Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

FAÇA COMO EU: VISITE O BLOG DELES, E SIGA-OS TAMBÉM! :)

23 de fev. de 2013

Yoani Sánchez também luta por nós


"Quando Yoani Sánchez chama a atenção para o fato de que em Cuba não há liberdade de opinião, ela também está falando por nós, cristãos. Sem a autorização do Governo cubano, igrejas não podem funcionar. Se alguma desagrada o Governo, por qualquer motivo, pode ser fechada sem aviso. A luta pela liberdade em Cuba tem muito a ver conosco. São nossos irmãos, lá, que estão constantemente ameaçados. É o corpo de Cristo em Cuba que não pode evangelizar, nem se reunir, nem festejar suas datas sagradas." 

Leia o texto integral! Aqui: meu artigo no Blog da União de Blogueiros Evangélicos!

18 de fev. de 2013

Nos seus braços



Só os tolos acreditam que o relacionamento com Deus é sem graça. Alguns imaginam o céu como um lugar tedioso. Não sei como é o céu. Mas desde que conheci o amor de Deus, por meio de Jesus, vivo dias incríveis. Nunca, nem antes nem depois, estive em um relacionamento tão intenso e vivo. Quando me converti, tinha 21 anos, e meu sentimento era de perplexidade diante da novidade de sentir em mim uma força viva, ainda que invisível. Dessa força vinha paz, entusiasmo, alegria, amor. A cada dia, Deus se mostrava de modo diferente – e, no entanto, pacificamente constante. Meus sentimentos eram também confusos, tinha medo de abrir mão de prazeres, rotinas, hábitos nos quais não via mal, ainda que soubesse serem errados. Tinha medo de deixar de ser “eu mesma”, de me tornar triste, um ser de pensamento embotado e cinza. Via cristãos de todos os matizes: conformados, cínicos, aguerridos, amorosos, misericordiosos, julgadores, acusadores... Não sabia direito em que padrão de comportamento eu me encaixaria. Não achava que as pessoas da igreja eram melhores que muitas “do mundo” que eu já havia conhecido. A única coisa que eu sabia é que esse Deus era bom, era muito bom, e com Ele eu me sentia livre para chorar, para falar, para pedir, para reclamar. Pela primeira vez na minha vida, eu tinha alguém em quem eu podia confiar completamente. Eu sabia que não era digna de nada, e ainda assim eu pedia. O mais interessante é que Ele ouvia, e assim eu via, com frequência, pedidos feitos em oração se tornarem realidade. Era incrível. Lia a Bíblia e aquelas afirmações, ideias e conceitos pareciam saltar do papel para a minha vida. Nunca achei a leitura da Bíblia chata. Achava desafiador entender textos mais herméticos. Achava incrível que aquelas palavras, escritas há tantos séculos, pudessem se tornar verdade na minha vida. Eu, uma entre mais de seis bilhões.

Mas as coisas mudavam. O ano seguinte à minha conversão e ao meu batismo foi mais intenso. Comecei a ver mudanças em minhas escolhas, concepções, certezas. Comecei a entender os mil quinhentos e doze porquês antes inexplicáveis em relação à prática religiosa. A vida mudava, eu mudava, meu relacionamento com Deus mudava: tornava-se mais intenso, mais estreito. Anos depois de minha conversão, olhava tudo o que Ele havia feito em mim e não acreditava. Era muita coisa. Então olhava para mim e via o quanto havia a ser feito. E quanto mais Deus fazia, mais eu via o quanto precisava que Ele fizesse, sempre, coisas novas em mim. Percebi então que a vida com Deus assemelha-se mais a um rio que a uma lagoa. A relação com Deus é dinâmica, é cheia de movimento. Nunca é tediosa. Nunca é monótona. A Bíblia que eu relia adquiria sentidos diferentes. Capítulos que sabia praticamente de cor subitamente ganhavam uma dimensão completamente inusitada. Sempre foi incrível.

