Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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30 de jan de 2014

Edivaldo Holanda e a educação básica em São Luis, Maranhão. Descaso ainda é pouco.

a censura, essa quimera

Falar sobre a censura no meio evangélico é falar sobre uma rede extensa e complexa de interesses. Buscar primeiro o reino de Deus ficou em último lugar, e hoje muitos pastores, teólogos, doutores, presidentes e advogados de associações que se denominam evangélicas, além de blogueiros e donos de site exercem a censura como meio de fazer prevalecer seu ponto de vista sobre as opiniões e as pessoas das quais discordam.
Censura. Pressões, chantagens. Parafraseando Shakespeare, há mais coisas entre evangélicos e a vida mundana do que pode supor nossa vã filosofia. Tenho um blog simples. Aliás, dois. Um no qual procuro discutir temas ligados à política e à religião, além de incluir postagens várias sobre literatura, música, cinema etc., e outro, no qual publico exclusivamente textos literários de minha autoria. Sou professora de uma universidade, gosto muito do que faço e em geral não me sobra tempo para postar com regularidade, a não ser nas férias, ou em um feriado prolongado. Então os blogs não são, definitivamente, uma atividade prioritária na minha vida.
Independentemente disso, desde que comecei a criticar um senhor calvinista que detém poder e influência, o nome do meu blog de textos político-religiosos desapareceu da listagem de vários blogs, inclusive de blogs de pessoas que estão em minha lista de amigos no Facebook, por exemplo. Coincidência? Tenho um amigo que passou pela mesma experiência.
A rede de interesses, barganhas, chantagens, comunicações subterrâneas, “truques” e atos aparentemente inocentes existe para tirar do oponente qualquer possibilidade de réplica e crítica. Esses que não gostam de críticas ostentam a imagem de amantes do debate. Mas o “debate” não ocorre, porque a mão pesada da censura e da intimidação elimina o gosto desagradável e incômodo do questionamento. Hoje não se questiona mais por que a teologia cessacionista é errada à luz da Bíblia. A web está repleta de blogs e sites pentecostais, mas ninguém fala nisso. Blogueiros pentecostais acham mais importante falar como a música pentecostal é ruim e sem imaginação a confrontar uma teologia visivelmente satânica.
Blogs cujos donos ou administradores pentecostais publicam artigos do senhor ao qual me refiro no início deste texto sem nenhum constrangimento – e escolhem em geral fotos muito boas para ilustrar seus textos! Que bom! Design é tudo. Ninguém ousa pensar. O mais irônico é que tanto se critica os neopentecostais por “não pensarem”. E isso é demonstrado quando publicam artigos do senhor teólogo que vê heresia, pura e simplesmente, nas experiências pentecostais.
Minha expressão de espanto é sobrepujada pela amargura em perceber a estrutura diabólica que tem alimentado a rede de blogs “evangélicos”. Aí vem a blogueira que sente “uma necessidade quase física” (sabem que eu gostei disso? É tão Lars Von Trier!) de expressar seus pensamentos… Seu blog é uma “tentativa” de “recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais”. Bonito, não? Não! Porque em um artigo recente ela diz exatamente o contrário! Ela diz que devemos separar bem as coisas: uma coisa é a igreja, outra é a universidade. Então para quê “recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais”? Mais adiante, ela explica humildemente (ainda bem, porque penso que seus textos são pedantes, e que ela é cheia de orgulho, habilmente encoberto por uma humildade falsa – uma das maiores evidências do orgulho): “Não por pedantismo ou orgulho, mas por uma necessidade quase física de dar nomes às minhas intuições”.
Segundo o artigo dessa moça, publicado na revista virtual “Teologia Brasileira”, teologia é uma coisa, mundo acadêmico é outra. E quem diz o contrário é… “conservador”! Ou seja: não podemos criticar o que ocorre em uma universidade como a Mackenzie, da Igreja Presbiteriana. Segundo ela, esse silêncio se chama “maturidade cristã”. Mas eu chamo de censura. Os que questionam o que ocorre na Mackenzie são tachados de conservadores, pessoas de visão turva, pouco inteligentes, mal esclarecidos. Afinal, como está escrito em Tito 1:15,  “tudo é puro para os que são puros…” Não é assim que os cristãos liberais justificam Marx, Luiz Mott, Teologia da Libertação, Missão Integral et caterva no meio evangélico? É assim também que os cessacionistas justificam qualquer coisa. Justificam o Genizah, justificam as pressões, justificam a censura, justificam as ações nada cristãs da Anajure a favor de uma denominação específica, de uma visão teológica estreita, de determinadas pessoas e blogs.
E mais uma coisa, que eu já disse em texto anterior: a censura ocorre também contra os que a praticam. A liberdade plena é concedida apenas aos cessacionistas: eles escrevem e publicam o que bem entendem, no blog de quem bem entendem. Em seus blogs, não há nem mesmo uma citação ou link para qualquer blog pentecostal — nem mesmo para os blogs que os citam, elogiam e divulgam. Definitivamente, esse desequilíbrio é a face mais visível de um processo de degradação espiritual sem precedentes no meio. Uma “tentativa” de “recolocar o cristianismo na via dos debates intelectuais”. Bonito, não? Mas toda turma cessacionista odeia ter sua heresia cessacionista contestada, questionada, debatida. Essa blogueira é incapaz, por agradecimento, por cortesia ou por gratidão, de citar ou divulgar os links dos blogs que recomendam seu blog como digno de ser lido. O que é isso? Uma opção pessoal, diriam alguns. Censura, eu afirmo.
Desisti de escrever para um portal de blogs para o qual escrevia sobre política. Minha interlocutora, ali, sempre foi de uma gentileza ímpar comigo. Mas uma entrevista que dei para o Blog do Júlio Severo foi rejeitada. Foi censurada. Não pela minha interlocutora, mas por irmãos pentecostais que têm interesses em jogo com a VINACC, a Mackenzie e a Anajure, todas dominadas pela fatia cessacionista da Igreja Presbiteriana, sobretudo na figura do ilustre chanceler. Não, não é coincidência. Isso tem nome. Isso tem explicação. Isso tem autor. Isso tem razão de ser. Pense com sua cabeça, investigue e analise. Você vai se surpreender.
Maya Felix, jan 2014
* Texto postado também no portal Gospel Prime  e no Blog do Júlio Severo.

