Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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8 de nov. de 2007

Ile-de-Ré - ciclovia


Ile-de-Ré ciclovia
Upload feito originalmente por Maya Felix
Ciclovia em Île-de-Ré, um dos lugares mais lindos, mais perfeitos em que já estive. Fica na costa de La Rochelle (sudoeste francês, é o que há!), no Oceano Atlântico. Pegue um TGV de Paris, vá direto a la Rochelle, da própria estação de trem pegue um ônibus e vá para a ilha... Recomendo o hotel Le Senéchal, que fica em Ars-en-Ré, um dos lindos vilarejos da Ilha. Melhor ir na primavera ou no verão, é claro. Banho de mar é impossível, a água é muito fria. Mas isso, por lá, é o de menos... Passeios de bicicleta de tardezinha, pra ver o por do sol, são incríveis. Dá pra alugar uma bike e pagar baratinho, por dia. Estive por lá duas ou três vezes.

Para ver mais, clique na foto.

Bisous, Maya : )

5 de nov. de 2007

Pense...


FRASES DO ANO

O maior prazer de um homem inteligente é bancar o idiota diante de um idiota que banca o inteligente. Confúcio


É difícil dizer quem nos faz mais mal: inimigos com as piores intenções ou amigos com as melhores. Edward George Bulwer-Lytton


Não há nada que melhor defina uma pessoa do que aquilo que ela faz quando tem toda a liberdade de escolha. William M. Bulger


A coisa mais exaustiva da vida, eu aprendi, é a falta de sinceridade. Anne Morrow Lindbergh


Uma desculpa é pior e mais terrível que uma mentira, pois uma desculpa é uma mentira precavida. Papa João Paulo II
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Freqüentemente é necessário mais coragem para ousar fazer certo do que temer fazer errado. Abraham Lincoln


Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada. Elbert Hubbard


Toda vez que você se encontrar do lado da maioria, é hora de parar e refletir. Mark Twain


Um pressentimento é a criatividade tentando te dizer algo. Frank Capra
.

Confie nos seus pressentimentos. Eles normalmente são baseados em fatos arquivados abaixo do nível da consciência. Dr. Joyce Brothers


Não vemos as coisas como elas são, as vemos como nós somos. Anaïs Nin


Ser sozinho é ser diferente, ser diferente é ser sozinho. Suzanne Gordon


Não há nada que determine mais o que seremos do que as coisas por que optamos ignorar. Sandor Mcnab


A pessoa mais fácil de enganar é a si próprio. Edward Bulwer Lytton


Aquele que sempre cede aos outros terminará não tendo nenhum princípio próprio. Aesop


A pessoa que concorda com tudo o que você diz, ou é tolo, ou está se preparando para enganá-lo. Kin Hubbard


Não existe conversa mais tediosa do que aquela na qual todos concordam. Michel de Montaigne


Você não converteu um homem só porque você calou-lhe a boca. John Morley


Aqueles que não apoiam coisa alguma, caem por qualquer coisa. Alexander Hamilton


Grandes mentes discutem idéias; mentes medianas discutem eventos; mentes pequenas discutem pessoas. Eleanor Roosevelt


A morte não é o maior medo que temos; nosso maior medo é assumir o risco de estarmos vivos - o risco de estarmos vivos e expressarmos o que realmente somos. Don Miguel Ruiz


FONTE DAS FRASES E DA FOTOGRAFIA: web!

3 de nov. de 2007

Rápida e indolor [26]

O menino de dez anos acorda chorando depois de uma cirurgia e chama a enfermeira:

— Enfermeira, quero ir pra minha casa, quero a minha mãe...

— Que história é essa de "quero a minha mãe"? Você já é quase um homem!

O moleque toma o maior susto, pensa um pouquinho e pergunta, assustadíssimo:

— Meu Deeeeus... Quanto tempo eu passei dormindo???

COLABORAÇÃO: Claudíssima!!! Íssima!!!

Roberto Requião: a GLOBO mente!

