Creio que não existe nada de mais belo, de mais profundo, de mais simpático, de mais viril e de mais perfeito do que o Cristo; e eu digo a mim mesmo, com um amor cioso, que não existe e não pode existir. Mais do que isto: se alguém me provar que o Cristo está fora da verdade e que esta não se acha n'Ele, prefiro ficar com o Cristo a ficar com a verdade. (Dostoievski)

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30 de set de 2007

Mais um domingo...

Mais um domingo... Ontem à noite me deitei cedo, mas palavras me vinham, assombrosamente, não sei de onde. Então acendi a luz da cabeceira da cama, peguei caneta e papel e me pus a escrever. E os textos vinham, vinham. Hoje pela manhã acordei, e de novo essa verborragia mental, sentimentos e idéias em forma de palavras que correm como uma hemorragia. Histórias, narrativas. Frases inteiras, parágrafos.

Hoje é domingo é minha alma encontra descanso no Deus que me amou antes que eu o amasse. É só nele que tenho verdadeiro prazer, alegria e paz límpidas. Este meu companheiro de caminhada consegue ainda me emocionar, entrego a Ele meu coração e Ele o enche de luzes, nos lugares sombrios. Ele o enfeita de flores e o cobre de folhas douradas. Conheço, em nossa caminhada de quase 18 anos, todas as estações que Ele me proporcionou, dentro de mim. O inverno não é menos belo que a primavera, acreditem. E mais outras horas de intensa mudança, que não estão catalogadas. Eu me aconchego em seu colo, como uma criança, e nele sou, nele descanso. Meu coração está nele, minha vida, minha morte. Meu amor, meus sonhos.

Sinto Deus intensamente dentro de mim, abraçando tudo, tomando todas as coisas e me dizendo que sou dele, só dele, e Ele é meu, só meu. Meu Deusinho, Sublime, meu amorzinho; meu Pai e meu bebê; meu namorado, meu marido; meu irmão, minha irmã; minha Vó, minha Mãe; meu amigo, meu autor. Só meu.

Bom domingo, bom domingo.

Maya

Albert Cohen [1]

Vai aí o trecho que eu mais amo do livro Belle du Seigneur, de Albert Cohen. Não é um livro, é uma epifania. Um instante de delírio, de visão da Divindade, da Beleza. É sublime.

Acho que o melhor é quando se pode ler o original. As traduções ficam invariavelmente a dever. Infelizmente, o que temos para a língua portuguesa é uma tradução do francês para o português lusitano, o que é, de fato, desanimador. Creio que a tradução do francês para o português lusitano é a versão do livro de uma língua estrangeira para outra língua estrangeira. E imaginem Guimarães Rosa traduzido para o francês... "Nonada" seria o quê? Por isso Belle du Seigneur, acredito, perderia sua majestade traduzido para qualquer língua.

Quando li o livro chorei mais de uma vez, ri muitas outras, às vezes sentia o peso da angústia em minha alma, e parava, silenciosa, para digerir as palavras. Soube que a história será contada em filme. Após anos de negociação, a viúva de Albert Cohen, Bella Cohen, finalmente permitiu a filmagem. Já decidi, não vou ver. Sei que a visão do cineasta é sempre uma das visões possíveis. A cara dos atores não é, decerto, a que eu imaginei para os seres que habitam a obra. Então fico com o filme que eu mesma construí em minha memória.

Este pedaço está nas páginas 47-48, da publicação que eu possuo. É bem possível que o livro esteja à venda na FNAC e possa ser adquirido pela web, também.

" -- Au Ritz, un soir de destin, à la réception brésilienne, pour la première fois vue et aussitôt aimée, dit-il, et de nouveau ce fut le sourire noir où luisaient deux canines. Moi, pauvre vieux, à cette brillante réception? Comme domestique seulement, domestique au Ritz, servant des boissons aux ministres et aux ambassadeurs, la racaille de mes pareils d'autrefois, du temps où j'étais jeune et riche et puissant, le temps d'avant ma écheance et ma misère. En ce soir du Ritz, soir de destin, elle m'est apparue, noble parmi les ignobles apparue, redoutable de beauté, elle et moi et nul autre en la cohue des réussisseurs et des avides d'importances, mes pareils d'autrefois, nous deux seuls exilés, elle seule comme moi, et comme moi triste et méprisante et ne parlant à personne, seule amie d'elle même, et au premier battement de ses paupières je l'ai connue. C'était elle, l'inatandue et l'attendue, aussitôt élue en ce soir de destin, élue au premier battement de ces longs cils recourbés. Elle, Boukhara divine, heureuse Samarcande, broderie aux dessins délicats. Elle, c'est vous. (...) Les autres mettent des semaines et des mois pour arriver à aimer, et à aimer peu, et il leur faut des entretiens eu des goûts communs et des cristalisations. Moi, ce fut le temps d'un battement de paupières. Dites-moi fou, mais croyez-moi. Un battement de paupières, et elle me regarda sans me voir, et ce fut la gloire et le printemps et le soleil et la mer tiède et sa transparence près du rivage et ma jeunesse revenue, et le monde était né, et je sus que personne avant elle (...)"

29 de set de 2007

Confissões de uma ex-adolescente: Eu também queria saber quem matou a Taís.




Para ver este vídeo, clique no ícone "pausa" na janela do Poadcast -- Maya_musique (cor-de-rosa), à direita, logo abaixo. A seguir, clique no ícone "play", aqui.

O elenco da novela Paraíso Tropical, da Globo, se reuniu nesta sexta-feira, na churrascaria Porcão, no Rio, para assistir ao último capítulo da novela.

Poucas pessoas sabiam das surpresas do desfecho da trama, como o assassino de Taís. A exibição do último capítulo foi repleta de exclamações a cada nova revelação.

A cena revelando todas as maldades do vilão Olavo (Wagner Moura) foi gravada na madrugada da véspera da exibição do capítulo final.

Veja acima o que os atores disseram sobre o final da trama global.

Presente!


Ganhei esta bela composição da Mama Nunes, a Márcia (os liks para seus blogs estão aí do lado direito...), que também está fazendo um template pra mim. Ficou lindo, né? Fala sério, isso é arte pura...

Maya e a careta do peixinho.


Maya
Upload feito originalmente por Maya Felix
O que é bonito é pra se mostrar! Concurso de Caretas, 1997.

Só a Cláudia, mesmo...

Eu fui a uma loja, outro dia... Eu estive lá somente por cinco minutos e quando eu saí ali estava um guarda, com sua motocicleta, preenchendo uma multa. Fui até ele e falei: "Peraí, amigão, não faz isso, dá uma chance..." Ele me ignorou e continuou escrevendo a multa... Então eu o chamei de nazista. Ele me olhou e, sem dizer nada, deu uma olhada em um dos pneus e começou a fazer outra multa. Então eu o chamei de bosta. Ele começou a escrever uma terceira multa !!! Depois de aproximadamente 20 minutos... quanto mais eu o xingava, mais multas ele preenchia... Bem, eu não me importei. Meu carro estava estacionado mais para a frente, virando a esquina. O importante, mesmo é ter um pouco de diversão todos os dias...

Depoimento da Claudíssima, de Muriaé.

Ile-de-Ré ciclovia


Ile-de-Ré ciclovia
Upload feito originalmente por Maya Felix
Clique na foto... A Île-de-Ré é uma ilhazinha linda, encravada no Oceano Atlântico. Para se chegar lá, deve-se ir primeiro para La Rochelle, sudoeste francês.

Ela disse que ela disse...

Uma amiga minha me disse, outro dia, que a maioria dos homens que têm blog (ou site do tipo "eu e minhas coisinhas") é, mesmo, homossexual. Ela me disse isso em tom de confidência -- uma grande descoberta, pra ela -- porque essa era uma revelação feita por uma senhora de tal que ela conhecera e que era era psicóloga, ou sexóloga, ou socióloga, não me lembro bem, e isso pra ela dava uma credibilidade sólida ao argumento. Seria mais uma "Lêndia da Internet"? Não respondi à minha amiga, de imediato, se achava que a teoria era válida e digna de investigação científica ou não. Mas fiquei pensando no porquê da assertiva.