27 de jan de 2014

John Piper fala sobre o dom de línguas

John Piper, o cristão calvinista mais proeminente de sua época, fala sobre o dom de línguas do Espírito Santo nos dias atuais:

"O papel desse fenômeno [o dom de línguas] é o seguinte: é um dom, ele está ali, e não vejo nenhuma razão para afirmarmos que algo mudou na história da Redenção e que entre a era dos apóstolos e a nossa esse dom tenha desaparecido. Se Deus quiser que ele desapareça, ele o fará desaparecer, mas não vejo nenhum mandamento para que não o busquemos. Na verdade, vejo versículos que nos encorajam a fazê-lo, de modo que há pelo menos dois tipos de manifestações: a primeira é a elocução [de] uma língua inteligível. Já ouvi testemunhos de pessoas que, sem saber o que estavam fazendo, falaram coisas em uma outra língua que foi compreendida por alguém de outra nacionalidade. Esse é um ensinamento. Mas ao ler I Cor. 12 penso que não era isso que estava acontecendo lá. Era mais uma expressão de êxtase que não tinha um significado comum aos homens. Eram línguas de homens e de anjos. O texto parece se referir a línguas de anjos. É um tipo de expressão que acontece quando o seu coração está cheio, transbordando no Espírito Santo. Ele solta a sua língua para expressar estas sílabas com um valor espiritual para você e se houver alguém com o dom de interpretação, elas adquirem um valor espiritual para os demais. [...] Eu encorajaria aqueles que creem ter esse dom que o usem nos pequenos grupos da igreja para que as pessoas que têm o dom da interpretação possam operar.[...] se todos profetizarem, se estiverem proclamando uma palavra de Deus, um de cada vez, dando testemunho de algo que Deus lhes revelou nas escrituras, ou por meio de uma experiência, então as pessoas se prostrarão e dirão: 'Deus está nesse lugar!' [...] E eu orei: 'Senhor, eu ainda desejo muito falar em línguas. O Senhor me daria esse dom?' "