Deus acompanhou fases diferentes, idades diferentes, humores, estados de alma e de conhecimento vários. Como um construtor paciente, compreendeu fraquezas, falhas, erros. Consertou muita coisa, e só não fez tudo de uma vez, quando o conheci, porque eu teria tido um ataque de nervos instantâneo. Deus sabe o que posso suportar, e age respeitando meu ritmo e meu passo. Achava que Deus um dia ia perder a paciência comigo, cansar-se de me perdoar, pedir “um tempo” no nosso relacionamento... Achava que Deus ia me deixar, que Ele ia me abandonar ou me rejeitar em algum momento. Para minha grata e completa surpresa, Deus  sempre estava comigo, bem perto, ao lado, em volta, aqui. Isso era absurdamente maravilhoso, para mim. Deus era diferente de todo e qualquer ser humano que eu já havia conhecido. A cada constatação de que Ele estava lá, estava comigo, enfrentando todas as dificuldades do meu lado, eu ficava mais e mais grata, eu o amava com mais intensidade. Não só Ele me moldava como essa nova forma que eu adquiria me tornava capaz de amá-lo mais e mais, apaixonadamente.

Há 20 anos tenho vivido esse amor com Deus. Tenho descoberto mais a seu respeito, e tenho aprendido que Ele é de fato perfeito. Não há defeitos, não há oscilações, não há medo. Deus é nobre por inteiro. Ele se tornou, para mim, mais real que minha mão, que os meus pés. Mais real que meu nariz. Não preciso fingir ser quem eu não sou para me mostrar piedosa, caridosa ou melhor do que de fato sou. Deus me conhece. Sabe como sou. Sabe exatamente o que penso e sinto. E não me aponta o dedo na hora do erro. Instrui, acolhe, ensina. Perdoa, edifica, trata. Cura. Ama. Jamais abandona, jamais desiste, jamais esmorece. É apaixonado, cuidadoso, cheio de zelo. E imaginem, faz só 20 anos que vivo essa história de amor. Fico pensando nos próximos 20 anos. Na eternidade. 

Políticos evangélicos: o paradoxo. No Blog da UBE.

Meu quarto artigo publicado no Blog da UBE intitula-se "Políticos evangélicos: o paradoxo". 

Trecho: "Marina Silva e Magno Malta são apenas dois exemplos, conhecidos, de políticos evangélicos que, no jargão popular, acendem uma vela para Deus e outra para o diabo: enquanto tomam atitudes louváveis e defendem causas justas, omitem-se diante de temas polêmicos ou assumem posturas antibíblicas. Poderia citar outros homens e mulheres públicos de relevância que, em momentos de sua trajetória, contradisseram, com seus atos ou sua omissão, sua profissão de fé."

Quer ler tudo? Acesse pelo link http://www.ubeblogs.net/2013/02/politicos-evangelicos-o-paradoxo.html?spref=fb

12 de fev. de 2013

Foi publicado, ontem, meu terceiro artigo no Blog da União de Blogueiros Evangélicos! :) O título é Aborto e adoção. Clique no link, leia, comente...  

http://www.ubeblogs.net/2013/02/aborto-e-adocao.html

"A defesa da vida não se resume à luta antiaborto. Sem dúvida, começa por ela. Mas continua quando a criança nasce, pois vida não se resume a gestação e nascimento. Uma criança precisa de uma família, de estabilidade, de amor. Não temos, meus irmãos, o que oferecer?"

26 de jan. de 2013

Olá, eu voltei!

Prezados Leitores,

Olá! Peço que me desculpem pelo frio e longo inverno, mas às vezes precisamos escolher entre determinadas atividades, e o Blog ficou, todos esses meses, em stand by. 


