Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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4 de fev. de 2011

um estudo sobre o orgulho


UM ESTUDO SOBRE O ORGULHO

Mayalu Felix

Este estudo está fundamentado em trechos de duas obras de C. S.Lewis, Cristianismo Puro e Simples e O Problema do Sofrimento, em excertos de Ortodoxia, de G. K. Chesterton, e em exemplos bíblicos acerca do orgulho. Segundo C. S. Lewis, há duas naturezas de pecado: os carnais e os de natureza espiritual.

“Os pecados da carne são maus, mas, dos pecados, são os menos graves. Todos os prazeres mais terríveis são de natureza puramente espiritual: o prazer de provar que o próximo está errado, de tiranizar, de tratar os outros com desdém e superioridade, de estragar o prazer, de difamar. São os prazeres do poder e do ódio.” (Cristianismo Puro e Simples, p. 135)

O orgulho, segundo Lewis, pertence à categoria de pecados de natureza espiritual. Vale a pena ler, na íntegra, o que diz ele no capítulo oito de seu livro:

“Chego agora à parte em que a moral cristã difere mais nitidamente de todas as outras morais. Existe um vício do qual homem algum está livre, que causa repugnância quando é notado nos outros, mas do qual, com a exceção dos cristãos, ninguém se acha culpado. Já ouvi quem admitisse ser mal humorado, ou não ser capaz de resistir a um rabo de saia ou à bebida, ou mesmo ser covarde. Mas acho que nunca ouvi um não cristão que tenha alguma tolerância com esse vício nas outras pessoas. Não existe nenhum outro defeito que torne alguém tão impopular, e mesmo assim não existe defeito mais difícil de ser detectado em nós mesmos. Quanto mais o temos, menos gostamos de vê-lo nos outros.

O vício do qual estou falando é o orgulho ou a presunção. A virtude oposta a ele, na moral cristã, é chamada de humildade. [...] De acordo com os mestres cristãos, o vício fundamental, o mal supremo, é o orgulho. A devassidão, a ira, a cobiça, a embriaguez e tudo o mais não passam de ninharias comparadas com ele. É por causa do orgulho que o diabo se tornou o que é. O orgulho leva a todos os outros vícios; é o estado mental mais oposto a Deus que existe.

Parece que estou exagerando? Se você acha que sim, pense um pouco mais no assunto. Agora há pouco, observei que, quanto mais orgulho uma pessoa tem, menos gosta de vê-lo nos outros. Se quer descobrir quão orgulhoso você é, a maneira mais fácil é perguntar-se: ‘Quanto me desagrada que os outros me tratem como inferior, ou não notem a minha presença, ou interfiram nos meus negócios, ou me tratem com condescendência, ou se exibam na minha frente?’ A questão é que o orgulho de cada um está em competição direta com o orgulho de todos os outros.” (Id., p. 161)

Quando lemos a Bíblia, podemos perceber que o orgulho é a base de praticamente todos os conflitos humanos e entre os homens e Deus apresentados tanto no Velho quanto no Novo Testamento. Quando José apressou-se em contar à sua família sobre seu sonho, ele o fez por orgulho: sentia-se superior [Gn 37:5], ainda que de modo bastante infantil. Quando seus irmãos o traíram, também o fizeram por orgulho: irritaram-se ao se sentirem inferiores [o que já era provocado pela diferença de tratamento que Jacó instituiu entre eles]. E Mical? Ao repreender Davi, que dançava junto ao povo sem se sentir superior por ser rei, Mical demonstrou orgulho, desprezando Davi, e foi severamente punida por isso [2 Sm 6: 14-23]. E em Davi, havia orgulho? Durante sua trajetória, percebemos a humildade profunda de seu coração, diante de seus irmãos e diante do povo, mesmo sendo ele rei de Israel. Nesse aspecto, ele era um homem segundo o coração de Deus [1 Sm 13:14]. Isso não isenta Davi de ter sentido profunda inveja de Urias, a ponto de enviá-lo para a morte. A inveja é um tipo de pecado decorrente do orgulho. Davi queria o que era de Urias porque se achava mais merecedor de Betsabá do que ele. Isso também é uma forma de orgulho.

Na Bíblia, Deus nos mostra que toda reação de orgulho tem sua punição. A maior demonstração de orgulho e a maior queda de todas é a do anjo Lúcifer, uma palavra do Latim (lucem ferre) que quer dizer "portador de luz". Da ordem dos querubins, Lúcifer era um anjo poderoso. Seu poder e sua beleza, entretanto, levaram-no a se achar igual ou melhor que Deus. Em Ezequiel, capítulo 28, versos de 1 a 19, o orgulho do rei de Tiro é comparado ao de Lúcifer. Diz o texto:

“Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda pedra preciosa era a tua cobertura [...] Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci [...] Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. [...] Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei [...].”

Em Isaías, cap. 14, versos de 12 a 20, a queda de Nabucodonosor também é comparada à queda de Lúcifer:

“Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono [...] Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.”

Mais uma vez, o orgulho atua de forma decisiva para a queda do anjo Lúcifer. E como ele tentou Eva e Adão? Com o orgulho: “... no dia em que dele comerdes, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus...” (Gn 3:5). Todo o trabalho de Deus no homem é para fazê-lo menos orgulhoso. O homem orgulhoso é o que deseja ser como Deus. É o que tem o ego superestimado, e não permite que Cristo cresça em sua vida. É claro, existem graus de orgulho, mas, como diz Lewis, “é a comparação que torna uma pessoa orgulhosa: o prazer de estar acima do restante dos seres” (Ibid., p. 163).

No Novo Testamento, também não nos faltam exemplos de orgulho. Um dos mais interessantes, que muitos cristãos não interpretam como orgulho, é a reação do irmão do filho pródigo quando o pai recebe com honras o filho que estava longe. O filho que jamais havia se afastado do pai sentia-se superior a seu irmão, e não admitiu, portanto, que o pai o honrasse. Isso é orgulho. Alguns cristãos acham justificável ou menos importante a reação do irmão do filho pródigo. Jesus usou a parábola para ilustrar a reação de muitos cristãos diante de bênçãos que Deus concede a outros irmãos.

Outro exemplo bastante claro de orgulho é Pedro. Pedro não era somente orgulhoso, ele não tinha domínio próprio, era impulsivo e imaturo. Quando Pedro declara que jamais trairá Jesus, ele acredita em si mesmo. Ele acredita que, diferentemente dos demais, é bom o suficiente para permanecer fiel a Cristo mesmo diante de toda a pressão política e religiosa que os discípulos de Jesus estavam sofrendo. O que curou Pedro? Como Jesus curou Pedro de seu orgulho, para poder usá-lo? Jesus fez Pedro reconhecer seu orgulho e seu amor por Cristo. Quando Pedro disse: “Senhor, estou pronto para ir contigo até à prisão e à morte” (Lc 22:33), ele estava centrando suas palavras e seus sentimentos sobre si mesmo e acreditando em suas próprias forças. Isso é orgulho. Por que Jesus perguntou a Pedro: “Simão, filho de Jonas, tu me amas?” Essa era a cura do orgulho de Pedro. Ele deixava de centrar seu discurso em si mesmo e passava a colocar Cristo no centro de suas palavras: “Sim, Senhor; tu sabes que te amo”. Entre “estou pronto” e “tu sabes” existe uma grande diferença: na primeira frase, o “eu” assume papel central. Na segunda, o “tu” [que é Jesus] é que é relevante. O orgulho faz com que nos coloquemos, nós e nossa capacidade, no centro. A humildade coloca Jesus no centro do nosso discurso (e, consequentemente, do coração). O exemplo perfeito de humildade foi Cristo. Cristo não tinha orgulho. Andava com os humildes, não se importava em ser visto como inferior, lavava os pés de seus discípulos, desafiava os conceitos orgulhosos da sociedade de sua época. Deus nos mandou Jesus para que víssemos como Ele mesmo é. Não há orgulho em Deus. C. S. Lewis, em O Problema do Sofrimento, diz:

