Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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4 de fev. de 2008

Alcântara


Alcântara
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Alcântara, Maranhão.

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Saudade da penitência

Qualquer que seja o futuro do cristianismo, e por várias razões, vai ser necessário abrir espaço para a penitência. Não a penitência da auto-mutilação, mas a do espírito. “Arrepender-se” tornou-se palavra que não significa nem “reformar a conduta” (mais perto do sentido grego original) nem o mais fraquinho e popular “sentir-se mal” – porque, os novos profetas esclarecerão rapidamente, cristão nenhum pode sentir-se mal. Se você está contrito, eles vão tentar fazer você sorrir. “O importante é ser feliz”, esclareceu um cristão experimentado nessas questões.

São Brabo, que dizia que “o importante é fazer a coisa certa”, discordaria indignadamente.

Na liturgia cristã contemporânea só há espaço, naturalmente, para o louvor. Há cantos e danças, mas se você quiser encontrar espaço para a contrição vai ter de fazê-lo sozinho. Pensando bem, talvez tenha sido sempre assim. Já Jesus salientou que no seu tempo a voz alta que se ouvia no Templo era a do fariseu celebrando de coração “porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros”. A penitente contrição do corrupto cobrador de impostos, batendo no peito de longe e sem levantar os olhos, se alguém ouvia era Deus.

Texto de Paulo Brabo, publicado no site A Bacia das Almas em 17/12/2004.

Alcântara


Alcântara
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Um lugar lindo...

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A mudança de comportamento homossexual não é impossível nem fácil


De acordo com um bom número de psicólogos e psiquiatras, "uma vez homossexual, se torna praticamente impossível a mudança de orientação e a simples tentativa geraria no indivíduo depressão, ansiedade e outros traumas psicológicos" (www.cristianitytoday.com).

A palavra "impossível" está errada. No lugar dela deveríamos escrever "difícil". Primeiro, porque há inúmeros casos verdadeiros de mudanças, desde os tempos apostólicos até hoje. Segundo, porque uma afirmação dessa reduz tanto a graça como o poder de Deus, que são ilimitados.

O argumento mais convincente que vem de encontro a essa mencionada impossibilidade é a notícia de que alguns coríntios deixaram de ser homossexuais passivos e homossexuais ativos quando aceitaram o evangelho pregado por Paulo, por ocasião de sua segunda grande viagem missionária (1Co 6.9-11), por volta do ano 50 da era cristã.
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Ora, esse fato se reveste de grande importância se levarmos em consideração que Corinto era uma cidade famosa por sua prostituição. Os gregos chegaram a cunhar o termo corinthiazesthai ("corintianizar"), que quer dizer "viver uma vida coríntia", para descrever a imoralidade daquela metrópole de 500 mil habitantes.

O motivo pelo qual Paulo confiava plenamente no evangelho é porque ele "é uma força divina da salvação" (Rm 1.16, BP). Graças a essa "dinamite" de Deus, não só os ex-homossexuais de Corinto experimentaram uma notável transformação, mas também o próprio Paulo e muitos outros. Há uma série de "antes e agora" no Novo Testamento:

"Aquele que antes nos perseguia [uma referência a Paulo], agora está anunciando a fé que procurava destruir" (Gl 1.23)

Pedro e André, Tiago e João eram pescadores de peixes antes e "pescadores de homens" agora.

João era "filho do trovão" antes e o apóstolo do amor agora.

Zaqueu era desonesto e sovina antes e honesto e caridoso agora.

Pedro era covarde demais antes e corajoso demais agora.

Tomé era incrédulo antes e crente agora.

O escravo Onésimo era o "útil" inútil antes e o "útil" verdadeiramente útil agora.

Entre o antes e o agora há uma saída, uma libertação, uma reviravolta, uma experiência marcante, que a Bíblia chama de novo nascimento ou conversão, algo sobrenatural operado pela graça de Deus, por meio de Jesus Cristo e pela operação do Espírito Santo.