Gostaria de direcioná-los para a leitura de um artigo que escrevi no blog da UBE (União de Blogueiros Evangélicos). É o primeiro de muitos, assim eu espero! Minha irmã Wilma Rejane me convidou, em nome dos dirigentes da UBE, a escrever uma coluna sobre política, e lá estou eu! O link: http://www.ubeblogs.net/2013/01/politica-e-cristianismo-e-ai.html?spref=fb

Espero que vocês gostem deste primeiro artigo. Espero comentários, críticas, sugestões...

Até a próxima (bem próxima)!

Beijos,

Maya


15 de ago. de 2012

VetHelp, a pior Clínica Veterinária de Niterói, RJ. Fuja dela.


Este é um alerta aos moradores de Icaraí, em Niterói. Faço isso porque estou sentindo na pele (literalmente) o que é ser vítima de uma clínica veterinária onde a higiene e os cuidados mais básicos com regras sanitárias são desprezados. Ah, é claro: a coisa não seria assim tão feia se o veterinário responsável fosse um profissional ético. Mas, se fosse ético, investiria em higienização adequada de seu estabelecimento, não? Vamos pelo começo.


No mês de maio de 2012, conheci a Clínica VetHelp, em Niterói (Av. Roberto Silveira, 196, ao lado do Campo de São Bento). Passando pela calçada, vi que eles tinham o serviço de banho, e resolvi levar a Naná para tomar um banho lá. Acompanhei o primeiro banho pessoalmente. Depois disso, resolvi vacinar minha gatinha Naná ali (vacinas anuais). Por sugestão do veterinário, paguei uma limpeza completa nos dentes da Naná, o que inclui sedação completa do animal. Depois disso, Naná começou a ter problemas de saúde. Nesse meio tempo, no final de junho, resolvi adotar um gatinho que estava ali, à espera de uma família. Paguei a vacinação dele, é claro. Logo depois disso, Naná, que está comigo há 13 anos, começou a ter problemas respiratórios e cardíacos, e precisei deixar o gatinho adotado na VetHelp por alguns dias. O veterinário que acompanhou todo o tratamento da Naná foi o Gláuber Leal Martins, CRMV-RJ 9658, dono da VetHelp.

Pois bem. Certo dia, depois que Naná melhorou, fui buscar o gatinho que havia adotado – já no final de julho. Trouxe-o de volta para casa. Nos três primeiros dias de sua volta, percebi que ele se coçava muito, mas quando Naná começou também a se coçar, por volta do quarto dia, resolvi verificar o que era: o gato estava infestado de pulgas. Naná estava cheia de pulgas, também. Minha casa estava cheia de pulgas. Imediatamente, cerca de quatro dias após constatar que ele havia voltado da VetHelp cheio de pulgas, levei-o de volta para a Clínica. Fiquei indignada. A VetHelp acolhe animais de rua. E faz isso sem nenhum controle. Os animais ficam lá, entulhados, entre urina e fezes, cheios de pulgas (e sabe Deus mais o quê). Eu me espanto que a Vigilância Sanitária ainda não tenha fechado aquele lugar.