“Da mesma forma que o jovem deseja uma mesada do pai, que possa considerar como sua, com a qual faz seus próprios planos (e com justiça, pois o pai é afinal de contas um semelhante) eles [os seres humanos] também desejavam agir por conta própria, cuidar de seu futuro, planejar para o seu prazer e segurança, ter um meu do qual sem dúvida pagariam um tributo razoável a Deus em termos de tempo, atenção, e amor, mas que em todo caso era deles e não dEle. Eles queriam, como dizemos hoje, ser 'seus próprios donos'. Mas isso significa viver uma mentira, porque na verdade não somos donos de nós mesmos, nossa alma não é nossa. Eles queriam um lugar no universo de onde pudessem dizer a Deus: 'Este negócio é nosso e não seu'. Mas não existe um canto assim. […] Este ato de obstinação por parte da criatura, que constitui uma absoluta falsidade em relação à sua posição de criatura, é o único pecado que pode ser concebido como a Queda. [...] Dessa forma o orgulho e a ambição, o desejo de ser belo a seus próprios olhos e de oprimir e humilhar todos os rivais, a inveja e a busca incessante de mais e mais segurança, eram agora as atitudes que tomava com maior facilidade.” (p. 60 a 63)

O orgulho de Pedro, centrado na ilusão de sua própria autossuficiência, levou-o a afirmar que jamais negaria Cristo e a negá-lo pouco tempo depois. Não tenho dúvidas de que Pedro, realmente, acreditava em si mesmo quando afirmava que jamais negaria a Cristo. Um dos problemas do orgulho é que ele leva as pessoas a acreditarem em si mesmas, negando a Deus o seu lugar em suas vidas. Pessoas orgulhosas acreditam-se suficientemente importantes ao ponto de acharem que podem, por seus esforços, manterem-se fieis a Deus. O humilde crê que tudo pode por Deus, como fez Davi ao atacar Golias. O orgulhoso acredita em si mesmo, como fez Pedro. Creio que deve ser muito difícil ser líder em uma igreja. A tentação de um líder é acreditar em si mesmo. Aí começa a possibilidade de Satanás fazer desse líder alguém que de fato ignora Deus, embora pareça agir com temperança, equilíbrio e sensatez. E Satanás se compraz nesses seres religiosos que não só acreditam em si mesmos como buscam não as virtudes espirituais, mas apenas as virtudes morais. Alguns têm orgulho de sua humildade, de sua dedicação a Deus, do trabalho que realizam na Igreja... Como diz C. S. Lewis, também em O Problema do Sofrimento:

“Em Deus defrontamos com algo que é, em todos os aspectos, infinitamente superior a nós. Se você não sabe que Deus é assim – e que, portanto, você não é nada comparado a ele –, não sabe absolutamente nada sobre Deus. O homem orgulhoso sempre olha de cima para baixo para as outras pessoas e coisas: é claro que, fazendo assim, não pode enxergar o que está acima de si.

Isso levanta uma questão terrível. Como podem existir pessoas evidentemente cheias de orgulho que declaram acreditar em Deus e se consideram muitíssimo religiosas? Infelizmente, elas adoram um Deus imaginário. Na teoria, admitem que não são nada comparadas a esse Deus fantasma, mas na prática passam o tempo todo a imaginar o quanto ele as aprova e as tem em melhor conta que ao resto dos mortais. Ou seja, pagam alguns tostões de humildade imaginária para receber uma fortuna de orgulho em relação a seus semelhantes [...].

Mais de um homem conseguiu superar a covardia, a luxúria ou o mau humor pela crença inculcada de que tudo isso estava abaixo de sua dignidade. Ou seja, venceram pelo orgulho. O diabo ri às gargalhadas. Fica satisfeitíssimo de nos ver castos, corajosos e controlados desde que, em troca, prepare para nós uma Ditadura do Orgulho. Do mesmo modo, ele ficaria contente de curar as frieiras dos nossos pés se pudesse, em troca, nos deixar com câncer. O orgulho é um câncer espiritual: ele corrói a possibilidade mesma do amor, do contentamento e até do bom senso." (p. 165-167)

Por outro lado, a autossuficiência aliada à “crença em si mesmo” gera o que descreve G. K. Chesterton, em Ortodoxia:

"Pessoas completamente mundanas nunca entendem sequer o mundo; elas confiam plenamente numas poucas máximas cínicas não verdadeiras. Lembro-me de que, certa vez, fiz um passeio com um editor de sucesso, e ele fez uma observação que eu ouvira muitas vezes antes; é, na verdade, quase um lema do mundo moderno. Todavia, eu ouvi essa máxima cínica mais uma vez e não me contive: de repente vi que ela não dizia nada. Referindo-se a alguém, disse o editor: 'Aquele homem vai progredir; ele acredita em si mesmo'.

Lembro-me de que, quando levantei a cabeça para escutar, meus olhos se fixaram num ônibus no qual estava escrito 'Hanwell' [nome de um asilo para loucos, como será verificado mais à frente]. Disse-lhe eu então: 'Quer saber onde ficam os homens que acreditam em si mesmos? Eu sei. Sei de homens com uma confiança mais colossal do que a de Napoleão ou César. Sei onde arde a estrela fixa da certeza e do sucesso. Posso conduzi-lo aos tronos dos super-homens. Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de lunáticos'.

Ele disse calmamente que, no fim das contas, havia um bom número de homens que acreditavam em si mesmos e que não eram lunáticos internados em asilos. 'Sim, certamente', retruquei, 'e você mais do que ninguém deve conhecê-los. Aquele poeta bêbado de quem você não quis aceitar uma lamentável tragédia, ele acreditava em si mesmo. Aquele velho ministro com um poema épico de quem você se escondia num quarto dos fundos, ele acreditava em si mesmo. Se você consultasse sua experiência profissional em vez de sua horrível filosofia individualista, saberia que acreditar em si mesmo é uma das marcas mais comuns de um patife. Atores que não sabem representar acreditam em si mesmos; e os devedores que não vão pagar. Seria muito mais verdadeiro dizer que um homem certamente fracassará por acreditar em si mesmo. Total autoconfiança é uma fraqueza. Acreditar absolutamente em si mesmo é uma crença tão histérica e supersticiosa como acreditar em Joanna Southcote [Ela (1750-1814) se dizia virgem e grávida do novo Messias, e chegou a ter muitos seguidores]: quem o faz traz o nome 'Hanwell' escrito no rosto com a mesma clareza com que ele está escrito naquele ônibus.'