É verdade que o discurso de todos -- todos -- os que fazem blog é incontivelmente narcisista. São pessoas que querem se afirmar, se mostrar, se expor, requerer o "OK" do outro para validar suas próprias noções acerca de seu valor. Mesmo os que aparentemente se desprezam -- "Ah, eu não sou nada, fulano é que é..." o fazem sob uma perspectiva completamente "me ame, me ame, me ame, por favor...". Há alguns que ficam deprimidos quando poucos visitam seus blogs e ninguém comenta sobre seus textos. Não lhes basta a aprovação da família, dos amigos, dos vários círculos sociais nos quais estão inscritos. É necessária, e muito, essa aprovação coletiva e virtual, que vem principamente dos que eles não conhecem pessoalmente. É necessário certo exibicionismo. E esse não vem em forma de corpinho sarado, cabelo impecável, roupa da moda, como o David Beckham. É um exibicionismo "com conteúdo". Isso sim, é o lance. Podem não ser metrossexuais (será que eles também são gays?), mas são blogsexuais. O blog é uma vitrine, e lá eles se mostram como pavões. Textos, citações inteligentes, fotos maravilhosas, músicas interesantes, livros incríveis (que eles já leram, é claro), filmes muito cabeça (que eles já viram, é claro) etc etc etc. São uns portentos, esses caras.

A idéia do narcisismo e do culto à imagem era costumeiramente tida como coisa "de mulher". Mas essa é uma caracterísitica de todos os blogs e, incrivelmente, nos blogs masculinos, fica mais clara a necessidade de se dizer "eu sei, eu conheço", enquanto nos femininos há um perceptível "eu sinto, eu sou" (Nada de investigação, por enquanto estamos no plano da "impressão". Empirismo puro!). Os blogueiros são todos muito apaixonados por sua imagem no espelho, pela imagem que é, provavelmente, não a real, mas a que desejam que tenha crédito.

Mas, e as mulheres? Por que as mulheres têm blogs? Se alguém tiver uma teoria, por favor, me diga. Essa eu não consegui decifrar ainda. Coisa interessante, também, é conversa entre mulheres. Entre nós falamos de coisas que os homens não têm acesso, jamais. Definitivamente, é um "infinito particular", como diz a Marisa Monte. E ai dos que se atrevem a tentar entender, é uma piração.

Bom, de volta aos homens e seus blogs maravilhosos... Aliás, tenho que confessar que os blogs dos homens são muito melhores que os da mulheres (em geral, em geral...). Amiga(o) leitora(or), pode começar a comparar. Você vai me dar razão. Aliás, se algum dos caras que tem blog ler este texto e quiser me fazer uma confidência a esse respeito, me mande um e-mail. Guardo segredo e respondo (OK, confidências a respeito de como faz seu blog, bem entendido. Amigo, sua vida sexual pertence a você, fale sobre ela com seu psicanalista.).

O assunto renderia muitas linhas, ainda, mas preciso voltar ao planeta Terra que hoje o dia será de muito trabalho. Mas quero retomar o assunto, outra hora. Acho até que vou começar uma análise do discurso dos blogs. E será uma análise tanto lingüística quanto semiológica (grandes unidades...), porque as imagens, cores, formas, tipos de letras, propagandas... isso também significa. As músicas que ando escutando no universo dos blogs idem. Muito significativas. Aliás, às vezes me pergunto por que desde a graduação trabalho com Análise do Discurso. Esse pessoal que fica aí lendo Pêcheux, Orlandi, Maigueneau, Foucault... Bando de bisbilhoteiros, fofoqueiros, não têm nada melhor que fazer além de ficar vendo chifre em cabeça de gado -- é o que me diria D. Sebastião, Rei de Portugal. Vou começar a me incluir fora dessa e mudar de área. Poderia ser veterinária, os bichos são lindos, também, assim como as bichas. E os bichos não têm blog.

Atualmente trabalho com a orientação de uma pesquisa em Análise do Discurso de linha francesa. É a análise do discurso (de algumas amostras) de Martin Luther King, Jr. Taí um homem que eu admiro. Mas, pensando bem, analisar os discursos de blogs é muito mais interessante, que me perdoe o Martin Luther King, Jr. Como diz uma comunidade do Orkut da qual faço parte, "a Semiótica explica tudo!" (Há uma diferença entre Semiótica e Semiologia, mas eu não vou explicar isso hoje, de jeito nenhum...).

Por hoje é só, pessoal! Se der, mais tarde ainda posto coisa nova. Sangue novo!!! Ontem recebi minha primeira revista Ultimato após um longo e tenebroso inverno sem assinar a dita cuja (sim, refiz a assinatura, coloquei-a na minha lista de presentes do Orkut e alguém me fez este regalo-- eu mesma, no caso).

Ósculos, amplexos e complexos.

Beijos, bom sábado!

:)

Interessante...

Recebi esta historinha da minha amiga Claudíssima, de Muriaé... Achei bem interessante.

Uma senhora muito pobre telefonou para um programa de rádio pedindo ajuda. Um bruxo que ouvia o programa resolveu pregar-lhe uma peça. Conseguiu seu endereço, chamou seus secretários e ordenou que eles fizessem uma boa compra e levassem para ela, mas com a seguinte orientação: "Quando ela perguntar quem mandou, respondam que foi o diabo!"

Ao chegarem à casa, a mulher os recebeu com alegria e foi logo guardando os alimentos. Os secretários do bruxo, então, perguntaram: "A senhora não quer saber quem enviou estas coisas?"

A mulher, na simplicidade da fé, respondeu:"Não, meu filho. Não é preciso. Quando Deus manda, até o diabo obedece!"

28 de set de 2007

Eclesiastes, Ecclesiaste, Eclesiastés, Ecclesiaste, Ecclesiastes, Prediger, Ecclesiastes

Tudo tem o seu tempo determinado, e há um tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora; tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar; tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.
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Il y a un temps pour tout, un temps pour toute chose sous les cieux : un temps pour naître, et un temps pour mourir; un temps pour planter, et un temps pour arracher ce qui a été planté ; un temps pour tuer, et un temps pour guérir ; un temps pour abattre, et un temps pour bâtir ; un temps pour pleurer, et un temps pour rire ; un temps pour se lamenter, et un temps pour danser ; un temps pour lancer des pierres, et un temps pour ramasser des pierres ; un temps pour embrasser, et un temps pour s'éloigner des embrassements ; un temps pour chercher, et un temps pour perdre ; un temps pour garder, et un temps pour jeter ; un temps pour déchirer, et un temps pour coudre ; un temps pour se taire, et un temps pour parler ; un temps pour aimer, et un temps pour haïr ; un temps pour la guerre, et un temps pour la paix.

Todo tiene su tiempo, y todo lo que se quiere debajo del cielo tiene su hora. Tiempo de nacer, y tiempo de morir; tiempo de plantar, y tiempo de arrancar lo planatado; tiempo de matar, y tiempo de curar; tiempo de destruir, y tiempo de edificar; tiempo de llorar, y tiempo de reír; tiempo de endechar, y tempo de bailar; tiempo de esparcir piedras, y tiempo de juntar piedras; tiempo de abrazar, y tiempo de abstenerse de abrazar; tiempo de buscar, y tiempo de perder; tiempo de guardar, y tiempo de desechar; tiempo de romper, y tiempo de coser; tiempo de callar, y tiempo de hablar; tiempo de amar, y tiempo de aborrecer; tiempo de guerra, y tiempo de paz.

Per ogni cosa c'è il suo momento, il suo tempo per ogni faccenda sotto il cielo. C'è un tempo per nascere e un tempo per morire, un tempo per piantare e un tempo per sradicare le piante. Un tempo per uccidere e un tempo per guarire, un tempo per demolire e un tempo per costruire. Un tempo per piangere e un tempo per ridere, un tempo per gemere e un tempo per ballare. Un tempo per gettare sassi e un tempo per raccoglierli, un tempo per abbracciare e un tempo per astenersi dagli abbracci. Un tempo per cercare e un tempo per perdere, un tempo per serbare e un tempo per buttar via. Un tempo per stracciare e un tempo per cucire, un tempo per tacere e un tempo per parlare. Un tempo per amare e un tempo per odiare, un tempo per la guerra e un tempo per la pace.

