Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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1 de fev. de 2008

piada?

FONTE: Blog Jornal Recomeço, de Gloria Reis. Visite, comente.

Vaidade do Poder Judiciário

Palácio da Justiça do Estado de Santa Catarina, Florianópolis

Um leitor escreveu hoje no jornal Estado de Minas, seção cartas:

Justiça - Excesso de vaidade prejudica trabalho

Roberto Guimarães - Belo Horizonte

O problema da Justiça brasileira é o excesso de vaidade dos juízes que querem substituir a realeza de outrora. Isso fica notório pelo fato de que, em vez de investirem em informatização e delegação de funções, além de remunerar os juízes leigos e conciliadores, querem construir palácios para enaltecer e massagear o ego dos magistrados.

O Poder Judiciário, no Brasil, é tão democrático quanto o regime militar, apenas trocamos a farda pela toga, afinal o Judiciário não tem legitimidade popular, embora o artigo 1º, parágrafo único, da Constituição Federal exija voto para ser poder estatal. Em vez de palácios, deveríamos ter prédios simples e espalhados pelas grandes e pequenas cidades, para que o povo não se sentisse excluído.

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Publicado no Jornal Recomeço, de Glória Reis em 28/01/2008. Visite, comente.

Política de extermínio

“SE FOSSE FILHO DE BARÃO, ERA DIFERENTE”
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De fato, o racismo institucionalizou-se como fenômeno em todo o Estado Brasileiro. A violência policial institucionalizou-se.

No último dia 15 um adolescente de 16 anos, Djair de Jesus, foi executado a tiros pela Polícia Militar da Bahia na comunidade de Pelaporco em Salvador. Segundo moradores, em declarações ao Jornal A TARDE, o garoto fora baleado pelas costas, arrastado e executado com outro tiro na cabeça, a PM nega e diz que jovem reagiu. Sem nenhum elemento que nos inspire credibilidade, o chefe da operação declarou ao Jornal que o jovem “atirou e correu”, por isso teria sido atingido pelas costas. Os moradores que assistiram ao crime negam a versão e a mãe conta que seu filho não era envolvido com armas, confirmando tratar-se de execução. Em repúdio à truculenta ação policial, os moradores realizaram a queima de um ônibus, paralisando o trânsito por cerca de cinco horas em toda a região.Apesar de amplamente divulgado pela imprensa baiana, sem dúvida, esse é apenas mais um dos casos envolvendo a Polícia e jovens negros pobres moradores das periferias brasileiras e, infelizmente, parece que, mais uma vez, passará como se nada tivesse acontecido.