A tudo isso meu amigo editor deu esta profunda e eficaz resposta: 'Bem, se um homem não acredita em si mesmo, em que vai acreditar?' Depois de uma longa pausa eu respondi: 'Vou para casa escrever um livro em resposta a essa pergunta'. Este é o livro que escrevi para responder-lhe." (p. 25-27)

Essa é, em suma, a tendência do homem: acreditar em si mesmo e deixar Deus de fora. Assim fez Jonas, quando foi enviado para pregar em Nínive. Assim fez Moisés, quando em vez de falar à rocha feriu-a com o cajado, para obter água. Tudo isso é fruto do “eu” inchado. Essa tendência, hoje, é exacerbada em céticos e ateus. Na Igreja, por mais que isso nos custe admitir, convivemos com pessoas que acreditam que Deus serve para algumas coisas, mas não para todas. Nós mesmos, e isso é ainda mais difícil de admitir, nos forçamos a acreditar em nós mesmos diariamente – em como somos de fato merecedores da graça de Deus e especiais, por termos sido “escolhidos”. Afinal, escrevemos em letras pequenas “se Deus é por nós” e em letras garrafais “QUEM SERÁ CONTRA NÓS?" E nos achamos inatingíveis.

“Todavia, Deus, que nos fez, sabe o que somos e que nossa felicidade está nEle. Nós porém não a buscamos nEle enquanto permitir-nos qualquer outro recurso onde ela possa plausivelmente ser procurada. Enquanto aquilo que chamamos de ‘nossa própria vida’ permanecer agradável, não iremos entregá-la a Ele. O que pode então Deus fazer em nosso benefício senão tomar ‘nossa vida’ menos agradável, e remover as fontes plausíveis da falsa felicidade? É justamente aqui, onde a providência divina parece à primeira vista ser mais cruel, que a humildade divina, o rebaixamento do Altíssimo merece o maior louvor.

Quero implorar ao leitor que tente crer, embora apenas por um momento, que o Deus que fez todas essas pessoas cheias de mérito, possa estar realmente certo quando pensa que sua modesta prosperidade e a felicidade de seus filhos não bastam para fazê-las abençoadas: que tudo isso deve deixá-las no final, e que se não tiverem aprendido a conhecê-lo se sentirão miseráveis. E assim Ele as perturba, advertindo-as antecipadamente de uma insuficiência que um dia terão de descobrir. A vida para elas e suas famílias se interpõe entre as mesmas e o reconhecimento de sua necessidade; Ele torna essa vida menos suave para elas. Chamo a isto de humildade divina porque é deprimente procurar Deus quando o navio está afundando debaixo de nós; deprimente achegar-nos a Ele como um último recurso, oferecer nossa pessoa quando não vale mais a pena guardá-la.

Se Deus fosse orgulhoso, Ele jamais nos aceitaria nesses termos, mas Ele não é orgulhoso, Ele se abaixa para conquistar, Ele nos aceita embora tenhamos mostrado que preferimos tudo o mais a Ele, e nos achegamos porque agora não há ‘nada melhor’ que possamos ter. A mesma humildade é manifestada através de todos os apelos divinos aos nossos temores, o que perturba alguns leitores das Escrituras. É bem pouco simpático para Deus que o escolhamos como uma alternativa para o inferno: mas até mesmo isto ele aceita. A ilusão de autossuficiência da criatura deve, em seu próprio benefício, ser destruída; e pelas dificuldades ou medo das dificuldades na terra, pelo medo indisfarçado das chamas eternas. Deus a destroça ‘não levando em conta a diminuição de sua glória’. Os que desejariam que o Deus da Bíblia fosse mais puramente ético, não sabem o que estão pedindo. Se Deus fosse um kantista, que não quisesse aceitar-nos senão quando nos aproximássemos dele baseados nos motivos mais puros e melhores, quem poderia ser então salvo? E essa ilusão de autossuficiência pode ser mais forte em algumas pessoas muito honestas, bondosas e temperantes, e sobre elas, então, a desgraça deve cair.

Os perigos da autossuficiência aparente explicam por que Nosso Senhor considera os vícios dos fracos e dissipados com muito maior tolerância do que os vícios que levam ao sucesso mundano. As prostitutas não correm o risco de considerar sua vida presente tão satisfatória que não possam voltar-se para Deus: os orgulhosos, os avarentos, os que possuem autorretidão, correm esse perigo.” (O Problema do Sofrimento, p. 75 a 77)

Mas, afinal, de onde vem o orgulho? Ele pode ser vencido? Com a queda, a visão do homem turvou-se. Todo homem tem uma visão distorcida de si mesmo, de Deus e de seu próximo. Jesus veio corrigir essa visão, ao nos mostrar, em si mesmo, o exemplo do que já houve de mais humilde sobre a Terra. O orgulho é um sentimento decorrente das falsas perspectivas que temos acerca de nós mesmos, do próximo e de Deus. Não é um problema impossível de ser amenizado, mas exige uma morte diária, o que Cristo chamou de “tomar a sua cruz e segui-lo”. Quando falo aqui de "morte diária", não estou falando da mera manutenção de hábitos e costumes aceitáveis dentro da igreja, como não fumar, não beber, ser educado e dizer ‘por favor’, mas de uma revisão geral de ideias que cada um tem sobre si mesmo. O dia a dia nos leva, automaticamente, a sermos confrontados com nossa própria visão de mundo. Nesse confronto, temos a escolha de deixar o “eu” morrer, o que é doloroso, ou deixar o “eu” permanecer: temos de ter razão? Temos de ser importantes? Somos indispensáveis? Somos “bons cristãos”? Somos melhores que outros seres humanos? Você se importa muito se as pessoas têm uma visão negativa a seu respeito? Você se preocupa demais com o que dizem de você? Ao deixarmos o “eu” morrer, certamente seremos pisados. Nossa tentação de retrucar e recuperar o nosso “eu” e seu suposto “valor” é muito grande. Mas, se deixamos o “eu” morrer, de fato, Cristo pode finalmente ocupar algum espaço em nós. Não há outro caminho. Em vez de confiarmos em nós mesmos, em nossa perspicácia ou inteligência, devemos, como crianças, procurar o olhar do Pai. Como diz C. S. Lewis, o orgulho jamais poderá ser vencido: ele é a própria natureza do velho homem - “Daí a necessidade de morrer diariamente: por mais que julguemos ter esmagado o ‘eu’ rebelde, vamos sempre descobri-lo vivo.” (O Problema do Sofrimento, p. 71)


REFERÊNCIAS

CHESTERTON, G. K. Ortodoxia. São Paulo: Mundo Cristão, 2008.

LEWIS, C. S. Cristianismo Puro e Simples. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

______. O Problema do Sofrimento. São Paulo : Vida, 2002.

Bíblia de Estudo Pentecostal.

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6 de dez. de 2010

luiz felipe pondé


A atitude conservadora, que não é defesa irracional do passado, significa o cuidado com nossa história cognitiva, emocional e intelectual

1. REACIONÁRIO é um termo comum em assembléias e bares. Visa tornar a vítima inelegível para jantares inteligentes, aniquilando a sua vida acadêmica. Pensamento, sensibilidade e ceticismo são termos mais afeitos à crítica que supera os vícios da medrosa utopia moderna. Paralisado diante do que desconhece, o medo moderno prefere reduzir essa atitude a seus fantasmas infantis: fogueiras da inquisição, fé cega e obscurantismo medieval. Erra, como todo preconceituoso, pois a discussão se dá estritamente no campo da razão e da defesa do comércio livre de idéias. A atitude conservadora -que não é uma defesa irracional do passado- significa o cuidado com nossa história cognitiva, emocional e intelectual contra a tendência totalitária do irracionalismo moderno, que detesta a realidade e decide modificá-la à luz da teoria que melhor apetece às suas pequenas manias inconfessáveis.