Os homossexuais insatisfeitos com a sua conduta e acossados pela consciência ainda não diluída precisam ter esperança e reler: "Quam está unido em Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho e já chegou o que é novo" (2Co 5.17, NTLH).

Se algum leitor precisar de ajuda e encorajamento:
  • GA - Grupo de Amigos no Rio de Janeiro (21 2625-1991) ou São Paulo (11 73583389), ou escreva para a Caixa Postal 99.315 - 28260-970 - Nova Friburgo, RJ.

  • ABRACEH - Associação de Apoio ao ser Humano e à Família. Caixa Postal 106.075 - 24230-970 - Niterói, RJ. E-mail: info@abraceh.org.br ou abraceh@urbi.com.br

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Texto publicado na revista

Ultimato nº 310, janeiro-fevereiro/2008, p. 30. A revista Ultimato não é vendida em bancas de jornal. Ela só é comprada mediante assinatura. Para maiores informações, acesse o site.

3 de fev. de 2008

Homossexualismo e Homossexualidade


Ultimato procurava um texto sério sobre a questão da homossexualidade, escrito por uma autoridade no assunto, e encontrou o verbete "Homossexualismo e Homossexualidade" no Baker's Dictionary of Christian Ethics, publicado em 1973 pelo conhecido editor Carl F. Henry, em Grand Rapids, nos Estados Unidos. O autor do verbete é o psiquiatra Armand M. Nicholi, durante muito tempo professor da Escola de Medicina de Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, e consultor de Grupos do Governo e atletas profissionais. Nicholi é autor da obra-prima Deus em Questão - C. S. Lewis e Freud debatem Deus, amor, sexo e o sentido da vida, publicado no Brasil pela Editora Ultimato.

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O termo homossexualismo refere-se à atividade sexual praticada entre pessoas do mesmo sexo. Especialistas concordam acerca do significado de "comportamento homossexual", mas têm dificuldades em chegar a uma definição clara do que é ser homossexual. Alguns descrevem o homossexual com base na prática do homossexualismo, enquantom outros o fazem considerando a atração preferencial por pessoas do mesmo sexo. Uma pessoa pode sentir desejos homossexuais intensos sem nunca praticar o homossexualismo, enquanto há quem opte pela atividade mesmo quando a preferência é fortemente dirigida pera o sexo oposto. Neste último caso, circunstâncias como a influência do alcoolismo ou confinamento em prisões podem precipitar a ocorrência de experiências homossexuais. O termo bissexual refere-se a indivíduos que praticam atividades tanto homo quanto heterossexuais, podendo haver predominância de uma dessas práticas.

Independentemente do como se conceitue homossexualidade, não há uma forma precisa de determinar sua prevalência. Alguns poucos estudos indicam que cerca de 4 a 5% da população branca masculina conservam-se exclusivamente homossexual após a adolescência, enquanto entre 10 e 20% mantém relações regularmente com indivíduos de ambos os sexos. Pesquisas desenvolvidas com militares na Segunda Guerra Mundial revelaram que 1% dos homens em serviço eram homossexuais, estimando-se que idêntico percentual constituía-se de casos não detectados, isto é, 2% no total. seja como for, as estatísticas revelam que o homossexualismo é pouco comum.

A história registra a homossexualidade em muitas civilizações antigas. Tanto o Antigo quanto o Novo Testamentos mencionam essa prática e são fortemente explícitos em proibi-las. Algumas civilizações - por exemplo, os antigos gregos - aparentemente aceitavam a prática do homossexualismo com pouca ou nenhuma desaprovação. Ainda que a maioria das culturas em nossos dias lide com essa questão, em certos grupos sociais não se encontraram nem sequer indícios de homossexualismo.

A causa da homossexualidade não está claramente identificada. As diversas teorias podem ser agrupadas em razão de apontar para um dos dois grupos gerais de causas: genéticas e psicogênicas.