Depois de cerca de duas semanas (precisei me acalmar, tamanha a indignação) após ter devolvido o gato, fui falar com o veterinário, Gláuber  Leal Martins (chamar esse ser antiético de “doutor” é impensável). Levei a ele as notas fiscais do Frontline (remédio caríssimo para pulgas e carrapatos), que eu havia usado na Naná, além da nota do banho que ela havia tomado (em outra clínica, é claro) e do inseticida que eu estava tendo que borrifar em toda a minha casa. O que ele me disse? Preparem-se. O veterinário me disse que ele não ia ajudar a custear nada, e que eu não tinha como “provar” (isso mesmo!) que o gato tinha pego as pulgas ali. Eu disse a ele que se fosse naquele momento examinar  os locais onde estavam os animais, acharia pulgas. Ele disse (pasmem de novo) que provavelmente sim, eu acharia muitas pulgas naquele lugar, mas isso não provava que o gato que eu tinha adotado ali havia sido contaminado com pulgas... exatamente ali! Mais: disse-me que se eu tivesse constatado que o gato tinha pulgas cerca de meia hora depois de sua chegada em minha casa, ele ajudaria a custear tudo o que eu estava gastando, mas três dias depois era muito tempo. Expliquei a ele que o gato tinha saído de sua clínica e ido diretamente para minha casa, sem parar em nenhum lugar. Disse a ele que há 13 anos tinha a Naná, e que ela jamais tinha tido pulgas. Expliquei que ele sabia que as pulgas vinham dali. Que nada! O veterinário, me perguntou, cinicamente, se eu não era grata por eles terem “hospedado” o gato durante o tratamento com a Naná. Obviamente, sua lógica era a das compensações: o gato pegou as pulgas aqui, mas, em compensação... Disse a ele que alertaria seus possíveis cliente por meio de redes sociais e internet, e que denunciaria aquele pulgueiro à Vigilância Sanitária. Ele me disse que eu não poderia provar que o gato tinha sido infestado de pulgas em sua clínica (sabem aquele discurso pronto de quem já está acostumado a lidar com a Justiça por conta de problemas profissionais...? Pois é.): quem sabe, disse ele, uma pulga não tenha pulado para minha calça jeans, da calçada, e, de lá, infestado minha casa interira? Alguém consegue imaginar tamanho cinismo?

Quero, antes de tudo, então, fazer um alerta: não passem nem na calçada da VetHelp, clínica veterinária de Niterói-RJ. O veterinário Gláuber Leal Martins, CRMV-RJ 9658, parece que está se lixando para seus clientes. Sua clínica está infestada de pulgas, e ele nega qualquer responsabilidade nisso. Animais doentes chegam ali e se misturam aos saudáveis sem controle. Cuidado com seu bichinho. A VetHelp investe pouco ou quase nada na higiene e nas regras de saúde. Isso quer dizer que o barato pode sair caro. Até hoje há pulgas na minha casa. Como o piso aqui é de taco de madeira, torna-se mais difícil erradicá-las. Já passei Frontline na Naná duas vezes. Ela já tomou um banho, e semana que vem tomará outro. Eu mesma estou me coçando frequentemente, e de vez em quando consigo identificar pulgas em lugares diferentes da casa.

Eu realmente espero que ninguém mais passe pelo pesadelo que estou passando. Além de ter sido prejudicada, tive que enfrentar o cinismo e a indiferença do veterinário que se fez de boa praça até poder mostrar as garras e os dentes afiados. Sabem o que ele ainda teve o descaramento de me cobrar o “abandono” do gatinho doente e infestado de pulgas em sua Clínica? E sabem o que ainda teve a coragem de fazer? Arrumar outro besta para adotar o pobre animal. Glauber Leal Martins, CRMV-RJ 9658, é um dos profissionais mais antiéticos e despreparados que já conheci. E olha que há muito tempo tenho bichinhos de estimação. Errou no diagnóstico da Naná. Pediu-me inúmeros exames caríssimos e inúteis. Chegou a diagnosticar câncer! E hoje Naná está ótima, vendendo saúde. Gastei o que tinha e o que não tinha na VetHelp, e saí no prejuízo. Tive que ouvir algumas das palavras mais desprovidas de ética e bom senso de toda a minha vida. E gente como ele continua levando vantagem no Brasil. Gente como ele continua trabalhando, infestando a vida pública, os consultórios, as clínicas, as empresas e, principalmente, a política brasileira – como as pulgas que vieram de sua Clínica para a minha casa. Ficou como lição. Pareceu-me lindo que um veterinário fosse tão gente boa, não cobrasse a internação da Naná nem a hospedagem do gatinho adotado quando Naná adoeceu. O preço disso tudo? Muito alto. A VetHelp é um lugar contaminado, está cheio de pulgas e sabe Deus se também não há ali carrapatos e tutti quanti. Queria muito que meu alerta chegasse a cada dono de bichinho de Niterói, para que ninguém pagasse o preço que estou pagando.