A morte do jovem Djair precisa ser apurada, os órgãos do poder público e da sociedade civil precisam se manifestar e as coisas não podem continuar como estão!
É inadmissível, sob qualquer exercício de compreensão intelectual, que o chefe da operação venha a público alegar que os policiais agiram em legítima defesa, isso é brincar com as pessoas, é achincalhar a sociedade, é desrespeitar as nossas inteligências. Mas, tudo bem, cada um tem o direito de se defender, entretanto, nós temos o direito de questionar: Ora, existe legitima defesa com tiro pelas costas? É crível, que um adolescente que estivesse correndo (da polícia) pudesse oferecer algum risco à vida dos policiais? É possível que todos os depoimentos dos que conheciam o garoto e dos que viram o episódio não tenham nenhum valor? Para mim trata-se de execução e isso está óbvio a partir da declaração das testemunhas e das circunstâncias amplamente exibidas pela imprensa!
Infelizmente a morte do jovem Djair não provocou o estardalhaço que outras mortes costumam causar.
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Nossas sensibilidades são, também elas, seletivas, tem lugar de classe e explícita orientação racial. Hierarquizamos a vida e, para maior parte da sociedade, cada vida tem um valor, segundo categorias sociais muito bem definidas. A Sr.ª Dejane, mãe do garoto Djair, fez uma perfeita síntese: “Se fosse filho de barão, era diferente”.
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De fato, o racismo institucionalizou-se como fenômeno em todo o Estado Brasileiro. Todos os dias, de formas perversas e insistentes, somos condenados e executados pela roupa que (não) usamos, pelo tipo de cabelo que temos, pelo lugar em que vivemos, pelo lugar em que (não) trabalhamos, pela religião que professamos, pela orientação sexual que assumimos e, sobretudo, pelo lugar sócio-racial em que estamos.
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Vivemos dia a dia o acirramento da tensão na sociedade brasileira. Diante da falência do Estado em todas as suas promessas, vivemos a tragédia do acirramento das desigualdades econômicas, a expulsão das moradias urbanas, a crueldade das torturas policiais, a dureza da exclusão acadêmica, a tristeza do abandono intelectual e, além de tudo isso, a persistência do discurso hipócrita e da afirmação cínica, de que poderia ser com qualquer um, de que o fato de o jovem ser negro é só uma coincidência, de que se fosse uma outra pessoa, com outras características físicas, também poderia ter acontecido. Isso é o mais cruel da história, o discurso de que somos todos iguais e de que a promessa (falsa) da modernidade funciona para todos e todas, a mentira de que somos iguais em direitos e deveres. Isso é o pior da história.
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É urgente romper com manto de cinismo, hipocrisia, má-fe e desfaçatez que cerca a discussão das grandes temáticas deste país. É necessário reconhecer que, a despeito das falas de grande mídia, o conflito racial no Brasil está se acirrando e as vítimas estão sempre do lado de cá. Se não se reconhecer isso imediatamente de maneira ética e responsável será absolutamente impossível gestar qualquer alteração na nossa forma de organização civilizatória.
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A violência policial institucionalizou-se. O Estado de direito faliu em todas as suas promessas de controle e organização social e a sociedade civil está imersa num modelo de paralisia tal, que qualquer discurso de revolução e alteração radical desse modelo fascista soa como anacrônico e extemporâneo. Por outro lado, aposta-se cada vez mais no reforço à tese da segurança pública ostensiva, aprofundam-se os investimentos em aparelhos de policia, em celas móveis, em novas e novas táticas de vigilância e controles dos corpos. Mera balela de um discurso de re-socialização que, além de falso, é omisso e cala ante a morte diária de dezenas de meninos negros permitindo a generalização da barbárie social...
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Enquanto o Estado se arma e articulam-se programas paliativos, as organizações criminosas se capilarizam e as polícias, inoperantes, matam pobres como se estivessem roubando doce de criança. A política de repressão se recrudesce e as possibilidades de prevenção acabam, sem recursos, sem intersetorialidade, sem políticas públicas.
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Acertada é a posição do filósofo Paulo Arantes, manifestada em entrevista recente ao Jornal Brasil de Fato falando sobre a tortura e a execução nesse país: Tortura-se desde sempre em qualquer cadeia pública brasileira. O escândalo dos anos de chumbo é que esta prática se estendeu aos brancos de classe média politicamente radicalizados. Quer dizer, o que havia de chocante era a inédita ampliação das classes torturáveis brasileiras, até então seletivamente restritas aos pobres, negros e presos. Não deixa de ser inquietante reparar que é precisamente esta a circunstância histórica que viu nascer o que viria depois a se institucionalizar como uma política de direitos humanos e igualmente não por acaso desde então acoplada à eterna promessa de uma “verdadeira” política de segurança pública, em contraposição à usual, baseada na escalada punitiva, desde o enfrentamento tipo “guerra urbana até o endurecimento contínuo da execução penal. Voltando ao básico.
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Vê-se a falência de um discurso de direitos humanos assentado, apenas, nas bases éticas e filosóficas do positivismo europeu. É urgente lançarmos-nos no desafio acadêmico da sistematização de um pensamento de direitos humanos afro-latino inspirado nas grandes tradições de cosmovisões ancestrais e respeitador da vida humana em qualquer dimensão que ela esteja.
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Os Governos mostram-se cada vez mais ineficientes ao tratar da temática da segurança pública e dos direitos humanos. Sem adentrarem às grandes questões do assunto, ficam sempre num sobrevôo raso onde o mais do mesmo é o que diferenciam a direita e a esquerda na lógica de utilização das velhas práticas, meramente punitivas e ineficazes.
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Mortes como a do menino Djair podem se repetir, e, infelizmente, poderão continuar ocultadas, pelo corporativismo da polícia, pela ineficiência da grande imprensa ou mesmo pela nossa cegueira diária. Novos jovens poderão aumentar a lista dos atocaiados pelo Estado e terão as suas mortes choradas por suas mães, pretas, que sabem que “Se fosse filho de barão, era diferente”
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O Estado, burguês e racista, continuará com o seu discurso velho de neutralidade, de paciência, de tolerância e de conciliação. E nós? O que vamos fazer?
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Penso que mais do que nunca é hora de aprofundarmos a luta e caminharmos nas ruas. É hora de dizer que a polícia não contará com o nosso silêncio, que politizaremos cada ato cometido contra um dos nossos, que gritaremos, enquanto forças tivermos, para que a profecia de João Cabral de Melo Neto não se cumpra e que deixemos de morrer: “de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte e de fome um pouco por dia”.