O primeiro grupo, de causas "genéticas", postula que um indivíduo pode herdar a predisposição para a homossexualidade. As teorias reunidas nesse grupo apontam para evidências obtidas em estudos com gêmeos, os quais revelam que a incidência de homossexualismo entre gêmeos idênticos é expressivamente maior do que em gêmeos não-idênticos.

Já o segundo grupo de teorias, chamado "psicogênico", afirma que a identidade sexual é determinada pelo ambiente familiar e outros fatores do meio em que uma pessoa vive. Neste caso, as teorias apontam para a existência de denominadores comuns entre famílias de diversos homossexuais.

Pesquisas recentes indicam que as famílias mais propensas a gerar um rapaz homossexual são aquelas em que a mãe é muito íntima do filho, possessiva e dominante, enquanto o pai é desligado e hostil. São mães com tendência ao puritanismo, sexualmente frígidas e determinadas a desenvolver uma espécie de aliança com o filho contra o pai, que ela humilha. O filho torna-se excessivamente submisso à mãe, volta-se a ela em busca de proteção e fica ao seu lado em disputas contra o pai. Pais de homossexuais são freqüentemente distantes, não demonstrando entusiasmo ou afeição, e criticam os filhos. Sua tendência é menosprezar e humilhar o filho, dedicando-lhe muito pouco de seu tempo. O filho reage com medo, aversão e falta de respeito. Alguns estudiosos consideram que a relação entre pai e filho parece ser mais decisiva na formação da identidade sexual do jovem do que o relacionamento deste com sua mãe. Tais pesquisadores chegam a afirmar não ser possível uma criança se tornar homossexual se seu pai for carinhoso e amoroso.

Em alguns homossexuais é o medo do sexo oposto que parece ser o fator dominante, não a atração profunda por alguém do mesmo sexo. Uma vez resolvido esse medo com terapia, a heterossexualidade prevalece. Estudos recentes têm demonstrado, ainda, qua a sedução por outros homossexuais - especialmente outros rapazes - não parece ser um fator relevante.

A chamada "homossexualidade latente" refere-se a conflitos emocionais similares aos da forma "aparente", mas sem consciência do fato ou sem expressão pública dos conflitos.

Lesbianismo é o termo que se aplica à homossexualidade feminina. Como no caso do homossexualismo masculino, sua prevalência é desconhecida. Também neste caso a questão familiar desempenha um papel muito importante. Pesquisas demontram que muitas mães de mulheres lésbicas tendem a ser hostis e competitivas com suas filhas, sendo muito ligadas aos filhos homens e ao pai. Além disso, os pais de mulheres homossexuais raramente desempenham um papel dominante na família e dificilmente mostram-se afeiçoados às filhas.

Tanto homens quanto mulheres homossexuais tendem ao isolamento e mostram dificuldades em fazer amizades, mesmo quando crianças. Na adolescência e na idade adulta eles raramente marcam encontros. A maioria dos homossexuais torna-se consciente de sua homossexualidade antes dos dezesseis anos - alguns até antes dos dez anos. Eles costumam optar pela vida em cidades grandes para aí formar seus próprios grupos sociais com regras, modo de vestir e linguagem próprios. Recentemente, tem-se observado o surgimento de organizações para melhorar a imagem do homossexual, as quais costumam negar que o homossexualismo seja um distúrbio ou anormalidade.

Leigos freqüentemente questionam se a homossexualidade deveria ser considerada uma doença ou um pecado. Uma coisa não exclui a outra. Pessoas cuja fé se baseia na Bíblia não podem duvidar que as claras proibições do comportamento homossexual façam dessa prática uma transgressão da lei divina. Por outro lado, há que se considerar a preponderância de opiniões de especialistas a apontar o homossexualismo como uma forma de psicopatologia que requer intervenção médica.