2. Esse irracionalismo fracassado delira com um mundo a partir de teorias de gabinete e suas reconstituições abstratas da realidade. O homem utilitarista de mercado, a metafísica marxista, o radical progressista, a asfixia burocrática, o gozo instrumental, a álgebra psicopolítica, todos estrangulam a experiência humana.

3. O pensamento religioso é mais sábio do que os ídolos dos últimos 200 anos que criaram fórmulas de perfectibilidade para nossa risível Babel. Filosofia, ciência e religião devem fundamentar a formação dos mais jovens. A relação entre razão e infelicidade é empírica, a relação entre razão e felicidade é ideal. Contrariamente ao pensamento mágico que se crê científico, reconhecer a sabedoria da religião nada tem a ver com a contradição moderna entre razão e fé, pois tal oposição já é fruto de má filosofia.

4. A natureza humana não é passível de redução a abstrações e deve ser olhada com respeito e temor: somos agressivos, banalmente interesseiros, às vezes santos. A "educação" - engenharias pedagógicas de última geração - nunca conseguirá "inventar" o homem ético abstrato. Contra o sonho da publicidade psicossocial, razão e emoção não fundam valor. Nem se deduz avanço a partir dos clichês da crítica social. Crítica e virtude não são necessariamente irmãs gêmeas. Formação é um conceito mais sofisticado do que os manuais de felicidade social podem ensinar. A conduta humana é em muito fruto de processos que transcendem a especulação racional e deitam raízes no passado ancestral. Prudência, delicadeza e tremor devem nos guiar na formação.

5. O "puritano" moderno ama o homem abstrato e detesta a multiplicidade intratável que sangra. Facilmente ele se torna um pregador sem a contrapartida da piedade, que apenas aqueles que se sabem maus podem, talvez, contemplar.

6. Para além do mapa astral e do acúmulo do capital, um problema estrutural do humano é o orgulho desmedido e reativo contra sua evidente condição de sombra, silenciosamente contemplada no espelho e nos hospitais ao longo da banalidade das horas. Responsabilizar prioritariamente o contexto pela desgraça humana é uma mentira científica e tagarela.

7. Todo governo é opressor. O que impede que sua forma invisível esmague o indivíduo são as instâncias intermediárias de poder entre ele e o Estado, que jamais deve ser um agente moralizador. O pior Estado é aquele que cria valores. A importância da Idade Média, entre outras coisas, está na falta de uniformidade das instâncias de poder, mas o irracionalismo moderno só conhece a Idade Média dos iluministas e do cinema. A democracia corre o risco de se alimentar de mediocridade em nome da igualdade e da eficácia.

8. Mudanças pontuais e prudentes contra a agonia humana são bem-vindas, mas não a partir de teorias sociais ou psicológicas gerais. Nossa perigosa espécie acumulou ao longo dos milênios um delicado equilíbrio contra o risco contínuo de autodestruição. Não podemos crer nas engenharias psicossociais de almas afoitas em fundar um paraíso para seres com tão grande vocação para a mentira como nós.

9. Um traço cognitivo moderno é seu hábito metafísico inconsciente. Por exemplo, não existe tal coisa denominada "A liberdade", mas apenas lugares onde o governo, a mídia e as outras pessoas não podem entrar quando são indesejáveis.

10. Mais do que idéias, e contra o narcisismo dos vivos, o que nos humaniza é o convívio com os mortos e com os que ainda não nasceram.

LUIZ FELIPE PONDÉ, 47, filósofo e teólogo, é professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) e da da Faap (Fundação Armando Álvares Penteado). É autor, entre outras obras, de "O Homem Insuficiente".

7 de nov. de 2010

Perdemos o querido Pastor Julio Soder. Minha homenagem a ele.

"Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos" Salmo 116:15

Soube há pouco que faleceu hoje à tarde, em Belo Horizonte (MG), o querido Pastor Julio Soder, da Igreja Batista Peniel. Entre links, postagens e blogs, conheci pessoalmente o Pastor Júlio e a sua esposa, Elenir, quando vieram ao Rio de Janeiro no início deste ano para passar alguns dias e se hospedaram em minha casa (na primeira foto, estávamos em nosso jantar de despedida, em minha casa. Comemos um risoto de frutos do mar. Na segunda foto, Pastor Júlio e Elenir no Copacabana Palace, onde fizemos um lanche). É estranho saber de sua morte, quando em minha mente vem sua imagem alegre, jovial, bem disposta. Tive o privilégio de conviver com ele e Elenir durante alguns dias, ouvir suas histórias, dar-me conta de seu bom humor, de sua confiança em Deus e sua fé, mesmo depois de todas as coisas que já havia vivido. Só posso dizer que estou muito triste, e que sentirei falta de sua lucidez, de suas postagens no Facebook e no Twitter, de sua indignação santa com as coisas vis desta sociedade. Sei que o Pastor Julio está com Deus, mas isso não diminui o vazio que ele deixa por aqui.

O Blo do Pastor Julio: http://prjulio.blogspot.com/

No Twitter, deixará saudades: @prjulio

29 de out. de 2010

o que Julio Severo se recusou a publicar: a pena de morte é ANTICRISTÃ

Amigos do Blog:

Peço a atenção de todos a esse assunto: pena de morte. Pode parecer que a pena de morte nada tenha a ver conosco, no Brasil, mas tem. Tem a ver com os cristãos de qualquer localidade, e muito, porque os argumentos que validam a pena capital, sob o ponto de vista CRISTÃO, são totalmente anticristãos. Repito: OS ARGUMENTOS QUE VALIDAM A PENA DE MORTE SÃO ANTICRISTÃOS. Por que resolvi trazer esse assunto agora, ao meu Blog? Porque há dois dias li um texto defendendo a pena de morte, no Blog do Julio Severo, e decidi argumentar contra. O texto, cujo link posto aqui, defende a pena de morte como uma prática cristã. Absurdo dos absurdos! Além de ser a favor da pena de morte, Julio Severo decide não publicar alguns de meus comentários contrários a ela. Dos quatro comentários que enviei, apenas dois foram postados. Por que ele faz isso? Porque sabe que sua argumentação não encontra respaldo nas palavras de Jesus: encontra respaldo no islamismo do Irã, mas não nas palavras de Jesus! Publico aqui meus comentários, que ele se recusou a publicar em seu blog.

