, eu sou bonita, estou indo para Nova York e eu não vou sair.
O co-piloto voltou para a cabine de comando e perguntou para o piloto o que ele deveria fazer. O piloto disse:
- Eu sou casado com uma loira e sei como lidar com isso. Ele foi para a primeira classe e sussurrou algo no ouvido da loira... Ela imediatamente pulou da cadeira e correu para o setor econômico resmungando para si:
- Por que ninguém me disse antes?
Surpresos, a comissária e o co-piloto perguntaram o que ele havia dito para a loira que a convenceu a sair.
- Eu disse a ela que a primeira classe não estava indo para Nova York!

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COLABORAÇÃO: Claudíssima!!! Íssima!!!

momento cultural


O Manuel para o Joaquim:
- Tu sabias, ó Joaquim, que na terrinha já inventaram a televisão com zoom?
- Não! E como é, ó Manuel ?
- Funciona assim: tu apertas um botão e o sofá vai para frente!

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O Português entra na loja de eletrodomésticos e aborda um vendedor:
- O senhor tem televisão colorida?
- Temos sim, senhor!
- Então, me dá uma amarela, por favoire!

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O gajo português estava em plena guerra quando de repente se acovarda e resolve fugir. Mas, não dá sorte e é pego em flagrante por seu oficial superior, que diz:
- Que pensas que estás a fazer, desertando, ó seu covarde?
Então, o gajo se justifica:
- Bem, senhor, como eu aprendi na escola a Terra é redonda, então se eu for na direção em que estava indo acredito que será possivel pegar os inimigos por trás...

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COLABORAÇÃO: Claudíssima! Íssima!!!