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*Texto de Felipe da Silva Freitas, estudante de Direito, membro do Núcleo de Estudantes Negras e Negros da Universidade Estadual de Feira de Santana, voluntário da Cáritas Arquidiocesana e filiado ao Partido dos Trabalhadores / BA.

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Texto publicado no Blog Jornal Recomeço, de Glória Reis.

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NOTA: Só me surpreende o fato de que um jovem tão lúcido e inteligente ainda seja filiado ao PT.


Barbárie em Recife

Há 48 dias, jovem é mantido algemado à cama do hospital
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Um jovem de 17 anos está há 48 dias algemado à cama de um hospital em Recife (PE), onde está custodiado pela Polícia Civil. Ele foi detido pela PM em 6 de dezembro após tiroteio em Santo Amaro, bairro onde mora. Ele foi atingido na perna.
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O conselheiro tutelar André Torres diz que o caso foi denunciado ao Ministério Público Estadual anteontem e que as algemas não são retiradas nem durante as refeições. Torres afirma ainda que há negligência médica por causa da situação do jovem, internado no Hospital da Restauração.
"É um tratamento desumano e constrangedor, que fere o Estatuto da Criança e do Adolescente", diz Torres.
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Segundo a delegada da GPCA (Gerência de Proteção à Criança e ao Adolescente), Inalva Regina, o adolescente está algemado devido ao alto número de fugas em hospitais, apesar da presença de policiais. Segundo ela, o garoto foi preso em flagrante por porte de arma e aguarda pronunciamento da Justiça.
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O pai do garoto, Evandir dos Santos Filho, 37, nega que o filho esteja envolvido com o crime. Segundo ele, o adolescente, assustado com o tiroteio, correu e foi confundido com os bandidos.
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A coordenadora das Promotorias de Infância e Juventude de Pernambuco, Glória Ramos, diz que solicitou à Polícia Civil e à Fundac (Fundação da Criança e do Adolescente) que as algemas sejam retiradas. Até ontem, ele continuava algemado.

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Publicado na Folha de São Paulo em 22 de Janeiro de 2008.

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Publicado no Blog Jornal Recomeço, de Glória Reis, em 22/01/2008.

Assim se mata em Minas Gerais


Em Minas Gerais, a pena de morte por arma de fogo está sendo substituída pelo fogo. Nem os nazistas chegaram a tanto: matavam primeiro para depois jogar os corpos no forno crematório. Aécio Neves prefere queimar os detentos vivos. "Polícia do governo Aécio Neves (PSDB) não explicou onde estava o carcereiro no momento do fogo nem divulgou seu nome", diz a manchete do jornal.

Aí estão os nomes dos jovens mortos. Como se dizia: são judeus, são comunistas, são ciganos, são negros, são heréticos... Agora são "traficantes de drogas"... Joga-se na fogueira. E pronto! Assim caminha a humanidade.

• Juarez de Jesus Santos, 28 anos, condenado por furto;
• Anderson Dorneles dos Santos, 23 anos, condenado por furto;
• Marlon Fernandes, 24 anos, condenado por tentativa de homicídio;
• Raimundo Anastácio de Moura, 35 anos, condenado por furto;
• Rodrigo Luciano dos Santos, 18 anos, autuado por tráfico de drogas;
• Everson Barbosa Ferreira, 18 anos, autuado por tráfico de drogas;
• Jaider Martins, 21 anos, autuado por tráfico de drogas;
• Donizete Gomes, 41 anos, condenado por tráfico de drogas.
(Fonte: Policia Civil)
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Publicado no Blog Jornal Recomeço, de Glória Reis. Visite.

