Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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27/07/2011

Quem aí lê norueguês?, por Olavo de Carvalho

Que a imprensa norueguesa, em contraste, informasse ser Breivik um membro do Partido Nazista, não mudou em nada a firme decisão geral de pintar o criminoso como um cristão sionista. Afinal, quem lê norueguês?

A mídia iluminada está em festa: no meio de milhares de atentados mortíferos praticados por gente de esquerda, conseguiu descobrir o total de um (1, hum) terrorista ao qual pode dar, sem muita inexatidão aparente, o qualificativo de "extremista de direita".

O entusiasmo com que alardeia a presumida identidade ideológica do norueguês Anders Behring Breivik contrasta da maneira mais flagrante com a discrição cuidadosa com que o qualificativo de "extremista de esquerda" é evitado em praticamente todos os demais casos.

Mais recentemente, até a palavra "terrorista" vinha sendo banida nos chamados "grandes jornais" do Ocidente, acusada do pecado de hate speech, até que o advento de Breivik lhe deu a chance de um reingresso oportuno e - previsivelmente - momentâneo.

Antes disso, tamanho era o desespero da esquerda mundial ante a escassez de terroristas no campo adversário, que não lhe restava senão inventar alguns, como o recém-libertado Alejandro Peña Esclusa, que nunca matou um mosquito, ou espremer até doses subatômicas o limão do "neonazismo" - ocultando, é claro, o detalhe de que os movimentos dessa natureza surgiram como puras operações de despistamento criadas pela KGB (prometo voltar a escrever sobre isso).

Breivik saciou uma sede de décadas, fornecendo aos controladores da informação universal o pretexto para dar um arremedo de credibilidade ao slogan matematicamente insustentável de que a truculência homicida é coisa da direita, não da esquerda.

Aos que sejam demasiado tímidos para fazer coro com a difamação explícita, os atentados de Oslo fornecem a ocasião para que essas sublimes criaturas exibam mais uma vez sua neutralidade superior, alegando que "toda violência é igualmente condenável", que "todos os extremismos são igualmente ruins" e estabelecendo assim, para alívio e gáudio dos campeões absolutos de violência assassina e definitiva humilhação da aritmética elementar, a equivalência quantitativa entre um e mil, um e dez mil, um e cem mil. Isso já se tornou quase obrigatório entre as pessoas elegantes.

Se quando terroristas são de esquerda qualquer menção a seus motivos ideológicos é suprimida, camuflada sob diferentes denominações ou até invertida, mediante insinuações de direitismo - cujo desmascaramento posterior não obtém jamais a menor repercussão na mídia), no caso de Breivik os profissionais da farsa não se contentaram com a mera rotulação: forneceram, do dia para a noite, um perfil ideológico completo, detalhado, definindo o sujeito como uma espécie de Jerry Falwell ou Pat Robertson, e aproveitando a ocasião, é claro, para sugerir que as ideias do Tea Party, desde o outro lado do oceano, haviam movido a mão do assassino.

Que a imprensa norueguesa, em contraste, informasse ser Breivik um membro do Partido Nazista, não mudou em nada a firme decisão geral de pintar o criminoso como um cristão sionista. Afinal, quem lê norueguês?

Meu amigo Don Hank, do site Laigles Fórum, lê, como lê também não sei quantas outras línguas - e me repassa notícias de primeira mão que o resto da humanidade desconhece.

Não deixar-se enganar, nos dias que correm, exige cada vez mais recursos de erudição inacessíveis à massa dos leitores. A elite farsante não se incomoda de que dois ou três estudiosos conheçam a verdade e a proclamem com vozes inaudíveis: ela sabe que a própria massa ficará contra nós, curvando-se à autoridade universal do engodo e chamando-nos de "teóricos da conspiração".

Que Breivik fosse ostensivamente maluco é outro detalhe que não atenua em nada o desejo incontido de explicar o seu crime por um intuito político real e literal.

Lembram-se de Lee Harvey Osvald? Leves sinais de neurose bastaram para que o establishment e a mídia em peso isentassem o assassino de John Kennedy de qualquer suspeita de intenção política, embora o indivíduo fosse um comunista militante e tivesse contatos nos serviços secretos da URSS e de Cuba, de onde acabara de voltar.

Embora Breivik tenha uma conduta ostensivamente psicótica e não haja o menor sinal de contato entre ele e qualquer organização conservadora ou sionista dos EUA, o diagnóstico vem pronto e infalível: um sujeito ser cristão, sionista ou, pior ainda, ambas as coisas, é um perigo para a espécie humana, uma promessa de crimes hediondos em escala epidêmica.

A pressa obscena com que se associa o crime de Breivik ao seu alegado cristianismo também não é refreada pela lembrança de que a mesma associação se fez persistentemente, universalmente, no caso de Timothy McVeigh, autor dos atentados de Oklahoma em 1995, até que veio, tardiamente como sempre, a prova de que o criminoso era muçulmano e ligado a organizações terroristas islâmicas.

Veremos quanto tempo transcorrerá até que a pesquisa histórica erga um sussurro de protesto contra o vozerio unânime da mídia internacional. Fundados na certeza da ignorância popular que jamais poderá desmascará-los, alguns dos diagnosticadores de cristianismo assassino vão até mais longe, deleitando-se em análises profundíssimas segundo as quais a coisa mais danosa e mortífera do mundo, inspiradora dos atentados em Oslo, é a ideia reacionária de combater o "marxismo cultural" - rótulo infamante inventado pela direita para sugerir (oh!, quão difamatoriamente!) que os filósofos da Escola de Frankfurt tinham a intenção de destruir a civilização do Ocidente.