11 de mar. de 2008

As Línguas Gerais

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AS LÍNGUAS GERAIS
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A expressão 'língua geral' foi inicialmente usada, pelos portugueses e pelos espanhóis, para qualificar línguas indígenas de grande difusão numa área. Assim, na América espanhola, o Quêchua já no século XVI foi chamado de 'Língua Geral do Peru' e o Guaraní, no início do século XVII, de 'Língua Geral da Província do Paraguai'. No Brasil, entretanto, tardou bastante o uso dessa expressão por parte dos portugueses. A língua dos índios Tupinambá, que no século XVI era falada sobre enorme extensão, ao longo da costa atlântica (do litoral de São Paulo ao litoral do Nordeste), não teve consagrada a designação de 'língua geral' nos dois primeiros séculos da colonização. O padre Anchieta intitulou sua gramática, a primeira que dela se fez (publicada em 1595), 'Arte de gramática da língua mais usada na costa do Brasil'. Outros autores referiram-se a ela como a 'língua do Brasil', a 'língua da terra' (isto é, a língua falada na costa, junto ao mar). Mas o nome cujo uso se firmou, sobretudo ao longo do século XVII, foi o de 'Língua Brasílica'. Assim, o catecismo publicado em 1618 chamou-se 'Catecismo na Língua Brasílica'; a segunda gramática, feita pelo padre Luís Figueira e cuja primeira impressão é de 1621, foi a 'Arte da Língua Brasílica'; o dicionário dos jesuítas, cujo manuscrito melhor conhecido é do mesmo ano de 1621, traz o nome de 'Vocabulário na Língua Brasílica', e assim por diante.
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O nome Tupinambá, como designação dessa língua, aparece tardiamente, no século XVIII, já com a intenção de distingui-la, enquanto língua dos índios Tupinambá (do Pará), da língua então corrente da população mestiça, já sensivelmente diferente daquela; mas, no início do século XIX, quando já tinha desaparecido a grande maioria dos índios Tupinambá, restando poucos remanescentes, como os Tupinikím (Tupiniquim) do Espírito Santo, de quem o Imperador D. Pedro II anotou algumas palavras, ou os Potiguára da Baía da Traição, na Paraíba (esses dois grupos de remanescentes subsistem até hoje, mas agora só falam a língua portuguesa).
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Já no século XVI a Língua Brasílica passou a ser aprendida pelos portugueses, que de início constituíam pequena minoria junto aos índios Tupinambá. Como grande parte dos colonos vinham para o Brasil sem mulheres, passaram a viver com mulheres indígenas, com a conseqüência de que a Língua Brasílica (isto é, o Tupinambá) veio a ser a língua materna de seus filhos. Essa situação atenuou-se em alguns lugares, com o aumento da imigração portuguesa e com a dizimação dos índios, mas intensificou-se em outros. Foi nas áreas mais afastadas do centro administrativo da Colônia (que era a Bahia) que se intensificou e generalizou o uso da Língua Brasílica como língua comum entre os portugueses e seus descendentes - predominantemente mestiços - e escravos (inclusive africanos), os índios Tupinambá e outros índios incorporados às missões, às fazendas e às tropas: em resumo, toda a população, não importa qual sua origem, que passou a integrar o sistema colonial.
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A essa língua popular, geral a índios missionados e aculturados e a não-indios, é que foi mais sistematicamente aplicado o nome de Língua Geral. O uso desse nome começa já na segunda metade do século XVII, embora às vezes com sentido diverso, como acontece com o padre Vieira, para o qual 'Língua Geral' significa, por vezes, o mesmo que para nós 'língua da família Tupí-Guaraní', isto é, qualquer língua reconhecidamente afim do Tupinambá, mas não idêntica a ele (como, por exemplo, o Guajajára do Maranhão).