ATENÇÃO: PARA VER ESTE VÍDEO, VÁ PRIMEIRO À JANELA COR-DE-ROSA "Maya_musique", À SUA ESQUERDA, E CLIQUE NO ÍCONE CORRESPONDENTE A "PAUSE". DEPOIS, CLIQUE NO ÍCONE CORRESPONDENTE A "PLAY" LOGO ABAIXO. VALE A PENA VER...

O bolo de chocolate

Ontem minha mãe me trouxe um bom pedaço de um bolo de chocolate que ela fez. Minha mãe ama cozinhar, de tudo, e sabe fazer o negócio muito bem. Mas os bolos ela faz com muita propriedade e sem receita (sem receita!!!), coisa a que eu não me atrevo. Até faço um bom bolo de canela e laranja, que fica sublime se acompanhado de café com leite bem quente, de manhã ou de tardezinha. Mas tenho que medir milimetricamente aliás, quilogramicamente, cada ingrediente. Preciso separar todos os ingredientes antes, deixá-los em ordem, exatamente como nos programas de culinária de TV, pra poder fazer um bolo decente. Do contrário, eu me atrapalho toda, perco o ponto etc. Mas a mamãe, é incrível, vai colocando tudo "de olho", como a gente diz aqui no Maranhão. E quase sempre acerta. Aliás, não me lembro de uma vez em que ela tivesse errado.

Mas os bolos de chocolate que a mamãe faz nunca foram lá essas coisas, pelo menos pra mim. Porque ela gosta de bolo de chocolate com pouco chocolate, e eu faço o estilo calorias free, ou seja, o bolo tem que ser quase um brownie. Mas dessa vez ela acertou. Por isso, desde ontem, aproveito e, sempre que posso, e vou lá no bolo de chocolate e tiro uma lasquinha (ou um pedaço farto, depende do desejo e da fome). Agora mesmo, por exemplo: acabei de acordar, fiz o meu café au lait et.. cortei DOIS fartos pedaços de bolo de chocolate para acompanhar. Ai, que bom!
.
Dizem que o chocolate, para as mulheres, é um excelente antidepressivo, é ótimo durante a TPM e pela manhã faz o dia ficar mais suportável e menos sonífero. Dizem também que o chocolate é estimulante, e, o melhor, quanto mais puro, menos colesterol. Porque o colesterol está no leite, não no chocolate! Eu me lembro de que no inverno, na França, eu sempre andava com uma barra (grande) de chocolate meio amargo (com 70% de cacau) dentro de um dos bolsos do meu manteau. Pra suportar -13°C, que foi o meu primeiro inverno, o chocolate é bastante consolador. E, assim como eu tomo café sem adoçante nenhum, porque amargo é muito melhor, assim também é o chocolate: quanto mais amargo, melhor.

Poderia agora falar da história do chocolate, que foram os nativos da américa central e do norte quem descobriram que a semente do cacau poderia ser torrada e moída, e que consideravam o chocolate uma bebida dos deuses etc... Assim como o café também, que não é europeu... Mas, que ironia, hoje por conta do "mercado", as coisas funcionam assim: cacau é plantado nos países pobres - cacau é exportado baratinho para países ricos - países ricos fabricam um excelente chocolate com nosso excelente cacau e nosso rico e gordo leite, que pra lá vai sem soda - chocolate dos países ricos é importado por países pobres a um preço de países ricos e vendido para os ricos dos países pobres. Entendeu?

Mas vou continuar a falar do bolo de chocolate que a minha mãe fez.

Muito bem, o bolo também está "pesado". Isso que dizer que ela realmente não economizou no chocolate e colocou pouco fermento (êba!). E tem pouco açúcar. Excelente, não? Acho que isso tem a ver com a receita de brownie que ela me pediu para pesquisar na net pra ela, faz uns três meses. A mamãe "brownizou" o bolo de chocolate! Well done, lady!

Por tudo isso é que eu passo sem almoçar alegremente (ou então uma saladiiiinha... com uma gotiiiinha de azeite... sal pouquiiinho... vinagreziiiinho... não, por favor, fritura nãããoooo...). Para poder me deleitar com o bolo de chocolate sem peso na consciência e nos quadris.