Veja:




25 de jan de 2014

c'est moi le nouveau parfum




Nouveau Parfum

Boggie


Soit Prada, Hugo Boss, Chan
el, Giorgio Armani, Cartier, Azzaro, Sisley, Escada, Gucci, Naf Naf, Nina Ricci, Lancôme, Kenzo et encore, encore

Soit Bruno Banani, La Bastidane, Estée Lauder, Guerlain, Burberry et Thierry Mugler, Bourjois, Chloé, Jean-Paul Gautier, Valentino et je n'en sais plus

Lequel je choisis ?
Pourquoi je choisis ?
Qui veut que je choisisse ?
Je ne suis pas leur produit

De beauté, d'préciosité
Ils ne peuvent pas me changer
Sans pareille, non pareille,
Le nouveau parfum, c'est moi-même, le nouveau parfum

C'est moi le nouveau parfum

Soit Roberto Cavalli, Bulgari, Givenchy, Dolce & Gabana, Paco Rabanne, soit Lacoste, Tommy Hilfiger, Yves Saint Laurent et je n'en sais plus

Lequel je choisis ?
Pourquoi je choisis ?
Qui veut que je choisisse ?
Je ne suis pas leur produit


De beauté, d'préciosité
Ils ne peuvent pas me changer
Sans pareille, non pareille,

Le nouveau parfum, c'est moi-même, le nouveau parfum
C'est moi le nouveau parfum

23 de jan de 2014

alfonsina, eu faço versos como quem morre


Alfonsina Storni suicidou-se andando para dentro do mar. A canção "Alfonsina y el mar" foi gravada por inúmeros cantores, em todo o mundo. Alfonsina era poeta e tinha 46 anos.

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

(Manuel Bandeira)

8 de jan de 2014

a crítica selvagem e a selvageria acrítica

Sim, gente, tudo bem. O homem tem uns textos interessantes. Não li os livros porque achei alguns de uma chatice ímpar. Como diz Jorge Luis Borges, citando Montaigne: "eu diria que a literatura é [...] uma forma de alegria. Se lemos algo com dificuldade, o autor fracassou. Por isso, acho que um escritor como Joyce fracassou, em sua essência, já que sua obra requer esforço para ser lida. Um livro não deve exigir esforço: a felicidade não deve exigir esforço". 

E quando eu digo chatice não quero dizer "complexidade". Quero dizer chatice, mesmo. Já li muito livro "complexo", de raciocínio bastante elaborado, de Filosofia da Linguagem, Linguística, Semiótica. E penso que quase todos eram apaixonantes, interessantes, instigantes como enigmas prontos a serem desvendados. Mas os livros desse senhor me parecem chatos mesmo, com uma certa pretensão àquilo que eu chamo de "profundidez", uma mistura de profundidade com sordidez intelectual. Sim, ele escreve textos bons, de vez em quando. Reconheço sem nenhum problema. Mas alguns outros são chatos. Só isso, chatos. 