Link para o texto publicado no Blog do Julio Severo: http://juliosevero.blogspot.com/2010/10/pena-capital-e-biblica.html

TEXTO PUBLICADO NO BLOG DE JÚLIO SEVERO, DEFENDENDO A PENA CAPITAL, DE AUTORIA DO PR. MARCELLO OLIVEIRA:

A pena capital é bíblica?
A instrução sobre a pena capital (Gn 9.5,6) é inserida no arcabouço da promessa do Senhor (Gn 8.20-22) e da aliança (Gn 9.8-17), que é ministrada a toda a humanidade para preservar toda a vida humana. Nesse contexto, a legislação para se executar a pena capital pertence a todo o povo (Gn 9.5,6). A pena capital se fundamenta na verdade de que todos os seres humanos portam a imagem de Deus, separando-os do resto das criaturas vivas. “Ninguém pode ser injurioso para com seu irmão sem ferir a Deus mesmo.” A ofensa em si não é contra o homicida, nem sua família, nem a sociedade em geral (obviamente ela os impacta também), mas é contra Deus.
Tão valiosa é a vida humana como a portadora da imagem de Deus que Ele estipula compensação pelo derramamento da vida de seu sangue, não só do homicida, mas inclusive dos animais. O principio de lex talionis (isto é, vida por vida) fica esclarecido nos mandamentos divinos dados ao povo pactual relativos ao homicídio (Nm 35.16-21) e no ensino de Paulo sobre o cristão e o Estado. No caso do homicídio involuntário, os culpados são consignados a cidades de refúgio, não penitenciarias, até a morte do sumo sacerdote (Nm 35.22-28). Não obstante, no caso de homicídio, impõe-se a pena capital.
No Novo Testamento, os cristãos não devem vingar-se por qualquer malfeito recebido, mas devem dar lugar à ira de Deus para vingá-lo (Rm 12.19). Deus, por sua vez, designa o governo civil como seu ministro, um vingador para executar a ira sobre quem pratica o mal (Rm 13.4). O Senhor e Rei supremo arma a autoridade civil com a espada, instrumento de morte, para o castigo dos malfeitores. A legislação, “quem derrama o sangue do homem, pelo homem se derramará seu sangue” fornece a evidência de que a autoridade civil, como ministra de Deus, tem a responsabilidade de executar a pena capital contra toda ofensa capital.
Essa é uma obrigação, não uma opção, que Deus impõe ao Estado. Três vezes Deus diz: “pedirei contas” (Gn 9.5). Ele pedirá contas dos assassinos e do Estado que não usa a espada para castigá-los. Sob o regime da lei no Antigo Testamento, não havia qualquer tipo de força policial como conhecemos. Se era cometido um homicidio, cabia à família da vítima encontrar o culpado e levá-lo à justiça. Os anciãos da cidade protegeriam o acusado até que o caso fosse investigado. Se fosse considerado culpado, a família da vítima poderia realizar a execução. Uma vez que o assassino havia derramado sangue, o sangue dele também deveria ser derramado.
Deus institui o governo, pois o coração humano é perverso (Gn 6.5), e o medo do castigo pode refrear possíveis infratores da lei. A lei é capaz de impor limites, mas não de regenerar; somente a graça de Deus é capaz de transformar o coração humano. O governo humano tem suas fraquezas e limitações, mas é melhor do que a anarquia e do permitir que cada um faça aquilo que considera mais reto aos seus próprios olhos (Jz 17.6; 18.1; 21.25)A lei protege cuidadosamente o inocente. Deve haver pelo menos duas ou três testemunhas para convencer uma pessoa de crime (Dt 19.15). Se uma testemunha cometer perjúrio, então os juízes que julgam o caso farão com o perjuro o que ele pretendia fazer com o acusado, inclusive vida por vida (Dt 19.16-21). Além disso, as testemunhas devem ser envolvidas na execução (Dt 17.2,7).
Todavia, o homicida que realmente se arrepende do crime alcança misericórdia de Deus (Pv 28.13) e sua alma escapa do inferno. Embora Davi tenha cometido um adultério e mandado matar a Urias, ele achou perdão com base nos sublimes atributos da graça de Deus, em seu amor infalível e em sua terna misericórdia (2Sm 12.13,14; Sl 51).
Aqueles que se opõem à pena de morte perguntam: “A pena de morte reprime a criminalidade?” Mas será que qualquer lei, inclusive as leis de trânsito, é capaz de refrear a criminalidade? Talvez não tanto como gostaríamos, mas a punição de criminosos ajuda a sociedade a respeitar a lei e a justiça.

***

MEU PRIMEIRO COMENTÁRIO, QUE JÚLIO SEVERO PUBLICOU:

Que absurdo, Julio. A pena de morte é totalmente anticristã. Jesus deixou claro: devemos ter misericórdia dos nossos inimigos, sejam eles quais forem. É isso o que agrada a Deus. Deus já fez a Justiça, e ela foi feita em carne pelo sacrifício de Jesus Cristo. Afastar alguém do convívio social, por ele representar ameaça à sociedade? Sim. Fazer "justiça" própria, vingando-se? Jamais! A DEUS pertence a justiça, a vingança e a retribuiçao. Que o Senhor me livre de sujar minhas mãos com sangue - ainda que eu diga que a responsabilidade é do "Estado" - usurpando de Deus o ato de justiça que só pertence a Ele. Nós nos queixamos da onipresença do Estado na educação dos filhos, mas você acha justo a interferência do Estado chegar ao ponto de decidir se uma pessoa morre ou vive, por mais que essa pessoa tenha cometido crimes? Que cristianismo é esse, que é contra o aborto mas a favor da pena de morte? Não é o cristianismo bíblico! O cristão deve ser SEMPRE a favor da VIDA, em QUALQUER situação. Espero que meu comentário seja publicado

RESPOSTA DO JÚLIO SEVERO, TAMBÉM PUBLICADA NOS COMENTÁRIOS:

Maya, o mesmo DEUS que deu ao Estado a obrigação de castigar os assassinos mediante a espada que mata (vide Romanos 13) também não deu ao Estado autorização de matar inocentes mediante aborto ou tirar dos pais seu direito de educar os filhos. A mentalidade contrária a pena de morte prescrita por Deus tem fortes raízes na esquerda, não no Cristianismo. Estude a Bíblia. Estude Lutero. Estude Calvino. E você verá que o Deus deu ao Estado a obrigação de lidar com assassinos na exata medida de seus crimes. Isso é exatamente o contrário do que a esquerda quer. Leia também meus dois artigos nos links do final do texto.

Jesus veio para salvar a alma das pessoas. Ele não veio para destruir o Estado ou a função que Deus deu ao Estado.

MINHA RESPOSTA, SEGUNDO COMENTÁRIO QUE FOI PUBLICADO:

"A mentalidade contrária a pena de morte prescrita por Deus tem fortes raízes" na Bíblia! E nas palavras de Jesus Cristo, Julio, não na "esquerda". Toda vez que vc quer se contrapor a algum argumento adota essa fórmula mágica, de dizer que é "de esquerda". Jesus disse que nos dava novo mandamento. Qual é esse "novo mandamento"? Na minha Bíblia está escrito que é o amor. Não posso dizer que amo uma pessoa, um pecador, mesmo um ladrão (como Jesus amou, estando na cruz) ou um criminoso, e concordar que ela seja morta. Não há exegese bíblica que me diga isso. O que é o amor? É o cumprimento da Lei. Não me diga para estudar a Bíblia. Eu digo a mesma coisa pra você. A Bíblia é clara: "amai vossos inimigos". O que diz a Lei? Pena de morte. Olho por olho, dente por dente. O que diz Jesus? AMAI VOSSOS INIMIGOS. Não preciso estudar "Lutero e Calvino" para compreender que a pena de morte é anticirstã. Deus não deu ao Estado a "obrigação" de matar as pessoas. Deus diz que nós devemos amar as pessoas, porque um justo morreu por todos. A vingança pertence a Deus, não a você, que aos olhos do Senhor é tão devedor quanto qualquer outra pessoa. Que mérito há em você ou em suas obras que dão a você o direito de dizer quando alguém vai morrer, mesmo quando esse "ente" que decide isso chama-se "Estado"? Se o Estado pode decidir sobre a morte de alguém, como não pode decidir sobre a educação dos filhos, as regras acerca do casamento etc.? Jesus veio para cumprir a Lei. O que significa isso? Que Ele morreu para que toda a humanidade tivesse vida, e vida em abundância. Mesmo um assassino pode se arrepender e crer em Jesus, nos últimos momentos de sua vida. Quem é você para limitar a graça e o poder de Deus? Que pecado é grande demais para o Senhor negar seu perdão? E quem é você, à frente de Estado ou de qualquer outra instituição humana, para dizer se alguém deve ou não morrer? Eu me sinto realmente perplexa com a sua argumentação. Você está sendo legalista e me parece que conhece pouco sobre a graça e suas implicações.