Muitos, em nossa sociedade moderna, negam a condição patológica do homossexualismo, recusam-se a considerar a existência de implicações de ordem moral e vêem a prática homossexual apenas como uma forma de expressão diferente do padrão de comportamento sexual da maioria da população. Assim, tais pessoas não apenas desencorajam a busca por ajuda como contribuem para que o homossexual se conforme com uma vida cada vez mais isolada e frustrante, independente de quão permissiva e condescendente nossa sociedade se torne.

Outra questão bastante levantada diz respeito à atitude da igreja em relação a homossexuais. Tais indivíduos se deparam com ouvidos insensíveis e portas fechadas na comunidade cristã. Essa reação intensifica os sentimentos de angústia e de solidão profunda, o completo desânimo que os assusta e, com freqüência, leva ao suicídio. Cristo, enquanto se opunha vigorosamente à doença e ao pecado, buscava doentes e pecadores com compreensão e misericórdia. A igreja erra quando se permite fazer menos.

A grande cobertura que a mídia faz do homossexualismo, resultado da recente atividade de organizações de homossexuais, tem tornado a homossexualidade mais aceitável como tópico de discussão. Dessa forma, a igreja sem dúvida tomará consciência do problema acontecendo com alguns de seus membros. Isto não deve surpreender, pelo menos por duas razões. Em primeiro lugar, o sentimento de solidão, a necessidade de contato humano e a imagem de si próprio como um desajustado levam o homossexual a ver a comunidade cristã como um refúgio e uma possível fonte de conforto. A outra razão está na frieza e rejeição, comuns no ambiente familiar, provocando ânsia por uma figura de pai amoroso, cálido e compassivo. É fácil entender como o cristianismo pode ser atraente, especialmente para suprir esta necessidade emocional.

Várias formas de psicoterapia têm sido usadas no tratamento de homossexuais, com diferentes níveis de sucesso. Como em qualquer tratamento psicoterápico, os resultados dependem de fatores múltiplos, com ênfase na motivação do paciente. Pessoas homossexuais tendem a ser desmotivadas, o que seja talvez um dos maiores desafios para o terapeuta. A experiência clínica tem mostrado que a motivação para mudar e a consciência do erro são essenciais para aumentar significativamente a expectativa de um tratamento bem-sucedido.

* Traduzido do inglês por Raquel Monteiro Cordeiro de Azeredo.

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Texto publicado na revista Ultimato nº 310, janeiro-fevereiro/2008, p. 24-26. A revista Ultimato não é vendida em bancas de jornal. Ela só é comprada mediante assinatura. Para maiores informações, acesse o site.

2 de fev. de 2008

Alcântara


Alcântara
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Indo para Alcântara, MA.

Entre céu e mar estou eu.

VIOLÊNCIA POLICIAL É CRIME


COMUNIDADE DO ORKUT DA QUAL SOU MEMBRO. PARTICIPE. DIVULGUE.


O policial é um funcionário público e deve agir sempre de acordo com a lei, quando ele comete lgum abuso esta sujeito à punição e deve ser denunciado.

Ao abordá-lo a primeira coisa que um policial deve fazer é se identificar, em seguida ele pode pedir para que você faça o mesmo, mostrando seus documentos. No entanto, estes documentos não podem ser apreendidos (a não ser quando existe suspeita de falsificação, e mesmo nestes casos é obrigatório que o policial faça um auto de apreensão, isto é, um registro do que foi etido).

Você também não pode ser preso por andar sem documentos, não existe prisão para averiguação, isto é ilegal. Assim como não se culpa toda uma instituição em razão de uma minoria que pertença à chamada banda podre da polícia, não se generaliza que todos os moradores de uma favela são bandidos em razão de uma minoria, que, em ambos os casos, não passa de um por cento.

Sem a Polícia séria, impossível uma sociedade.

Divulgue:

http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=19398816

1 de fev. de 2008

A revolução não será televisionada.

Para ver este vídeo, vá primeiro à caixa cinza (Maya_musique), à esquerda, e clique no ícone correspondente a "pause". Depois, venha aqui e clique no ícone "play". Dependendo da memória do seu computador, a primeira exibição poderá ser lenta e pausada. Experimente ver pela segunda vez. Ótimo vídeo.

