Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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18 de mai de 2009

sal e luz


Amigos,
Tenho pensado que é necessário que sejam feitos, aqui, alguns esclarecimentos. Vou enumerá-los:
  1. Tenho postado alguns textos do blogueiro Julio Severo, mas não concordo com ele em tudo o que ele pensa.
  2. Assim, sou a favor, por exemplo, do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, o que para mim é muito diferente de “bruxaria”. A menos que Julio Severo já tenha visto o programa das disciplinas relativas ao assunto, penso que pode ser ato de preconceito dele julgar que isso será ensino de "bruxaria". Primeiro, porque nem tudo na cultura afro-brasileira se resume a bruxaria, longe disso. Os cultos pagãos originados com os ritos africanos no Brasil, aos quais ele se refere, não totalizam a contribuição dos afro-descendentes no Brasil. Acho justo que esse conteúdo seja ensinado nas escolas, já que aprendemos muito sobre a cultura portuguesa, da literatura à influência musical, da história à geografia, e quase nada sobre a cultura africana, que também é formadora do Brasil. As lendas, a culinária, a influência musical, os trajes, enfim, tudo isso e muito mais é ignorado na escola, e eu não vejo mal em que esses aspectos sejam discutidos e ensinados como parte constitutiva da cultura nacional.
  3. Ademais, cultos pagãos são satânicos sob qualquer cor de pele e em qualquer continente. Não vejo em quê a bruxaria celta, por exemplo, da qual nunca vi Julio Severo falar (mas que anda em voga na Europa), seja superior à bruxaria negra. Não vejo em quê a astrologia, da qual não me lembro de ter visto Julio Severo falar, seja menos abominação que a necromancia dos cultos pagãos afro-brasileiros: em todos esses cultos deixa-se de adorar o Criador e passa-se a adorar o que Ele criou.
  4. Outro ponto: penso que os movimentos pró-gay são nazi-fascistas, autoritários e nocivos. Eles tentam obrigar a sociedade, de modo legal, a tratar como naturais questões relativas à sexualidade que jamais foram consenso, em tempo nenhum, em época nenhuma. Por querer tirar de grupos e indivíduos seu direito à livre expressão e à diversidade de pensamento, os movimentos pró-gay são autoritários, e eu combato essas distorções.
  5. Penso que Deus deu o livre-arbítrio para cada um fazer o que bem entende de si mesmo, até mesmo o que na Bíblia é considerado mau. Assim, o homem que quiser, segundo os termos bíblicos, se deitar com homem como se fosse mulher, ou seja, praticar sexo com outro homem, está ocorrendo em abominação, mas tem esse direito - e foi Deus quem deu a ele essa liberdade, por incrível que pareça. E eu tenho o direito de dizer, no contexto de minha religião e de meus princípios, que não acho que a prática seja boa e sã. Creio que dois homens (ou duas mulheres) que vivem juntos e constroem um patrimônio juntos têm o direito, caso um dos dois (ou uma das duas) faleça, de deixar seus bens para seu parceiro, ou parceira. Isso, para mim, é justo, independentemente de eu não concordar com a opção sexual de ambos (as).
  6. Ademais, esclareço também que não é o homossexualismo que faz alguém ter bom ou mau caráter. Existem homossexuais legais, honestos, simpáticos e inteligentes, e existem homossexuais chatos, desonestos, antipáticos e burros. Assim como existem heterossexuais legais, honestos, simpáticos e inteligentes, e existem heterossexuais chatos, desonestos, antipáticos e burros. O que está em discussão é o pecado da prática homossexual, mas a tendência da maioria dos cristãos é julgar, rejeitar, imputar ao homossexual falhas de caráter que nem sempre ele tem, fechar as portas da igreja, virar as costas, tratar um gay como um ser de outro mundo e fazer dele, se estiver na igreja, alvo de piadas, fofocas, acusações e verdadeira tortura psicológica. E o amor, como fica?
  7. Não creio que o homossexualismo seja um pecado maior que os outros. Não creio que seja pior que o adultério ou a dependência sexual, como desvio, ou que outros, como a pedofilia (que eu, em particular, tendo a abominar mais que os outros, por envolver seres que não estão na prática abominável por vontade própria). E não creio que seja pior que os pecados não-sexuais, como a corrupção, o roubo, o homicídio e tantos mais, dos quais Julio Severo e muitos outros quase não falam.
  8. Neste momento, tendo em vista a batalha travada em instâncias democráticas de grupos pró-gay pela aprovação do PL 122 e de leis similares, tenho concentrado esforços no sentido de pedir aos meus leitores que se mobilizem, e ajudem a tentar evitar que retrocedamos no campo da democracia e da liberdade de expressão, no que diz respeito à famigerada “lei da homofobia” e a outras correlatas.
  9. Penso que a prática homossexual é reversível, e há inúmeros casos e depoimentos, na web e fora dela, para provar. Creio que Deus pode todas as coisas, e que o homossexualismo, que penso ser uma patologia psicoafetiva, pode ser plenamente tratado pelo Espírito Santo, assim como muitas outras patologias da alma e do espírito. Assim, creio que Deus ama os homossexuais, assim como Ele ama os heterossexuais, e é seu desejo que todos cheguem ao conhecimento da Verdade.
  10. Não acredito que a quase totalidade dos casos de pedofilia, como penso que assegura com frequência Julio Severo, é de cunho homossexual. É certo que elas existem, o que é abjeto, mas há inúmeros outros casos de pedofilia heterossexual, o que não é menos lamentável. Infelizmente, Julio Severo pouco divulga que há muitos homens que estupram meninas de 3, 4, 7, 8, 10 anos, como vemos todos os dias e como os trabalhos da Polícia Federal, do Ministério Público, da CPI da Pedofilia e de outras entidades competentes, infelizmente, comprovam. Assim, não creio que o sentimento pedófilo seja inerente à prática homossexual, apesar de reconhecer que a maioria dos homossexuais, segundo estatísticas, sofreu abuso sexual na infância e na adolescência. Há homossexuais, muitos, que têm parceiros adultos, e nada têm a ver com pedofilia.
  11. Creio que nossa luta, não sendo contra a carne e o sangue, trava-se em diversas instâncias, e ocorre na oração, no jejum, na leitura da Palavra mas também nas ações diárias, na hora de votar, na luta política e midiática, e por isso, em muitos aspectos – mas não em todos – tenho concordado com Julio Severo e outros blogueiros cristãos e postado textos, ou trechos de textos, bem como suas opiniões, ideias e apelos públicos. Posso discordar e expressar meu ponto-de-vista aqui, e isso é algo bom, mas não me agrada a perspectiva de desrespeitar pessoas que não pensam como eu, e, mesmo estando elas erradas – direito que o próprio Deus deu a cada um, no livre-arbítrio -  creio que existe um limite para as críticas, sobretudo as cristãs. Assim, e isso não tem a ver com o Julio Severo, mas com o mundo cristão, de modo geral, não considero boa coisa chutar imagens de “santos” católicos, insultar budistas, espíritas, macumbeiros ou como queiram chamar pessoas que não professam Jesus como Senhor e Salvador. Eu, podem acreditar, acho que a denúncia e o embate são eficazes até certo ponto. Temo que passemos a tentar, com a força, impor ideias que o resto do mundo não quer ouvir, por mais certos que estejamos. O mundo jaz no maligno, caminha para um desfecho infeliz e temo que os cristãos, a fim de evitar o que a própria Bíblia diz ser inevitável, deixem de ter um testemunho de luz para ter outro, de dureza e arrogância, de agressividade e pouca compaixão. Firmeza de opinião é importante, lutar com ardor também, mas que temamos o excesso, pois ele de nada vale. Muitas vezes, é preciso deixar que os homens se entreguem aos seus caminhos maus. Por isso, creio que o discernimento é bom em todo o tempo para temperar: o sal existe para salgar, e a luz, para iluminar.