Aliás, coisa boa é o frio. Como nosso organismo gasta muitas calorias para o corpo se adaptar ao frio, em geral podemos e sentimos vontade de comer... tudo o que é bom!!! Ou seja, raclette, fondue, chocolate, vinho tinto, croissants (bem amanteigados, mesmo!!!), pão, manteiga... Não entendo é como nos EUA o povo passa o maior frio e só engorda. Outro dia vi na TV... im-pres-sio-nan-te. O país dos elefantes não é o Quênia, na África. São os EUA, gente! Aliás, dos elefantes, baleias, orcas, ursos etc. Se todos os estadunidenses resolvessem fazer lipoaspiração juntos, resolveríamos o problema dos combustíveis em todo o mundo, e por um bom tempo. O biocombustível dos EUA! Será que obesidade é genética e cultural (amigos obesos, perdão, mas tenho que dizer isso: emagrecer faz bem à saúde física, mental e espiritual)? Na França as mulheres comem de tudo, e ainda tomam vinho, aquelas adeptas da liberté na cuisine, e são elegantérrimas [Vocês sabiam que: As francesas não fazem dieta, comem doces e pães, bebem champanhe e vinho e, regularmente, comem uma entrada, um prato principal e uma sobremesa nas refeições e, mesmo assim, são magras e saudáveis? Mireille Guiliano, executiva da Veuve Clicquot nos Estados Unidos lançou em 2005 o livro "Mulheres Francesas não engordam" onde desvenda o mistério. Por que as francesas comem o que querem, sem culpa, e não engordam? (...)]. Nos EUA também faz frio, as mulheres comem de tudo, e são obesérrimas. No Brasil as mulheres têm uma certa fixação com um corpo esbelto e sarado e bronzeado, influência da estética burguesa, sem dúvida. Já nos EUA elas são todas renascentistas. Aliás, eu ousaria dizer, elas são Big-renascentistas; tudo o que é "big" é com elas: big mac, big potatoes, big coke, big popcorn, big etc etc. Do século XIV para o XXI temos um X a mais e um V a menos. Isso, na numerologia, ou na letrologia, deve querer dizer alguma coisa.

Mas, voltando ao bolo de chocolate. Está realmente muito bom. Só achei essa foto aí na na web pra ilustrar estas reflexões de hoje. Mas o bolo que a mamãe fez não tem cobertura nem cerejas. Aliás, alguém aí quer um (pequeno) pedaço???
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Smiling


Smiling
Upload feito originalmente por Maya Felix
Sorria!!!

Beijos para os que aqui aportam....

Ah, sou eu na foto!

Bom sábado...

2 de nov. de 2007

Caros Amigos [27]


A Caverna de Platão

No livro VII de A República, Platão narra que Sócrates propôs a seus ouvintes imaginarem um grupo de prisioneiros acorrentados numa caverna, sem nunca poder se virar para fora, onde há uma fogueira cujas chamas projetam dentro da caverna as sombras de quem passa diante da estrada. Os prisioneiros, que nunca viram o mundo exterior, julgam que as sombras e o eco das vozes são reais.

O capitalismo, em seus primórdios, produzia em função das necessidades humanas. Não se investia em algo que o consumidor julgasse desnecessário. A superprodução inventou a publicidade de modo a inverter o processo, já não é o consumidor que busca o produto, é o produto que se impõe ao consumidor.

O avanço tecnológico e o design tornam a mercadoria descartável. Não basta ter um rádio. É preciso ter o novo rádio, de linhas arrojadas, formato menor, capaz de funcionar a pilha. Assim, graças à publicidade, o supérfluo torna-se necessário.

Nessa sua fase neoliberal, em pleno advento da pós-modernidade, o capitalismo introduz o mercado como paradigma supremo. Se no período medieval o paradigma foi teocêntrico, e a fé figurava como rainha do saber, se no período moderno o paradigma antropocêntrico fez a fé ceder lugar à razão, agora o mercado não se interessa pelo homem religioso ou racional, interessa-se pelo consumista. E, quanto menos razão, mais emoção, o que introduz o consumidor a contemplar, embevecido, um novo computador ou os veículos expostos no Salão do Automóvel. Assim, o capitalismo alcança o nosso inconsciente.