There is an appointed time for everything, and a time for every affair under the heavens. A time to be born, and a time to die; a time to plant, and a time to uproot the plant. A time to kill, and a time to heal; a time to tear down, and a time to build. A time to weep, and a time to laugh; a time to mourn, and a time to dance. A time to scatter stones, and a time to gather them; a time to embrace, and a time to be far from embraces. A time to seek, and a time to lose; a time to keep, and a time to cast away. A time to rend, and a time to sew; a time to be silent, and a time to speak. A time to love, and a time to hate; a time of war, and a time of peace.

Ein jegliches hat seine Zeit, und alles Vornehmen unter dem Himmel hat seine Stunde. Geboren werden und sterben, pflanzen und ausrotten, was gepflanzt ist, würgen und heilen, brechen und bauen, weinen und lachen, klagen und tanzen, Stein zerstreuen und Steine sammeln, herzen und ferne sein von Herzen, suchen und verlieren, behalten und wegwerfen, zerreißen und zunähen, schweigen und reden, lieben und hassen, Streit und Friede hat seine Zeit.

Omnia tempus habent, et momentum suum cuique negotio sub caelo: tempus nascendi et tempus moriendi, tempus plantandi et tempus evellendi quod plantatum est, tempus occidendi et tempus sanandi, tempus destruendi et tempus aedificandi, tempus flendi et tempus ridendi, tempus plangendi et tempus saltandi, tempus spargendi lapides et tempus eos colligendi, tempus amplexandi et tempus longe fieri ab amplexibus, tempus quaerendi et tempus perdendi, tempus custodiendi et tempus abiciendi, tempus scindendi et tempus consuendi, tempus tacendi et tempus loquendi, tempus dilectionis et tempus odii, tempus belli et tempus pacis.
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27 de set de 2007

Smiling


Smiling
Upload feito originalmente por Maya Felix
Sou eu! Abril deste ano! Clique na foto...

Frase do dia

"Para evitar críticas, não faça nada, não diga nada, não seja nada."
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Elbert Hubbard

Meus critérios de qualidade

AVISO: ESTA LISTA ESTÁ EM CONSTANTE MODIFICAÇÃO, E PODE SER ALTERADA A QUALQUER DIA, A QUALQUER HORA E EM QUALQUER LUGAR. BASTA EU ME LEMBRAR DE ALGO PARA SER LISTADO...
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Muito bem, vou deixar claros esses critérios.
E vou incluí-los nos marcadores, todos eles.
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Não há necessariamente nenhuma lógica rígida que guie as bases estéticas, filosóficas, artísticas e políticas (etc, etc. etc.) dos meus critérios. Eles são puramente pessoais (Já ouviram falar do critério "ISO"? Isso mesmo: Individuais, Subjetivos e Ótimos), e são mais claramente compreendidos com os adjetivos "bom", "demais", "genial", medíocre", "normal" e "putz!".
  1. .SUBLIME - Tudo o que vem do Espírito é sublime. Como eu gosto do que o J. L. Borges escreve (e ele é sublime), adotei este critério de uma de suas palestras transcritas, intitulada O livro. Assim, O Capital é sublime (assumo que li algumas partes, sínteses e comentários). Bach, expoente do Maneirismo, é sublime. Mais Legião Urbana, The Clash, o romance Belle du Seigneur, de Albert Cohen (esse é sublime ao quadrado), os filmes Mon Oncle, do Jacques Tati, e Le Placard, com o Daniel Auteil e o Gérard Dépardieu. Grandes e belas histórias de amor são quase sempre sublimes. Os filmes Antes do Amanhecer a Antes do Pôr-do-Sol, com a Julie Delpy e o Ethan Hawke, são sublimes. A narrativa do dia-a-dia, sendo ela feita de forma estranhamente estranha, é sublime. Instruções para subir uma escada, do Júlio Cortázar, é banal e absolutamente sublime. Roland Barthes é sublime. Georges Kleiber. Pêcheux, Foucault, Chomsky. Fernando Pessoa é sublime. Bagno, Orlandi, Koch. Minha possível-futura-orientadora é inteligentemente sublime, a Cláudia Roncarati. O Museu do Louvre é sublime. Paris inteira é sublime. Paris se respira, se bebe, se degusta, se ama. A África, sua cultura, seu povo, suas danças, suas músicas... sublimes. Eu gosto de falar línguas diferentes, e Deus me deu certa facilidade com isso. Quando falo com um francês, um italiano, um hispanoablante, um anglófono em suas línguas acho essa possibilidade sublime. Monet é sublime. Molière é sublime. Bach, Beethoven são sublimes. O filme Cidade de Deus, o filme A Missão (e sua sublime trilha sonora), o filme Cinema Paradiso (e sua sublime trilha sonora)... Ella & Louis, Nina Simone, Stan Getz, Woody Allen, Alain Resnais, Sebastião Salgado, Henri Cartier-Bresson, Andrea Bocelli, Maria Callas, Chico Buarque, Elis Regina, Luiz Gonzaga, Renato Teixeira, Almir Sater, Pena Branca & Xavantinho, Chet Baker... sublimes. A República, de Platão, é sublime. O Príncipe, pela clara e didática sordidez dos aconselhamentos, também. Flamego e sua grande torcida... sublimes. DC Talk, Marisa Monte e Tribalistas. Vinho tinto seco e Champagne são sublimes (mas não é qualquer vinho). Astérix (antigos, com Uderzo e Goscinny) e Tintim são sublimes. Super-Homem e Homem-Aranha, Pulp Fiction, Kill Bill (I e II)... sublimes. O mar do Caribe é azulmente sublime. Paraty é mais que sublime. Chocolate meio-amargo com 70% de cacau é su-bli-me. Luluzinha e Bolinha eram sublimes! Calvin & Hobbes também! O Georges Pompidou, em Paris, é sublime. Foi lá que eu conheci o trabalho de um cara que faz coisas sublimes: Gaetano Pesce. Cantar em coral é sublime. Ouvir um coral cantando idem. Sei que a maioria não vai concordar, mas o filme Seven, com o Brad Pitt, o Morgan Feeman e a Gwyneth Paltrow, é sublime. Pela lógica precisa da história... Mais sublimes: os filmes A Volta da Pantera Cor-de-Rosa, com o Peter Sellers (o que foi feito depois, sem ele, é medíocre), Casamento Grego (porque eu sou muuuito romântica e também porque é engraçado), When Harry Met Sally, com a Meg Ryan e o Billy Crystal (idem; ibidem), Pretty Woman (idem) e You, Me and Dupree (esse é muito engraçado). Sublime: um tiramisu BEM FEITO. Os livros do Mark Twain, com suas aventuras maravilhosas e lições de vida eternas... sublimes! Eu tinha me esquecido, faz tempo que eu li esse livro... Chama-se O Quarto Dezenove, é da Doris Lessing, uma escritora inglesa. É um livro de contos... As sensações que estão ali... Sublimes.
  2. LEGAL - Legal é coisa humana. Bem feito, bem articulado, mas resultado do esforço da transpiração. Assim, Carandiru é legal. A Revolução dos Bichos, de Orwell, é legal. Mozart é legal. Vivaldi também. A Bélgica é legal, Brasília e o Rio de Janeiro são legais. Muitos cientistas da área da Linguística e da Semiótica são legais, mas não vou citar nomes pra não ofender ninguém. O MASP é legal! Pavarotti era legal. Victoria de Los Angeles, legal. Zizi Possi, Moraes Moreira, Ray Charles, Ana Carolina e Seu Jorge... legais. A revista Caros Amigos é legal! Delirous? e Arautos do Rei, idem. Plebe Rude, Capital Inicial, Ira!, Inocentes, ibidem. Vinho rosé é legal. Mas só se estiver bem gelado. Pastel (de carne e de queijo) e caldo de cana da Pastelaria Viçosa, da Rodoviária de Brasília, são muuuuito legais, quase sublimes.
  3. NORMAL - Normal é algo normal, com o perdão da tautologia. Nem mais, nem menos, apenas normal. Jorge Amado é normal. Caetano Veloso foi promovido a normal recentemente. Junto com ele temos Gilberto Gil, Bethânia, Adriana Calcanhoto, Vanessa da Mata. José de Alencar é normal. Aliás, os expoentes do Romantismo são "legais". Chopin, Liszt... Turma da Mônica versão moderna é normal. Roberto Carlos é normal.
  4. RUIM - Ruim e medíocre são muito semelhantes. Medíocre fica entre o ruim e o normal. É uma subclassificação. Vou passar a dar menos exemplos. Simone, Zélia Duncan, Paulo Coelho, Lya Luft. Jô Soares é, sim, ruim. Mainardi é um impasse. Ele escreve bem, mas sua ideologia é de amargar. Vou criar uma categoria à parte pra ele. Estou à procura do nome. Outro impasse é Lovecraft. Conheço muita gente que daria a vida por seus contos. Confesso que quando comecei a ler alguma coisa dele, achei interessante. Explorava a biblioteca do meu pai e nisso lia de tudo um pouco -- mas sua paixão mesmo sempre foi ficção científica e afins. Só que Lovecraft está mais para horror científico. Totalmente sinistro. Lia, ficava com medo, dormia com medo. Sim, ele escreve bem... mas não me deu prazer. E Borges (de novo!!!) diz, redizendo outros e muito acertadamente, que o escritor que não é lido com prazer fracassou. E cita James Joyce como exemplo. Londres é ruim... cerveja quente, chuva e frio de amargar em pleno verão, comida ruim, museus a granel, céu cinza... Vinho tinto suave, ou doce, é ruim. Vinho branco idem. Ter um celular que te persegue e te monitora 24 horas por dia é muito ruim. Amanhã jogo o meu fora.
  5. PUTZ! - Essa é uma categoria que exige sinônimos: péssimo, malzão, uma m. Então Calipso, Ivete Sangalo, Sandy e Júnior, Chitãozinho e Xororó, Zezé di Camargo e Luciano são Putz! O livro Eu, Cristiane F., 13 anos, drogada e prostituída, que eu li com 11 anos, é completamente Putz! Fiquei assustada e com gosto de sapato velho na boca. A Hora do Pesadelo e Sexta-feira 13, do I ao XX, são todos Putz! Os livros de auto-ajuda são muito Putz!, repetem coisas óbvias e antigas, revestindo-as de "descobri a América". Algumas bandas de rock'n roll são completamente Putz! Nem me lembro dos nomes das ditas cujas. Putz! Passar horas no aeroporto pra pegar um avião é Putz! Muito pior do que isso é morrer num desastre de avião. A revista Veja é completamente PUTZ!, categoria especial. O Didi e seu programa são muito Putz! Já Os Trapalhões eram sublimes... Gente que conversa no cinema é Putz! Não saber trocar o pneu de um carro, como é o meu caso, é Putz! demais. Os filmes Jogos Mortais, que a subimprensa noticiou como sendo "o melhor filme de suspense depois de Seven...", e lá fui eu ver... Um filme estúpido, sem sentido... Você espreme e sai sangue, só isso. Só vi o primeiro, já me bastou. Putz!!! As histórias de amor de personagens do mundo das stars, como Ivete Sangalo, Eliana etc... Tudo filmado, documentado, fotografado... cada namorado é o "amor da vida" de cada uma dessa figurinhas... Putz! Se preservem, gurias! Vida privada não precisa ser "vida na privada"!