E tenho dificuldade para engolir a figura sempre fumando, nos vídeos, e declamando amorosamente três palavrões em cada cinco vocábulos de uma oração. Não, não dá. Não acho engraçado, não amenizo, não busco a compensação: "Ah, ele fala palavrão, mas em compensação..." Não, não há compensação nenhuma. Uma pessoa que não consegue se expressar com o mínimo de compostura não compensa. Volto a preservar a face: sim, ele tem ideias com as quais eu concordo. Sim, ele escreve coisas muito boas. Sim, ele deve ser inteligente. Mas agora volto à carga: não, eu não tenho a menor paciência pra ouvir os maravilhosos programas nos quais ele mostra sua superior superioridade sobre todos os demais mortais que não pensam como ele. "Ah, então você é de esquerda!" Não, não sou. Eu sou é independente de grupos. Eu penso com o meu próprio cérebro. Eu não tenho necessidade de me afirmar admirando fulano, beltrano e sei lá mais quem. Já saí da adolescência, então a turma não é, digamos, uma necessidade. Não penso em bloco. Não faço parte de escola de samba. Então não tenho medo de fazer crítica a ninguém. A ninguém, certo? Porque para mim só há um Deus (e até Ele sabe que de vez em quando eu reclamo do que Ele anda fazendo, com todo o respeito). Mais: não gosto de astrologia, não gosto de islamismo, não gosto de palavrão, não sou católica (com todo o respeito). Então só por aí há divergências. E ponto. 

Também não aprovo o tom bastante arrogante (mas esse não é um privilégio dele, somente) com que se expressa. Toda crítica que faz é arrogante, é feita num tom próprio de quem deseja não apenas criticar, mas escarnecer. De quem pretende não só expor suas ideias, mas precisa humilhar o adversário para que elas sejam validadas. Não gosto do tom histriônico, quase histérico, com que afirma suas certezas. Não aprovo o desprezo com que fala de seus opositores. Aliás, o desprezo com que fala do Brasil e dos brasileiros. É o que eu digo sempre: senhor gênio, por que ainda não dá aulas em Oxford, a fim de abandonar de vez esses pobres selvagens que jamais estarão à altura de seu brilhantismo intelectual? Mas não: é daqui que o gênio sagaz tira seu sustento. Vende seus livros no Brasil. Seus programas são vistos aqui. Seus artigos são publicados em jornal brasileiro. Seus alunos, que pagam um preço alto para fazer seus cursos de Filosofia, saem daqui.

Relutei em escrever este texto. Conheço pessoas que concordam comigo em muito do que eu disse, mas não ousam criticá-lo. Eu não ousei nominá-lo. Todos sabem que o senhor tem uma torcida organizada, fãs ardorosos, alunos aplicados e uma tropa de choque fiel. Criticá-lo pode significar perder amizades virtuais, receber o desprezo de muitos e a incompreensão de outros tantos. Mas, que me entendam, não se trata de uma questão emocional. Faço uma crítica sincera e pondero, reconhecendo tanto as qualidades inegáveis de seu trabalho quanto seus defeitos crônicos. Se alguém que me lê agora realmente não é um idiota, deve compreender.

Por fim, meu apelo. Senhor, se tem certeza de que está certo, fale calmamente, decorosamente, respeitosamente. Não insulte o outro. Use a ironia na boa medida -- assim como ela pode ser uma aliada, pode também se tornar uma inimiga impiedosa. Mas agora entro particularmente na questão do estilo literário, e não tenho paciência para fazer essa análise neste momento. Já deu. Ah, sim: quanto ao cigarro, de que falei logo acima. É certo, o fumo faz mal e deixa a pessoa fedendo, e sei disso porque já fumei. Mas isso não é problema meu.

2 de jan de 2014

La saeta, de Antonio Machado

Nesses dias de fim de ano ouvi uma música do álbum Traduzir-se, de Raimundo Fagner (que eu não ouvia há um bom tempo). Quando o LP foi lançado eu tinha dez anos, então ouvi muito, passei o final da infância e a adolescência ouvindo o vinil que minha mãe tem até hoje. Eu gosto demais do trabalho do Fagner, mesmo se depois de um tempo ele passou a criar coisas mais comerciais, enfim, aquelas borbulhas de amor e tal. 

Na UnB, fiz três semestres de Espanhol, quando conheci algumas obras do poeta Antonio Machado. Pude ler outras poesias do autor da letra que Fagner musicou (foi ele? nem me lembro). La saeta é uma das mais lindas músicas desse LP, que aliás não tem nenhuma música ruim. Antonio Machado é também o autor de Las Moscas, que eu acho lindíssimo. Uma estrofe: ¡Moscas del primer hastío / en el salón familiar, / las claras tardes de estio / en que yo empecé a soñar! 