Não apedrejem Leidiane

Leiam artigo sobre a jovem que acabou indiciada por ato obsceno ao ficar nua em baile funk, esperando ganhar R$ 600 para pagar dívida (notícia CLIQUE AQUI)

Não apedrejem a moça nua
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A hipocrisia da sociedade é, às vezes, revoltante.
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Não vejo nenhuma reação social à exibição de atrizes nuas, rodopiando sensualmente em canais abertos de televisão, em horários franqueados a todas as idades.Interesses comerciais altíssimos estão em jogo nesses casos. O lucro é franquia para qualquer comportamento, mesmo aqueles que agridem nossos filhos, nossas filhas, nossos netos, nossas netas.
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Os artigos da Constituição Federal que determinam tenha a televisão finalidade educativa, com a criação de um Conselho Nacional de Comunicação Social, formado por representantes da sociedade civil, ainda dependem de regulamentação, não obstante a Constituição já vá completar vinte anos de existência. A regulamentação desses artigos reduz o lucro e ai de quem queira mexer com o “deus lucro”.
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Não se vê qualquer relação (ou se vê, mas se finge não ver) entre a cena da atriz nua que rodopia com luxúria diante de milhões de pessoas e a cena da pobre Leidiane, que também rodopia, igualmente nua, diante de um público de, quando muito, duas centenas de pessoas.
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O fato, que aconteceu em Vitória, teve repercussão nacional.
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Leidiane rodopiou para ganhar setecentos reais. Viúva, com três filhos, tendo ainda sob responsabilidade a Mãe, foi tentada pela promessa de recompensa.
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Quem são os responsáveis por esses bailes que propiciam clima para essas coisas? Quais os interesses econômicos que estão atrás de tudo?
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A sociedade está preocupada em exaltar valores positivos, em formar a juventude, em assegurar escola pública de ótima qualidade para todos? A sociedade está engajada no esforço de formar cidadãos e cidadãs que encontrem seu lugar no mundo? A sociedade está abrindo canais de esperança e de futuro para os milhões de pessoas que suplicam por uma oportunidade de trabalho honesto? Ou a sociedade só sabe levantar o braço pedindo que Madalena seja apedrejada?
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Não apedrejem Leidiane.
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Eu me solidarizo com essa moça e com sua família. Eu me solidarizo com a Mãe de Leidiane, que teve uma crise nervosa na Delegacia, vendo a filha ser fotografada e filmada.
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Não pode um gesto impensado destruir a vida de uma jovem, comprometendo inclusive o sossego de seus filhos, ainda pequenos.Tenha complacência com Leidiane dos Santos Muniz, minha prezada delegada Tânia Zanoli. E se o inquérito chegar à Justiça, tenha complacência com Leidiane, juiz ou juíza a quem couber o caso.
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Temos de defender valores morais, sim. Temos de velar para que o sexo, um dom de Deus, não seja banalizado. Mas temos de ter misericórdia também.
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A lei não existe para ser interpretada friamente. Em alguns momentos é preciso que o intérprete pouse sobre a lei um olhar de ternura.
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Como seria bonito decidir assim: “saia livre, Leidiane, e não faça mais isso”.
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Belo texto de João Baptista Herkenhoff, Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo – professor do Mestrado em Direito, e escritor. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br
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Publicado em 30/01/2008 no Blog Jornal Recomeço, da querida Glória Reis. Vale a pena visitar.

31 de jan. de 2008

Os lobos e o mundo animal


Senado - Sem apresentar as provas de inocência prometidas, Edinho Lobão, filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), e acusado de usar laranjas em uma de suas empresas, tomou posse ontem como senador. Apenas dois senadores participaram da solenidade. Minutos antes da posse faltou luz no Senado, nota a Folha e O Estado. Começou bem, o Lobinho.
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Texto recebido pelo boletim eletrônico O Filtro, de Thomas Traumann, em 31/01/2008.