Kayser

O Kayser é um desenhista/chargista de Porto Alegre, capital do Reino de Muito, Muito, Muito Longe.
Ele tem um blog e muito talento.

Olá, pessoas.

Hoje é dia de humor aqui no Blog... Quinta-feira. Mas postei tudo ontem, como vocês podem ver. Aproveitei que estava com mais disposição. Ontem já pude perceber que hoje seria um diazinho daqueles. Muito trabalho, muito espanto, pouca diversão. Mas nem sempre as coisas são como se quer. Havia postado um texto meu, antes, mas eu o retirei porque era uma brincadeirinha esquisita, e poucas pessoas iriam entendê-lo. OK, é isso mesmo, ando meio cansada de Blog. Fazer o que? Já havia sinalizado isso numa Carta de arranjo, dias atrás. Mas começo a ficar claustrofóbica dentro desta telinha. As pessoas que conheço são um arremedo de realidade. Não, não é um insulto, não me interpretem mal. Mas sou intensa no que sinto, e pela internet tenho a impresão de que tudo deve ser menos, menos...

E há uma semana esse sentimento horrível, mistura de ansiedade, medo, irritação constante. Também já escrevi sobre isso. Como vocês podem ver, não tenho mais nem assunto. Só sei que uma pilha de livros me espera, logo ali... Estou a dois passos do paraíso. Ou não. E semana que vem há mais coisas que requerem minha atenção: cursos, provas, aulas, textos, notas e faltas etc. Nada de realmente novo.
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As músicas que eu postei hoje refletem meu estado de espírito, também. Desânimo.... Uma certa nostalgia, mais a melancolia. Não posso fugir de ser humana, de ser mulher e ainda por cima coberta de contradições. E com elas meus sonhos, ideais, fugas, dores... Os sonhos resolveram tirar férias e estão na Polinésia Francesa. Se alguém os encontrar, peça que voltem. Apesar de quase sempre irrrealizáveis, gosto deles.

Hoje é dia de humor, mas este texto toma um rumo triste, e daqui a pouco vai ter gente chorando, me mandando e-mail e me pedindo pra pegar leve. Mais uma coisa: Muitas das piadas são "feministas". Mas é que recebo muitas assim da minha maior colaboradora, a Cláudia, de Muriaé (gente finíssima). Então, como também acho engraçado, posto. Homens, não se ofendam, vocês é que mandam, no final das contas -- e isso desde o tempo das cavernas.
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Um bom dia pra todos, é o que desejo sinceramente.
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Quem puder, por favor, ouça A Manhã, do Peter Gynt. Está na categoria "Sublime" do meu controle de qualidade.

Abraço,

26 de set de 2007

Rápida e indolor [20]

O velho acaba de morrer.

O padre encomenda o corpo e se rasga em elogios:

- O finado era um ótimo marido, um excelente cristão, um pai exemplar!!!

A viúva se vira para um dos filhos e diz, ao pé do ouvido:

- Vá até o caixão e veja se é mesmo o seu pai que tá lá dentro...

Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

Rápida e indolor [19]

AS GRANDES VERDADES DA NATUREZA
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1. Como se chama um homem inteligente, sensível e bonito?
R: Boato.

2. O que deve fazer uma mulher quando seu marido corre em zigue-zague pelo jardim?
R: Continuar a atirar.

3. Por que os homens não têm período de crise na idade madura?
R: Porque nunca saem da puberdade. (cientificamente comprovado)

4. Qual é o ponto comum entre os homens que freqüentam bares para solteiros?
R: Todos são casados.

5. Como um homem chama o amor verdadeiro?
R: Ereção.

6. Qual a semelhança entre o homem e o microondas?
R: Ambos aquecem em 15 segundos. (cientificamente comprovado)

9. Por que não existe um homem inteligente, sensível e bonito ao mesmo tempo?
R: Porque seria mulher. (cientificamente comprovado)

10. Quando um homem mostra que tem planos?
R: Quando ele compra duas caixas de cerveja.

11. Por que as mulheres casadas são mais gordas que as solteiras?
R: A solteira chega em casa, vê o que tem na geladeira e vai para cama. A casada vê o que tem na cama e vai para a geladeira. (cientificamente comprovado)

12. Como se chama uma mulher que sabe onde seu marido está todas as noites?
R: Viúva. (cientificamente comprovado)

13. O que disse Deus depois de criar o homem?
R: "Sou capaz de fazer coisa melhor..." (cientificamente comprovado)

14. O que disse Deus depois de criar a mulher?
R: "A prática traz a perfeição." (cientificamente comprovado)

Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

Rápida e indolor [18]

Um cardiologista muito conhecido morreu. Seu funeral foi muito pomposo, e muitos dos seus colegas médicos compareceram. Durante o velório, um enorme "coração", rodeado de coroas de flores, permaneceu atrás do caixão. Após as últimas palavras do padre, o coração se abriu e o caixão entrou automaticamente no enorme coração, emocionando todos os presentes. O coração então se fechou, levando no seu interior o famoso médico, para sempre...