Em La Saeta Machado transgride a tradição católica espanhola, dos autoflagelos, das procissões, do Cristo  morto, imovel e pregado numa cruz, do sofrimento como parte constitutiva do cristianismo e afirma a essência de um Cristo vivo, que se move e que também transgride as leis humanas ao andar sobre o mar. Nisso eu me identifico com ele! Machado foi muito feliz ao escrever este poema em que a antítese morte x vida, retratada nas duas concepções do Cristo, é a própria essência constitutiva do cristianismo na Europa.

¡Oh, la saeta, el cantar 
al Cristo de los gitanos, 
siempre con sangre en las manos, 
siempre por desenclavar! 
¡Cantar del pueblo andaluz, 
que todas las primaveras 
anda pidiendo escaleras 
para subir a la cruz! 
¡Cantar de la tierra mía, 
que echa flores 
al Jesús de la agonía, 
y es la fe de mis mayores! 
¡Oh, no eres tú mi cantar! 
¡No puedo cantar, ni quiero 
a ese Jesús del madero, 
sino al que anduvo en el mar!


1 de jan de 2014

o engano da aparência: blogs, blogueiros, blogagens e blogosfera cristã.

Neste ano de 2013 comecei a me dar conta de que as postagens da página de um portal de blogs de maioria pentecostal no Facebook traziam cada vez mais frases, pequenos textos e imagens de pastores calvinistas. Não só calvinistas, eu percebi: cessacionistas. Mas o que é um “calvinista cessacionista”? Em linhas muito gerais, é alguém que não somente crê que o homem não tem absolutamente nenhum papel, nenhuma escolha a desempenhar no processo da salvação (pois ele é um “escolhido”, ou seja, será salvo mesmo se não quiser ser salvo) como também que os dons do Santo Espírito, revelados ao longo de todo o Novo Testamento, não mais nos são dados hoje. Isso que dizer: Deus não mais age, por meio de homens, para curar, por exemplo. Dons de língua também não existem, são apenas invencionices. Para os calvinistas cessacionistas, o movimento pentecostal não passa de uma heresia. Sim, para os cessacionistas eu sou uma herege.

Ao fazer um tour por blogs de calvinistas cessacionistas, como o famoso Ó Tempora, Ó Mores! [célebre frase do senador romano Cícero, em latim, que foi publicada nas famosas Catilinárias, discursos em que Cícero condenava Catilina, outro senador, e apontava os tempos e costumes perversos da época. Significa: Ó tempos, ó costumes!] e o Blog da Norma Braga, não vi nem sequer um link para algum blog pentecostal, arminiano, adepto do sinergismo. Todos eles só têm entre seus links “recomendados”, blogs e sites calvinistas cessacionistas. É claro, têm toda a liberdade para tal e para mim isso não é nenhuma surpresa.

O que me deixa perplexa é perceber quantos blogs pentecostais, cujos autores se definem como arminianos, de igrejas como Assembleia de Deus ou Metodista, recomendam expressamente, com links e artigos copiados, esses blogs que se intitulam “reformados” [que designa uma parcela muito pequena dos cristãos adeptos do evangelicalismo no Brasil e no mundo: os calvinistas cessacionistas].

É claro, não indico um blog em minha lista de blogs somente se esse blog me indicar. A questão não é precisamente a “reciprocidade”, apesar de ela ter, também, sua razão de ser. O ponto central é precisamente a base da doutrina teológica dos que se chamam reformados e por que tantos pentecostais se rendem a seus textos sem enxergar o que de fato eles pregam.