PMs espancam músico até a morte no Maranhão



Repentista foi confundido com assaltante; entidades de direitos humanos protestam contra tortura e racismo
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SÃO LUÍS - Dois policiais militares espancaram até morte, anteontem à noite [22/03/2007], o repentista e compositor Geremias Pereira da Silva, conhecido como Gerô. Ele foi confundido com um assaltante pelos soldados José Expedito Ribeiro Farias e José Waldinar Carvalho, que foram chamados a São Francisco, bairro próximo ao Centro da capital, depois de uma denúncia de assalto a uma senhora, não identificada.
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Os PMs deram voz de prisão ao repentista, que teria reagido e provocado a violenta reação dos policiais. Imobilizado e algemado, ele foi levado ao plantão da polícia civil, que se recusou a recebê-lo devido aos graves ferimentos que apresentava.
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Gerô foi enterrado ontem em clima de protesto promovido por entidades do movimento negro, que classificaram o crime de tortura seguido de morte, movido por questões raciais.
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— Foi um ato brutal de discriminação de uma polícia treinada para bater em negro — protestou Amélia Bandeira, coordenadora do Centro de Cultura Negra do Maranhão.
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Os dois policiais, presos em flagrante, vão responder a inquéritos civil e militar. O delegado geral da Polícia Civil Jefferson Portela disse que somente após o inquérito será decidido se serão enquadrados em crime de homicídio qualificado ou de tortura seguida de morte.
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O delegado de Costumes, Francisco Castelo Branco, que chegava à delegacia, presenciou quando os policiais tentavam, à base de estocadas de cassetetes, colocar Gerô dentro de um porta-mala do carro da PM: — Vi e fiquei impressionado.
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Pedi que parassem, mas não fui atendido. O rapaz estava desacordado, parecia morto, e mesmo assim continuava a ser espancado pelos policiais. Ele estava algemado, com as mãos para trás. Foi quando gritei e chegou uma viatura da Policia Civil e o levamos para o hospital.
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Gerô já chegou ao hospital sem vida. O laudo do IML constatou que ele teve quatro costelas quebradas, os rins dilacerados, e vários hematomas na cabeça e braços, inclusive com as marcas das algemas. O secretário de Direitos Humanos, Sálvio Dino, disse que foi tortura: — Todas as circunstâncias levam a crer que se trata efetivamente de um caso de tortura, de um crime hediondo, que precisa ser punido severamente.
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A esposa de Geremias, Marilene Silva, de 38 anos, em prantos só pedia justiça.— Foi uma maldade que fizeram com ele, ele não merecia morrer desse jeito.
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O governador Jackson Lago, que esteve no velório do artista, afirmou que não vai tolerar a impunidade: — Antes, crimes iguais a este eram abafados; agora é diferente.
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Se comete crime, o policial é preso, julgado e expulso da corporação e nós vamos limpando e melhorando o sistema de segurança do estado.
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Reportagem de Raimundo Garrone publicada no O Globo Online, O País em 24.03.2007
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Artista negro maranhense é cruelmente assassinado por policiais
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Na tarde da última quinta-feira, 22 de março, o compositor e repentista Geremias Pereira da Silva, mais conhecido como Gero, foi espancado até a morte pelos policiais militares José Expedito Ribeiro Farias e José Waldimar Carvalho, do 9º Batalhão da Polícia Militar. Os dois PMs foram presos em flagrante e estão detidos no Plantão Central da RFFSA, mas há indícios que existem outros envolvidos por negligência e por tentativa de proteger os assassinos.
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Gerô foi abordado por volta das 13h no terminal de ônibus Integração, na Praia Grande. A entrada no hospital público Djalma Marques, conhecido como “Socorrão I”, entretanto, só foi registrada às 16h30. Nestas três horas e meia, Gerô foi vítima da brutalidade dos dois policiais e da omissão de outros que assistiram às cenas de violência. O pretexto para o crime foi que Gerô teria sido apontado por uma senhora – que até o momento não foi identificada – como possível assaltante.