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No sul da Colônia constituiu-se uma Língua Geral distinta da Língua Geral do Norte ou Língua Geral Amazônica. A Língua Geral do Sul, ou Língua Geral Paulista, menos conhecida que a outra, teve sua origem na língua dos índios Tupí de São Vicente e do alto rio Tietê, a qual diferia um pouco da língua dos Tupinambá. É a língua que no século XVII falavam os bandeirantes que de São Paulo saíram a explorar Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e o Sul do Brasil. Por ser a língua desses pioneiros e aventureiros, penetrou essa Língua Geral em áreas onde nunca tinham chegado índios Tupí-Guaraní e aí deixou sua marca no vocabulário popular e na toponímia. Em São Paulo ela foi dominante no século XVII, mas passou a ser suplantada pelo Português no século XVIII. No início do século XIX só se faz referência a um ou outro falante no interior do Estado de São Paulo, na área de Porto Feliz, no rio Tietê.
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Já a Língua Geral Amazônica desenvolveu-se inicialmente no Maranhão e no Pará, mais tarde do que a do Sul, a partir do Tupinambá. Ao contrário de São Vicente e São Paulo, onde a colonização teve início já na primeira metade do século XVI, no Maranhão a conquista portuguesa começou quase cem anos depois, na primeira metade do século XVII. O litoral do Maranhão, onde primeiro se estabeleceram os portugueses, estava densamente povoado pelos índios Tupinambá, que se estendiam para oeste até a foz do rio Tocantins. Em conseqüência dessa situação, aí o Tupinambá foi a língua predominante na população colonial durante o século XVII e acabou dando origem à nova Língua Geral, que foi falada pelas tropas e missões que foram penetrando e criando núcleos de povoamentono vale amazônico. Portanto, o Tupinambá e essa Língua Geral em que ele se transformou, é que foi a língua da ocupação portuguesa da Amazônia nos séculos XVII e XVIII. Aí ela foi o veículo não só da catequese, mas também da ação social e política portuguesa e luso-brasileira até o século XIX. Ainda hoje é falada, especialmente na bacia do rio Negro, sendo que no Uapés e no Içana, além de ser a língua materna da população cabocla, ainda mantém o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas.
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As duas línguas gerais, faladas em novos contextos sociais, alteraram-se paulatinamente em sua estrutura. Da Língua Geral Paulista, chamada Tupí Austral por Martius, não sabemos muita coisa; na verdade, só conhecemos dela um documento (um dicionário de verbos) bastante tardio, provavelmente do século XVIII, publicado pelo mesmo Martius em 1863. Já a Língua Geral Amazônica, também conhecida, a partir do terceiro quartel do século XIX, pelo nome de Nheengatú (ie'éngatú 'língua boa'), além de continuar sendo falada até hoje, é conhecida por muitos documentos (gramáticas, dicionários, catecismos, lendas), tanto do século XVIII, como dos séculos XIX e XX. Esta língua se expandiu consideravelmente ao longo de todo o vale amazônico, chegando até a fronteira com o Peru no oeste e penetrando na Colômbia pelo vale do rio Uaupés no noroeste. Ao longo do rio Negro chegou também à Venezuela (onde é chamada Yeral). Tal como o Tupí Austral, a Língua Geral Amazônica passou a ser falada em regiões onde nunca habitaram índios Tupí-Guaraní e deixou forte marca na toponímia e na língua portuguesa da Amazônia.
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A Língua Geral Amazônica de hoje (Nheengatú) difere não só da língua Tupinambá, mas também da Língua Geral Amazônica do século XVIII. As diferenças em relação a esta última se devem não apenas a mudanças ocorridas com o passar do tempo (cerca de 250 anos), mas também ao fato de que certamente se constituíram diversos dialetos da Língua Geral Amazônica, segundo as diferentes regiões em que ela veio a ser falada: baixo Tocantis, baixo Tapajós, rio Negro, Solimões etc.
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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Edições Loyola, 2002. Pp. 99-103.
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IMAGEM: Capa do livro supracitado;
FOTOGRAFIA E GRAVURA DO PADRE ANCHIETA: web.
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O Professor Aryon Dall'Igna Rodrigues é Pesquisador Associado da Universidade de Brasília, tendo sido o fundador dos estudos lingüísticos modernos das línguas indígenas do Brasil. É o fundador do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília, vinculado ao Departamento de Lingüística, Português e Línguas Clássicas (LIP) do Instituto de Letras (IL). É sócio-fundador da Associação Brasileira de Lingüística, Abralin.
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Sobre o padre Anchieta:
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Nascido em La Laguna de Tenerife, Ilhas Canárias em 19 de março de 1534 (um ano antes da chegada de Vasco Fernandes Coutinho ao Espírito Santo), filho do basco Juan Lopes da Anchieta, de uma família nobre de Guipuzicoa, e uma nativa de Tenerife, Mência Diaz Llarena, com quem se amancebou, Anchieta foi mandado pelo pai aos 14 anos para estudar em Coimbra. Revelando notável inteligência nos estudos acadêmicos ingressa na Companhia de Jesus, fundada em 1535 por seu primo Inácio de Loiola.
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Enviado ao Brasil para a missão evangelizadora e para tratar de uma tuberculose óssea que o afligia - e que o deixou com a postura encurvada - Anchieta aqui chegou em 1553 aos 19 anos aportando primeiro em Salvador e depois rumando para a capitania de São Vicente onde fundou o Colégio de Piratininga, embrião da cidade de São Paulo.
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Tornou-se o principal catequizador dos índios brasileiros e se valia de recursos teatrais nesse trabalho, o que lhe confere o pioneirismo das artes cênicas nacionais, sendo justamente reconhecido como o fundador do teatro brasileiro
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Há controvérsias sobre o seu papel histórico como colonizador a serviço de uma religião mas o que se ressalta é que por ser filho de uma união informal entre um nobre e uma nativa Anchieta influenciou muito para que a relação entre conquistadores e nativos fosse mais humana e menos ideológica, integrando as raças em vez de segregá-las, como se veria na colonização norte-americana. Chegou mesmo a incentivar o casamento entre portugueses e nativos, coibindo excessos. Deixou a obra literária mais importante do Brasil no século XVI, composta de cartas, poemas e autos.
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Além de fundar São Paulo e Niterói, Anchieta construiu as casas de Misericórdia do Rio de Janeiro e Vila Velha, as igrejas matrizes de Rerigtiba e Guarapari , fundando no Espírito Santo as cidades de Rerigtiba (hoje Anchieta), Guaraparim ( Guarapari) e São Mateus. Pode ser considerado o primeiro cientista brasileiro, tendo descrito a função da bolsa dos marsupiais, os canais e glândulas de veneno das serpentes e classificado o tapir, ou anta, entre os equinos. Realizou obra notável nas áreas de ciências naturais, linguística - tendo escrito a primeira gramática tupi-guarani para facilitar o trabalho de evangelização dos colegas -, diplomacia, antropologia, arquitetura e artes. Chefe de guerra, nomeou Tibiriçá capitão e junto com os Goitacazes marchou contra os Tamoios expulsando-os para Iperoig (hoje Ubatuba) onde depois se apresentou e permaneceu como refém para negociar a paz, ocasião em que compôs seu famoso poema em homenagem à Virgem Maria, com seis mil versos escritos na areia. Junto com Araribóia, um guerreiro temiminó de Vila Velha, combateu os franceses no Rio de Janeiro, expulsando-os em 1567. Sua ação estendeu-se do litoral de Pernambuco até São Paulo. Atraído pelo aspecto ameno de Rerigtiba, ao que se supõe por evocar-lhe sua Laguna de Tenerife, escolheu essa vila do Espírito Santo para viver os últimos dez anos de sua vida expirada em nove de junho de 1597.
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Nessa fase final percorria habitualmente a pé - já que o problema na coluna impedia-lhe a montaria - o trecho entre Rerigtiba e o Colégio de São Tiago onde serviu alguns anos como Provincial do Brasil. Nas suas andanças pelas 14 léguas entre Rerigtiba e Vitória adiantava-se na caminhada mesmo aos mais vigorosos guerreiros índios que, por isso, o denominaram Abará-bebe (padre voador) e Caraibebe (homem de asas). Nesse percurso se encontram os registros de feitos extraordinários que lhe conferem uma dimensão mítica. Os cronistas da época descrevem-no como de corpo pequeno e mirrado, fisionomia morena, trato agradável, aspecto de velha, pequena corcunda, olhos vivos e perspicazes. Um grande homem do seu tempo.
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FONTE: Abapa. Grifo no corpo do texto (negrito) meu.
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Mais informações sobre línguas indígenas do Brasil: clique aqui - FUNAI.