6 de mar. de 2012

amar é ser vulnerável


“To love at all is to be vulnerable. Love anything and your heart will be wrung and possibly broken. If you want to make sure of keeping it intact you must give it to no one, not even an animal. Wrap it carefully round with hobbies and litt...le luxuries; avoid all entanglements. Lock it up safe in the casket or coffin of your selfishness. But in that casket, safe, dark, motionless, airless, it will change. It will not be broken; it will become unbreakable, impenetrable, irredeemable. To love is to be vulnerable.” C.S. Lewis
 
"Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar -- ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai se tornar indestrutível, impenetrável, irredimível. Amar é ser vulneravel." [C. S. Lewis, em Os Quatro Amores]

1 de ago. de 2011

Tentação totalitária, por Luis Felipe Pondé



Você se considera uma pessoa totalitária? Claro que não, imagino. Você deve ser uma pessoa legal, somos todos.

Às vezes, me emociono e choro diante de minhas boas intenções e me pergunto: como pode existir o mal no mundo? Fossem todos iguais a mim, o mundo seria tão bom... (risadas).

Totalitários são aqueles skinheads que batem em negros, nordestinos e gays.

Mas a verdade é que ser totalitário é mais complexo do que ser uma caricatura ridícula de nazista na periferia de São Paulo.

A essência do totalitarismo não é apenas governos fortes no estilo do fascismo e comunismo clássicos do século 20.

Chama minha atenção um dado essencial do totalitarismo, quase sempre esquecido, e que também era presente nos totalitarismos do século 20.

Você, amante profundo do bem, sabe qual é? Calma, chegaremos lá.

Você se lembra de um filme chamado "Um Homem Bom", com Viggo Mortensen, no qual ele é um cara legal, um professor universitário não simpatizante do nazismo (o filme se passa na Alemanha nazista), e que acaba sendo "usado" pelo partido?

Pois bem. Neste filme, há uma cena maravilhosa, entre outras. Uma cena num parque lindo, verde, cheio de árvores (a propósito, os nazistas eram sabidamente amantes da natureza e dos animais), famílias brincando, casais se amando, cachorros correndo, até parece o Ibirapuera de domingo.

Aliás, este é um dos melhores filmes sobre como o nazismo se implantou em sua casa, às vezes, sem você perceber e, às vezes, até achando legal porque graças a ele (o partido) você arrumaria um melhor emprego e mais estabilidade na vida.

Fosse hoje em dia, quem sabe, um desses consultores por aí diria, "para ter uma melhor qualidade de vida".

E aí, a jovem esposa do professor legal (ele acabara de trocar sua esposa de 40 anos por uma de 25 - é, eu sei, banal como a morte) o puxa pelo braço querendo levá-lo para o comício do partido que ia rolar naquele domingão no parque onde as famílias iam em busca de uma melhor qualidade de vida.

Mas ele não tem nenhuma vontade de ir para o comício porque sente um certo "mal-estar" com aquilo tudo. Mas ela, bonita, gostosa, loira, jovem e apaixonada (não se iluda, um par de pernas e uma boca vermelha são mais fortes do que qualquer "visão política de mundo"), diz: "Meu amor, tanta gente junta querendo o bem não pode ser tão mau assim".

É, meu caro amante do bem, esta frase é uma das melhores definições do processo, às vezes invisível, que leva uma pessoa a ser totalitária sem saber: "Quero apenas o bem de todos".

Aí está a característica do totalitarismo que sempre nos escapa, porque ficamos presos nas caricaturas dos skinheads: aquelas pessoas, sim, se emocionavam e choravam diante de tanta boa vontade, diante de tanta emoção coletiva e determinação para o bem.

Esquecemos que naqueles comícios, as pessoas estavam ali "para o bem".