RESPOSTA DE JÚLIO SEVERO À MINHA SEGUNDA POSTAGEM:

Maya, quantas vezes você evangelizou assassinos? Eu já evangelizei vários, inclusive do corredor da morte. Um deles, Ramón Montoya, me fez uma pintura de Jesus antes de ser executado por injeção letal no Texas. Ele o fez como agradecimento, pois durante muito tempo ministrei para ele o amor de Deus.

Mas sua opinião tenta opor-se a uma pena civil CLARAMENTE prescrita na Palavra de Deus com base numa suposta anulação feita pelo Evangelho. Na sua opinião, o Evangelho anulou a lei de Deus para o Estado, ou essa lei não espelha o Evangelho.

Entretanto, vamos falar francamente. Qual é a lei que espelha o Evangelho?

Uma lei que condena, multa, prende ou executa assassinos espelha o Evangelho?

Uma lei que condena, multa, prende ou executa pedófilos espelha o Evangelho?

Uma lei que condena, multa, prende ou executa estupradores espelha o Evangelho?

Sejamos realistas: o Evangelho não condena ninguém nem a multas, nem a prisões, nem à morte. O Evangelho não veio para condenar, multar, prender ou executar nenhum criminoso, por pior que seja. O único tipo de condenação que o Evangelho menciona é a condenação eterna, deixando claro que os homens que escolhem viver no pecado serão condenados à morte eterna, sendo destinados ao sofrimento do inferno, eternamente separados de Deus.

O Evangelho veio para salvar os pecadores. Essa é sua ocupação exclusiva. Portanto, se por causa do Evangelho a lei humana não pode condenar o assassino a uma pena justa prescrita por Deus (não pela Maya, não pelo Julio, não pelo Lula), então por causa do mesmo Evangelho ela também não pode condenar estupros e pedofilia.

No que se refere ao Evangelho, amamos os pedófilos, assassinos, estupradores, etc. Nós os amamos porque Jesus os ama e quer salvá-los. Isso, porém, não significa que devamos ser contra as leis que condenam a pedofilia, assassinatos, estupros, etc.

Vinte anos atrás, a Anistia Internacional entrou em contato comigo pedindo meu apoio contra a lei de pena de morte no Texas, porque na década de 1980 eu fazia parte de uma equipe que ministrava, por correspondência, a presos do corredor da morte no Texas. Minha missão era ministrar a presos de fala hispânica. Todos eles haviam cometido assassinatos terríveis.

O Evangelho pode salvar tais criminosos? Claro que sim! Eu fazia o acompanhamento dos presos, falando do amor de Jesus, enviando literatura em espanhol, etc. Mas, quer eles se abrissem para Jesus ou não, minha opinião é que eles deveriam pagar sua dívida social.

SEGUNDA RESPOSTA DE JÚLIO SEVERO À MINHA SEGUNDA POSTAGEM:

A lei humana estava fazendo sua parte justa, condenando um assassino com a pena máxima. Minha parte era apenas levar o assassino a conhecer o amor de Jesus Cristo.

Existe uma separação entre lei e Evangelho. O Estado deve cumprir seu papel de castigar os que violam as leis justas. O papel do Evangelho não é destruir as leis justas nem punir criminosos, mas apenas cumprir outro tipo de papel: alcançar todos os pecadores com a mensagem de salvação.

O Evangelho deve ministrar graça, não castigo.

O Estado não é a igreja. Veja aqui o chamado do Estado:

“Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal.” (Romanos 13:4 ACF)

O papel que Deus deu ao Estado nada tem a ver com a educação, Maya. Quando o Estado aplica a pena capital para assassinos condenados, ele está apenas obedecendo ao que Deus ordenou a ele. Essa passagem se refere a crimes, não ao direito de os pais educarem seus filhos. O Estado deve ser integralmente respeitado quando obedece a Deus. Mas, quando o Estado extrapola suas obrigações de castigar os criminosos para castigar pais que exercem suas obrigações igualmente dadas por Deus, é dever dos pais continuarem obedecendo a Deus.

Paulo escreveu Romanos 13 muito tempo depois do ministério terreno de Jesus. Ele, que era radicalmente contra o legalismo dentro da igreja e entendia o Evangelho como poucos, entendia também que a função do Estado não é obrigar as pessoas a viver no Evangelho ou na graça. Seria uma maravilha se todos vivessem o Evangelho, não?

Repetindo as palavras de Paulo: “O Estado é ministro de Deus e não carrega em vão a espada”. “O Estado é ministro de Deus para castigar os que fazem o mal”.

Mal posso ouvir você sussurrando de Paulo: outro legalista! Na verdade, Paulo se reconhecia apenas como servo da vontade de Deus. Para ele, a opinião de Deus é mais importante do que a opinião pessoal dele. Eu penso da mesma forma.

MINHA TERCEIRA POSTAGEM, QUE JULIO SEVERO NÃO PUBLICOU (que, por conta do tamanho, foi enviada em duas partes):

Julio, o fato de você ter evangelizado assassinos ainda me deixa mais chocada, porque você fala como se tivesse algum tipo de misericórdia por eles – o que, dada a sua posição a favor da morte dessas pessoas, é impossível. Misericórdia tem Deus, que no lugar de punir essas pessoas com a morte eterna, o que seria, aí sim, justo, oferece-lhes perdão e possibilidade de vida eterna. A pena de morte é prescrita na sociedade do Velho Testamento. Quando Jesus veio, disse: “NOVO mandamento vos dou”. Ele queria dizer que dali em diante não era mais olho por olho, vida por vida. Era o amor, o tempo da graça, do perdão e da outra face oferecida. Mas, desculpe-me, parece-me que você não entendeu essa parte do Evangelho. O Evangelho diz que esse novo mandamento é para os que seguem o Cristo, é para pessoas. O Estado do qual você fala transforma-se em pessoas quando você quer denunciar quem está por trás das leis que fazem o Estado interferir na educação das crianças, por exemplo. Aí você não deixa o Estado abstrato. Porque, de fato, ele não é abstrato. Existem pessoas que o comandam e ele representa, em tese, a sociedade. E a sociedade é cada um de nós. Portanto, o Estado sem rosto não existe. No momento em que você diz que o “Estado” deve aplicar a pena de morte, você está dizendo que VOCÊ é favorável à pena de morte para aquelas pessoas – aquelas que você, inclusive, evangelizou. Se você é favorável à pena de morte para algumas pessoas, evidentemente você não as ama. Se você não as ama e deseja que elas morram, então você não entendeu o que disse Cristo. O Estado deve reeducar e, se isso não é possível, afastar essas pessoas do convívio social. Para que matá-las? É para educá-las? Para puni-las? Para que o “Estado” se vingue? Mas a vingança não pertence a Deus? A retribuição não pertence a Deus? O mesmo Estado que aplica apena de morte, nos EUA, que você diz estar representando Deus, autoriza a prática do aborto. Ele representa Deus em alguns momentos e em outros representa o diabo? É claro que esse Estado, em qualquer situação, não representa Deus. Nem para uma coisa, nem para outra. O Estado de Paulo era teocrático. O de hoje não é. Os sacerdotes judeus eram também as autoridades políticas. Hoje, o presidente não é o Papa nem o Billy Graham.