Um dos presentes explodiu na gargalhada, causando surpresa e indignação. Questionado por que ria, ele explicou:

- Desculpem-me... Por favor, desculpem-me... É que eu estava pensando como seria meu próprio funeral... Sou ginecologista.

Nesse momento, o proctologista desmaiou.

Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

Rápida e indolor [17]


No início, Eva não queria comer a maçã.

- Come, disse a serpente, e serás como os anjos!
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- Não, respondeu Eva.
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- Terás o conhecimento do Bem e do Mal, insistiu a víbora.
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- Não!
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- Serás imortal.
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- Não!
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- Serás como Deus!
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- Não e não!
A serpente já estava desesperada e não sabia mais o que fazer para que a Eva comesse a maçã. Até que teve uma idéia. Ofereceu-lhe novamente a fruta e sussurrou-lhe ao ouvido:

-Emagrece!
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Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

Rápida e indolor [16]

Fim da vida.

No consultório, o paciente recebe a notícia de que tem apenas mais cinco minutos de vida e diz, desesperadamente:

- Doutor, o que o senhor pode fazer por mim?

E o médico responde:

- Um Miojo.

Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

Rápida e indolor [15]


O casal tá a mil no quarto... Ela já não agüenta mais... "Eu tô indo, eu tô indo..." E ele tá no limite: "EU TAMBÉM VOU!!! EU TAMBÉM VOU!!!".

Do lado de fora, desesperado, o Joãozinho começa a bater na porta do quarto: "VOCÊS VÃO PRA ONDE A ESSA HOOOORAAAAA??? E EU VOU FICAR COM QUEEEEEM??? BUÁÁÁÁ!!!
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Colaboração: Rodney.

Rápida e indolor [14]

MULHER: Se eu morresse você casava outra vez?
MARIDO: Claro que não!
MULHER: Não?! Não por quê?! Não gosta de estar casado?
MARIDO: Claro que gosto!
MULHER: Então por que é que não casava de novo?
MARIDO: Está bem, casava...
MULHER: (Com um olhar magoado): Casava?
MARIDO: Casava. Só porque foi bom com você...
MULHER: E dormiria com ela na nossa cama?
MARIDO: Onde é que você queria que nós dormíssemos?
MULHER: E substituiria as minhas fotografias por fotografias dela?
MARIDO: É natural que sim...
MULHER: E ela ia usar o meu carro?
MARIDO: Não. Ela não dirige...
MULHER: : O (longo silêncio)
MARIDO: (em pensamento ) PUTZ!!!

NOTA DA MAYA: MORAL DA HISTÓRIA: SEM MORAL. MANDE ESSE ENGRAÇADINHO MORAR DE VOLTA COM A MÃE DELE. DOE SUAS CUECAS, GRAVATAS, CAMISAS, CALÇAS E MEIAS -- MAS SÓ AS MAIS NOVAS, AS DE GRIFE, AQUELAS DE QUE ELE MAIS GOSTA -- ELE NÃO PODE VIVER PELADO. FAÇA BIGODINHOS, CHIFRES E DENTES PRETOS EM SUAS FOTOGRAFIAS. SE PUDER, ARRANHE SEU CARRO NOVO. NÃO VAI MUDAR NADA, MAS VOCÊ VAI SE SENTIR MENOS ARRASADA.
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Colaboração: Claudíssima! Íssima!!!

Caros Amigos [22]

... e aí?

... tá gostando de fazer? Você imaginava que ia ser assim, ou esperava de outro jeito? Sei lá, tem tanto jeito, não é mesmo? Tem gente que faz de trás pra frente, tem gente que prefere de baixo pra cima... Agora, seja lá quem for, eu acho que todo mundo imagina antes como vai ser. Você concorda comigo?

Mas e nós, vamos dar uma paradinha ou você quer logo ir adiante? Posso dar uma sugestão? Vamos dar uma paradinha, agora. Depois a gente recomeça tudo de novo. É tão gostoso. E nunca é a mesma coisa, nunca é do zero que a gente recomeça, você não acha? Pelo menos comigo é assim, eu acho esse jeito prazeroso e várias vezes eu vou por esse caminho.

Mas a gente também pode ir de uma vez de um fôlego só sem vírgula. Também é legal. A verdade é que não tem regra, nem lei, não é? Bom, no começo até tem, mas depois a gente pode largar isso de mão e ir no improviso, que nem músico de jazz. Ensinam a gente - quando ensinam - que tem que ser assim ou assado. Ou, quando não querem parecer muito diretivos, que é melhor ser assim ou assado. Mas é tudo conversa fiada. Eu faço de várias formas e quanto mais formas eu descubro melhor fica. Às vezes tem uma maneira lá que é ótima e eu me deixo um bom tempo só com ela, numa espécie de apaixonamento. Depois eu mudo de novo e um dia qualquer me lembro daquele jeito e faço ele outra vez, pra matar as saudades. E depois... e depois... e depois...

Enfim, eu? Pra mim tanto faz desde que faça tanto. Faço deitado, faço em pé, sentado, na cama, no chão, no sofá, na mesa da sala, rapidinho no elevador, no carro estacionado numa rua erma, num ônibus interestadual, cortando a noite numa estrada qualquer, no banheiro de uma festa na casa de amigos, até numa cabine 24 horas eu já fiz. O negócio é se concentrar e aí dá pra fazer na arquibancada do Maracanã em dia de Fla-Flu ou na Catedral Metropolitana durante a missa do galo. Você concorda comigo? Às vezes eu faço em voz alta, às vezes calado. Às vezes faço sozinho. Você já fez com muita gente? Experimenta, deixa a vergonha pra lá, é legal. No começo a gente fica sem jeito, vai subindo aquele calor pelo rosto com as pessoas te vendo e te escutando, mas depois é relaxar e curtir. E repetir sempre que possível.

Pensar que tanta gente no mundo não pode fazer, que absurdo! As mulheres, como sempre, foram as mais prejudicadas por essas proibições. Na idade média, então, eram capazes de ir pra fogueira se os padres as encontrassem fazendo. Ou mesmo se descobrissem simplesmente que elas sabiam fazer. Queriam só pra eles...

Você lembra da primeira vez, de como começou? É uma emoção que a gente leva pra sempre, mesmo recordando de todas as dificuldades, não acha? E pensar que nunca mais, nunca mais a gente vai deixar de fazer. Mesmo agora...

Tem poucos prazeres no mundo que se igualam a esse. Bom, mas já que é tão gosotoso, chega de falatório, não é mesmo? Vamos continuar fazendo, vamos?

(Na verdade eu já fiz antes de você, afinal eu sou o autor deste texto. Mas e você, que está chegando aqui pela primeira vez, me diga: ler é ou não é um tesão?)

Texto de César Cardoso, escritor, publicado na revista Caros Amigos ano X, nº 119, fevereiro/2007, p. 14.

Caros Amigos [21]

Duas opiniões ilustres e ilustradas:
Laerte e Angeli.

Laerte, desenhista: "É uma idiotice de madame"

Eu me acho medíocre em relação a essa tarefa de analisar se o momento do Brasil é medíocre. Primeiro porque me falta ferramenta pra fazer esse tipo de análise. Medíocre em relação ao quê? Qual período? Anos 1950 talvez? Quer dizer, grande profusão de idéias, Bossa Nova e tal. Mas quem disse que a Bossa Nova é melhor que o rap? O esplendor do Oscar Niemeyer. Mas quem disse que o Niemeyer criou alguma coisa que preste?