O ter e o ser

Agora, de costas à concretude da existência e indiferentes à sua historicidade, tomamos as sombras por relidades. O sentido da vida desloca-se da fé (coração) e dos ideais (razão) para se centrar nos objetos possuídos. Vive-se em função de bens finitos. Mesmo para o jovem morador da favela, o tênis de marca é mais importante do que a escolaridade e a formação profissional.

A pessoa é o que tem e ostenta, e não os valores e propósitos que assume. As aparências contam mais que o ser e, ainda que isso não seja verdade, há o socorro miraculoso do marketing para nos convencer de que faz bem à saúde o refrigerante descalcificador; imprime sedução a cerveja que alcooliza; concede status o carro luxuoso. Vale a pena votar no político safado revestido de ética!

Se os bens finitos superam os infinitos, e o desejo converge para o absurdo, não é de estranhar que as frustrações sejam proporcionais às ambições. Todos invejam o alpinismo de seus ídolos incensados pela mídia, embora deles conheçamos apenas as sombras projetadas na tela da televisão e das revistas, pois estamos irremediavelmente de costas para a porta da rua, convencidos de que o personagem representado por aqueles que exibem fama, poder e riqueza é mais real que as pessoas deles.

***

Texto de Frei Betto, publicado na revista Caros Amigos ano XI, nº 127, outubro/2007, p. 19.

NOTA: Os trechos sublinhados em negrito estão assim ressaltados por nós.



ANEXO I

"Sócrates - Agora, com relação à cultura e à falta dela, imagine nossa condição da seguinte maneira. Pense em homens encerrados numa caverna, dotada de uma abertura que permite a entrada de luz em toda a extensão da parede maior. Encerrados nela desde a infância, acorrentados por grilhões nas pernas e no pescoço que os obrigam a ficar imóveis, podem olhar para a frente, porquanto as correntes no pescoço os impedem de virar a cabeça. Atrás e por sobre eles, brilha a certa distância uma chama. Entre esta e os prisioneiros delineia-se uma estrada em aclive, ao longo da qual existe um pequeno muro, parecido com os tabiques que os saltimbancos utilizam para mostrar ao público suas artes.

Glauco - Estou imaginando tudo isso.

Sócrates - Suponha ainda ao longo daquele pequeno muro homens que carregam todo tipo de objetos que aparecem por sobre o muro, figuras de animais e de todos os homens de pedra, de madeira, de todos os tipos de formas. Alguns dentre os homens que as carragam, como é natutral, falam, enquanto outros ficam calados.

Glauco - Que visão estranha e que estranhos prisioneiros!

Sócrates - Malgrado isso, são semelhantes a nós. Pense bem! Em primeiro lugar, deles mesmos e de seus companheiros poderiam ver algo mais do que as sombras projetadas pela chama na parede da caverna diante deles?

Glauco - Impossível, se foram obrigados a ficar por toda a vida sem mover a cabeça.

Sócrates - E não se encontram na mesma situação no tocante aos objetos que desfilam perante eles?

Glauco - Certamente.

Sócrates - Supondo que pudessem falar, você não acha que considerariam reais as figuras que estão vendo?

Glauco - Sem dúvida alguma.

Sócrates - E se a parede oposta da caverna fizesse eco? Quando um dos que passam se pusesse a falar, você não acha que eles haveriam de atribuir aquelas palavras a sua sombra?

Glauco - Claro, por Zeus!

Sócrates - Então para esses homens a realidade consistitia somente nas sombras dos objetos.

Glauco - Obviamente haveria de ser assim.

Sócrates - Vamos ver agora o que poderia significar para eles a eventual libertação das correntes e da ignorância. Um prisioneiro que fosse libertado e obrigado a se levantar, a virar a cabeça, a caminhar e a erguer os olhos para a luz, haveria de sofrer ao tentar fazer tudo isso, ficaria aturdido e seria incapaz de dicernir aquilo de que antes só via a sombra. Se a ele se dissesse que antes via somente as aparências e que agora poderia ver melhor porque seu olhar está mais próximo da realidade e voltado para objetos bem reais; se lhe fosse mostrado cada um dos objetos que desfilam e se fosse obrigado com algumas perguntas a responder o que seria isso, como você acha que ele haveria de considerar as coisas que via antes mais verdadeiras do que aquelas que lhe são mostradas agora?