Vamos por partes:

  1. Os calvinistas cessacionistas advogam o total alijamento da vontade do homem no processo de salvação. Ainda que eu quisesse crer nisso, pois sei que Deus é onipotente, não poderia, pois, como disse C. S. Lewis, entre tantos outros, podemos impedir Deus de agir, se quisermos: temos o livre-arbítrio (Cristianismo Puro e Simples, p. 271). Não porque Deus não seja onipotente, mas porque escolheu limitar-se em relação à nossa escolha de amá-lo ou não. Assim como Cristo escolheu limitar-se a um corpo humano para nos salvar. Os arminianos, pentecostais ou não, creem que o homem escolhe amar a Deus; os calvinistas creem que o homem não tem nenhuma escolha a fazer em relação à sua salvação;
  2. Em segundo lugar, os dois blogs de que eu falei, além de outro, do pastor Renato Vargens, de Niterói – entre tantos – apoiam declaradamente ou tacitamente os blogs “apologéticos”, conhecidos pelo escárnio e pela zombaria com que tratam assuntos ligados aos neopentecostais. Refiro-me ao blog Genizah, sobretudo, conhecido por sua falta de postura leal e de ética no debate teológico. Só o escárnio e a falta de respeito que têm para com outros cristãos [que eles nem mesmo consideram cristãos, aliás] já seria motivo para nos afastarmos de blogs que se julgam sérios mas nada dizem contra os “apologéticos”. Mas os blogueiros pentecostais fecham os olhos para isso também. Julgam a Teologia da Prosperidade mais grave – e mais kitsch, mais brega, menos chique, menos “acadêmica” – que a Teologia Cessacionista. Ora, ora. Os cessacionistas, que fique registrado, apresentam-se envoltos em uma aura de academicismo, racionalidade, cientificidade, ordem... Já os neopencostais são barulhentos, ridículos, ostentadores de riquezas... E aí fica meio difícil julgar as pessoas pelo que elas realmente são: mentirosas. Os cessacionistas mentem, quando afirmam que o Espírito Santo não mais age nos dias de hoje, produzindo “maravilhas e sinais” como nos tempos de Jesus. Os adeptos da Teologia da Prosperidade mentem, quando afirmam que se você der muito dinheiro para a igreja, Deus vai recompensá-lo. Tanto uma quanto outra teologia podem se embasar em trechos da Bíblia. Se até Jim Jones se baseou em trechos da Bíblia, nenhuma dessas teologias leva vantagem sobre outra;
  3. O problema é que muitos pentecostais acreditam que as igrejas neopentecostais são um mal maior diante dos cessacionistas. Porque os neopentecostais estão na TV, nas ruas, nas gravadoras, em todo lugar. Não queremos que nossa fé, tão “pura”, seja maculada pelo vil metal, não querermos nos identificar com os neopentecostais. Já os cessacionistas, até por serem em número muito menor, não se colocam em franca evidência. São discretos, repetem o mantra da “ordem no culto” [será que pode bater palmas, falar um “aleluia” de vez em quando, um “oh! Glória!”...?], não gostam da “música gospel”, condenam o excesso de entusiasmo nas orações, no louvor, na pregação. Ou seja: os cessacionistas estão para os neopentecostais como a bossa nova está para o axé music. E, é claro, como somos todos muito civilizados, cultos e racionais, não examinamos as escrituras: preferimos a bossa nova, ainda que seja tão herética quanto a axé music [foi só uma ilustração, eu gosto do João Gilberto, ok?];
  4. Além de tudo o que já disse, devo acrescentar: os cessacionistas combatem a Teologia Pentecostal. Sim, é isso mesmo. Enquanto blogueiros pentecostais fazem propaganda de blogs cessacionistas, os cessacionistas não se cansam de repetir, entre si ou, mais discretamente, em seus blogs, que crer na ação do Espírito Santo nos dias de hoje – nas curas, na glossolalia, em arrebatamentos e outros fenômenos espirituais sobrenaturais – é mistificar a fé cristã. E aí, mais uma vez, os pentecostais morrem de medo de serem identificados com a toalhinha da Igreja Mundial do apóstolo Valdemiro Santiago. Por isso, tendem a se aproximar, na crítica aos excessos dos neopentecostais, de quem nega por completo a ação do Espírito. Não conseguem explicar – e acham que ninguém vai entender, tão tênue é a linha – que os fenômenos do Espírito Santos existem, mas que precisamos ser um tanto céticos quanto à maneira como acontecem e examinar tudo à luz da Bíblia, já que há mais mercado da fé hoje do que nos tempos de Lutero;