O Filtro - Thomas Traumann (boletim@newsletter.edglobo.com.br)
Enviada:
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008 15:21:12
Responder-Para:
boletim@newsletter.edglobo.com.br
Para:

30 de jan. de 2008

Expo

PARIS - FRANCE
www.lepavedorsay.org
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Conheci Alexandre Lettnin na Igreja de Belleville, em Paris - 1998. Nas vezes em que o acompanhei ao atelier onde fazia seus trabalhos, presenciei sua destreza e criatividade, que fazem de seus trabalhos as obras de arte que são. Seus temas são recorrentes: valores ligados ao cristianismo e à condição humana. O reconhecimento da boa qualidade de seu trabalho talvez dê frutos mais visíveis agora, mas isso acontece graças a um processo lento de aperfeiçoamento, divulgação, aprovação pública leiga e especializada. Torço pra que tudo dê certo. Não é qualquer um que expõe no Orsay.
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Veja o trabalho de Alexx Lettnin, em seu blog: http://www.lettnin.blogspot.com/
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Alexandre Lettnin.

Tirei esta foto no metrô, em Paris.

Jouets


Que l'adulte français voit l'Enfant comme un autre lui-même, il n'y pas de meilleur exemple que le jouet français. Les jouets courants sont essentiellement un microcosme adulte ; ils sont tous reproductions amoindries d'objets humains, comme si aux yeux du public l'enfant n'était en somme qu'un homme plus petit, un homunculus à qui il faut fournir des objets à sa taille.
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Les formes inventées sont très rares : quelques jeux de construction, fondés sur le génie de la bricole, proposent seuls des formes dynamiques. Pour le reste, le jouet français signifie toujours quelque chose, et ce quelque chose est toujours entièrement socialisé, constitué par les mythes ou les techniques de la vie moderne adulte : l'Armée, la Radio, les Postes, la Médecine (trousses miniatures de médecin, salles d'opération pour poupées), L'École, la Coiffure d'Art (casques à onduler), L'Aviation (parachutistes), les Transports (Trains, Citroëns, Vedettes, Vespas, Stations-Services), la Science (Jouets martiens).
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Que les jouets français préfigurent littéralement l'univers des fonctions adultes ne peut évidemment que préparer l'enfant à les accepter toutes, en lui constituant avant même qu'il réfléchisse, l'alibi d'une nature qui a créé de tout temps des soldats, des postiers et des vespas. Le jouet livre ici le catalogue de tout ce dont l'adulte ne s'étonne pas : la guerre, la bureaucratie, la laideur, les Martiens, etc. C'est ne pas tant, d'ailleurs, l'imitation qui est le signe d'abdication, que sa littéralité : le jouet français est comme une tête réduite de Jivaro, où l'on retrouve à la taille d'une pomme les rides et les cheveux de l'adulte. Il existe par exemple des poupées qui urinent; elles ont un oesophage, on leur donne le biberon, elles mouillent leurs langes ; bientôt, sans nul doute, le lait dans leur ventre se transformera en eau. On veut par là préparer la petite fille à la causalité ménagère, la "conditionner" à son futur rôle de mère. Seulement, devant cet univers d'objets fidèles et compliqués, l'enfant ne peut se constituer qu'en propriétaire, en usager, jamais en créateur ; il n'invente pas le monde, il l'utilise : on lui prépare des gestes sans aventure, sans étonnement et sans joie. On fait de lui un petit propriétaire pantouflard qui n'a même pas à inventer les ressorts de la causalité adulte ; on les lui fournit tout prêts : il n'a qu'à se servir, on ne lui donne jamais rien à parcourir. Le moindre jeu de construction, pourvu qu'il ne soit pas trop raffiné, implique un apprentissage du monde bien différent : l'enfant n'y crée nullement des objets significatifs, il lui importe peu qu'ils aient un nom adulte : ce qu'il exerce, ce n'est pas un usage, c'est une démiurgie : il crée des formes qui marchent, qui roulent, il crée une vie, non une propriété ; les objets s'y conduisent eux-mêmes. Ils n'y sont plus une matière inerte et compliquée dans le creux de la main.d' Mais cela est plus rare : le jouet français est d'ordinaire un jouet d'imitation, il veut faire des enfants usagers, non des enfants créateurs.