Todas as pessoas de quem você falou – assassinos, pedófilos e estupradores – são criminosas e devem ser afastadas do convívio social. Mesmo essas pessoas horríveis foram merecedoras da misericórdia de Deus. Mesmo você é merecedor da misericórdia de Deus. Mesmo eu sou merecedora – eu, que não mereço nada de Deus, a não ser a sua justiça, que é a morte como salário pelos meus pecados, recebi dele a misericórdia, porque em meu lugar ele puniu Jesus. Então, mesmo o pior criminoso também tem essa misericórdia, e eu não vou tirá-la dizendo que aquele criminoso deve morrer. Aquele criminoso tem a misericórdia não porque seja bom, mas porque o sacrifício de Jesus foi enorme, foi doloroso, foi o sacrifício do único justo que já houve sobre a Terra e isso paga o pior pecado, cobre o pior dos erros. A César o que é de César. A multa, ou o imposto, não dizem respeito à vida. Tirar a vida é um atributo unicamente de Deus. Sua justificativa pode também ser levada para outras situações. Se o “Estado” julga conveniente, pode praticar a eutanásia. Ou o aborto. Afinal, o Evangelho também nada diz sobre isso, não é? Mas para você o Estado deve legislar apenas sobre a pena de morte, como se o ser humano que morre ali fosse menos digno da misericórdia do que o que morre pela eutanásia praticada. Repito: a pena de morte foi anulada por Jesus. Não vale mais o olho por olho. Agora é “amai vossos inimigos”, porque A LEI FOI CUMPRIDA EM JESUS. ELE CUMPRIU A LEI, E, COMO JUSTO, MORREU PELO PECADOR, PORQUE NENHUM DE NÓS PODE FAZÊ-LO. Essa lei que você defende foi o Cristo quem anulou, e fez isso NA CRUZ. Você a revalida porque isso tem a ver com o que VOCÊ aprova, mas lei cumprida é lei revogada. Deus a revogou em Cristo, mas você a revalida. Você está indo contra Deus, e não percebe. É claro que o Estado pode e deve agir contra estupros e pedofilia. Deve afastar o criminoso do convívio social. Mas sua morte é determinada por Deus, somente. E eu devo dizer: não, Julio, você não ama “os pedófilos, assassinos, estupradores, etc.” Você não os ama, e não quer salvá-los. Você quer que eles morram. Esses criminosos, ao contrário do que você diz, não podem pagar a “divida social” com sua própria vida, porque Jesus somente poderia pagar essa dívida de sangue. É isso que você não consegue ou não quer entender.

23 de out. de 2010

dedução, maiakóvski.



Dedução

Não acabarão nunca com o amor,

nem as rusgas,

nem a distância.

Está provado,

pensado,

verificado.

Aqui levanto solene

minha estrofe de mil dedos

e faço o juramento:

Amo

firme,

fiel

e verdadeiramente.


Vladimir Maiakóvski






























3 de out. de 2010

Dia de votação: tudo azul!




Vim para São Luis (MA), a fim de votar. Estas fotos foram feitas hoje de manhã, no local de votação. Nesta logo acima, eu e minha mãe, de azul, e duas sobrinhas, parentes nossas. :) Votamos em José Serra, do PSDB (45). Vamos ter segundo turno e temos esperança de que o Brasil n ão se torne uma Venezuela, como tem acontecido. Um abraço a todos!

17 de set. de 2010

a formiga e a cigarra: atualizando a fábula!


A FORMIGA E A CIGARRA


Era uma vez uma formiga que trabalhava duro, de sol a sol, construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.

A cigarra viu aquilo e pensou:

- Que idiota!

E passava o tempo todo dando gargalhadas, cantando e dançando. Assim, passou todo o verão...

Ao chegar o inverno, enquanto a formiga estava aquecida e bem alimentada, a cigarra, que não tinha abrigo nem comida, morreu de fome.

MORAL DA HISTÓRIA:

Trabalhe duro! Seja previdente e responsável!


VERSÃO BRASILEIRA:

Era uma vez uma formiga que trabalhava duro, no sol escaldante de verão, construindo sua toca e acumulando suprimentos para o longo inverno que se aproximava.

A cigarra pensou:

- Que idiota!

E passou o verão dando gargalhadas, cantando e dançando como nunca.

Ao chegar o inverno, a cigarra, tremendo de frio, armou uma barraca de lona na entrada da toca da formiga, convocou toda a imprensa para uma entrevista e exigiu explicações!

- Por que é permitido à formiga ter uma toca aquecida e boa alimentação, enquanto as cigarras estão expostas ao frio e morrem de fome?

Todos da imprensa compareceram à entrevista: SBT, Band, Zero Hora, Jornal do Brasil, Correio Braziliense, Estadão, Rede Globo, CBN etc. Tiraram muitas fotos da cigarra trêmula de frio e com sinais de desnutrição! As imagens dramáticas na televisão mostraram uma cigarra em deplorável condição, sentada num banquinho, debaixo de uma barraca de plástico preto... E, mais adiante, mostraram a formiga, em sua toca confortável, com uma mesa farta e variada! O canalha do Datena apresentou um quadro de 15 minutos, mostrando a cigarra cambaleante!

O povo brasileiro fica perplexo e chocado com o contraste!

A BBC de Londres manda ao Brasil uma equipe para fazer uma reportagem especial a ser distribuída em rede para toda a Europa! A CBS, nos EUA, interrompe uma entrevista coletiva sobre as ações no Iraque, antes da entrega do Oscar, para mostrar como anda a cidadania das cigarras brasileiras... A notícia recebe o apoio imediato do PT, com a ressalva de que os recursos devem ser dirigidos ao programa Fome Zero, do Governo Lula... E cogita-se uma Emenda Constitucional para que se aumente os impostos para as formigas e ainda obriga as comunidades a promoverem a integração social das cigarras.

A formiga, multada por supostamente não entregar sua quota de folhas verdes ao Ministério das Folhas e não tendo como pagar todos os impostos e contribuições que foram apurados retroativamente, pede falência!

A Câmara Federal instala uma comissão de inquérito para investigar a falência fraudulenta de inúmeras formigas abastadas.

O Ministério das Folhas nomeia uma comissão de auditores fiscais, suspeitando que as formigas tenham desviado recursos do FF5 (Folhas Frescas nº 5, do Banco Central), lavando folhas!

A cigarra decide invadir a toca da formiga e lá acampa!