9 de mar. de 2008

Aryon Dall'Igna Rodriges

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AS LÍNGUAS INDÍGENAS

Os índios no Brasil não são um povo: são muitos povos, diferentes de nós e diferentes entre si. Cada qual tem usos e costumes próprios, com habilidades tecnológicas, atitudes estéticas, crenças religiosas, organização social e filosofia peculiares, resultantes de experiências de vida acumuladas e desenvolvidas em milhares de anos. E distinguem-se também de nós e entre si por falarem diferentes línguas.

Como todas as demais, as línguas dos povos indígenas do Brasil são inteiramente adequadas à plena expressão individual e social no meio físico e social em que tradicionalmente têm vivido esses povos. Embora diferentes, elas compartilham do que todas as quase seis mil línguas do mundo têm em comum: são manifestações da mesma capacidade de comunicar-se pela linguagem. Essa capacidade é uma qualidade desenvolvida pela espécie humana e se caracteriza por princípios e propriedades que, presentes em todo homem, facultam a qualquer criança desenvolver o domínio de qualquer língua, sempre que exposta ao contato com falantes dessa língua. Da mesma forma, permitem a qualquer adulto, com maior ou menor esforço, aprender línguas diferentes da sua própria.
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Embora constituídas a partir de princípios e propriedades comuns, as línguas estão sujeitas a grande número de fatores de instabilidade e variação, que determinam nelas forte tendência à constante alteração. Essa tendência é normalmente contrabalançada pela necessidade de mútuo ajuste entre os indivíduos de uma mesma comunidade social, ajuste sem o qual não se cumpriria a finalidade básica da língua, que é a comunicação explícita e, quando possível, fácil. Quando as vicissitudes de uma comunidade humana acarretam sua divisão em duas ou mais subcomunidades ou novas comunidades, reduz-se o contato entre as pessoas separadas nessas novas comunidades e, em conseqüência, diminui a necessidade de ajuste e aumenta a diferenciação lingüística entre os grupos humanos correspondentes. Se as novas comunidades, resultantes da divisão do que foi antes uma só comunidade com uma só língua, distanciam-se no espaço geográfico e perdem de todo o contato entre si, desaparece inteiramente a necessidade de ajuste comunicativo entre elas. Nesse caso, as alterações lingüísticas que ocorrem em cada comunidade não são mais reajustadas em comum e, por descoincidirem em muitos casos, vão constituir diferenças entre suas falas. Estas se tornarão línguas diferentes, cada vez mais diferentes, na medida em que o correr do tempo expuser uma e outra, independentemente, às circuntâncias mais variadas.

É assim que a história das línguas no mundo tem sido uma história de sucessivas multiplicações, e só assim pode ter sido a história ou pré-história das línguas indígenas brasileiras. Uma conseqüência dessa história é que algumas línguas, embora substancialmente diferentes, conservam muitos elementos em comum, que permitem reconhecê-las mais ou menos facilmente como descendentes de uma só língua anterior. A presença desses elementos em comum diminui, entretanto, com o decorrer do tempo. Isto faz com que freqüentemente nos encontremos diante de casos em que é extremamente difícil, senão impossível, demonstrar que duas ou mais línguas atuais provém conjuntamente de uma língua mais antiga. Na medida em que reconhecem origem comum para um conjunto de línguas, os lingüistas constituem uma família lingüística. Assim, na Europa, as línguas oriundas do latim formam a família românica. Analogamente, no Brasil, a família Tupí-Guaraní é um conjunto de línguas que se reconhece descenderem de uma língua anterior, neste caso pré-colombiana e não documentada historicamente (...).

Falam-se no Brail, hoje em dia, uma 170 línguas indígenas. Quantas, exatamente, não sabemos, não só porque até hoje não se incluem nos recenseamentos oficiais brasileiros informações lingüísticas, nem informações sobre os povos indígenas, mas também porque línguas são coisas muito difíceis de contar, mesmo quando são bem conhecidas. É o caso, por exemplo, das línguas românicas da Península Ibérica: São duas - Português e Espanhol? São três - Português, Espanhol e Catalão? São quatro - Português, Galego, Espanhol e Catalão? São cinco ou mais? Quando as línguas são mal conhecidas, como é freqüentemente o caso das línguas indígenas brasileiras, essa situação de indefinibilidade ocorre muitas vezes: há uma língua Tupí-Guaraní? ou uma língua Tupí e uma língua Guaraní? ou diversas línguas Tupí e diversas línguas Guaraní? Mesmo quando se adquire conhecimento razoável das línguas, ainda restam problemas técnicos, como a definição de língua em contraposição à definição de dialeto, a distinção entre formas antigas e modernas do que pode ser uma mesma língua. Compare-se no caso românico: Francês medieval e Francês moderno são a mesma língua? Latim e Português são a mesma língua?