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L'embourgeoisement du jouet ne se reconnaît pas seulement à ses formes, toutes fonctionnelles, mais aussi à sa substance. Les jouets courants sont d'une matière ingrate, produits d'une chimie, non d'une nature. Beaucoup sont maintenant moulés dans des pâtes compliquées ; la matière plastique y a une apparence à la fois grossière et hygiénique, elle éteint le plaisir, la douceur, l'humanité du toucher. Un signe consternant, c'est la disparition progressive du bois, matière pourtant idéale par sa fermeté et sa tendreur, la chaleur naturelle de son contact ; le bois ôte, de toute forme qu'il soutient, la blessure des angles trop vifs, le froid chimique du métal ; lorsque l'enfant le manie et le cogne, il ne vibre ni ne grince ; il a un son sourd et net à la fois ; c'est une substance familière et poétique, qui laisse l'enfant dans une continuité de contact avec l'arbre, la table, le plancher. Le bois ne blesse, ni ne se détraque ; il ne se casse pas ; il s'use, peut durer longtemps, vivre avec l'enfant, modifier peu à peu les rapports de l'objet et de la main ; s'il meurt, c'est en diminuant, non en se gonflant, comme ces jouets mécaniques qui disparaissent sous la hernie d'un ressort détraqué. Le bois fait des objets essentiels, des objets de toujours. Or il n'y a presque plus de ces jouets en bois, de ces bergeries vosgiennes, possibles, il est vrai, dans un temps d'artisanat. Le jouet est désormais chimique, de substance et de couleur ; son matériau même introduit à une cénesthésie de l'usage, non du plaisir. Ces jouets meurent d'ailleurs très vite, et une fois morts, n'ont pour l'enfant aucune vie posthume.
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Texte de Roland Barthes, publié en Mythologies, aux pages 63-65. Ed. du Seuil, , Paris, 1957.
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NOTA: Eu amo essa coletânea de Barthes. Esse texto, em particular, li pela primeira vez traduzido para o português na disciplina Estética e Cultura de Massas, com o Prof. José Luiz Braga (FAC/UnB), que escreveu sua tese de doutoramento, na França, sobre o Pasquim dos anos 70. Depois, em Paris, adquiri algumas obras de Barthes, dentre as quais Mythologies. Prefiro a leitura do texto em francês. Os grifos em negrito, no texto, são meus.
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Roland Barthes (Cherbourg, 12/11/1915 — Paris, 26/03/1980) foi um escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês.
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Formado em Letras Clássicas em 1939 e Gramática e Filosofia em 1943 na Universidade de Paris, fez parte da escola estruturalista, influenciado pelo lingüista Ferdinand de Saussure. Crítico dos conceitos teóricos complexos que circularam dentro dos centros educativos franceses nos anos 50. Entre 1952 e 1959 trabalhou no Centre national de la recherche scientifique - CNRS.
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Barthes usou a análise semiótica em revistas e propagandas, destacando seu conteúdo político. Dividia o processo de significação em dois momentos: denotativo e conotativo. Resumida e essencialmente, o primeiro tratava da percepção simples, superficial; e o segundo continha as mitologias, como chamava os sistemas de códigos que nos são transmitidos e são adotados como padrões. Segundo ele, esses conjuntos ideológicos eram às vezes absorvidos despercebidamente, o que possibilitava e tornava viável o uso de veículos de comunicação para a persuasão.
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Principais Obras
O grau Zero da Escrita (1953)
Mitologias (1957)
Elementos da Semiologia (1965)
O sistema da moda (1967)
S/Z (1970)
Roland Barthes por Roland Barthes (1975)
Fragmentos de um Discurso Amoroso (1977)
A câmara clara (1980)
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Signo = Significante (som) + Significado (objeto)A Semiótica (do grego semeiotiké ou "a arte dos sinais"), é a ciência geral dos signos e da semiose, que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia. Em oposição à lingüística, que se restringe ao estudo dos signos lingüísticos, ou seja, do sistema sígnico da linguagem verbal, esta ciência tem por objeto qualquer sistema sígnico - artes visuais, música, fotografia, cinema, culinária, vestuário, gestos, religião, ciência, etc.
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FONTE: Wikipédia.
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NOTA: Semiótica, em "oposição à Lingüística"? No conceito de C. S. Peirce talvez sim, mas o conceito de Semiologia de Barthes elimina essa oposição, pois define que todo sistema de significação é perpassado pela linguagem verbal humana... Não tinha atentado para este "detalhe" da definição wikipediana...

Lula e Lobão no mundo animal


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