A formiga pede ajuda à polícia, mas essa informa que não dispõe de efetivo para atender ocorrências dessa natureza, e, que, também por orientação do Secretário de Segurança, deseja evitar confronto com os "Sem Tocas", não podendo atuar.

A formiga entra na justiça para obter a reintegração da toca, mas o pedido é negado! O juiz, invocando um novo ramo do direito, "o econômico", sentencia que a formiga não provou a produtividade da Toca!

O Ministério da Reforma Agrária desapropria a Toca da Formiga, por não cumprir sua função social, e a entrega à friorenta e desnutrida cigarra...

O Ministério da Justiça, examinando exemplares do jornal Última Hora, descobre que a cigarra fora presa no passado, por promover greves, assaltos e sequestros ("crimes políticos")... Assim, inclui a cigarra no grupo dos perseguidos políticos com direito a indenização federal e pensão vitalícia!

Agora, quando começa novamente o verão, as formigas trabalham e as cigarras cantam e dançam...

MORAL DA HISTÓRIA?

Você decide!
 
***
 
COLABORAÇÃO: Paula Costa

18 de ago. de 2010

carta ao presidente Lula




Carta ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por @marisascruz (via Twitter)

"COMO MILITANTES DO BRASIL DEMOCRÁTICO, QUE RESPEITA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, A ÉTICA E A TRANSPARÊNCIA, NÃO QUEREREMOS NOSSA BANDEIRA MANCHADA COM O VERMELHO DOS TIRANOS E DITADORES QUE MENTEM, MANIPULAM DADOS E TRANSGRIDEM AS LEIS COMO SE FOSSEM DONOS E SENHORES DA NAÇÃO."


Senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,

Como cidadãos brasileiros, exigimos que trate esta campanha presidencial como algo normal, onde se ganha e se perde.

Não utilize de meios ilícitos (uso da Polícia Federal nas eleições), ameaças, mentiras, falsas promessas para não permitir a alternância do poder, conforme suas palavras na Carta ao Povo Brasileiro, em 2002.

Saiba ter a dignidade que todos os presidentes do Brasil já tiveram. Entregue o país ao próximo governante,seja ele quem for, sem causar nenhum prejuízo à Nação.

Se quiser ser lembrado como o presidente que tirou 12 milhões de brasileiros da miséria, não suje sua história com atos espúrios para não deixar o Poder.

Se o senhor fez mais que o anterior foi porque recebeu um país com contas enxutas que lhe proporcionou dar continuidade no plano econômico. O senhor fez aquilo que cada um que se sentasse na Cadeira do Presidente e que ama o Brasil faria, tenha a certeza disso.

Permita que esta campanha e a eleição transcorram com lisura, transparência e honestidade. Seja um Homem decente, não suje sua imagem e não permita que seus assessores e a coordenação de campanha de sua candidata transformem esta eleição em um campo de batalha com consequências desastrosas para o povo brasileiro.

Assinado: BRASILEIROS DE VERDADE

FONTE: http://horaciocb.blogspot.com/

3 de ago. de 2010

os pastores das igrejas assembleias de Deus e as eleições de outubro 2010, por joão cruzoé

No dia 03 de outubro de 2010, serão realizadas eleições para todos os cargos políticos eletivos desta nação, exceto para prefeitos e vereadores. As principais matérias de cunho anticristão, tais como aborto, casamento gay, projeto de lei da homofobia, projeto de direitos autorais da internet e outras, estão estrategicamente escondidas nas gavetas do Congresso esperando o término dessas eleições para voltarem com toda força. No momento, os crentes, que sempre foram considerados o atraso da sociedade brasileira pela grande maioria dos políticos, estão sendo paparicados e adulados.

Creio que isso não é novidade para nenhum dos leitores.

Como também não é novidade a certeza de que muitos políticos descrentes têm de que é muito fácil comprar o voto dos evangélicos a partir de propostas indecentes para seus pastores. Eles sabem que a fé e a moral desses pastores são bem relativas -- com as raras e abençoadas exceções de sempre.

Pois bem, assim que os próximos deputados federais e senadores tomarem posse, em 2011, todos os assuntos antibíblicos engavetados e camuflados voltarão à pauta. E os crentes voltarão a ter o cheiro ruim de fundamentalismo e atraso que eles sempre disseram, depois de eleitos.

Se esses projetos contrários à Bíblia se converterem em Lei -- como já aconteceu na Argentina, no Chile e na Suécia, berço dos missionários que fundaram e organizaram a Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Brasil -- eu tenho algo muito grave a dizer. Se essas leis vieram a prejudicar a sociedade brasileira, é por culpa principalmente dos pastores da Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

Por que?

Porque seus templos recebem a visita de todos os candidatos com pretensão ao Congresso Nacional. Os homens que decidirão o destino das leis. Esses pastores sabem exatamente o que deve e o que não deve ser feito com os votos dos membros das suas Igrejas. E digo mais: que é muito difícil um aspirante ao Congresso Nacional, hoje, conquistar seu cargo sem votos de evangélicos.

Se, na próxima legislatura, as crianças e adolescentes de nossas Igrejas voltarem para casa com uma cartilha de homoafetividade na mão, impressa com autorização do MEC, como está acontecendo no Chile; se, no dia de amanhã, pastores forem obrigados a mudar a liturgia ministerial em suas Igrejas para se adequar à lei de homofobia, como aconteceu na Suécia; se, no dia de amanhã, quebraram as portas de templos evangélicos para celebrar casamentos e outros eventos para gays e lésbicas, eu vou culpar e responsabilizar principalmente os pastores da "minha" Igreja -- a Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

Vou culpar por não conscientizarem seus membros, porque eu não me atreveria a pensar que os culparia por negociar os votos potenciais de suas Igrejas em favor de ímpios por dinheiro ou vantagens inescrupulosas. Ou por empregos para parentes, terrenos para templos ou cinco milheiros de blocos.

Senhores pastores, o voto evangélico representa, no mínimo, 25% dos eleitores desta nação. Não costumamos votar com base em vida religiosa dos candidatos, mas por sua potencial competência. Mas, de agora em diante, os candidatos comprometidos com causas inimigas da Igreja, ainda que vierem vestidos de branco e trazendo auréola de santos, não merecem o nosso voto. Não devem receber um voto que seja de um cristão que tenha temor de Deus.

E, por falar em temor de Deus, antes de votar em outubro pergunte para seu travesseiro: o deputado federal e os dois senadores em que estiver pensando em votar vão respeitar os interesses cristãos diante de um projeto que venha a prejudicar a Igreja? Se tiver dúvidas, não vote neles.

E, se seu pastor estiver fazendo campanha ostensiva ou disfarçada na Igreja em favor de candidatos que só aparecem na Igreja no período eleitoral, reúna alguns irmãos e peçam explicações a ele. Não seja omisso, pois no dia em que seu filho ou neto voltar para casa com uma cartilha gay ou sua Igreja for obrigada a realizar casamentos gays, ou for proibido ler a Bíblia inteira no púlpito, a culpa vai ser do seu pastor e também sua, porque não fez nada, a não ser criticar.

Isto é muito duro, mas é melhor dizer agora -- antes das eleições.

***

Texto de João Cruzué, autor do Blog Olhar Cristão: http://olharcristao.blogspot.com/

Gravura: "O Beijo" - desconheço o autor.

Revisão: Maya

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