É provável que na época da chegada dos primeiros europeus ao Brasil, há quase quinhentos anos, o número das línguas indígenas fosse o dobro do que é hoje. A redução teve como causa maior o desaparecimento dos povos que as falavam, como conseqüência das campanhas de extermínio ou de caça a escravos, movidas pelos europeus e por seus descendentes e prepostos, ou em virtude das epidemias de doenças contagiosas do Velho Mundo, deflagradas involuntariamente (em alguns casos voluntariamente) no seio de muitos povos indígenas; pela redução progressiva de seus territórios de coleta, caça e plantio e, portanto, de seus meios de subsistência, ou pela assimilação, forçada ou induzida, aos usos e costumes dos colonizadores.

Naturalmente, o maior número de línguas indígenas desapareceu nas áreas que foram colonizadas há mais tempo e mais intensamente, constituídas pela região Sudeste e pela maior parte das regiões Nordeste e Sul do Brasil. Uma linha imaginária traçada de São Luis do Maranhão, ao norte, até Porto Alegre, ao sul, passando por perto de Brasília, no centro, deixa a oeste a área onde sobrevivem as línguas indígenas e a leste a área onde elas se extinguiram quase sem exceção. As exceções são apenas três: a língua Yatê dos índios Fulniô, ao sul de Pernambuco; a língua dos índios Maxakalí, no nordeste de Minas Gerais; e a língua dos índios Xokléng, no municípío de Ibirama, a oeste de Blumenau, em Santa Catarina. Uma exceção aparente são os grupos de falantes de Guaraní (dialetos Nhandéva e Mbiá) no leste paulista e no litoral dos estados do Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo, os quais têm migrado durante os últimos cem anos, do vale do rio Paraná para a costa atlântica. Cerca de vinte povos indígenas que ainda sobrevivem a leste da linha São Luís-Porto Alegre falam, hoje, exclusivamente variedades regionais da língua portuguesa: entre outros, os Potiguára na Paraíba, os Pankararú em Pernambuco e Alagoas, os Xokó em Sergipe, os Kirirí e os Pataxó na Bahia, os Tupinikim no Espírito Santo.

Algumas das línguas desaparecidas foram documentadas de forma mais ou menos ampla, às vezes em vários volumes (na verdade, apenas três línguas estão nesse caso), às vezes só mediante o registro de umas poucas palavras avulsas. Grande número delas, entretanto, desapareceu sem que nada ficasse registrado. O Kirirí é uma língua que, embora bem documentada no final do século XVII, depois desapareceu completamente; hoje os últimos descendentes da grande nação Kirirí, no norte da Bahia, só falam português (algumas pessoas, entre eles, guardam a memória de palavras soltas de sua língua original). O Tupinambá, ou Tupí antigo, foi documentado já no século XVI: em 1575 e 1578 foram publicados os primeiros textos nessa língua pelos franceses André Thevet e Jean de Léry, sendo que este último publicou também as primeiras observações gramaticais sobre a mesma; em 1595 foi editada a gramática que dela fez o padre Anchieta (...). Essa língua também deixou de ser falada na forma em que existia nos séculos XVI e XVII, quando era essencialmente o idioma dos índios Tupinambá (conhecidos regionalmente também pelos nomes Tamôio, Tupinikim, Kaeté, Potiguára, Tobajára, etc.), mas pode dizer-se que teve continuidade até hoje, sob forma muito alterada, transfigurada em língua de 'civilizados' (...).

A língua indígena tradicionalmente mais conhecida dos brasileiros - conquanto esse conhecimento se limite em regra só a um de seus nomes, Tupí - é justamente o Tupinambá. Esta foi a língua predominante nos contatos entre portugueses e índios nos séculos XVI e XVII e tornou-se a língua da expansão bandeirante no sul e da ocupação da Amazônia no norte. Seu uso pela população luso-brasileira, tanto no norte quanto no sul da Colônia, era tão geral no século XVIII, que o governo português chegou a baixar decretos (cartas régias) proibindo esse uso. Uma das conseqüências da prolongada convivência do Tupinambá com o Português foi a incorporação a este último de considerável número de palavras daquele. Numa amostra de pouco mais de mil nomes brasileiros populares de aves, um terço, cerca de 350 nomes, são oriundos do Tupinambá. Numa outra área da fauna, em que a interação entre portugueses e índios deve ter sido mais intensa, pois uns e outros eram grandes pescadores, a participação do vocabulário do Tupinambá é ainda maior: numa amostra de 550 nomes populares de peixes, quase a metade (225 ou 46%) veio da língua indígena. É notável a quantidade de lugares com nomes de origem Tupinambá, quase sem alteração de pronúncia, muitos deles dados pelos luso-brasileiros dos séculos passados a localidades onde nunca viveram índios Tupinambá.

