Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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5 de fev de 2014

woody allen: a arte não está acima da vida.

Um assunto que causou discussões (e ainda vai causar mais, nos próximos dias) neste domingo, 2 de fevereiro, é a carta na qual Dylan Farrow, filha adotiva de Mia Farrow e Woody Allen, acusa seu pai adotivo de ter abusado sexualmente dela. Por conta disso, Dylan teve inúmeros problemas de ordem psicológica, que afetaram também seu estado de saúde física. O que me chamou a atenção neste episódio foram as reações dos internautas nas redes sociais. Segue, primeiro, um link para uma reportagem sobre o tema:
Agora, o link para a íntegra da carta traduzida:
Antes de mais nada, preciso informar que o cineasta declarou ser inocente e disse que em breve responderá em público às acusações. Mais um capítulo aguardado. O que diz Woody Allen:
Particularmente, creio que Dylan diz a verdade. É claro que ela pode ter inventado tudo isso. Mas penso que há evidências em seu discurso e nas situações que ocorreram simultaneamente ao abuso – e também depois dele – que podem apontar a culpa de Allen.
Aqui e ali vi, no Twitter, no Facebook, em sites de revistas e de jornais, que muita gente está defendendo o cineasta porque ele é talentoso e influente, não porque as evidências indicam que a filha dele provavelmente diz a verdade. O fato de que ele mesmo mantinha um romance com outra filha adotiva ainda estando casado e convivendo com a esposa e os demais filhos é uma evidência. Na época, Allen se separou de Mia Farrow para assumir esse relacionamento. Sua filha adotiva tinha, então 19 anos, e ele, mais de 50. Além disso, o filho dele também o critica duramente. Todos estão errados, então, e Allen diz a verdade? Essas são evidências, indícios de vericondicionalidade no discurso de Dylan Farrow.
Parece-me que W. Allen sempre negará ter abusado sexualmente de sua própria filha quando ela tinha sete anos. E me parece também certo que Dylan não voltará atrás em suas acusações. Se não podemos julgar nem condenar sem provas – sendo a palavra dela contra a dele – também não podemos inocentá-lo. Talvez jamais haja “provas” para o abuso relatado. Mas há pistas, evidências nos discursos, nas situações, nas reações não só da menina – hoje mulher – abusada como dos outros membros da família, e isso deve ser levado em consideração. Repito: creio que Dylan Farrow diz a verdade. O que desenvolvo a seguir baseia-se nessa premissa.
Os libertários e esquerdistas que vi se manifestando na internet preferem relativizar tudo: é impossível assumir uma posição (e aí já há uma “posição”, evidentemente). Afinal, ninguém de fato sabe; com sete anos há muitas ilusões, ideias, imagens decorrentes de autossugestão, de uma mente fértil etc.; Woody Allen é Woody Allen e mais umas tantas asneiras. Dizem isso como se defender o Woody Allen pai fosse necessário para endossar o Woody Allen artista, o que é importante para o pensamento esquerdista, ainda que Woody Allen pai e artista sejam O MESMO SER HUMANO.
Woody Allen é um grande diretor de cinema, era o meu preferido, mas a partir de hoje não vejo mais seus filmes, decidi. E o farei não por desconhecer sua competência como artista, mas por não concordar com o que ele, como ser humano, é. Eu também não compraria um quadro de Adolf Hitler (mesmo se ele tivesse sido um bom pintor). Eu não vi o filme O Pianista, de Roman Polanski, que é um estuprador pedófilo. Eu me recuso. Não vi Melancholia, quando estava morando em Paris, em 2011, no auge da crise que Lars Von Trier provocou no Festival de Cannes ao declarar que “entendia e simpatizava” com Hitler. E decidi também não ver Ninfomaníaca. Não vou ver não porque o filme tem cenas de sexo. Aliás, estava até curiosa para saber se era bom – e muita gente tem dito que é ótimo, pois o que importa no filme não é o sexo, mas o que se fala sobre ele. Mas eu decidi não ver Ninfomaníaca porque sei que a ARTE não é um valor absoluto, mas A VIDA é.
A VIDA ESTÁ ACIMA da arte. Como dizia aquele rapaz latino americano, “qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa…”. Para Lars Von Trier, um sujeito que provocou a morte de mais de 50 milhões de pessoas é um cara “simpático”. É em coisas assim que a “esquerda caviar” mostra sua natureza fútil. Aliás, recomendo (illico) a quem me lê agora o livro de Rodrigo Constantino. A esquerda erra e sempre errou: ama a humanidade como ideia abstrata, mas se lixa para o ser humano real. Exalta a arte, a cultura e a ciência como valores absolutos e que se dane o ser de carne e osso. Adora os valores da revolução cubana mas não se preocupa com os cubanos de verdade, que estão sofrendo em decorrência não do “ideal da revolução”, mas da revolução que de fato ocorreu. Eu ainda me lembro de um “artista” latino americano que deixou um pobre cão morrer de fome e de sede em uma “instalação”, há alguns anos. O escritor maranhense Ferreira Gullar escreveu um excelente artigo sobre isso:
Houve quem defendesse o “artista”. AFINAL, a arte justifica tudo. A ARTE justifica Chico Buarque elogiando ditadura cubana assassina, a arte justifica Woody Allen pedófilo, a arte justifica Lars Von Trier elogiando Hitler, a arte justifica Roman Polanski drogando e estuprando uma menina de 13 anos. Tudo e qualquer coisa. Sim, um artista pode errar (e é certo que todos erram, humanos que são). Sim, os erros de muitos artistas não maculam suas obras. Mas aí vejo proporções, vejo escalas, vejo limites. E eu tenho os meus limites. Não é que artista bom seja aquele que não estaciona em vaga especial nem fure a fila do banco. Mas estou dizendo que há um limite, então para mim a pedofilia é um limite. Ponto.
Maya Felix
São Luis, 2 fev 2014



*texto originalmente publicado no portal Gospel Prime.

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