  1. A prova do que acabo de dizer no ponto anterior é exatamente a lista de blogs recomendados pelos blogueiros cessacionistas. Visite um deles. Dois. Dez. Dificilmente, quase nunca, provavelmente jamais haverá a divulgação de blogs pentecostais/arminianos nos blogs dos irmãos calvinistas cessacionistas. E os pentecostais, ao desejar alcançar a unidade com tais irmãos, não percebem que a reciprocidade na divulgação dos blogs não existe porque eles descreem e condenam tudo o que é arminiano e pentecostal. Só que, ao contrário dos pentecostais, os cessacionistas não fazem propaganda do que não creem em seus sites. E, se nós [estou me incluindo como pentecostal, mas não faço propaganda de blogs que combatem a minha fé] fazemos propaganda de seus blogs, é porque cremos no que eles dizem, certo? Errado. Não podemos blasfemar contra o Espírito Santo, afirmando que Ele não mais cura, e que os sinais não mais se fazem ver. Não podemos afirmar que o homem é uma marionete, se cremos que todo homem escolhe a salvação, dá um passo em direção a Deus, toma a decisão de amá-lo, ainda que de modo imperfeito. Por curiosidade, a fim de escrever este texto, visitei o Blog da Norma. Deparei-me com seus desejos para 2014. Entre eles, dois me chamaram a atenção: Que a igreja se desembarace cada vez mais da influência do paganismo, da teologia da prosperidade e da teologia da libertação. Bravo! Concordo! Mas... e o cessacionismo? A igreja não deveria se desembaraçar dele também, a fim de perceber que os sinais e maravilhas de que Deus fala claramente na Bíblia se cumprem e que a volta de Cristo deve estar próxima? Não seria um desserviço a Deus, um agir demoníaco, não divulgar que Cristo está voltando? Como está escrito em Atos, capítulo 2, verso 17: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão [...]” Por que não devemos tirar as vendas dos olhos da Igreja quanto ao derramamento do Santo Espírito nos dias de hoje? Outro desejo de Norma para 2014: “Que mais livros reformados sejam lidos, escritos, debatidos (orem por mim!)”. Sabemos que quando Norma Braga e todos os demais cessacionistas falam “reformados” eles se referem especificamente à literatura calvinista cessacionista. Não se referem aos pentecostais, nem aos metodistas, nem à Igreja Cristã Maranata, nem à Quadrangular... Por que Norma Braga não desejou simplesmente que mais livros “cristãos” sejam “lidos, escritos, debatidos (orem por ela!)” em 2014? Ou então "mais livros cristãos protestantes..."? Alguém aí sabe dizer? E o seu blog, irmão arminiano, sinergista e pentecostal, não está entre os recomendados por Norma Braga e Augustus Nicodemus?;

  1. No mais, e para fechar, gostaria de mencionar uma curiosidade que vou desenvolver em outro texto: alguém além de mim já percebeu o quanto a ideia errônea de Deus dos cessacionistas se aproxima da ideia de Deus também equivocada dos teístas abertos? Não? Pensem a respeito. Voltarei ao tema depois.



E que o Santo Espírito nos alimente em 2014, nos cure, nos transforme, nos abençoe, nos perdoe, nos leve a pregar a Palavra da verdade e a repudiar as mentiras que têm se abatido sobre os cristãos. Que em 2014 estejamos mais atentos aos nossos irmãos perseguidos em tantos países. Que a nossa palavra seja mais ação para um mundo sedento de amor. Que nossa mão esteja pronta a ser estendida aos que sofrem. Que Deus tenha misericórdia de todos nós. E que Jesus venha!

Um abraço, feliz 2014.

Maya Felix




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