Tenho encontrado pessoas preocupadas dentro da literatura, do cinema, dos quadrinhos. Há um movimento de busca. Classificar esse movimento como de mediocridade é meio bater um martelo na cabeça de um monte de gente que está aí sinceramente e h0nestamente buscando caminhos. Talvez a gente possa estar entrando num beco sem saída.

No humor, existem áreas de redundância, de chover no molhado, gente trabalhando com clichê e tal. Mas também existem lampejos e raios de coisas novas. O que o Angeli vem fazendo nas charges me parece absolutamente novo e indicador de direção.

Tem horas que bate um cansaço, uma insatisfação. Meus mestres, fontes, inspirações, essas coisas se esgotaram e saí em busca. Não achei ainda.

Esse momento é o resultado do que sstá acontecendo, na minha vida e no mundo. Mas não vejo como estagnação.

O Cansei é coisa de rico, se reúnem, tomam uns uísques, ligam para o Nizan Guanaes, e pronto: nasceu um movimento. Isso é coisa do d'Urso. Duvido que represente a maioria dos advogados do Brasil. Não é nem golpista, é mediocre demais para ser golpista, é uma idiotice de madame, é coisa de poodle, passa na Hebe. Não é à toa que o cara [João Dória] é o mesmo que fez a Cacherrata em Campos do Jordão. Não tem importância isso não.

Mas também existe uma quantidade de jovens perguntando como é a profissão de cartunista do ponto de vista de segurança, se tem seguro-saúde, como vai ser a aposentadoria. Um garoto de 17, 18 anos, se preocupando com isso é chocante.

Angeli, chargista: "As pessoas estão interessadas em coisas fúteis"


Estar cansado hoje em dia é bem natural. A gente pegou um país que foi aos poucos emburrecendo, ou rapidamente. Um período estranho. Mas acho engraçado a Hebe Camargo, que defendeu o Maluf a vida toda, agora fazer parte da campanha para moralizar alguma coisa. Ao mesmo tempo, essas coisinhas pequenininhas, pela moral, e no passado resultou num golpe, acho isso perigoso.

Eu sigo o blog que reproduz minhas charges e lá tem comentários. Parece que as pessoas estão atônitas. Conseguem enxergar só uma cor. Uma crítica ao Lula, e você é execrado. Uma crítica à direita, e os direitistas te execram. E esquecem o que fiz no dia anterior. Não percebem que não estou ali fazendo campanha nenhuma. Estou fazendo críticas, é a função da charge. Charge a favor nem existe. É gozado. E não é só comigo que acontece.

Não sei o que a esquerda quer e o que a direita está querendo. Essa gana aparecia em épocas de eleição, só que agora parece que dura mais. O Fora Lula, um absurdo, ele foi eleito, tem que respeitar, é democracia. O procurador da República denunciou 37 elementos ligados ao governo, quer dizer, as coisas funcionam. Mas parece que do lado oposto, a direita, eles querem em praça pública puxar pela barba o Lula e jogar na fogueira.

Essa elite tem que fazer uma revisão da postura dela para sair à rua para protestar. Uma charge minha falou isso, é como briga de quadrilha. Uma perdeu o espaço e está brigando com outra. Tenho aversão a esse tipo de movimento, muito medo, senhoras de Santana, peruas da Daslu, tudo isso é pra mim o excremento do pensamento político.

Vem de longe, de vícios da ditadura militar, daquela coisa mofada do Sarney, da coisa provinciana do Itamar, do autoritarismo do Collor, misturando tudo dá a política que a gente vive hoje. E contamina a imprensa. As pessoas estão interessadas em coisas fúteis, quem está comendo quem, o novo namorado da menininha que eu nem sei o nome. Sinto isso não só no Brasil, o mundo está medíocre, a reeleição do Bush é um exemplo. E nesse movimento todo incluo a esquerda também, pessoas que hoje são apenas caricaturas da esquerda.

Acho medíocre tudo isso, não leva a uma discussão inteligente, não se discute de maneira inteligente a política.

Textos publicados na revista Caros Amigos ano XI, nº 126, setembro/2007, Angeli na p. 31 e Laerte na p. 34. Ilustrações retiradas da web (ver site).

NOTA: OK, eu amo esses dois. Só acho que o Angeli colocou a questrão do Fora Lula como se isso fosse um pecado capital. Não, não é. Muito bem, o Collor saiu por menos que qualquer escândalo que o Lula nos proporciona. E eu fui pra rua, em BsB, brigar pro Collor sair. Mas, me digam: O que o Lula tem feito, realmente, pra reduzir a imensa desigualdade social do Brasil? Os bancos deixaram de lucrar horrores em cima da raia miúda? Os empresários, a Bolsa, os "investidores"... Estão todos muito bem, obrigado... O "Cansei" é um movimento de egos inflados. Ver o governo Lula como um efetivo fracasso para o povo é uma possibilidade, diante das estatísticas, dos dados, da violência, da natureza morrendo, da concentração de renda -- que não diminuiu -- etc. Sim, em relação à Daslu... eu prefiro a griffe Daspu. Transparência total e legitimidade... Diga não à pirataria, Daslu é pirataria. Daspu é como Havaianas: legítima.
:)

Caros Amigos [20]

Cansei

Creio que estamos perdendo muito tempo e preocupação com algo que se exauriu por si só. Devemos ficar atentos. Não devemos ignorar que, ao mesmo tempo em que condenamos qualquer tentativa de golpe, devemos deixar claro que o governo tem sido tímido na execução dos projetos sociais. Que ele escolha definitivamente um lado. Ele sabe com quem pode e não pode contar. Numa sociedade cuja cultura ainda é feudal e onde o exemplo das capitanias hereditárias é praticado diariamente, está mais do que na hora de uma ação objetiva. A ação é sempre mais importante que o discurso. É preciso decidir.

Esse é um sistema que produz a cada dia centenas de milhares de novos escravos, que nada mais são do que os excluídos, que vivem pior do que animais, já que estes não têm problemas com moradia ou alimentação. Alguém já viu uma ave sem ninho? Ou uma raposa sem toca? Seres humanos sem teto há aos milhões. Já é hora de agir. Sem discursos, piadas e metáforas.

A necessidade está matando a esperança. Se é que já não matou. Já não se trata mais do o que fazer? A questão agora é assumir a liderança ou ir a reboque.

É claro que seria ingênuo supor que um sistema planmetário vai permitir qualquer mudança substancial sem que haja uma ruptura. A História é cheia de exemplos. Ruptura exige sacrifícios. Ninguém vai entregar os anéis em nome da solidariedade num sistema que faz da exploração e da exclusão prioridade única. Ninguém vai rasgar o mísero papel que lhe dá direito a latifúndios sem fim em nome da solidariedade. Ninguém vai compartilhar sua empresa com os funcionários só porque eles são a verdadeira razão da existência dessa empresa.

A questão que se coloca é simples. Haverá coragem para a ruptura? Ou é mais fácil deixar tudo como está para ver como é que fica? Em todo o mundo, o que se vê é o sistema ruindo. E, se nada for feito, o planeta vai ruir com ele.

Texto de Geoges Bourdokan, jornalista e escritor, publicado na revista Caros Amigos ano XI, nº 126, setembro/2007, p. 40.
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NOTA DA MAYA: A revista Caros Amigos de setembro/2007 dedicou-se quase que inteiramente a analisar o movimento "Cansei".
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O movimento "Cansei" foi uma manifestação cívica e nacionalista, de caráter direitista, que se propunha a dizer: "Cansei" ao governo Lula. Madames, playboys, socialáites, mauricinhos e patricinhas made in Daslu, que nunca pisaram em um ônibus, nem fizeram fila em banco, nem passaram fome, nem precisaram de um hospital público, nem dormiram na rua, nem fizeram greve ou apanharam da PM participaram do "Cansei".
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O "movimento" foi em São Paulo. Ninguém pôde atirar ovos podres nos manifestantes, pois os manifestantes eram os que normalmente atiram ovos podres. Foi um sucesso.
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E a revista Caros Amigos perde seu tempo analisando o "movimento". Gasta seu papel. O Brasil se f%$&*endo e a gente dando holofotes pro "Cansei". O Governo Lula, que me desculpem os moderninhos e os atrasadinhos, é uma m.. Isso, graças a Deus, quase todo mundo já viu, mesmo aqueles que não se cansaram.
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Eu, que sou professora, moro no Maranhão, ajudei a eleger o Lula -- desde 89! -- e tô com "Nunca, na história deste país..." até a tampa, não me cansei. Mas estou quase vomitando. Sim, é isso. Vou lançar o movimento "Vomitei".