Na verdade essa intenção foi proclamada aos quatro ventos pelo próprio fundador da escola, o filósofo húngaro Georg Lukács, mas, como parece que não pegou bem, não custa atribuí-la aos seus inimigos.

Pior ainda: escrevendo num site chamado Crooks and Liars (que só posso atribuir à modéstia de seus editores), o articulista David Newett, ecoando aliás mil comentários no mesmo sentido, publicados cinco minutos após a notícia do atentado, informa que o combate ao marxismo cultural é inspirado por abjetos preconceitos antissemitas, e dá como prova disso o fato de William S. Lind, que se destacou nesse combate, ter informado em uma conferência que todos os membros-fundadores da Escola de Frankfurt eram judeus de origem - coisa que eles eram mesmo, como aliás o próprio Karl Marx, e daí?

A implicação do raciocínio não escapará aos leitores mais atentos: Anders Breivik, além de ter matado dezenas de não-muçulmanos por ódio ao Islam, foi também movido por sentimentos pró-judaicos antissemitas.

Não entenderam nada? Não é mesmo para entender. Já expliquei mil vezes que a técnica da difamação exige atacar a vítima por vários lados, sob pretextos mutuamente contraditórios, para confundir e paralisar a defesa, obrigando-a a combater em dois ou mais fronts ao mesmo tempo e a usar de uma argumentação complexa, com aparência sofística, incapaz de fazer face à força maciça da acusação irracional.

Se alguma dúvida resta na mente dos leitores quanto à realidade da hegemonia revolucionária no mundo, objeto de meus últimos artigos, a uniformidade do noticiário sobre Anders Behring Breivik lhes dá uma amostra de que, mais uma vez, não estou tão louco quanto pareço.


FONTE: Site Mídia sem Máscara: http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/12278-quem-ai-le-noruegues.html



Meu comentário:

Não importa, para a mídia, o fato de que o assassino da Noruega declara-se maçon, afunda-se em orgias com prostitutas, drogas e bebidas alcóolicas, declara não ter um relacionamento com Deus, não está ligado a nenhuma igreja ou grupo cristão. O que interessa, de fato, é recriar um perfil que atenda aos interesses ideológicos de uma esquerda que vê o crescimento de partidos conservadores na Europa como um retrocesso.

Pouco importa, tampouco, que Andres Breivik Behring não esteja ligado a nenhum partido conservador: o que importa é ligá-lo aos conservadores, como se  conservadores fossem, em si, assassinos, como se os cristãos odiassem os muçulmanos - e a história contemporânea prova bem o contrário [que essa história, definitivamente, não tenha o poder de mandar para o esquecimento o fato de que centenas de cristãos são assassinados diariamente em países islâmicos]. A mídia trata Andreas Breivik Behring como um "cristão", como se estivesse escrito na Bíblia alguma ordem para que os cristãos matassem os não-cristãos.

Aliás, que fique claro: enquanto  esquerda e os próprios muçulmanos acolhem os assassinos "revolucionários", que em nome da causa matam, mutilam e  destróem, a direita repudia toda e qualquer ligação com os que se dizem mártires dos ideais conservadores. Há aí uma enorme, substancial diferença. Behring diz ter matado em nome de ideais conservadores sem estar realmente ligado a nenhum grupo conservador. Apropriou-se de uma pseudocausa a fim de dar vazão às suas tendências doentias. Declarou-se "simpático" a uma religião sem jamais ter feito parte dela.

Os terroristas islâmicos, entretanto, são transformados em mártires por seus líderes religiosos e políticos, e passam a ser exemplos para a jihad - basta ver o que ocorreu com Osama Bin Laden, homenageado em países como o Paquistão após a morte. Os terroristas esquerdistas, de modo semelhante, transformam-se em mártires, em heróis - vide o exemplo do Che Guevara, cujo rosto patético estampa camisetas baratinhas. Vide o exemplo de Stálin, um assassino cruel, um doente macabro que é festejado pelos esquerdopatas mundo afora. Não é preciso nem mesmo ir muito longe: alguém conhece a história de Cesare Battisti, assassino italiano acolhido pelo governo de esquerda brasileiro?

E mais: os partidos de direita lutam pelo espaço político na Europa dentro das regras do jogo democrático. O medo da esquerda é enfrentar as urnas? Parece que sim. É preciso, então, vincular os conservadores europeus (e mesmo os norte-americanos, pasmem!) a um sociopata perigoso. Como a batalha das urnas se mostra cada vez mais dura para a esquerda, ela resolveu intensificar a batalha midiática. A cada dia, os terroristas islâmicos realizam seus rituais de morte em boa parte do mundo. Matam, sequestram, torturam. Onde está a mídia nessas horas? Onde está a mídia enquanto as FARC, ao longo de décadas, já fez incontáveis vítimas em nome dos ideais de esquerda e do tráfico de drogas? Onde está a mídia quando Chávez ordena que seus inimigos políticos sejam presos e torturados e seus bens incorporados ao patrimônio do "Estado"?

Ó, mídia canalha, quanto custa manter a farsa?

1 Faça a Maya feliz, comente aqui...:

Elizeu Rodrigues disse...

Esse doido, como todo doido (César, Hitler, Bush, W Bush, etc) vivem querendo deixar o mundo do jeito que eles acham correto. Sabe, eu fui sindicalista, nem de esquerda, nem de direita, nem de centro, nem de lado nenhum. Eu sempre estava do lado da classe baseado na lei que a protegia, não do lado daquilo que eu pensava ser correto.

E vc tem razão: A mídia sempre fica do lado menos perigoso pra ela, exemplo do período militar no Brasil...

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