Glauco - Sem dúvida, muito mais verdadeiras."

***
A República (Politéia). Platão. Livro VII, Capítulo I. São Paulo: Ed. Escala, p. 243-244.


ANEXO II

"Porque, agora, vemos por espelho em enigma; mas, então, veremos face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei como também sou conhecido."

Primeira Carta aos Coríntios, Novo Testamento, Bília Sagrada, capítulo 13, verso 12 . Escrita pelo apóstolo Paulo.


IMAGEM: Cisnes que se Reflejan como Elefantes, de Salvador Dali.
FONTE da pintura de Dali e das fotografias: web.

Edemir Antunes [3]

Reforma urgente
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...Os tesouros do Evangelho são redes com que, desde a antigüidade, se pescam homens de bem. Os tesouros das indulgências são redes com que agora se pescam os bens dos homens. (Lutero, Teses 65-66)
.
Com essa afirmação, das teses 65-66 em epígrafe, Martinho Lutero contrapõe o valor do Evangelho ao valor das indulgências, denunciando-as como não sendo um meio para chegar à salvação. As indulgências eram apenas um instrumento para roubar e massacrar as pessoas, em nome de Deus. A carnificina era praticada a céu aberto e os urubus carniceiros se fartavam. Nesse contexto apodrecido e fétido, Lutero foi o profeta do povo frente a uma “igreja oficial” que usurpara o direito à salvação dada gratuitamente por Cristo para toda humanidade.