25 de set de 2007

Severino de Andrade, O poeta da luz [1]

Ai, se sesse!
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Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se um dia nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse;
Se juntinho nós dois durmisse;
Se juntinho nós dois morresse
Se pru céu nós dois assubisse!?
Mas porém, se acontecesse,
Qui São Pedro não abrisse
As portas do céu e fosse, Te dize quarqué tolice?
E se eu me arrimasse. E tu cum eu insistisse,
Pra qui eu me arrezorvesse
E minha faca puchasse,
E o buxo do ce furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse. Tarvez qui nós dois caísse,
E o céu furado arriasse
E as Virge todas fugisse!!!

FONTE: Arquivo pessoal.

Machado de Assis [9]

"No dia em que a Universidade me atestou, em pergaminho, uma ciência que eu estava longe de trazer arraigada no cérebro, confesso que me achei de algum modo logrado. Explico-me: o diploma era uma carta de alforria; se me dava a liberdade, dava-me a responsabilidade."
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Machado de Assis, em Memórias Póstumas de Brás Cubas
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José Maria Machado de Assis (1839-1908) foi escritor e jornalista carioca. Começou sua carreira aos 19 anos, escrevendo para jornais e revistas do RJ, notadamente contos, crônicas e críticas. Em 1897 foi eleito o primeiro Presidente da Academis Brasileira de Letras. Faleceu em 1908, deixando uma obra que inclui preciosidades como Memórias póstumas de Brás Cubas, Helena, Dom Casmurro, A desejada das gentes, O alienista e outros contos. Machado de Assis é considerado o mais importante contista brasileiro do século XIX. É tido por muitos o maior escritor brasileiro de todos os tempos e um dos mais significativos do mundo.
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FONTE: Arquivo pessoal e web.

Adilson Citelli [2]

Signo e ideologia

A consciência da importância de estudar a natureza do signo para reconhecer os tipos de discursos levou Mikhail Bakhtin a formular um dos mais férteis pensamentos sobre o assunto.

Em síntese, fala-nos o teórico soviético em seu Marxismo e filosofia da linguagem que é impensável afastarmos do estudo das ideologias o estudo dos signos, e que a questão do signo se prolonga na questão das ideologias. Há entre ambas uma relação de dependência tal que nos levaria a crer que só é possível o estudo dos valores e idéias contidos nos discursos atentando para a natureza dos signos que o constroem. Assim sendo, os recursos retóricos que entram na organização de um texto (...) não seriam meros recursos "formais", jogos visando a "embelezar" a frase; ao contrário, o modo de dispor o signo, a escolha de um ou outro recurso lingüístico, revelaria múltiplos comprometimentos de cunho ideológico.

Mas, como ocorreria a relação entre signo e ideologia? "Um produto ideológico faz parte de uma realidade (natural ou social) como todo corpo físico, instrumento de produção ou produto de consumo; mas, ao contrároio destes, ele também reflete e refrata uma outra realidade, que lhe é exterior. Tudo que é ideológico possui um significado fora de si mesmo. Em outros termos, tudo que é ideológico é um signo. Sem signos não existe ideologia." (BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo, Hucitec, 1979. p. 17)

Vejamos o seguinte exemplo: Um martelo outra função não possui, enquanto instrumento de trabalho, senão o de ser utilizado no proceso produtivo. Vale dizer, não extraímos dele nenhum outro significado a não ser o de auxiliar-nos na afixação de pregos, na quebradura de pedras etc. Contudo, o mesmo instrumento posto em outra situação, num contexto em que passe a produzir idéias ou valores que estão situados fora de si mesmo, refletindo e refratando outra realidade, será convertido em signo.

O martelo e a foice na bandeira da URSS estão produzindo a idéia de que o estado Soviético é construído sob a aliança dos trabalhadores do mundo urbano com os trabalhadores do mundo rural. Daí dizer-se, através da bandeira, que a URSS é o estado potencializado pela união dos operários com os camponeses.

De instrumentos de trabalho que eram, o martelo e a foice transformaram-se em signos, visto terem ganho dimensão ideológica. A ideologia transitou através dos signos. A idéia final que a bandeira da URSS quer persuasivamente produzir é a que o Estado Soviético é determinado pelos interesses dos trabalhadores. Note que os signos deram à bandeira a possibilidade de afirmar que, sendo ela a expressão mmaior da nacionalidade e estando nela as representações dos operários (o martelo) e dos camponeses (a foice), é fácil deduzir que são esses os que de mais importante existem dentro da nação.

Há uma enorme série de exemplos de instrumentos ou até mesmo produtos de consumo, que perderam seu sentido inicial para se transformarem em signos: ou seja, passaram a funcionar como veículos de transmissão de ideologias. O pão e o vinho para os cristãos, a balança para a justiça, a maçã para o pecado, a pomba para a paz etc. [Ressalto que F. de Saussure chamou estes signos de "símbolos". A passagem ideológica do "ícone" para o "simbolo" se daria a partir de uma percepção pre-existente da ligação entre a imagem e um significado atribuído a ela que já está culturalmente consensualizado em determinado grupo social. Citando Castelar de Carvalho, em Para compreender Saussure: "(...) o símbolo, semi-arbitrário, é um tipo intermediário entre o ícone e o signo; por exemplo, a balança é o símbolo da Justica, a espada, símbolo do Exército, a cruz simboliza o Cristianismo (uma vez que seu fundador nela morreu), etc." São Paulo: Vozes, 200. p.p. 26-27] É possível, contudo, em qualquer desses exemplos, saber até onde começa o signo; numa outra palavra, estamos diante da passagem do plano denotativo para o plano conotativo. O pão, enquanto tal, denota um alimento; porém, no contexto do rito religioso, passa a conotar o corpo de Cristo.

Para aduzirmos mais uma observação às considerações realizadas até aqui, convém lembrar que o signo só pode ser pensado socialmente, contextualmente. Sendo assim, cria-se uma relação estreita entre a formação da consciência individual e o universo dos signos. Só podemos pensar a formação da consciência dentro de um prisma concreto, derivado, do embate entre os signos.

Se as palavras, por exemplo, nascem neutras, mais ou menos como estão em estado de dicionário, ao se contextualizarem, passam a expandir valores, conceitos, pré-conceitos. Nós iremos viver e aprender em contato com outros homens, mediados pelas palavras, que irão nos informar e formar. As palavras serão por nós absorvidas, transformadas e reproduzidas, criando um circuito de formação e reformulação de nossas consciências. Não podemos imaginar, como querem certas filosofias, que a consciência seja uma abstração, uma projeção do "mundo das idéias". Ao contrário, pode-se verificar pelo que foi dito até aqui, que a consciência se forma e se expressa concretamente, materialmente, através do universo dos signos Pode-se, portanto, "ler" a consciência dos homens através do conjunto de signos que ela expressa. [Aí chegamos ao embate Materialismo vs Idealismo. Ora, como ser cristã e socialista??? E mais: se o cristianismo é dualista, visto que separa matéria e espírito, tendo também retomado Platão -- sobretudo nos escritos de Paulo -- , como se dizer que ele é idealista, se tanto o materialismo como o idealismo supõem uma concepção monista da realidade? Cf: LYONS, John: 1981.]

As palavras, no contexto, perdem sua neutralidade e passam a indicar aquilo a que chamamos propriamente de ideologias. Numa síntese: o signo forma a consciência que por seu turno se expressa ideologicamente.

Com essas observações, é fácil deduzir que o modo de conduzir o signo será de vital importância para a comprensão dos modos de se produzir a persuasão.