5 comentários:

Danilo Fernandes disse...

Verdade querida irmã.

Daladier Lima disse...

Concordo com as linhas gerais de seu post. Creio que a cisma de Julio Severo com o ensino da cultura afro seja pelo fato de que está de tal forma enraizada na sua religião que será impossível dissociar as duas coisas. Ademais, dia desses conversando com um bruxo ele asseverou que é amante de natureza, invocando seus poderes, ao contrário do que dizemos que adoram demônios. Entendeu a sutileza? É a mesma sutil imposição do movimento gay organizado.

Abraços!

Mayalu Moreira Felix disse...

Danilo e Daladier,

Obrigada por suas visitas e postagens.

Creio que é preciso evitar generalizações, e tento esclarecer isso com este texto.

Já ouvi louvores a Deus com atabaques e tambores, na África, mas isso é difícil de ser processado quando ligamos o cristianismo a uma cultura específica, aprisionando Cristo em moldes cronológicos, geográficos e culturais.

Um abraço,

Maya

Juber Donizete Gonçalves disse...

Maya,

Concordo com seu posicionamento. Também penso desta forma. Para mim, o Severo é meio obsessivo com certos temas, parece que ele só pensa nisso.

Abraço.

Mayalu Moreira Felix disse...

Prezado Juber,

Obrigada por sua visita, fico muito feliz.

Pois é, é um negócio meio complicado. Acho que os extremos pedem ponderação.

Um abraço,

Maya

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