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RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Línguas brasileiras: para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Edições Loyola, 2002. Pp. 17-21
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IMAGEM: Capa do livro supracitado;
FOTOGRAFIAS: web.
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O Professor Aryon Dall'Igna Rodrigues é Pesquisador Associado da Universidade de Brasília, tendo sido o fundador dos estudos lingüísticos modernos das línguas indígenas do Brasil. É o fundador do Laboratório de Línguas Indígenas da Universidade de Brasília, vinculado ao Departamento de Lingüística, Português e Línguas Clássicas (LIP) do Instituto de Letras (IL). É sócio-fundador da Associação Brasileira de Lingüística, Abralin.

tha clash, the best.

The Clash é... the best! Música feita em homenagem à luta travada por anarquistas e socialistas na Guerra Civil Espanhola, contra Franco e seu fascismo infame. Para ver o vídeo e ouvir Spanish Bombs, com The Clash, vá primeiro à janela "Maya_musique", à esquerda, e clique no ícone "pause". Depois venha aqui e clique no ícone "play". Dependendo da memória do seu computador, a primeira exibição pode ser cheia de pausas. Experimente ouvir e ver pela segunda vez... MUITO BOM!!! VALE A PENA!!!



Leia mais sobre a Guerra Civil Espanhola: clique AQUI.

5 de mar. de 2008

lá pode; aqui não pode.