Se você tem absoluta certeza que "você é do bem", cuidado, um dia você pode chorar num comício achando que aquilo tudo é lindo e em nome de um futuro melhor.

E se essa certeza vier acompanhada de alguma "verdade cientifica" (como foi comum nos totalitarismos históricos) associada a educadores que querem "fazer seres humanos melhores" (como foi comum nos totalitarismos históricos) e, finalmente, se tiver a ambição política, aí, então, já era.

Toda vez que alguém quiser fazer um ser humano melhor, associando ciência (o ideal da verdade), educação (o ideal de homem) e política (o ideal de mundo), estamos diante da essência do totalitarismo.

O que move uma personalidade totalitária é a certeza de que ela está fazendo o "bem para todos", não é a vontade de destruir grupos diferentes do dela.

Primeiro vem a certeza de si mesmo como agente do "bem total", depois você vira autoritário em nome desse bem total.

O melhor antídoto para a tentação do totalitarismo não é a certeza de um "outro bem", mas a dúvida acerca do que é o bem, aquilo que desde Aristóteles chamamos de prudência, a maior de todas as virtudes políticas.

Não confio em ninguém que queira criar um homem melhor.

***

Luiz Felipe Pondé, especial para a Folha.

Marcadores

Comportamento (719) Mídia (678) Web (660) Imagem (642) Brasil (610) Política (501) Reflexão (465) Fotografia (414) Definições (366) Ninguém Merece (362) Polêmica (346) Humor (343) link (324) Literatura (289) Cristianismo (283) Maya (283) Sublime (281) Internacional (276) Blog (253) Religião (214) Estupidez (213) Português (213) Sociedade (197) Arte (196) La vérité est ailleurs (191) Mundo Gospel (181) Pseudodemocracia (177) Língua (176) Imbecilidade (175) Artigo (172) Cotidiano (165) Educação (159) Universidade (157) Opinião (154) Poesia (146) Vídeo (144) Crime (136) Maranhão (124) Livro (123) Vida (121) Ideologia (117) Serviço (117) Ex-piritual (114) Cultura (108) Confessionário (104) Capitalismo (103) (in)Utilidade pública (101) Frases (100) Música (96) História (93) Crianças (88) Amor (84) Lingüística (82) Nojento (82) Justiça (80) Mulher (77) Blábláblá (73) Contentamento (73) Ciência (72) Memória (71) Francês (68) Terça parte (68) Izquerda (66) Eventos (63) Inglês (61) Reportagem (55) Prosa (54) Calendário (51) Geléia Geral (51) Idéias (51) Letras (51) Palavra (50) Leitura (49) Lugares (46) Orkut (46) BsB (44) Pessoas (43) Filosofia (42) Amizade (37) Aula (37) Homens (36) Ecologia (35) Espanhol (35) Cinema (33) Quarta internacional (32) Mudernidade (31) Gospel (30) Semiótica e Semiologia (30) Uema (30) Censura (29) Dies Dominicus (27) Miséria (27) Metalinguagem (26) TV (26) Quadrinhos (25) Sexo (25) Silêncio (24) Tradução (24) Cesta Santa (23) Gente (22) Saúde (22) Viagens (22) Nossa Linda Juventude (21) Saudade (21) Psicologia (18) Superação (18) Palestra (17) Crônica (16) Gracinha (15) Bizarro (14) Casamento (14) Psicanálise (13) Santa Casa de Misericórdia Franciscana (13) Carta (12) Italiano (12) Micos (12) Socialismo (11) Comunismo (10) Maternidade (10) Lêndias da Internet (9) Mimesis (9) Receita (9) Q.I. (8) Retrô (8) Teatro (7) Dããã... (6) Flamengo (6) Internacional Memória (6) Alemão (5) Latim (5) Líbano (5) Tecnologia (5) Caninos (4) Chocolate (4) Eqüinos (3) Reaça (3) Solidão (3) TPM (2) Pregui (1)