Martinho Lutero entende que só a fé é suficiente para o perdão de pecados. Antes, devido sua obstinação em ser salvo pelas obras e pela confissão dos pecados, Lutero chegava a ficar horas se confessando, e às vezes quando se esquecia de um pecado voltava correndo a fim de confessá-lo, tal a pertinácia e obstinação que tinha pela salvação. Depois de várias reflexões, crises e momentos de angústia, ele chegara à conclusão da “justificação pela fé”, e que nesta se resumia toda doutrina cristã.
.
Por conseguinte, elabora-se a doutrina da “justificação pela fé”, que foi uma das apreensões luteranas mais importantes, pois nela o/a discípulo/a está certo/a de que sua salvação não depende das obras, mas sim da fé mediante a incomensurável Graça. Quando Paulo diz: “o justo viverá por sua fé”, segundo Lutero, quer dizer que a vida do/a justo/a deverá ser marcada por uma crença na salvação dada por Deus em Cristo Jesus, e que não há outro meio de chegar ao Pai Celeste se não for pela fé. Cabe ressaltar que juntamente com a fé deve estar o amor, pois de nada vale a fé sem o amor.
.
A sistematização da “justificação pela fé” traz uma contribuição significativa para os/as cristãos/ãs daquele tempo no que concerne ao seguimento de Jesus Cristo, uma vez que os/as mesmos/as compreenderam que pela fé seriam salvos/as, e que não careciam pagar indulgências a fim de ter um tesouro no céu, ou ainda, para que sua salvação fosse garantida. Agora a fé, e somente a fé, é suficiente para salvação e para experimentar a Graça de Deus.
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Apesar de todas essas contribuições produzidas pela Reforma, a salvação pela fé é uma questão mal compreendida em vários setores eclesiais hoje em dia. Certas pessoas têm a idéia de que fazendo barganhas com “deus” poderão obter os benefícios materiais da “divindade” e salvar-se do pecado e da morte. Há os que ainda pensam ser a prática de boas obras o caminho para obter a salvação, e não uma conseqüência automática da fé em Cristo. Há os que fazem com que o dinheiro pago seja a garantia dos tesouros no céu, ou ainda aqui mesmo na terra – sugerindo que as pessoas que “pagarem” o dízimo e a oferta terão mais bênçãos a receber da parte de Deus. Chegam até à falta de escrúpulos de constranger as pessoas para que façam doações volumosas para Deus, como se o Senhor precisasse de algum dinheiro nosso dessa forma!
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Muitas “igrejas” também têm aderido a esta fé neoliberal, excludente e mercenária. Desta adesão horrenda, pornográfica e absurda desencadeiam-se competições entre comunidades de fé; exploração financeira dos/as leigos/as pela liderança religiosa; exaltação do “deus Mercado”; distribuição de bênçãos, vidências e cura “divina” mediante pagamento; e ausência de relacionamento comunitário saudável.
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Presenciamos uma decadência em várias áreas do cristianismo brasileiro, semelhante àquela enfrentada por Lutero em sua época. Parece haver um processo cíclico na história, e os erros não estão de forma alguma consertados por aquilo que se nos apresenta pela memória através da história. Grande parte das pessoas não lêem, não refletem e, por isso, cometem os mesmos pecados. Hoje, por exemplo, falta um regresso à Escritura, porque não se tem dado importância devida a ela. Quando Lutero chega à conclusão de que somente a Escritura é a autoridade máxima, ele entende que a Palavra confere aos/às homens/mulheres a oportunidade de trilharem o Caminho da Felicidade que lhes garante a oportunidade de desfrutarem um pouquinho do Céu nesta Terra. Porém, vários/as destes/as corromperam seu valor para terem o poder em suas mãos, a fim de subjugar as pessoas para que essas façam a sua vontade, e não a de Deus.
.
Talvez o mundo hodierno esteja carecendo de um porta-voz profético como foi Lutero, para levar o povo a uma compreensão de que só a fé é suficiente para a salvação, e que a vida e obra de Jesus Cristo tem autoridade máxima sobre os/as crentes. Isso precisa ser anunciado em nossos dias, pois muitas pessoas vão a suas “igrejas” como se fossem semanalmente a um clube social, não meditam sobre a fé e não querem saber de um profundo estudo das Escrituras. Esses indivíduos querem apenas extravasar suas tensões e dores no culto, fazendo do mesmo um culto irracional, cheio de emoções selvagens, sem reflexão alguma e que lhes tragam benefícios concretos imediatos. Pensam que, conforme dizem alguns/algumas líderes, se ofertarem e “dizimarem” (segundo o dicionário da língua portuguesa dizimar é destruir... mas tudo bem.) serão ricamente abençoados/as. Nesta lógica demoníaca e perversa, a fé deve ser do tamanho da contribuição. Assim, quem crê muito, oferta muito e lucra muito. Logo, quem crê pouco, oferta pouco e lucra pouco.
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O que estamos enfrentando nada mais é do que uma mercantilização da fé e uma falta de conhecimento das Escrituras por parte do povo. Tudo isso é agravado pelas disparidades sociais, pelo descuido dos governos para com as pessoas mais frágeis da sociedade, pelo descaso com as áreas da saúde e educação, pelo sucateamento da segurança, pelas alianças entre poderosos/as e bandidos/as, pelo patrocínio da violência, pelo crescimento da sujeira na Política que não nos permite ver os/as raros/as políticos/as sérios/as e profissionais em nossa sociedade, entre outras coisas que serviriam de tema para vários livros.
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É óbvio que ao discorrer sobre a Reforma Protestante não há como negar que ela teve motivações, também, na esfera política-econômica, cultural e social. Todavia, eu quero destacar os aspectos teológicos-eclesiais que permeiam este acontecimento histórico como profícuos para uma vida cristã adequada. Por isso, com este 490º aniversário da Reforma Protestante, concluo: urge que se levantem mais reformadores/as. Que seja uma verdade o lema: Igreja reformada, sempre reformando. Está difícil, mas eu não perco a esperança.
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Graça, paz e bem!
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***
FONTE: Blog do pastor Edemir Antunes, postado em 31.10.2007. Trechos sublinhados em negrito por mim!
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Leite sanitário [1]


COLABORAÇÃO: Maria José Nélo

1 de nov. de 2007

Réunion


réunion
Upload feito originalmente por Maya Felix
Tirei esta fotografia em junho de 1997, em uma aldeia situada ao norte do Togo, nos arredores da cidade de Dapaong (a capital fica no sul, às magens do Oceano Atlântico, e se chama Lomé). O Togo é um país do oeste da África e faz fronteira com outro país que também conheci, chamado Burkina-Faso. Muitas saudades! Povo lindo, acolhedor, simples, belo, alegre.

Quer ver mais? Clique na foto...

Maya : )

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