VERGONHA NO SENADO DA REPÚBLICA‏
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O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM), denunciou ontem(04/03) no plenário um suposto envio de 31 toneladas de armamentos brasileiros para a Venezuela. Segundo o parlamentar, as armas seriam transportadas em vôos da TAM.
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Arthur Virgílio informou que um desses vôos já poderia ter seguido para a Venezuela com um carregamento de 1,5 tonelada de armas.
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O senador disse ter recebido as informações da entidade internacional World Check, especializada em acompanhar conflitos mundiais.
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O alarde do senador para uma questão tão simplista demonstra que ele é líder de políticos papagaios e não líder de um partido político de uma Potência Regional. Acostumado a ser satélite dos EUA, o medíocre senador deixou patente para todos os que pensam um Brasil Potência que o lugar desses políticos velhacos é o valhacouto da história.
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Passaremos a nos dirigir a esse senador apenas por Arthur, pois Virgílio, o grande poeta do Imperador Augusto César, autor de Eneida, a epopéia de Enéas, não merece ter seu nome ligado a uma figura tão inglória. Para quem desconhece, após a guerra de Tróia Enéas vagou à procura de seu destino, porém recebeu dos deuses a promessa de que seus descendentes receberiam um "império sem Limites", o que veio a se cumprir no Império Romano. O poeta Virgílio deve estar atormentado neste momento, se souber que seu nome hoje é sinônimo de covardia, mediocridade e patifaria.
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Ora, Senador Arthur, acreditar em relatórios de ONGs intenacionais é a mais clara demonstração de incompetência política, em um mundo no qual países são invadidos com esteio em relatórios de inteligência fabricados, que acusam as nações alvo de possuírem armas de destruição em massa, conforme ocorreu recentemente no Iraque.
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Vender armas a países em conflito é uma das características de países-potência. Israel sempre vendeu armas, da mesma forma que a Rússia. Os EUA vêm vendendo armas à Colômbia há décadas, tendo aumentado muito a remessa de armas durante e após o Plano Colômbia. Assim agem as potências, senador Arthur.
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O sr. deveria estar investigando, a fim de denunciar com fundamentos, se as armas estariam sendo enviadas de graça ou não, isso sim, porém jamais se comportar como uma donzela durante um confronto armado. Ademais, em qualquer jogo político internacional entre potências de que o Brasil participasse, o mais natural seria o Brasil vender armas à Venezuela, haja vista os EUA estarem vendendo à Colômbia. Essa postura deveria ser adotada pelo Brasil caso tivéssemos uma potítica externa de potência.
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Enquanto os EUA apóiam abertamente a Colômbia, dentro de seu papel de potência, o líder do PSDB, senador Arthur, esbravejou ontem na tribuna que o Brasil deveria continuar a ser satélite dos EUA e jamais agir como potência, pois isso é o que se conclui de seu infame discurso. O objetivo do pronunciamento do senador Arthur não está claro nas linhas, mas oculto nas entrelinhas. Baseado na irresponsável denúncia de Arthur, a imprensa noticiou ontem toda essa desinformação e hoje, os jornais, depois de constatarem ter sido apenas um boato, lançam a responsabilidade pelo fiasco sobre o Senador Arthur.
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Ide-vos, senador Arthur, vosso tempo no senado é demasiado grande, para o muito pouco que fizeste. Renuncie a seu mandato e vá fazer qualquer outra coisa, menos falar de política internacional.
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Os políticos brasileiros devem aprender como age uma potência : Em discurso ontem na Casa Branca, o presidente dos EUA, George W. Bush, declarou "completo apoio" ao chefe de Estado colombiano, Álvaro Uribe, e acusou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de "manobras provocadoras", depois da morte do número dois das Farc, Raúl Reyes. Bush disse se opor a "qualquer ato de agressão que possa servir para desestabilizar a região." Atente bem, senador Arthur, atente bem para a forma de agir do presidente estadunidense George W Bush, o qual apóia totalmente seu satélite, a Colômbia, contra seu adversário na região, a Venezuela, o que já é um disparate, pois o opositor dos EUA na América do Sul deveria ser o Brasil.
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Veja, senador Arthur, que os estadunidenses atuam da mesma forma que Roma agia, quando apoiava a Armênia contra a Pártia, império rival.
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Continuemos a análise das declarações de Bush: O yankee acusa a Venezuela de "provocação", quando na verdade quem provocou foram os próprios EUA ao patrocinar, obviamente, a invasão do território equatoriano pela Colômbia, na madrugada do último sábado, 03 de março.
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Bush concluiu dizendo ser contra qualquer ato de agressão na região, quando na verdade foram os EUA os verdadeiros agressores na América do Sul, utilizando seu Estado-satélite.
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O que nos deixou mais estarrecidos ainda foi o ato de o Governo brasileiro negar, apessadamente, como se vender armas a um dos lados contendores fosse um crime. Ora, poupem-nos, políticos da situação e da oposição, poupem-nos de vossas mediocridades. O Brasil é uma nação de guerreiros, adormecidos até agora, porém chegou o momento de despertar.
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Assim é o mundo das grandes potências, senador Arthur, portanto o Senado da República Federativa do Brasil não é local para políticos acostumados a tratar do "social", do atendimento a pedidos de chinelos, vagas em escolas primárias e doação de cestas báscias. Nossos políticos são em essência meros assistentes sociais, jamais estadistas. Esse senador Arthur é o retrato fiel do sinistro período que se encerra em nossa Amada Pátria Brasileira.
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Desperta, brava gente brasileira; às armas valentes guerreiros brasileiros, assumam a liderança desse vasto país continente, chamado Brasil, cujo momento histórico de glória chegou!
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TENENTE MELQUISEDEC NASCIMENTO
PRESIDENTE DA AMAE
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www.militarlegal.blogspot.com

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