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Crueldade deliberada
O Jornal Pequeno, órgão da imprensa local que cobriu o caso, informou que, diante do grave estado de Gerô, já quase morto, os policiais o levaram até o Plantão Central, cujo delegado não quis receber o cantor e sequer tomou providências contra a brutalidade que presenciara. Os dois PMs foram, então, ao Primeiro Distrito e relataram ao delegado Eduardo Jansen que Gerô era um doente mental que deveria ser encaminhado ao hospital. O delegado acreditou na versão dos criminosos e concedeu o encaminhamento mesmo sem ver a vítima.
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No Primeiro distrito, o delegado Castelo Branco, da Delegacia de Costumes e Diversões Públicas, assistiu ao espancamento. Os policiais tentaram colocar Gerô no porta-malas da viatura. Ao não conseguirem, deram seqüência ao espancamento, com Gerô já desacordado. Castelo Branco, que observava a cena, diz que “pediu” que eles parassem e não foi atendido. Nenhuma atitude de fato foi tomada para que cessasse a agressão.
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Já morto, uma viatura levou Gerô ao hospital numa viatura. Os policiais envolvidos – nesse caso, todos e não apenas os dois que golpearam o cantor – ainda tentaram atenuar ou abafar o crime, dizendo que a vítima havia “passado mal”.
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No laudo preliminar do IML, consta quatro costelas fraturadas e hemorragia interna num rim. No corpo, Gerô carregava múltiplas escoriações, os punhos feridos pelas algemas – ele esteve o tempo todo algemado, sem nenhuma possibilidade de defesa – e a marca impossível de apagar do racismo e da repressão policial.
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Indignação e protesto
O crime aconteceu um dia depois do Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em memória do Massacre de Shaperville, em 1960, quando 69 sul-africanos foram mortos. No Maranhão, a barbaridade da PM chocou a população e causou a revolta de militantes do movimento negro e da esquerda do estado. Está marcado para às 15h30 desta sexta-feira, 23, um ato de protesto na praça Deodoro, no centro de São Luís.
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Gerô era negro, artista, tinha 46 anos e morava na vila Cidade Operária, na capital do Maranhão. Atualmente, ele respondia a um processo movido pelo presidente da Fundação Municipal de Cultura, o arquiteto Adirson Veloso. A razão do processo foi um cordel composto por Gerô, em que ele denunciava Veloso. Segundo informou o site Badauê, ele teria sido condenado a prestar serviços de faxineiro.
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O repentista tinha atuação política e era muito conhecido no meio artístico da cidade. Ao velório, compareceram diversos artistas e militantes de várias organizações, indignados com o ato explicitamente racista.
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Um crime como esse deveria ter repercussão nacional, chocar e levantar revolta na população brasileira. Gerô, entretanto, não era morador da Zona Sul carioca, não era branco.
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Infelizmente, esse não é um caso isolado: acontece todos os dias, às centenas, no pobre Nordeste ou nos morros cariocas; nas favelas paulistas ou nos subúrbios do sul. As vítimas, em sua maioria, são sempre as mesmas: pobres, negros, oprimidos, tão distantes das campanhas de combate à violência encampadas pelas ONGs e pela mídia.
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A morte de Gerô traz uma reflexão: estamos, infelizmente, muito distantes da igualdade racial. Ela só virá com o fim do capitalismo, quando os negros deixarão de ser mão-de-obra barata superexplorada e não mais servirão apenas para engordar os lucros dos empresários.
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Reportagem de Luciana Candido, de 23/03/2007.
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NOTA: Os assassinos de Gerô estão livres, vivendo suas vidas tranqüilamente. Punição? Expulsão da PM. É isso que vale a vida de um ser humano. É essa a política de "segurança cidadã" do atual Governo do Estado do Maranhão.

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