(...)"

In: CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. São Paulo: Ed. Ática, 1994. pp. 26-29

Elisa Lucinda [1]


Só de Sacanagem


Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres
que eu, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro
viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que
a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu
pai, minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam: "Não roubarás",
"Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filhinha".

Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha ouvido falar e sobre a
qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.

Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido,
então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!

Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba"
e eu vou dizer:
Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos,
vamos pagar limpo a quem a gente deve
e receber limpo do nosso freguês.

Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto,
desde o primeiro homem que veio de Portugal".

Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!

Sei que não dá para mudar o começo
mas, se a gente quiser,
vai dar para mudar o final!

Fausto Wolff [1]

Passarinho
.
Não é tua mãe, não é tua irmã
Nem poderia ser prima ou tia
Mas é sempre uma confusão
Maior do que a festa pedia.
É um troço tão louco,
Tão esculhambado que,
de repente, você se vê.
Abraçado, beijado, noivado
E casado.

Fausto Wolff, em Gaiteiro Velho.

24 de set de 2007

Davi

No parquinho da creche...
.
.

"Me deram um banho!"
.

Cacique pena-branquinha da tribo dos Tupininins....

NOTA: Recebi estas fotos agora há pouco da minha irmã, Paula. Este é o meu sobrinho Davi, que chega esta semana de Brasília... Como costumo dizer, o babador já está preparado. Mas é pra mim, não pra ele. E mais dois, pelo menos (hoje minha mãe me corrigiu): um pra Vovó Bela (minha Vó Maria) e outro pra Vovó Dite (minha mãe, Edite). Só pra nós, que o Davi não baba mais, ele já faz (quase) tudo sozinho, muito coisinha linda...

:)

Eric Hobsbawm [1]

I


Se a economia do mundo do século XIX foi constituída principalmente sob a influência da revolução industrial britânica, sua política e ideologia foram constituídas fundamentalmente pela Revolução Francesa. A Grã-Bretanha forneceu o modelo para as ferrovias e fábricas, o explosivo econômico que rompeu com as estruturas socioeconômicas tradicionais do mundo não-europeu; mas foi a França que fez suas revoluções e a elas deu suas idéias, a ponto de bandeiras tricolores de um tipo ou de outro terem-se tornado o emblema de praticamente todas as nações emergentes, e as políticas européias (ou mesmo mundiais), entre 1789 e 1917, foram em grande parte lutas a favor e contra os princípios de 1789, ou ainda mais incendiários princípios de 1793. A França forneceu o vocabulário e os temas da política liberal e radical-democrática para a maior parte do mundo. A França deu o primeiro grande exemplo, o conceito e o vocabulário do nacionalismo. A França forneceu os códigos legais, o modelo de organização técnica e científica e o sistema métrico de medidas para a maioria dos países. A ideologia do mundo moderno atingiu, pela influência francesa, as antigas civilizações que até então resistiam às idéias européias. Esta foi a obra da Revolução Francesa. [grifos meus]

O final do século XVIII foi uma época de crise para os velhos regimes da Europa e seus sistemas econômicos, e suas últimas décadas foram cheias de agitações políticas, chegando até o ponto de revoltas, de movimentos coloniais em busca de autonomia, às vezes atingindo o nível de secessão: não só nos EUA (1776-83) mas também na Irlanda (1782-4), na Bélgica em Liége (1787-90), na Holanda (1783-7), em Genebra e, até mesmo, na Inglaterra (1779). A quantidade de agitações políticas é tão grande que alguns historiadores recentes falaram de uma “era da revolução democrática”, na qual a Revolução Francesa foi apenas um exemplo, embora o mais dramático e de maior alcance e repercussão.

Na medida em que a crise do velho regime não foi puramente um fenômeno francês, há algum peso nestas observações. Igualmente se pode argumentar que a Revolução Russa de 1917 (que ocupa uma posição de importância análoga em nosso século) foi meramente o mais dramático de toda uma série de movimentos semelhantes, tais como os que – alguns anos antes de 1917 – finalmente puseram fim aos antigos impérios turco e chinês. Ainda assim, há aí um equívoco. A Revolução Francesa pode não ter sido um fenômeno isolado, mas foi muito mais fundamentalmente do que outros fenômenos contemporâneos e suas conseqüências foram, portanto, muito mais profundas. Em primeiro lugar, ela aconteceu no mais populoso e poderoso Estado da Europa (com exceção da Rússia). Em 1789, cerca de um em cada cinco europeu era francês. Em segundo lugar, ela foi, diferentemente de todas as revoluções que a precederam e a seguiram, uma revolução social de massa, e incomensuravelmente mais radical do que qualquer levante comparável. Não foi casual que os revolucionários americanos e os jacobinos britânicos que emigraram para a França, devido a suas simpatias políticas, tenham sido vistos, na França, como moderados. Tom Paine era um extremista na Grã-Bretanha e na América; mas, em Paris, ele estava entre os mais moderados dos girondinos. Resultaram das revoluções americanas, grosseiramente falando, países que continuaram a ser o que eram, apenas em controle político dos britânicos, espanhóis e portugueses. O resultado da Revolução Francesa foi o de que era de Balzac substitui a era de Mme. Dubarry.

Em terceiro lugar, entre todas as revoluções contemporâneas, a Revolução Francesa foi a única ecumênica. Seus exércitos partiram para revolucionar o mundo; suas idéias de fato revolucionaram. A revolução americana foi um acontecimento crucial na história americana, mas (exceto para os países diretamente envolvidos nela ou por ela) deixou poucos traços relevantes em outras partes. A Revolução Francesa é um marco em todos os países. Suas repercussões, ao contrário daquelas da revolução americana, ocasionaram levantes que levaram à libertação da América Latina depois de 1808. Sua influência direta se espalhou até Bengala, onde Ram Mohan Roy foi inspirado a fundar o primeiro movimento de reforma hindu, predecessor do nacionalismo indiano moderno. (Quando visitou a Inglaterra, em 1830, ele institiu em viajar num navio francês para demonstrar o entusiasmo pelos princípios da Revolução). A Revolução Francesa foi, como bem disse, "o primeiro grande movimento de idéias da cristandade ocidental que teve algum efeito real sobre o mundo islâmico", isto quase que de imediato. Por volta da metade do século XIX, a palavra turca vatan, que até então simplesmente descrevia o local de nascimento ou a residência de um homem, tinha começado a se transformar, sob a influência, em algo parecido com patrie; o termo “liberdade”, antes de 1800, sobretudo uma expressão legal que denotava o oposto de “escravidão”, tinha começado a adquirir um novo conteúdo político. Sua influência direta é universal, pois ela forneceu o padrão para todos os movimentos revolucionários subseqüentes, tendo incorporado suas lições (interpretadas segundo o gosto de cada um) ao socialismo e ao comunismo modernos. [grifos meus]

A Revolução Francesa é assim a revolução do seu tempo, e não apenas uma revolução, [grifos meus] embora a mais proeminente de sua espécie. E suas origens devem, portanto, ser procuradas não meramente nas condições gerais da Europa, mas sim na situação específica da França. Sua peculiaridade talvez seja mais bem ilustrada em termos internacionais. Durante todo o século XVIII a França foi o maior rival econômico da Grã-Bretanha. Seu comércio externo que multiplicou quatro vezes entre 1720 e 1780, causava preocupação; seu sistema colonial foi em certas áreas (como nas Índias Ocidentais) mais dinâmico que o britânico. Mesmo assim, a França não era uma potência com a Grã-Bretanha, cuja política externa já era substancialmente determinada pelos interesses da expansão capitalista. Ela era a mais poderosa, e sob vários aspectos a mais típica, das velhas e aristocráticas monarquias absolutas da Europa. Em outras palavras, o conflito entre a estrutura oficial e os interesses estabelecidos do Antigo Regime e as novas forças sociais ascendentes era mais agudo na França do que em outras partes.


FONTE: HOBSBAWM, E. J. A Revolução Francesa. 3ª edição. São Paulo: Paz e Terra, 2000, pp 7 -11.

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